31/08/12

Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse

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Apresentação | por Marco Schneider
Como em um bom time de futebol, o grupo de articulistas que compõem o novo número da Z Cultural combina juventude e experiência acadêmica. Publicado em: 3, Ano VII, Publicações

Publicidade comunitária: uma ferramenta atual de resgate e fortalecimento dos princípios comunitários | de Patrícia Gonçalves Saldanha
O objetivo do presente texto é refletir teoricamente sobre a possibilidade que uma associação tem de resgatar o sentido de comunidade a partir da sua reconfiguração decorrente da apropriação da técnica, por seus membros, para benefício do próprio lugar. Publicado em: 3, Ano VII, Publicações

A emergência nos processos comunicacionais: um paradigma entre a política e a expressão popular | Prof. Dr. Adilson Vaz Cabral Filho

…ufrj.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/

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Publicado em: 3. num claro desvio de rota em relação às intenções do autor Publicado em: 3. Publicações …ufrj. Publicações Youtube your Facebook! A reconfiguração dos dispositivos audiovisuais na internet e as novas plataformas digitais entendidas como aparelhos de captura e/ou como máquinas de guerra | Ivan Capeller O presente texto procura pensar o papel e a função das plataformas de comunicação digitais na reconfiguração técnica e estética dos dispositivos audiovisuais analógicos que precederam a internet 2. Ano VII. Ano VII. Publicações Karl Marx e Walter Benjamin | de Marco Antonio Bonetti A valorização do otimismo presente nas dimensões teológica e tecnológica da obra de Walter Benjamin tem desembocado. em menosprezo da sua faceta marxista. nos dizeres de Steven Johnson. tendo a linguagem. Publicações Cabo de guerra – A disputa por sentido na comunicação | de Pablo Nabarrete Bastos A comunicação e a cultura. na perspectiva do presente artigo. exercem papéis estratégicos nas disputas por sentido entre interlocutores Publicado em: 3. a palavra. Ano VII. entendendo a emergência. como elemento de interseção e face sensível. o que resulta.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse A proposta deste artigo é compreender as contribuições da emergência como paradigma aos processos comunicacionais. como “processos organizados de baixo para cima e de forma adaptativa”. Ano VII.0 na história da indústria cultural dos meios de comunicação de massa modernos Publicado em: 3.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 2/9 . por vezes. que assumem características compatíveis com as demandas comunicacionais no cenário contemporâneo.

 A determinação do caráter contraditório do… Publicado em: 3. Publicado em: 3. as well as social theory thatstudies class inequalities and social injustice. Publicações Novas TICs. Publicado em: 3. Ano VII. Publicações A Conversation Between Marco Schneider and Douglas Kellner With the global crisis of capitalism. Ano VII.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 3/9 . não faltam vozes triunfalistas saudando o avanço social supostamente tornado possível pelas novas Tecnologias da Informação e da Comunicação. Marxism is once again a relevant andrespectable discourse and it’s focus on class and class difference iscertainty relevant for cultural studies. Ano VII …ufrj. o marxismo sempre se posicionou simultaneamente como crítico e defensor da modernidade.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse O debate marxista sobre a pós­modernidade | de Ricardo Musse Desde o Manifesto do partido comunista (1848). as TICs. cidadania e educação | de Ovidio Mota Peixoto Desde que a chamada Sociedade da Informação começou a se consolidar.

 no qual Daniel Bell destaca­se como um expoente. Jürgen Habermas Herdeiro da Teoria Crítica. como a urbanização e a industrialização.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse Apresentação | de Cleomar Rocha O recorte desta edição da Z Cultural coloca em questão a tecnologia. quase em bloco. um desvio em relação à avaliação prevalecente no marxismo. de um antimodernismo cultural. repelidas como regressivas. que já no Manifesto comunista destaca o caráter contraditório do capitalismo. no entanto. Sua defesa do projeto moderno como inacabado.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 4/9 . Nesse texto. Habermas retomou e desenvolveu essa análise de forma breve no opúsculo A nova intransparência e de maneira mais extensa no livro O discurso filosófico da modernidade. proposta por Weber e predominante na sociologia do século XX; (2) a determinação do marxismo como um desdobramento do projeto iluminista.   2. muitas vezes compreendido como um sistema uniforme e homogêneo. A polêmica sobre a pós­modernidade. ambos de 1985. apreensão que muitos denominaram de “dialética da modernidade”. ciência e tecnologia. O uso do termo parece­lhe irrecusável não só pelas contingências intelectuais norte­americanas. do artigo “A lógica cultural do capitalismo tardio”. Sua compreensão do presente histórico. no entanto. O centro do artigo de Habermas. assenta­se sobre dois pressupostos não consensuais no campo do marxismo: (1) a hipótese de um desenvolvimento próprio. o mesmo não ocorreu. como seria de se esperar. numa série de intervenções – cujo marco inicial foi o discurso por ocasião do recebimento do prêmio Theodor Adorno em Frankfurt. no entanto. denominado “Modernidade versus pós­modernidade”. Mas os próprios termos pelos quais essa avaliação passou a ser referida indica o impacto de determinadas dimensões que foram trazidas ao primeiro plano pela polêmica sobre o conceito de pós­modernismo. Ele enfatiza que o neoconservadorismo americano. A retomada dessa controvérsia explica­se em parte pelo próprio modo como o marxismo se constituiu com uma tradição comum. autônomo e independente da esfera cultural em relação às esferas econômica e política. Em geral. cumprindo a exigência de uma atualização constante do diagnóstico do presente histórico. Jürgen Habermas foi um dos primeiros marxistas a tratar a questão da pós­modernidade nesses termos. um conjunto de potencialidades ainda não efetivadas. Essa associação fez com que os marxistas rejeitassem peremptoriamente as recorrentes tentativas teóricas de caracterizar o mundo atual como uma superação do capitalismo. como também ignora aspectos decisivos da crítica do Iluminismo presentes em Marx e destacados por Walter Benjamin. da “sociedade pós­industrial” de Daniel Bell ao “fim da história” de Fukuyama. na New Left Review. sua interpretação – sobretudo depois do impacto que adquiriu sua polêmica com François Lyotard e com o pós­estruturalismo francês – orientou majoritariamente o campo dos marxistas que rejeitaram. A determinação do caráter contraditório do capitalismo – a combinação de aspectos positivos. No entanto. o marxismo sempre se posicionou simultaneamente como crítico e defensor da modernidade. viga mestra de seu combate simultâneo ao antimoderno e ao pós­modernismo. ao longo de sua trajetória. a reificação etc. Max Horkheimer e Theodor Adorno. Habermas ressalta tanto a dimensão sociológica como a estética da discussão. no qual procura detectar uma dialética da pós­modernidade. desde suas origens. postura que não apenas considera a vertente social­democrata como a mais legítima na bifurcação dessa linhagem entre reformistas e revolucionários. as descrições de época ensejadas pela linhagem marxista combinavam análises dos ritmos de desenvolvimento econômico do capitalismo e da conjuntura política com certa dose de “filosofia da história”. que veio a se tornar o primeiro capítulo de seu livro Pós­modernismo (1991). a tese da emergência da pós­modernidade. Ele começou a escrever sobre o assunto em 1982. o legado das vanguardas e o declínio do modernismo. no bojo de uma discussão acalorada sobre o sentido e o significado da modernidade. com o conceito de “pós­modernismo”. sobretudo nos anos 1980. não deixa de configurar.   1. consiste em um posicionamento próprio em relação à discussão estética vigente no momento acerca da autonomia da arte. não pode ser compreendido adequadamente quando se desconsidera que se trata. englobando a relação arte. sobretudo. com traços negativos: a exploração. em setembro de 1980 – que adquiriram ressonância mundial. se caracterizou por associar a configuração do presente histórico com a discussão sobre tendências estéticas e culturais. Fredric Jameson Uma das poucas vozes marxistas discordantes                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           foi Fredric Jameson. mas principalmente por lhe parecer a descrição mais …ufrj. tecnologias visuais e sonoras e mídias… Publicado em: 2. mas sua posição só adquiriu ressonância com a publicação em 1984. Ano VII. no entanto. A controvérsia sobre a pós­modernidade acabou se convertendo em um tópico essencial do debate marxista. – tornou­se uma de suas principais marcas distintivas. Apesar de seu diagnóstico dispensar uma elaboração mais detalhada dos desdobramentos do capitalismo. uma espécie de esquizofrenia que louva o progresso econômico mas rejeita suas consequências culturais. Publicações Publicações > Ano VII > 3 > O debate marxista sobre a pós­modernidade | de Ricardo Musse Sem comentários O debate marxista sobre a pós­modernidade | de Ricardo Musse Desde o Manifesto do partido comunista (1848).

 para Jameson. a predominância estilística de pastiches (distintos das paródias valorizadas pelo modernismo); a criação de um hiperespaço muito além da capacidade humana de se localizar. nota­se certa dificuldade em seguir o preceito marxista. os trabalhos de Jameson sobre o pós­modernismo outorgaram legitimidade intelectual e despertaram interesse por uma série de sintomas que pareciam apenas características de uma moda efêmera. seja pela percepção ou mesmo pela cognição. na esteira de Marx. já que nele tudo é por definição “moderno”. Uma vez que a produção cultural hoje estaria totalmente integrada e. no pós­modernismo jamesoniano. Diferentemente do neoestruturalismo francês. não se defronta mais com obstáculos (leiam­se natureza e formas sociais pré­ capitalistas) a serem superados. de apontar a investigação para as contradições da nova ordem social. designa. Em seguida. havia algo de insatisfatório em Pós­ modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. porém. Da mesma forma que os principais teóricos da modernidade – em especial Charles Baudelaire e Georg Simmel –. do período que se estende desde a institucionalização acadêmica do modernismo em meados dos anos 1960 até os anos 1990: a canibalização aleatória de todos os estilos do passado. tanto dos marxistas ocidentais quanto da maioria dos artistas modernistas. a dinâmica vertiginosa das transações bancárias mundializadas. dimensões socioeconômicas e geopolíticas. a evidente satisfação provinciana com o deslocamento do “espírito do mundo” para os Estados Unidos. entre outros. até filmes como Totalmente selvagem e Veludo azul. A realidade desse novo mundo – ao qual não caberia. Para estabelecer a topografia desse mundo onde a própria palavra modernização é prescindível. Primeiro. constituem traços estruturais do capitalismo tardio. no meio circundante; a transferência da ênfase no objeto para a primazia da representação; a lógica espacial do simulacro etc. Jameson toma como régua e compasso a determinação da lógica específica da cultura “pós­moderna”. uma amplificação telescópica do conceito de Theodor Adorno e Max Horkheimer de “indústria cultural”. isto é. exposta por Ernest Mandel em O capitalismo tardio. Jameson debruça­se sobre casos exemplares dessa nova sensibilidade. Esse procedimento – o estabelecimento de conexões. a colonização do real pela cultura surge como uma atualização. mas o concebe como um fenômeno social. uma insuficiente utilização. o novo historicismo de Walter Benn Michaels e Greenblatt. Abordando a pós­ modernidade como signo cultural de um novo estágio na história do capitalismo. instalações de Robert Gober e Nam June Paik. como ao capitalismo descrito no Manifesto. Nesse modelo. o neoliberalismo econômico de Gary Becker. como mostrou com propriedade Perry Anderson. ou melhor. examina. Evitando ao máximo os tiques classificatórios inerentes aos grandes panoramas. no bojo do processo de reificação das coisas em imagens. ele procurou compreender o pós­modernismo não apenas como teoria epistemológica ou estética. da categoria “tempo” pela categoria “espaço” ou a transmutação das coisas em imagens no processo de reificação. com a postura. congrega nesse conceito não apenas uma teoria epistemológica ou uma nova tendência estética. para além de seu estatuto cultural. a surpreendente simpatia pelo mundo “pós­moderno” transformam em mera retórica o seu projeto de “pensar dialeticamente a evolução do capitalismo tardio como um progresso e uma catástrofe ao mesmo tempo”. em especial a dimensão cultural. descrita por ele como uma prodigiosa expansão da cultura até o ponto em que tudo em nossa vida social – do valor econômico e do poder do Estado às práticas individuais e à estrutura da psique – deve ser considerado cultural. incessantemente crítica frente a seu tempo. as novas formas de inter­relacionamento das mídias. Jameson estende as características dessas linguagens culturais à esfera da vida cotidiana. que afetam substancialmente a própria percepção e a vivência psíquica dos indivíduos. Modificações que derivam não apenas do esmaecimento do sentido histórico. por que não. ou melhor. um estágio fundamentalmente distinto do antigo imperialismo (que ele define como pouco mais que a rivalidade entre várias potências coloniais). como expressões da dialética da modernidade. na determinação específica do funcionamento em ato dessa …ufrj. pela dissolução explosiva da autonomia da esfera cultural. mais do que características de uma dominante cultural. Assim. como dominante. uma versão mais pura e mais homogênea do capitalismo clássico. A sua empatia com os objetos que analisa. a análise de Rousseau por DeMan. a transformação cultural é adotada como signo e sintoma de uma metamorfose no interior do próprio modo de produção capitalista.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 5/9 . Jameson confere ao termo “pós­moderno”. Depois. Ao contrário de seus predecessores. consumou uma inflexão de esquerda num conceito e numa discussão cujas origens remetiam à manutenção da ordem existente. levando em conta apenas os fatores econômicos. Jameson localiza no pós­modernismo uma alteração profunda das experiências da vida cotidiana. tudo isso que hoje identificamos como sintomas da globalização seria. as diferenciações internas – seja com o fim da autonomia das esferas normativa. às nossas experiências psíquicas e. ao “espírito do tempo”. ou melhor. Jameson se propõe a determinar e desenvolver os demais aspectos da terceira fase do capitalismo. reiterado por ele próprio. um livro nouveau roman de Claude Simon. a despeito de seu afã totalizante – de inspiração hegeliana – de estabelecer a topografia dessa nova sensibilidade. a descoberta de afinidades entre fenômenos e esferas aparentemente distintos e autônomos –. uma ruptura com o mal­estar na modernidade. apenas as manifestações mais visíveis do capitalismo tardio. totalmente implantada. Essa abordagem totalizante passa – numa retomada do elã enciclopedista do Iluminismo – pelo mapeamento intelectual de uma multiplicidade impressionante de áreas do saber ou da arte. o capitalismo multinacional. mas também como fenômeno social. Apesar desses equívocos. procurando – nem sempre de maneira feliz – conciliar análise formal e histórica. um anátema para Max Weber e a modernidade. A satisfação de Jameson no pós­modernismo marca. a substituição. um leque que vai desde a teoria do pós­modernismo de Lyotard. o vídeo AlienNATION.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse adequada de uma situação em que a modernização. ela sim. Desse itinerário se depreende que o esmaecimento do sentido histórico. fazer apologia ou condenar –. cognitiva. por oposição à “modernização incompleta” da modernidade. nada parece restar como apoio para sua acalentada intenção de estabelecer uma dialética da pós­ modernidade. legitima­se. Além de recortar esses três momentos da história do capitalismo. portanto. cultural; seja pela aniquilação e descentramento do sujeito; seja pela dissolução da “alta cultura” – que possibilitaram tanto ao modernismo quanto ao marxismo ocidental (daí talvez a sua afinidade) se autorrepresentarem. sucessor do capitalismo monopolista (o estágio do imperialismo) e do primevo capitalismo de mercado. Para tanto. com a substituição do predomínio da categoria tempo pela noção de espaço. Perdem­se. entre os quais se destacam Lyotard e Habermas. A nova divisão internacional do trabalho. O primeiro passo consiste na delimitação dos traços recorrentes na produção – mas também nas teorias explicativas – do pós­modernismo. um terceiro estágio. a casa de Frank Gehry em Santa Monica. mas sobretudo da transmutação. em As origens da pós­modernidade. subordinada à lógica da mercadoria – o que não deixa de ser saudado por Jameson em nome da “democratização da informação” –. Mas.

 de seu principal achado teórico: a tese de que a estrutura do capitalismo tardio promove uma dissolução da autonomia da esfera cultural. em especial. parece ter se tornado uma tarefa solitária da crítica. mas como expressão. mais flexíveis de acumulação do capital. As análises de Ernest Mandel. –. compreende o pós­modernismo como uma ruptura com o modelo de desenvolvimento do capitalismo prevalecente no pós­guerra. cristalizam­se em um esquema cíclico que se desloca ao longo de nações e espaços geográficos distintos: a hegemonia migrou das cidades italianas para a Holanda. Desde a recessão de 1973. subjacentes ao termo “pós­modernismo”. na esteira da tradição marxista. no século XX. No momento atual. foi a descrição do movimento interno de cada ciclo. o fordismo. gerando uma prodigiosa expansão até o ponto em que tudo na vida social – do valor econômico e do poder do Estado às práticas individuais e à estrutura da psique – passa a ser considerado como cultural. Seu livro associa a mudança nas práticas culturais. a forma de acumulação predominante. Em sua obra anterior. ao crédito e aos investimentos. da cultura para a economia. uma desterritorialização do capital na indústria pesada para possibilitar sua reprodução e multiplicação na especulação financeira”. Limits of capital. segundo a qual a descrição e a decodificação de uma época pós­moderna nada mais foi que uma precoce e insuficiente tentativa de compreender a nova fase do capitalismo. de Condição pós­moderna. ao início de um novo ciclo de “compressão do tempo­espaço na organização do capitalismo”. o que em geral se denomina globalização seria apenas um aspecto de um processo mais profundo. pode ser desdobrada em todas as suas implicações. tomando­o como um fenômeno cultural sintomático da nova fase do capitalismo – a moda intelectual subsequente: o conceito de “globalização”. Com esse diagnóstico do presente histórico. por sua vez. coletado no livro Em defesa da história. o que mergulhou a economia capitalista numa crise de superacumulação. Em 2003. já prevista por Adorno e Horkheimer no conceito de indústria cultural. atualiza as considerações de Georg Simmel. Enquanto todos os participantes seguiam a vereda aberta por ele. o pós­modernismo não significa apenas uma mudança no estatuto da produção cultural. redigido no momento da inflexão que conduziu o capitalismo a uma nova fase – cedem lugar à recente teoria de Giovanni Arrighi. por baixas taxas de lucro corporativo e por um processo inflacionário em aceleração. Mais especificamente. da dialética da modernidade. na atitude de reserva. de expansão financeira. de certo modo. A virada de Jameson pode ser documentada em um artigo seu publicado no número especial da revista Monthly Review. uma adequada descrição daquilo que nomeia como terceiro estágio do capitalismo. A abstração inerente ao capitalismo financeiro possibilita uma equalização entre análise histórica e formal. O predomínio do capital financeiro intensificou a dissolução da autonomia do estético. em 1989. David Harvey Com a publicação. procurando identificar a lógica cultural da sociedade atual. em O capitalismo tardio – um livro de 1972. a possibilidade de “pensar dialeticamente a evolução do capitalismo como um progresso e uma catástrofe ao mesmo tempo”. relaciona as novas experiências frente ao tempo e ao espaço (o engendramento de uma nova sensibilidade ou o sentimento qualificado de pós­moderno) com a emergência de modalidades diferentes. descontínuos e em perpétua expansão. Assim. isto é. Jameson recompõe alguns fios que pareciam soltos em suas análises. Jameson. Harvey reformula seu diagnóstico do presente histórico. o desenvolvimento produtivo da região em termos de indústrias e manufaturas; e. é minada pela crescente competição internacional. mas também de precisar. Nesse movimento em que desloca a ênfase do pós­modernismo para a globalização. no qual o capital ampliava sua margem de manobra intensificando a flexibilidade dos mercados de trabalho – privilegiando contratos temporários. uma tríade em que primeiro ocorre “a implantação de capital que busca investimentos numa região nova; em seguida. a conexão entre economia e cultura. Afinal. a disposição de ocupar esses países não estaria na contramão de uma política cuja hegemonia se firmara ao longo do século XX graças ao discurso e à prática em favor da autonomia nacional? Além disso. a incorporação de força de trabalho imigrante etc.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 6/9 . nos mercados financeiros – desregulamentados nas transações atinentes ao câmbio. Tudo isso assoma ao primeiro plano do livro. com alterações político­econômicas que teriam se iniciado em 1972. nas quais se ressalta o processo de abstração patente nos novos estilos de vida. sobretudo as invasões sucessivas do Afeganistão e do Iraque. que ele endosse a tese do surgimento de uma sociedade pós­capitalista ou mesmo pós­ industrial. simultânea à subordinação da produção cultural à lógica da mercadoria. sinaliza também uma modificação no próprio modo de vida com a generalização de novas práticas. a tese da colonização do real pela cultura. para os Estados Unidos. Isso não significa. a reciprocidade entre crítica cultural e crítica social. levando em consideração a nova ordem engendrada pela reação do Estado norte­ americano aos atentados de 11 de setembro de 2001. Jameson seguiu a pista – aberta mas não desenvolvida naquela obra –. ao caráter efêmero das moedas. num visível descompasso entre análise formal e histórica. Não se trata apenas de restabelecer. finalmente. Jameson encontrou o que faltava em seu livro de 1991. Por fim. Mas o que interessou a Jameson. Esses desdobramentos causaram perplexidade geral. no entanto. a tal ponto que inviabilizou o projeto comum de artistas modernistas e marxistas ocidentais de expressarem as contradições inerentes à modernidade.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse nova lógica cultural. Essa inflexão culmina no livro A virada cultural (1998). A lógica cultural do presente não se apresenta mais como um fechado universo foucaultiano. como entender a legitimidade obtida pelo governo Bush – uma singular …ufrj. Na versão de Arrighi. na experiência do choque. a função da crítica. Um dos pontos fortes do livro de Harvey assenta­se na atenção que dedica à experiência urbana nas grandes cidades – um tópico essencial das teorias sobre a modernidade e também sobre a pós­modernidade. desplugada desde o declínio do marxismo ocidental em meados dos anos 1970. os movimentos do capitalismo. David Harvey se tornou uma das vozes mais influentes nesse debate. Ele. dedicado ao pós­modernismo. daí para a Inglaterra e. Para superar esses impasses. por lotes de encomendas etc. da produção de mercadorias – por processos just in time. para uma sensibilidade ligada à desmaterialização do dinheiro. à luz de um novo contexto. Nesse diapasão. ao contrário. em outro patamar. –. na disseminação da relação monetária etc.   3. exposta principalmente em O longo século XX. na passagem do século XIX para o XX. Para Harvey. procurava compreender – na mesma chave. o ingresso do capitalismo no terceiro estágio. a associação. dos processos de fabricação – pela via da transposição de unidades fabris para outros países ou regiões –. Essa nova forma de acumulação fornece a base para a cultura pós­moderna. à instabilidade da nova economia. experiências e formas de vida. Harvey examina a teoria marxista das crises econômicas. A resposta da classe capitalista e dos governos dos países centrais a essa situação desdobrou­se como um novo regime de acumulação “flexível”.

 por outro lado. Se Marx. junto com uma atualização da obra de Marx e de seu legado. Quando bem dimensionada. Quando se debruçou sobre o tema. Essa teoria permite a Harvey explicar de forma convincente os principais fenômenos político­econômicos dos últimos 35 anos. Nesses três períodos convivem. combina. em vez de descrevê­lo como uma fase “última” do capitalismo. O debate polarizou­se entre os que consideram a “acumulação primitiva” como mera etapa necessária à emergência do capitalismo e os que a situam como momento estrutural de seu dinamismo histórico. O debate sociológico. para qualificar o debate. resquício da “era dos impérios” e do leninismo. econômicas. Sua apreciação da modernidade como um projeto inacabado. A predecessora mais ilustre dessa posição foi Rosa Luxemburg. Para determinar a configuração histórica de seu tempo. se limitam a listar as modificações sociais. A face imperialista do capitalismo torna­se ostensiva nos momentos em que predomina o acúmulo por espoliação. A ressonância mundial de seus textos. antes concentrado na controvérsia acerca do surgimento ou não de uma sociedade pós­industrial. como “o primeiro estágio do domínio político da burguesia”. políticas e culturais. por um lado. confirmada com sua escolha para exercer um segundo mandato? As mudanças na ação externa e no cenário interno suscitaram a onda de explicações que colocou na boca de liberais e conservadores um termo que a esquerda utiliza há muito para caracterizar o Estado norte­americano: imperialismo. Sua resolução acarreta tanto a desvalorização de ativos e a destruição de regiões como configura uma nova paisagem espaço­temporal para acomodar a perpétua acumulação de capital e sua companheira inseparável. posto que lutem prioritariamente contra a espoliação. foi assim deslocado para uma controvérsia que. Tampouco concorda que a sucessão de crises que perpassa o capitalismo seja explicável pelo “subconsumo”. acusada de fraude eleitoral –. Habermas mirou simultaneamente três âmbitos distintos. pode produzir esse “exterior”. no entanto. sobretudo porque também deriva. mas nunca deixa de atuar. o estado de guerra permanente (41% dos gastos do governo são destinados a atividades militares) e até mesmo o revezamento de poucas famílias no comando da nação.   4. o neoconservadorismo anglo­saxão (que tinha em Daniel Bell um de seus expoentes). a lógica econômica. imperialismos rivais assentados no nacionalismo e no racismo conduziram as nações a uma série de crises e guerras. A ocupação neocolonial de territórios. em um capítulo crucial de O Capital (“A assim chamada acumulação primitiva”) mapeia. o pós­estruturalismo francês e o debate estético nas artes plásticas e na arquitetura. a discussão sobre o imperialismo não é episódica no corpus marxista. de forma complexa. procurou restabelecer as determinações conceituais e históricas da teoria marxista do imperialismo. a hipótese de uma sucessão de Estados hegemônicos desenvolvida por Giovanni Arrighi. diplomáticas e militares que denomina “acumulação por espoliação”. fragmentárias e avessas ao controle do aparelho de Estado. A questão. uma a uma. A hegemonia norte­americana após 1945 se torna incontestável. em geral. Harvey não despreza os ensinamentos de Lênin sobre o imperialismo.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 7/9 . um diagnóstico do presente histórico que não se confunde com os relatos convencionais que. as crises advêm da dificuldade em absorver de forma lucrativa os excedentes de capital e são.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse coalizão de militaristas. paradoxalmente. tornou a questão estética uma espécie de campo de prova da existência ou não de uma pós­modernidade. na fórmula de Hannah Arendt. A partir dessa premissa reconstitui. não constitui propriamente uma teoria histórica do capitalismo. um dos muitos pontos que Marx apenas esboçou e não teve tempo de desenvolver em sua obra. Para Harvey. A partir de 1973. renomeando o arsenal de práticas que Marx chamava de acumulação primitiva. além de configurar uma interpretação que pouco salienta a contradição inerente ao capitalismo. com pesos diferenciados. no entanto. poucos anos depois. Para ele. como no caso do desemprego em massa que amplia o exército industrial de reserva. apresentando a financeirização. de forma contraditória. tudo isso aponta para o ressurgimento de um poder imperial. as práticas extraeconômicas que favorecem a acumulação capitalista. seu denodo em determinar os rumos do capitalismo. Ao contrário do que se crê. remete às relações entre economia e política. ele não fornece uma resposta convincente a uma questão que ele próprio cobra de Daniel Bell – falta­lhe uma explicação das causas econômicas e sociais da mudança cultural. no fundo. Harvey é partidário decidido da segunda alternativa. “crises de sobreacumulação”. como mostrou Perry Anderson. Discorda. os processos moleculares de acumulação e as estratégias políticas. em sua geografia e história. que tendem a assumir formas difusas. de que esse “outro” seja sempre uma forma de produção pré­capitalista. Esta vigorou no período 1870­ 1945 e voltou a prevalecer a partir de 1973. caracteriza a dinâmica desse modo de produção como o desdobramento da acumulação de capitais (numa lógica estritamente econômica). Balanço e perspectivas A especificidade da discussão marxista sobre a pós­modernidade deriva em grande medida do fato de que a inserção na linhagem do marxismo demanda dos autores. a globalização e a política neoliberal como estratégias da “acumulação por espoliação”. após o interregno dos “trinta anos dourados”. Ao se restringir a esses aspectos do problema. da reprodução expandida do capital. com alguns deslocamentos decisivos. prefere vê­lo. a acumulação molecular de capital e a acumulação por espoliação. Harvey compartilha com ela a tese de que a acumulação capitalista não prescinde de alguma espécie de ambiente externo. Entre 1870 e 1945. Mas. que configura histórica e geograficamente o capitalismo. o processo de “acumulação interminável de capital”. …ufrj. portanto. neoconservadores e cristãos fundamentalistas. Seu predomínio manifesta­se na vida política por meio da cisão dos movimentos antiglobalização. Essa inusitada convergência disseminou e banalizou ao extremo a palavra “imperialismo”. a atualidade de O novo imperialismo reporta­se menos às análises de conjuntura – em geral brilhantes e muitas vezes proféticas – do que ao arcabouço teórico que o livro desenvolve. ocupa um lugar central na compreensão teórica e histórica do capitalismo. divididos entre a esquerda socialista – cuja ênfase na reprodução ampliada coloca como central a luta anticapitalista – e os novos movimentos sociais. David Harvey. o modelo de acumulação altera­se completamente com a criação de um sistema monetário desmaterializado. O próprio capitalismo. em especial a denúncia da assimetria entre Estados no interior de um sistema global de acumulação de capital. a acumulação interminável de poder. emergiu já na primeira metade do século XX. Mas. dissimulando seu domínio sob a capa de um universalismo abstrato: a defesa das classes proprietárias de todo o mundo em sua luta contra o comunismo.

 em seus escritos posteriores ao livro Pós­modernismo. n. 1993. a cultura. ainda aberta. Antonio. Fim da história e o último homem. ele forneceu o quadro teórico – ao mesmo tempo abrangente e refinado – do que seria a estética pós­moderna. 1987. Assim. São Paulo: Loyola. 1983. 106­116. do capitalismo. 2000. Condição pós­moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 18. London: Verso. que permitiu compreender a distinção entre modernidade e pós­modernidade como nada mais que a emergência de uma fase da história. ago. sanar essa incoerência caracterizando esse terceiro período da história do capitalismo como o da hegemonia norte­americana – retomando a periodização de Giovanni Arrighi em O longo século XX. Jameson concebeu a “cultura” pós­moderna como uma delimitação mais ampla do que as meramente estéticas. só em sua obra posterior ele logrou desenvolver de forma plena e consistente uma teoria da acumulação capitalista. Ann E. In: KAPLAN. Organizou. set. ARRIGHI. p. presente e futuro. no entanto. O pintor da vida moderna. GRAMSCI. Origens do totalitarismo. HARVEY. em certa medida. seja o de Habermas ou o de Jameson. 1999. Giovanni. a uma determinada estrutura psíquica). 1996. mas também estabeleceu um terreno. David. 1992. 2010. São Paulo: Hedra. n. São Paulo: Companhia das Letras. 1980. no mercado de capitais e crédito. preso a esses esquemas conceituais. mas sobretudo das imagens –. motivações da ação e de atribuição de sentido ao mundo e à existência (vinculado. formulado por Antonio Gramsci e retomado pela escola francesa da regulação. por Raymond Williams. O discurso filosófico da modernidade. Primeiro. O renascimento urbano e o espírito do pós­modernismo. é livre­docente e doutor em filosofia pela USP e mestre em filosofia pela UFRRS. ______. 7. p. em grande medida. ______. FUKUYAMA. como uma “sensibilidade” ou “sentimento”. apresentar. professor no departamento de sociologia da USP. BELL. os livros Capítulos do marxismo ocidental (Editora Unesp) e Émile Durkheim: fato social e divisão do trabalho (Ática). em especial. Apesar desse avanço para determinar com mais precisão as causas econômicas.br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 8/9 . São Paulo: Cultrix. David Harvey. ______. isto é. ainda se encontra.). Belo Horizonte: Autêntica. Rio de Janeiro: Contraponto; São Paulo: Editora Unesp. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. p. Modernidade versus pós­modernidade. entre outros. sob o termo “acumulação flexível”. em A condição pós­moderna. Jameson procurou. ARENDT. Até mesmo a maior novidade de seu livro – a percepção de que se trata de uma mudança estrutural (ou de fase) do capitalismo – ainda é apreendida por meio de um diálogo com Jameson. Mike. HABERMAS. DAVIS.   * Ricardo Musse. ______.   Referências bibliográficas ADORNO. 1977. valendo­se de sua familiaridade com a teoria estética desenvolvida pelos marxistas ocidentais. Novos estudos Cebrap. Determinou­a no sentido desenvolvido pelos estudos culturais e. 1992. que possibilita o confronto e a comparação com as diversas teorias da modernidade. 1989. Não só pelo fato de O capitalismo tardio ter sido escrito antes do desabrochar pleno das teorias e das práticas que moldaram a cultura pós­moderna. n. nas formas e métodos de organização da produção e. Jürgen. 86­91. O advento da sociedade industrial. Francis. Sua reconstituição do período anterior a partir do conceito de “fordismo”. Charles. mas se encontra submersa numa “presentificação” em que o tempo é substituído por relações espaciais – pela hegemonia a­histórica do aqui e agora. Novos estudos Cebrap.  set. O longo século XX. Rio de Janeiro: Rocco. 115­124. permitiu­lhe. BAUDELAIRE. objeto de seu estudo no livro Marxismo e forma. mas sobretudo porque Mandel data a eclosão dessa terceira fase do capitalismo de 1945. O mal­estar no pós­modernismo. O fim da ideologia. …ufrj. Arte em revista. ANDERSON. p. Daniel. ressaltando a transmutação da reificação – o fetiche não deriva mais apenas da autonomia ilusória das coisas. Perry. 1985. O calcanhar de aquiles da teoria de Jameson – apontado já em 1991 por Mike Davis e retomado por Perry Anderson – localiza­se em sua tentativa de explicar essa mudança histórica a partir da teoria desenvolvida por Mandel em 1972. uma teoria própria que indica transformações decisivas no mercado de trabalho. (org. políticas e sociais da mudança cultural. A nova intransparência. e uma mudança significativa na estrutura da subjetividade – a individualidade não se constitui mais por meio de uma relação temporal que incorpora passado. mas também promovendo uma espécie de simbiose entre as teorias de Mandel e de Arrighi. Americanismo e fordismo. Argumenta em favor da ruptura entre nossa época e o passado imediato. São Paulo: Martins Fontes. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Arquitetura moderna e pós­moderna. na esfera financeira. 18. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. Brasília: Editora UnB. 103­114.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse O êxito de Jameson em tornar a discussão sobre a pós­modernidade um debate aceitável e até mesmo decisivo no interior do marxismo vincula­se ao alcance de dois procedimentos que ele operou com maestria. um conjunto de prática. 1987. As origens da pós­modernidade. ______. Limits of capital. Max. sustentada pela disseminação da televisão e do computador pessoal –. sobretudo. 2008. 1999. Theodor; HORKHEIMER. Dialética do esclarecimento. Além disso. Jameson não só marcou de forma nítida a ruptura entre a estética da modernidade e a da pós­modernidade – ancorada na primazia da imagem sobre os objetos. Hannah.

MANDEL. O novo imperialismo. Ernest. fase superior do capitalismo. n. SIMON. Ellen Meiksins (org. Manifesto do Partido Comunista. vol. 2006. São Paulo: Alfa­Ômega. 11. A virada cultural: reflexões sobre o pós­moderno. 2005. LÊNIN. São Paulo: Hedra. Claude. São Paulo: Abril Cultural. 1982. ______. 2004. Karl. São Paulo: Hucitec. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. SIMMEL. JAMESON. 1996. Mana. Marxismo e forma. Paris: Éditions de Minuit.31/08/12 Revista Z Cultural » O debate marxista sobre a pós-modernidade | de Ricardo Musse ______. Desenvolvido por Místico Solimões Design …ufrj. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. Vladimir I. As grandes cidades e a vida do espírito. São Paulo: Ática. out. WOOD. 1985. Les corps conducters.     Os comentários estão fechados. Rio de Janeiro: Zahar. O capitalismo tardio. MARX. O imperialismo. Georg.).br/…/o-debate-marxista-sobre-a-pos-modernidade-de-ricardo-musse/ 9/9 . 1986. LUXEMBURG. Em defesa da história: marxismo e pós­modernismo. A acumulação do capital. São Paulo: Loyola. São Paulo: Abril Cultural. O capital: crítica da economia política. Fredic. 1999. Pós­modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio. 2010. Rosa. ______. Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. 2012 Revista Z Cultural. ______. 1973. 1983. 1976. 2.