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Supremo Tribunal Federal

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Ementa e Acórdão

DJe 30/08/2011 Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 190

27/04/2011

PLENÁRIO

MANDADO DE SEGURANÇA 30.260 DISTRITO FEDERAL

RELATORA

: MIN. CÁRMEN LÚCIA

IMPTE.(S)

: CARLOS VICTOR DA ROCHA MENDES

ADV.(A/S)

: CARLOS

MAGNO SOARES CARVALHO E OUTRO(A/S)

IMPDO.(A/S)

: PRESIDENTE DA CÂMARA

DOS DEPUTADOS

IMPDO.(A/S)

: CARLOS ALBERTO LOPES

IMPDO.(A/S)

: PARTIDO DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL - PMN

EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO. CONSTITUCIONAL. SUPLENTES DE DEPUTADO FEDERAL. ORDEM DE SUBSTITUIÇÃO FIXADA SEGUNDO A ORDEM DA COLIGAÇÃO. REJEIÇÃO DAS PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE ATIVA E DE PERDA DO OBJETO DA AÇÃO. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. SEGURANÇA DENEGADA. 1. A legitimidade ativa para a impetração do mandado de segurança

é de quem, asseverando ter direito líquido e certo, titulariza-o, pedindo proteção judicial. A possibilidade de validação da tese segundo a qual o mandato pertence ao partido político e não à coligação legitima a ação do Impetrante.

2. Mandado de segurança preventivo. A circunstância de a ameaça

de lesão ao direito pretensamente titularizado pelo Impetrante ter-se convolado em dano concreto não acarreta perda de objeto da ação.

3. As coligações são conformações políticas decorrentes da aliança

partidária formalizada entre dois ou mais partidos políticos para concorrerem, de forma unitária, às eleições proporcionais ou majoritárias. Distinguem-se dos partidos políticos que a compõem e a eles se sobrepõe, temporariamente, adquirindo capacidade jurídica para representá-los. 4. A figura jurídica derivada dessa coalizão transitória não se exaure no dia do pleito ou, menos ainda, apaga os vestígios de sua existência quando esgotada a finalidade que motivou a convergência de vetores políticos: eleger candidatos. Seus efeitos projetam-se na definição da ordem para ocupação dos cargos e para o exercício dos mandatos conquistados.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 1240242.

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Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

5. A coligação assume perante os demais partidos e coligações, os

5. A coligação assume perante os demais partidos e coligações, os

órgãos

órgãos

da

da

Justiça

Justiça

Eleitoral

Eleitoral

e,

e,

também,

também,

os

os

eleitores,

eleitores,

natureza

natureza

de

de

superpartido; ela formaliza sua composição, registra seus candidatos,

superpartido; ela formaliza sua composição, registra seus candidatos,

apresenta-se nas peças publicitárias e nos horários eleitorais e, a partir

apresenta-se nas peças publicitárias e nos horários eleitorais e, a partir

dos

dos

votos,

votos,

forma

forma

quociente

quociente

próprio,

próprio,

que

que

não

não

pode

pode

ser

ser

assumido

assumido

isoladamente pelos partidos que a compunham nem pode ser por eles

isoladamente pelos partidos que a compunham nem pode ser por eles

apropriado.

apropriado.

6. 6.

O quociente partidário para o preenchimento de cargos vagos é

O quociente partidário para o preenchimento de cargos vagos é

definido em função da coligação, contemplando seus candidatos mais

definido em função da coligação, contemplando seus candidatos mais

votados, independentemente dos partidos aos quais são filiados. Regra

votados, independentemente dos partidos aos quais são filiados. Regra

que deve ser mantida para a convocação dos suplentes, pois eles, como os

que deve ser mantida para a convocação dos suplentes, pois eles, como os

eleitos,

eleitos,

formam

formam

lista

lista

única

única

de

de

votações

votações

nominais

nominais

que,

que,

em

em

ordem

ordem

decrescente, representa a vontade do eleitorado.

decrescente, representa a vontade do eleitorado.

o

o

7. 7.

A sistemática estabelecida no ordenamento jurídico eleitoral para

A sistemática estabelecida no ordenamento jurídico eleitoral para

preenchimento

preenchimento

dos

dos

cargos

cargos

disputados

disputados

no

no

sistema

sistema

de

de

eleições

eleições

proporcionais é declarada no momento da diplomação, quando são

proporcionais é declarada no momento da diplomação, quando são

ordenados os candidatos eleitos e a ordem de sucessão pelos candidatos

ordenados os candidatos eleitos e a ordem de sucessão pelos candidatos

suplentes. A mudança dessa ordem atenta contra o ato jurídico perfeito e

suplentes. A mudança dessa ordem atenta contra o ato jurídico perfeito e

desvirtua o sentido e a razão de ser das coligações.

desvirtua o sentido e a razão de ser das coligações.

8.

8.

Ao

Ao

se

se

coligarem,

coligarem,

os

os

partidos

partidos

políticos

políticos

aquiescem

aquiescem

com

com

a

a

possibilidade de distribuição e rodízio no exercício do poder buscado em

possibilidade de distribuição e rodízio no exercício do poder buscado em

conjunto no processo eleitoral.

conjunto no processo eleitoral.

9. 9.

Segurança denegada.

Segurança denegada.

A C Ó R D Ã O

A C Ó R D Ã O

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do

Supremo Tribunal Federal, em sessão Plenária, sob a Presidência do

Supremo Tribunal Federal, em sessão Plenária, sob a Presidência do

Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas

Ministro Cezar Peluso, na conformidade da ata de julgamento e das notas

taquigráficas, à unanimidade, indeferiu a admissão de amicus curiae e

taquigráficas, à unanimidade, indeferiu a admissão de amicus curiae e

rejeitou todas as preliminares. No mérito, por maioria, contra o voto do

rejeitou todas as preliminares. No mérito, por maioria, contra o voto do

Senhor

Senhor

Ministro

Ministro

Marco

Marco

cassadas

cassadas

as

as

liminares

liminares

e

e

Aurélio,

Aurélio,

o

o

Tribunal

Tribunal

denegou

denegou

a

a

segurança,

segurança,

prejudicados

prejudicados

os

os

agravos

agravos

regimentais,

regimentais,

nos

nos

2 2

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Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

termos do voto da Relatora. Os Senhores Ministros foram autorizados a

termos do voto da Relatora. Os Senhores Ministros foram autorizados a

decidirem monocraticamente os casos idênticos. Votou o Presidente,

decidirem monocraticamente os casos idênticos. Votou o Presidente,

Ministro Cezar Peluso.

Ministro Cezar Peluso.

Brasília, 27 de abril de 2011.

Brasília, 27 de abril de 2011.

Ministra CÁRMEN LÚCIA

Ministra CÁRMEN LÚCIA

-

-

Relatora

Relatora

3 3

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Relatório

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27/04/2011

27/04/2011

PLENÁRIO

PLENÁRIO

MANDADO DE SEGURANÇA 30.260 DISTRITO FEDERAL

MANDADO DE SEGURANÇA 30.260 DISTRITO FEDERAL

RELATORA

RELATORA

IMPTE.(S)

IMPTE.(S)

ADV.(A/S)

ADV.(A/S)

IMPDO.(A/S)

IMPDO.(A/S)

IMPDO.(A/S)

IMPDO.(A/S)

IMPDO.(A/S)

IMPDO.(A/S)

: MIN. CÁRMEN LÚCIA

: MIN. CÁRMEN LÚCIA

: CARLOS VICTOR DA ROCHA MENDES

: CARLOS VICTOR DA ROCHA MENDES

: CARLOS

: CARLOS

MAGNO SOARES CARVALHO E OUTRO(A/S)

MAGNO SOARES CARVALHO E OUTRO(A/S)

: PRESIDENTE

: PRESIDENTE

DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

: CARLOS

: CARLOS

ALBERTO LOPES

ALBERTO LOPES

: PARTIDO

: PARTIDO

DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL - PMN

DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL - PMN

R R

E L A T Ó R I O

E L A T Ó R I O

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - (Relatora):

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA - (Relatora):

1.

1.

Mandado

Mandado

de

de

segurança

segurança

preventivo,

preventivo,

com

com

pedido

pedido

de

de

medida

medida

liminar, impetrado por Carlos Victor da Rocha Mendes, em 7.1.2011,

liminar, impetrado por Carlos Victor da Rocha Mendes, em 7.1.2011,

contra ato do Presidente da Câmara dos Deputados.

contra ato do Presidente da Câmara dos Deputados.

2. 2.

O Impetrante afirma que, nas eleições de 2010, a Coligação Frente

O Impetrante afirma que, nas eleições de 2010, a Coligação Frente

de Mobilização Socialista, formada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB

de Mobilização Socialista, formada pelo Partido Socialista Brasileiro – PSB

e e

três deputados federais pelo Estado do Rio de Janeiro (Romário de Souza

três deputados federais pelo Estado do Rio de Janeiro (Romário de Souza

pelo Partido da Mobilização Nacional – PMN obteve votos para eleger

pelo Partido da Mobilização Nacional – PMN obteve votos para eleger

Faria, Alexandre Aguiar Cardoso e Glauber de Medeiros Braga), todos

Faria, Alexandre Aguiar Cardoso e Glauber de Medeiros Braga), todos

filiados ao Partido Socialista Brasileiro – PSB, e que os candidatos Carlos

filiados ao Partido Socialista Brasileiro – PSB, e que os candidatos Carlos

Alberto Lopes (PMN) e Carlos Victor da Rocha Mendes (PSB) figuram,

Alberto Lopes (PMN) e Carlos Victor da Rocha Mendes (PSB) figuram,

respectivamente, como 1º e 2º suplentes daquela coligação.

respectivamente, como 1º e 2º suplentes daquela coligação.

Relata que o Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso, eleito e

Relata que o Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso, eleito e

filiado ao seu partido (PSB), teria sido confirmado como Secretário de

filiado ao seu partido (PSB), teria sido confirmado como Secretário de

Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, o que importaria na

Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, o que importaria na

abertura de uma vaga na Câmara dos Deputados, a ser preenchida por

abertura de uma vaga na Câmara dos Deputados, a ser preenchida por

suplente do Partido Socialista Brasileiro – PSB.

suplente do Partido Socialista Brasileiro – PSB.

Sustenta ter direito líquido e certo ao preenchimento dessa vaga, por

Sustenta ter direito líquido e certo ao preenchimento dessa vaga, por

ser o mais votado entre os candidatos do Partido Socialista Brasileiro –

ser o mais votado entre os candidatos do Partido Socialista Brasileiro –

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Relatório

Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

PSB

PSB

que

que

não

não

lograram

lograram

se

se

eleger

eleger

e

e

porque

porque

o

o

primeiro

primeiro

suplente

suplente

da

da

coligação, Carlos Alberto Lopes, é filiado a legenda diversa, Partido da

coligação, Carlos Alberto Lopes, é filiado a legenda diversa, Partido da

Mobilização Nacional – PMN.

Mobilização Nacional – PMN.

Pondera que, no julgamento da medida liminar no Mandado de

Pondera que, no julgamento da medida liminar no Mandado de

Segurança n. 29.988/DF, o Supremo Tribunal Federal teria reafirmado que

Segurança n. 29.988/DF, o Supremo Tribunal Federal teria reafirmado que

o o

convocação dos suplentes deveria seguir a ordem dos partidos e não das

convocação dos suplentes deveria seguir a ordem dos partidos e não das

mandato parlamentar pertence ao partido político e assentado que a

mandato parlamentar pertence ao partido político e assentado que a

coligações.

coligações.

Pede seja concedida a ordem para “garantir[-lhe] o direito de ser

Pede seja concedida a ordem para “garantir[-lhe] o direito de ser

convocado como primeiro suplente de seu partido para ocupar eventual vaga

convocado como primeiro suplente de seu partido para ocupar eventual vaga

aberta de deputado federal, no lugar do primeiro suplente da coligação”.

aberta de deputado federal, no lugar do primeiro suplente da coligação”.

3. 3.

Em 1º.2.2011, deferi a medida liminar para garantir ao Impetrante

Em 1º.2.2011, deferi a medida liminar para garantir ao Impetrante

o o

Alexandre Aguiar Cardoso, e determinei a citação de Carlos Alberto

Alexandre Aguiar Cardoso, e determinei a citação de Carlos Alberto

direito de precedência na ocupação de eventual vaga deixada por

direito de precedência na ocupação de eventual vaga deixada por

Lopes e do Partido da Mobilização Nacional – PMN (DJe 8.2.2011) .

Lopes e do Partido da Mobilização Nacional – PMN (DJe 8.2.2011) .

4. 4.

Em informações prestadas em 17.2.2011, a autoridade apontada

Em informações prestadas em 17.2.2011, a autoridade apontada

como coatora esclareceu que o Deputado Alexandre Aguiar Cardoso

como coatora esclareceu que o Deputado Alexandre Aguiar Cardoso

requereu seu afastamento do cargo em 3.2.2011 e que, na mesma data, o

requereu seu afastamento do cargo em 3.2.2011 e que, na mesma data, o

suplente Carlos Alberto Lopes foi empossado, nos termos da ordem de

suplente Carlos Alberto Lopes foi empossado, nos termos da ordem de

suplência

suplência

Janeiro.

Janeiro.

encaminhada

encaminhada

pelo

pelo

Tribunal

Tribunal

Regional

Regional

Eleitoral

Eleitoral

do

do

Rio

Rio

de

de

Ressaltou que a Presidência da Câmara dos Deputados foi notificada

Ressaltou que a Presidência da Câmara dos Deputados foi notificada

da decisão em 8.2.2011, “o que inviabilizou a garantia de precedência ao

da decisão em 8.2.2011, “o que inviabilizou a garantia de precedência ao

Impetrante à ocupação da vaga.”

Impetrante à ocupação da vaga.”

5.

5.

Em

Em

deferimento

deferimento

2.3.2011,

2.3.2011,

a

a

União

União

interpôs

interpôs

agravo

agravo

da

da

medida

medida

liminar.

liminar.

Sustentou,

Sustentou,

regimental

regimental

contra

contra

preliminarmente,

preliminarmente,

o

o

a

a

ilegitimidade ativa do Impetrante e a perda do objeto da ação, pois os

ilegitimidade ativa do Impetrante e a perda do objeto da ação, pois os

2 2

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Relatório

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MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

suplentes empossados somente poderiam ser afastados dos cargos em

suplentes empossados somente poderiam ser afastados dos cargos em

razão do retorno dos titulares ou da perda de mandato, nas hipóteses

razão do retorno dos titulares ou da perda de mandato, nas hipóteses

previstas no art. 55 da Constituição da República.

previstas no art. 55 da Constituição da República.

No

No

mérito,

mérito,

confundiria

confundiria

com

com

afirmou

afirmou

que

que

a

a

existência

existência

os

os

efeitos

efeitos

jurídicos

jurídicos

dela

dela

das

das

coligações

coligações

não

não

se

se

decorrentes

decorrentes

e

e

que

que

seria

seria

necessário distinguir as questões relativas à investidura na suplência das

necessário distinguir as questões relativas à investidura na suplência das

que envolvem o exercício do mandato eletivo.

que envolvem o exercício do mandato eletivo.

Sustentou que a decisão agravada teria alterado a interpretação

Sustentou que a decisão agravada teria alterado a interpretação

conferida há décadas aos dispositivos legais que regem a matéria e

conferida há décadas aos dispositivos legais que regem a matéria e

estabelecido nova sistemática de investidura na suplência do parlamentar

estabelecido nova sistemática de investidura na suplência do parlamentar

licenciado, o que teria surpreendido os participantes do processo eleitoral

licenciado, o que teria surpreendido os participantes do processo eleitoral

e contrariado os postulados da segurança jurídica e da proteção da

e contrariado os postulados da segurança jurídica e da proteção da

confiança.

confiança.

Pede seja revogada a liminar e, no mérito, seja denegada a ordem.

Pede seja revogada a liminar e, no mérito, seja denegada a ordem.

6. 6.

Em 28.3.2011, Carlos Aberto Lopes, deputado federal filiado ao

Em 28.3.2011, Carlos Aberto Lopes, deputado federal filiado ao

Partido da Mobilização Nacional – PNM, interpôs agravo regimental e,

Partido da Mobilização Nacional – PNM, interpôs agravo regimental e,

em 4.4.2011, apresentou contestação.

em 4.4.2011, apresentou contestação.

7. 7.

Em 18.4.2011, Sávio Luis Ferreira Neves Filho, Impetrante do

Em 18.4.2011, Sávio Luis Ferreira Neves Filho, Impetrante do

Mandado de Segurança n. 30.380/DF, Relator o Ministro Celso de Mello,

Mandado de Segurança n. 30.380/DF, Relator o Ministro Celso de Mello,

requereu sua admissão como amicus curiae nesta ação, ao argumento de

requereu sua admissão como amicus curiae nesta ação, ao argumento de

que teria “argumentos adicionais que não teriam sido abordados nas petições

que teria “argumentos adicionais que não teriam sido abordados nas petições

iniciais [dos mandados de segurança ns. 30.260 e 30.272 e] que poderão

iniciais [dos mandados de segurança ns. 30.260 e 30.272 e] que poderão

auxiliar na formação da convicção” deste Supremo Tribunal (Petição STF n.

auxiliar na formação da convicção” deste Supremo Tribunal (Petição STF n.

22.256).

22.256).

8.

8.

ordem.

ordem.

O Procurador-Geral da República opinou pela denegação da

O Procurador-Geral da República opinou pela denegação da

É

É

o relatório.

o relatório.

3 3

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 190

27/04/2011

27/04/2011

PLENÁRIO

PLENÁRIO

MANDADO DE SEGURANÇA 30.260 DISTRITO FEDERAL

MANDADO DE SEGURANÇA 30.260 DISTRITO FEDERAL

V

V

OTO

OTO

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – (Relatora):

A SENHORA MINISTRA CÁRMEN LÚCIA – (Relatora):

1. 1.

O presente mandado de segurança preventivo tem por objeto

O presente mandado de segurança preventivo tem por objeto

questão relativa à posse de suplentes nos cargos de Deputado Federal, a

questão relativa à posse de suplentes nos cargos de Deputado Federal, a

saber, qual o critério a se adotar na convocação dos mais votados como

saber, qual o critério a se adotar na convocação dos mais votados como

suplentes, se pelos partidos ou pelas coligações formadas nas eleições.

suplentes, se pelos partidos ou pelas coligações formadas nas eleições.

Segundo o Impetrante, a atuação da Câmara dos Deputados indicou

Segundo o Impetrante, a atuação da Câmara dos Deputados indicou

que os afastamentos de deputados federais levariam à convocação dos

que os afastamentos de deputados federais levariam à convocação dos

suplentes da coligação partidária, quando isso ocorresse, termos da

suplentes da coligação partidária, quando isso ocorresse, termos da

ordem de sucessão informada pelo Tribunal Regional Eleitoral de cada

ordem de sucessão informada pelo Tribunal Regional Eleitoral de cada

Estado pelo qual se dá a vaga.

Estado pelo qual se dá a vaga.

A questão jurídica posta nos autos está em saber se se preenche o

A questão jurídica posta nos autos está em saber se se preenche o

cargo vago decorrente do afastamento de deputado federal eleito por

cargo vago decorrente do afastamento de deputado federal eleito por

coligação partidária com o mais votado do partido ao qual o parlamentar

coligação partidária com o mais votado do partido ao qual o parlamentar

afastado é filiado ou aquele que obteve o maior número de votos entre

afastado é filiado ou aquele que obteve o maior número de votos entre

todos os candidatos que concorreram ao cargo pela coligação.

todos os candidatos que concorreram ao cargo pela coligação.

A solução da questão assim posta passa, necessariamente, pelo

A solução da questão assim posta passa, necessariamente, pelo

exame do sistema de representação proporcional adotado no Brasil para a

exame do sistema de representação proporcional adotado no Brasil para a

eleição

eleição

de

de

deputados

deputados

e

e

vereadores

vereadores

e

e

pela

pela

análise

análise

da

da

natureza

natureza

das

das

coligações e seus efeitos jurídicos. Também e, em especial, pela aplicação

coligações e seus efeitos jurídicos. Também e, em especial, pela aplicação

do princípio da segurança jurídico-eleitoral em face da jurisprudência

do princípio da segurança jurídico-eleitoral em face da jurisprudência

assentada sobre a matéria.

assentada sobre a matéria.

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

Preliminares

Preliminares

Ilegitimidade ativa e perda do objeto da ação

Ilegitimidade ativa e perda do objeto da ação

2. Afirmam a União e os litisconsortes que o Impetrante careceria de

2. Afirmam a União e os litisconsortes que o Impetrante careceria de

legitimidade processual, pois, admitindo-se a tese segundo a qual o

legitimidade processual, pois, admitindo-se a tese segundo a qual o

mandato pertenceria ao partido e não ao candidato eleito, apenas aquele

mandato pertenceria ao partido e não ao candidato eleito, apenas aquele

teria legitimidade ativa para impetrar este mandado de segurança.

teria legitimidade ativa para impetrar este mandado de segurança.

Assevera que, sendo o partido político o titular imediato do direito

Assevera que, sendo o partido político o titular imediato do direito

alegado, poderia assumir posição jurídica até mesmo antagônica a do ora

alegado, poderia assumir posição jurídica até mesmo antagônica a do ora

Impetrante, por exemplo defendendo que a vaga pertenceria à suplência

Impetrante, por exemplo defendendo que a vaga pertenceria à suplência

da coligação, seja por respeito ao pactuado nas eleições, seja para manter

da coligação, seja por respeito ao pactuado nas eleições, seja para manter

coerência com o que sustentado em outras impetrações, ou mesmo

coerência com o que sustentado em outras impetrações, ou mesmo

porque essa tese seria mais conveniente ao partido, que manteria o

porque essa tese seria mais conveniente ao partido, que manteria o

número de vagas conquistadas.

número de vagas conquistadas.

Assinala, ainda, que a ação teria perdido seu objeto, pois, no caso

Assinala, ainda, que a ação teria perdido seu objeto, pois, no caso

presente, os suplentes da coligação teriam sido empossados antes do

presente, os suplentes da coligação teriam sido empossados antes do

deferimento

deferimento

e

e

da

da

comunicação

comunicação

da

da

decisão

decisão

liminar

liminar

e

e

a

a

autoridade

autoridade

apontada como coatora não poderia desfazer o ato de investidura.

apontada como coatora não poderia desfazer o ato de investidura.

3. Quanto à alegação de ilegitimidade ativa do Impetrante, tenho

3. Quanto à alegação de ilegitimidade ativa do Impetrante, tenho

como sem razão a União-Agravante. Não há como negar, de plano, a

como sem razão a União-Agravante. Não há como negar, de plano, a

legitimidade ativa do Impetrante para, isoladamente ou em conjunto com

legitimidade ativa do Impetrante para, isoladamente ou em conjunto com

o o

partido ao qual filiado, impetrar a presente ação.

partido ao qual filiado, impetrar a presente ação.

O interesse de agir evidencia-se quando o autor da ação precisa se

O interesse de agir evidencia-se quando o autor da ação precisa se

valer da via processual para alcançar a sua pretensão jurídica, à qual vem

valer da via processual para alcançar a sua pretensão jurídica, à qual vem

se opondo, conforme comprovado na espécie, a autoridade indigitada

se opondo, conforme comprovado na espécie, a autoridade indigitada

coatora.

coatora.

Também está

Também está

demonstrado,

demonstrado,

no

no

caso

caso

presente, que há

presente, que há

uma

uma

utilidade ou interesse, juridicamente tutelado, ainda que como interesse e

utilidade ou interesse, juridicamente tutelado, ainda que como interesse e

não, ainda, nesta fase, afirmado como direito, no quadro das condições e

não, ainda, nesta fase, afirmado como direito, no quadro das condições e

2 2

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

bens jurídicos que lhe seriam garantidos e que não vêm podendo ser

bens jurídicos que lhe seriam garantidos e que não vêm podendo ser

efetivados, segundo alega.

efetivados, segundo alega.

É É

direito

direito

o deslinde da questão que assentará a titularidade, ou não, do

o deslinde da questão que assentará a titularidade, ou não, do

do

do

Impetrante

Impetrante

ao

ao

preenchimento

preenchimento

da

da

vaga

vaga

decorrente

decorrente

do

do

afastamento temporário do Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso.

afastamento temporário do Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso.

Isso, contudo, não pode servir de impedimento para que aqueles que

Isso, contudo, não pode servir de impedimento para que aqueles que

pretendem a titularidade e o exercício desse pretenso direito utilizem-se

pretendem a titularidade e o exercício desse pretenso direito utilizem-se

da via mandamental para garantir a discussão dos fundamentos do seu

da via mandamental para garantir a discussão dos fundamentos do seu

questionamento.

questionamento.

4. A legitimidade ativa para a impetração do mandado de segurança

4. A legitimidade ativa para a impetração do mandado de segurança

é é

judicial. A exigência legal é que o impetrante demonstre possa exercer o

judicial. A exigência legal é que o impetrante demonstre possa exercer o

de quem, acreditando-se titular de direito líquido e certo, pede proteção

de quem, acreditando-se titular de direito líquido e certo, pede proteção

que alega ser o seu direito, se afastados os obstáculos havidos no ato tido

que alega ser o seu direito, se afastados os obstáculos havidos no ato tido

como coator.

como coator.

A possibilidade de validação da tese de que o mandato de Deputado

A possibilidade de validação da tese de que o mandato de Deputado

Federal pertence ao partido político e não à coligação legitima a ação do

Federal pertence ao partido político e não à coligação legitima a ação do

Impetrante. Se se reconhece que o mandato pertence ao partido, o

Impetrante. Se se reconhece que o mandato pertence ao partido, o

candidato mais votado entre aqueles que estão na sequência dos mais

candidato mais votado entre aqueles que estão na sequência dos mais

votados pela agremiação, no caso de vaga deixada por correligionário

votados pela agremiação, no caso de vaga deixada por correligionário

pelo respectivo partido, caso do Impetrante, poder-se-ia concluir que ele

pelo respectivo partido, caso do Impetrante, poder-se-ia concluir que ele

teria direito ao cargo e, assim, teria legitimidade para adotar as medidas

teria direito ao cargo e, assim, teria legitimidade para adotar as medidas

judiciais inerentes ao exercício desse mandato.

judiciais inerentes ao exercício desse mandato.

Nesse sentido, salientou o Procurador-Geral da República ter “o

Nesse sentido, salientou o Procurador-Geral da República ter “o

impetrante legítimo interesse em buscar o alegado direito de assumir a vaga

impetrante legítimo interesse em buscar o alegado direito de assumir a vaga

deixada por Deputado Federal filiado a seu partido. Ainda que amparado pela

deixada por Deputado Federal filiado a seu partido. Ainda que amparado pela

tese de que o mandato pertence ao partido, age em nome próprio, movido pela

tese de que o mandato pertence ao partido, age em nome próprio, movido pela

pretensão de ocupar cadeira na Câmara dos Deputados.”

pretensão de ocupar cadeira na Câmara dos Deputados.”

Desse

Desse

modo,

modo,

tanto

tanto

o

o

Impetrante

Impetrante

quanto

quanto

o

o

Partido

Partido

Socialista

Socialista

3 3

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

Brasileiro – PSB, ao qual é filiado, têm igual interesse de agir, dispondo de

Brasileiro – PSB, ao qual é filiado, têm igual interesse de agir, dispondo de

plena legitimidade ativa para a presente ação, pois ambos têm capacidade

plena legitimidade ativa para a presente ação, pois ambos têm capacidade

legal reconhecida para a proteção do interesse legítimo reclamado (art. 1º

legal reconhecida para a proteção do interesse legítimo reclamado (art. 1º

da Lei n. 12.016/2009).

da Lei n. 12.016/2009).

5. 5.

Por isso, rejeito a preliminar de ilegitimidade ativa do Impetrante.

Por isso, rejeito a preliminar de ilegitimidade ativa do Impetrante.

6. 6.

Rejeito, por igual, a preliminar da União de perda de objeto da

Rejeito, por igual, a preliminar da União de perda de objeto da

presente ação.

presente ação.

O O

presente mandado de segurança foi impetrado preventivamente e

presente mandado de segurança foi impetrado preventivamente e

teve liminar deferida em 1º.2.2011 (DJe 8.2.2011), antes do pedido de

teve liminar deferida em 1º.2.2011 (DJe 8.2.2011), antes do pedido de

afastamento do Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso e da posse

afastamento do Deputado Federal Alexandre Aguiar Cardoso e da posse

do suplente Carlos Alberto Lopes, ocorrida em 3.2.2011.

do suplente Carlos Alberto Lopes, ocorrida em 3.2.2011.

A A

circunstância de a ameaça ao direito pretensamente titularizado

circunstância de a ameaça ao direito pretensamente titularizado

pelo Impetrante ter-se concretizado não acarreta a perda de objeto da

pelo Impetrante ter-se concretizado não acarreta a perda de objeto da

ação.

ação.

Antes, acentua a necessidade do julgamento desta ação para perfeito

Antes, acentua a necessidade do julgamento desta ação para perfeito

equacionamento da matéria e esclarecimento definitivo sobre a existência,

equacionamento da matéria e esclarecimento definitivo sobre a existência,

ou não, do direito alegado, e conclusão sobre a ocorrência, ou não, de

ou não, do direito alegado, e conclusão sobre a ocorrência, ou não, de

ilegalidade no ato tido como coator.

ilegalidade no ato tido como coator.

Mérito

Mérito

As coligações partidárias

As coligações partidárias

7. As coligações partidárias foram efetivamente [1] praticadas no

7. As coligações partidárias foram efetivamente [1] praticadas no

Brasil entre 1950 e 1962 [2]. Com a entrada em vigor do Código Eleitoral

Brasil entre 1950 e 1962 [2]. Com a entrada em vigor do Código Eleitoral

de 1965 (Lei n. 4.737), vigente até hoje, a norma originária do art. 105

de 1965 (Lei n. 4.737), vigente até hoje, a norma originária do art. 105

chegou a proibir expressamente as alianças partidárias [3] no sistema

chegou a proibir expressamente as alianças partidárias [3] no sistema

proporcional.

proporcional.

4 4

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

Essa norma foi alterada vinte anos depois, pela Lei n. 7.454, de

Essa norma foi alterada vinte anos depois, pela Lei n. 7.454, de

30.12.1985, que passou a admitir a formação de coligações nas eleições

30.12.1985, que passou a admitir a formação de coligações nas eleições

para deputado federal, estadual e vereador, nos seguintes termos:

para deputado federal, estadual e vereador, nos seguintes termos:

Art. 105 - Fica facultado a 2 (dois) ou mais Partidos coligarem-

Art. 105 - Fica facultado a 2 (dois) ou mais Partidos coligarem-

se se

estadual e vereador.

estadual e vereador.

para o registro de candidatos comuns a deputado federal, deputado

para o registro de candidatos comuns a deputado federal, deputado

§

§

-

-

A deliberação

A deliberação

sobre

sobre

coligação

coligação

caberá

caberá

à

à

Convenção

Convenção

Regional de cada Partido, quando se tratar de eleição para a Câmara

Regional de cada Partido, quando se tratar de eleição para a Câmara

dos Deputados e Assembléias Legislativas, e à Convenção Municipal,

dos Deputados e Assembléias Legislativas, e à Convenção Municipal,

quando se tratar de eleição para a Câmara de Vereadores, e será

quando se tratar de eleição para a Câmara de Vereadores, e será

aprovada mediante a votação favorável da maioria, presentes 2/3 (dois

aprovada mediante a votação favorável da maioria, presentes 2/3 (dois

terços) dos convencionais, estabelecendo-se, na mesma oportunidade, o

terços) dos convencionais, estabelecendo-se, na mesma oportunidade, o

número de candidatos que caberá a cada Partido.

número de candidatos que caberá a cada Partido.

§ §

registro

registro

2º - Cada Partido indicará em Convenção os seus candidatos e

2º - Cada Partido indicará em Convenção os seus candidatos e

o

o

será

será

promovido

promovido

em

em

conjunto

conjunto

pela

pela

Coligação

Coligação

(grifos

(grifos

nossos).

nossos).

8. Desde 1997 o processo eleitoral brasileiro é regido, basicamente,

8. Desde 1997 o processo eleitoral brasileiro é regido, basicamente,

pela

pela

Lei

Lei

n. 9.504

n. 9.504

(30.9.1997), que não apenas

(30.9.1997), que não apenas

consolidou a

consolidou a

matéria

matéria

referente às coligações partidárias como lhe deu maior alcance, definidos

referente às coligações partidárias como lhe deu maior alcance, definidos

os seus contornos jurídicos:

os seus contornos jurídicos:

Art. 6º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma

Art. 6º É facultado aos partidos políticos, dentro da mesma

circunscrição,

circunscrição,

celebrar

celebrar

coligações

coligações

para

para

eleição

eleição

majoritária,

majoritária,

proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se

proporcional, ou para ambas, podendo, neste último caso, formar-se

mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos

mais de uma coligação para a eleição proporcional dentre os partidos

que integram a coligação para o pleito majoritário.

que integram a coligação para o pleito majoritário.

§ §

1º A coligação terá denominação própria, que poderá ser a

1º A coligação terá denominação própria, que poderá ser a

junção de todas as siglas dos partidos que a integram, sendo a ela

junção de todas as siglas dos partidos que a integram, sendo a ela

atribuídas as prerrogativas e obrigações de partido político no que se

atribuídas as prerrogativas e obrigações de partido político no que se

refere ao processo eleitoral, e devendo funcionar como um só partido

refere ao processo eleitoral, e devendo funcionar como um só partido

no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato dos interesses

no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato dos interesses

5 5

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

interpartidários.

interpartidários.

§ §

1º-A. A denominação da coligação não poderá coincidir,

1º-A. A denominação da coligação não poderá coincidir,

incluir ou fazer referência a nome ou número de candidato, nem

incluir ou fazer referência a nome ou número de candidato, nem

conter pedido de voto para partido político. (Incluído pela Lei nº

conter pedido de voto para partido político. (Incluído pela Lei nº

12.034, de 2009)

12.034, de 2009)

§

§

2º Na propaganda para eleição (

2º Na propaganda para eleição (

) )

proporcional, cada partido

proporcional, cada partido

usará apenas sua legenda sob o nome da coligação.

usará apenas sua legenda sob o nome da coligação.

§ §

3º Na formação de coligações, devem ser observadas, ainda, as

3º Na formação de coligações, devem ser observadas, ainda, as

seguintes normas:

seguintes normas:

a a

I I

- na chapa da coligação, podem inscrever-se candidatos filiados

- na chapa da coligação, podem inscrever-se candidatos filiados

qualquer partido político dela integrante;

qualquer partido político dela integrante;

II - o pedido de registro dos candidatos deve ser subscrito pelos

II - o pedido de registro dos candidatos deve ser subscrito pelos

presidentes dos partidos coligados, por seus delegados, pela maioria

presidentes dos partidos coligados, por seus delegados, pela maioria

dos membros dos respectivos órgãos executivos de direção ou por

dos membros dos respectivos órgãos executivos de direção ou por

representante da coligação, na forma do inciso III;

representante da coligação, na forma do inciso III;

III III

- os partidos integrantes da coligação devem designar um

- os partidos integrantes da coligação devem designar um

representante, que terá atribuições equivalentes às de presidente de

representante, que terá atribuições equivalentes às de presidente de

partido

partido

político,

político,

no

no

trato

trato

dos

dos

interesses

interesses

e

e

na

na

representação

representação

da

da

coligação, no que se refere ao processo eleitoral;

coligação, no que se refere ao processo eleitoral;

IV IV

- a coligação será representada perante a Justiça Eleitoral pela

- a coligação será representada perante a Justiça Eleitoral pela

pessoa designada na forma do inciso III ou por delegados indicados

pessoa designada na forma do inciso III ou por delegados indicados

pelos partidos que a compõem (

pelos partidos que a compõem (

) )

§ §

4º O partido político coligado somente possui legitimidade

O partido político coligado somente possui legitimidade

para atuar de forma isolada no processo eleitoral quando questionar a

para atuar de forma isolada no processo eleitoral quando questionar a

validade da própria coligação, durante o período compreendido entre a

validade da própria coligação, durante o período compreendido entre a

data da convenção e o termo final do prazo para a impugnação do

data da convenção e o termo final do prazo para a impugnação do

registro de candidatos” (grifos nossos).

registro de candidatos” (grifos nossos).

6 6

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

9. Nos termos da legislação, as coligações são instituições jurídicas

9. Nos termos da legislação, as coligações são instituições jurídicas

autônomas, distintas dos partidos que as compõem e que a eles se

autônomas, distintas dos partidos que as compõem e que a eles se

sobrepõem

sobrepõem

temporariamente,

temporariamente,

adquirindo

adquirindo

representá-los, mesmo judicialmente.

representá-los, mesmo judicialmente.

capacidade

capacidade

jurídica

jurídica

para

para

O § 1º do art. 6º da Lei n. 9.504/97 reservou a essa instituição status a

O § 1º do art. 6º da Lei n. 9.504/97 reservou a essa instituição status a

equipará-la

equipará-la

ao

ao

partido

partido

político;

político;

seus

seus

integrantes

integrantes

submetem-se

submetem-se

aos

aos

preceitos do art. 17 da Constituição da República e a ela foi atribuído,

preceitos do art. 17 da Constituição da República e a ela foi atribuído,

expressamente, ainda que por determinado tempo, as prerrogativas e

expressamente, ainda que por determinado tempo, as prerrogativas e

obrigações partidárias, tornando-as aptas a lançar candidatos às eleições

obrigações partidárias, tornando-as aptas a lançar candidatos às eleições

em busca, na lição de Walter Costa Porto [4], do “maior número de postos

em busca, na lição de Walter Costa Porto [4], do “maior número de postos

em

em

uma

uma

eleição

eleição

majoritário”.

majoritário”.

proporcional

proporcional

ou

ou

o

o

melhor

melhor

resultado

resultado

em

em

um

um

escrutínio

escrutínio

Vivalto Reinaldo de Souza [5] explica que “embora as coligações

Vivalto Reinaldo de Souza [5] explica que “embora as coligações

possam ser feitas com base em programas de partidos ideologicamente afins, o

possam ser feitas com base em programas de partidos ideologicamente afins, o

elemento central que as explica é a maximização de resultados”. Trata-se, pode-

elemento central que as explica é a maximização de resultados”. Trata-se, pode-

se dizer, de uma associação política em busca de resultados eleitorais;

se dizer, de uma associação política em busca de resultados eleitorais;

seus objetivos principais articulam-se, conforme a dinâmica do jogo

seus objetivos principais articulam-se, conforme a dinâmica do jogo

político, sob a perspectiva de acesso aos cargos de poder postos em

político, sob a perspectiva de acesso aos cargos de poder postos em

disputa.

disputa.

Na Constituição de 1988, a existência e a validade jurídicas das

Na Constituição de 1988, a existência e a validade jurídicas das

coligações foram expressamente reconhecidas pelo art. 13, § 3º, inc. II, dos

coligações foram expressamente reconhecidas pelo art. 13, § 3º, inc. II, dos

Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, que, ao criar o Estado

Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, que, ao criar o Estado

do Tocantins, definiu que as datas das convenções regionais partidárias,

do Tocantins, definiu que as datas das convenções regionais partidárias,

destinadas a deliberar sobre coligações e escolha de seus candidatos para

destinadas a deliberar sobre coligações e escolha de seus candidatos para

Governador,

Governador,

Vice-Governador,

Vice-Governador,

Senadores,

Senadores,

Deputados

Deputados

Federais

Federais

e

e

Deputados Estaduais, de apresentação de requerimento de registro dos

Deputados Estaduais, de apresentação de requerimento de registro dos

candidatos escolhidos e dos demais procedimentos legais, seriam fixadas,

candidatos escolhidos e dos demais procedimentos legais, seriam fixadas,

em calendário especial, pela Justiça Eleitoral.

em calendário especial, pela Justiça Eleitoral.

10. A Emenda Constitucional n. 52, de 8.3.2006, alterou o § 1º do art.

10. A Emenda Constitucional n. 52, de 8.3.2006, alterou o § 1º do art.

7 7

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

17 17

partidos políticos se coligarem livremente segundo decisão autônoma:

partidos políticos se coligarem livremente segundo decisão autônoma:

da Constituição da República [6], inserindo a prerrogativa de os

da Constituição da República [6], inserindo a prerrogativa de os

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de

partidos

partidos

políticos,

políticos,

resguardados

resguardados

a

a

soberania

soberania

nacional,

nacional,

o

o

regime

regime

democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa

democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa

humana e observados os seguintes preceitos:

humana e observados os seguintes preceitos:

(

(

§ §

) )

É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir

1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir

sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os

sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os

critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem

critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem

obrigatoriedade

obrigatoriedade

de

de

vinculação

vinculação

entre

entre

as

as

candidaturas

candidaturas

em

em

âmbito

âmbito

nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos

nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos

estabelecer

estabelecer

nossos).

nossos).

normas

normas

de

de

disciplina

disciplina

e

e

fidelidade

fidelidade

partidária

partidária

(grifos

(grifos

11.

11.

A

A

partir

partir

da

da

prática

prática

reconhecimento

reconhecimento

constitucional,

constitucional,

ordinária,

ordinária,

como

como

conformações

conformações

política,

política,

as

as

coligações

coligações

obtiveram

obtiveram

identificadas,

identificadas,

desde

desde

políticas

políticas

temporárias,

temporárias,

a

a

legislação

legislação

decorrentes

decorrentes

da

da

aliança partidária formalizada na Justiça Eleitoral entre dois ou mais

aliança partidária formalizada na Justiça Eleitoral entre dois ou mais

partidos

partidos

políticos

políticos

para

para

concorrerem,

concorrerem,

de

de

forma

forma

unitária,

unitária,

às

às

eleições

eleições

proporcionais ou majoritárias e, com isso, maximizar a possibilidade de

proporcionais ou majoritárias e, com isso, maximizar a possibilidade de

êxito, que não seria o mesmo se concorressem isoladamente.

êxito, que não seria o mesmo se concorressem isoladamente.

As coligações que, em última análise, representam a política da

As coligações que, em última análise, representam a política da

política, são articuladas em vários países, “notadamente nos que adotam o

política, são articuladas em vários países, “notadamente nos que adotam o

sistema

sistema

parlamentarista

parlamentarista

como

como

estratégia

estratégia

de

de

governo

governo

ou

ou

de

de

oposição

oposição

nos

nos

parlamentos [e] entre nós se definem como instrumento de sobrevivência das

parlamentos [e] entre nós se definem como instrumento de sobrevivência das

minorias nas eleições. Esclarecem ODYR PORTO e ROBERTO PORTO [7]

minorias nas eleições. Esclarecem ODYR PORTO e ROBERTO PORTO [7]

que, ‘não obstante as objeções a elas opostas, máxime no tocante às eleições

que, ‘não obstante as objeções a elas opostas, máxime no tocante às eleições

proporcionais, porque desfigurariam ideologicamente os partidos, e ainda porque,

proporcionais, porque desfigurariam ideologicamente os partidos, e ainda porque,

na

na

prática,

prática,

frequentemente

frequentemente

se

se

apresentariam

apresentariam

desvirtuadas,

desvirtuadas,

favorecendo

favorecendo

as

as

chamadas ‘legendas de aluguel’, continuam admitidas no nosso ordenamento

chamadas ‘legendas de aluguel’, continuam admitidas no nosso ordenamento

8 8

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Supremo Tribunal Federal

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

jurídico” [8] (grifos nossos).

jurídico” [8] (grifos nossos).

O

O

reconhecimento

reconhecimento

pelo

pelo

sistema

sistema

jurídico

jurídico

vigente

vigente

das

das

coligações

coligações

partidárias, para definir o resultado das eleições consideradas essas

partidárias, para definir o resultado das eleições consideradas essas

alianças, impõe se reconheça no ordenamento que a sua formalização

alianças, impõe se reconheça no ordenamento que a sua formalização

produz efeitos jurídicos que não podem ser desconsiderados.

produz efeitos jurídicos que não podem ser desconsiderados.

12. A Emenda Constitucional n. 52/2006 definiu, no § 1º do art. 17 da

12. A Emenda Constitucional n. 52/2006 definiu, no § 1º do art. 17 da

Constituição, que os partidos políticos dispõem de ampla autonomia para

Constituição, que os partidos políticos dispõem de ampla autonomia para

se coligarem, o que foi reconhecido, às expressas, por este Plenário, por

se coligarem, o que foi reconhecido, às expressas, por este Plenário, por

exemplo, no julgamento da ADIn n. 3685, Relatora a Ministra Ellen Gracie

exemplo, no julgamento da ADIn n. 3685, Relatora a Ministra Ellen Gracie

(DJ 10.8.2006):

(DJ 10.8.2006):

"A

"A

inovação

inovação

trazida

trazida

pela

pela

EC

EC

52/2006

52/2006

conferiu

conferiu

status

status

constitucional à matéria até então integralmente regulamentada por

constitucional à matéria até então integralmente regulamentada por

legislação ordinária federal, provocando, assim, a perda da validade de

legislação ordinária federal, provocando, assim, a perda da validade de

qualquer restrição à plena autonomia das coligações partidárias no

qualquer restrição à plena autonomia das coligações partidárias no

plano federal, estadual, distrital e municipal. (

plano federal, estadual, distrital e municipal. (

) )

Pedido que se julga

Pedido que se julga

procedente para dar interpretação conforme no sentido de que a

procedente para dar interpretação conforme no sentido de que a

inovação trazida no art. 1º da EC 52/2006 somente seja aplicada após

inovação trazida no art. 1º da EC 52/2006 somente seja aplicada após

decorrido um ano da data de sua vigência" (grifos nossos).

decorrido um ano da data de sua vigência" (grifos nossos).

Conforme ressaltam, dentre outros, Thales Tácito Pontes e Luz de

Conforme ressaltam, dentre outros, Thales Tácito Pontes e Luz de

Pádua Cerqueira [9] , “proibir a coligação, para alguns, é matar a política. É a

Pádua Cerqueira [9] , “proibir a coligação, para alguns, é matar a política. É a

antipolítica. Se dois partidos não podem coligar-se para disputar o voto, em nome

antipolítica. Se dois partidos não podem coligar-se para disputar o voto, em nome

de quê podem se unir para governar?” (grifos nossos).

de quê podem se unir para governar?” (grifos nossos).

A opção do partido político em coligar-se a outros comunica ao

A opção do partido político em coligar-se a outros comunica ao

eleitor a comunhão de ideologias [10] ou, até mesmo, a incongruência

eleitor a comunhão de ideologias [10] ou, até mesmo, a incongruência

entre elas. Será pelo voto que o eleitor aquiescerá, ou não, com essa

entre elas. Será pelo voto que o eleitor aquiescerá, ou não, com essa

associação, que por si tem carga ideológica e política. Assim, quando o

associação, que por si tem carga ideológica e política. Assim, quando o

cidadão vota num partido coligado, deixa de optar por um programa

cidadão vota num partido coligado, deixa de optar por um programa

supostamente puro para aderir a uma multiplicidade de propostas, que

supostamente puro para aderir a uma multiplicidade de propostas, que

se conjugam ante a perspectiva de acesso e de exercício dos cargos do

se conjugam ante a perspectiva de acesso e de exercício dos cargos do

9 9

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

Poder.

Poder.

Desse modo, a Coligação passa a funcionar como um superpartido

Desse modo, a Coligação passa a funcionar como um superpartido

ou, nas palavras de Pinto Ferreira, uma superlegenda [11], do ponto de

ou, nas palavras de Pinto Ferreira, uma superlegenda [11], do ponto de

vista formal (capacidade jurídica, até o fim das eleições) e até mesmo

vista formal (capacidade jurídica, até o fim das eleições) e até mesmo

substancial (combinação de idéias).

substancial (combinação de idéias).

A coalizão político-partidária, que importa na atuação conjunta e na

A coalizão político-partidária, que importa na atuação conjunta e na

combinação de esforços, recursos materiais, financeiros e de pessoal

combinação de esforços, recursos materiais, financeiros e de pessoal

visando, especialmente, a obtenção do maior número de cargos eletivos

visando, especialmente, a obtenção do maior número de cargos eletivos

disponíveis, tem se mostrado, na prática, um eficiente instrumento para

disponíveis, tem se mostrado, na prática, um eficiente instrumento para

aumentar o valor e a visibilidade das agremiações partidárias menores,

aumentar o valor e a visibilidade das agremiações partidárias menores,

projetando-as na disputa eleitoral.

projetando-as na disputa eleitoral.

As coligações são, às vezes, forma adotada pelos partidos menores e

As coligações são, às vezes, forma adotada pelos partidos menores e

menos expressivos de, em conjunto, participar do processo eleitoral com

menos expressivos de, em conjunto, participar do processo eleitoral com

melhores chances de sucesso no sentido de angariar maior número de

melhores chances de sucesso no sentido de angariar maior número de

cadeiras

cadeiras

postas

postas

em

em

disputa.

disputa.

É

É

a

a

união

união

de

de

forças

forças

que

que

viabiliza

viabiliza

a

a

apresentação de suas propostas e de seus candidatos e a conquista do

apresentação de suas propostas e de seus candidatos e a conquista do

espaço político, contribuindo para a efetivação do pluripartidarismo.

espaço político, contribuindo para a efetivação do pluripartidarismo.

Sobre a importância das coligações, David Fleischer adverte que sua

Sobre a importância das coligações, David Fleischer adverte que sua

eliminação nas eleições proporcionais seria o fim da maioria dos partidos e

eliminação nas eleições proporcionais seria o fim da maioria dos partidos e

micropartidos no Brasil – inclusive os chamados ‘partidos históricos’, como o

micropartidos no Brasil – inclusive os chamados ‘partidos históricos’, como o

PCdoB e o PPS. Talvez, apenas sete ou oito partidos maiores sobrevivessem

PCdoB e o PPS. Talvez, apenas sete ou oito partidos maiores sobrevivessem

(Coligações eleitorais. In: Leonardo Avritzer; Fátima Anastasia. (Org.).

(Coligações eleitorais. In: Leonardo Avritzer; Fátima Anastasia. (Org.).

Reforma Política no Brasil. 1ª ed. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p.145).

Reforma Política no Brasil. 1ª ed. Belo Horizonte: UFMG, 2006, p.145).

Na

Na

mesma

mesma

linha,

linha,

Roberto Amaral

Roberto Amaral

e

e

Sérgio

Sérgio

Sérvulo

Sérvulo

da

da

Cunha

Cunha

salientam que “as coligações proporcionais têm servido (

salientam que “as coligações proporcionais têm servido (

) )

para assegurar a

para assegurar a

sobrevivência

sobrevivência

ideológica (

ideológica (

).

).

dos

dos

pequenos

pequenos

partidos,

partidos,

particularmente

particularmente

aqueles

aqueles

de

de

índole

índole

São, portanto, as coligações proporcionais, um dos últimos

São, portanto, as coligações proporcionais, um dos últimos

instrumentos de salvaguardar o princípio constitucional do pluripartidarismo

instrumentos de salvaguardar o princípio constitucional do pluripartidarismo

10 10

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 190

MS 30.260 / DF

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(Manual das eleições. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 68-69).

(Manual das eleições. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 68-69).

Os partidos menores aumentam suas chances na disputa eleitoral na

Os partidos menores aumentam suas chances na disputa eleitoral na

medida

medida

em

em

que,

que,

agregados

agregados

a

a

outros,

outros,

têm

têm

aumentado

aumentado

o

o

quociente

quociente

partidário e, com isso, o número de cargos eletivos conquistados:

partidário e, com isso, o número de cargos eletivos conquistados:

Segundo Santos, o que movia os partidos a se coligarem eram

Segundo Santos, o que movia os partidos a se coligarem eram

os elevados quocientes eleitorais na maioria dos estados e a fórmula

os elevados quocientes eleitorais na maioria dos estados e a fórmula

d’Hondt [12]

d’Hondt [12]

para distribuir as sobras. O

para distribuir as sobras. O

autor explica

autor explica

que

que

a

a

percentagem de cadeiras na Câmara Federal preenchidas por meio de

percentagem de cadeiras na Câmara Federal preenchidas por meio de

alianças passou de 18% em 1950, a 34% em 1954, a 41% em 1958 e a

alianças passou de 18% em 1950, a 34% em 1954, a 41% em 1958 e a

47% em 1962.

47% em 1962.

Lavareda acredita que, no caso dos partidos pequenos, o motivo

Lavareda acredita que, no caso dos partidos pequenos, o motivo

pelo qual eles se coligam é claro: alcançar o quociente eleitoral. Já para

pelo qual eles se coligam é claro: alcançar o quociente eleitoral. Já para

os

os

partidos

partidos

grandes

grandes

prejudicados

prejudicados

em

em

termos

termos

do

do

número

número

de

de

candidatos menos votados, geralmente não eleitos na coligação porque

candidatos menos votados, geralmente não eleitos na coligação porque

as legendas pequenas tendem a concentrar seus votos lançando um ou

as legendas pequenas tendem a concentrar seus votos lançando um ou

poucos candidatos – o motivo do comportamento coligacionista não é

poucos candidatos – o motivo do comportamento coligacionista não é

óbvio: as coligações no pleito proporcional serviriam para conseguir o

óbvio: as coligações no pleito proporcional serviriam para conseguir o

apoio das pequenas legendas nas eleições majoritárias de turno único

apoio das pequenas legendas nas eleições majoritárias de turno único

para executivos estaduais, ‘aquelas

para executivos estaduais, ‘aquelas

em que mesmo

em que mesmo

contingente

contingente

de

de

votos

votos

orientados

orientados

por

por

uma

uma

pequena

pequena

um pequeno

um pequeno

legenda

legenda

ou

ou

liderança isolada podia ser vital nas urnas, ou mesmo antes, à medida

liderança isolada podia ser vital nas urnas, ou mesmo antes, à medida

que emprestavam aparência de maior força e ajudavam a viabilizar

que emprestavam aparência de maior força e ajudavam a viabilizar

candidatura’ (Lavareda, 1991:116)’. Nos dias atuais (NICOLAU,

candidatura’ (Lavareda, 1991:116)’. Nos dias atuais (NICOLAU,

1996, SCHMITT, 1999), esse apoio também significa mais tempo o

1996, SCHMITT, 1999), esse apoio também significa mais tempo o

horário

horário

gratuito

gratuito

executivo” [13].

executivo” [13].

de

de

propaganda

propaganda

eleitoral

eleitoral

para

para

os

os

candidatos

candidatos

ao

ao

13. Não se põe em questão seja a coligação fenômeno passageiro,

13. Não se põe em questão seja a coligação fenômeno passageiro,

iniciado a partir de sua formalização na Justiça Eleitoral, que se extingue

iniciado a partir de sua formalização na Justiça Eleitoral, que se extingue

após as eleições. Porém, nesse período, pode-se afirmar que chega a

após as eleições. Porém, nesse período, pode-se afirmar que chega a

substituir os partidos políticos coligados, até mesmo na legitimidade para

substituir os partidos políticos coligados, até mesmo na legitimidade para

atuar

atuar

isoladamente

isoladamente

durante

durante

o

o

processo

processo

eleitoral,

eleitoral,

salvo

salvo

nas

nas

estritas

estritas

11 11

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

exceções legalmente afirmadas.

exceções legalmente afirmadas.

Nesse sentido, por exemplo, no julgamento do Recurso Especial

Nesse sentido, por exemplo, no julgamento do Recurso Especial

Eleitoral n. 21.346, ao tratar da necessidade de atuação conjunta dos

Eleitoral n. 21.346, ao tratar da necessidade de atuação conjunta dos

partidos coligados, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu:

partidos coligados, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu:

Recurso especial. Eleição 2000. Representação. Partido político

Recurso especial. Eleição 2000. Representação. Partido político

coligado. Ilegitimidade para agir isoladamente. Dissídio. Não-

coligado. Ilegitimidade para agir isoladamente. Dissídio. Não-

caracterização. Conhecido, mas desprovido. I – O partido político

caracterização. Conhecido, mas desprovido. I – O partido político

integrante de coligação não tem legitimidade ativa para, isoladamente,

integrante de coligação não tem legitimidade ativa para, isoladamente,

ajuizar representação com vistas a apurar possível infração. (

ajuizar representação com vistas a apurar possível infração. (

)”

)”

Em seu voto, o Ministro Relator Peçanha Martins salientou:

Em seu voto, o Ministro Relator Peçanha Martins salientou:

a coligação, no momento de sua constituição, assume, em

a coligação, no momento de sua constituição, assume, em

relação ao pleito do qual participa, todas as obrigações e direitos

relação ao pleito do qual participa, todas as obrigações e direitos

inerentes a uma agremiação partidária, como dispõe o art. 6º, § 1º, da

inerentes a uma agremiação partidária, como dispõe o art. 6º, § 1º, da

Lei nº 9.504/97. (

Lei nº 9.504/97. (

) )

Como destacado pelo parecer ministerial, ‘essa

Como destacado pelo parecer ministerial, ‘essa

situação perdura durante o processo eleitoral, da fase das convenções

situação perdura durante o processo eleitoral, da fase das convenções

até a realização das eleições’, só se podendo falar em legitimidade

até a realização das eleições’, só se podendo falar em legitimidade

concorrente após a proclamação dos resultados do pleito. (

concorrente após a proclamação dos resultados do pleito. (

) )

Demais

Demais

disso, o acolhimento da tese do recorrente, de que haveria legitimidade

disso, o acolhimento da tese do recorrente, de que haveria legitimidade

concorrente entre os partidos e a coligação da qual fazem parte,

concorrente entre os partidos e a coligação da qual fazem parte,

implicaria esvaziamento do próprio conceito de coligação, qual seja,

implicaria esvaziamento do próprio conceito de coligação, qual seja,

funcionar

funcionar

como

como

se

se

fosse

fosse

um

um

único

único

partido

partido

(Resp

(Resp

21.346,

21.346,

de

de

9.9.2003, Rel. Min. Peçanha Martins – grifos no original).

9.9.2003, Rel. Min. Peçanha Martins – grifos no original).

No mesmo sentido, são precedentes os Recursos Especiais Eleitorais

No mesmo sentido, são precedentes os Recursos Especiais Eleitorais

n. 25.033, de 10.3.2005, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros e 22.107, de

n. 25.033, de 10.3.2005, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros e 22.107, de

11.11.2004, Rel. Min. Caputo Bastos e o Agravo de Instrumento no

11.11.2004, Rel. Min. Caputo Bastos e o Agravo de Instrumento no

Recurso Especial Eleitoral n. 2.158, 17.10.2000, Rel. Min. Garcia Vieira.

Recurso Especial Eleitoral n. 2.158, 17.10.2000, Rel. Min. Garcia Vieira.

Sobre a unicidade da figura eleitoral que se forma com a coligação

Sobre a unicidade da figura eleitoral que se forma com a coligação

de partidos, Weber de Moura Agra pondera:

de partidos, Weber de Moura Agra pondera:

12 12

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O

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Supremo Tribunal Federal

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Voto - MIN. CÁRMEN LÚCIA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 19 de 190

MS 30.260 / DF

MS 30.260 / DF

(

(

) )

É da essência da coligação que ela funcione como uma

É da essência da coligação que ela funcione como uma

única

única

agremiação. Desde quando coligados, os partidos políticos

agremiação. Desde quando coligados, os partidos políticos

abdicam da sua própria individualidade, para formação de um só ente,

abdicam da sua própria individualidade, para formação de um só ente,

não podendo haver diferenciação que forneça tratamento privilegiado a

não podendo haver diferenciação que forneça tratamento privilegiado a

qualquer das agremiações que dela fazem parte.

qualquer das agremiações que dela fazem parte.

A coligação não é um simples amontoado de partidos políticos,

A coligação não é um simples amontoado de partidos políticos,

mas

mas

a

a

junção

junção

de

de

dois

dois

ou

ou

mais

mais

que

que

fazem

fazem

um

um

só,

só,

ainda

ainda

que

que

provisoriamente. Lourival Serejo afirma que a temporariedade é a

provisoriamente. Lourival Serejo afirma que a temporariedade é a

característica maior das coligações. Paralelamente a essa, deve-se

característica maior das coligações. Paralelamente a essa, deve-se

também, afirmar que a unicidade jurídica da coligação é outra de suas

também, afirmar que a unicidade jurídica da coligação é outra de suas

características.

características.

Esse

Esse

fator

fator

de

de

unicidade

unicidade

da

da

coligação

coligação

é

é

determinado

determinado

expressamente pela lei, ao afirmar que deve funcionar como um só

expressamente pela lei, ao afirmar que deve funcionar como um só

partido no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato de

partido no relacionamento com a Justiça Eleitoral e no trato de

interesses interpartidários. Esta idéia se corrobora na representação da

interesses interpartidários. Esta idéia se corrobora na representação da

) )

coligação. Ela é suprapartidária (

coligação. Ela é suprapartidária (

Como as coligações representam grupo de partidos, constituídos

Como as coligações representam grupo de partidos, constituídos

em

em

um

um

só,

só,

cabe

cabe

a

a

elas

elas

velar

velar

pelos

pelos

interesses

interesses

das

das

agremiações

agremiações

componentes. Ademais, pela própria formação da coligação, perdem os

componentes. Ademais, pela própria formação da coligação, perdem os

partidos políticos individualmente a legitimidade para propor ações

partidos políticos individualmente a legitimidade para propor ações

eleitorais típicas. (

eleitorais típicas. (

funcionará

funcionará

apenas

apenas

) )<