Natanael Rinaldi: “„A Grande Esperança‟ ou mais uma heresia?


PUBLICADO EM 12 DE MAIO DE 2012, POR LEANDROQUADROS POSTADO EM: A VERDADE SOBRE OS ADVENTISTAS, DEBATES

INTRODUÇÃO O pastor e apologista Natanael Rinaldi, um dos maiores combatentes do adventismo no Brasil, publicou em 25 de março de 2012, no site do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), uma entrevista intitulada “„A Grande Esperança‟ ou mais uma heresia?” Nela, o autor faz comentários negativos sobre o projeto evangelístico da Igreja Adventista em distribuir, gratuitamente, cerca de 160 milhões de cópias do livro A Grande Esperança em todo mundo. O material é uma edição condensada da obra atualmente intitulada O Grande Conflito, publicada pela primeira vez em 1888. Um dos objetivos da igreja Adventista do Sétimo Dia com a distribuição massiva do livro, é mostrar às pessoas que a volta de Jesus é a única ―bendita esperança‖ (Tt 2:13) para um mundo mergulhado no sofrimento e afogado pelas tragédias existenciais. Porém, isso não mereceu destaque da parte de Rinaldi. Ao final das considerações sobre o adventismo e o livro A Grande Esperança, o responsável pelo artigo recomenda aos seus leitores: “[...] Dispensemos o livro A Grande Esperança se alguém nos quiser presentear com ele”. Por que ele desaconselhou a leitura desse livro, que é o resumo de uma importantíssima obra de Ellen White que influenciou positivamente a vida de muitas pessoas? Há várias razões para isso e não irei me deter em todas elas, por que posso cair no erro de julgar as pessoas sem conhecer suas reais intenções (Cf. Mt 7:1, 2).

Porém, uma razão fica evidente: desacreditar a obra de Ellen White e ―vacinar‖ os cristãos contra o adventismo, considerado por ele uma ―seita‖ herética que faz dos escritos de Ellen White uma ―segunda Bíblia‖. Esta breve resposta analisará algumas afirmações do referido artigo assinado por Natanael Rinaldi, com base em fontes primárias, não consultadas ou não devidamente compreendidas por ele. Se o leitor quiser maiores informações sobre o projeto ―A Grande Esperança‖, e desejar fazer o download gratuito do livro para compartilhar com outros amigos, para que conheçam A Grande Esperança da Volta de Jesus, poderá acessar o site http://agrandeesperanca.com.br Para que nosso amigo internauta tenha acesso ao mais poderoso argumento em favor do livro O Grande Conflito e do projeto ―A Grande Esperança‖, basta clicar aqui e assistir ao testemunho do querido irmão Marcos Alexandre Martins que, apesar de possuir uma síndrome rara e que lhe trouxe certas limitações, foi poderosamente usado por Deus para levar o evangelho à psicóloga dele, dando a ela de presente o livro O Grande Conflito. Essa história já seria suficiente para desmerecer o artigo de Rinaldi e provar que o conselho dado por ele, para que as pessoas ―dispensem‖ o livro A Grande Esperança, não vem de Deus. Porém, vamos apontar as distorções do referido autor, na esperança de que ele pelo menos reconheça o próprio erro em fazer mau uso de fontes primárias (no pouco que as usou), mesmo que não concorde com as doutrinas distintivas adventistas. ELIMINANDO DISTORÇÕES O documento publicado pelo CACP apresenta pelo menos cinco distorções que teriam sido evitadas, se o apologista estivesse realmente familiarizado com fontes primárias, aquelas reconhecidamente oficiais, publicadas por uma das editoras da Igreja Adventista do Sétimo Dia. A primeira das discrepâncias foi a afirmação de que a obra A Grande Esperança ―se trata de um livro no qual foram formuladas as doutrinas adventistas elaboradas como um credo, com o título ‗Nisto Cremos‘‖. Bastaria uma simples leitura do livro supracitado para ver que o Nisto Cremos não se constitui num credo adventista, e sim num resumo das principais ―crenças adventistas numa estrutura organizada‖[1] Os editores da referida obra esclareceram: ―Não escrevemos este livro para que servisse como um credo – ou declaração de doutrinas montadas sobre concreto teológico. Os adventistas possuem apenas um credo: ‗A Bíblia, e a Bíblia somente‘‖.[2] Além disso, desde os primórdios do movimento adventista, os pioneiros se opunham fortemente a qualquer estabelecimento de credo que pudesse atrapalhar as pessoas de expandir a mente para o estudo da Bíblia. Se Rinaldi tivesse familiarizado com o livro Portadores de Luz: História da Igreja Adventista (Imprensa Universitária Adventista, 2009), dos historiadores Richard Schwarz e Floyd Greenleaf, págs. 92, 160, 161, 607 e 645, saberia que, desde o início do movimento

. e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas. saberia que. aquecer alimentos naquele clima era desnecessário para a saúde. na visão dele.. Sendo que os adventistas aquecem a comida nesse dia. eles não necessitavam de fogo a não ser para cozinhar. para Ellen White e os adventistas. ela é tendenciosa e até mesmo absurda. tendo como base a época Israelita. no mínimo.] Se nossa salvação dependesse de nossos próprios esforços não nos poderíamos salvar. acender fogo é uma atividade extremamente simples. . a conclusão ―lógica‖ de Rinaldi é que eles não guardam o sábado como professam. Ele baseia essa falsa alegação no texto de Êxodo 35:3. estarão no céu: ―Mas os cristãos das gerações passadas observaram o domingo. Em nosso contexto atual. teria evitado tamanha distorção em seu artigo. se Rinaldi realmente conhecesse o livro O Grande Conflito. pois. Além do mais. de modo que cozinhar alimentos naquele contexto traria um esforço tremendo. para elas. White no livro Atos dos Apóstolos.adventista. Por mais ―lógica‖ que essa afirmação parecer. O apologista poderia ter informado seus leitores que ―Antigamente. que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. onde a autora adventista afirma: “[. de caminhar distâncias consideráveis para conseguir lenha. de modo que avaliar o comportamento adventista atual. acender fogo requeria esforço considerável‖[5]. em alguns momentos. não excetuando a comunhão católica romana. apontam ―a guarda do sábado como meio de ganhar a vida eterna no entendimento da escritura Ellen Gould White‖. As pessoas teriam.”[3] (Grifo acrescentado). observando-o de modo contrário ao que os escritos de Moisés ensinam. Essa falsa alegação poderia ter sido evitada se o autor tivesse lido a citação da Sra. diante dos fascinantes avanços tecnológicos. Naquele contexto. e viveram de acordo com a luz que receberam. é. supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico. e não tinham isqueiros ou palitos de fósforos que facilitassem um trabalho que. Desse modo. estariam. muitos observadores do domingo que foram sinceros. pois. algo irresponsável da parte de Rinaldi. Outro deslize pode ser percebido na afirmação de que as menções ao sábado. em que os Israelitas moravam no deserto e eram alimentados milagrosamente com o chamado maná (veja Ex 16). carente de recursos tecnológicos. mas ela depende de Alguém [Jesus Cristo] que está por trás de todas as promessas. ao longo das páginas de A Grande Esperança. que orienta o povo de Israel e não acender fogo ―em nenhuma de suas casas no dia de sábado‖ (NVI). nunca adotamos credos formais. se tornava árduo e que atrapalhava o adorador em seu repouso no sétimo dia. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade‖[4] A terceira afirmação infundada é a de que os adventistas não observam o sábado como orienta a Bíblia.

Afinal. não citou pelo menos um livro de um observador do domingo protestante. 2) se soubesse da existência desse livro. Será que isso desobrigaria tais apologistas de serem obedientes a Deus? Afinal. como se pode na carta apostólica de João Paulo II. clique aqui. Lc 10:38-42). assim como Maria. ―cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus‖ (Rm 14:12). irmã de Marta (Cf. publicado em castelhano em 2009 pela Asociación Casa Editora Sudamericana (Argentina). 18) O esforço dos adventistas em obedecer a Deus é tão óbvio que em sua literatura denominacional há material instrutivo para a dona de casa. sendo que na sexta-feira Deus enviava o pão do céu (maná) em dobro (Ex 16:22-24). At 16:13. para que eles não tivessem o trabalho de recolhê-lo no sábado. devemos fazer o nosso melhor Os adventistas se esforçam para fazer a vontade de Deus com a ajuda da graça dEle (Fp 2:13) e. que esteja preocupado com a maneira como o primeiro dia é observado em sua respectiva igreja. isso não justificaria a rejeição do preceito por parte dos apologistas. sem as atividades domésticas rotineiras (Cf. que acusa aos adventistas de não guardarem o sábado. digamos que Rinaldi tenha razão em afirmar que os adventistas não observam o sábado segundo a Bíblia. não haveria necessidade de aquecer outro tipo de alimento por que eles já tinham o bastante para passarem o dia todo em espírito de adoração – e bem alimentados. Ex 20:11) ―disputem‖ o mesmo espaço com o Salvador. Para ler esta carta. Mas. Curioso é que Natanael Rinaldi. Em seu livro Estaré lista para el Sábado: Guía del ama de casa para lograr que el viernes sea el día más aliviado de la semana. Rinaldi poderia ter evitado seu falso julgamento (Mt 7:1. o catolicismo está à frente dos demais observadores do domingo. passar mais tempo de qualidade com a família e para realizar atividades religiosas próprias para esse dia (Mt 12:12. a obrigação moral de Natanael Rinaldi e de outros críticos é com o Criador e “Senhor do Sábado” (Is 58:13) ou com os adventistas? Se os adventistas fossem negligentes com a observância do quarto mandamento. intitulada ―Dies Domini‖. . por exemplo. mesmo não sendo perfeitos. Jo 5:17. Mesmo sendo falhos. aprender a desfrutar do sábado ao lado do Senhor Jesus. Paulo Sergio Batista. fazem o seu melhor para separar o sábado para se relacionarem por mais tempo com o Criador. Lc 4:16. Yara Cerna Young fornece dicas muito práticas para que as observadoras do sábado passem mais tempo com o Salvador. de 31 de maio de 1998. Nisso. outro autor que propaga ―mitos‖ sobre o adventismo. como também alega o Pr.Além disso.

primeiro grande crítico do adventismo e autor do rancoroso livro Seventh-day Adventism Renounced (Repúdio ao Adventismo do Sétimo Dia). Sabendo disso. incluindo atividades comerciais de compra e venda (Nee 13:15-22). Voltando à afirmação infundada de Rinaldi onde ele afirma que o mandamento do sábado não foi repetido no Novo Testamento. no capítulo intitulado ―Desprezo ostensivo pelo quarto mandamento‖. e tornar o nosso estilo de vida agradável a Ele em todos os aspectos. por fazer parte do estilo de vida dele. nas págs. ao invés de justificar-se no comportamento dos outros. Isso não é de admirar por que os apologistas brasileiros que combatem o adventismo plagiam uns aos outros e. que. Isso prova definitivamente que o sábado não era observado por Paulo apenas por que ele era judeu.A Bíblia diz que no dia santo o cristão deve adorar a Deus (Lv 23:3). A quarta discrepância é a afirmação de que ―não há um só mandamento de guardar o sábado no Novo Testamento e nem Jesus ordenou a guarda do sábado‖. Esse argumento Rinaldi pegou emprestado de Ricardo Pitrowsky. saberia que uma análise sintática. 164 e 165 (Santo André. É mais honesto consigo mesmo reconhecer que está transgredindo a Lei de Deus. propagam os ―mitos‖ e fantasias a respeito do adventismo. o leitor poderá ser tentado a pensar se Natanael Rinaldi observa com seriedade o domingo. exegética e linguística comprova que o termo grego sabbaton (―sábados‖) . SP: Casa Publicadora Brasileira. mas. plagiou Dudley Marvin Canright. Com ajuda de Deus estou conseguindo comprovar isso em minha dissertação de Mestrado. publicado pela primeira vez em 1889. por sua vez. autor de o O Sabatismo à Luz da Palavra de Deus (publicado em 1925). Apenas quando somos sinceros em reconhecer o quanto somos pecadores. publicada pela Andrews University Press em 2008. Na referida entrevista publicada pelo CACP. realizado por Ron du Preez. Se Rinaldi tivesse lido a obra Judging the Sabbath: Discovering What Can‟t Be Found in Colossians 2:16. 1965) provou que no Novo Testamento são mencionadas pelo menos 90 reuniões religiosas no dia se sábado. Ap 3:20). consequentemente. é que Deus ganha licença para atuar em nosso coração (Cf. Além de demonstrar desconhecimento da teologia bíblica da aliança. que. coloca os mandamentos como parte do estilo de vida dos salvos (Hb 8:10). deixando de lado todo trabalho secular (Ex 20:8-11). mesmo sendo conhecedor da resposta de Arnaldo Benedicto Christianini a esse argumentado plagiado de Canright. o autor não informou aos seus leitores que Christianini. o articulista se utiliza de Colossenses 2:16 para alegar que essa e outras festividades ―eram restritas aos judeus e não devem ser guardadas por nós Cristãos que vivemos dentro da nova aliança‖. em seu livro Subtilezas do Erro. seguindo essas diretrizes bíblicas. e espero concluí-la em breve. mesmo em territórios pagãos (At 16:13). e que precisamos desesperadamente da graça de Cristo. longe de tirar a Lei de Deus da experiência da vida cristã. Rinaldi não considerou o mais recente estudo adventista sobre os ―sábados‖ em Colossenses 2:16. percebe-se que.

As festas religiosas chamadas de ―sábados‖ nesse texto são especificamente os três festas cerimoniais conhecidas como Trombetas. Na igreja de Colossos. Seus escritos.. seriam suficientes para o apologista evitar mais essa distorção. sobre o dom de profecia na vida e obra de Ellen White. assim como Natã e Gade (1Cr 29:29) e que.em Colossenses 2:16 está vinculado ao texto de Oseias 2:11. 18). e comprovasse se realmente o adventismo tem os escritos de Ellen White como uma ―segunda Bíblia‖. Expiação e anos Sabáticos. todavia. no capítulo ―Nossa única segurança‖. 21-23). Cl 2:18. e dos capítulos 13 e 14 do Conselhos Para a Igreja. sem que o leitor pudesse ter a oportunidade de ler todo o texto como consta no livro original. por exemplo. os escritos de Ellen White ―tornam claro que a Bíblia é a norma pela qual deve ser provado todo ensino e experiência‖[7] Ou seja: os adventistas creem que o dom profético dado a Ellen White é autorizado por que sua autoridade vem Espírito Santo (1Co 12:11. Natanael Rinaldi não permitiu que o leitor pensasse por si mesmo. O Salvador estava deixando de ser o centro da experiência religiosa deles e era essa a grande preocupação do apóstolo Paulo. Depois de afirmar que os escritos de Ellen White ―são uma contínua e autorizada fonte de verdade [. a crença fundamental adventista é clara em dizer que. que Ellen White apresenta a Bíblia como autoridade suprema. Rinaldi desconsiderou esse contexto. não de Ellen White. a crença fundamental 18 é clara ao mostrar que os escritos de Ellen White são testados pela Bíblia e nunca o contrário. 78. essas três festas religiosas estavam sendo observadas no contexto sincretista religioso e herético daqueles dias (Cf. mas.. com base na sintaxe hebraica e grega. Se o articulista tivesse feito uma leitura responsável do livro A Grande Esperança.]‖. longe de acrescentar doutrinas à Palavra de Deus. A quinta afirmação insustentável é fruto de uma leitura tendenciosa da crença fundamental número 18 dos adventistas do sétimo dia. têm uma função bem diferente: levar as pessoas de volta às verdades das Escrituras. e não os próprios escritos: . Se os apologistas fizessem o devido uso de fontes primárias. elaborou um estudo sério. At 2:17. Além disso. que tratada de três tipos de festas cerimoniais dos hebreus. ela é subordinada à Bíblia. p. Preez não chegou a essa conclusão de maneira irresponsável. veriam que os adventistas consideram Ellen White uma profetisa não canônica. que não condiz com aquilo que os adventistas realmente acreditam. mesmo tendo autoridade profética (por receber tal dom do Espírito). teria visto nas páginas 64 e 65. Uma simples leitura de Primeiros Escritos. com o auxílio de eruditos da atualidade[6] (mesmo sendo observadores do domingo) e de comentários bíblicos reconhecidos no âmbito acadêmico. seguida de uma interpretação pessoal. No artigo publicado pelo CACP há apenas parte da citação que se encontra na página 276 do livro Nisto Cremos. desconsiderando assim que Cristo era Aquele a quem tais festas apontavam (Cl 2:17).

com. Pelo menos nisso. a não ser aqueles que se fortaleceram com as verdades da Bíblia. poderá resistir no último grande conflito [. Consequentemente.]‖[8] Se ao invés de não recomendar a leitura do livro A Grande Esperança Rinaldi tivesse pelo menos o lido atentamente. Entretanto... que comprometem seriamente a própria credibilidade dele como apologista diante do público evangélico e dos membros da igreja a qual pertence.]” (Grifos acrescentados).. como padrão de todas as doutrinas e base de todas as mudanças [. teria tido mais uma fonte primária em seu auxílio. PALAVRAS FINAIS Ninguém é obrigado a concordar com todas as crenças adventistas. na permanência de dúvidas.“Somos encaminhados à Bíblia como a proteção contra o poder ilusório do mal [. e a Bíblia somente.. apesar de o adventismo possuir crenças distintivas (com as quais ele não concordava).] Ninguém.br .leandroquadros. não teria publicado cinco discrepâncias tão evidentes. ―é perfeitamente possível de ser um Adventista do Sétimo Dia e ser um verdadeiro seguidor de Jesus Cristo [. entrevistar a liderança da igreja adventista para comprovar. ele concluiu que.. www. Depois de entrevistar a liderança da igreja adventista. de fato. fundador do Instituto Cristão de Pesquisas nos EUA. se eles realmente pregam heresias que contradigam as crenças ortodoxas do cristianismo.] Mas Deus terá um povo que mantém a Bíblia.. o mínimo que um pesquisador deveria fazer é ir a fontes primárias e. Natanael Rinaldi e os demais apologistas brasileiras poderiam imitar o exemplo do apologista Walter Martin...

por volta do século III a. ██ expansão máxima dos celtas. por volta do século VI a. a enciclopédia livre. Nota: Para Celta.Celtas Origem: Wikipédia.C. Distribuição diacrônica dos povos celtas:: ██ núcleo do território Hallstatt. ██ área lusitana da península ibérica onde a presença dos celtas é incerta ██ as "seis nações célticas" que mantiveram um número significativo de falantes celtas na Idade Moderna ██ áreas onde as línguas celtas continuam a ser faladas hoje Tópicos indo-europeus Línguas indo-europeias Albanês · Anatólio · Armênio Báltico · Céltico · Dácio · Germânico Grego · Indo-Iraniano · Itálico · Frígio Eslavo · Trácio · Tocariano Povos indo-europeus Albaneses · Anatólios · Armênios Bálticos · Celtas · Germanos Gregos · Indo-arianos · Indo-Iranianos Iranianos · Ítalos · Eslavos Trácios · Tocarianos Proto-indo-europeus . veja línguas celtas. um carro da Chevrolet.C. veja Chevrolet Celta. Para grupo de línguas homônimo.

entre eles os bretões. que ocupavam o território desde a península Ibérica até a Anatólia.[1] Outras regiões europeias que também se identificam com a cultura celta são o País de Gales. bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas). com o aparecimento de música de inspiração celta e no reviver de muitos usos e costumes conhecidos atualmente como celtismo. ostrinovantes e os caledônios. melhor se preservaram as tradições de origem celta. dando origem naquele continente à Idade do Ferro (culturas de Hallstatt e La Tène). embora o modo de vida celta tenha. os eburões. organizados em múltiplas tribos e pertencentes à família linguística indo-europeia que se espalhou pela maior parte do oeste da Europa a partir do segundo milénio a. Do ponto de vista da independência política. e norte da Itália). as quais que mais tarde batizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa. A influência cultural celta. Muitos destes grupos deram origem ao nome das províncias romanas na Europa. grupos celtas perpetuaram-se pelo menos até ao século XVII na Irlanda. a Gália (França. país onde por seu isolamento.Língua · Sociedade · Religião Hipóteses Urheimat Hipótese Kurgan · Hipótese anatólia Hipótese armênia · Hipótese indiana · TCP Estudos indo-europeus Celtas é a designação dada a um conjunto de povos (um etnónimo). A maioria dos povos celtas foi conquistada.. os batavos. no folclore e tradições. tem mesmo experimentado um ciclo de expansão em sua antiga zona de influência. os gálatas. os belgas. a Cornualha (Reino Unido). Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro na Europa. os escotos.. sob muitas formas e com muitas alterações resultantes da aculturação devida aos invasores e à posterior cristianização. e mais tarde integrada. pelos Romanos. os gauleses. sobrevivido em grande parte do território por eles ocupado. A primeira referência literária aos celtas (Κελτοί) foi feita pelo historiador grego Hecateu de Miletono século VI a. Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos. Boa parte da população da Europa ocidental pertencia às etnias celtas até a eventual conquista daqueles territórios pelo Império Romano. que jamais desapareceu. nalgumas formas linguísticas.C. . o norte de Portugal e a Galiza (noroeste da Espanha). Nestas regiões os traços linguísticos celtas sobrevivem nos topônimos.C. organizavam-se em tribos. uma entidade sub-nacional do Reino Unido.

2 Críticas 4.1 Teoria centro-europeia 4.Índice [esconder]     1 Nomes e terminologia 2 A localização dos Celtas segundo os autores da Antiguidade 3 Demografia 4 História o o o  4.3 Teoria da idade do bronze atlântica 5 Língua e cultura o o  5.1 Língua 5.1 Religião 7 Mitologia 8 Tribos e povos celtas 9 Figuras históricas 10 Cidades históricas 11 Ver também 12 Referências 13 Bibliografia 14 Ligações externas [editar]Nomes e terminologia .2 Cultura 6 Organização social o         6.

Júlio César comentou que o nome "celta" era a maneira pela qual os gauleses se chamavam a si próprios na "língua celta" (lingua Celtae). nem pelos romanos nem por si próprios.Estela funeráriagalaica: Apana · Ambo/lli · f(ilia) · Celtica /Supertam(arica) · / [j] Miobri · /an(norum) · XXV · h(ic) · s(ita) · e(st) · /Apanus · fr(ater) · f(aciendum)· c(uravit) ·. transl. Galloí).[7][8] Pausânias comentou ainda que os gauleses não só se chamavam a si mesmos de celtas como era também por este nome que os outros povos os conheciam. e galos ou gauleses (latim gallai. pelos autores greco-romanos: celtas (em latim Celtae. transl.[3][4] eram chamados de Hiberni (hibérnios) e Britanni (bretões). Galátai). Keltoí). gálatas (em latim galatae. em grego Γαλάται. em grego Κελτοί.[5][6] No De Bello Gallico. nomeadamente os Supertamarici. respectivamente.[11] No santuário de Miróbriga um habitante deixa gravado a sua origem celta: . nunca foram designados por celtas.c..[10] Plínio o velho registou que os habitantes de Miróbriga usavam o sobrenome de Celtici: "Mirobrigenses qui Celtici cognominantur". transl.[9] A atestar este facto temos evidência na epigrafia funerária onde se confirma que havia povos chamados de celtas que se identificavam como tal. galli. os povos da Irlanda e das ilhas Britânicas.[2] Os romanos se referiam apenas aos celtas continentais como celtae. e só começaram a ser chamados de celtas no século XVI d. Na Antiguidade os celtas foram conhecidos por três designações diferentes. grego Γάλλοί.

Definem-se como celtas os povos das áreas da Europa continental. historiadores.D(IS) M(ANIBUS) S(ACRUM) / C(AIUS) PORCIUS SEVE/RUS MIROBRIGEN(SIS) / CELT(ICUS) ANN(ORUM) LX / H(IC) S(ITUS) E(ST) S(IT) T(IBI) T(ERRA) L(EVIS A raiz do termo "celta" aparece como elemento dos nomes próprios nativos da Gália.[18][19][20] Segundo os linguistas. arqueólogos.Céltigos e Celtibéria. por associação. é polémica e já era contestada por autores do século XIX. Celtio. uma dada pelos autores da Antiguidade e uma definição moderna. antropólogos. famosa representação de um celta. Roma  Século VI a. cópia romana em mármore de uma escultura helenística do século III aC. e da península Ibérica.[13][14][15] Existem duas principais definições do termo celta. Celtillos. Em arqueologia determinou-se chamar celtas os povos que partilham uma cultura material e um estilo de arte específico. são celtas as terras onde eles vivem.[26][27][28][29] [12] [editar]A localização dos Celtas segundo os autores da Antiguidade O Gaulês Agonizante. os povos celtas que deixaram de falar uma língua celta também deixaram de ser designados de celtas. Celtus. Museus Capitolinos. da Irlanda e das Ilhas Britânicas que partilharam estas culturas. célticos. Céltica. linguistas. Celti. C .[21][22][23][24] e. Associam-se as culturas de Hallstatt e La Tène às culturas celtas e proto-celtas. A definição moderna do termo celta tem significados diferentes em contextos diferentes. Celticus. celtiberos.[25] Segundo esta teoria. e nostopónimos. para além da definição dada pelos autores greco-romanos da Antiguidade. nos nomes tribais. folcloristas todos o usam de forma diferente revelando discrepâncias entre os diferentes conceitos.[16][17] A validade de empregar o termo celta. criada por autores contemporâneos.. são celtas os povos que falaram ou falam uma língua celta.

uma colónia dos foceus. esqueceu-se deles na sua descrição da Ibéria. Diodoro refere a diferença das denominações dada aos celtas por romanos e gregos. IV. e os deste lado das montanhas dos Pirenéus são chamados de celtas. Eratóstenes diz que até Gades.C. sendo vizinhos dos Cynesii e são a mais ocidental de todas as nações que habitam a Europa". acima de Massalia. e se a parte ocidental da Europa é ocupada por eles. 49[32][33][34]  Século III a. se estendem por toda a Europa até as fronteiras da Cítia — Heródoto. Os Keltoi vivem além das colunas de Hércules. da Iberia) é habitado pelos gálatas. a localização dos celtas era para além dos Pilares de Hércules e vizinha dos Conii. II. —'  Século V a. Os Keltoi vivem para além dos Pilares de Hércules.Os celtas são referidos pela primeira vez na literatura grega por Hecateu de Mileto. E agora. Massalia: cidade da Ligúria perto do país celta. o exterior (SC.C. E assim. nunca faz menção aos gálatas.[30] Segundo Heródoto. Eratóstenes situava os celtas na parte ocidental da Europa. sendo vizinhos doKynesioi e são a mais ocidental de todas as nações que habitam a Europa. — . será útil fazer uma distinção que é desconhecida de muitos: Os povos que habitam no interior. 33[31] O rio Ister nasce na terra dos Keltoi na cidade de Pyrene e percorre o centro da Europa. os das encostas dos Alpes.C. uma colónia de comerciantes gregos e refere-se a Narbona como cidade de comércio celta e a Nirax como cidade celta. segundo o comentário de Estrabão. —'  Século I a. Da sua obra sobrevivem fragmentos muito curtos sobre os celtas: escreve que o país celta fica perto de Massalia. — Heródoto. Narbona: centro de comércio e cidade dos celtas. Nírax: cidade celta.

[36] Esta incerteza deriva da complexidade e diversidade dos povos celtas. chamando-as de uma. que além de englobarem grupos distintos. Céltica. os romanos.]o Fasis [e o Istro] procedem dos montes Ripeos. Na península Ibérica. tão longe quanto Cítia. e a todos de gauleses. Ephorus. faz Céltica tão excessiva em seu tamanho. de entre todos os demais povos da Europa. tão longe quanto Gades. especulando-se que entre 1900 e 1500 a. nas partes que se estendem para o norte. os traços genéticos mais próximos destes eram encontrados na península Ibérica. por exemplo. estudos genéticos realizados em 2004 por Daniel Bradley. o que resultou no surgimento dos celtiberos. Os grupos migratórios que deram origem aos povos celtas do noroeste europeu teriam saído da costa atlântica da península Ibérica nos finais da última Idade do Gelo e ocupada as .. no que hoje chamamos península Ibérica" — Estrabão. demonstraram que os laços genéticos entre os habitantes de áreas célticas como Gales. Escócia. que são da terra keltica. e logo vão desaguar numa lagoa dos celtas —' Estrabão indica a informação que Ephorus possuía sobre a terra dos celtas.. [. é provavelmente do geógrafo Timageto. Daniel Bradley explicou que sua equipe propunha uma origem muito mais antiga para as comunidades da costa do Atlântico: há pelo menos 6000 anos ou até antes disso.ao passo que os povos que estão estabelecidos acima desta terra Céltica. 6 [editar]Demografia As origens dos povos celtas são motivo de controvérsia. IV.[39] do Trinity College de Dublin. ambas ao longo do oceano e ao longo da Montanha Hercinia . incluem todas estas nações juntando-as debaixo de um único nome. tenham surgido da fusão de descendentes dos agricultores danubianos neolíticos e de povos de pastores oriundos dasestepes. no entanto. Bretanha eCornualha são muito fortes e trouxeram uma novidade: a de que. em seus relatos. são conhecidos como gauleses. 4. Diodoro Sículo[35] Sobre a terra dos Celtas A primeira referência à terra dos celtas. e todos os povos que vêm depois destas. parte da população celta se misturou aos iberos. parecem ser a resultante da fusão sucessiva de culturas e etnias. Irlanda. que ele atribui às regiões da Céltica a maioria das regiões.[37][38] Todavia.C.

Vestígios associados à cultura celta remontam a pelo menos 800 a. Todavia.).C.000 a. mas entre os povos que se refugiaram na península Ibérica durante a última Idade do Gelo. O estudo analisou amostras de ADNrecolhidas de 10 000 voluntários[40] do Reino Unido e Irlanda. A área laranja indica a região de nascimento da cultura de La Tène e a área vermelha indica a possível região sob influência céltica por volta de 400 a.C. ao século V a.C. expandindo-se depois para as áreas continentais mais distantes do mar. as sepulturas encontradas pelos arqueólogos indicam o surgimento de uma nova aristocracia . C. a partir de um estudo efectuado em 2006 pela equipe de geneticistas da Universidade de Oxford. Stephen Oppenheimer. corrobora esta teoria no seu livro "The Origins of the British" (2006).[43] Estudos da Universidade do País de Gales defendem que as inscrições encontradas em estelas no sudoeste da península Ibérica demonstram que os celtas do País de Gales vieram do sul de Portugal e do sudoeste de Espanha. no sul da Alemanha e no oeste dos Alpes. [editar]Teoria centro-europeia A área verde na imagem sugere a possível extensão da área (proto-)céltica por volta de 1000 a. galeses e irlandeses —.. — escoceses. é muito provável que o grupo étnico celta já estivesse presente na Europa Central há centenas ou milhares de anos antes desse período. O geneticista Bryan Sykes confirma esta teoria no seu livro Blood of the Isles (2006). Durante a primeira fase da Idade do Ferro céltica (do século VIII a.C.[44][45] [editar]História Distribuição dos celtas na Europa.terras recém libertadas da cobertura glacial no noroeste europeu. Estes estudos levaram também à conclusão de que os primitivos celtas tiveram a sua origem não na Europa Central.000 e 5.C.. [41][42] Outro geneticista da Universidade de Oxford. permitindo concluir que os celtas que habitaram estas terras. eram descendentes dos celtas da península Ibérica que migraram para as ilhas Britânicas e Irlanda entre 4.

nos Balcãs e no norte da Itália. A partir do século V a. é evidenciado pelas finas peças de cerâmica grega encontradas nos túmulos. que já os utilizavam como forma de armazenamento de provisões. embora sejam menos ricas do que as do período pacífico anterior.C. e os romanos. Essa estratificação aprofundou-se a partir do século VI a. Por volta de 272 a. Gália Cisalpina 391-192 a. onde o contingente mais numeroso era o dos gauleses. o que consolidam a partir de 192 a. quando invadiram o sul da Europa após 400 a. pilharam Delfos na Grécia. As hostes celtas conquistaram territórios na Ásia Menor. É igualmente provável que os gregos tenham adotado o costume de armazenar o vinho em vasos de cerâmica após os contactos com os celtas. .C. provavelmente.C. os celtas invadiram o norte da península Itálica (Gália Cisalpina) e saquearam Roma. Os objetos inumados das sepulturas comprovam que o comércio dos celtas se estendia a regiões ainda mais afastadas..C. até então localizados ao longo dos rios Ródano. evento associado a segunda fase da Idade do Ferro europeia e ao desenvolvimento artístico da cultura La Tène. tendo sido encontradas peças de bronze de origemetrusca e tecidos de seda seguramente oriundos da China. As sepulturas deste período apresentam armas e carros de combate.e de uma crescente estratificação social. verifica-se um deslocamento dos centros urbanos celtas. O intercâmbio com os gregos. quando anexam a Gália Cisalpina ao Império Romano. pouco a pouco. os celtas começam a perder território para os povos de língua germânica.. quando grupos do norte da Europa e da região oeste dos Alpes entraram em contato comercial com as colônias gregas fundadas no Mediterrâneo Ocidental.C. A partir do século II a..C. reflexo da sua fase de maior expansão.. Saona e Danúbio.C. conseguem dominá-los... Em 390 a.C. que chamavam aos celtas indistintamente de keltoi.

num comentário sobre os "Keltoi.França). arqueológica ou genética. o que indicaria que as línguas celtas ter-se-iam originado na zona atlântica durante a Idade do Bronze. [editar]Críticas Críticos afirmam que não há qualquer evidência linguística. Indicam que este conceito deriva de um erro feito pelo historiador Heródoto há 2500 anos.C. Este erro foi depois mais tarde. em fins do século XIX. aproveitado pelo historiador francês Marie Henri d'Arbois de Jubainville para basear a sua teoria de que Heródoto queria dizer que a terra original dos celtas era no sul da Alemanha.Os golpes finais na dominância celta ocorrem no século I a.. e no século I d. quando Júlio César conquista a Gália. Saint-Germain-en-Laye. de que Heródoto. Baseia-se na evidência histórica.[48][49][50][51] [editar]Língua e cultura Ornamento celta da Idade do Ferro (Museu Nacional da Antiguidade..[46][47] [editar]Teoria da idade do bronze atlântica Segundo esta teoria os celtas teriam origem no sul da península Ibérica. e em evidências genéticas.C. [editar]Língua . Somente a Irlanda e o norte da Escócia. permaneceram fora da zona de influência direta do Império Romano. onde viviam os escotos. a qual ele julgava ser perto dos Pirenéus. quando o imperador Cláudio domina a Bretanha. localizava os Keltoi na Ibéria e dizia que eram vizinhos dos Kunetes localizados na atual região doAlgarve. na hipótese da língua tartéssica ser uma língua celta." onde os localizava na nascente do rio Danúbio. que comprove que as regiões onde se originaram as culturas Hallstatt ou La Tène sejam o local de origem dos povos celtas.

e o celta-P (galo-britânico).[53] Edward Lhuyd identificou em 1707 uma família de línguas ao notar a semelhança entre o irlandês. do qual derivam o irlandês.[61] Estudos colocam a hipótese de haver uma relação entre as inscrições de Glozel e um dialecto celta. comentou que os helvécios usavam o alfabeto gregopara registar o censo da população e que os druidas recusavam-se a registar por escrito os versos. falado pelos gauleses e pelos habitantes da Bretanha. Isto não permite traçar um quadro completo e imparcial do que foi a realidade quotidiana desses povos. Júlio César. e jogavam-nas na pira funerária. embora denotem influências asiáticas e das civilizações do Mediterrâneo (grega.[54][55][56][57] Fontes clássicas e arqueológicas atestam que os celtas faziam uso limitado da escrita.[52] As informações atualmente disponíveis sobre os celtas foram obtidas principalmente através do testemunho dos autores greco-romanos. relevos e motivos entalhados. O chamado "alfabeto das árvores" ou Ogham surgiu apenas por volta de 400 d. Variações do alfabeto latino foram usadas na península Ibérica e na Gália Transalpina. como se elas pudessem ser lidas pelos defuntos. o que gerou especulações de que no século III esta língua ainda seria escrita e falada. cujos descendentes modernos são o galês (do País de Gales) e o bretão (na Bretanha). Há uma nítida tendência abstrata na decoração de peças. com figuras em espiral. O alfabeto de Lugano e Sondrio foi usado na Gália Cisalpina e o alfabeto grego naGália Transalpina. Lhuyd justificou o uso da expressão pelo fato de estas pertencerem à mesma família linguística do gaulês e a língua gaulesa e a maioria das tribos gaulesas terem sido chamadas de celtas. etrusca e romana). entre outras línguas.[60] O alfabeto ibérico foi usado para registar o celtibéro. uma língua celta da península Ibérica. as quais classificou como línguas celtas..[59]Já Ulpiano determina que os fidei comunis podiam ser escritos em gaulês. A influência da arte celta está ainda presente nas iluminuras medievais irlandesas e em . com incisões. o córnico e o galês e a extinta língua gaulesa. mas que faziam uso do alfabeto grego para as transações públicas e pessoais.C. prata e ouro.[62][63][64] [editar]Cultura As manifestações artísticas celtas possuem marcante originalidade. o gaélico da Escócia e alíngua manx da Ilha de Man.[58] Diodoro disse que nos funerais os gauleses escreviam cartas aos amigos. mais antigo. no De Bello Gallico. volutas e desenhos geométricos.C.As línguas célticas derivam de dois ramos indo-europeus do grupo denominado centum: o celta-Q (goidélico). Entre os objetos inumados. Os registos mais antigos escritos numa língua celta datam do século VI a. destacam-se peças ricamente adornadas em bronze. o bretão.

na música e arquitectura de boa parte da Europa ocidental. Essas imagens são devidas em parte ao conhecimento divulgado sobre os celtas durante o século XIX. O conhecimento da filosofia era atribuído aos druidas e aos semnothei.muitas manifestações do folclore do noroeste europeu. (entre outros povos considerados bárbaros).[70][71] Entre os eruditos da antiguidade de origem celta ou oriundos das regiões celtas são conhecidos Gneu Pompeu Trogo.[72] Marcelo Empírico. Alguns estereótipos modernos e contemporâneos foram associados à cultura dos celtas. Também muitos dos contos e mitos populares do ocidente europeu têm origem na cultura dos celtas. comenta que a origem do estudo da filosofia era atribuída aos celtas. a ler e a escrever. como imagens de guerreiros portando capacetes com chifres[65] e ou asas laterais (vide Astérix). 1904).[75] Cornélio Galo.[68] entre outros.[69] Massalia era um conhecido centro de aprendizagem onde os celtas iam aprender a cultura grega.[76] Rutílio Cláudio Namaciano. Vibius Gallus[78] Tito Lívio[79] Cornélio Nepos[80] e Sidônio Apolinário.[73] Públio Valério Catão.[77] Virgílio.[74] Marco Antônio Gnífon.[66][67] comemorações de festas com taças feitas de crânios dos inimigos. . Diógenes Laércio. na sua obra Vidas e doutrinas dos filósofos ilustres. [editar]Organização social A rainha Maeve e um druida(ilustração de Stephen Reid paraThe Boys' Cuchulainn de Eleanor Hull.

os povoados castrejos do tipocitaniense apresentavam características similares às dos povoados celtas. A esta estrutura secular. também antigo povoado dos Callaeci Bracari. Com base em estudos efectuados na Irlanda. composto por famílias aparentadas que partilhavam um núcleo de terras agrícolas. Este último grupo não possuía direitos políticos. artesãos. determinou-se que a sua organização política era dividida em três classes: o rei e os nobres. porém. A citânia de Briteiros é exemplo de um povoado com características celtas. mas que mantinham a posse individual do gado que apascentavam. necessário tomar esta designação no seu sentido lato: isto é .[83] [editar]Religião Série sobre Mitologia celta Politeísmo celta Divindades celtas Mitologia gaélica Mitologia irlandesa Mitologia escocesa Mitologia hébrida Tuatha Dé Danann Ciclo mitológico Ciclo do Ulster Ciclo Feniano .seria o local de habitação das numerosas tribos celtizadas (celtici). Mais recentemente foram apresentadas novas perspectivas sobre a celtização do Noroeste de Portugal e a identidade étnica dos Callaeci Bracari.[82] Tongóbriga é um sítio arqueológico situado na freguesia de Freixo. sendo. agregavam-se os sacerdotes (druidas).[81] No país. refugiados e escravos.A unidade básica de sua organização social era o clã. todos com grande influência sobre a sociedade. os homens livres e os servos.. bardos e ovados.

do seu culto hoje pouco se conhece para além de alguns dos nomes.[84][85] A religião celta era politeísta com características animistas. e Epona. A divindade máxima era feminina. Calan Awst Artigos relacionados Esta caixa: ver • editar Ver artigo principal: Politeísmo celta.Mitologia britânica Religião britânica da Idade do Ferro Mitologia britânica Mitologia galesa Mitologia bretã Mabinogion Livro de Taliesin Trioedd Ynys Prydein Vocações religiosas Druidas · Bardos · Ovados Festivais Samhain. assim como celebrações dos equinócios e solstícios. as deusas da natureza. Embora se saiba que os celtas adoravam um grande número de divindades. O calendário anual possuía várias festas místicas. sendo os ritos quase sempre realizados ao ar livre. Druida e Homem de vime Os celtas exaltavam as forças telúricas expressas nos ritos propiciatórios. A natureza era a expressão máxima da Deusa Mãe. Entre as divindades contavam-se Tailtiu e Macha. Gŵyl Fair Beltane. Mitologia céltica. Calan Gaeaf Imbolc. Entre as divindades masculinas . cuja manifestação era a própria natureza e por isso a sociedade celta embora não fosse matriarcal mesmo assim a mulher era soberana no domínio das forças da natureza. a deusa dos cavalos. a religião celta venerava múltiplas divindades associadas a atividades. como o Imbolc e oBelthane. Suspeita-se que algumas das suas cerimônias envolviam sacrifícios humanos. Tendo um fundo animista. a Deusa Mãe. Calan Mai Lughnasadh. fenômenos da natureza e coisas.

Entre os mais conhecidos está o mito de Cernunnos. não parecem ter sido amplamente adorados ou relevantes. que era adorada na região do Ulster. sendo uma . criando novas formas e designações. como Taranis. Posteriormente. surgiram movimentos neopagãos pouco expressivos. não são célticos. o fabricante de cerveja. a divindade do fogo. mas do qual pouco se conhece. que buscam a adaptação aos novos tempos das crenças do paganismo antigo. parece ser uma variante da deusa Rhiannon. a Velha Religião foi sendo gradualmente abandonada. Epona. curiosamente. sem nunca ter sido totalmente extinta. As crenças religiosa dos celtas também originaram muitos dos mitos europeus. É nesse contexto que a deusa galo-romana dos cavalos. que embora contenham alguns elementos celtas. Cernunnos (Museu da Idade Média. sendo alguns dos principais representantes a wicca e os neodruidas. Com a assimilação no Roma. Teutates e Esus. refletindo a estrutura tribal e clânica dos povos celtas. Com a crescente secularização da sociedade europeia. Paris). que. A esta complexidade veio juntar-se a plêiade de divindades romanas. Já o neo-druidismo não tem uma fonte única. Algumas divindades eram variantes de outras. O escritor romano Lucano faz menções a vários deuses celtas. com a ascensão do Cristianismo. e Tan Hill. como Gerald Brousseau Gardner e Aleister Crowley. nem representam a cultura do povo celta. comprovadamente um dos mitos mais antigos da Europa ocidental. adorada em Gales. os deuses celtas perderam as suas características originais e passaram a ser identificados com as correspondentes divindades romanas.incluíam-se deuses como Goibiniu. A wicca tem sua origem na obra de ocultistas do século XX. também chamado de Slough Feg ou Cornífero na forma latinizada. ou ainda Macha. estando ainda hoje presente em muitos dos cultos de santos e nas crenças populares assimilados no cristianismo.

tentativa de reconstruir o druidismo da Antiguidade. Nesta. do Livro das Invasões (Lebor Gabala Erren). São riquíssimas as narrativas mitológicas celtas. o herói irlandês Cú Chulainnenfrenta as forças da rainha Maeve para defender o seu condado. Outros legados dos celtas são as histórias do Ciclo do Rei Artur da Inglaterra e relatos míticos dos quais se originaram os contos de fadas. a arqueologia. tendo sua estruturação sido iniciada em sociedades secretas da Grã-Bretanha a partir do século XVIII. o lobo). os autores grecoromanos. por exemplo.[86] [editar]Tribos                   e povos celtas Arvernos Bitúrigos Brácaros Bretões Brigantinos Calaicos Caledônios Catuvelanos Celtiberos Célticos Éduos Gauleses Eburões Escotos Helvécios Icenos Pictos Suetones . como "O Roubo de Gado em Cooley". Outra narrativa. conta a lenda dos filhos de Míle Espáine e o seu trajecto até chegarem à Irlanda. [editar]Mitologia Ver artigo principal: Mitologia celta Consideram-se três as fontes principais sobre a mitologia celta. como. Chapeuzinho Vermelho (onde a menina representa o Sol devorado pela noite do inverno. e os documentos britânicos e irlandeses. principalmente as transmitidas oralmente em forma de poema. ou seja.

 Trinovantes [editar]Figuras           históricas Ambiorix Ambrósio Boadicéia Breogam Carataco Cartimandua Cassivellaunus Catelo Cunobelin Vercingétorix [editar]Cidades         históricas Armagh Caerphilly Cardiff Carmarthen Numantia Tara Tintagel Porto [editar]Ver           também Arte celta Celtismo Cultura de Hallstatt Cultura de La Tène Cultura castreja Grupos étnicos europeus Línguas celtas Anexo:Lista de tribos celtas Nações celtas Topónimos celtas em Portugal .

Carbono-14 Origem: Wikipédia. incorporados a estrutura destes organismos. Entre os cinco isótopos instáveis do carbono. acadêmico — Scirus. e fontes: Google — notícias. mas elas não cobrem todo o texto (desde janeiro de 2011). é absorvido pelosanimais e vegetais sendo. através de mecanismos metabolicos. livros. inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto. recebendo esta numeração porque apresenta número de massa 14 (6 prótons e 8 nêutrons). Enquanto o animal ou vegetal permanecer vivo a relação quantitativa entre o carbono-14 e o carbono-12 permanece constante. . Índice [esconder]    1 Datações por carbono 14 2 A radioatividade do carbono 14 3 Ocorrência o o   3. que é de aproximadamente 5 730 anos. r. cuja quantidade permanece constante na atmosfera.2 No corpo humano 4 Ver também 5 Referências O carbono-14. A partir da morte do ser vivo. Veja como referenciar e citar as fontes. Este isótopo apresenta dois neutrons a mais no seu núcleo que o isótopo estável carbono-12. esta quantidade começa a ser pequena demais para uma datação precisa. Cerca de 50 mil anos depois. nos locais indicados. (Redirecionado de Carbono 14) rtigo ou se(c)ção cita fontes fiáveis e independentes. C14 ou radiocarbono é um isótopo radioativo natural do elemento carbono. a quantidade de C-14 existente em um tecido orgânico se dividirá pela metade a cada 5 730 anos. juntamente com o C12O2 normal.1 Em combustíveis fósseis 3. Este C14O2 . Forma-se nas camadas superiores da atmosfera onde os átomos de nitrogênio-14 são bombardeados por neutrons contidos nos raios cósmicos: 14 7N + 0n1 → 6C14 + 1H1 Reagindo com o oxigênio do ar forma dióxido de carbono ( C14O2 ). melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes. o carbono-14 é aquele que apresenta a maior meiavida. a enciclopédia livre.

[editar]Datações por carbono 14 Ver artigo principal: Datação por radiocarbono A técnica de datação por carbono-14 foi descoberta nos anos quarenta por Willard Libby. utilizou em 1947 um contador Geiger para medir a radioatividade do C-14 existente em vários objetos. a medição dos valores de carbono-14 em um objeto antigo nos dá pistas muito exatas dos anos decorridos desde sua morte. No carbono-14 um neutron do núcleo se desintegra produzindo um próton ( que permanece no núcleo aumentando o número atômico de 6 para 7 ) com emissão de uma partícula beta ( elétron nuclear ). Assim. . O método não é por isso adequado à datação de fósseis que têm idades na casa dos milhões de anos e que são datados por métodos estratigráficos e por decaimento de outros elementos radioativos.ou seja todo material que conteve carbono em alguma de suas formas. Este é um isótopo radioativo instável. que para quantidades extremamente pequenas do elemento a detectar.Quando o ser vivo morre inicia-se uma diminuição da quantidade de carbono-14 devido a sua desintegração radiativa. Como o exame se baseia na determinação de idade através da quantidade de carbono-14 e que esta diminui com o passar do tempo. [editar]A radioatividade do carbono 14 Libby.[1] Ele percebeu que a quantidade de carbono-14 dos tecidos orgânicos mortos diminui a um ritmo constante com o passar do tempo. Esta técnica é aplicável à madeira. Este limite de valor é dado pelos limites práticos da sensibilidade dos métodos analíticos. da atmosfera. como pela alimentação com organismos fotossintetizantes. passam a tornar a determinação pouquíssimo confiável ou mesmo impossível. Libby usou objetos de idade conhecida (respaldada por documentos históricos). O resultado da desintegração do neutron nuclear do carbono-14 origina como produto o átomo de nitrogênio-14: 14 6C → 7N14 + -1β0 Como essa desintegração ocorre num período de meia-vida de 5730 anos é possível fazer a datação radiométrica de objetos ou materiais arqueológicos com idades dentro desta ordem de grandeza. carbono. conchas marinhas . que era químico. e comparou esta com os resultados de sua radiodatação. sedimentos orgânicos. ele só pode ser usado para datar amostras que tenham até cerca de 50 mil a 70 mil anos de idade. mesmo que indiretamente. Os diferentes testes realizados demonstraram a viabilidade do método até cerca de 70 mil anos. ossos. que decai a um ritmo perfeitamente mensurável a partir da morte de um organismo vivo. e o absorveu.

o objeto a datar deve ser protegido de qualquer contaminação que possa mascarar os resultados. um teste diagnóstico para Helicobacter pylori. uréia etiquetada (marcada) com aproximadamente e 37kBq (1. se leva ao laboratório onde se contará o número de radiações beta produzidas por minuto e por grama de material. ou outras fontes secundárias desconhecidas de produção de carbono 14.[5] O teste respiratório de uréia com C14 tem sido grandemente substituído pelo teste respiratório de uréia com C13 o qual não apresenta questões relacionadas à radiação. No caso de uma infecção por H. através de taxas de 14C/U medidas em minérios de urânio[3] que implicariam aproximadamente em um átomo de urânio para cada dois átomos de urânio de maneira a causar a taxa medida de 10−15 14C/12C). [editar]Ocorrência [editar]Em combustíveis fósseis Muitos compostos químicos feitos pelo homem são feitos de combustíveis fósseis. o qual pode ser detectado por contagem de baixo nível na respiração do paciente. [editar]No corpo humano Dado que essencialmente todas as fontes de alimentação humana são derivadas das plantas. fontes subterrâneas de radiação (tais como o decaimento de urânio. Carbono 14 pode ser usado como um traçador radioativo em medicina. Os decaimentos beta de nosso radiocarbono interno contribui com aproximadamente 0. Feito isto. tais como o petróleo ou carvão mineral. o carbono que compõe nossos corpos contém carbono 14 na mesma concentração da atmosfera. mas numa faixa de 1% da razão encontrada em organismos vivos em quantidades comparáveis a uma aparente idade de 40 mil anos para óleos com os mais altos níveis de carbono 14) [2]. Isto pode indicar possível contaminação por pequenas quantidades de bactérias. .Depois de uma extração.0 µCi) de carbono 14 é fornecida ao paciente.730 anos de idade da amostra. tais depósitos frequentemente contém traços de carbono 14 (variando significativamente. Na variante inicial do teste respiratório com uréia. pylori. a enzima urease bacterial quebrará a uréia em amônia e dióxido de carbono marcado radioativamente. cifra que se dividirá por dois por cada período de 5. O máximo são 15 radiações beta. A presença de carbono 14 na assinatura isotópica de uma amostra de material carbonácio possivelmente indica sua contaminação por fontes biogênicas ou o decaimento de material radioativo no estrato geológico circundante.[4] Isto é pequeno comparado à doses de potássio 40 (0.01 mSv/ano (1 mrem/ano) para cada dose pessoal de radiação ionizante. na qual o carbono 14 deveria ter decaido significativamente ao longo do tempo.39 mSv/ano) e radônio (variável). Entretanto.

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