1 – Técnica de Interpretação Gramatical ou Filológica 1.1 - Trata-se de uma técnica que utiliza a linguagem, em especial da escrita.

E preocupa-se com as várias acepções dos vocábulos, a fim de descobrir qual deve ou pode ser o sentido de uma frase, dispositivo ou norma. 1.2 - Para que a norma seja interpretada segundo a Técnica de Interpretação Gramatical, de forma correta, se faz necessário: * Que o intérprete tenha conhecimento perfeito da língua empregada no texto, isto é, das palavras e frases usadas em determinado tempo e lugar; * Propriedades e acepções várias de cada uma delas; * Leis de composição; * Gramática. a. Exemplos: O inciso XXXII, art. 5º, da CF/88 está escrito: “O ESTADO PROMOVERÁ, NA FORMA DA LEI, A DEFESA DO CONSUMIDOR;” enquanto que o art. 82, do Código Civil de 1916 (art. 104 e incs. do CC/2002) está escrito: “A VALIDADE DO ATO JURÍDICO REQUER AGENTE CAPAZ, OBJETO LÍCITO E FORMA PRESCRITA OU NÃO DEFESA EM LEI.” b. Questionamento: Ao se interpretar as normas acima citadas, a palavra defesa possui o mesmo significado? 1.3 – Cada palavra pode ter mais de um sentido, ou pode acontecer de vários vocábulos apresentarem o mesmo significado. Por essa razão é importante examinar, não só o vocábulo em si, mas, também, em conjunto, em conexão com outros no texto interpretado. Exemplos: a) Diz o art. 84, do Código Civil de 1916 (Não existe correspondência exata do CC/2002) que “As pessoas absolutamente incapazes serão representadas pelos pais, tutores, ou curadores em todos os atos jurídicos; as relativamente incapazes pelas pessoas e nos atos que este Código determina”. (Nota: notem que as pessoas referidas na parte final do artigo são as mesmas do início do artigo). b) Está escrito no inciso VIII, do art. 8º, da CF/88: “é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei”. (Nota: A parte final do artigo, que ressalva a possibilidade de demissão em caso de falta grave, praticamente anula as vantagens do empregado sindicalizado com cargo de direção ou rep. Sindical). c) O art. 1288 do Código Civil de 1916 (Art. 653 do CC/2002) está escrito que “Opera-se o mandato, quando alguém recebe de outrem poderes, para, em seu nome, praticar atos, ou administrar interesses. A procuração é o instrumento do mandato.” Observação: Todos os artigos de Lei citados acima refere-se a uma forma de representação de interesse (representação em relação aos absoluta e relativamente incapazes; representação sindical e representação por mandato). Cada qual têm significados próprios. 1.4 – Considerando que os legisladores utilizam expressões comuns e termos jurídicos na confecção das normas jurídicas, não basta apenas verificar o significado gramatical e etimológico. E necessário, também, que se verifique: * A palavra foi empregada em acepção geral ou especial? Ampla ou estrita? * A palavra utilizada está exprimindo um conceito diverso do habitual? Exemplo: a) Está escrito no art. 2º, do Código Civil de 1916 que “Todo homem é capaz de direitos e obrigações na ordem civil.” e no art. 1º do Código Civil de 2002 que “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.” Observação: Neste caso, se estabeleceu como universo de direitos do homem ou pessoa a “ordem civil”. b) O art. 852, do Código de Processo Civil prescreve que “É lícito pedir alimentos provisionais: I - nas ações de desquite e de anulação de casamento, desde que estejam separados os cônjuges;” enquanto o art. 226, § 6º, da CF/88 determina que “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após prévia separação judicial por mais de um ano nos casos expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais de dois anos.” Observação: Notem, que o texto constitucional, ao tratar da dissolução do casamento, fala em divórcio, separação judicial e separação de fato. Por sua vez, o Código de Processo Civil tratando do mesmo tema (dissolução do casamento) menciona o desquite e anulação de casamento. Por que? 1.5 – Com o tempo, geralmente, ocorre de algumas palavras mudarem de sentido. E neste caso, o intérprete deve se fixar no sentido que a palavra apresentava ao tempo da edição do texto legal. Exemplos: a) Diz o art. 240, do Código Penal (DECRETO-LEI Nº 2.848, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1940): “Cometer adultério: Pena - detenção de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses.” Observação: Quanto à significação do que era o crime adultério, que o Código menciona, há posições diversas na doutrina brasileira. Senão vejamos: * Uma primeira corrente, seguida por BENTO DE FARIA (CP Brasileiro Comentado, 1959, VI/165) e HELENO FRAGOSO (Lições D. Penal, 1965, III/714) defendia que o crime de adultério só se caracterizaria por meio do coito vagínico; * Uma segunda corrente, seguida por DAMÁSIO DE JESUS (D. Penal, 1983, III/210), MAGALHÃES NORONHA (D. Penal, 1979, III/137) e ROMÃO CÔRTES DE LACERDA, com apoio em HUNGRIA (Comentários ao Código Penal, 1959, VIII/381) defendia que o crime de adultério se configuraria, também, por meio do coito anormal ou qualquer ato sexual inequívoco. Conclusões: Pode-se notar que os doutrinadores, no passado, de maneira uniforme, somente levavam, para caracterização do delito de adultério, o ato sexual próprio e dito ortodoxo. Atos de natureza estranha, incomum, heterodoxa (deixo para que cada qual imagine as situações!), mas diretamente relacionado à sexualidade, não contava para os efeitos do enquadramento legal. Modernamente, não é esse o caminho adotado. A questão, da maneira como é posta na doutrina, pode levar a raciocínios estranhos. 1.6 – O intérprete deve estar atento para os usos verbais locais, comum a cada região do Brasil, para realizar seu trabalho, ou seja, atentar para o significado da palavra adotada na região onde foi editada a norma legal. Exemplo: A palavra alqueire em Minas Gerais (equivale a 2 alqueires paulistas) não exprime a mesma quantidade do alqueire em São Paulo (24.250 metros quadrados).

2 – Técnica de Interpretação Lógica 2.1 - Esta técnica de interpretação se propõe em aplicar os princípios universais da lógica e da razão aos dispositivos da lei que se deseja interpretar. O objetivo é encontrar inicialmente o espírito da lei (mens legis) por um processo lógicoanalítico e, num estágio mais avançado, a razão da lei (ratio legis) por um processo

todos são iguais na ordem civil. A .. fragmento 3. b) se em uma seqüência de números naturais “4. 2. Dizia Celso no Digesto. ao invés da vontade do legislador (mens legislatoris). § 17: “Scire leges non hoc est verba earum tenere sed vim ac potestatem”. 2. Observação: A Técnica de Interpretação Lógica investiga a mens legis da norma .lógico jurídico. conhecer as leis não é compreender as suas palavras.2. 24. de uma ou mais premissas. c) Então. A dedução é um raciocínio de tipo mediato.2 – Na interpretação lógica da norma são utilizados. isto é. 5º. Não interessa o que pensa o legislador. analisando seu contexto e estruturas internas e descobrir a razão de uma norma (ratio legis). sua razão de existir. caput da CF) b) Todos os homens são capazes de “de direitos e obrigações na ordem civil” (art. do Código Civil de 1916). quem produz a norma. Maria. induz-se que “todo número que apresenta o algarismo das unidades igual a 4 é um número par” (indução). 2º..2. além dos processos lógicos da dedução e da indução. 14. Veja-se o exemplo de raciocínio dedutivo/silogismo: a) Todos os mamíferos são animais. A interpretação lógica funda-se no fato de que o estudo puro e simples da letra da lei (interpretação gramatical) conduz a resultados insuficientes e imprecisos. Indução: Raciocínio que consiste em tirar conclusões gerais a partir de casos particulares considerados como portadores de relações gerais. 34.1. havendo necessidade de investigações mais amplas. b) Todos os gatos são mamíferos. mas o que ela quer realizar. O problema do raciocínio indutivo está no fato de que.2. a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. Dedução: É um processo mental de investigação dos fatos em que o intérprete parte de uma premissa universal para alcançar o particular. Exemplos de raciocínio por indução: a) Se o jornal noticia que “João. apenas os culpados fogem (regra da experiência). Livro I. Exemplo jurídico: a) Todos os homens são iguais perante a lei (Art. a Lógica Interna. se conclui uma proposição que é conclusão lógica da(s) premissa(s). 44 e 54 são números pares” (observação de dados ou fatos isolados). c) Todos os gatos são animais. sendo o silogismo uma das suas formas clássicas.Considera-se que um raciocínio é dedutivo quando. contrariamente à dedução. Afinal. 2. Pedro e muitos outros morreram” (várias constatações individuais). como se sabe. c) O fato de Tício ter se evadido do local do crime (locus criminis) onde uma pessoa foi assassinada (homicídio -indício) leva a crer que ele pode ser o autor do crime (presunção). mas o seu alcance e a sua força. induz-se que “todos os seres humanos são mortais” (afirmação geral). a Lógica Externa e Lógica do Razoável.

ainda. sem levar em consideração elementos de informação exteriores (fatores externos que levaram a produção da norma). em direção à sua casa. descobrem na mesma 1 (um) quilo de cocaína. Por outro lado. Ocorre. preparar. gera injustiças e como evitá-las: a) Norma Objeto de Análise pelo intérprete: Segundo a Lei de Tóxicos . Sebastiana narrou o fato como aconteceu e entrega a mesma aos policiais. guardar. Para viabilizar a aplicação da Lógica Interna é utilizado um processo de raciocínio denominado Lógica Formal. abaixo citado. transportar. e pagamento de 50 (cinqüenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. nova. da mencionada lei. fabricar. “Art. É importante ressaltar que na utilização da Lógica Formal. que a utilização da Lógica Formal pelo intérprete deixa o Direito sem fluidez. a presunção de que Tício pode ser o autor do crime (uma afirmação particular) é fruto de raciocínio dedutivo. 12 . Os policiais. com dois policiais. remeter. Ocorre que nesse instante uma patrulha da Polícia Militar. é traficante de tóxicos quem incide no art. fornecer ainda que gratuitamente. semi-aberta.máxima de que “apenas os culpados fogem” (afirmação geral e universal) surgiu da observação de vários fatos isolados. 12. Lógica Interna: processo de raciocínio utilizado pelo intérprete por meio do qual ele submete a lei a uma análise do ponto de vista da inteligência do texto legislativo. trata-se aqui de indução. produzir.3. expor à venda ou oferecer. se aproxima e abre para ver o tem dentro. ministrar ou entregar. Acreditando que alguém a teria perdido e. de pouco tráfego e mal iluminado.368 de 21 de outubro de 1976. aborda Sebastiana questiona sua presença naquele local. ao verificar o conteúdo da mencionada maleta. trazer consigo.reclusão. a consumo substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. supondo que talvez pudesse encontrar algum documento que revelasse a identidade do proprietário. . posto que foi necessária a aplicação uma premissa maior (“apenas os culpados fogem”) a uma premissa menor (“Tício foi visto fugindo do local do crime”). Assim. vender.” b) Situação em que foi aplicado o raciocínio interpretativo por meio da lógica formal: “Por volta das 21:00 horas de ontem. ao desconsiderar a evolução e as transformações sociais. ao avistar Sebastiana sentada na calçada com uma pasta 007 no colo. contudo. adquirir. empregada no âmbito da Lógica interna pelo intérprete da norma. ter em depósito. quando viu uma maleta 007.2. Sebastiana. uma jovem de 20 anos de idade. são empregados os métodos Dedutivo e Indutivo (visto anteriormente) e.Lei 6. prescrever. os raciocínios silogísticos como instrumentos de interpretação de normas. próxima a calçada. vinha andando pela Rua NWY.Importar ou exportar. Até aquele momento Sebastiana não sabia do conteúdo da maleta. 2. de qualquer forma. trafegando pela rua NWY. Conclusão: Sebastião é presa em flagrante por tráfico de tóxico. de 3 (três) a 15 (quinze) anos. sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena . 1º) Exemplo de como a Lógica Formal.

responsável pelo inquérito que apura o fato. cessado a ocorrência das ditas calamidades todo o conteúdo normativo criado para esse fim perde sua razão de efetividade.” 3ª REGRA: Em desaparecendo o motivo de criação da norma. 1º. tipificado no art. REGRAS LÓGICAS (advindas do Direito Romano) como instrumento de esclarecimento da norma. 4ª REGRA: Deve-se ater aos diferentes contextos em que a expressão ocorre e classificá-los conforme a sua especificidade. secas ou outras intempéries climáticas. empregando a interpretação lógica e utilizando-se da lógica formal. Exemplo: Compare as seguintes normas: a) “Art.. para proteger os interesses de Sebastiana. Assim. a Constituição Federal. inciso II. III . visando a seu desenvolvimento e à redução das desigualdades regionais. Entre as regras mais usadas estão as seguintes: 1ª REGRA: Onde a lei não distingue. 67. podemos empregar ainda. no todo ou em parte. salvo motivo de conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço.12 da Lei nº 6. Será assegurado a todo empregado um descanso semanal de vinte e quatro horas consecutivas.). ou seja.). cuja origem ela não revelou. Os incentivos regionais compreenderão. mensalmente organizada e constando de quadro sujeito à fiscalização. § 2º. (. 2º) Ademais. Logo..isenções.. Exemplo: “Art. Exemplo: “Art. tem fundamento nos princípios consagrados pela Constituição. ao concluir seu relatório. o qual.Para efeitos administrativos. ainda tratando da Lógica Interna das normas. Exemplo: Decretos Municipais e Estaduais sobre calamidades do tipo enchentes. 2ª REGRA: As normas de exceção devem ser interpretadas de forma estrita. Nos serviços que exijam trabalho aos domingos. acima descrito. Constituição Federal. além de outros. reduções ou diferimento temporário de tributos federais devidos por pessoas físicas ou jurídicas. A procuração geral para o foro.a mesma incidiu no crime de tráfico. de normas hierarquicamente superior. a União poderá articular sua ação em um mesmo complexo geoeconômico e social. Parágrafo único. no ordenamento jurídico.Todas as demais normas que seguem no texto constitucional são baseadas em Princípios de Direito. na forma da lei: (. empregando a técnica Lógica Interna como poderíamos elucidar a questão? Para impedir que Sebastina sofra uma rematada injustiça. não devemos distinguir. c) Ora.O Delegado.368/76”. diz que Sebastiana foi presa após adquirir substância entorpecente. injustamente imputada pela prática de crime de tráfico de entorpecente. 38. é possível que o Advogado ou mesmo o Delegado lance mão. no Título I. com exceção quanto aos elencos teatrais. conferida por instrumento público ou . que trata DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS.” (CF/88 – grifei). art. Nestes casos. deverá coincidir com o domingo. cessa por completo o que ela dispõe. que atribui status de fundamento do nosso Estado Democrático de Direito a cidadania e a dignidade da pessoa humana.. será estabelecida escala de revezamento. 43 .

São considerados hediondos os seguintes crimes. 164. quem prevalece? “Art. § 1º). 1º.estupro (artigo 213 e sua combinação com o artigo 223. salvo para receber citação inicial.Redação dada ao artigo pela Lei nº 8. consumados ou tentados: I homicídio (artigo 121). a normas o Código Penal não se aplica vez que é norma geral. que ora separam os termos na forma de oposições simétricas. b) “Art. que trata dos crimes contra a pessoa (homicídio. Parágrafo único.Código Penal. Exemplo: Do confronto da Lei nº 8. caput. reputando-se válidos os que. da Forma dos Atos Processuais.” (CPC . ou seja.1994) (grifo nosso). VII . realizados de outro modo. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos artigos 1º. I. 85 está escrito que “Nas declarações de vontade se atenderá mais à sua intenção que ao sentido literal da linguagem. Capítulo I. VI . assinado pela parte. 154. desistir. § 2º. infantício.latrocínio (artigo 157. de 1º de outubro de 1956. em relação aos termos do Código Penal. renunciar ao direito sobre que se funda a ação. dos Atos em Geral). confessar.extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (artigo 159. III. caput. desde que do fato resulte prejuízo: Pena - . 6ª REGRA: Nos textos legais as expressões não tem sentidos supérfluos. enquanto que a Lei dos Crimes Hediondo é especial. Porém. V . de 06 de setembro de 1994. que deu nova redação ao artigo 1º da Lei nº 8.” (equivalente ao 107 do CC/2002). 2º e 3º da Lei nº 2. § 2º). prescreve: “Art. todos tipificados no DecretoLei nº 2.” (CPC. de 07 de dezembro de 1940 . sem consentimento de quem de direito.atentado violento ao pudor (artigo 214 e sua combinação com o artigo 223. Introduzir ou deixar animais em propriedade alheia. receber. dar quitação e firmar compromisso. II .epidemia com resultado morte (artigo 267.12. etc) e contra o patrimônio (latrocínio). II. de 25 de julho de 1990.particular. e parágrafo único). e parágrafo único).extorsão qualificada pela morte (artigo 158. reconhecer a procedência do pedido.930. lhe preencheram a finalidade essencial. ao tratar de introdução ou abandono de animais em propriedade alheia.072.952. IV e V). Exemplo: No Código Civil de 1916. 2º e 3º). III .930/1994) É fácil observar que todos os crimes descritos na Lei dos Crimes Hediondos estão definidos no Código Penal. caput.889. e homicídio qualificado (artigo 121.” (Lei nº 8. das definições e redefinições. que dispõe sobre os crimes hediondos.” 7ª REGRA: É importante ter conhecimento das classificações e reclassificações. os conteúdos geralmente são aproximados na forma de gêneros e espécies ou espécies de um gênero superior. Seção I. 5ª REGRA: Na ocorrência de conflitos. art. e §§ 1º. in fine). quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. tentado ou consumado. § 3º. na hora de interpretar. E também das conjugações. IV . de 13. ainda que cometido por um só agente.848. a regra é a prevalência da norma especial sobre a norma geral. Os atos e termos processuais não dependem de forma determinada senão quando a lei expressamente a exigir. habilita o advogado a praticar todos os atos do processo. transigir. Exemplo: O Código Penal.

O MM. Contudo. de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses.Universidade Federal de . emprestando apenas o bom nome. Pedro. Contudo. Ora. Direito de Família. A introdução .” “A visualização da Lei Magna de que concretamente.” (Neiva Flávia de Oliveira. A expressão animais. no plural. João obteve a tutela judicial e. sem que isso interfira na definição jurídica de sua capacidade civil ou laboral. regularizado sua situação juntos aos órgãos de proteção ao crédito. 5º. que financiasse a casa para ele. reiterada em sucessivas Cartas. pouco importando que os animais entrem sozinhos ou acompanhados pelo próprio agente ou por seus prepostos ou empregados.” O tipo objetivo é conceituado por JULIO FABBRINI MARABETE com incomparável objetividade: “Duas são as condutas previstas no dispositivo em estudo: introduzir ou deixar.afirma Bento de Faria . Introdução à Ciência do Direito DEDIF . seu marido. Lógica Externa: É representado pelo processo mental utilizado pelo intérprete para analisar a norma e as razões que levaram sua elaboração. As taxas. como ponderou Peter Singer. prevê que “homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. Exemplo: O art. não pode se beneficiar de sua própria torpeza. Introduzir significa fazer entrar. ou multa. na verdade a casa foi financiada por Pedro e Tereza. Por essa razão. Juiz da causa entendeu que a esposa de Pedro. que é casado com Tereza.detenção. João pediu ao seu irmão a transferência da titularidade do financiamento para si.UFU . avisado de que está ele em propriedade alheia. Tereza não concordou com a referida transmissão de obrigações. 2.” (grifo nosso) 8ª REGRA: A criatividade e inteligência do intérprete na aplicação do raciocínio lógico é outro mecanismo de grande valia. em atendimento à solicitação de João.pode realizar-se por qualquer forma. alegando que legalmente quem tinha pago todas as prestações era Pedro. não agiu de boa-fé e. pediu ao seu irmão. ocorrendo tal conduta comissiva quando o proprietário do animal ou quem dele cuida. e passa a ser um ser humano que pode ser do sexo masculino ou feminino. Prof. ou sabendo disso. conseguiu transferir para seu nome a titularidade do financiamento. portanto. a finalidade para a qual foi criada. nos termos desta Constituição. levar para dentro. despesas e prestações foram pagas por João. não retirar. Tereza. largar. conquanto.4. Este processo mental não pode gerar conclusões que conteste o texto legal.2. há homens e há mulheres. tanto quanto.Quanto à máxima da igualdade perante a lei. dolosamente não retira. reformula a noção de pessoa humana. Deixar quer dizer abandonar. tem sido muito questionada. não se pode dizer que são iguais aqueles nos quais a diferença é óbvia. é usada apenas para indicar o gênero e não a pluralidade deles. Exemplo: João não conseguia financiar uma casa junto a Caixa Econômica Federal porque seu nome e dados constava do rol de inadimplente (SERASA). Em juízo. basta a introdução de um que seja para caracterizar-se o delito. que deixa de ser o homem universal. Prof. inciso I da CF/88. porque declarar a igualdade legal de desiguais social e economicamente ou de pessoas que sofrem discriminação e marginalizações poderá contribuir para a própria cristalização da desigualdade.

podendo evitá-los. inciso XLIII. Se o homicídio é cometido: I .072. 1º.930. inciso XLIII diz que “a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. o objetivo não é resgatar a intenção do legislador (mens legislatoris). Observação: a) Normas de ordem pública ou Cogente: Na verdade.1. fogo. § 2º). VI . 3. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. V . de 07 de dezembro de 1940 . e parágrafo único). caput. que dispõe sobre os crimes hediondos. in fine). Técnica De Interpretação Sistemática 3. sua razão de existir. todos tipificados no Decreto-Lei nº 2. mas referentes ao mesmo objeto.com emprego de veneno.reclusão. se omitirem. passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. o importante é o que objetiva a norma. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. entre o geral e o particular. e parágrafo único).à traição.5. V . caput. impositiva. com outros do mesmo ordenamento ou de leis diversas. c) Homicídio culposo “§ 3º. a Lei nº 8. nos termos do artigo 5º. 3. de 12 (doze) a 30 (trinta) anos”. ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido. a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena . Mas quando se trata de . Como dito anteriormente. É a busca da razão de uma norma (ratio legis). Matar alguém: Pena . de 25 de julho de 1990. § 1º). O art. de 6 (seis) a 20 (vinte) anos”. O artigo 1º da Lei nº 8. a ocultação. 1º. Lógica do Razoável (revisão): processo de raciocínio idealizado por Recaséns Siches. III . e §§ 1º. da CF/88. II .extorsão qualificada pela morte (artigo 158. de 25 de julho de 1990.072.latrocínio (artigo 157. I. b) Por sua vez. III .para assegurar a execução. o que ela quer realizar. IV . o terrorismo e os definidos como crimes hediondos.889. tortura ou outro meio insidioso ou cruel. determinou o seguinte: "Art. IV e V). b) Homicídio qualificado “§ 2º. 3.atentado violento ao pudor (artigo 214 e sua combinação com o artigo 223. São considerados hediondos os seguintes crimes. com base na contraposição entre o texto legal e a realidade dos fatos.homicídio (artigo 121).2. os executores e os que.epidemia com resultado morte (artigo 267. § 3º. mas o sentido profundo e presente da norma. explosivo. ainda que cometido por um só agente. tentado ou consumado.reclusão. caput.mediante paga ou promessa de recompensa.(destaquei). O resultado da interpretação sistemática é concluir se uma norma jurídica é cogente ou dispositiva.848. e homicídio qualificado (artigo 121. ou de que possa resultar perigo comum. 121. ou por outro motivo torpe. de 1 (um) a 3 (três) anos” 3. Exemplo: a) O art. Na técnica de interpretação sistemática o intérprete não pode desconsiderar que os dispositivos legais se interdependem e se inter-relacionam. por meio do qual o intérprete deve levar em consideração as finalidades da norma jurídica (mens legis). A Técnica da interpretação sistemática objetiva relacionar a regra e a exceção.Uberlândia) 2.2. 1º da Lei 8072/90 é a Lei especial (particular) e particulariza os ditos crimes hediondos que a Lei Maior não se preocupou em discriminar. A regra de ordem pública é a cogente (obrigatória. que deu nova redação ao artigo 1º da Lei nº 8. De qualquer forma. vez que as fontes formais (no caso a lei) do direito devem ser analisadas em conexão e. II. VII . II . da Constituição Federal.” No caso a norma constitucional é geral e estabelece exceções (caso dos crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia política).4. Se o homicídio é culposo: Pena . de 1º de outubro de 1956. consumados ou tentados: I .Código Penal. de emboscada. Exemplo: a) Homicídio simples “Art. por eles respondendo os mandantes. A interpretação da norma e a aplicação ao caso concreto deve levar em consideração os ditames constitucionais e aqueles previsto no Código Penal. de forma nenhuma. § 2º. 2º e 3º).detenção. III.por motivo fútil. 2º e 3º da Lei nº 2. Parágrafo único. Considera-se também hediondo o crime de genocídio previsto nos artigos 1º. o problema da conceituação de normas de ordem pública que relacionado ao “princípio” de ordem pública e não em “regra” de ordem pública. asfixia. comum ou especial. imperativa).”.3. 5º. IV .estupro (artigo 213 e sua combinação com o artigo 223. de 06 de Setembro de 1994. Trata-se de uma técnica que consiste em comparar o dispositivo sujeito à interpretação. buscando alcançar a interpretação mais clara e objetiva possível.extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (artigo 159. tal análise pode ser efetivada de modo isolado. principal ou acessória.

ainda.Com base na técnica de interpretação teleológica a legislação deve ser interpretada de modo que abranja. acima de tudo. sobretudo.6. a fruição e a alienação da propriedade privada sofre com limitações legais e institucionais. cuja invocação é optativa. atende. Observação: A interpretação. consistia na reconstrução do pensamento do legislador. até que seja pessoalmente citado. Técnica de interpretação praticada pela Escola Histórica de Savigny (vide matéria sobre Escolas de Hermenêutica jurídica). julho de 1996. analisando-a de acordo com a evolução do social. para Savigny. será interpretada de modo que melhor corresponda àquela finalidade e assegure plenamente a tutela de interesse para a qual foi regida. que se situa na progressão do tempo. 2ª – Inspira-se a Hermenêutica nos mesmos princípios da ciência de que é auxiliar. examinando textos legais pátrios com as legislações estrangeiras 4 – Técnica de Interpretação Histórica ou Histórico-Evolutiva 4. Neste caso. desconhecendo a existência do processo contra si. própria da primeira metade do século) hoje encarada como princípio. a princípio.4. ainda que se expeça o edital citatório. julgadas necessárias para satisfazer a certas exigências econômicas e sociais. a legislação não deve ser interpretada como se fosse presa às suas fontes originárias. Protege-se o patrimônio físico e moral do indivíduo. mas também outros valores. II. 5 – Técnica de Interpretação Teleológica 5. caput. O Professor Miguel Reale lecionava que “Uma lei nasce obedecendo a certos ditames. a tendência da maioria dos doutrinadores é recusar esse termo vago. Permitir que a suspensão do processo ocorra automaticamente. autorizar condutas ou atuar em casos duvidosos ou omissos. nos dias de hoje. resulta na modificação do seu sentido (jurista francês Gabriel Saleilles). o processo ficará suspenso. De acordo com esta técnica. não for devidamente citado. É a norma que Paulino Jacques denomina paracoercitiva ou jus dispositivum.5. Os Tribunais e a melhor doutrina têm sedimentando entendimento de que o processo não se suspende na hipótese do art. seja quando o réu não é encontrado (art. conhecendo a acusação. 366. Segundo a técnica de interpretação histórica. 4. seria premiar o artifício do malicioso. 3. Como diz Rogério Schietti Machado Cruz. coexistem duas correntes doutrinárias: 1ª – A interpretação literal (gramatical) do art.” 4. valendo-se de uma alternativa criada pela lei instrumental” (A Citação Editalícia e a Eficácia do Processo. a razão da existência da Lei. 366. confrontando. b) Norma jurídica dispositiva . também chamada facultativa. 361) ou se oculta para não ser cientificado da acusação (art. 170. O Estado terá o exercício de sua jurisdição penal sobrestada simplesmente porque o réu. ocultar-se para não ser citado. deliberadamente.princípio de ordem pública a doutrina se divide em conceitua-lá a ponto de. A interpretação histórica evoluiu a ponto de considerar que a lei. conseqüentemente. ao fim social. impreciso e indeterminado. A técnica de interpretação sistemática tem por objetivo ampliar os horizontes do hermeneuta. então. a determinadas aspirações da sociedade. 362). § 2º e 362). Na verdade. Impunha-se. caput. XXIII. III e 186. com o advento da Constituição Federal de 1988. O Jurista Carlos Maximiliano ensinava que “A norma enfeixa um conjunto de providências.5. uma vez concebida pelo legislador. por conta do previsto no art. é aquela que se limita a declarar direitos. mas os interesses da coletividade. mas o seu significado não é imutável.3. No contexto da interpretação sistemática é importante citar o Direito Comparado.” Ensinava. de ordem psíquica. arts. o mestre Carlos Maximiliano: 1ª . se desvencilha do seu criador. busca a descobrir a “ratio legis”.1. pois a suspensão do processo.a norma dispositiva. passando a ter vida própria. 2). No Brasil.“àquelas situações em que o réu evita a sua citação pessoal. nos leva a crer que nas duas hipóteses de que deriva a citação por edital. o intérprete deve buscar o sentido da lei. “elemento especificamente . Sob muitos aspectos se aproxima da interpretação lógica que. „driblou‟ a lei penal. em prejuízo do interesse estatal e societário de que a conduta ilícita seja devidamente apurada.1 – O objetivo da interpretação teleológica é investigar o fim colimado pela lei como elemento fundamental para descobrir o sentido e o alcance da mesma. recebendo influência do meio social. não só o bem econômico e materializado. 355. interpretadas pelos que a elaboram. não deve ser aplicada a solução do art.2. do CPP. mas também a fim de ajustá-la às situações supervenientes. não se poderia considerar originário da razão humana.” 4. 5º. produto da vontade nacional. Exemplo: A noção de propriedade privada evoluiu no decorrer dos anos no mundo e no Brasil e. daquele que obstrui a aplicação da Lei. quando o réu tem conhecimento da existência da ação penal. já que o direito. expressão da consciência comum do povo. ao analisar a norma na sua ótica externa. conforme consta dos seus arts. Ao contrário. que se trata de uma ciência jurídica que utiliza a mencionada técnica. deve-se fazer a distinção entre ordem pública de direção (que era aquela econômica. 362 do CPP. o intérprete deve analisar a lei sob o ponto de vista de uma realidade histórica. 366 do CPP. atualmente. premiará a sua astúcia. e 2ª – A interpretação teleológica do texto que nos convence de que não se suspende a ação penal no caso de o réu. a propriedade passou a ter seu uso condicionado ao bem-estar social e a ter assim uma função social e ambiental. pág. comparando. 4. Diferentemente seria se o réu. Exemplo: A Hipótese que me ocorre no momento e que mais se ajusta a situação é do réu em processo crime que se oculta para não ser citado (CPP. o conhecimento dos costumes e dos fatos sociais ligados ao conteúdo da lei. nº 43. protetoras. Estamos na era da função sócio-ambiental da propriedade. Boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais cit. a posse. No entendimento de Miguel Reale “É indispensável estudar as fontes inspiradoras da emanação da lei para ver quais as intenções do legislador. e a ordem pública de proteção às pessoas mais fracas que se reflete em normas cogentes. está limitada ao trato da dignidade humana.. o que. 3.

que dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União. Sexta Turma. de 11 de setembro de 1990. 19/08/1999). mais próximos estaremos do ideal constitucional (interpretação teleológica). que dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. desquitada ou divorciada). substância.2 – Segundo Aristóteles “a natureza não faz nada em vão”. do bem comum. previdenciária ou de outra natureza” (artigo 1º). 5. de 25 de outubro de 1966. que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências..Lei nº 5.2. j. o preâmbulo. Segundo Ihering o fim prático da lei ou de todas as regras de direito que compõe o arcabouço jurídico tem viés eminentemente pragmático que é solucionar as exigências sociais. ou. 5.069. Os Títulos. de 13 de julho de 1990. é impenhorável e não responderá por qualquer dívida civil. segundo Tomás de Aquino. . independente do estado civil da pessoa (casada. viúva. quanto mais forem os órgãos a se dedicarem ao combate à criminalidade. cabe à Polícia Militar.223/SP. fiscal. Na verdade. Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro. então pessoa solteira.Lei nº 8. dever do Estado e direito dos cidadãos (art. O dogma tradicional da vontade foi substituído pelo dogma histórico-evolutivo do escopo. em outros termos. o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a Lei nº 8.Lei nº 8. O que mais interessa à segurança pública.1. esta atribuição de competência investigatória das polícias. 2) O Professor Damásio de Jesus leciona que compete à Polícia Federal. Exemplos: Código de Menores . há que se priorizar uma interpretação teleológica e sistemática da CF. em caráter exclusivo. ou da entidade familiar.078. não foi objeto de estudo pelo constituinte: Em momento algum pretendeu o constituinte excluir a possibilidade de que outros órgãos investigassem infrações penais. da CF)? Sem dúvida que. a Lei nº 8009 estabeleceu que o “imóvel residencial próprio do casal. já que este não seria “bem de família”? Utilizando-se da interpretação teleológica. e à Polícia Civil confere-se atribuição investigatória residual. Código do Consumidor . tão-somente. Exemplos: 1) Em 1990. comercial.172. separada ou divorciada que vive sozinha em seu imóvel não tem direito à moradia e pode ver penhorado o imóvel em que reside. A lei foi criada objetivando atingir um fim maior.2. as epígrafes. que se confunde com o fim do Estado: a defesa dos interesses da comunidade. 144. não a simples gramatical ou literal. Ora.2.jurídico. Ademais. investigar os crimes militares de competência estadual. pelo fim eminentemente humano do instituto. pois o sentido social da norma busca garantir a moradia aos indivíduos que vivem no seio de uma entidade familiar bem como à pessoa que reside só (RESP 182. realidade do Direito”. 5. Código Tributário . o arbítrio indomável do indivíduo. Estados e Municípios. viúva. as exposições de motivos da lei auxiliam a reconhecer o fim primitivo da mesma.009/90 destina-se a proteger a pessoa (não o bem ou o interesse patrimonial). atuar como Polícia Judiciária da União. Tudo tem seu propósito e destino no mundo dos sentidos. caput. que originalmente inspiram sua produção.