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O Estado Dos Filósofos, dos Governantes e da Sociedade

Antonio Marcos Rocha Caxambu Profº.Fernando Borges Mânica Centro Universitário Unicuritiba Direito Tributário - Teoria Geral do Estado Agosto/2012

Resumo

O presente trabalho acadêmico tem por finalidade apresentar a conexão do conceito de Estado em relação ao pensamento dos filósofos da idade moderna e contemporânea, a atuação dos governantes contemporâneos em relação ao conceito e por fim o efetivo exercício dos pensamentos que o originou e a prática estatal em relação à sociedade ou nação brasileira. Palavras Chaves: Estado; Governantes; Poder Estatal; Sociedade; Educação.

divisão dos poderes. a sociedade. tem como objetivo buscar a reflexão em relação a construção do conceito e essência do Estado. a real atuação estatal na atualidade daqueles conceitos em relação à sociedade.Introdução O conteúdo do presente. criação de leis. justa e melhor para se viver. o posicionamento dos governantes em relação a seu conceito e essência e o efetivo exercício destes em relação ao destinatário final. é necessário definitivamente Educar à as pessoas de forma a conscientizá-la de seus direitos e deveres. uma vez que para a construção de um verdadeiro Estado. que o esforço empreendido na construção do conceito e essência do Estado. Utilizando-se dos pensamentos filosofais que o originaram. qual seja. Objetiva-se fazer uma relação entre a intenção dos criadores do Estado em especial os pensamentos dos filósofos da época. A metodologia empregada foi por intermédio de leituras em textos previamente disponibilizados pelo orientador da matéria. demonstrando. . formando assim uma sociedade mais sólida. especialmente um Estado Democrático de Direito não é suficiente a criação de uma estrutura administrativa. ao menos no Brasil esta longe de tornar-se realidade.

bem como através do reordenamento 1 Violin. No entanto. Rio de Janeiro. pois se vinculam a um problema ainda maior. O Estado dos filósofos.Uma Análise Crítica do Ideário do "Terceiro Setor" no Contexto Neoliberal e as Parcerias com a Administração Pública. pág 77. que à diferença do direito consuetudinário é uma emanação da vontade do soberano. dos Governantes e da Sociedade O presente artigo deve iniciar com a seguinte questão. Paz e Terra. há uma resposta absoluta. dos Governantes e da Sociedade não é o mesmo. Legislativo e Judiciário 2 corporificando o que bem leciona Norberto Bobbio Estado que se apoia sobre a teoria dos três poderes”. "que a teoria de que Na mesma obra Norberto Bobbio define a importância da presença da figura do Estado. a produção do direito através da lei. Ed. e esta é não. Para uma teoria geral da política. a nosso ver. uma vez que ocorre a monopolização de alguns serviços essenciais para a manutenção da ordem interna e externa. tais como. O Estado dos Filósofos. há diversidade nas respostas. e do aparato coativo necessário à aplicação do direito contra os renitentes. 2 Norberto Bobbio. . análogas ao questionamento sobre Estado1. entretanto. dos governantes e da sociedade é o mesmo? Em primeira análise. Estado. Sociedade. O termo Governantes. onde as respostas são infinitamente variadas e radicalmente contrastantes. 1987. os legalistas certamente responderão positivamente a presente questão. desta nasce o cerne do presente. deve ser interpretado com a observância da presença dos três poderes .3 O Estado Dos Filósofos. Governo.Tarso Cabral .Executivo.

Governo. deverão autorizar todos os atos e 3 Norberto Bobbio. Thomas. Estado. Ed. pág 69. fenômeno que caminha lado a lado com o processo de expropriação dos meios de produção possuídos pelos artesãos por parte dos possuidores de capitais. . Pág. Paz e Terra. Segundo Thomas Hobbes5 o Estado instituído é formado quando uma sociedade concorda e pactua que um entre os membros desta sociedade lhes representem. 1987.ou seja de ser um representante . 132. O processo de formação do Estado foi descrito com extrema lucidez por Max Weber. necessário para o efetivo exercício dos poderes aumentados. diga-se. Paz e Terra. tanto os que votaram a favor dele como os que votaram contra ele. Desta observação deriva a concepção weberiana. sem exceção. 1987.4 da imposição e do recolhimento fiscal. do Estado moderno definido mediante dois elementos constitutivos: a presença de um aparato administrativo com a função de prover à prestação de serviços públicos e o monopólio legítimo da força 4. é a ideologia filosófica ideal de um Estado moderno. a teoria weberiana. que viu no processo de formação do Estado moderno. ao menos no tocante a considerar a presença de um aparato administrativo com a função de prover à prestação de serviços públicos.todos. Sociedade. serviços satisfatórios a suprir a necessidade do povo. Sociedade. inerentes ao Estado 3. pág 68/69. Rio de Janeiro. Governo. 4 Norberto Bobbio. hoje tornada communis opinio. Ed. conforme descreveu: um fenômeno de expropriação por parte do poder público dos meios de serviço como as armas. Para uma teoria geral da política. Ed. Ao que nos parece. Para uma teoria geral da política. 5 Hobbes. Leviatão. Estado. Estado instituído é quando uma multidão de pessoas concordam e pactuam que a qualquer homem ou assembléia de homens a quem seja atribuído pela maioria o direito de representar a pessoa de todos eles . Rio de Janeiro. Matin Claret.

. Entretanto. onde de protetor somente tem os princípios norteadores de uma Constituição que não passa de letras esculpidas em papel. indubitavelmente é a que mais necessita do auxílio e proteção do Estado (que atua por meio de seus governantes). porque quando os números são acanhados basta um pequeno aumento de um ou outro lado para tornar a vantagem da força 6 Kelsen. A maior parte da sociedade. 2000. Tal Estado. portanto. Thomas Hobbes na obra Leviatã (pág. Teoria Geral do Direito e do Estado. 128) observa esta questão: A união de um pequeno número de homens não é capaz de oferecer essa segurança. pois. esta comunidade tem por objetivo atender apenas e tão somente o interesse de tiranos que insistem em manipular e manobrar aqueles que deveriam servir. . Estamos. Jean Jaques. Hans. diga-se massa de manobra. no entanto. pág. uma vez que o Estado é seu próprio algoz. tal como se fossem seus próprios atos e decisões. Apesar de ser uma grande massa. pois além de não realizar a contento seus deveres. Martins Fontes. é pequena. oferecem migalhas e guardam o verdadeiro banquete. devido a sua ignorância reduz sua força a nada tornando-se ainda mais refém de um Estado corrupto. 263 7 Rousseau. que é minoria em relação ao conhecimento de seus direitos. inegável que a verdadeira Educação e Conhecimento são armas poderosas. ele é uma comunidade". O Poder Estatal por meio de seus dirigentes estão e sempre estiveram em menor número7. jamais poderão ser extirpadas do seio de uma sociedade. diante de um inimigo poderoso. pois.. Editora: Martin Claire. pág.5 decisões desse homem ou assembléia de homens. Traduzido por: Luis Carlos Borges. nas palavras de Hans Kelsen 6. Ed. 66. mas pequeno. "está incluído na categoria de sociedade. a fim de viverem em paz uns com os outros e serem protegidos dos restantes homens.Do contrato Social ou Princípio do Direito Político. vencem a guerra diária.

em defesa de seus interesses. se assemelha ao conceito instrumentalista. Existindo um povo forte em educação e conhecimento. marxismo ou hitoricismo vêem o Estado como a expressão de atores sociais que.O Príncipe. observamos que a ignorância na realidade não é fruto do acaso. onde Manuel Castells na obra “O Poder da Identidade” expõe: (os) seguidores do instrumentalismo. constituindo tal aumento um incitamento à invasão. Martins Fontes. Divergindo em opinião ou conhecimento (grifei) quanto ao melhor uso da força.6 suficientemente grande para garantir a vitória. além disso. seja contra o inimigo comum. mas sim patrocinada pelo Estado. mas. Por isso. não poderá esperar que ela seja capaz de dar defesa e proteção a ninguém. 2001. por causa de seus interesses particulares. São Paulo. pág. pois. A multidão que pode ser considerada suficiente para garantir nossa segurança não pode ser definida por um número exato. mesmo sem haver inimigo comum. não apenas facilmente serão subjugados por um pequeno número que se haja posto de acordo. ao que nos parece. Devida a essa oposição mútua reduzem sua força a nada. não se ajudam mas se atrapalham uns aos outros. sem que haja a contestação do 8 Maquiavel. se as ações de cada um dos que compõem forem determinadas segundo o juízo individual e os apetites individuais de cada um. facilmente farão guerra uns aos outros. o banquete certamente não ficaria nas mãos dos corruptos e poderosos. seja contra as injurias feitas uns aos outros. ed. ou melhor. incitando-o a tomas a iniciativa da guerra. 43. conquistam o poder de dominação. Nicolau . segundo Nicolau Maquiavel 8 "os grandes desejam comandar e oprimir o povo". Essa realidade. Em havendo grande multidão. mas apenas por comparação com o inimigo que tememos e é suficiente quando a superioridade do inimigo não é de importância tão visível e manifesta que baste para garantir a vitória. pelos poderosos que o comandam. Neste contexto. .

mas igualmente Marx e Engels 9 assim o concebem ao expressar que o Estado é fruto da organização da burguesia para garantir reciprocamente seus interesses. dos poderosos que administram o Estado. Não somente Manuel Castells.A Oposição entre as Concepções Materialistas e Idealistas . A essência do Estado se resume não somente em direitos de votar e ser votado ou manifestar livremente sua opinião. o direito é reduzido. 9 Marxs e Engels .7 Estado propriamente dito ("o comitê executivo da burguesia") ou como resultado de lutas. ponderando que a lei não se baseia na vontade livre do povo. mais uma vez repisamos. (. por seu turno. mais ainda. segue-se que todas as instituições comuns são mediadas pelo Estado e dele adquirem uma forma política.. tanto para garantir reciprocamente a sua propriedade . na vontade livre. . é a forma pela qual os indivíduos de uma classe dominante fazem valer seus interesses comuns e na qual se resume toda a sociedade civil de um período. tanto em seu interior como externamente. mas tal Estado não é mais do que a forma de organização que os burgueses adotam. Daí a ilusão de que a lei se baseia na vontade e. pág. o Estado adquire uma existência particular. à lei. mas acima de tudo direito a um governo efetivo que atenda os anseios da classe que dele realmente necessita. mas tão somente para atender os interesses. alianças e transigências.. destacada de sua base real.A Ideologia Alemã.Tradução: Frank Muller. 98.) Já que o Estado. Feuerbach . ABRD. Do mesmo modo. pois. ao lado e fora da sociedade civil.ganância grifei e a de seus interesses.

Tais atitudes levam muitos estados à desordem.São Paulo: Editora UNESP. política e social e consequentemente à desordem quando não. em algumas democracias.10) chama de "direito republicano": "o direito que cada cidadão tem de que o patrimônio público seja efetivamente público. mas a essência do Estado democrático é a igualdade política (O'Donnell 1997b). então. a 10 Sociedade e Estado em formação/ Luiz Carlos Bresser Pereira.e. O Estado pode até reduzir a desigualdade econômica. Brasilia: ENAp. a uma guerra civil. mas também o direito a um governo efetivo. organizadores . Jorge Wilheim. vez que aqueles são movidos por paixões. Lourdes Sola. desprezam garantias fundamentais. Essa igualdade engloba não apenas os direitos positivos de votar ou verbalizar livremente suas opiniões. . de todos e para todos". pois o homem só encontra felicidade na comparação com outros homens e só pode tirar prazer do que é iminente entre eles.8 Ratificando este entendimento que é a base do presente. o que Bresser Pereira (1997a. constantemente envolvidos numa competição pela honra e pela dignidade. indiscriminadamente. 1999. Adam Przeworski 10 afirma que: O Estado pode até reduzir a desigualdade econômica ou social per se. em teoria fundamentada naquela que deveria ser a Lei maior. o Estado não produz igualdade política. É grande o número dos que se julgam mais sábios e mais capacitados que os outros para o exercício do poder público. p. Os governantes do Estado atual estão muito distantes do Estado dos filósofos e do Estado que necessita a sociedade. falhando em prover mesmo um mínimo de ordem social para alguns? O Estado dos filósofos foi concebido para uma comunidade diversa dos humanos. talvez das abelhas ou das formigas contadas por Aristóteles. à miséria econômica. Neste cenário tendem mais para exibir sua sabedoria e para controlar as ações dos que tentam governar o Estado de maneira a satisfazer o benefício comum a todos. Por que. i.

Belmir Valverde Jobim. são frequentemente ignorados ou têm o seu reconhecimento demorado.Quem é o povo? Questões Fundamentais da Democracia. por mais cristalinos que sejam. em que os direitos individuais. nasce o chamado (genericamente) Terceiro Setor "que corresponde àquela parte do setor privado com características próprias e definidas. 12 Mânica. O Brasil não é para amadores: Estado. penoso e dependente de interpretações. pareceres e precedentes.33. estão de fato esquecidos pelo Estado/Governantes. desinteressadas do poder ou da ganância. 3ª Edição Revisada e Ampliada. de fato exercem a verdadeira essência do Estado. Já suas obrigações reais ou presumidas são claras. irretorquíveis. 181 . mas com objetivo de colaborar com o interesse geral da sociedade"12.9 Constituição Federal. há muito. utilizando-se de meios próprios para e aparatos administrativos para prover o bem comum. pág.: Travessa dos Editores. Em síntese. onde com frequência falam "do povo e para o povo" apenas para legitimar sua função 11 . Ed. Ed: Limom. na obra " O Brasil não é para amadores13: O Estado e Cidadão no Brasil Pouco disso que foi descrito caracteriza a situação brasileira: as relações entre o Estado e o cidadão são marcadas pelas mais absoluta desigualdade. recorro a Belmiro Valverde Jobim Castro. Atua com objetivo não egoístico do proveito próprio. Governo e Burocracia na terra do jeitinho. Na ausência do suprimento necessário da sociedade. 2ª Edição Revisada e Atualizada. que em última instância é utilizada para o bem comum. especialmente daqueles que. simplesmente inapeláveis ou dificilmente 11 Friedrich Muller .desprezada ampla e descaradamente pelos governantes da nação. Fernando Borges. A prática das instituições sem fins lucrativos. Panorama Histórico-Legislativo do Terceiro Setor no Brasil: Do Conceito de Terceiro Setor à Lei das OSCIP 13 Castor. pág. para finalizar o presente e ratificar a condição diferente do Estado dos filósofos dos governantes e da sociedade.

Conclusão Conclui-se portanto que o objetivo na criação de um Estado moderno esta muito longe de ser efetivamente aplicada em várias nações. Mas se a mesma pessoa presta um serviço ou venda algo às mesmas empresas concessionárias de serviços públicos e elas não lhe pagam na data devida. até que as lentas engrenagens do judiciário se movam para reparar o erro. mas se seu credor deve algum tributo ao mesmo governo que lhe esta dando o calote. caso contrário. deve pagar mesmo se a cobrança for abusiva. porque seus governantes atuam em interesse de uma micro sociedade quando não em interesses próprios. manda a burocracia. é cristalino que o Estado dos filósofos não é o mesmo Estado dos governantes e o Estado esperado pela sociedade é aquele concebido pelos filósofos. A uma. o condenado injustamente aguardará. ponto final. Se alguém recebe uma cobrança de serviços públicos deve pagá-la. caso contrário.10 apeláveis na esfera administrativa. na cadeia. Se o governo deve á alguém e não paga porque "não tem verba". porque o bem esta coletivo não é . sofrerá desligamento e interrupção do fornecimento. Portanto. Por todo o exposto. Nessa democracia. cairão sobre ele todos os rigores da lei. pois. registre-se a existência do Estado dos podres e a nação dos que dignamente a chamam de "Pátria amada Brasil". nada há a fazer senão ter paciência. Se um erro flagrante da justiça é constatado e comprovado. a duas. mesmo que a considere equivocada ou indevida. que se encontra em estado de desprezo pelo Estado dos Governantes. pois qualquer tentativa de cobrança judicial incluiria o nome do "criador de caso" no índex dos "inimigos". e só então recorrer dela.

saberiam como atuar diante de injustiças do cotidiano bem como fazer frente a tirania que os sobrepujam durante toda uma vida. ignorância essencialmente em relação à direitos. onde no ensino fundamental houvesse uma grade curricular ensinando sobre os direitos vinculados a fase juvenil. no ensino médio. porque a ignorância coletiva. e certamente. do trabalhador entre outros. Certamente essa imensa massa de manobra. a respeito dos direitos fundamentais do individuo. é desviada da sociedade.11 prioridade em Estados. Unicuritiba 2012 . e a três. desde os primeiros anos da vida estudantil até a vida acadêmica. sejam eles desenvolvidos ou subdesenvolvidos. Como seria a sociedade de um Estado. chamada "povo". não seria tão facilmente manobrada.