PROJETO DE LEI 3155/2012 PROPÕE TRIBUTAR LUCROS E DIVIDENDOS

O Projeto de Lei 3155/2012, apresentado por nove deputados do Partido dos Trabalhadores, no dia 7 de fevereiro, na Câmara Federal, por nove, o referido Projeto de Lei que propõe reintroduzir no Brasil, após mais de 15 anos, a tributação de lucros e dividendos pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas, tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, que beneficie pessoa jurídica ou física domiciliada no país ou no exterior. Para tanto propõe a mudança do artigo 10 da Lei 9249/95, o qual trata os lucros e dividendos como rendimentos isentos. Com a mudança, os tais rendimentos serão considerados tributados com base na tabela do imposto de renda, sujeitos a percentual de até 27,5%. Os Senhores Deputados, autores do Projeto de Lei, apresentam como Justificação, que o mesmo tem como objetivo geral cumprir os preceitos constitucionais de Igualdade, Pessoalidade e Capacidade Contributiva, necessários para se cumprir os preceitos do artigo 3º, item I da Constituição Federal, de uma sociedade livre, justa e solidária. Alegam existir privilégio exorbitante aos detentores de capital, que recebem valor reduzido a titulo de pro labore e por outro lado percebem elevados ganhos a título de lucros e dividendos, isentos de tributação quando do crédito ou pagamento. Alegam, somente para a mudança em questão, pois o projeto prevê mais duas outras mudanças expressivas, que estudos mostram que se tributados os lucros e dividendos, como base na tabela do Imposto de Renda, a uma alíquota média efetiva de 15%, para contribuintes residentes, o Estado arrecadaria em 2009, a quantia de R$16,7 bilhões. Para esse mesmo ano, estima-se que poderia ter arrecadado R$6,9 bilhões dos não residentes; isso considerando uma alíquota de apenas 15%.

II. A L G U M A S

R A ZÕ E S P A R A E S T E I T E M D O P R O J E T O N Ã O P A S S A R

1.

O trabalho premiado de 2004 - A tributação dos Lucros e o Retorno ao Investimento no Brasil de Aloísio Flávio Ferreira de Almeida, traz na conclusão, entre outros aspectos: A isenção dos dividendos continua a ser um instrumento importante para manter o aporte de capital como fonte de financiamento empresarial. 1 O Lucro das empresas que optam pelo regime do Lucro Real é tributado em 25% (15+10) a título de Imposto de Renda e de 9% a título de Contribuição Social. É uma elevada carga tributária; O Lucro das empresas tributadas com base no Lucro Presumido, já é tributado com percentuais de presunção, que vão de 1,6% a 32%, dependendo do ramo de atividades das empresas; Os Lucros e Dividendos decorrentes de investimentos produtivos, por empresas estrangeiras e nacionais é na essência o retorno do capital investido, retorno pelos riscos a que se incorrem. Isso em consonância com o Custo de Oportunidade. A tributação de Lucros e Dividendos deve ser tratada e considerada em nível internacional, pois se o retorno do investimento produtivo for taxado em nível superior a média mundial, o capital estrangeiro deixa ou diminui o interesse pelo Brasil e o capital nacional pode parcialmente migrar para o mercado externo; A arrecadação tributária total em 2011 cresceu nominalmente 17,1%, alcançando o valor de R$1,5 trilhão, enquanto o Produto Interno Bruto cresceu módicos 2,7%. Os grandes movimentos organizados contra a MP 232 em 2005 e contra a CPMF em 2007, foram marcos de resistência e nova consciência dos contribuintes brasileiros. Isso pode se repetir.
S U G E S T Ã O P A R A U M A M A I S J U S T A T R I B U TA Ç Ã O N O

2.

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III. U M A

BRASIL

1

http://www.tesouro.fazenda.gov.br/premio_TN/IXPremio/financas/MH2tefpIXPTN/mh2_pe rmio_tefp.pdf

Sabemos que o Sistema Público de Escrituração Digital – SPED, tem cumprido o seu papel, quanto ao objetivo de combate a sonegação e a informalidade de maneira eficiente e eficaz. Segundo reportagem na imprensa de 09 de março de 2012, O Brasil pode brevemente obter o reconhecimento de que conta com uma legislação tributária e práticas administrativas transparentes, compatíveis com as dos 108 países que pertencem ao Fórum Mundial sobre Transparência e Troca de Informações, organizado pela OCDE. Diante disso e tendo a Receita Federal do Brasil este poderoso instrumento que é o SPED, poderia ela fazer estudos rápidos e relativamente precisos, para fins de opção pelo Lucro Presumido, que possibilite, por exemplo, revisar e ampliar a relação dos segmentos, bem como os atuais percentuais de presunção. Este estudo visaria tributar de forma mais justa os muitos e diferentes ramos de atividades, hoje concentrados em apenas oito e em apenas quatro diferentes níveis de alíquotas de 1,6%, 8%, 16% e 32%. Esta mudança, em ocorrendo, entraria em vigor em 2013. Caso ocorram para determinadas empresas e/ou segmentos, o aumento da carga tributária, teriam elas a opção de migrar para o regime de Lucro Real em 2013. O SPED contábil está aí para isso. A opção pela tributação pelo Lucro Presumido foi introduzida pela Lei 6468/77. O montante de receita bruta, o qual permite a empresa optar por este regime aumentou muito nos anos 90 e subiu para R$48milhões a partir de 2003, através da Lei 10637/02, o qual permanece até os dias atuais. A incapacidade do Fisco de coibir o que ficou conhecido como a “Indústria do Prejuízo Fiscal”, contribuiu para isso. Nos últimos cinco anos esta realidade mudou significativamente com o SPED e essa indústria foi desmontada. Há o projeto de Lei 319 de 2010, do Senador Alfredo Cotait, o qual propõe elevar o limite da receita para fins de ingresso no Lucro Presumido, para até R$78 milhões. Poderia este ser inserido no contexto do referido estudo sugerido. IV. C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

As distorções do Sistema Tributário Nacional - STN são mesmo muitas. O DIEESE, IPEA e SINDIFISCO Nacional em agosto de 2011, elaboraram o trabalho: A Progressividade na Tributação Brasileira: por maior justiça tributária e fiscal, no qual de forma didática trazem e exemplificam a regressividade do nosso sistema tributário. 2 A elevada carga tributária e a sua grande complexidade, são itens que compõem o chamado Custo Brasil e requerem urgente mudança. O Brasil possui hoje Inteligência Fiscal mais que suficiente para melhorar e muito a distribuição da carga tributária às empresas e à sociedade, através do SPED. É só uma questão de ação e atitude. O que não se pode é admitir que este Projeto, para o item discutido neste texto, possa ser considerado como de justiça e não como simplesmente mais uma tentativa de aumento da arrecadação tributária Federal. Antevejo que não passará. Ary Silveira Bueno Contador, professor e Diretor da ASPR C O N T A B I L I D A D E E G E S T Ã O.

2

http://www.dieese.org.br/cartilhaJusti%C3%A7aFiscalTributaria.pdf

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