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Aterramento X SPDA

- Poços de Caldas - M.G. cep:37 704 347 Aterramento X SPDA É verdade que as

É verdade que as Normas NBR-5410 e NBR-5419 recomendam interconecção de todas as malhas de terra, mas isto não deve ser seguido como uma regra plenamente definida e se houver interligações, elas não podem ser feitas de qualquer jeito!

Não é uma verdade absoluta e vai em sentido contrário à segurança dos modernos equipamentos eletrônicos. Para iniciar uma compreensão destes conflitos, deve-se observar que estas normas foram colocadas com o pensamento em equipamentos elétricos robustos, tais como motores, eletrodomésticos, instalações industriais de potência, etc

Porém, há alguns aspectos mais detalhados e outras visões, aos quais resumiremos aqui.

A norma NBR-5419, desde sua versão anterior, de 1993, traz alguns erros conceituais graves que foram inclusive reclamados em diversas instâncias, anterior e posteriormente à sua atualização em 2000 (veja Revista Eletricidade Moderna de jan/2000 e outras que se seguiram, protestando contra tais falhas conceituais).

Portanto, discussões sobre aterramento elétrico nos trás alguma preocupação, pois este tema não permite generalizações ou soluções padrões superficiais, pelas mesmas razões porque este tema se torna de difícil normatização.

Repare que toda vêz que se fala de aterramenro ou SPDA, a NR- 10 aceita qualquer norma internacional e principalmente a justificativa do responsável pelo projeto.

Então, vejamos:

O principal erro conceitual refere-se à equalização de potencial

durante uma descarga atmosférica!

No universo de fenômenos associados às descargas atmosféricas, que são transitórios extremamente rápidos onde os comprimentos de onda são de poucos centímetros, a teoria é um pouco diferente do conceito eletrotécnico empregado no universo de baixas freqüências (50, 60 Hz, etc), onde os comprimentos de onda são de milhares de quilômetros, o que faz com que os pontos de um circuito de dimensões físicas muito grandes se apresentem "num mesmo ponto da senoide".

No ambiente dos transitórios extremamente rápidos:

1. Não há garantia de manutenção do valor das

indutâncias ou das capacitâncias, uma vez que tudo depende da forma dos campos elétricos e magnéticos que neste caso não se distribuem homogeneamente,

2. Não há garantia de equalização de potenciais elétricos,

senão após uma série de tempos de propagações e reflexões,

que de fato, trariam a equalização final de tensões, não fossem os diversos e diferentes pontos de escoamento da energia para a terra,

3. O conceito de resistência de terra e a fixação de valores

máximos não tem sentido, pois a "impedância de surto" dos

eletrodos de aterramento, é que rege seu comportamento,

4. Na verdade, o conceito de impedância, típico de

grandezas senoidais, não é aplicável neste ambiente, tanto

que aqui se introduz o conceito de "impedância de surto".

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Então quais são as implicações de se interligar os ter-ras de para-raios atmosféricos com terra de sistemas elétricos numa instalação?

Um equipamento eletrônico pode interligar-se com o meio externo de 4 maneiras.(Suas portas de entrada para surtos):

- Entrada de suprimento,

- Canal de saída /entrada de sinais de comunicação

- Ponto de aterramento da carcaça,

- Antena de comunicação.

Lembremos do que foi dito:

Até que os potenciais entre todos os pontos ou partes do sistema atingido sejam "mais ou menos equalizados" (fonte de suprimento, dispositivo remoto ligado ao canal de sinal, etc.), ou seja, atinjam potenciais próximos, os equipamentos eletrônicos ficam sujeitos a diferenças de potencial, podendo-se ter surtos, por exemplo, que produzam arcos elétricos que "saltam" da carcaça para a placa, queimando assim todos os componentes, desde que o potencial do ponto de aterramento da carcaça atinja valores muito mais elevados que o potencial de referência do sistema de suprimento.

que o potencial de referência do sistema de suprimento. Nestas condições, há que se considerar a

Nestas condições, há que se considerar a suportabilidade quanto aos surtos, principalmente lidando-se com equipamentos eletrônicos, que é descrita pela CURVA CBEMA (Computer and Business Equipment Manufacturers Association).

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Normalmente os fabricantes exigem aterramentos independentes, tentando fugir de surtos transferidos por um terra heterogêneo e composto de elementos díspares quanto à robustez elétrica.

Mas na verdade, não se pode proteger equipamentos eletrônicos através de aterramentos, mas sim através de barreiras série, tais como os "shokes" ou "baloons" dos cabos de monitores de computador, etc., além de dispositivos supressores de surto (Zenner, centelhador a gás, varistor, etc.).

Existe aqui um conflito entre o recomendado pelas normas NBR-5410 e 5419, voltadas para equipamentos e sistemas elétricos de potência, tais como motores, cabos, etc., que são muito mais robustos [NBI (Nível Básico de Impulso) muito elevado], e o que seria ideal para a integridade de equipamentos eletrônicos, muito mais sensíveis.

Qual é, especificamente o seu problema, é a pergunta principal a responder, antes de decidir entre unificar ou não as malhas de terra em uma instalação.

Fizemos um breve resumo, para dizer finalmente:

Este problema exige o olhar de um engenheiro, que tenha visão abrangente do seu problema e também que compreenda que as vezes uma solução traz um compromisso com um aspecto, descobrindo outro. Não existe receita de boloque resolva tudo.

Nossa maior “dor-de-cabeça” é que a NFPA 780 normatizou a interligação entre os terras do sistema de potência e SPDA.

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A NFPA (National Fire Protection Association) é o “livro de cabeceira” das seguradoras e dos bombeiros. Portanto, é uma “canseira” convencê-los que a NR-10 acata a justificativa e a decisão do Engenheiro projetista de interligá-los ou não.

10.3.4 O projeto deve definir a configuração do esquema de aterramento, a obrigatoriedade ou não da interligação entre o condutor neutro e o de proteção e a conexão à terra das partes condutoras não destinadas à condução da eletricidade.

Caso se esgote todo seu repertório de persuasão, em vão, só lhe resta um recurso (que não é 100% garantido, mas, teoricamente minimiza o problema):

1. Faça um documento eximindo-o de responsabilidade de qualquer dano ou lucro cessante causado pela interligação dos terras de SPDA com o sistema elétrico de potência. Neste documento, pegue nome, cargo e assinatura de quem fez a exigência;

2. Projete e monte seu sistema SPDA tipo “gaiola de Faraday” classe I, por área (ou prédio);

3. Mamtenha as malhas de terra dos SPDAs, independentes da malha de terra do sistema de potência da planta;

4. Em cada área (ou prédio), encontre o ponto de terra (haste) do sistema SPDA local, mais próximo do TAP (Terminal de Aterramento Principal) do sistema de potência da área;

5. A um metro deste ponto (e na direção do TAP), instale outra haste de terra que denominaremos TAL (spda)

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(Terminal de Aterramento Local do SPDA) e entre elas, seguindo a teoria da MTR (Malha de terra Referencial). instale, em uma caixa, uma placa metálica, que funcionará como suppressorde surtos de alta frequência;

6. Embora não exista garantia total, o TAL (spda) , teóricamente, não deverá transmitir surtos de alta frequência ao sistema, portanto, ele e só ele, poderá ser interligado ao TAP, equalizando os barramentos de terra;

Obs.: Faça as conecções até o TAL (spda) concordantes e com curvas de raio longo.A partir dele, faça as curvas em 90 graus.

7. Proteja seus equipamentos sensíveis utilizando o sistema MTR.

Obs.: A construção das M.T.R., é baseada nas pesquisas de condução de sinais de alta freqüência em cabos condutores (linhas físicas de transmissão de dados), onde se estabeleceu que “se o comprimento do condutor for muito menor que o comprimento de onda do sinal transmitido (de 1/10 a 1/20), então a diferença de potencial estabelecida entre as extremidades do condutor é praticamente desprezível”.

Para um sinal de 60MHz, um vigésimo do seu comprimento de onda equivale cerca de 30cm.

Portanto, se for construída uma malha de condutores espaçados entre si com esta distância e interconectados nos seus cruzamentos, será criado um grande número de circuitos paralelos de baixa impedância, que funcionarão praticamente como curto-circuito para o espectro de freqüências desde 60Hz (freqüência industrial)

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até 60MHz.

Pode-se perceber, por extensão, que uma “chapa metálicaequalizaria qualquer freqüência por mais elevada que fosse, uma vez que seria nulo o espaçamento entre condutores.

O condutor ideal para altas freqüências é a “fita”. Logo, a M.T.R. deve, em princípio, ser executada e interligada com estes condutores.

Fluidos inflamáveis, normalmente são dielétricos, portanto passíveis de se eletrizarem estaticamente pelo seu atrito com as linhas, bombas e equipamentos, durante o seu manuseio. Por este motivo recomenda-se que todo o sistema, linhas, bombas, equipamentos e tanques (inclusive os de transporte), estejam no mesmo potencial elétrico e firmemente aterrados, com uma resistência o menor possível para terra, e que seja testada a cada 2 anos. Afinal, combustíveis acima de seu ponto de fulgor podem ser considerados como explosivos.

Do aterramento deve constar:

Ponto para o firme aterramento do caminhão, em sua carga ou descarga;

Pontes elétricas através de elementos de linhas e flanges;

Aterramentos visíveis e independentes de motores, bombas e equipamentos;

Se os motores forem aterrados internamente pela caixa borne, isto deve estar indicado no campo;

Todos os tanques devem ser visivelmente aterrados;

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As linhas devem ser firme e visivelmente aterradas a cada 50 m, no mínimo;

Leitos de cabos e estruturas metálicas não são considerados aterramentos;

Nenhum condutor da malha de terra deve ser isolado ou passar por eletrodutos metálicos.

Proteção contra descargas atmosféricas para os tanques:

Normalmente os tanques são erguidos em locais isolados e são os pontos mais altos de sua região. Como são firmemente aterrados, transformam-se em “Para-raios” preferencias.

Por isto, recomenda-se que sua proteção contra descargas atmosféricas seja feita por uma malha de cabos estáticos, com as seguintes características:

Esteja a pelo menos quatro metros acima do ponto mais alto do tanque;

Que todo o tanque esteja compreendido dentro do cone formado por um ângulo de 30º tomado a partir da vertical da extremidade mais próxima da malha;

Que o aterramento da proteção seja melhor ou igual ao terra do sistema de potência;

Se for interligá-lo à malha de terra da planta, use o mesmo critério acima descrito.

PFCP

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