INÊS DE CASTRO

Escolhe o tema do índice abaixo. 1. INÊS DE CASTRO 2. INÊS DE CASTRO – A história 3. INÊS DE CASTRO N’OS LUSÍADAS (C. III, 118-135)

INÊS DE CASTRO
Inês de Castro é uma figura da história de Portugal tomada inúmeras vezes como tema de várias obras literárias, não só na literatura nacional, como também na de outros países. A Inês de Castro histórica era filha de um fidalgo galego, D. Pedro Fernandes de Castro. Foi uma das damas que acompanharam D. Constança quando esta veio para Portugal para casar com D. Pedro, futuro D. Pedro I, filho de D. Afonso IV. Este apaixonou-se por D. Inês, de quem teve filhos, e, segundo algumas fontes, declarou ter casado com ela, secretamente, já após a morte de D. Constança. O amor de D. Pedro e D. Inês suscitou forte oposição por motivos de ordem política. Temia-se que D. Fernando (filho de D. Pedro e D. Constança) fosse afastado do trono, tornando-se herdeiros da coroa os filhos de D. Inês. Por esse motivo, D. Afonso IV, pressionado pelos seus conselheiros, mandou executar Inês. Esta história de amor trágico tem sido tema de obras teatrais, narrativas e líricas que abordam, em maior ou menor grau, quer o fundo psicológico de Inês, quer o conflito de que ela é centro. Como fonte mais próxima dos acontecimentos, os escritores que a ela se referiram tinham as crónicas de Fernão Lopes e Rui de Pina, entre outros. A primeira aparição dos amores de D. Inês na literatura dá-se com as Trovas à Morte de Inês de Castro, de Garcia de Resende, no Cancioneiro Geral de 1516. Nelas, Inês, no Inferno, lamenta a tristeza da sua sorte, advertindo as mulheres para os perigos do amor. No entanto, é com Os Lusíadas, de Luís de Camões, que se constitui o mais influente fundo lírico do episódio de D. Inês de Castro, a «linda Inês», tal como surge no canto III. Muitas das referências a espaços, como os

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um dos aspectos fecundos da lenda é o da coroação de Inês. Inês. e nomeadamente nos dramas históricos de Henrique Lopes de Mendonça (A Morta) e António Patrício (Pedro. nas suas hesitações quanto à sorte a dar à mulher do seu filho. Enquanto personagem. mas também entre o povo. No século XVIII. dos meios de contar a sua história. sendo de notar uma crescente atenção à figura de D. No século XVII. Com o Romantismo. acentuando os aspectos sentimentais.INÊS DE CASTRO campos do Mondego. os amores de D.sapo. o fundo sentimental dos amores trágicos do par destes amantes respondia também ao gosto do público. O Cru). Inês de Castro (1723). procuraram investigar. e à figura dos carrascos surgem pela primeira vez neste poema. como parte integrante da história nacional. celebrizou a história de Inês em toda a Europa. podem indicar-se exemplos como os dos poetas Ruy Belo. O espanhol Jeronimo Bermudez escreveu a Nise Lacrimosa. A universalidade e intemporalidade do tema do amor puro (que sobrevive à morte. Pedro e D. não só na literatura erudita (com os árcades Manuel de Figueiredo e Reis Quita). Também Bocage lhe dedicou uma cantata. e com ela D. já morta. Pedro.no. Afonso IV. aumentou o interesse pelos factos históricos associados ao episódio. aproveitava precisamente os amores de D. que. Inês. No entanto. Ao longo dos séculos. explorando aspectos da lenda. Após o Romantismo.pt/ines_de_castro. Mais recentemente. do francês Houdar de la Motte. Inês de Castro tem assumido características diferentes de acordo com o autor e a época em que os textos são produzidos. como foi o caso de D. Inês de Castro. com algum rigor. Miguel Torga ou Natália Correia. é o símbolo do amor inocente e infeliz. na literatura portuguesa. Em Portugal. O historicismo que caracteriza este período reflecte-se. Pedro. com o teatro de cordel. e já no século XX. Francisco Manuel de Melo. A influência da obra de Camões. Escritores portugueses escreveram também sobre o tema em castelhano. a primeira tragédia clássica portuguesa. Mesmo a nível internacional. http://strutas. no caso de D. pois. Inês uma resistência ao tempo e possibilitado uma actualização permanente. como tema nacional. entre outros. quer pelo seu fatalismo. as pessoas e factos históricos. em geral. Alexandre Herculano e Oliveira Martins. que persegue e executa barbaramente os seus carrascos). Pedro. na literatura então escrita sobre o tema. dando particular atenção ao conflito interior de D. têm garantido à figura de D. a união com Espanha proporcionou um maior contacto cultural entre os dois países. por D. quer pela sua localização na época medieval. em termos estéticos. com os Sonetos a la Muerte de D. Inês popularizaram-se. Mais do que uma personagem. persistindo em todo o século XX. o tema persistiu vivamente numa literatura de carácter nacionalista e saudosista. e o da vingança cruel do rei. que opunha o indivíduo à sociedade (corporizada no Estado e em Afonso IV). dentro e fora de Portugal. com La Reine Morte. Em 1587.htm (2 of 5)19-05-2004 23:02:53 . Inês foi sendo enriquecida com inúmeros outros pormenores. alguns escritores têm recorrido a Inês de Castro como tema das suas obras. a tragédia da morte inocente face à mesquinhez dos interesses humanos. quer pelo conflito. Pedro. a história de D. era editada A Castro. contribuíu em muito para firmar Inês de Castro como uma das suas personagens mais férteis. Disso é exemplo o escritor existencialista francês Henri de Montherlant.

de António Ferreira (tragédia). Inês de Castro do reino. a um. pelas costas. Inicialmente. de António Lopes Vieira.sapo. Pedro vingou a morte de D. Inês inspirou poetas. Reza. compositores e artistas plásticos. Afonso IV. publicadas no Cancioneiro Geral. a lenda que D. mandou matar aqueles conselheiros.INÊS DE CASTRO Topo INÊS DE CASTRO – A história O Infante D. de quem tinha três filhos. Inês. Inês à corte. Afonso IV tentou pôr fim a tal relação. continuando a manter contacto com D. agora viúvo.Inês. mantendo. o Rei D. Esta. D. fez regressar D. em Portugal e no estrangeiro.Inês foi morta pelos conselheiros (Diogo Lopes Pacheco. Mais tarde. pelo peito. no entanto na fronteira espanhola. Inês de Castro.Afonso IV e os seus conselheiros viam. III. D. A situação agravou-se quando D. Dada a ascendência castelhana de D.Pedro numa caçada. A reabilitação da figura de D. Quando subiu ao trono. referida em Os Lusíadas . aproveitando a ausência de D. executando de modo cruel os ex-conselheiros do seu pai. de Coimbra para o mosteiro de Alcobaça. contra ordem expressa de seu pai. por ordem do Monarca. Camões foi um dos escritores a celebrar a lenda.Inês rainha depois de morta. e ainda as célebres Trovas à Morte de D. a outro.htm (3 of 5)19-05-2004 23:02:53 . A trágica história de D. Constança morreu. quando D.Constança. no entanto. O terceiro conseguiu refugiar-se em Castela. Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves). nesta relação..Pedro (1230-1367) era casado com D. de Garcia de Resende. um potencial perigo para a independência nacional. Inês completou-se com a transferência do seu cadáver. Pedro.Pedro coroou D.pt/ines_de_castro. 118-135) http://strutas.Pedro I subiu ao trono.Inês. Diz a lenda que retirou o coração. expulsando D. Pedro. numa cerimónia que se revestiu de uma imponência nunca presenciada em Portugal. Inês de Castro na Poesia e na Lenda. Topo INÊS DE CASTRO N’OS LUSÍADAS (C. D. o rei D. D. uma ilícita relação amorosa com D. dramaturgos. ainda. na altura refugiados em Espanha.no. Pedro e D. De entre a vasta lista de obras que tratam o tema destacam-se Castro . Em Coimbra.

pt/ines_de_castro. Inês não tem defesas para além das suas súplicas. Foi imortalizado pelo Poeta em dezoito estâncias de intenso lirismo. Existe um contraste entre os actos do Rei militar. que combateu pela Fé. ledo e cego.htm (4 of 5)19-05-2004 23:02:53 . D. mas porque as vozes do povo assim o exigem. que determina a sua morte. As lágrimas correm dos olhos piedosos (125.2) de Inês. mas onde pudesse criar os frutos de tal amor. Mas levantam-se uma vez mais as vozes do povo. Como a Tragédia grega tem presente a Fatalidade. Em jeito de conclusão. o episódio da morte de Inês de Castro é o drama amoroso mais conhecido em Portugal e além-fronteiras. Afonso IV está à beira do perdão. O seu desenvolvimento tem nas palavras de D.1) da donzela. acompanhando o desenrolar da situação. coberto de glória. o Terror. servem para mais cruelmente marcar o engano da alma.no. o Amor. Pedro I. Inês e de D. (120. perpetuando a fatalidade numa fonte pura (135. não tem outras armas a não ser as lágrimas para mover a piedade de tão ferozes carrascos. Com tais considerações sobre o Amor. o Destino. a Piedade e o Coro.INÊS DE CASTRO Elevado a mito nacional. A descrição das lembranças felizes de D. O narratário é o Rei de Melinde. É barbaramente executada. dos momentos de alegria que partilhavam. o poeta faz a introdução do episódio. Camões mostra a própria Natureza entristecida diante do crime.sapo. Por eles. que recordará para sempre tais Amores. O Destino cruel de Inês está decidido. num acto cobarde. a exigir o sacrifício. ainda que a estrutura usada seja semelhante à dos textos dramáticos. Topo http://strutas. A donzela frágil e indefesa é levada por brutos algozes à presença do Rei inflexível. comparado pelo poeta a outros assassínios terríveis que povoaram as tragédias gregas. Inês propõe ao Rei partir para longe de quem ama. a justificação do motivo da morte de Inês de Castro. chorando a morte escura (135. desafiando dessa forma a linha do seu destino. Afonso IV. e o que quer agora levantar a mesma espada contra uma donzela inocente. sendo fatalmente castigada com a morte. que o Poeta recria com os seus comentários.3) de onde correm lágrimas em vez de água. que pede clemência pelos filhos pequenos. Não é por fraqueza de carácter ou pura crueldade que o faz.3) e acentuar o contraste com o seu fim trágico. herói que regressara vitorioso da batalha do Salado. A própria personagem obedece perfeitamente ao cânone clássico: ama quem lhe é vedado. O narrador deste episódio é Vasco da Gama.

pt/ines_de_castro.INÊS DE CASTRO http://strutas.no.htm (5 of 5)19-05-2004 23:02:53 .sapo.

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