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Luxúria
v 1 luxúria . [Do lat. luxuria.] S. f. 1. Viço ou exuberância das plantas. 2. Incontinência, lascívia; sensualidade. 3. Dissolução, corrupção, libertinagem. Ele estava ajoelhado, com os pulsos atados. Os braços esticados para frente, pois uma corda grossa e áspera o amarrava ao fim do corrimão da escada. Seria torturante se não fosse ela. De pé, ao lado dele, se masturbava, deixando a vulva úmida quase ao alcance de sua boca. Ele sentia o doce aroma do sexo dela, que por sua vez usava apenas meias e botas. Nada mais, o corpo descoberto, e cada marquinha de biquíni e tatuagem o excitava mais e mais. Ela era uma gata malhada, totalmente montada em horas de vaidade e academia, mulher que deixava de lado um dia estressante de trabalho para fazer bronzeamento artificial... E agora ela estava ali, o dominando. Deixava a mulher no comando apenas algumas vezes. Como nessa noite, apenas mais uma dentre tantas outras regadas a muito sexo. Sua "domme" tinha despejado milho no local onde ele se ajoelhou, ressuscitando talvez algum fantasma de infância dela, sei lá. E para não ser apenas dor, se masturbava com tesão perto do rosto dele. Quando cansou da masturbação, quis ser lambida e sugada. Aproveitou os braços esticados, e passou uma perna por cima, então literalmente sentou a vagina na cara dele, que se deliciou. Enquanto ela rebolava e esfregava o clitóris na barba mal feita, sentia-se dona daquele homem. Gozou muito só com esse pensamento. Talvez tenha descontado ali alguma frustração sofrida nas mãos de outros machos que a usavam como objeto. Ele estava cagando e andando para aquelas divagações. Queria comê-la, e ela estava ali. Aberta e entregue. Ótimo! Algum tempo depois, a situação estava invertida. Ela já tinha tirado as botas, e ele se aproveitou das meias, tinha uma espécie enrustida de fetiche por pezinhos femininos, então literalmente colocou seu pau dentro da meia, "vestindo" seu membro junto ao pé de sua parceira. O roçar suave da meia e a visão de seu objeto de desejo logo o fizeram gozar, e acabou enchendo de porra a meia, melando também os dedos do pezinho dela. Um dos dedinhos aliás era adornado por um anel, presente que ele mesmo dera. Na verdade, chegou a pensar que aquele anel era o verdadeiro preço dessa trepada fenomenal que estava tendo. Sua amiga era materialista ao extremo, e ele sabia de ocasiões em que tinha se entregado à homens por somas em dinheiro, e outras por um simples jantar sofisticado. Então, a idéia não soava absurda. Estava comendo a mulher de seus sonhos ("uma das", ele se corrigiu logo em seguida) apenas por tê-la cantado e dado um mísero agrado. Foi a vez dele se deliciar com esse pensamento simples e materialista. Eles estavam exaustos com esses joguinhos, então a penetração em si não foi tão intensa nem tão excitante. Foi tudo mecânico, automático, e os gemidos dela foram todos muito artificiais. Pelo menos ela não errou seu nome nenhuma vez, coisa que lhe daria o direito de aplicar uma porrada muito forte no meio daquele rostinho de putinha de luxo.

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Ao fim de um vai-e-vem maçante e burocrático, nem de longe tão excitante quanto sentí-la sentada em sua cara, muito menos que ter gozado no pezinho delicado dela, chegaram ao orgasmo. Ela veio primeiro, gritava e gemia como uma loura de filme pornô americano, e ele gozou logo depois. Tirou a camisinha cheia de esperma, deu um nó e mostrou à ela o quanto de porra tinha lá dentro. Uma bravata que o fazia sentir-se mais macho, nunca soube o porque achava aquilo interessante, mas gostava de observar a reação da parceira. Essa quis provar. Abriu na unha a camisinha, e soltou calmamente o conteúdo nos seios, como se passasse na pele o mais caro hidratante cosmético, esfregando e massageando. Foi a senha para mais uma rodada de sexo. Ao amanhecer, estavam cansados, consumidos pela luxúria toda daquela madrugada. A despedida foi estranha, a mulher saiu com um beijo apressado, alegando que iria trabalhar, apesar de ser uma linda manhã de sábado.

Ele afundou-se em travesseiros e lençóis com cheiro de sexo, logo após a saída dela. Tinha conseguido mais uma vez, comeu mais uma mulher, e essa ele desejava há tempos. Nunca tinha investido de verdade, mas quando chegou conseguiu, e até que fora relativamente fácil... Mas, agora, sozinho em seu quarto, roupas espalhadas pelo chão, copos com restos de bebidas misturadas com cinzas de cigarro, por que ele se sentia tão só? Comandava os desejos de todas as mulheres que conhecia, transava com todas elas, mas... Não amava nenhuma delas. E também não era amado, desejado sim, nada mais que isso. Pela primeira vez se incomodou. Foi tomar banho, carregando consigo um sentimento de vazio que sabia que nunca preencheria...

Gula
v 2 gula . [Do lat. gula, 'esôfago', 'garganta'.] S. f. 1. Excesso na comida e na bebida. [Cf. glutonaria.] 2. Apego excessivo a boas iguarias. [Sin. ger.: gulodice ou gulosice.] Estou numa sala de chat, usando um apelido um tanto óbvio e por isso mesmo ridículo. Como idade não se aplica à um ser como eu, então minto, enquanto leio na tela fria um quarentão cantando virtualmente meninas de treze à dezessete anos. Uma delas lhe responde: "Ainda sou virgem, mas já deixei colocarem a pontinha do pênis na minha bundinha e confesso que adorei, mas dói um pouco, acredito que na frente seria melhor, mas não me decidi ainda", e então eu resolvo perguntar se o elemento tem filha. Ao fundo outra garota dizendo ter quatorze anos pede por fotos de dupla penetração. É, a humanidade caminha doente. Agora vivemos na era da internet. Das experimentações, dos relacionamentos descartáveis. Em outras palavras... promiscuidade! Uma mulher me passa seu celular após vinte minutos de conversa, tudo por que prometi levar mais dois amigos ao encontro, assim poderíamos todos transar com ela. Tudo mentira, obviamente. -Você é casada? - pergunto à uma delas, que usava um apelido extremamente desagradável. "Oito entre dez amigas minhas traem seus parceiros, algumas são bem casadas, até. Não teve

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namorado nenhum meu que não tenha levado um par de chifres." - foi a resposta que li no meu computador. Incrível, mas nada surpreendente. Resolvi então investir numa presa fácil. Nettie era adorada no mundo virtual. A internet era seu território de caça. Nunca tinha mostrado sua foto para ninguém, talvez por ser meio gordinha, fora dos atuais padrões de beleza. Usava o simpático apelido de Pinhead por ter piercings no umbigo, nos mamilos, nas orelhas, nas sobrancelhas, no nariz, dentro da boca, nos lábios e... naqueles lábios também. Eu sabia disso tudo pois já tinha conversado com ela outras vezes, mudando sistematicamente de apelido e personalidade. -Me diga, você é muito gorda? -Sim - ela digitou, meio sem graça - estou fora do peso, se quer saber. Talvez por eu ser gulosinha... -Ah, gulosa? Eu gosto assim. Relaxe, também gosto de ter carnes para apertar. - tentei enganála. -Sou muito gulosa mesmo. - ela respondeu, distraída, talvez por estar conversando com mais umas três ou quatro pessoas de seu fã-clube virtual. Gostavam tanto das sacanagens gratuitas que ela teclava e de seus exóticos pedaços de metal encravados no corpo que esqueciam de perguntar sua aparência. -Vou te mostrar um novo tipo de gula, Pinhead. -Quando? Onde? - ela se animou, respondendo automaticamente, como se esperasse muito por ler essa frase. -No motel que você escolher. - digitei rápido. -Mas... assim? Nem te conheço. -E precisa? Diga que não quer então. - provoquei. -Quero sim. Caramba, estou toda molhadinha. Vamos marcar algo AGORA. - ela aceitou. A presa engolira, ainda não literalmente, a isca. Na verdade, devia estar molhada de suor entre as enormes coxas, de tanto roçá-las, mas claro... adoram digitar isso na internet! Como se me afetasse. Pinhead foi ao meu encontro, e fazia juz ao apelido. Apesar de não ter nenhuma tatuagem, seu corpo era lotado de piercings. Suas orelhas tinham mais metal que cartilagem, e, caramba... ela era MUITO gorda, obesidade quase mórbida. Tanto melhor, pois eu estava faminto. Apaguei a luz. Na penumbra do quarto do motel, ela tirou a pesada roupa que vestia. Uma mulher enorme com unhas pintadas de preto, basicamente. Às vezes um piercing brilhava, refletindo a pouca luz que entrava pela janela. Seus seios, além de gigantescos, eram um pouco flácidos. Pontudos, um dos mamilos era atravessado por uma grossa argola. Foi onde encostei a boca primeiro.

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-Veremos quem é o guloso de verdade, Nettie. - eu rosnei, e vi medo estampado no olhar dela. Mas ainda não era hora disso, queria excitá-la antes, para impregnar seu sangue com a sensação: "Abra as pernas, quero ver o que pendurou no clitóris". Era o símbolo feminino. Um símbolo encravado no outro, eu diria. Encostei a boca devagar, e o metal estava umedecido, todo melado mesmo, e quente, mas seus lábios vaginais estavam mais, tanto que até pareceu queimar levemente minha língua. Sei disso porque engoli de leve o piercing, trazendo suas carnes molhadas junto. Senti a textura do metal e o gosto da mulher excitada. Quis morder, comer sua carne. Mas ela ainda podia gritar e... -Deixe-me ver o piercing da sua língua, Nettie? Ela estava com a cabeça jogada para trás, gemendo. Ajeitou-se, um pouco nervosa por eu ter parado de lamber e chupar seu grelo, e, como uma criança má, mostrou a língua para mim. Não parecia um piercing, de tão grande. Era quase um prego. Quando o senti entre meus dentes, durante um beijo, fiz força e puxei... Horas mais tarde, o delegado estava perplexo: -Então policial Nielsen, que pode me dizer? E os documentos da vítima? - Nettie, ou o que tinha sobrado dela estava na cama ainda, uma poça de sangue e carne mastigada, com todo metal de seu corpo arrancado à dentadas. O subordinado coçou a cabeça, como se pressentisse uma bronca do chefe: -Eles não se identificaram na entrada. A moça da recepção disse que estranhamente "não sentiu vontade" de pedir seus documentos. -Entraram num motel sem ao menos mostrar documentos? Que espelunca é essa, afinal? reclamou o chefe, enquanto manuseava um símbolo feminino em metal todo ensangüentado, "de onde seria esse piercing?" -Me desculpe policial. - interrompeu o dono do estabelecimento - Nem sempre os clientes fornecem identidade. Sabe, alguns são casados, ou casadas, e estão com outros parceiros, e preferem... sei lá, você entende, não? -Privacidade, promiscuidade... - resmungou o chefe de polícia - Quanta imundície! Mas, e quanto à essa moça canibalizada? Ninguém aqui escutou enquanto ela gritava? -A língua dela está mais bifurcada que a de uma cobra. Foi quase arrancada de sua boca. - os peritos estranharam o fato de que os piercings foram todos cuspidos nas paredes, mas apesar disso em nenhum deles se encontrou sinal de saliva. "É como se o homem que fez isso não tivesse fluídos corporais. Não deixou rastro algum!" -Mas pelo jeito, de sangue ele está encharcado! Alheio, claro! - terminou o chefe, assustado com sua própria conclusão. Será que...?

Preguiça

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v 3 preguiça . [Do lat. pigritia.] S. f. 1. Aversão ao trabalho; negligência, indolência, malandrice. 2. Morosidade, lentidão, pachorra, moleza. Ele estava deitado no sofá, despreocupado e ainda meio sonolento. Lentamente estendeu os braços, como se estivesse empurrando algo invisível, e esticou juntamente os dedos dos pés, quase ao limite, e então tremeu e suspirou, quase um gozo... Quando terminou de se espreguiçar, como um gato gordo e malandro, percebeu que ela estava na cama. A visão o deliciou. Ela estava lendo. No auge da beleza, costas nuas, os seios juvenis displicentemente largados por sobre uma revista qualquer, sua irmãzinha usava apenas uma calcinha branca, que teimava sumir por entre as nádegas. Ele começou a sussurrar: -"Com seu lindo cabelo negro e olhos verdes-esmeralda, as pessoas apontam -Lá vai a irmã do Peter em desgraça- talvez você deva considerar essas palavras como uma piada, eu não me importo com alegações de incesto." Era uma música do Type O Negative, que basicamente dizia "fique fora de meus sonhos", e que ele sempre gostou de cantarolar. Sua irmã já recebia aquilo como um código, somente entre eles. Virou-se, encarando o irmão no sofá, e reparou no quanto ele estava excitado. -Como pode já acordar assim, duro? Foi visitado por alguma sucubbus enquanto dormia? -Que demônia que nada, menina. A maioria dos homens saudáveis acordam com ereção por causa de sonhos eróticos que ocorrem normalmente nos últimos noventa minutos do sono. -Ah, por falar em ereção - ela disfarçou, percebendo as más intenções dele - escute isso: "Elegância. Ereção tem hora e lugar. Ao beijar uma mulher de boca fechada, o homem deve ser cortês e se conter. Mas quando o beijo passar à boca livre, ou seja, estilo francês de beijo de língua, ele não só pode como deve se mostrar ereto." -Caralho, que monte de abobrinha, onde está lendo isso? "Aqui". Ela mostrou a revista em que estava debruçada por cima, mas ele só olhou para os mamilos duros de sua irmã. Era sempre uma delícia passarem a tarde toda sozinhos. -"É do direito dele ficar com aquilo duro se estiver alisando os seios e o bumbum dela. E quando ela estiver alisando a genitália dele, esta, então, deve manifestar-se nervosamente deliciada." -Mas que pé no saco esse texto, menina. Isso é coisa de socialite, não é? Aqueles livros de "boas maneiras" imbecis, não? -Sim, mas olha a conclusão, que interessante: "Ter uma ereção depois do jantar , no carro, ou no banco traseiro do táxi é considerado de bom-tom. E o homem elegante sempre tem ereção durante o sexo." - ela terminou, sorrindo. -Eu não teria uma afirmação mais idiota que essa... - ele disse, indo deitar-se, também nu, ao lado dela na cama. Sempre teve tesão por sua irmã. Continuava de pau duro.

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Ela sentiu-se meio desconfortável, mas adorava trepar com ele. De vez em quando pintava um lance meio existencialista, mas logo ela desencanava e curtia. Tinha sido abençoada com um irmão lindo e gostoso, então por que não aproveitar? -Sei que você quer. Pega, segura ele. Sabe que adoro sua mãozinha safada. Ela segurou e começou uma gostosa masturbada. Sentir o membro de seu irmão pulsando nas mãos, numa tarde que prometia ser apenas preguiçosa, era tudo o que ela queria agora. -Gosto quando você beija, chupa e lambe... e depois engole tudo! Como pode uma mocinha ser tão safada? Imagino quando passar dos dezoito anos. Sabe que não gosto de imaginar outro cara te comendo? Ela soltou um gemido de puro êxtase ouvindo aquilo, e engoliu, como ele gostava. Então ergueu-se, pegando a revista com uma mão, enquanto o acariciava com a outra. -Li isso aqui também, ouça: "Incesto entre irmãos é tido pelos experts como aceitável, se o intuito é dar mais cor ao seu diário secreto, ou sua biografia não-autorizada. Mas, se for praticado pelo mero prazer físico, será apenas uma saída fácil, covarde, mera conveniência, e refletirá a pobreza da vida de ambos..." -Cala a boca e chupa. Quando ela obedeceu, e continuou as chupadinhas, ele se esticou na cama, e deu uma segunda espreguiçada que fez seu pau aumentar dentro da boca úmida, então se encostou nos travesseiros, feliz e excitado. De fundo, um rádio alto despejava Megadeth no ambiente, que berrava: "Eu sei o que eles faziam com você, mas não tente fazer isso comigo também. Deixe-me te mostrar como te amo, é nosso segredo, seu e meu. Mas mantenha entre família. Um segredo de família."

Orgulho
v 4 orgulho . [Do frâncico * urgEli , 'excelência', pelo cat. orgull e poss., pelo esp. orgullo.] S. m. 1. Sentimento de dignidade pessoal; brio, altivez. 2. Conceito elevado ou exagerado de si próprio; amor-próprio demasiado; soberba. Sim, era um milagre. Além do entardecer, três amigos de infância se reencontraram. A última vez que se viram foi no fim da adolescência, e agora, mais de dez anos depois. Resolveram entrar em algum bar para beber, quando apareceram as diferenças que chegam com a idade: um era satanista, o outro era padre agora, e o terceiro... bem, o terceiro tinha uma visão particular do mundo. Marco ainda usava a camiseta desbotada do King Diamond, onde se lia "Satan´s Fall", o que desagradava Solomon, que se sentou do outro lado da mesa. Ao meio sentou-se o terceiro. Parecia Jesus Cristo, com os longos cabelos desgrenhados e a barba há muito sem fazer. -Então, você ainda continua na "Highway to Hell", Marco?

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-Sim, e quem não está, padreco? - respondeu Marco, com a costumeira cara de poucos amigos - Basta estarmos vivos nesse mundo, para sentirmos o inferno... Solomon gostava de seus amigos. Bons tempos, antes das diferentes filosofias os separarem. O terceiro era o único que não tinha escolhido nenhum caminho. Dizia-se agnóstico, mas o padre achava aquilo uma desculpa covarde para não assumir uma religião. -Lembram-se de quando começamos a ouvir metal juntos? - recomeçou Marco, trazendo as lembranças à luz da mesinha do bar. -Claro. Iron Maiden sempre é a primeira banda de todo mundo. Foi com "The number of the beast", não? - continuou Solomon, pareceu meio incomodado com a recordação. -666! - gritou Marco, rindo. O terceiro estava quieto, bebendo sua cerveja. De repente soltou: -Lembram-se quando me envolvi com aquela gostosinha da igreja, e logo depois todos vocês namoravam moçoilas católicas como ela também? Riram juntos, mas o padre depois continuou: -A minha moçoila sem saber despertou minha vocação religiosa. -Que mais ela te despertava, Solomon? Confessa! - gargalhou Marco. - Eu só pensava em transar com a minha, e como ela recusava, isso me dava mais vontade ainda! -E você acabou comendo ou não, Marco? - perguntou o do meio. -Pior que não! Hahahahaha! Mas foram horas de bolinações que me lembro até hoje! -Pelo jeito só eu absorvi o que as ditas "moçoilas católicas" tinham a compartilhar, né? Ela me contou certa vez a lenda dos sete pecados capitais, querem ouvir? - perguntou Solomon. -Eu gosto de lendas. Conte. Aliás, por que chamamos de "pecados capitais"? -O Sr. Agnóstico não sabe? - ironizou Marco. - Até eu sei! Chamamos os pecados capitais dessa forma por originarem outros pecados. E no século IV, são Gregório Magno e são João Cassiano definiram que são sete: orgulho, ganância, inveja, ira, luxúria, gula e preguiça. Correto padreco? Solomon acenou afirmando, até meio surpreso com a precisão secular da resposta. Então começou a contar sua versão da lenda: "Certo dia um homem chegou do trabalho, e encontrou sete pessoas dentro de sua casa. Ficou assustado, quando um homem muito musculoso disse: -Não tema, somos tão velhos quanto o mundo, e estamos em todos os lugares. Eu sou a PREGUIÇA, e estou aqui com meus colegas para que você escolha um de nós para sair definitivamente de sua vida...

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-Mas como você é a preguiça? Tem corpo de quem malha diariamente! -Sou forte como um touro, sim. E peso nos ombros dos fracos que sucumbem à esse pecado. E então uma velha horripilante, encurvada e de aspecto enrugado, lhe diz: -E eu sou a LUXÚRIA. Sou capaz de trazer doenças e morte, perverter crianças e destruir a sagrada família. - e antes que o homem argumentasse que ela era feia, se transformou numa bela mulher, dizendo: "Não há feiúra para a luxúria". E um mendigo fedido que estava no canto da sala diz: -Eu sou a GANÂNCIA. Muitos matam e abandonam famílias por mim. Tenho essa aparência pois não importa o quanto rico eu seja, sempre vou cobiçar e querer mais e mais. -E quem seria você? - o dono da casa perguntou à uma mulher, linda, exuberante, que estava sentada no sofá, um corpo escultural. -Eu sou a GULA. Ao contrário do que muitos pensam, não sou gorda e feia, pois assim seria fácil resistir à esse pecado. Quem tem a mim nem percebe. - ela respondeu. Um velho estava sentado na poltrona, aspecto calmo, e disse, com voz serena: -Eu sou a IRA, ou cólera, ou raiva. Tenho muitos nomes, e sou o mais comum entre as pessoas. Posso ser o avô da humanidade, que por mim matam com crueldade e destroem cidades e civilizações. Mesmo quando não apareço, posso estar guardado dentro de você, lhe causando úlceras, câncer e outras doenças. Nisso apareceu uma princesa, a ostentação em pessoa. Vestia roupas finas, e usava uma coroa, braceletes e anéis de puro ouro. -E eu sou a INVEJA. Não tenho ainda tudo o que desejo. Existo entre os ricos e os pobres igualmente. A inveja surge pelo que não se tem, e pelo que é dos outros. Nesse aspecto sou parecida com a cobiça... E sou uma das madrinhas da tristeza. Ela foi interrompida por um lindo menino, sorridente e brincalhão, que perguntou ao morador: -Quer brincar comigo? Eu sou o ORGULHO. Não se engane, não sou puro e inocente como pareço, sou tão destrutível quanto os outros pecados. E então, vendo que precisaria mesmo escolher entre um dos sete, o morador pediu tempo para pensar... Quando voltou, tinha escolhido o ORGULHO para sair de sua vida. A criança olhou raivosamente para ele, e foi embora. Para a surpresa do homem, todos os outros também saíram junto com o menino. -Esperem! Eu... acertei? O menino então se voltou, e respondeu, com uma voz que não era de criança: -Sim, fez a escolha certa. Tirou o orgulho de sua vida, e onde não há Orgulho não há preguiça, pois os preguiçosos são aqueles que se orgulham de nada fazer para viver não percebendo que

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na verdade vegetam. Também não há Luxúria, pois os luxuriosos têm orgulho de seus corpos e julgam-se merecedores, assim como não há Cobiça, pois os cobiçosos têm orgulho das migalhas que possuem, juntando tesouros na terra e invejando a felicidade alheia, não percebendo que na verdade são instrumentos do dinheiro. O morador olhava atônito, e o menino continuou: -Onde não há orgulho, não há Gula, pois os gulosos se orgulham de sua condição e jamais admitem que o são, arrumam desculpas para justificar a gula, não percebendo que na verdade são marionetes dos desejos. Também não há Ira, pois os irados têm facilidade com aqueles que, segundo o próprio julgamento, não são perfeitos, não percebendo que na verdade sua ira é resultado de suas próprias imperfeições. E por fim, não há inveja, pois os invejosos sentem o orgulho ferido ao verem o sucesso alheio seja ele qual for, precisam constantemente superar os demais nas conquistas, não percebendo que na verdade são ferramentas da insegurança. Então saíram todos sem olhar para trás." -Hahahahaha! Aquele "esperem, eu acertei", foi você quem colocou na lenda, né Solomon? sorriu o do meio e o padre concordou, perguntando: -Oras, você nunca ouviu falar de licença poética? -Eu escolheria sim o menino, sabe? Mas não por sabedoria, apenas por um motivo louco que só minha mente saberia explicar, mas no fim... Eu escolheria o menino! -Querem minha opinião? - disse Marco, e antes de qualquer resposta, soltou: -O que são os tais pecados capitais, além de atos que fazemos para garantir nossa satisfação física e mental? Desculpem, mas, todos eles são manifestações de instintos. E o homem É UM ANIMAL INSTINTIVO, certo padre? Solomon tossiu, e engasgou com a água que bebia. O terceiro apenas ficou quieto, e seus olhos brilharam com a curiosidade típica de geminiano. "Continue Marco." -Ganância, gula e preguiça são a manifestação do instinto mais básico, a autopreservação. E luxúria? Seria também um instinto, a procriação. E para que a gula e a preguiça não acabem esteticamente conosco, o orgulho e a vaidade dão uma consertada nas coisas, percebem? Após essa declaração de Marco, os três caíram num silêncio profundo... Sim senhor, aquela seria uma noite e tanto!

Inveja
v 5 inveja . [Do lat. invidia.] S. f. 1. Desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. 2. Desejo violento de possuir o bem alheio. O nome dela era Millie. Já ele não se apresentou. Apenas invadiu a casa dela pouco depois das 23. Tinha a força de muitos homens, e a amarrou indefesa numa cadeira. Enquanto fazia isso, ela murmurou:

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-Eu sei o que você é. Eu chamei por você toda minha vida. Você... você é um vampiro, não? Tem algo diferente em você!!! Ela era linda. Lindíssima. Bem sucedida profissionalmente. Cercada de luxo, amizades fúteis e dinheiro. Mas também era enfadonha demais. E ele nunca tinha ouvido tantos "vocês" numa única frase! -Ok, baby. Eu sou um vampiro, se isso faz alguma diferença... -Me transforme! Me transforme! ME TRANSFORME! Ele limitou-se a rir. Alto. Com gosto. Cheio de ironia, começou a falar, como se precisasse muito disso: -Sabe por que faço isso com você, putinha? Simplesmente por que eu te invejo. Invejo sua humanidade. Invejo todas as coisas simples que você não dá atenção, mas que se tornaram impossíveis para mim! Respirar, passear de mãos dadas ao Sol, o simples ato de poder cortar o cabelo, as unhas, etc... essas coisas que você deveria VALORIZAR! Dizendo isso, ele desceu as calças. Millie se assustou. Mais ainda quando ele se aproximou, parou em frente ao rosto dela, e mostrou-lhe o quanto estava duro. -Ah, sim. Eu abuso sexualmente de minhas vítimas. Me faz sentir como nos dias em que eu ainda era humano. Estranho, não? Eu me sinto mais humano fazendo as piores coisas que um homem normal seria capaz. Será por isso que humanos querem tanto virar vampiros, pela mesma coisa, fazer o que de pior fazemos?? Ah, dane-se! Não sou um filósofo! Então começou a bater o membro na cara dela. Millie a princípio virou o rosto. Aquilo apesar de ser perfeitamente normal, não tinha lubrificação alguma, e a textura era esquisita. Depois não teve mais como evitar, e ficou sentindo que o cacete dele não latejava, dentre outros detalhes. De vez em quando esfregava o saco nos lábios dela, e a mulher sentia de perto que a carne era fria, roxa e fedia um pouco, parecia embolorada. -Fala a verdade. Você gosta de levar uma surra de pinto na cara. Sei disso. E também já percebi o quanto você está excitada. Involuntariamente, ou não, mas está. Os bicos de seus seios estão furando sua camisa! Não seja por isso. O vampiro abriu a camisa dela, rasgando caminho com as unhas, que mais lembravam garras. Os seios livres saltaram, e entre eles... -Um crucifixo? Pense, pense com todas as suas forças em DEUS! Se você tiver fé o suficiente quem sabe eu não vá embora? Mas, nos dias de hoje, eu pegaria esse crucifixo de sua mão, enquanto você reza, e faria sabe o quê? Enfiaria com toda força nesse seu redondo, macio, grande e convidativo traseiro branquelo! Millie agora não falava mais. Ele tinha penetrado sua boca, e um gosto estranho começou a incomodar sua língua. Engasgou de repente, só de pensar no que seria. -Certa vez, há muito tempo atrás, eu ataquei uma religiosa. Ela era muito devota. Ela seguia muitos dogmas, tinha cabelos muito longos, dizia não poder cortá-los, e também tinha as

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pernas peludas quase como um homem. Mas, mas... por baixo da calcinha dela, eu achei a coisinha mais rosada e depiladinha que já vi! E cheirava a sêmem. O que significava aquilo?? De cabeça baixa, a mulher disse, chorando: -Não me faça sofrer. E eu não te convidei à minha casa! Por que então está aqui, senão para me transformar numa vampira? -Convite? Que lenda ridícula! Mesmo que eu precisasse de um mero convite para adentrar seu lar, você o faria sem ao menos perceber. E hoje em dia, cá entre nós, quem é que precisa de convite para entrar na casa, ou mesmo para se deitar na cama alheia? Acredita mesmo que uma criatura sobrenatural se dobraria à uma limitação dessas? A mulher não respondeu. Fez uma cara de interrogação. -Ah, me perdoe. Fico aqui contando coisas sobre nossa raça. Aliás, tenho reflexo sim em espelhos, viu? Espelhos, cansei de conversar com eles... Mesmo um amaldiçoado às vezes precisa desabafar. Somos monstros, para que você saiba. Não convide, não se envolva, não admire, não faça acordos com monstros. O vampiro ameaçou novamente forçá-la a chupar, e Millie virou o rosto, com nojo. -Um animal, fedorento! Isso é o que você é! Um animal! - gritou. -Lobos, corujas, morcegos, ratos... Não, confesso que apenas uma vez tentei por uma estupidez momentânea me transformar em animal. Um lobo, cinza e sarnento. E doeu pra caralho! Por que tentar de novo? Só em caso de extrema necessidade. Agora, ratos? Névoa???? Isso é coisa de cinema! Segurou os cabelos dela, e esfregou lentamente o membro no rosto de Millie. Forçava a entrada na boca. Delineava os lábios, como se fosse um batom profano. -Ah, e o pior que já ouvi por aí: Não nos dividimos em clãs... Não somos um "clubinho social", que se reúne para discutir as agruras do "mundo vampírico". Quer saber? Em toda a minha pós-vida, eu nunca encontrei outro vampiro. Aliás, eu demorei a perceber que era um vampiro. Tinha perdido o controle do que fazia enquanto falava. Penetrava a boca de Millie com força. E ela gastava muita saliva nele. -Quer dizer que você sempre sonhou em ser uma vampira? Acha mesmo que é o dom das trevas? Não tenho um dom para te passar. É uma maldição. Aprenda, não somos belos, somos amaldiçoados! Quando Millie começou a engasgar de novo, ele sorriu, cínico: -Sinta o mau cheiro que vem de dentro de mim. Sou um cadáver que anda. Que se recusa a morrer. Às vezes dói, sabia? E demorei a perceber que a dor só passava após beber sangue.

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Com a boca cheia, apenas o olhar de Millie falava. Ela arregalou os olhos castanhos, com medo da simples pronúncia... "Sangue". -Ah, o sangue. Foi bom falarmos nisso... Eu estou aqui pelo seu sangue. - dizendo isso, tirou o pau da boca da mulher, e rasgou habilmente os dois laços que prendiam a calcinha dela. Agora, nua, sentia-se mais ainda indefesa. Estava arrepiada, mas não era de frio. Nem de excitação. Era puro medo. -Que linda visão. - ele começou, como se a enquadrasse numa foto - Seios na medida certa, curvas cultivadas em academia... que disperdício você "terminar" assim! Mas vamos à aula de anatomia, minha querida? Você não está menstruada, o que é uma pena. Quando bebo o útero que descola das mulheres, me sinto quase que vivo. É um sangue desmorto que sai de seu organismo, mas não se preocupe, não vou abrir seus lábios vaginais e sugá-la, relaxe. Se bem que eu acho que você adoraria! -Não me mate, por favor... -Mudou de idéia, vadia? E aquele papo de ser uma vampira? Ser uma vamp é estar morta. É ficar morta. É viver morta! É continuar, sempre e sempre... Mas onde estávamos? Seu olhar faiscou: -O sangue. Claro. Ser sugada pode ser agradável, sabia? É como descobrir zonas erógenas durante o sexo. Algumas gostam, outras gostam mais, e outras são viciadas em chupadas de vampiros. Mas de vez em quando dói. Existem três pontos principais: Sua coxa, seu braço, e claro... seu pescoço! Ele afastou as pernas dela. Millie não sabia mais como parar de tremer. -Não me apegarei em detalhes, mas existem diferenças entre se beber de artérias e veias. Como se sente, sabendo que é meu prato principal? Que vou violentar você, mulher? Que me alimentarei de seu corpo? Oh, droga, como sou dispersivo. Voltemos à aula. Aqui temos a artéria e a veia femural. Eu mordo aqui - pregou os dentes, fazendo força - e o sangue jorra. Prefiro sim a veia, apesar do sabor da artéria ser inebriante! Millie sentiu dor, mas ele habilmente começou a masturbá-la durante a mordida. Sua mente ficou confusa, e a dor desapareceu por instantes. Ela até começou a gemer. O vampiro então soltou lentamente um dos braços dela. Lambeu como um gato a parte interna do cotovelo. -Aqui, onde você tomou um pico semana passada, com aquela sua amiga drogada idiota, é um lugar tentador. O sangue não espirra aqui, ao contrário, pulsa suavemente, e geralmente eu me acabo, me delicio... A mulher sentia fraqueza agora. Sim, a vida estava indo embora. Sentiu uma unha entrando em seu pulso. Ele subiu lambendo toda a extensão de seu braço, e ficou a beber, agarrado à ela, como o pior viciado. -E por fim minha deliciosa anfitriã: seu pescocinho. Coisa tão delicada, é perfumado, a pele é sensível ao toque, imagine à um beijo? Basta uma mordida. Mas, é foda que suja tudo! Sim, a

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pressão sanguínea aqui, na artéria carótida, é muito grande. Espirra longe. E te deixa com aquela cara de bobo que se sujou com o molho de catchup! Millie já ouvia a voz dele distante demais. Não estava mais consciente de verdade. Tinha perdido muito sangue, as hemorragias pelo corpo todo eram cruéis. Nem força para falar tinha mais. -Por isso que eu prefiro me ater à jugular! A sua por exemplo, é muito convidativa! Agora Millie, você foi minha última confidente. Sinta-se honrada. Não costumo contar a ninguém tudo o que você ouviu hoje. Dizendo isso, o vampiro mordeu forte o pescoço dela. A última mordida.

Ira
v 6 ira . [Do lat. ira.] S. f. 1. Cólera, raiva, indignação. 2. Desejo de vingança. Stevens era da cidade grande. Quando chegou àquela cidadezinha, não gostou muito da vida à moda caipira. Já tinha mudado de idéia, e voltado atrás em sua decisão. Voltaria para sua cidade, depois de apenas três meses, pois a vida no interior era muito pacata. Ou pelo menos era, até aquele anoitecer. Ele se espremia na pequena janela do quarto, quando viu as tochas ao longe. Muitas. Ouviu também o burburinho das pessoas, conversas ríspidas, gritos indignados e muita raiva aparente. Mesmo à distância, era palpável o sentimento da estranha procissão. Foi quando a viu. Ela passou na sua frente, correndo. Era loura, tinha grandes olhos azuis, chorosos, arregalados de medo. Vestia um apertado short jeans surrado, e uma camiseta branca. Percebeu o desespero no rosto dela. -Me ajude!! Eles são loucos, e querem me matar!!! Por favor, me ajude! Ele instintivamente abriu a porta, e viu que os camponeses estavam armados com paus e ancinhos. Lanças improvisadas, que eles balançavam ameaçadoramente. Estavam próximos dela, quando Stevens abriu a porta de seu casebre, para acolher a estranha menina. Sim, uma menina. Algo em torno dos dezessete. Olhando mais de perto, a inocência e a pouca idade estampada no rosto só perdiam para o medo. -Não acolha essa bruxa, forasteiro! Ela é maligna! - gritou um velho, provavelmente o líder da procissão, lá fora. Stevens ia argumentar, quando jogaram pedras na porta. "Ela já o colocou sobre influência do demo! Devem morrer os dois!!" - gritou alguém. -O que eles querem de você? - perguntou, segurando o rosto angelical dela. -Eu não sei. São ignorantes. Eles me acusam de bruxaria, e por isso querem me matar. Me ajude forasteiro!!!

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-Bruxa? Ei, ei... que você anda fazendo de errado? A menina não respondeu. Apenas soluçava mais, e mais, e tremia a cada pedrada que batia na porta do casebre de Stevens, o forasteiro anti-social do lugar. -Queimaremos a bruxa, e o forasteiro também!! - quando o velho ordenou, todo mundo gritou junto, e Stevens percebeu que até o delegado estava ali. O forasteiro tinha um revólver. E seis balas. Se atirasse para cima, dispersaria aqueles loucos. E amanhã iria embora daquela cidadezinha esquecida por Deus. Decidido, tirou a arma do armário, e carregou. A menina sentou-se num canto e segurava os cabelos. Ainda tremia, olhos arregalados, mas agora já não olhava mais para a porta, e sim para o céu lá fora. A noite estava bem próxima, e ela tremia, como se o manto noturno trouxesse algo maligno... Stevens abriu a porta, disposto a conversar. Mas a turba estava enfurecida. Gritavam contra ele, que escondia a arma nas costas. Levantou o braço, pedindo a palavra. -Parem! O que essa linda criança fez de errado?? Qual o crime dela?? -Nossos assuntos nós mesmos resolvemos, almofadinha de merda! - gritou o velho. Estava exaltado, e com isso motivava também os outros homens. - Queremos a garota!! Ela é uma bruxa!! E queremos você fora de nossa cidade!! Stevens ia começar a falar, quando acertaram uma pedrada bem no meio da testa dele. Cambaleou, confuso, com a força do golpe. Quando viu a turba avançar, não teve dúvidas: sacou enfim a arma, e atirou. A fúria tomou o lugar da razão, e ele abateu três homens com tiros. A multidão dispersou, e correu, medrosa. Stevens tinha três balas, caso ainda fosse preciso. Mas sinceramente achava que não. Os camponeses correram assustados com os tiros, e pelo jeito estavam desprevenidos contra armas de fogo. Aí aconteceu o mais estranho da noite. O manto negro escondeu o entardecer, e Stevens voltou para dentro do casebre. Por um instante, lhe pareceu que os camponeses furiosos fugiram da própria noite, pois estavam em maior número e podiam matá-lo com facilidade. Deixou de pensar nisso quando viu a menina, sentada, no canto, de cabeça baixa, entre as próprias pernas. Os longos cabelos louros cobriam tudo, menos a beleza. O forasteiro imaginou logo uma bela noite de sexo, como agradecimento. "Oras, eu salvei a vida dela da fúria irracional deles.. E salvei minha pele também." - ele pensou, cinicamente, sorrindo. Ainda com a arma em punho, se aproximou da garota, que não soluçava mais. Chiava. Coisa estranha, sobrenatural até. Ele se assustou, algo estava errado, mas mesmo assim não estava preparado para o que viria a seguir: ela se levantou, mas era algo maligno. Tinha longos caninos, e olhos amarelados, estranhos. Stevens demorou a reagir, quando escutou: -Eu não tenho vida para ser salva... Stevens recuou um passo.

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-A fúria deles não é irracional. Mesmo esses matutos são sábios com as lendas... - ela continuou, e Stevens percebeu que tinha lido seu último pensamento. -Ninguém irá te salvar da minha fome. Você não deveria ter me deixado adentrar sua casa, um dogma de minha raça... Agora você morre. - ela sentenciou. O forasteiro segurou a súbita vontade de mijar nas calças que sentiu, e deu um tiro no meio da testa dela. Era mesmo um cara de muito sangue-frio. Mas a garota apenas jogou a cabeça para trás, com o choque do tiro, recuperando-se rápido demais. Stevens riu nervosamente... "Morre porra!" e atirou de novo, agora no meio dos generosos seios da criatura. Quando ela continuou andando após os dois tiros, ele enfim entendeu os camponeses, e o medo deles do anoitecer. E também toda a Ira com que a seguiam durante o dia. Mas agora, sabia que já estava morto. Ergueu o revólver, olhando para a última bala do tambor. -Tenho a noite toda para brincar com sua dor, por você ter atirado duas vezes. - disse a criatura, avançando lentamente. Stevens então apontou a arma para a própria cabeça, rezando para dar tempo...

Ganância
v 7 ganância . [Do esp. ganancia < esp. ganar, 'ganhar' (q. v.), + esp. -ancia (= -ância).] S. f. 1. Ambição de ganho. 2. V. ganho (2). 3. Ganho ilícito; usura. 4. P. ext. Ambição desmedida. [Cf. ganancia, do v. gananciar.] 22 de fevereiro de 1942, Campo de deportação de Dachau, na Alemanha nazista. Rascher era um médico SS, e com ele começou a primeira grande série de experiências humanas da história do III Reich de Adolf Hitler. Aliás, o "Mein Kampf", a bíblia do regime, afirmava que o objetivo era 'manter e favorecer o desenvolvimento de uma comunidade de seres que sejam da mesma espécie no físico e na moral', os chamados arianos, a casta superior, que edificariam o Império de Mil Anos idealizado pelo Hitler. Pouca gente sabia, mas Rascher era parte de uma sociedade secreta chamada Ahnenerbe. Fundada em 1933, essa sociedade (cujo nome significava Herança dos Ancestrais) pesquisou desde a pedra filosofal, Atlântida e até mesmo o Santo Graal. Só que com o tempo, a Ahnenerbe parou de se concentrar em magia, ocultismo, estudos de religiões e voltou-se para os experimentos humanos. E Rascher tinha mais um segredo. Aquele gorducho capitão da reserva da Aeronáutica tinha em suas mãos um vampiro. Inacreditável, não? O deportado era búlgaro, tinha apenas uma narina, e a língua afiadíssima... Ele foi trancafiado num "block" solitário, e o nazista tentou de várias maneiras vivissecar sem sucesso o dito vampiro. Que triunfo para a Ahnenerbe! Rascher quis primeiro descobrir os segredos de um vampiro, o que se provou, após algumas mortes, ser impossível. Depois, baseado no pouco da análise

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sanguínea dele, tentou criar um substituto do Polygal 10, um medicamento que diminuía a hemorragia em um soldado por um período de seis horas. O tal Polygal foi criado por Robert Feix, um judeu, o que era imperdoável para os nazistas. Foi aí que surgiram os estudos no "Obour" búlgaro. Quando sua tentativa falhou, Rascher quis então o inesperado: se tornar um vampiro. Assim sobreviveria, mesmo que o regime de Hitler caísse. Mesmo que a Alemanha nazista perdesse a guerra, ele se ergueria sempre triunfante das cinzas da morte! Entrou no block pela manhã. Estudara que essas criaturas moviam-se lentamente durante o dia. Como não era um maluco suicida, Rascher contou seus planos à um padre que era mais movido à vodka que evangelhos, mas que parecia em seu alcoolismo conhecer a natureza dessas bestas. O tal padreco pediu que Rascher enchesse uma pequena garrafa com sangue do vampiro. Assim foi feito, apesar de um dos médicos designados para tal tarefa ter morrido nas mãos da besta. O nazista não entendeu o pedido do padre, porém sentiu-se mais seguro que antes. O block estava escuro, pois a luz do Sol com certeza mataria a criatura. Rascher sentiu medo, mas encheu a voz de autoridade, quando viu o vampiro deitado no catre: -Vamos direto ao assunto. Quero o que você tem. É simples. O vampiro, que parecia repousar, virou-se lentamente para o nazista, e esboçou um sorriso. -Enfim, um dos graúdos. Quer morrer, entrando aqui, gorduchinho? -Quero o que você tem. - Rascher repetiu. -Eu não tenho mais nada. Tive uma casa, mas sinceramente não me lembro mais dela. Tinha uma linda filha e uma adorável esposa. Mas tudo isso foi antes do ataque da 21ª Schtzstaffel Gebirgsdivision, que aniquilou de vez tudo o que eu já tinha perdido desde a praga do vampirismo. -A "Skanderberg", dos voluntários albaneses. Uma das mais admiráveis divisões da Waffen SS. Eles combateram russos e búlgaros. - relembrou Rascher, para o ódio do vampiro. -Sim. Que seja. Ainda me lembro do maldito emblema, sabia? Aquela águia negra bicéfala, que adorna a bandeira da Albânia. Era um símbolo de morte. -Como aconteceu? Como se tornou um... vampiro? O obour limitou-se a sorrir. Não estava disposto a contar. Mas pediu um cigarro, claramente uma zombaria. Rascher estranhou, e não lhe deu nada. Ao invés disso, quis saber: -Pode me transformar em um vampiro? -Sim, mas para isso você precisaria comer da terra de meu sepulcro. - respondeu a criatura, gargalhando. Obviamente estava brincando. - O detalhe é que você destruiu meu sepulcro, percebe? - continuou, e riu mais alto ainda.

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Rascher crispou as mãos. Iria arrancar o dom das trevas daquele imbecil de qualquer jeito! Já pensava nas torturas quando o vampiro pulou em cima dele. A língua pontiaguda saltou da boca, lambendo o terror do nazista. A saliva escorria, e a criatura então perguntou: -Sabe rezar, homenzinho? Aconselho que reze, para ao menos chegar às portas do céu. Rascher sentiu muito medo. E então, soluçando, começou a rezar: -Gegrüßet seist du, Maria, voll der Gnade... O vampiro passou a língua molhada nos lábios dele. -Der Herr ist mit dir. Du bist gebenedeit unter den Frauen - "Cadê aquela porra de padre?" Und gebenedeit ist die Frucht deines Leibes, Jesus. -Continue nazi. - disse o vampiro, e Rascher percebeu que morreria ao término da reza. Maldita hora que desejou entrar naquele escuro block! -Heilige Maria, Mutter Gottes, bitte für uns Sünder jetzt, und in der Stunde unseres Todes. -Termine, nazista imundo. - sibilou o obour, enquanto arrancava a suástica que ordenava o peito de Rascher. -Amen. -Das ist fertig! (acabou) - gritou o vampiro, em bom alemão, e caiu literalmente de boca no homenzinho que sonhava ser vampiro. Não restou muita coisa de Rascher para a investigação da Ahnenerbe. O padre declarou que pediu o sangue do vampiro engarrafado para salvar o oficial da criatura, mas que também precisaria "guardar a alma" do vampiro, que ele chamava de Krvopijac, na mesma garrafa, e então atirá-la numa grande fogueira. Foi ridicularizado pelos membros da sociedade secreta, que viram nessa fantasia dele apenas o reflexo do vício em vodka. A Ahnenerbe encobriu os fatos, matou o vampiro, o padre, e queimou as anotações de Rascher, que ficou então citado na história como tendo morrido no bunker de Dachau, em junho de 1945...

OBS: Os sete pecados capitais só foram enumerados e agrupados no
século VI, pelo papa São Gregório Magno (540-604), tomando como referência as cartas de São Paulo. Capital vem do latim caput (cabeça), significando que esses sete são como mães de todos os outros pecados. Eles também podem ser chamados de pecados mortais, pois causariam a morte da alma.

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Sete pecados C:\Users\Geral\Desktop

C:\Users\Geral\AppData\Roaming\Microsoft\Modelos\Norma l.dotm Título: Assunto: Autor: Geral Palavras-chave: Comentários: Data de criação: 09-12-2008 18:09:00 Número da alteração: 4 Guardado pela última vez em: 15-01-2009 13:09:00 Guardado pela última vez por: Sissy Tempo total de edição: 12 Minutos Última impressão: 15-01-2009 13:10:00 Como a última impressão completa Número de páginas: 17 Número de palavras: 6.932 (aprox.) Número de caracteres: 37.438 (aprox.)