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O HIREQ COMPAGINIS E A ÉGUA DE SALOMÃO No hebraico bíblico o hireq yod geralmente indica um sufixo pronominal da primeira pessoa do singular

comum (meu/minha). Ele também pode surgir, com menor frequência, como indicativo de um adjetivo gentílico (canaaniy=cananeu; amaleqiy=amalequita). Mas em alguns casos raros ele pode indicar uma relação de construto (genitivo). Esse hireq yod, arcaico, recebe o nome de hireq compaginis. Abaixo um exemplo:

O¤d
filho. (subst. masc.) trata de um caso raro de hireq compaginis. Outro exemplo:

Gn 49,11

]P«Z©@ I¦P¥d
Filho da sua jumenta

Não faria nenhum sentido traduzir este texto como “meu filho [da] sua jumenta”. Parece claro que se

O he (D) da palavra mele´ah (“cheio”, em azul), por estar no construto, volatizou-se e deu lugar ao tav (Z).

D¡@¤L¥N
cheio (adj.)

Is 1,21

H¡s¥[¦N I¦Z©@¤L¥N
Cheia de justiça

Caso o hireq yod (em vermelho) fosse entendido como sufixo pronominal da 1ª p. sing., a tradução ficaria assim: “meu cheio [de] justiça”. Não faz sentido. Mais uma vez estamos diante de hireq compaginis. Na semana passada, buscando exemplos de sufixos pronominais que pudessem ser traduzidos em aula por meus alunos, acabei me deparando com este texto (Ct 1,9):

:I¦Z¡I¥R¢X `I¦ZI¦o¦f D«R¥X¢T I¤A¥K¦X¥d I¦Z¡Q§Q¥L
Estranho. O texto parece dizer: “À minha égua nos (ou entre, como em 2,14) [os] carros do faraó...”, mas os tradutores parecem ver aí um caso de hireq compaginis. Se o hireq yod estivesse indicando relação de construto/absoluto, o texto deveria ficar mais ou menos assim: “À égua dos entre [os] carros do faraó...”. Faz sentido? Quando me deparei com o texto acabei me lembrando que o Osvaldo, em Peroratio, fez comentários sobre a tal égua de faraó/Salomão. Leia aqui. Leia mais sobre o hireq compaginis aqui. Mais comentários sobre o texto aqui e aqui. Jones F. Mendonça