Aula 10 - Ectoparasitoses

quarta-feira, 9 de maio de 2012 15:24

Dra. Andrea

• Escabiose (SARNA): dermatose parasitária exclusiva do homem, contagiosa e transmitida quase sempre pelo contato direto (não ocorre portanto por objetos inanimados) ○ Agente etiológico: ácaro: sapoptes (variante homem) Escabiose ○ Quando a pessoa nunca teve contato antes: 30 dias para manifestar ○ Se já teve contato prévio - 24 a 48h. ○ Manifestações: prurido é a principal, intenso e, particularmente à noite ○ Lesões: pápulas, nódulos, túnel e escoriações: ○ Túnel é um conduto formado pela larva e com uma vesícula que é onde fica alojado o ácaro ○ Localizações: axilas, punhos, espaços interdigitais, abdome, nádegas, raízes de coxas e pênis.  Na crainça: ela se localiza também no couro cabelo, palmas e plantas; • Diagnóstico é clínico e em caso de dúvida pode ser feito com exame laboratorial: ○ Exame físico: túneis e suas distribuições; túneis filiformes são a lesão clássica da escabiose, mas podem não ser vistas em l actentes (esses tem bolhas/pústulas) ○ Esfregaço de lâmina acima das lesões • Formas atípicas ○ Higiene Excessiva (escondem a lesão, confundem com picada de um inseto) ○ Crianças - localização no couro cabeludo, palmas e plantas ○ Idosos (podem não ter prurido) ○ Iatrogenia - corticoides tópicos - mascara e muda aspecto da lesão ○ Contaminação de familiares - sempre tem na família outras pessoas com lesões ○ Escabiose nodular • Diagnóstico diferencial: ○ Outras patologia pruriginosas como dermatite atípica ○ Dermatite de contato (lesão) ○ Piodermites ○ Tinea corporis ○ Pitiriase rósea (virose) ○ Prurigose Estrófulo • Conduta: ○ IMPORTANTE: Tratar os contatos - TODOS OS MEMBROS DA FAMÍLIA, mesmo se assintomáticos ○ Tratar infecção secundária e eczematização (antes de tratar a escabiose)
• Tratamento ○ Tópico  Permetrina loção 5% no corpo inteiro após a noite: dorme com a loção e após 7 dias repete

○ Outra opção é o enxofre a 8% em vaselina em todo o corpo e após 1 semana mais 3 noites. ○ É tão eficaz quanto

○ Monossulfiram 25% - diluído. Irritativo, acima de 2 anos. É o que se tem no posto, mas só se usa se não tiver os outros dois.
○ Não se usa: SABONETE ESCABICIDA. Pois faz eczema em uma pele com lesão. • Tto sistêmico ○ Raramente usado na infância, a não ser em imunossuprimidos, com peles muita escoriadas que impossbilita tópica e contactantes adultos ○ Invermectina - 200 a 500 mg/kg/peso ○ Não usar - abaixo de 15 kg e abaixo de 5anos ○ Escabiose Crostosa ou norueguesa ○ Possui Lesões muito contaminantes ○ Dificilmente conseguimos achar o túnel (criança coça muito; lesões são placas eritematosas, hiperceratóticas e crostosas disseminadas). • IMPORTANTE: SEMPRE ORIENTAR: pode haver prurido por alguns dias, o qual pode ser uma reação a um ácaro que está morto. Não prolongar o tratamento nem associar outros medicamentos Infecções bacterianas da pele • Correspondem a 25% de todas as dermatoses da infância • Agentes: ○ Estafilococos: pele, glândulas da pele e regiões membrana mucosas ○ Estreptococos beta-hemolíticos do grupo A: flora endógena do homem • Há diversos mecanismos de defesa da pele (pH, ácidos graxos, bactérias saprófitas, fatores imunológicos)
• IMPETIGO: ○ Infecção cutânea superficial (epiderme) ○ Bolhoso: ○ S. aureus (sempre). É como se fizesse uma síndrome da pele escaldada localizada. ○ Face e membros inferiores, bolhas que levam a áreas erosivas ○ Não-bolhoso: ○ Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. ○ Tipicamente, há lesões que precedem o impetigo não-bolhoso, como escoriações, picadas de insetos, escabiose, varicela, perdiculose e queimaduras. ○ Ocasionalmente há prurido; adenopatia em 90% dos casos e leucocitose em 50% dos pacientes; Impetigo não-bolhoos ○ Máculas evoluem para vesículas, pústulas e crosta espessa. Presença de lesões satélites. ○ Maioria dos casos resolve espontaneamente sem formar cicatriz dentro de 2 semanas

○ Complicações: miocardite, endocardite, osteomielite, abscesso cerebral, meningite; ○ Diagnósticos diferenciais: Herpes simples, varicela, prurigo estrófulo ○ Tratamento: antibiótico tópico - ácido fusídico, mupirocina, rifampicina; 3x ao dia durante 7 a 10 dias. ○ Se comprometimento disseminado, lesões próximas à boca (medicação tópica pode ser tirada ao lamber); em casos com evid6encia de comprometimento profundo, incluindo celulite, furunculose, formação de abscesso ou linfadenite supurativa ↘ Antibiótico sistêmico, amoxicilina + clavulanato (25mg/kg/dia)
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↘ Antibiótico sistêmico, amoxicilina + clavulanato (25mg/kg/dia) ○ 7 dias → se não melhorou → cultura por raspagem e nova antibioticoterapia adequada

Micoses superficiais • São doenças causadas por fungos que podem ser: ○ Dermatofitoses - a queratina é seu alimento, o que confere subsistência a elas ○ Comensais: só em certas situações ○ Infecções cutâneo mucosas (gênero cândida) • Dermatofitoses ○ São causadas por ○ Microsporum ○ Trichophyton ○ Epidermophuton São antro/zoo/geofílicos Lesões: podem ser causadas pela presença do fungo ou uma hipersensibilidade pela infecção. ○ Forma de transmissão: normalmente é contato direto, ou indireto com materiais contaminados. ○ Pele normalmente tem mecanismos de proteção  Quando um ou mais é afetado  Descamação  Ácidos graxos na epiderme  Transferrina e macroglobulina alfa 2 ○ A dermatofitose mais comum é a tinea do couro cabeludo - agentes mais comuns: m. canis e tritofton tonsurans  Contato com crianças animais doentes ou portadores, ou pela terra infectada ○ Tinha tonsurante é a mais comum  Nome é porque se manifesta como placa (únicas normalmente, ou múltiplas).  Caracterizada por Cotos pilosos e descamação  Forma aguda: Kerion Celsi: processo inflamatório exacerbado (edema, eritema, micropústulas). De início não precisa drenar pois não há infecções. Não sente dor, sem febre. Porém temos que considerar infecção bacteriana primária ou secundária.  Toda criança com descamação precisa confirmar com micológico direto e cultura para fungos.  Área geralmente arredondada de alopécia Kerion Celsi Massa granulosa pastosa Tinha Torsurante ○ Tinha Favosa (menos comum) No couro cabeludo  Causada pelo T. Schonleinii  Caracteriza-se por lesões pustulares, o ósteo folucular é afetado. Ficam alopécias cicatriciais ○ Diagnósticos diferenciais  Dermatite seborreica  Psoríase (sem alopíase)  Alopécia areata (sem descamação)  Tricotilomania  Foliculite  Impetigo □ Bacteriana  Lúpus eritematoso discoide (se ocorrer formação de cicatriz) ○ Tratamento (sempre VO) - antifúngico sist&e,ico Lúpus eritematoso discoide  Griseofulvina; escolha 15 a 20 mg/kg/d - fazer sempre com uma refeição gordurosa.  6 a 12 semana até melhora da clínica. □ Efeitos Colaterais: Cefaleia, Gi, fotossensibilidade. □ Menos hepatotóxica □ 2a opção - terbinafina □ Fluconazol ↘ Segundo o Nelson de 2009 não está aprovado pela FDA  Isoladamente, a terapia tópica é ineficaz, mas pode ser um bom adjuvante, diminuindo a liberação de esporos: pode ser associado um xampu de cetoconazol.  Kerion Celsi - 1mg/kg/dia nos 5 primeiros dias → associação com corticoide sistêmico • Tinea corporis (Pele Glabra) ○ É a infecção da Pele Glabra, excluindo as palmas, plantas e virilha; pode ser causada pelo T. rubrum e T. mentagrophytes (E. floccosum) ○ Adquirida pelo contato direto ou com escamas ou pelos infectados depositados no ambiente

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Formas clínicas: Vesicular: vesículas que se fundem, rompem e formam crostas. Inflamatória. Anular: mais comum impinge, é uma lesão arredondada e com centro mais claro e o crescimento é centrífugo. Cura central. Placa lesões descamativas e eritematosas, sem tendência de melhorar no centro. IMPORTANTE: Na grande maioria das vezes não precisa de diagnóstico laboratorial

• Tinha do pé e da mão (frieira ou pé-de-atleta) - Tinea pedis ○ A principal causa é a umidade; uso contínuo de tênis e não se secar o pé após o banho. ○ T. rubrum; M. canis; T. mentagrophytes ○ Mais comumente, as membranas interdigitais laterais são fissuradas, e o sulco subdigital, com maceração e descamação da pele circundante. Dor intensa à palpação, prurido e maucheiro persistente são característicos. ○ Formas clínicas  Intertriginosa: descamação e maceração da pele dos espaço interdigitais. Fissuras e Prurido (mais comum)

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 Vesico-Bolhosa: associada à forma intertriginosa; é comum ter infecção secundária

 Descamitva: menos comum; lesões escamosas e pruriginosas. ○ Causa: umidade; não secar o pé depois do do banho. • Tinha inguinal ○ T. rubrum; E. floccosum; T. mentagrophytes ○ Acomete mais frequentemente homens adolescentes; comumente envolve Bermudas sintéticas; é mais prevalente em pessoas obesas e naquelas que perspiram excessivamente e usam roupa justa ○ Forma clínica: lesões simétricas, bilaterais, bem delimitadas, eritematosas, com cronicidade pode ficar mais acastanhadas

○ O pênis normalmente não está comprometido, uma distinção importante da candidíase. • Tinha de orelha ○ Descamação no conduto e pavilhão auditivo ○ Agente etiológico: m. canis ○ Placas eritemato descamativas • Tinha de Unha (Onicomicose): ○ Incomum na infância ○ Infecção da lamina ungueal por dermatófitos trichopgyton e epidermophuyton ○ Alteração de toda a lâmina, descamação, alteração da cor. Tratamento • Tinha de couro cabeludo ○ Griseofulvina - 15/20mg/kg/dia - 6 a 12 semanas até passar ○ Pode ser associado xampu de cetoconazol, mas nunca sozinho • Outras tinhas, pele, mão inguinal, pavilhão auricular - tratamento tópico ○ Cremes derivados imidazólicos, como isoconazol, tioconazol, ciclopirox, olamina, terbinafina e amorolfina ○ Creme 1% 2x/dia de 2 a 4 semanas ○ Orientações sobre uso de tênis, bermudas... • Tinea ungueal ○ Tratamento: ○ Sistêmico e tópico Itraconazol é primeira escolha 5 mg/kg 6- 12 semanAs → É utilizado em pulsos 1 semana/mês 2 a 3 pulsos (tem meia-vida longa na unha) Pode usar esmalte: associado. O eficaz é feito com o sistêmico. ○ Amorolfina 5% ou Cicliopiroxolamina 8% esmalte 1 a 2x/semana. Pitiríase versicolor (pano branco, micose de praia) • Lesões Máculos descamativas com cor variável; ○ Em caucasianos são tipicamente eritemato-acastanhadas, enquanto em negros podem ser hipo ou hiperpigmentadas; ○ As máculas características são cobertas com uma escama fina • Fungo com afinidade por gordura • Manifesta como máculas que descamam e pode ir de hipo/hiper ou eritomatosa • Sinal de Zileri: faz uma pequena tração da pele e ocorre descamação Locais: pescoço, tórax, membros superiores. Fungo comensal que vive no couro cabeludo, cai nas localizações favoráveis • Agente: Malassezia furfur: parasitária; levedura dimórfica Pityrosporum ovale ou P. orbiculare são sinônimos que foram usados previamente. • Diagnóstico: clínico e pode ser confirmado pelo laboratório (micológico direto ou cultura)
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Locais: pescoço, tórax, membros superiores. Fungo comensal que vive no couro cabeludo, cai nas localizações favoráveis • Agente: Malassezia furfur: parasitária; levedura dimórfica Pityrosporum ovale ou P. orbiculare são sinônimos que foram usados previamente. • Diagnóstico: clínico e pode ser confirmado pelo laboratório (micológico direto ou cultura) • Diferencial: pitiríase alba; vitiligo (manchas acrômicas) • Tratamento tópico: Xampu - Cetoconazol por 30 dias • Creme a base de Isoconazol/tioconazol: 1x/dia 4 semanas. • IMPORTANTE: Manchas podem ficar por um tempo (mas como o tempo há a repigmentação). • Adultos/imunossuprimido → tratamento sistêmico; em crianças comumente não utilizamos o tratamento sistêmico (imidazólicos) Tinha Nigra • Não é tão comum • Manchas castanhas nas mão e nas palmas ou plantas; às vezes acha que encostou em algo preto da praia, mas na verdade é uma micose: lava lava esfrega e não sai (parece que pisou/encostou no piche); • Manhca hipercrômica acastanhada na palma e planta. • Antifúngidco tópico Piedra preta • Nódulos pretos adentes à haste do pelo/cabelo • Incomuns aqui • Parece lêndia mas bem mais aderido ao couro cabeludo • Tratamento: corte de cabelo e tópico Candidoses • Infecção por leveduras do gênero cândida • Candida albicans • Em algumas condições elas se tornam parasitas; • Pústulas satélites, aquelas que salpicam a pele contígua, são um selo das infecções candidais localizadas.

As regiões perineal anterior, perianal e dobras estão habitualmente envolvidas, e isso ajuda a diferenciar a candidose da DFIP (dermatite de área de fraudas irritativa primária, figura abaixo). O diagnóstico da DFIP é clínico e deve-se realizar exame micológico direto para a pesquisa de contaminação por Candida quando o eritema se intensificar, houver pústulas satélites ou ocorrer resolução lenta do quadro.

• Oral: placas esbranquiçadas, aderidas à mucosa. • Tratamento com Nistatina VO 1-2mL 3-4x/dia após limpeza; ○ Metade do conta gotas em cada canto da boca. • Vulvovaginais ○ Leucorreia ○ Placas esbranquiçadas ○ Prurido ○ Comum com uso de roupas de banhos úmidas ○ Tratamento creme vaginal e higiene com bicarbonato de sódio • Baloprepucial ○ Eritema e edema no prepúcio  Tratamento com imidazólicos tópicos  Limpeza: permanganato de potássio

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• Intertriginosas: lesões eritematosas, úmidas e secretantes nas dobras. Pode formar erosão e fissuras; ○ Tratamento com imidazólicos creme • Dermatite das Fraldas: ○ Mais comum: períneo é região de umidade, calor e laceração: dermatite de contato associado a cândida ○ Lesões (pápulas) satélites. ○ Confundem cm dermatite de contato, mas tem lesões satélite ○ Dermatite de contato: dobras são poupadas • Paroníquia: comum em pessoas que lidam com água. A mão sempre úmida, uso de luvas. Eritema e edema periungueal. Ali tem candida. ○ Trata-se tópico ao redor da unha, além de retirada da umidade

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