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FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA CURSO DE DIREITO

VALDEILSON DIAS CERQUEIRA

PROJETO DE LEI Nº 2.654 /2003 (LEI DA PALMADA) E A LIBERDADE NA EDUCAÇÃO FAMÍLIAR

Feira de Santana

2012

VALDEILSON DIAS CERQUEIRA

PROJETO DE LEI Nº 2.654 /2003 (LEI DA PALMADA) E A LIBERDADE NA EDUCAÇÃO FAMÍLIAR

Projeto apresentado ao Programa de Graduação em Direito, da Faculdade Anísio Teixeira de Feira de Santana, como requisito parcial para aprovação na disciplina TCC I. Orientador: Profª. Patricia

Feira de Santana 2012

SUMÁRIO

1 IDENTIFICAÇÃO 1.1 ALUNO 1.2 TEMA 1.3 ORIENTADOR 2 TEMA E PROBLEMA 3 QUESTÕES ORIENTADORAS 4 JUSTIFICATIVA 5 OBJETIVOS 5.1 OBJETIVO GERAL 5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 7 METODOLOGIA 8 PROJETO DE SUMÁRIO REFERÊNCIAS

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1 IDENTIFICAÇÃO

1.1 ALUNO Valdeilson Dias Cerqueira 1.2 TEMA Projeto de Lei nº 2.654 /2003 (Lei da Palmada) e a Liberdade na Educação Familiar 1.3 ORIENTADOR Profª.

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2 TEMA E PROBLEMA

A Lei da Palmada traz discussões acaloradas sobre o tema e muitas divergências de opiniões. Mas deixando de lado a lide intelectual entendamos que reprimir as famílias através de tal Lei não significa a obtenção de êxito na extinção de uma pratica que de fato tem assolado a nossa sociedade. A imposição que desmerece e vitupera a peculiaridade e liberdade de cada família em educar seus descendentes da maneira que escolham, é antes de tudo um castigo, uma imposição, é um tapa sonoro na face da família brasileira. A família é escola nata, é o berço da geração futura, e tirar-lhe o direito de imprimir em sua prole sua ética e sua moral, é uma agressão descabida tanto quanto uma agressão física cometida por um genitor. A crise na educação estatal é notória e por isso não é compreensível essa intervenção na família, pois suas consequências serão irreversíveis. E quem estaria sendo mais violento? O pai que agride seus filhos com umas palmadas pensando estar fazendo o certo ou o Estado, que com todo seu aparato, legislativo e judiciário tentar extirpar do meio do povo tal pratica impondo uma lei, que por certo não será eficaz na solução do problema? A Irracionalidade desse projeto de lei transpõe a irracionalidade de um pai ou uma mãe que usa umas palmadas para disciplinar seus filhos. O Estado está tentando remediar um problema pelos seus sintomas e não pelas suas causas. A pratica da palmada, antes de tudo é uma pratica cultural e impor as famílias uma mudança brusca desta forma será lança-las a própria sorte, como também irá interferir na adoção, na gestação da prole e na própria existência da família brasileira, ou dentro de uma possibilidade mais fática e realista, esta lei não terá efeito nenhum que possa significar uma mudança considerável, a educação é a resposta para a mudança de um mal habito, neste sentido. Se o governo de fato quer fazer valer o direito integro da criança e do adolescente, terá que fazer valer primeiro o direito a educação de todo e qualquer brasileiro, independente de cor, condição social e idade. Não só ensinar a ler e escrever, e sim a pensar, pois pensar é o que nos faz evoluir de uma postura brutal para outra mais adequada com a humanidade.

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3 QUESTÕES ORIENTADORAS

a) A correção por meio de palmadas e castigos é algo cultural. b) O PL 2.654/2003 é completamente genérico, pois já existe legislação pertinente aos excessos. c) A mudança deve ser iniciada com educação e não com imposição. d) Será que haveria um aparato o suficiente para fiscalizar e punir os infratores de tal lei? e) O Estado deveria, antes de garantir o direito da criança e do adolescente, garantir também os direitos dos pais preconizados na Constituição Federal. f) Existem grandes possibilidades dessa Lei, se vigorar, implicar significativamente no numero de adoções como também na redução de famílias com prole.

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4 JUSTIFICATIVA

É necessário entender que o estado democrático de direito não pode viabilizar um retrocesso dessa monta em seu ordenamento jurídico, gerar uma lei com o intuito de reprimir os sintomas de um problema é algo temerário e inconsequente demais. A liberdade do povo ao educar sua prole não pode ser ofendida por uma deficiência educacional que é responsabilidade do Estado e direito do povo, pois é um direito do pai ser conscientizado sobre as consequências de uma educação a base de agressões físicas e ter opções para transmitir aos seus descendentes aquilo que ele ache ético e moral sem precisar impor por meio da força física, e se por algum motivo o fizer não ser penalizado por um ato esporádico. O Estatuto da Criança e do Adolescente já é meio legal suficiente para garantir a integridade física e moral destes pequenos e jovens cidadãos. Não há sentido em impregnar nosso ordenamento com leis excessivas e sem eficácia plena. Essa Lei só acentua a incapacidade estatal em educar satisfatoriamente seu povo. A imposição nunca foi e nunca será a melhor forma de criar melhorias de caráter moral. Os pais têm direito a uma reeducação na forma de educar e a união precisa urgentemente repensar e investir sem reservas na educação. Por que a questão da violência familiar é só mais um dos problemas brasileiros que tem como nascedouro a falta de uma educação de qualidade que tenha compromisso com o desenvolvimento humano, primando pela excelência de seus cidadãos.

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5 OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICOS 5.1 OBJETIVO GERAL Elucidar de forma coerente com o intuito de mostrar que este projeto de Lei não acrescenta nada de novo em nosso ordenamento sendo desnecessário e ineficaz contra o mal da violência domestica praticada em crianças e adolescentes. Buscamos por meio de uma abordagem clara e transparente externar que tal aprovação seria apenas um paliativo, para um mal que todos os brasileiros já sabem qual seria a cura, educação pura, simples e maciça. 5.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Compreender a ineficiência do Projeto de Lei; b) Avaliar a extensão, os limites e as consequências de sua aprovação; c) Identificar a solução hábil para assegurar os direitos das crianças e dos adolescentes; d) Apontar a importância do poder pátrio e da família na formação de uma nação;

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6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Através da Constituição, de artigos jornalísticos e demais meios de informação percebesse que a supressão do pátrio-poder não é a forma, mas viável de se inibir a pratica da agressão física exacerbada no ambiente familiar. Por décadas e décadas, a palmada foi usada para corrigir o ser humano, e isso não trouxe danos irreparáveis à humanidade, como o fato de um pai ou uma mãe estarem de mãos atadas diante da insolência, obstinação de algumas crianças, gerada de forma imposta pelo Estado democrático de direito. Se a lei da Palmada for aprovada, então por que prender os criminosos ao invés de tentar ressocializar-los? Por que não darmos tratamento mais humano aqueles que cometem crimes, e para onde iria toda filosofia de Michel Foucault? A Aprovação da Lei da Palma e tão sem sentido quanto um Homem que tenta enxugar pedra de gelo numa tarde de sol. A dor faz parte do crescimento, tanto físico, quanto moral, um homem para aprender andar, primeiro terá que superar as quedas quando ainda bebê. Machucados, sustos e ralhões fazem parte do aprendizado e descobertas de nossos limites. E não é diferente com uma palmada de correção, corrigir seu filho, por que ele pegou algo do colega escondido, não é crime, pois se assim o fosse punir criminosos seria a coisas mais sem sentido no Mundo. Sem falar que estamos vivendo uma democracia e a individualidade e escolha dos pais no método que irão adotar na educação de seus filhos não pode ser motivo de penalização pelo Estado no momento de uma intimidade e peculiaridade familiar. Milhares de nós tomaram muitas palmas e nem por isso somos uma geração rebelde e de selvagem, pelo contrario, as palmadas nos ajudaram a entender que existe punições para atitudes erradas. Se esta Lei for aprovada estaremos criando uma geração implacável. Termos que tomar a França como exemplo, pois o berço da educação no Mundo ainda não abriu mão do uso das palmadas. A sanção de uma Lei não afirma êxito em mudanças de hábitos errôneos, por mais reprováveis que eles sejam. A Lei Maria da Penha em toda sua vigência, nem no auge de sua aprovação, reduziu o numero de violências e crimes contra a mulher. É óbvio que os infratores desta lei são punidos ao descumpri-la,

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porém isso não inibiu, reduziu, extinguiu essa pratica, pois na verdade o melhor seria investir em educação, pois só ela tem o poder renovador e restaurador.
De acordo com Sarraceno (1996), a relação família e Estado é conflituosa desde o princípio, por estar menos relacionada aos indivíduos e mais à disputa do controle sobre o comportamento dos indivíduos. Por essa razão, ela tem sido lida de duas formas opostas. Como uma questão de invasão progressiva e de controle do Estado sobre a vida familiar e individual, que tolhe a legitimidade e desorganiza os sistemas de valores radicados no interior da família. Ou, como uma questão que tem permitido uma progressiva emancipação dos indivíduos. Pois, à medida que o Estado intervém enquanto protetor, ele garante os direitos e faz oposição aos outros centros de poderes tradicionais (familiares, religiosos e comunitários), movidos por hierarquias consolidadas de uma solidariedade coativa (Revistam Âmbito Juridico – Palmadas que Educam: direito-dever dos pais de corrigir - Luiz Felipe Nobre Braga).

O Estado é o gestor de seus cidadãos, mas tolhi-lhe o direito de educar seu filho da forma que achar melhor é suprimir a essência de seu povo. Como transmitir os princípios, valores, visões. Não quero fazer uma apologia à agressão física, mas mostrar que inibir o ato de educar por quem é escola e educador por natureza, seria atrair para o próprio Estado uma tarefa para a qual ele não esta preparado, pois se de certo nem o direito a educação básica tem sido garantido aos brasileiros, não temos a capacidade de ler um texto de dez linhas, quem dirá interpreta-lo, como poderemos supri a falta da educação familiar? A família é o berço acadêmico que forma o homem:
A família é a escola por excellence que ensina os preceitos éticos da vida em sociedade e é onde se encontra o sistema moral capaz de fazer com que a criança e o adolescente cresçam embebidos na utilização racional de suas liberdades. Ou seja, o fato do Estado intervir de modo tão incisivo na cultura da palmada, por um lado revela que o planejamento político-educacional é falho, porque não é pela regra que se muda um costume até então tido como válido, mas na formação de consciências a partir das políticas de massas, àquelas perpetradas ao longo do tempo e não instantâneas e imperativas como ocorre com a imposição de uma lei. Do ponto de vista político seria muito mais viável que o Estado demonstrasse os

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benefícios da educação pelo diálogo, pela tolerância e pela benevolência e não reprimir, de plano, uma determinada conduta. Isto, no entanto, se dá por meio de professores capazes de se tornarem educadores e de gestores escolares empenhados com a necessidade fundamental de entrelaçar a família no processo de aprendizagem do educando, provando as vantagens racionais e éticas de uma educação edificada na troca de experiências e no desenvolvimento da capacidade reflexiva do educando. Por isso, deve ser reprimido o mau uso da palmada ou sua forma exacerba sem contexto cognitivo como método educativo, mas também reprimimos o Estado por atribuir eficácia a uma lei impensada que surtirá efeitos contrários à sua ideia inicial. Hoje, portanto, é ilícito dar palmadas e castigos vexatórios nos filhos, uma regra contrária à razão, todavia, a regra que é contrária à razão, e é da razão prática que nos referimos, e não a intenção que é irracional, apenas optou-se por um caminho errado para resolver um problema flagrante da sociedade brasileira. Este é um exemplo do fenômeno de total inaplicabilidade do princípio da legalidade, posto que, neste caso, a regra coage pais e mães ainda não sabedores dos benefícios da educação benevolente, resultando, inequivocamente, no desprestígio do Estado que sequer aparenta saber a respeito do que é necessário para a formação de uma sociedade melhor e, ainda, como agir de forma interventiva, pensando na busca pelo bem-comum em detrimento da possibilidade dos pais utilizarem racionalmente da liberdade de educar seus filhos. (Revistam Âmbito Juridico – Palmadas que Educam: direito-dever dos pais de corrigir - Luiz Felipe Nobre Braga).

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7 METODOLOGIA A fonte principal como recurso desta pesquisa, serão os artigos postados em endereço eletrônico (Internet) de conhecimento e publicações jurídicas, pois por se tratar de um Projeto de Lei, não existem muitas produções literárias sobre o assunto, mas a temática é interessante e urge por discussões a cerca do problema. Serão pesquisadas produções que abordem temas secundários, mas pertinentes e intimamente ligados ao tema principal. A pesquisa documental será, também, de importante valia, pois, por meio dela, será possível identificar documentos, tratados e resoluções que, em âmbito nacional ou internacional, tenham disciplinado normas ou proferido recomendações atinentes à temática proposta. A pesquisa bibliográfica será feita com base em livros, publicações periódicas, artigos científicos, bem como textos e artigos publicados em endereço eletrônico (Internet). A pesquisa documental será empreendida recorrendo-se aos códigos, leis, regulamentos, resoluções, relatórios e tratados, além de possíveis outras fontes de origem brasileira ou internacional.

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8 PROJETO DE SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 2 AUTONOMIA E LIBERDADE DO PATRIO PODER 2.1 A ESSENCIA DA FAMILIA 2.2 A LIBERDADE DE TRANSMITIR SUA EDUCAÇÃO 3 LEIS VIGENTES E EFICIENTES NO COMBATE A VIOLENCIA CONTRA O MENOR 3.1 PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL 3.2 PROTEÇÃO NO CODIGO CIVIL 3.3 PROTEÇÃO NO ECA 4 A EDUCAÇÃO COMO MEIO EFICIENTE DE MUDANÇA 4.1 A INTERFERENCIA EDUCACIONAL NA CULTURA 4.2 A EDUCAÇÃO COMO INSTRUMENTO DOSADOR 5 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS

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REFERÊNCIAS

História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003. BRUSCHINI, Alberto. Teoria Crítica da Família. In: Cadernos de Pesquisa, nº 37, p. 98-113. São Paulo, 1981. SANTOS, Fernando Ferreira. Princípio Constitucional da Dignidade da Pessoa Humana. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2004. SANTOS, Mônica Pereira dos, PAULINO, Marcos Moreira (orgs.). Inclusão em educação: culturas, políticas e práticas. São Paulo: Cortez, 2006. SARLET, Ingo Wolfgang. A eficácia dos direitos fundamentais. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 1998. SILVA, Tânia Pereira da (coord.). O melhor interesse da criança: um debate interdisciplinar. Rio de Janeiro: Renovar, 2001. DESLANDES, S. F. Livro das Famílias: conversando sobre a vida e sobre os filhos. Rio de Janeiro: Ministério da Saúde – Sociedade Brasileira de Pediatria, 2005. FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia, Saberes Necessários à Pratica Educativa. 30. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996. FROMM, Erich. REVISTA ÂMBITO JURÍDICO - Palmadas que educam: O direito-dever dos pai de corrigir. Disponibilizado em: <http://www.ambito-juridico.com.br/pdfsGerados/artigos/8967.pdf> VADE MECUM, EDITORA SARAIVA – 7ª EDIÇÃO, Consulta a Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente, Código Civil e Código Penal.