RPM 36 - Elipse, sorrisos e sussurros

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Elipse, Sorrisos e Sussurros Renato J.C. Valladares Universidade Santa Úrsula, RJ Introdução Ao lermos o artigo de Wagner [1] sobre as antenas parabólicas, baseado na propriedade bissetora da parábola, não podemos deixar de lembrar que as elipses também têm uma propriedade similar. Essa propriedade é usada na construção de refletores odontológicos, aparelhos de emissão de certos raios usados em medicina ou nas salas de sussurros existentes “.... em certos museus americanos de ciência e nos castelos de alguns monarcas europeus excêntricos...” [2]. Por outro lado, para cuidar do sorriso dos pacientes, muitos dentistas usam uma luminária com espelho elíptico que possui a propriedade de concentrar os raios luminosos em um ponto, que é ajustado pelo dentista para iluminar o dente que está sendo tratado. Conseguem-se, assim, duas vantagens: A primeira é concentrar o máximo de luz onde se está trabalhando, e a segunda é evitar que os raios luminosos ofusquem o paciente, o que aumentaria o desconforto causado pelo tratamento dentário. De maneira diferente dos holofotes comuns, como os faróis de carro, que refletem os raios luminosos em uma mesma direção (valendo-se, para isso, de um espelho parabólico), os holofotes dentários se valem de espelhos elípticos para concentrar os raios luminosos emitidos pela lâmpada em um determinado ponto. Isso ocorre devido à propriedade refletora da elipse, que será estudada neste artigo. Essa mesma propriedade explica o funcionamento de diversos aparelhos de emissão de raios usados em tratamentos médicos, como, por exemplo, o de radioterapia, cujos raios devem destruir os tecidos doentes sem afetar os tecidos sadios que se encontram ao redor. Já as salas de sussurros são construções de forma oval onde estão marcados dois pontos no chão. Duas pessoas em pé, uma em cada um desses pontos, podem se comunicar em voz sussurrada, inaudível no restante da sala. Isso também decorre da propriedade refletora da elipse. A forma da sala é de fundamental importância. Ao projetá-la, fixam-se dois pontos P e Q, que ficam na altura da cabeça das pessoas que vão se comunicar. A seguir, toma-se uma elipse E que admita P e Q como focos, e a sala é construída de tal maneira que qualquer plano que passe por esses pontos intercepte a sala segundo uma elipse congruente com a escolhida. Na figura abaixo mostramos uma seção da sala dos sussurros por um plano que passe por P e Q.

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A primeira diz que o ângulo de incidência e o ângulo de reflexão em um plano são iguais.Elipse. Assim. o que. tal como na circunferência. Lembramos que. proporciona uma amplificação natural do som. concluímos que todas as ondas sonoras emitidas em um dos focos chegarão ao mesmo tempo no outro foco. uma reta é tangente à elipse se e somente se intersecta esta somente no ponto de tangência. Demonstração: Consideraremos duas leis físicas sobre a reflexão. forma ângulos iguais com os raios focais PX e QX . Pela própria definição de elipse. sorrisos e sussurros file:///F:/36/5. que estudaremos adiante. que por ser uma figura plana pode ser considerada em um plano previamente fixado. por isso. Já a propriedade bissetora. Nesse caso a reta r. tangente a E em X. conjugando essas duas propriedades. Logo. a soma das distâncias de um ponto da curva aos focos é constante.htm Isso possibilita desenvolver todo o nosso estudo na elipse E. um ponto X na elipse E e tomemos uma reta r (bissetriz de um dos ângulos formados pelas retas PX e QX) passando por X de tal forma que o ângulo 2 de 3 24/6/2008 09:40 . ao se refletirem nas paredes da sala. explicando o funcionamento das salas de sussurros. Assim. (constante).RPM 36 . agora. todas as ondas sonoras emitidas em um dos focos que. se tenha: . Passemos então a estudar a propriedade bissetora da elipse. . Propriedade bissetora da elipse: Seja uma elipse E com focos P e Q e seja um ponto . terão percorrido a mesma distância e. Denotando a distância entre dois pontos R e S por e caracterizando a elipse E como o lugar geométrico dos pontos X que satisfazem a propriedade métrica. no respectivo ponto. cheguem ao segundo foco. garante que todo som emitido em um dos focos se dirigirá após a reflexão exatamente para o outro foco. sem dúvida. chegarão ao mesmo tempo. A outra lei diz que a reflexão em cada ponto de uma superfície se comporta como se fosse no plano tangente à superfície. segue-se que um ponto A não estará na elipse se e somente se . Seja. uma reta r será tangente à elipse E em um ponto X se e somente se intersectar E em X e qualquer que seja o ponto A em r.

RPM 36 . Eduardo. Se mostrarmos que r é tangente a E em X. Logo. Então . devido à unicidade da tangente à elipse por um de seus pontos. os pontos . X e Q são colineares. que é o comprimento do eixo maior da elipse. 1985. é então mediatriz de . 3 de 3 24/6/2008 09:40 . Cálculo com geometria analítica. São Paulo: Mc Graw Hill. e também . 11 a 15. a reta r faz ângulos iguais com XP e XQ e. Porque as antenas são parabólicas. [2] Simões. sorrisos e sussurros file:///F:/36/5. concluímos que X é o único ponto de r que pertence à elipse. Por construção. teremos mostrado a propriedade bissetora. Daí. Seja X um ponto de E. George.htm entre PX e r seja igual ao ângulo entre QX e r. o que mostra que essa reta é tangente em X a essa elipse. Tomemos sobre e r um ponto consideremos o ponto simétrico de P em relação a r. uma tangente com o ponto de tangência. portanto. Vol 2. com a concordância do autor. RPM 33 págs. Segue-se então: (desigualdade no triângulo ) A reta r Como .Elipse. De fato. pela simetria. onde k é uma constante. os segmentos XQ e fazem ângulos iguais com r e. Observação: A demonstração da propriedade bissetora nos permite concluir que uma elipse está perfeitamente determinada quando são conhecidos um foco. Referências Bibliográficas [1] Wagner. NR: Este artigo teve sua redação modificada por membros do Comitê Editorial da revista. os ângulos AXP e são também iguais. observando a figura anterior temos .