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DIREITO TRIBUTÁRIO CONCEITO DE TRIBUTO Tributo é uma obrigação ex lege, ou seja, deriva direta e imediatamente da vontade da lei.

CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS
IMPOSTOS (art. 16 do CTN) TRIBUTO (Art. 3° do CTN) é GÊNERO, do qual são ESPÉCIES:  CAPACIDADE CONTRIBUTIVA (SIGNO DE RIQUEZA) RECEITA NÃO  SEM CONTRAPRESTAÇÃO SOBRE → VINCULADA À →  CUSTEAR AS DESPESAS PÚBLICAS DE FORMA GERAL. DESTINAÇÃO Ex: Imposto de renda, IPVA RECEITA  SERVIÇO PÚBLICO EFETIVAMENTE PRESTADO OU POSTO VINCULADA A A DISPOSIÇÃO DE → PRESTAÇÃO →  ESPECIFICIDADE E DIVISIBILIDADE DO SERVIÇO ESTATAL OU AO  NÃO PODE TER BASE DE CÁLCULO PROPRIA DE IMPOSTO PODER DE POLICIA Ex: Taxa para emissão de passaporte  GRUPO DE BENEFICIADOS RECEITA  CONTRAPRESTAÇÃO, MESMO QUE EM PROPORÇÃO PARA → VINCULADA À → DIFERENTE DESTINAÇÃO Ex: INSS.

TAXAS (art. 77 do CTN)

CONTRIBUIÇÕES (art. 81 do CTN)

Cumpre destacar que a classificação dos tributos quanto as suas espécies, causa polêmica entre os juristas, ante o fato do art. 145 da Constituição Federal, fazer menção a instituição dos impostos, das taxas e das contribuições de melhoria decorrentes da realização de obras públicas e dispondo sobre outras figuras em artigos na CF, diversos deste:  Empréstimo compulsório: art. 148 da CF;  Contribuições de intervenção do domínio econômico (CIDE) e de interesse das categorias profissionais ou econômicas: art. 149 da CF;  Contribuições sociais: art. 149 e 195;  Impostos extraordinários: art. 154;  Contribuição para o custeio do serviço de iluminação: art. 149-A. Outra matéria que gera controvérsia é a classificação do empréstimo compulsório como tributo, em razão da compulsoriedade que este traz consigo. O STF classifica as espécies de tributo da seguinte maneira:  Impostos: art. 145, I; 153, 154, 155 e 156 da CF;  Taxas: art. 145, II, da CF;  Contribuições: o Contribuições de melhoria – art. 145, III, da CF; o Parafiscais – art. 149 da CF;  Sociais – de seguridade social – art. 195, I, II, III da CF;  Outras de seguridade social – art. 195, §4° da CF;  Sociais gerais (FGTS, salário-educação, art. 212, §5° da CF), (SESI, SENAC – art. 240 da CF). o Especiais  De intervenção no domínio econômico (art. 149 da CF);  Corporativas (art. 149 da CF);  Empréstimos compulsórios (art. 148 da CF). A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador, portanto, conforme aduz o art. 4° do CTN, são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei e a destinação legal de sua arrecadação. Art. 4º: A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador (hipótese de incidência e a base de cálculo) da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação.
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Todavia, toda regra tem sua exceção: no tocante às contribuições sociais a destinação legal é relevante, porque as contribuições sociais se caracterizam pelo seu destino. Todas as contribuições sociais são destinadas a um órgão do governo. IMPOSTOS (art. 16 do CTN) Art. 16 do CTN. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte. Impostos são receitas pagas ao Estado e não vinculadas a nenhum tipo de contraprestação estatal, tendo em vista, unicamente, o interesse público da atividade desempenhada pelo Governo; os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, ou seja, sua hipótese de incidência sempre revelará o fato signo de riqueza do contribuinte. Art. 167 da CF - São vedados: IV - a vinculação de receita de impostos a órgão, fundo ou despesa, ressalvadas a repartição do produto da arrecadação dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinação de recursos para as ações e serviços públicos de saúde, para manutenção e desenvolvimento do ensino e para realização de atividades da administração tributária, como determinado, respectivamente, pelos arts. 198, § 2º, 212 e 37, XXII, e a prestação de garantias às operações de crédito por antecipação de receita, previstas no art. 165, § 8º, bem como o disposto no § 4º deste artigo; ... Os impostos podem ser classificados da seguinte forma:  Impostos pessoais: são aqueles cuja hipótese de incidência revela condições pessoais no tocante a riqueza do contribuinte, que denota a capacidade contributiva para a dosagem do aspecto quantitativo do tributo. Ex: imposto de renda (quanto maior a riqueza, maior será a base de cálculo).  Impostos reais: são aqueles que levam em conta sinais de riqueza de características objetivas. Ex: ITBI – imposto sobre transmissão de bens imóveis inter vivos, IPTU, a propriedade de bens imóveis, assim como os bens móveis. TAXAS (Art. 77 do CTN) Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. Taxas são receitas arrecadadas pelo Estado cobra, em razão do poder de policia ou pela utilização dos serviços públicos, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição. Ex.: serviços de justiça, saúde pública, segurança, prestados pelo Governo. Importante salientar que as taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos, sob pena de serem consideradas inconstitucionais. Características importantes distinguem as taxas dos demais tributos → especificidade e divisibilidade. Taxa - É tributo compulsório. - Remuneratória de serviços essenciais ou periféricos específicos e divisíveis. - Serviço obrigatório - Pode ser cobrada pela utilização potencial do serviço. - Cobrança não proporcional a utilização. - Receita derivada advém de constrangimento do patrimônio particular (ex. cobrança de tributos) . Preço Público - Não é tributo, por não ser compulsório. - Remuneratória de serviços não essenciais. - Serviço facultativo. - Só a utilização efetiva enseja a cobrança. - Pagamento proporcional a utilização. - Receita originaria são oriundas do patrimônio do Estado e se traduzem nos preços cobrados.
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DIFERENÇAS

Em relação a taxa de iluminação pública, o STF a declarou em diversas ocasiões inconstitucional, considerando-a tributo de exação inviável, por ter como fato gerador serviço inespecífico, não mensurável, indivisível e insuscetível de ser referido a determinado contribuinte, devendo ser custeado por meio do produto da arrecadação dos impostos gerais. CONTRIBUIÇÕES Contribuições são tributos vinculados a uma atividade estatal. Todo contribuinte enquadrado em um grupo de beneficiados recebe a sua contraprestação, mesmo que esta não seja proporcional a sua contribuição. Contribuição de melhoria é um tributo vinculado a uma atuação estatal, ainda que indiretamente, pois a obrigação de pagá-la se dá em face de realização de obra pública. A referência ao contribuinte é feita de forma indireta, pois a contribuição de melhoria decorre da obra pública (ação do poder público). Hipótese de incidência da contribuição de melhoria → é a valorização imobiliária no imóvel circunvizinho a obra pública realizada pelo Poder Público. Taxa Contribuição de Melhoria - Pressupõe serviço público. - Pressupõe uma obra pública. - É diretamente vinculada a atuação do poder - É indiretamente vinculada a atuação do poder público. público. - Não depende da valorização do imóvel. - Depende da valorização do imóvel. DIFERENÇAS

Contribuição de intervenção no domínio econômico → visa prover o Estado de recursos necessários ao custeio de sua atuação em determinada atividade econômica, para efeito de discipliná-la e adequá-la à situação político-econômica-social do país. É a exceção a regra. Contribuição de categoria profissional ou econômica → objetiva custear entidades (pessoas jurídicas de direito público ou privado) que têm por escopo fiscalizar e regular o exercício de determinadas atividades profissionais ou econômicas. Ex.: Contribuições arrecadadas dos filiados de sindicatos, contribuições que os estagiários e os advogados pagam à OAB, contribuições que os médicos pagam ao CRM. Contribuição de iluminação pública → é tributo criado pela Emenda Constitucional 39/2002, que permitiu a inserção do art. 149-A da CF. É de competência dos Municípios, que cria nova fonte de custeio para as administrações locais. Contribuições sociais → visam custear as despesas com a seguridade social. Estas contribuições incidem sobre os rendimentos do trabalhador e demais segurados, concursos de prognósticos e sobre a importação, consoante o art. 195 da CF. As entidades de assistência social sem fins lucrativos, de acordo com o art. 195, §7° da CF, são amparadas pela imunidade quanto as contribuições sociais e impostos, em razão de que estas já contribuem com o Estado na esfera da assistência social. EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO É uma figura tributária com características próprias, dentre elas a de ser restituível, com normatização específica estabelecida pelo art. 148 da CF, com instituição mediante lei complementar, cuja aplicação dos recursos provenientes do empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou a sua instituição. Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, "b".
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Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. As causas que permitem à União a competência para a criação do tributo devem existir e fundamentar o exercício da competência. São elas: 1) Despesas extraordinárias decorrentes de calamidade pública (eventos naturais que provocam desastres naturais), de guerra externa ou sua eminência (possibilidade de participação do país em beligerância militar). 2) Investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional. São as obras públicas, como por exemplo, a construção de estradas, prédios públicos, açudes, enfim, melhorias das condições do ser humano em face do interesse público. Obras que permitem o desenvolvimento nacional. A natureza jurídica do empréstimo compulsório é bastante controversa, apesar de grande parte da doutrina, considerá-lo tributo. São três as correntes principais:  Empréstimo coativo: fundamenta-se na presença da restituição e da coatividade presente nos contratos de adesão.  Requisição de dinheiro: é equiparável às requisições militares que ocorreram na França.  Equiparação dos tributos: há duas correntes – uma que considera um tributo híbrido, ou seja, um misto de imposto e mútuo e a outra corrente que defende “a necessidade de evitar os constantes abusos do legislador, cercando o ingresso das garantias constitucionais do tributo”.

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