CARTILHA SOBRE SAÚDE DO TRABALHADOR

FIQUE DE OLHO PARA NÃO ENTRAR NUMA FRIA!

CARTILHA PARA TRABALHADORES DE FRIGORÍFICOS

Pró-Reitoria de Extensão da Unioeste Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado em Educação Campus de Cascavel Curso de Enfermagem Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos – AP-LER
Apoio e financiamento:

Programa de Apoio à Extensão Universitária PROEXT 2007 – MEC/SESu/DEPEM

Produzido pela Unioeste (Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado em Educação; Curso de Enfermagem), Campus de Cascavel e Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos – AP-LER Organização: Neide Tiemi Murofuse (Unioeste / Enfermagem) Georgia Sobreira dos Santos Cêa (Unioeste / Mestrado em Educação) Manoela de Carvalho (Unioeste / Enfermagem) Laerson Vidal Matias (AP-LER) Rejane Rodrigues da Silva (Unioeste / Técnica-Administrativa) Danieli Cristina Scalco (PIBIC/CNPq/Unioeste) Luciana Aparecida Soares (PIBIC/CNPq/Unioeste) Kelly Ribeiro (Unioeste / Acadêmica de Enfermagem) Ilustração: Arivonil Policarpo Pereira Apoio e financiamento: Programa de Apoio à Extensão Universitária PROEXT 2007 – MEC/SESu/DEPEM Diagramação: Antonio da Silva Junior Tiragem: 20 mil exemplares Julho / 2008
Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Educação. Mestrado de Educação Cartilha sobre a saúde do trabalhador : fique de olho para não entrar numa fria : cartilha para trabalhadores de frigoríficos / Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Mestrado de Educação, Curso de Enfermagem, Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos; organização de Neide Tiemi Murofuse [et al.]; ilustração de Arivonil Policarpo Pereira. – Cascavel : Gráfica Universitária - Unioeste, 2008. 44 p. ISBN: 978-85-7644-134-2 1. Doenças profissionais - Fatores de risco 2. Acidentes de trabalho 3. Higiene do trabalho 4. Segurança do trabalho 5. Trabalhadores - Saúde e higiene I. Curso de Enfermagem II. Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos III. Murofuse, Neide Tiemi IV. Pereira, Arivonil Policarpo V. T. CDD 20. ed. 613.62
Ficha Catalográfica elaborada por: Marilene de Fátima Donadel CRB 9/924

U58c

Índice

Apresentação ................................................................................. 05 Para quem é esta cartilha? ............................................................ 07 O que é saúde do trabalhador? ..................................................... 07 O trabalho e a saúde do trabalhador ............................................. 09 Características da organização do trabalho em frigoríficos ......... 12 Efeitos negativos do trabalho em frigoríficos sobre a saúde do trabalhador ................................................................................ 21 Acidente de trabalho ................................................................. 24 Tipos de acidente de trabalho ................................................. 25 As Lesões por Esforços Repetitivos - LER ............................... 27 Como reagir nos casos de LER? ............................................. 28 O que se passa com um trabalhador que fica doente por causa do trabalho? ................................................ 31 Assédio moral ........................................................................... 32 Os direitos dos trabalhadores à saúde no trabalho ...................... 35 Palavras finais ................................................................................ 39 Referências bibliográficas ............................................................. 41

dias. educação e saúde: formação permanente de profissionais e usuários da saúde pública”. . e membros da Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos (AP-LER de Cascavel).Apresentação A idéia desta cartilha nasceu de um encontro de grupos diferentes: de pesquisadores da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) que estudam processos de trabalho. só foi possível graças a sua aprovação pelo Programa de Apoio à Extensão Universitária do Ministério da Educação (MEC). do curso de Enfermagem. anos de sua vida ao trabalho. educação e saúde e de militantes de movimentos sociais que lidam diariamente com trabalhadores que ficam doentes por causa de processos de trabalho organizados em função da lucratividade. Esse encontro foi possível por causa do projeto de extensão “Trabalho. integrada ao Sistema Único de Saúde. incluindo a publicação desta cartilha. e não da dignidade das pessoas que produzem e dedicam horas. coordenado pelo Programa de PósGraduação stricto sensu em Educação da Unioeste e que envolveu professores e alunos do Mestrado em Educação. em 2007. esta cartilha espera contribuir com os trabalhadores e com a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST). Um dos objetivos do Projeto foi contribuir com a qualificação dos usuários da saúde. O desenvolvimento deste projeto. especialmente aqueles que ficam doentes por causa das condições de trabalho. Assim.

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7 Para quem é esta cartilha? Esta cartilha é voltada para os trabalhadores. Por isso. ficando doente por causa do processo de trabalho nesse setor da economia. Boa leitura! O que é saúde do trabalhador? Saúde do Trabalhador é um campo do conhecimento que estuda as relações entre o trabalho e o processo de saúde/doença. Em muitos ambientes nos frigoríficos a temperatura é muito fria. espera-se que esta cartilha possa alertar os trabalhadores de frigoríficos sobre os riscos e ameaças à sua saúde e sobre seus direitos de trabalhador. . em especial aqueles que atuam em frigoríficos. Mas ninguém precisa “entrar numa fria” para toda vida. crescem rapidamente os casos de trabalhadores de frigoríficos que ficam doentes por causa do processo de trabalho que envolve a criação. No oeste do Paraná. o abate e o processamento de animais. Pode-se dizer que os animais recebem mais cuidado e atenção nos frigoríficos do que os próprios trabalhadores. Os animais abatidos são mais bem tratados do que os homens vivos que produzem alimentos para milhões de pessoas.

Mas quando não há prevenção e o trabalhador começa a ficar doente. mas quem ficar doente não pode perder o direito de continuar vivendo.8 Trabalhador é toda pessoa que exerce uma atividade de trabalho. pois. E os principais agentes dessas mudanças devem ser os próprios trabalhadores. sem prejuízo salarial. ninguém precisa ficar doente por causa do trabalho. A maior preocupação daqueles que estudam a Saúde do Trabalhador é contribuir para que o trabalho deixe de ser um espaço de sofrimento dos trabalhadores. os trabalhadores são sujeitos que podem e devem interferir na realidade. é preciso ter muita atenção com as condições de trabalho que podem adoecer os trabalhadores e com as melhores formas de prevenir doenças. estando empregado numa empresa ou trabalhando por conta própria para manter seu sustento. Os estudiosos sobre Saúde do Trabalhador e os militantes que participaram da elaboração desta Cartilha também entendem que é preciso mudar as condições de trabalho para que o trabalhador tenha sua saúde preservada. Para isso. aqueles que se preocupam com a Saúde do Trabalhador visam orientar os trabalhadores sobre como buscar e garantir os seus direitos e continuar sobrevivendo. Afinal. Mas é preciso que eles saibam como fazer isso. . por causa das condições de seu trabalho. antes de serem vítimas do processo de trabalho.

aceleração do ritmo da produção. Os trabalhadores contratados produzem valores muito maiores do que as quantias que recebem como salário. especialmente quando ganham muito dinheiro com a riqueza produzida por outros. É o caso da grande maioria dos empregadores. muitas mudanças são feitas no processo de trabalho: novas formas de organização. etc. indústrias e outros estabelecimentos empresariais. Assim. aumento da jornada. Para que os empregadores possam acumular cada vez mais da riqueza produzida pelos trabalhadores.9 O trabalho e a saúde do trabalhador Na sociedade em que vivemos. e nem sempre os trabalhadores são beneficiados com isso. introdução de máquinas mais modernas. Todas essas alterações têm por objetivo aumentar a produtividade e diminuir os custos de produção. . mais riqueza é produzida. Boa parte dessa diferença vai constituir a riqueza dos proprietários das empresas. alguns poucos conseguem viver muito bem.

e atualmente.10 Os salários não aumentam na mesma medida que os lucros das empresas e. mas o trabalhador fica doente do mesmo jeito. os casos de trabalhadores doentes passaram a aumentar. muitos trabalhadores perderam dedos. essa violência é oculta. ficaram doentes e até morreram por causa das ferramentas. Antes. lá por volta do século XVIII. menos visível (RIBEIRO. a violência que o processo de trabalho industrial causava era mais explícita. Começam a aparecer “doenças invisíveis”. . 1999). a automação e o aumento do ritmo e da intensidade do trabalho. máquinas e do tipo de serviço que realizavam. em muitos casos. Muitos trabalhadores morreram. mãos ou braços. em que o “machucado” não aparece. ficaram mutilados ou incapazes para o resto da vida por causa de acidentes que sofreram no exercício do trabalho. principalmente com a informatização. Há muito tempo trabalhadores ficam doentes por causa da forma como o trabalho é organizado. as mudanças no processo de trabalho acabam trazendo danos à saúde dos trabalhadores. Quando começa a industrialização. A partir do século XX. os trabalhadores passaram a ter doenças mais difíceis de serem relacionadas com o trabalho. Por exemplo: nos séculos XVIII e XIX. mais visível.

são: frigoríficos.248 toneladas de carne de frango só para países estrangeiros (SINDIAVIPAR. p. a partir desse período. 2007). Em 2007 o sucesso do setor frigorífico se repetiu (IBGE. 2002. formam juntos o maior pólo de produção e abate de aves do mundo (DONDA Jr.11 No Brasil. 2007). que aparece como o maior produtor de carnes do Brasil. as LER “respondem por 70% das doenças relacionadas ao trabalho”. segundo o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde do Brasil (BRASIL. junto com o oeste de Santa Catarina. . o Paraná foi recordista nas exportações e produção de frango de corte no Brasil: foram vendidas 751. Os quatro setores em que mais ocorrem doenças. 6-7) informa que o grande número e a gravidade das doenças resultantes do processo de trabalho fazem com que as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) sejam tratadas como uma epidemia. p. supermercados. 2000. Em 2006. 61-62). Um desses setores – o frigorífico – é destaque no estado do Paraná. 1 Jornal O Globo. No Brasil. por exemplo. indústria de calçados e telemarketing (O GLOBO1 . O sudoeste e o oeste do Paraná. apud Unb Clipping. edição de 07 abr.. muitos trabalhadores passaram a ser vitimados por doenças e por constrangimentos no local de trabalho. 2005. 2007).

Por que? Características da organização do trabalho em frigoríficos Há muitos tipos de frigoríficos e o principal objetivo do trabalho ali realizado é receber o animal vivo. organizada na forma de frigoríficos. em diferentes turnos. totalizando 35 empresas. Mas toda essa importância econômica do setor frigorífico na região oeste do Paraná tem um custo humano muito alto: milhares de trabalhadores estão ficando doentes. “o segmento de abate de aves é o maior empregador da região. frigoríficos e abatedouros de suínos. cinco dias por semana. o destaque é para a indústria processadora de carne de aves. dentro e fora do ambiente de trabalho. bovinos e aves. p. inteiro. com 13. perdendo sua saúde e adquirindo lesões que afetam toda a sua vida. Essa importância no desenvolvimento regional demonstra o grande potencial das indústrias frigoríficas para a geração de emprego e renda (DONDA Jr. e processar cada uma das suas partes até ficarem prontas para a comercialização e o consumo.12 No oeste do Paraná. As grandes empresas frigoríficas costumam funcionar 24 horas por dia. com oito unidades de processamento.84% da mão-de-obra industrial”. Os frigoríficos geralmente abatem e processam carnes de aves. Segundo o IPARDES (2003. suínos e bovinos.. em 12 deles há cooperativas. Em . que tem 50 municípios. p. Entre estas. 54). 63-64). 2002.

Cada parte dos animais abatidos é chamada de peça. são recebidos vivos e depois são abatidos e encaminhados para as outras etapas da produção. E não é só isso! Muitos trabalhadores atuam em locais fora dos frigoríficos. 2) Evisceração dos animais: são retiradas as vísceras dos animais e eles são preparados para serem cortados em diferentes partes. onde os animais são criados e tratados até a hora de estarem prontos para o abate. Cada uma dessas etapas é dividida em vários setores. como incubatórios e granjas. Dentro dos frigoríficos há outros setores. envolvendo milhares de trabalhadores na produção.13 geral. . 4) Estocagem e expedição: as peças dos animais são estocadas e despachadas para as empresas que comercializam alimentos industrializados. o processo de trabalho em frigoríficos se divide em quatro grandes etapas: 1) Preparação do animal para o processamento: os animais. em vários setores. tratados em granjas e incubatórios. como a lavanderia e a higienização. As peças dos animais saem do espostejamento já embaladas e pesadas e depois são encaminhadas para a estocagem. 3) Espostejamento e embalagem: os animais são cortados em peças.

14 O ritmo. o trabalhador permanece em pé durante todo o processo e por muito tempo. Em grandes frigoríficos de aves são abatidos cerca de 8 mil frangos por hora. Outro. Para dar conta das peças paradas na esteira. 2 Jornal Valor Econômico. em cada carrinho!). coluna. vários depoimentos de trabalhadores de empresas frigoríficas informam sobre algumas características da organização do trabalho nos frigoríficos e que atingem a saúde dos trabalhadores. o trabalhador faz tudo bem mais rápido ou diminui o tempo da pausa e o intervalo das refeições. por exemplo). Trabalho estático. o trabalhador tem que encher quase 32 carrinhos com 30 bandejas cheias de ovos (mais de 2 mil. É muito trabalho mesmo! Em estudo realizado por Finkler (2007). por exemplo. set. tempo total em que as aves são abatidas e processadas. Num incubatório. / 2007. Em um dos maiores frigoríficos de bovinos do Brasil são abatidas 3 mil cabeças de bois por dia. movimentando apenas partes do corpo (braço direito ou esquerdo. cada trabalhador tem que dar conta de retirar as vísceras de 10 frangos por minuto. abate 7 mil porcos por dia2 . Na maioria dos setores. No setor de evisceração. envolvendo 18 etapas que duram cerca de 50 minutos. todos os dias. . a velocidade e a quantidade de coisas para serem feitas podem levar ao acúmulo de trabalho: aí acontece o “vareio”. de suínos. Trabalho intenso e rápido.

jogar e carregar animais ou parte deles. levantar.. vem o vareio e ele tem que . Para não comprometer a qualidade da peça. Em muitos setores as atividades envolvem movimentos que devem se repetir intensamente como. montar caixas. o trabalhador tem que estar o tempo todo atento. Nem sempre o trabalhador consegue acompanhar o ritmo das esteiras. é preciso muito cuidado para não perder peças com fraturas de ossos ou contaminar com bílis ou restos de fezes. e quando colocadas em caixas para serem transportadas. Repetitividade de movimentos. O pessoal que trabalha com facas deve ter mais atenção ainda.. por exemplo. o trabalhador tem que “agüentar o tranco”! Necessidade de atenção. Na evisceração de animais. cortar. etc. o trabalhador tem que manusear. abaixar e levantar o tempo todo. o trabalhador deve dar conta de tratar cada peça em um minuto e meio! E vem mais na esteira! Sobrecarga de trabalho.. cortar e carimbar peças. Algumas peças são muito pesadas. erguer e abaixar os braços. vacinar animais. No refile de suínos. segurar. separar..15 Exigência de grande esforço físico. Em muitos setores. E aí. puxar. catar ovos. Se bobear.

menos quando tem visitas e inspeção nas empresas. Aí os frangos desfilam na esteira mais devagarinho. os demais devem acelerar o ritmo e cumprir as metas de produção. A esteira sempre corre bastante.. Na caixaria. Isso exige rapidez. por exemplo. O ritmo de trabalho depende da velocidade das esteiras que levam as peças até os trabalhadores.16 “dançar” rapidinho! Caso falte algum trabalhador. Todo o maquinário funciona num ritmo que é ditado pelas metas de produção.. . Velocidade de trabalho controlada por esteiras. um trabalhador abastece as máquinas com folhas de papelão que pesam quase 40 quilos e tem que fazer umas 15 mil caixas por dia ou 14 caixas de peças por minuto. Ritmo de trabalho ditado pela máquina. força e agilidade para não acumular peças e não atrasar a produção.

o trabalhador não consegue nem utilizar as pausas destinadas para idas ao banheiro: uma pausa de 5 minutos a cada quatro horas. Em muitas ocasiões.17 Extensão da jornada de trabalho. nem se fala! Falta de tempo para a satisfação das necessidades fisiológicas. . o ritmo e a intensidade da produção não dão tempo nem para as pausas: idas ao banheiro e tempo livre de almoço. Muitas vezes. nem pensar! Quando tem vareio. então. por causa do ritmo da produção.

porém. também. Cada caixa pesa quase 15 quilos e a meta é de 45 toneladas por dia! Na higienização. Muitas atividades exigem força para serem realizadas. o trabalhador tem que segurar mangueira. Na lavanderia. por causa do teto de zinco. Há lugares muito frios.18 Trabalho pesado. vai colocar peito de frango o dia inteiro na balança.. Num frigorífico. o trabalhador deve carregar montes de quase 100 Kg de roupas sujas e colocar dentro da máquina. rodo e balde de até 20 litros. a temperatura do ambiente de trabalho pode variar bastante. a temperatura pode chegar a 45 º no verão. tem outras coisas que incomodam bastante . Exposição a variação de temperaturas.. Mas. Exposição a ambientes insalubres. no inverno o frio é intenso. Na embalagem. Além da variação da temperatura.. Um peito de frango parece bem leve. como. depois de classificar e passar plástico nas bistecas. Quem trabalha na câmara fria. quando sai para o almoço sente aquele “baque”! Tem ambiente de trabalho em que o termômetro marca 7º. por exemplo. o trabalhador deve colocálas em caixas que são empurradas para a esteira.. mas o termômetro fica no teto e a peça congelada que está na mão do trabalhador tem menos de 0º! Nos galpões. há outros lugares muito quentes.

. luva de aço e braçadeira. sentir cheiros desagradáveis. eles geralmente são pesados. permanecer em locais úmidos. É tanta coisa.. não cabem direito nos corpos dos trabalhadores. Sem falar no peso da peça que tem que ser segurada. Peso e desconforto dos equipamentos de proteção individual (EPIs). ficar em posições incômodas.. Tudo isso junto dá quase 3 kg.. .. As botas e luvas só ficam no tamanho certinho do trabalhador em dias de inspeção. Engraçado isso. ficar o dia inteiro com a barriga encostada na calha gelada. Tem trabalhador que usa luva de lã..19 o trabalhador: mexer com cloro e amônia. incômodos e. luva de plástico. às vezes. Embora existam equipamentos de proteção. dificultando a movimentação e aumentando ainda mais a sobrecarga do trabalho. respirar pó que vem do contato com os animais nas granjas e incubatórios.

. Chega-se a utilizar a cronometragem do tempo. por meio da comparação entre o tempo gasto por cada trabalhador nas atividades. Tem faca tão afiada que parece gilete! O que tem de gente que se corta.20 Instrumentos de trabalho. Em sua maioria. .. Estas. que também serve de estímulo para a competitividade entre funcionários. Tem grampeadora. os instrumentos de trabalho são muito perigosos. Nos frigoríficos. Supervisão e controle do ritmo de produção. máquina de fita durex. então. carimbos.. vacinadora. chaira para afiar as facas. O trabalho é sempre fiscalizado e quem fiscaliza exige rapidez de quem está na linha de produção para que as metas sejam atendidas e superadas. há muita pressão e cobrança para aumentar a produção. são as mais perigosas..

trabalho intenso. Se o seu trabalho tem essas características e você está ficando doente por causa delas. as denúncias sobre as condições de trabalho eram tantas que um juiz mandou fechar um frigorífico porque. que exige esforço e atenção. o que ali se produzia era um “exército de trabalhadores acidentados e doentes”3 . fique atento e continue lendo esta cartilha com atenção!!!!!!! Efeitos negativos do trabalho em frigoríficos sobre a saúde do trabalhador Em Mato Grosso. pesado. é comum a ocorrência de faltas ao trabalho. no Brasil. perigoso. elevado ritmo de trabalho. pressão por produtividade. o chamado absenteísmo. Ufa! Pelo tipo de trabalho desgastante que se realiza nos frigoríficos. estático.21 Trabalho desgastante. principalmente. a Justiça tem obrigado alguns grandes frigoríficos a criarem pausas para descanso e 3 Repórter Brasil. rápido. A situação está tão grave que. Abate de milhares de animais por dia. repetitivo. As faltas se devem. 2007. desconfortável.. a problemas de saúde e esgotamento físico e mental.. segundo ele. .

Dorsal 6. Ombro esquerdo 4. não adianta fazer ginástica laboral e freqüentar os centros de fisioterapia.22 diminuírem a jornada de trabalho. Ombro direito 5. P u n h o e m ã o es q u er d a 1 . C a b eç a 2. Lombar inferior 8. sem redução dos salários. A melhor forma de cuidar da saúde do trabalhador é mudar a organização e o processo de trabalho. J u n t a / A n t e b r a ç o d ir e it o 5 . P u n h o e m ã o d ir e it a 6 . J u n ta / A n te b r a ç o e s q u e r d o 7 . Veja: Frente Costas Fr e n t e 1 . Lombar superior 7. Ombro direito 3. Se isso não acontece. No Rio Grande do Sul. C e r v ic a l Costa s 3. C a b eç a 2 . foi realizada uma pesquisa integrada sobre saúde do trabalhador avícola que estudou os tipos de dores desses trabalhadores e as partes do corpo que mais estão sujeitas às doenças resultantes do trabalho. como forma de prevenção de doenças. Base da coluna e nádegas . Ombro esquerdo 4 .

a ntebra ç os. sensação de asfixia Bursite Miosites Síndrome do túnel do carpo Reumatismo Lombalgia Dorsalgia Hérnia cervical P r o t u s ã o d is c a l Discopatia Bico de papagaio Me m b r o s i n f e r i o r e s P a r te do c or po a tingida A r tr o s e Ti p o d e m a n i f e s t a ç ã o I n s u f ic iê n c ia m it r a l Doenças do rim e trato urinário Ou tr o s ó r gã o s Hipertensão Doenças do aparelho r e s p ir a t ó r io Eestressee Coluna v ertebra l Me n t e Depressão Síndrome do pânico . bronquite. p e r d a d a energia. in f e c ç ã o o u d o e n ç a do rim. que restringem movimentos Dores na região lombar Dores nas costas Lesão de discos da coluna. ureter e uretra P r e s s ã o a lt a I nflamação nas amígdalas. gripe Estado de tensão que causa desequilíbrios no organismo e n a m e n te Mudanças extremas no c o m p o r ta m e n to . a n s ie d a d e . m e d o . Entre as mais freqüentes estão as seguintes: P a r te do c or po a tingida Ti p o d e m a n i f e s t a ç ã o Manchas na face Ca beç a e rosto Redução da visão Dor no ouvido Labirintite Tenossinovite Tendinite Epicondilite Me m b r o s s u p e r i o r e s (d e d o s . asma. ombros) O que é? Vermelhidão e marcas. na região do pescoço Lesão de discos da coluna A lt e r a ç õ e s n o s d is c o s in t e r v e r t e b r a is F o r m a ç ã o ó s s e a n a c o lu n a v e r te b r a l Doenças nas articulações O que é? Tipo de problema cardíaco I n f la m a ç ã o . bexiga. bra ç os. muitas v e z e s c a u s a d a s p e lo f r io Dificuldade para enxergar Dores. p u n h o s . diminuição do ânimo Freqüentes e inesperadas crises d e p â n ic o . desconforto. inflamações Tonturas. na faringe. desequilíbrio I n f la m a ç ã o d o t e c id o q u e r e v e s te o s te n d õ e s I n f la m a ç ã o d o s t e n d õ e s I n f la m a ç ã o d a s e s t r u t u r a s d o c o t o v e lo I n f la m a ç ã o d a s b u r s a s (pequenas bolsas que se situam e n tr e o s o s s o s e te n d õ e s d a a r t ic u la ç ã o d o o m b r o ) I n f la m a ç ã o d o s m ú s c u lo s C o m p r e s s ã o d o n e r v o m e d ia n o n a a lt u r a d o p u n h o Dores nas articulações.23 No estudo de Finkler (2007). trabalhadores de frigoríficos relataram sobre as atividades que realizam e lesões e doenças que os atingem. palpitação. c otov elos.

24 Quando se comprova que essas doenças são resultados do tipo de atividade realizada. elas são chamadas de doenças do trabalho. . Para fins legais. os efeitos negativos do trabalho sobre a saúde dos trabalhadores são tratados como se fossem acidentes de trabalho. ACIDENTE DE TRABALHO: Acidente de trabalho é aquele que acontece quando você está indo ou voltando do local de trabalho ou durante o tempo em que você realiza seu serviço.

intoxicação pelo uso de produtos muito fortes. cortes.. . A perda ou diminuição da capacidade de trabalho pode ser por um curto tempo (temporária) ou pelo resto da vida (permanente). TIPOS DE ACIDENTE DE TRABALHO: . É preciso ficar atento!!!!!!! Um acidente de trabalho pode causar lesão corporal. Qualquer trabalhador pode sofrer um acidente de trabalho: trabalhador com carteira assinada. queimaduras..25 Existem muitas formas de acidentes de trabalho: dores. cortes ou mutilações. alergias. levar um tombo no local de trabalho. Mas só o trabalhador que contribui com a Previdência Social pode continuar recebendo seu salário. por exemplo. em forma de auxílio doença. ou mesmo causar a morte do trabalhador. sem carteira assinada. doenças. prejudicar o funcionamento do corpo e da mente.Acidente típico: É quando acontece um acidente no momento em que você está trabalhando. caso tenha que ficar afastado do trabalho por causa do acidente que sofreu. sofrer queimaduras.. trabalhador autônomo. Se você se machucar ou se ferir. terá sofrido um acidente típico. amputações.. explosões.

sofrer algum acidente com o veículo (pode ser um ônibus. . Se você sentir dores constantes por causa do tipo de trabalho que executa (repetição de movimentos. por exemplo) ou se apresentar sofrimento psíquico (estresse. carregar peso.26 . as Lesões por Esforços Repetitivos (LER) são os principais motivos de adoecimento dos trabalhadores. Por exemplo: se você for atropelado. terá sofrido um acidente de trajeto. . seu carro ou da empresa). depressão. cair de bicicleta.Acidente de trajeto: É quando acontece um acidente no caminho de casa para o trabalho ou do trabalho para a casa. Nos frigoríficos. etc) terá uma doença do trabalho.Doença do trabalho: A doença de trabalho é aquela adquirida ou desencadeada por causa das condições especiais em que o trabalho é realizado e que tenha relação direta com ele. síndrome do pânico.

choques. formigamento. Assim. continuados. . braços). e podem perturbar o sono e dificultar a realização de tarefas comuns (carregar objetos. calor localizado. o trabalhador deve ficar afastado do trabalho para tentar se recuperar e evitar que as lesões se agravem. perda de força. escovar os dentes. antebraços. etc. dos ambientes e da organização do trabalho. os sintomas geralmente melhoram com o repouso. Essas doenças são causadas pelas exigências das tarefas. No início. Assim que esses sintomas aparecem. rápidos e intensos. sensação de peso. etc. os sintomas continuam por várias horas após o término da jornada de trabalho. mãos. joelhos. Alguns sintomas das LER são: dor.). que acabam obrigando o trabalhador a executar movimentos repetitivos. coluna e membros inferiores (quadril. tornozelos. tendões. durante um longo período de tempo. pernas. Com o passar do tempo. punhos. vasos e nervos dos membros superiores (dedos.27 AS LESÕES POR ESFORÇOS REPETITIVOS: As LER formam um conjunto de doenças que podem atingir músculos. pescoço. pentear cabelos. inchaços. fisgadas. é importante diagnosticar se o trabalhador tem ou não LER. Eliminar a causa das doenças é o mais importante para o tratamento da LER. descascar alimentos. abotoar roupas. pés).

segundo o Código de Ética Médica.. É comum que os médicos peçam muitos exames. a AP-LER ou preencha a CAT você mesmo! É bom que a CAT seja preenchida por pessoas que conhecem o problema e lhe orientem corretamente! Esse é o primeiro passo para a garantia dos seus direitos. Peça esclarecimentos sobre a consulta e o resultado dos exames. inchaços. volte à empresa e peça para que seja preenchida a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).). perda de força. etc. como você trabalha. choques.. fisgadas. É dever de todo médico respondê-las.28 COMO REAGIR NOS CASOS DE LER? 1) Aos primeiros sintomas (dor. o sindicato. calor localizado. procure o médico. É seu direito! 2) Pergunte ao médico sobre o diagnóstico... Pergunte o que quiser ao médico e tire todas as suas dúvidas. formigamento. você deve procurar imediatamente um médico. Desconfie. sensação de peso. Um bom médico examina muito bem o paciente antes de pedir exames complementares. Um bom médico deve perguntar o que você sente. . Se a empresa se negar a fazer isso. Se o médico disser que se trata de LER. quando e como os sintomas começaram.

uma coluna. mas pertencem a você e você pode ter acesso a esses documentos. Nem sempre o diagnóstico é feito corretamente. Médicos de empresas e de convênios dificilmente dão diagnóstico de LER: acabam recomendando um curto afastamento do trabalho e não pedem ao trabalhador que procure a empresa para fazer a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).29 3) Se você precisar de tratamento. É um ser humano inteiro. fisioterapia. imobilização de membros. Será perda de tempo e você não vai melhorar. O médico não pode fazer isso! . inclusive para o departamento pessoal de sua empresa. Você não é só uma mão. Se o médico negar isso. Não adianta nada fazer o tratamento numa parte do dia e trabalhar do mesmo jeito na outra. Preste atenção se você está se sentindo melhor com o tratamento. 4) É muito importante que durante o tratamento você se afaste de sua função ou a realize de outra forma. Essas coisas ficam com o médico. O tratamento pode incluir medicações. pode até piorar! 5) Tudo o que for anotado nas consultas e todos os exames vão fazer parte do seu prontuário. Mas só você pode dizer para outras pessoas o que está acontecendo com você. um braço. que sente no corpo e na mente. 6) Só seu médico e você podem conhecer o seu diagnóstico. estará ferindo o Código de Ética Médica. veja se ele é de boa qualidade e está dando resultado.. O que importa é que você sinta que está sendo tratado como pessoa..

Não tenha medo de dizer honestamente se ainda sente dores ou se melhorou. Sem esse código. o seu médico deve fazer um relatório e enviar para a perícia do INSS explicando o motivo de você precisar ficar afastado por mais tempo. que se chama CID (Classificação Internacional de Doenças). Ele é a primeira prova de que você não está bem de saúde. o seu médico deve lhe dar um atestado. não tem como o INSS reconhecer sua doença como um acidente de trabalho.30 7) Se você precisar ficar afastado do trabalho. Isso é ilegal. Os médicos da empresa (que consultam ou fazem seus exames) não podem agir como peritos do INSS. No atestado deve estar escrito o número do código da doença. a perícia do INSS irá lhe autorizar a receber o auxílio-doença acidentário. 9) Se você precisar ficar afastado do trabalho por mais de 15 dias seguidos. Sua empresa deve aceitar esse documento. caso seja comprovada sua incapacidade para o trabalho. no final desse tempo você deverá voltar ao INSS para passar pela perícia médica. . 10) A partir do 16º dia seguido do seu afastamento. 8) Se você precisar se afastar do trabalho por até 15 dias seguidos. O mais importante é a sua saúde.

O QUE SE PASSA NA VIDA DE UM TRABALHADOR QUE FICA DOENTE POR CAUSA DO TRABALHO? É muito difícil para um trabalhador ter que admitir que o seu trabalho está retirando sua saúde. todo mundo já passou por isso. A empresa não aceita. peça esclarecimentos e ajuda a quem conhece seu problema. sempre que sua saúde correr riscos. sempre que tiver dúvidas ou problemas para continuar saudável ou se tratar. passam por situações novas e desagradáveis no ambiente de trabalho que pioram seu estado de saúde e afetam as condições emocionais do trabalhador. você terá estabilidade no emprego por um ano. a família nem sempre entende. a rotina da vida muda. quando começam a se tratar ou retornam do afastamento médico. Sofrer um acidente de trabalho ou ficar doente por causa do trabalho é uma situação muito desgastante. Se a perícia do INSS afastar você por acidente ou doença do trabalho. Em muitas situações. A AP-LER é um bom local! Lá. E esse tempo só começa a contar depois que você tiver alta e voltar a trabalhar! 12) Se em algum momento você se sentir ameaçado. o pessoal sabe das dificuldades e está sempre disposto a ajudar outros trabalhadores.31 11) Você não pode ser demitido enquanto estiver afastado do trabalho para tratamento. os amigos duvidam das dores. os trabalhadores que têm LER. Às . As dificuldades são grandes...

perder 4 Sobre assédio moral foram consultados Home Assédio Moral e Cartilha ANDES. palavras. atos. O assédio moral faz o trabalhador sentir-se um ninguém. Essas experiências trazem prejuízos práticos (perder o emprego. Os amigos passam a olhar para o trabalhador de uma maneira diferente. os risos. menosprezado. As situações humilhantes podem incluir: comportamentos. inferiorizado. constrangido pelo outro. envergonhado. ASSÉDIO MORAL4 : A humilhação resultante do assédio moral faz com que o trabalhador se sinta ofendido. ficando magoado. os chefes querem testar sua capacidade. Ao contrário. revoltado.32 vezes. por inúmeras vezes. os comentários e as conversas nem sempre são de boas-vindas. indignado e com raiva. e mesmo coisas escritas que afetem emocionalmente o trabalhador. os olhares. é porque está ocorrendo o que se chama de “assédio moral”. o trabalhador é recebido com mais frieza do que um animal num frigorífico! Quando as situações humilhantes e constrangedoras passam a ocorrer repetidamente. inútil. o trabalhador que tem LER passa por situações humilhantes e constrangedoras durante a jornada de trabalho. . rebaixado. perturbado. A humilhação causa dor e sofrimento. sem valor. gestos. sentindo-se traído.

sem ser avisado com antecedência. fazendo com que ele se sinta isolado do grupo. Ter os horários e os turnos de trabalho mudados. Preste atenção a algumas situações que podem significar assédio moral. que fazem as mesmas funções. Ser obrigado a realizar tarefas que podem prejudicar ainda mais a saúde do trabalhador. Ser acusado de erros no trabalho que não foram cometidos. Receber ordens impossíveis de serem cumpridas. ridicularizado. por exemplo) e emocionais para o trabalhador. Ser encaminhado para novas tarefas sem receber instruções ou treinamento. Mas também acontece de colegas de trabalho. sem explicações.33 amigos. além de fazê-lo perder sua auto-estima. • • • • • • . inferiorizado. esses colegas rompem os laços de amizade com a vítima e viram também agressores. Ficar na “geladeira”. supervisão e chefia. Geralmente as situações de humilhação partem de pessoas que exercem funções de vigilância. caso elas aconteçam muitas vezes: • Receber instruções confusas que podem atrapalhar o desenvolvimento do trabalho. sem receber nenhuma tarefa para realizar. como se o trabalhador fosse um inútil. e passe a se sentir indesejado pelos colegas. imitarem as ações e atos do agressor no ambiente de trabalho. Por medo ou vergonha de também serem humilhados.

o trabalhador pode passar a viver situações como depressão. etc. • Ser agredido e humilhado por alguém apenas quando o trabalhador e a pessoa agressora estão a sós. síndrome do pânico.34 Ser ignorado pelas outras pessoas. • Receber advertências e punições por causa de atestados médicos e reclamação de direitos. explicações das atitudes dele. tremores. Como o trabalhador deve reagir no caso de assédio moral? • Resista: anote numa folha as humilhações. • Ficar proibido ou ser vigiado enquanto está no banheiro. • Ser assunto de boatos maldosos e de calúnias. O afeto e a • . • Ser vigiado por outros colegas que não exercem função de supervisão na empresa. insônia. • Receber ameaças de violência. e procure a ajuda dos colegas. Quando o assédio moral acontece. dores no estômago. amigos e colegas. como se o trabalhador não estivesse no local de trabalho. Além de ter que conviver com a dor física. Fique com cópia da carta enviada ao setor de recursos humanos da empresa e da eventual resposta do assediador. • Receber críticas na frente de todo mundo e ser motivo de brincadeiras de mau gosto. o trabalhador ainda sofre com o clima afetivo negativo do ambiente de trabalho. • Sentir-se forçado a pedir demissão ou ser transferido de setor só para ficar isolado. angústia. • Evite conversar com a pessoa que o humilhou e exija. eestressee. com detalhes. por escrito. • Busque apoio na família.

É impossível saber quem pode ou não ficar doente por causa do processo de trabalho. Assédio moral é crime! Por isso. principalmente quando os trabalhadores se organizam e lutam coletivamente pelos seus direitos. Os direitos dos trabalhadores à saúde no trabalho Com o aumento de trabalhadores doentes por causa do tipo e do ambiente de trabalho. Nem todos os trabalhadores apresentam doenças em função do trabalho que realizam nos frigoríficos ou passam por situações humilhantes. É preciso saber que direitos esses trabalhadores podem ter. E é difícil identificar quando o assédio moral está ocorrendo..35 solidariedade ajudam a recuperar a auto-estima e a dignidade.. A denúncia é a melhor forma de se proteger do assédio moral. muitas mudanças nas leis ocorrem. Mas a incidência de trabalhadores doentes (no corpo e na mente) tem sido cada vez maior. Denuncie o caso ao sindicato ou à Associação dos Portadores de LER (AP-LER). Conheça alguns dos direitos dos . O constrangimento ilegal está no artigo 146 do Código Penal Brasileiro com pena de detenção de 3 meses a 1 ano ou multa.

36 trabalhadores que têm LER ou sofrem algum outro tipo de acidente de trabalho: Fazer a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT): Todo acidente de trabalho é registrado pela primeira vez numa CAT. . ele tem direito a receber seu salário pelo INSS. Se a empresa se negar a preencher a CAT. Se isso não for feito. Estabilidade no emprego: Se o trabalhador sofrer um acidente de trabalho. a CAT deve ser entregue no INSS. A empresa paga os 15 primeiros dias da licença médica. O trabalhador afastado para tratamento médico por causa de acidente ou doença do trabalho não pode receber menos do que o salário mínimo. ele tem garantia de continuar no emprego por mais um ano (12 meses). fica difícil comprovar que as condições de trabalho estão fazendo o trabalhador ficar doente. Auxílio-doença acidentário: Se o trabalhador tiver que ficar afastado do trabalho para tratamento de doença por mais de 15 dias. o sindicato. o INSS paga o restante (92% do salário de contribuição do empregado). a AP-LER ou preencha a CAT você mesmo! Depois disso. Esse tempo passa a ser contado quando terminar sua licença médica (maior do que 15 dias) ou parar de receber o auxílio-doença acidentário. lembre-se: procure o médico.

ele tem direito à reabilitação profissional para aprender a realizar outra função. O auxílioacidente é pago a partir da alta médica. que não prejudique sua saúde.37 Reabilitação profissional: Se após o tratamento o trabalhador não puder mais realizar as mesmas atividades de antes do acidente ou doença do trabalho. ele tem direito a receber 100% do salário de contribuição. Quando isso acontece. precisar mudar de função. que é dada quando termina o processo de reabilitação profissional. O atendimento ao trabalhador é feito nos Centros de Reabilitação Profissional – CRP’s do INSS. Aposentadoria por invalidez acidentária: Às vezes. Auxílio-acidente: Quando o trabalhador não puder mais realizar as mesmas tarefas que desempenhava antes do seu adoecimento e. por causa disso. até a sua aposentadoria. . na mesma empresa. o acidente ou doença do trabalho é tão sério que o trabalhador fica incapaz para o trabalho pelo resto da vida. Todo mês o trabalhador tem direito a receber 50% do salário de contribuição (o INSS é que faz o cálculo). ele tem direito ao auxílio-acidente.

Se o trabalhador morrer num acidente de trabalho. Em várias situações o trabalhador pode receber uma indenização. 5 Panazzolo. . os prejuízos materiais e morais do trabalhador que sofrer um acidente ou ficar doente por causa do trabalho. o valor da indenização do trabalhador será proporcional à sua limitação para o trabalho. terá direito a receber um valor correspondente ao seu salário pelo resto da vida. desde que seja comprovada a culpa do empregador: . . A indenização é um tipo de pagamento em dinheiro que visa compensar. 1998. em alguma medida. .Se o trabalhador ficar inválido e tiver que se aposentar.38 Direito à indenização5 : Todo trabalhador que é vítima de acidente ou doença do trabalho pode buscar seus direitos na Justiça e ser indenizado.No caso de invalidez parcial. sua família terá direito a receber um valor correspondente ao salário que ele receberia em vida.

p. O sucesso da RENAST depende muito do “grau de informação dos cidadãos responsáveis por exercer o controle social e que têm o compromisso de zelar para que essas ações sejam executadas na direção de preservar o direito dos brasileiros e brasileiras garantidos na Constituição Cidadã de 1988” (BRASIL. em 2002 foi criada a Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador (RENAST). Estes trabalhadores têm sido vítimas de acidentes e doenças do trabalho e precisam se dar conta dos riscos à sua saúde e de saber como agir nos casos em que ela estiver ameaçada. . Mas isso só pode acontecer se os próprios trabalhadores conhecerem o que lhes causa mal no ambiente de trabalho e como exigir tratamento adequado e garantia de seus direitos. É preciso identificar os setores e as empresas que têm produzido trabalhadores doentes e mudar as condições de trabalho. Esta cartilha espera contribuir com os trabalhadores. A maioria dos trabalhadores utiliza o serviço público de saúde. 2007. Mas o prejuízo maior é causado na vida do trabalhador e da sua família.Palavras finais O Ministério da Saúde está cada vez mais preocupado com os casos de trabalhadores que estão ficando doentes por causa da forma como os processos e os ambientes de trabalho estão organizados. 7). Assim. e não é justo que os gastos com a saúde pública aumentem pelo fato de que vários trabalhadores estejam ficando doentes por causa de situações que poderiam ser evitadas. especialmente aqueles que trabalham em empresas do setor frigorífico. integrada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

40 Nenhum direito é conquistado sem luta e sem organização. Espera-se que a cartilha possa ajudar você: FIQUE DE OLHO PARA NÃO ENTRAR NUMA FRIA! E NÃO ESQUEÇA: É PRECISO MUITA LUTA E ORGANIZAÇÃO PARA TER UMA VIDA SADIA NO TRABALHO! Se precisar.Centro – Cascavel – PR Telefone: (45)3035-2083 . busque orientações na AP-LER / Cascavel: Rua Souza Naves. sala 407 – Edificio Lince – 4º andar . 3983. É por isso que a Unioeste e a AP-LER são parceiras na elaboração e divulgação deste material.

SUS. 2002. BRASIL. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção). 421-436. FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO. Manual de Gestão e Gerenciamento. 2002. Protocolo de Investigação. BATISTA. mai. Coordenação de Saúde do Trabalhador. UFPel. Paulo Sergio. Roberto Leme.assediomoral. Fatores influentes no processo de escolha da localização agroindustrial no Paraná: estudo de caso de uma agroindústria de aves. Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior. Universidade Federal de Santa Catarina. GERVAISEAU. São Paulo. Maria Benigna Arraes de Alencar. UFRGS. 2006. . Secretaria de Políticas de Saúde. Assédio Moral no trabalho. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. In: TUMOLO. Maringá: Práxis. 2007. Pesquisa integrada saúde do trabalhador avícola: saúde do trabalhador. Diagnóstico. Florianópolis.Referências ANDES. 2008. Departamento de Gestão de Políticas Estratégicas. Anna Luisa. Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador. Acesso em: 30 abr. 2008. Neide Tiemi. (Graduação em Enfermagem) . Tratamento e Prevenção de LER/DORT. Slides. Trabalho de Conclusão de Curso. Brasília : 2000. Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Assédio moral – Cartilha. BRASIL. 2007. BARRETO. Trabalho.org/site/assedio/ AMconceito. 2006. Orientador: Neide Tiemi Murofuse. FTIA. Georgia Sobreira dos Santos.pdf>. Alberto. DONDA JÚNIOR. condição de dignidade e de direitos. Margarida. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS. Acesso em 13 abr.php>.br/bvs/publicacoes/ManualRenast06.Universidade Estadual do Oeste do Paraná. MUROFUSE. CÊA. FINKLER. p. 141 f. Associação dos Portadores de LER (AP-LER) na luta pelos direitos dos trabalhadores de frigoríficos do oeste do Paraná. Disponível em: <http://www. Disponível em: < http://bvsms.saude. RENAST.gov. economia e educação: perspectivas do capitalismo global. Ministério da Saúde. 2008. A relação entre os problemas de saúde dos trabalhadores e o processo de trabalho em frigoríficos.

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Campus de Cascavel e Associação de Portadores de Lesões por Esforços Repetitivos – AP-LER Organização: Neide Tiemi Murofuse (Unioeste / Enfermagem) Georgia Sobreira dos Santos Cêa (Unioeste / Mestrado em Educação) Manoela de Carvalho (Unioeste / Enfermagem) Laerson Vidal Matias (AP-LER) Rejane Rodrigues da Silva (Unioeste / Técnica-Administrativa) Danieli Cristina Scalco (PIBIC/CNPq/Unioeste) Luciana Aparecida Soares (PIBIC/CNPq/Unioeste) Kelly Ribeiro (Unioeste / Acadêmica de Enfermagem) Ilustração: Arivonil Policarpo Pereira Apoio e financiamento: Programa de Apoio à Extensão Universitária PROEXT 2007 – MEC/SESu/DEPEM Diagramação: Antonio da Silva Junior Tiragem: 20 mil exemplares Julho / 2008 ISBN 978-85-7644-134-2 . Curso de Enfermagem).Produzido pela Unioeste (Programa de Pós-Graduação em Educação – Mestrado em Educação.

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