You are on page 1of 12

A C Ó R D Ã O 2ª Turma GMJRP/af EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos de declaração desprovidos em face da inexistência de vício a sanar.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Embargos de Declaração em Recurso de Revista n° TST-ED-RR-506441.2010.5.10.0000, em que é Embargante COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO - CONAB e Embargado MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO DA 10ª REGIÃO. A Segunda Turma deu provimento ao recurso de revista interposto pelo Ministério Público do Trabalho da 10ª Região para julgar procedente em parte esta ação civil coletiva e, declarando que os cinco níveis salariais concedidos em 1994 e 1995 pela reclamada a todos os seus empregados a título de promoções por merecimento possuem natureza de recomposição salarial a eles concedida em caráter geral, condenar a reclamada a proceder ao enquadramento funcional e salarial de todos os empregados anistiados que a ela retornaram ao serviço, nos termos da Lei nº 8.878/94, considerando aqueles cinco níveis de progressão funcional a título de promoção por merecimento, nos termos do artigo 471 da CLT, bem como a pagar-lhes as diferenças salariais em razão dessas promoções ocorridas, nos termos em que foram concedidas aos seus demais empregados em atividade e a partir da data do efetivo retorno de cada anistiado ao emprego, com reflexos desses valores sobre as demais vantagens trabalhistas decorrentes de lei e de normas coletivas de trabalho, parcelas vencidas e vincendas, tudo como se apurar em liquidação. Determinou-se, ainda, que os descontos tributários e previdenciários deverão ser feitos nos termos da lei. A reclamada opõe embargos de declaração, com fulcro nos arts. 535, incisos I e II, do CPC e 897-A, caput, da CLT, pretendendo o seu provimento a fim de que a decisão embargada seja reformada e, consequentemente, julgada improcedente a ação. Se outro for o entendimento a ser adotado, requer esclarecimentos sobre os itens destacados nas razões desses embargos, visando ao prequestionamento das respectivas matérias e à uniformização da jurisprudência no âmbito do TST e STF. Requer a concessão de efeito modificativo (Súmula nº 278 do TST). É o relatório.

878/94. ante o princípio da isonomia. sem realizar qualquer tipo de avaliação de desempenho. de forma que o tempo de afastamento não pode ser computado para qualquer efeito. decisão recorrida julgou improcedente o pedido de concessão de cinco níveis promocionais. INTERPRETAÇÃO AMPLA DAS LEIS DE ANISTIA. VANTAGENS CONCEDIDAS EM CARÁTER GERAL A TODOS OS TRABALHADORES DA CONAB. declarando que os efeitos da anistia operaram-se 'ex nunc'. mas tão somente a partir do efetivo retorno à atividade. ao fundamento de que os efeitos da anistia se operaram ex nunc.878/1994 e da Orientação Jurisprudencial Transitória no 56 da SDI-1/TST. Recorre o Ministério Público insistindo no direito à concessão de níveis funcionais. não havendo como negar tal direito aos empregados anistiados em razão da Lei 8. Alega que as promoções. COM BASE NO PRINCÍPIO DA ISONOMIA I .VOTO A decisão embargada assim está fundamentada: "RECURSO DE REVISTA MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO.878/94 não cuida de novo ingresso no serviço público. na exordial. Pleiteou.CONAB narrando. 1995 tinham nítido caráter de reajuste salarial. sob a alegação de que a anistia prevista na Lei 8. ANISTIA. nos termos do art. 6° da Lei 8. que a Ré concedeu indistintamente a todos os seus empregados cinco níveis promocionais. e ascensão em níveis. mas implica apenas o retorno à situação anterior às demissões e . nos termos da OJ 56/TST-SDI-1/TST. APLICABILIDADE DO ARTIGO 471 DA CLT A ESTA HIPÓTESE DE SUSPENSÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. A Reclamada contesta a ação ressaltando que os empregados afastados não fazem jus ao recebimento de parcelas concedidas no período de afastamento. uma vez que estimula a discriminação. A r. O entendimento do Regional está alicerçado nos seguintes fundamentos: '(2) MÉRITO: O MINISTÉRIO PIJBLICO DO TRABALHO ajuizou ação civil coletiva em face da COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO . NO PERÍODO DE AFASTAMENTO DOS ANISTIADOS. não tendo direito os empregados afastados à sua contagem para fins de promoção. LEI Nº 8. AÇÃO CIVIL COLETIVA. também.878/1994. a condenação da empresa por dano moral coletivo. por merecimento conferidas aos demais empregados da empresa ré entre os anos de 1993 e. tendo em vista que a sua conduta reiterada causou e causa lesão ao interesse dos trabalhadores.CONHECIMENTO O Tribunal Regional manteve a sentença pela qual foi julgado improcedente o pedido de concessão de cinco níveis promocionais a todos os trabalhadores da Conab no período de afastamento dos anistiados.

prêmio. porque falta o estabelecimento da perseguição efetiva que ensejaria a 'anistia' e assim a 'readmissão'.' Verifica-se que a anistia não foi concedida de forma geral e ampla. Os efeitos financeiros da anistia concedida pela Lei 8. LEI 8. como acusa o Autor. promoção. 6°. diante da própria regra insculpida no art. ao instante em que a rescisão contratual teria operado efeitos e exigiria. vedada a remuneração de qualquer espécie em caráter financeiro. porque se pelo primeiro instituto há o restabelecimento do vínculo. sem que possa computar o tempo de afastamento como de efetivo serviço. reingresso mediante nova admissão em concurso público. persiste na ocorrência de dano moral e consequente indenização. Por fim. adicionais. como emprestar o efeito retroativo pretendido. como também na OJ-56/TST-SDI-1.874/1994. emergindo burla à regra contida no artigo 37. nem perceber os salários e vantagens relativos a tal período.878/1994. inclusive quanto à progressão funcional. Contudo.ANISTIA. não por menos razão das ressalvas deste Relator aos efeitos da Lei nº 8. não restando demonstrada qualquer ofensa ao princípio da isonomia. para o retorno do empregado demitido. de questionável constitucionalidade. Há uma inequívoca distinção entre reintegração e readmissão. se a própria norma que definiu a readmissão restringe efeitos para o futuro. 6° da Lei 8. da Constituição. diferentemente da reintegração. triênios e licenças. pois. a pretensão ministerial se mostra contrária aos efeitos conferidos pela Lei da Anistia: 'Art. anuênios. A anistia a que se refere esta lei só gerará efeitos financeiros a partir do efetivo retorno à atividade. gerando efeitos somente a partir do efetivo retorno do empregado ao trabalho. tem-se que os efeitos da anistia se compatibilizam com o instituto da readmissão.' 'OJT 56/TST-SDI-l . pelo segundo emerge mero retorno sem efeitos passados. férias. II. ainda.878/1994 somente serão devidos a partir do efetivo retorno à atividade. Com efeito.exonerações. existindo restrições. dentre as quais a vedação de remuneração em caráter retroativo.878/1994. situação em que o . EFEITOS FINANCEIROS DEVIDOS A PARTIR DO EFETIVO RETORNO À ATIVIDADE. Não há. quando o empregado é novamente admitido. ao instante em que aplico o contido no referido diploma legal o faço com as restrições dele decorrentes não se podendo ampliar o que a lei. vedada a remuneração em caráter retroativo. tendo a jurisprudência se firmado pela constitucionalidade da norma legal. Assim. Sustenta. mostrando-se inviável o deferimento do pleito diante da inquestionável diferença de situação jurídica entre os funcionários que permaneceram na ativa e aqueles que foram agraciados pela anistia. não permitiu. que inexiste vedação para a contagem de tempo para os efeitos de aposentadoria. O apelo não prospera.

A discussão empreendida nos autos. repito. de não conceder as promoções pleiteadas na inicial. restando. percebe-se que o deferimento do pleito exordial para progressão funcional gera efeito financeiro indireto. inclusive os decorrentes de transformações ou enquadramentos. não se pode. o Ministério Público do Trabalho ingressou com ação civil coletiva em defesa dos interesses e direitos individuais homogêneos e indisponíveis dos trabalhadores. ficando vedada. Nesses termos. também não emerge direito a isonomia de tratamento com aqueles empregados que não tiveram o contrato rescindido. observada a regra inserta na Lei da Anistia. o efeito pretérito pretendido. Nego provimento.878/94. quando for o caso. despedidos ou dispensados com violação de dispositivo constitucional. não está afeta ao pedido de pagamento de parcelas relativas ao período de afastamento dos anistiados. Não havendo. porque. por seu artigo 6º. a geração de efeitos financeiros antes da data do seu efetivo retorno à atividade e remuneração desses em caráter retroativo. Em razões de recurso de revista de págs. dentre os quais os empregados permanentes de empresas públicas e sociedades de economia mista sob controle da União." Citou arestos para estabelecer o confronto jurisprudencial. implicou afronta ao princípio da isonomia. 896. nos termos do art. o Ministério Público do Trabalho da 10ª Região argumenta que o entendimento adotado pelo Regional. A Lei nº 8.878/1994. porém. por consequência. o que é vedado pela Lei 8. prejudicado o apelo quanto ao pleito referente a dano moral coletivo. da CLT. 390-392). Seu artigo 2º. alínea "a". que. Por esse motivo. por motivação política devidamente caracterizada ou por interrupção de atividade profissional em decorrência de movimentação grevista. a readmissão resultou em efeitos apenas a partir do retorno à atividade efetiva. por sua vez. regulamentar ou de cláusula constante de norma coletiva de trabalho. legal. em seu artigo 1º. tenham sido exonerados. como se a relação de emprego não tivesse sofrido solução de continuidade.878/94) concedeu aos anistiados todos os direitos e vantagens inerentes ao cargo e emprego. como erroneamente o fez o despacho denegatório do seguimento deste recurso de . e não antes. 400-416. afirmar. Ressalta que a "Lei de Anistia (Lei n° 8. outrossim. em que pretendia a recomposição salarial dos empregados anistiados. naquele resultante da respectiva transformação. concedeu anistia aos servidores públicos civis federais. assegurou o retorno do anistiado ao serviço no cargo ou emprego anteriormente ocupado ou.' (págs.empregado retorna ao serviço. assim. todas as vantagens conferidas à categoria a que teriam direito se trabalhando estivessem. porque permitido um tratamento manifestamente desigual a empregados de uma mesma empresa pública. No caso. no período compreendido entre 16 de março de 1990 e 30 de setembro de 1992. a princípio. garantiu aos anistiados. demitidos. de que o marco inicial dos efeitos financeiros decorrentes da recomposição é a data do efetivo retorno dos anistiados à atividade. nos termos em que concedida a todos os empregados da Conab.

pleiteou que os empregados anistiados da Conab recebessem salários e demais vantagens relativos ao período em que estiveram afastados do serviço. 403 e 404. concedeu a todos os seus empregados em atividade no decorrer do período de seu afastamento.878/94. em que é adotado o entendimento. tão somente. em face do aresto transcrito às págs. que dispõem que "os efeitos financeiros da anistia concedida pela Lei nº 8. no entanto. As instâncias ordinárias julgaram improcedente o referido pedido inicial. aprofundar o exame da matéria para se concluir num ou noutro sentido. por força da incidência do artigo 471 da CLT. mas de forma linear e com dispensa da avaliação de desempenho. que lhes houvessem sido assegurados os cinco níveis de reenquadramento salarial que a reclamada. das diferenças salariais e suas repercussões nas demais verbas trabalhistas decorrentes daquela recomposição salarial.878/94 somente serão devidos a partir do efetivo retorno à atividade. Conheço do recurso por divergência jurisprudencial. claramente registrada no acórdão regional. É preciso. noticiando que eles foram readmitidos ao serviço nos mesmos cargos e funções que antes ocupavam. porém. que fossem eles readmitidos exatamente nos mesmos níveis salariais assegurados. incontroversamente. mas de forma linear e sem nenhuma avaliação de desempenho. o recorrente logra êxito quanto ao conhecimento de seu recurso de revista por divergência jurisprudencial.878/94 e do entendimento consagrado na Orientação Jurisprudencial Transitória nº 56 da SBDI-1 desta Corte. data venia.MÉRITO No caso. a partir de suas respectivas datas de retorno ao serviço. em nenhum momento. de modo que atraia o disposto no § 4º do artigo 896 da CLT e na Súmula nº 333 deste Tribunal Superior. e sim.878/94. para a circunstância peculiar. de que. vedada a remuneração em caráter retroativo". de que o Ministério Público do Trabalho. . postulando a concessão a eles. Superado esse obstáculo preliminar. sem. Não se atentou. a título de promoções por merecimento. a todos os seus colegas de trabalho ocupantes dos mesmos cargos e funções e que continuaram em serviço. sendo postulado o pagamento das consequentes diferenças salariais e suas repercussões apenas a partir das datas de seus respectivos retornos ao serviço.revista. considerando-o incompatível com o artigo 6º da referida Lei de Anistia e com a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 56 da SBDI-1 desta Corte. originário do TRT da 3ª Região. sem deixar de observar que os valores em consequência devidos deverão ser pagos somente a partir do efetivo retorno de cada anistiado ao serviço. por força do disposto na Lei nº 8. devem ser asseguradas aos empregados que retornaram ao emprego. todas as promoções e demais vantagens concedidas aos empregados que permaneceram nos mesmos cargos e funções dos primeiros durante o período de seu afastamento. que a pretensão inicial objeto desta ação civil coletiva esbarraria na apontada vedação do artigo 6º da Lei nº 8. a título de promoções por merecimento. o Ministério Público do Trabalho da 10ª Região ingressou com ação civil coletiva em defesa dos interesses e direitos individuais homogêneos e indisponíveis dos empregados anistiados da Conab que a ela foram readmitidos por força da Lei nº 8. II .

ao discorrer sobre o tema. quando se aplicam as leis de anistia. ao contrário. portanto. à interpretação das cláusulas contratuais benéficas e onerosas. relativamente ao motivo que a ditou. se enquadrem na figura jurídica de privilégios. em virtude da teleologia dessas normas jurídicas. o cerne da discussão não é o pedido de pagamento de parcelas relativas ao período de afastamento dos anistiados. A doutrina. devendo ser. Pontes de Miranda. verbis: . no período de afastamento dos anistiados. sob pena de não se lhes dar a devida eficácia e frustrar a sua finalidade maior. sem deixar de registrar que "anistia é apagar na lembrança". bem como aos princípios seus e da legislação em geral" (In "Hermenêutica e Aplicação do Direito". portanto. que se dê tratamento isonômico aos empregados que continuaram trabalhando e àqueles que foram demitidos ou dispensados de seus empregos na reclamada e posteriormente retornaram ao trabalho porque anistiados. no entanto. a mais ampla e generosa possível em favor dos anistiados. sejam enquadrados em um patamar inferior aos dos seus colegas que ocupavam a mesma função no momento do desligamento. artigo 114). faz com que os empregados afastados. por ocasião do retorno ao trabalho. não suportam exegese estrita. é preciso. os critérios hermenêuticos devem ser outros. Desse modo. dar aos textos a interpretação mais ampla que seja possível" (In "Comentários à Constituição". 2ª Ed. mas a outorga de vantagens concedidas genericamente ao conjunto dos trabalhadores da reclamada no período de afastamento dos anistiados. Como é sabido.Busca o recorrente. Carlos Maximiliano adverte: "Decretos de anistia. os de insulto. 44 e 49). quando se trata de negócios jurídicos benéficos. atentar para as peculiaridades dos princípios que regem a interpretação das leis que versam sobre anistia e que são inteiramente distintos daqueles que se aplicam. Anistia significa perdão e esquecimento: por isso mesmo.. Assim se entende. p. Na mesma linha caminha Heleno Fragoso. ensina: "Na execução administrativa e na interpretação e aplicação judiciária da anistia. A disparidade que se pretende reparar está calcada no fato de que a concessão das vantagens em caráter geral a todos os trabalhadores da Conab. embora envolvam concessões ou favores e. mas. antes de tudo.194). sobretudo se não se interpretam de modo a que venham causar prejuízo. o perdão do ofendido e outros benefícios. por incumbir ao homereuta atribuir à regra positiva o sentido que dá maior eficácia à mesma.. é absolutamente pacífica. 19ª Ed. e ao fim colimado. os intérpretes devem. p. a interpretação das leis de anistia não pode ser restritiva. a esse respeito. Para seu adequado deslinde. as cláusulas que concedem vantagens devem ser interpretadas estritamente (Código Civil. no direito privado.

não há obrigação. afastado do emprego. implicaria. é por si só mais do que suficiente para determinar a procedência do pedido inicial em exame. no período de afastamento dos empregados anistiados.878/94 estabeleceu que a anistia aos empregados por ela beneficiados só gerará efeitos financeiros a partir do efetivo retorno à atividade e vedou sua remuneração em caráter retroativo. particularmente. necessariamente. são asseguradas. Se não há dúvida de que. 3ª Ed.. na qualidade de regra geral aplicável a todos os casos de suspensão e de interrupção do contrato de trabalho e que foi editada exatamente com a finalidade de dar aplicação prática ao princípio da isonomia nessas situações.fundamento legal que. em contrapartida e como regra geral. ensejando-se a . efeito financeiro indireto vedado por aquele dispositivo de lei. por excessivamente restritivo e irrazoável. o entendimento da decisão regional ora em exame.o que.878/94. Por fim. por parte do empregador. p. o período de seu afastamento do serviço (ou seja. aplicando-se ao caso dos autos. Portanto. por ocasião de sua volta. desse modo. não há. nem razoável. por força desse preceito legal. não atende ao próprio interesse público da Administração Indireta federal. não se pode ignorar que. quando o artigo 6º da Lei nº 8."Das formas de indulgência soberana. a obrigação de prestar serviços. Se assim é. mas também. dispõe que "ao empregado. em sua ausência. é exatamente a falta de razoabilidade de uma distinção entre dois sujeitos que caracteriza a existência de uma situação anti-isonômica ou discriminatória. como se sabe. não deixou de lhes assegurar a repristinação desse mesmo contrato de trabalho que originalmente mantinham com os entes públicos federais (tanto que é absolutamente pacífico que seu retorno ao serviço não exige sua nova aprovação em concurso público). por parte do empregado. todas as vantagens que. ser considerado. um período de genuína suspensão do único contrato de trabalho mantido pelas partes (em que. de que as vantagens concedidas no período de afastamento . Como se sabe. do ponto de vista jurídico. Ao contrário. causando inexplicável distorção nos próprios quadros funcionais da empresa pública reclamada. não se pode dar uma interpretação excessivamente restritiva às leis de anistia e. os efeitos financeiros retroativos dessa anistia são vedados. 418). que.especialmente aquelas concedidas em caráter geral. tenham sido atribuídas à categoria a que pertencia na empresa" . se incorporadas aos seus contratos de trabalho após o seu retorno ao serviço. por sua vez. o período depois de sua dispensa e antes de seu retorno ao trabalho). seu direito apenas à sua readmissão ao serviço (e não sua reintegração). deve. de lhe pagar salários). certamente. assegurandolhes. linear e impessoal a todos os trabalhadores que. exige que se observe o disposto no artigo 471 da CLT. ao multicitado artigo 6º da Lei nº 8. deve ser igualmente repelido. continuaram a trabalhar enquadrados nos mesmos cargos e desempenhando as mesmas funções desses últimos -. no sentido de que os empregados anistiados jamais farão jus a nenhum pagamento de salários e demais vantagens acessórias referentes ao período anterior a seu efetivo retorno ao serviço (ficando inteiramente vedado que eles recebam verbas salariais relativas a um período em que não trabalharam). Isso. a anistia é a que apresenta mais amplos efeitos" (In "Lições de Direito Penal". a readmissão dos empregados anistiados em cinco níveis salariais abaixo daqueles em que se encontram enquadrados os demais empregados da reclamada que atuam nos mesmos cargos e funções é que não se afigura justificada.

seus contratos de trabalho. portanto. 416). ora se examina. quando necessária a realização de concurso. ingressarão na Conab no mesmo patamar dos trabalhadores que receberam os cinco níveis salariais em discussão. ao seu final (pág. como se em atividade estivessem (mas com efeitos financeiros devidos apenas a partir das datas de seus respectivos retornos ao serviço). após avaliações de desempenho pessoais e específicas de todos os empregados que a elas se candidataram . reclamações que têm por objeto o pedido inicial de concessão automática. que já existem. da leitura daquela peça recursal (especialmente a partir da pág. chegar-se-ia a mais uma situação inusitada. por ocasião do retorno ao trabalho. por outro lado. Deve ainda ser notado. se . que. por exemplo. não existe desalinho com a Lei da Anistia e a Orientação Jurisprudencial Transitória nº 56 da SBDI-1 desta Corte. Portanto. Na hipótese. 309-311) e não foi objeto de recurso por nenhuma das partes. Não se ignora. ficando também em patamar superior ao dos anistiados ocupantes dos mesmos cargos e que desempenharem as mesmas funções. uma vez que suas readmissões ao serviço começaram a ocorrer apenas em março de 2004.e cujos desfechos. de promoções por merecimento que. Finalmente. os empregados da reclamada.recomposição da remuneração dos reclamantes pela concessão dos cinco níveis salariais em discussão. como. na forma daquela lei. anistiados e substituídos processualmente nesta ação civil coletiva. no período de afastamento dos anistiados. não estão sujeitos a nenhum prazo prescricional. ao se deferir o pagamento da recomposição salarial de cinco níveis a todos os anistiados. que o artigo 4º da mesma Lei nº 8. deverão excluir das vagas a serem preenchidas pelos concursados o número correspondente ao dos empregados anistiados. estão em pleno vigor e esta ação civil coletiva foi ajuizada em 26/02/2009.878/94. a empregados anistiados nos termos da Lei nº 8. contratação ou processo seletivo com vistas ao provimento de cargo ou emprego permanente. foram concedidas apenas a alguns outros empregados ocupantes dos mesmos cargos daqueles reclamantes. ao contrário das que foram objeto desta ação civil coletiva. no período de seu afastamento. em nada interferem no entendimento ora sustentado. postular o seu provimento para julgar procedentes todos os pedidos iniciais elencados nesta ação. irrazoável e certamente anti-isonômica: os novos empregados. apesar deste recurso de revista. no Tribunal Superior do Trabalho. após sua aprovação nesses certames públicos. ao menos em princípio. é de se registrar que. em um patamar inferior ao conjunto dos trabalhadores que desenvolvem a mesma função não se justifica. total ou parcial. neste caso. após a readmissão de cada um deles e nos termos em que foi concedida aos demais trabalhadores. concedidos linearmente ao conjunto dos empregados da reclamada. por relevante. por derradeiro. alguns precedentes. desta mesma empresa reclamada que versam sobre outras hipóteses fáticas ou jurídicas bem diferentes da que. no período de afastamento dos anistiados. Menciona-se. 402).878/94 também estabeleceu que todos os entes públicos federais por ela alcançados (inclusive a reclamada). como ficou expresso na sentença (págs. o enquadramento dos empregados afastados. exatamente pela total dessemelhança com a situação examinada nestes autos. A prevalecer a linha de entendimento adotada na decisão regional ora em exame.

razão pela qual nada há a dispor a esse respeito. tudo como se apurar em liquidação.878/94. pois. sem. se propõe a defender que esta Corte reavaliou o acerto probatório dos autos. neste caso. Invertem-se os ônus da sucumbência. para chegar à conclusão de que são devidas as vantagens concedidas genericamente ao conjunto dos trabalhadores da reclamada no período de afastamento dos anistiados. nos termos em que foram concedidas aos seus demais empregados em atividade e a partir da data do efetivo retorno de cada anistiado ao emprego. ao contrário das que foram objeto desta ação civil coletiva. da Constituição Federal. exatamente pela total dessemelhança com a situação examinada nestes autos. calculadas sobre o valor da condenação. com custas processuais no importe de R$ 2. nos termos da Lei nº 8. nos termos do artigo 471 da CLT. Talvez. demonstrar a ocorrência desse procedimento. reexaminou o acervo probatório dos autos. 832 da CLT.00. condenar a reclamada a proceder ao enquadramento funcional e salarial de todos os empregados anistiados que a ela retornaram ao serviço.000. com reflexos desses valores sobre as demais vantagens trabalhistas decorrentes de lei e de normas coletivas de trabalho. 126.878/94. declarando que os cinco níveis salariais concedidos em 1994 e 1995 pela reclamada a todos os seus empregados a título de promoções por merecimento possuem natureza de recomposição salarial a eles concedida em caráter geral. Diante dos fundamentos expostos. foram concedidas apenas a alguns outros empregados ocupantes dos mesmos cargos daqueles reclamantes. de promoções por merecimento que.00. a embargante alega que esta Corte. considerando aqueles cinco níveis de progressão funcional a título de promoção por merecimento.depreende que não foi apresentada nenhuma fundamentação relativa aos pedidos iniciais referentes ao pagamento de indenização por dano moral coletivo e antecipação dos efeitos da tutela de mérito. contudo. suposta omissão.000. salvo no que toca aos reflexos sobre o FGTS. dou provimento ao recurso de revista para julgar procedente em parte esta ação civil coletiva e. ao julgar o recurso de revista interposto pelo autor. Inicialmente. como. por exemplo. em nada interferem no entendimento ora sustentado".e cujos desfechos. nesse item. após avaliações de desempenho pessoais e específicas de todos os empregados que a elas se candidataram . bem como a pagar-lhes as diferenças salariais em razão dessas promoções ocorridas. a embargante ignora o verdadeiro objeto da ação e se confunde com "alguns precedentes. ora fixado em R$ 100. A reclamada. reclamações que têm por objeto o pedido inicial de concessão automática. objetivamente. declara-se que haverá incidência de contribuições previdenciárias sobre as diferenças salariais deferidas e seus reflexos. a empregados anistiados nos termos da Lei nº 8. Para fim do disposto no § 3º do art. desta mesma empresa reclamada que versam sobre outras hipóteses fáticas ou jurídicas bem diferentes da que. seria necessário apreciar o histórico funcional dos obreiros anistiados. a cargo da reclamada. Os descontos tributários deverão ser feitos nos termos da lei". 221 e 333 do TST bem como violação do artigo 93. ora se examina. . inciso IX. além de não indicar. parcelas vencidas e vincendas. o que implica contrariedade às Súmulas nºs 23.

não há a mais longínqua pretensão de sanar eventual vicio no julgado. pois a matéria sequer é objeto de discussão. previsões orçamentárias. art. Em sequência. passa a expor fundamentos sobre a questão de mérito. Trajetória essa. mas a outorga de vantagens concedidas genericamente ao conjunto dos trabalhadores da reclamada no período de afastamento dos anistiados". ainda que em sede de embargos de declaração. e no questionamento da trajetória percorrida por este Julgador para se chegar à conclusão de que procede o pleito inicial. posto que é seu dever analisar todos os pontos levantados em defesa. contrariando seus próprios argumentos de que esta Corte. também. tanto que. minuciosamente. faixa/nível salarial do cargo. . se esquiva da finalidade precípua dos embargos de declaração. não fez nenhuma alusão ao tema da prescrição. revelada. em face da caracterização da prescrição extintiva do direito de ação (CPC. em seguida. na decisão embargada. A parte. que todo o empreendimento destinado à questão de mérito está calcado na rediscussão da matéria debatida. A partir dos fundamentos constantes da decisão embargada. 269. Constata-se. IV). XXIX. que a matéria em questão. a natureza jurídica da Conab. revolveu fatos e provas. ações coletivas e ações individuais. para decidir. e assim cerceando o direito de defesa da Embargante. distribuição do ônus da prova.Note-se o destaque feito. contrariando as disposições da Súmula nº 126 do TST. Inteligência da Constituição Federal. advertindo que "o ilustre magistrado deixou de analisar as provas carreadas aos autos. efeitos financeiros e reflexos da condenação. A embargante. Notadamente. devendo o processo ser extinto com resolução de mérito. No mínimo. ponderando sobre atos da Diretoria da Conab. quadro de carreira. tanto que a parte sequer demonstra a ocorrência de suposto vício no julgado e passa a debater o tema. em suas contraminuta e contrarrazões aos agravo de instrumento e recurso de revista interpostos pelo autor. é possível concluir. pelo que pugna a Embargante. de que "o cerne da discussão não é o pedido de pagamento de parcelas relativas ao período de afastamento dos anistiados. imprópria a mencionada argumentação da embargante. em seu art. bem como a prova documental". efetivamente. a embargante tece extenso arrazoado sobre o tema "prescrição" para concluir que "é inconteste que o pleito do Embargado está prescrito. bem como a devida aplicação da Súmula 294/TST". nos autos. sendo omisso. 7°. novamente.

200-2/2001) JOSÉ ROBERTO FREIRE PIMENTA Ministro Relator ."pleito de vantagens concedidas em caráter geral a todos os trabalhadores da CONAB. inciso IX. 93. incorrendo em omissão e. negar provimento aos embargos de declaração. A intenção de obter prequestionamento para assegurar a interposição de recursos futuros. As hipóteses de cabimento desse recurso estão taxativamente definidas em lei. por unanimidade. no período de afastamento dos anistiados. só se justifica quando. 18 de abril de 2012. os argumentos declinados pela embargante evidenciam o caráter manifestamente procrastinatório do manejo destes embargos de declaração. por meio de embargos de declaração. obstruindo a configuração do prequestionamento. e a necessidade de prequestionamento não constitui hipótese autônoma. foi exaustivamente tratada. Nego provimento aos embargos de declaração. nos termos do art. de fato. também. e sim para sanar omissão. Quanto ao pretenso prequestionamento. Nessa hipótese. haja o órgão prolator da decisão incorrido em omissão. Diferente seria se a decisão embargada não tivesse examinado matéria invocada no recurso de revista. no sentido de conferir plena prestação jurisdicional. Convicção que se robustece quando se atenta para o fato de não se divisar a existência das omissões indicadas nas razões de embargos de declaração. caberiam os embargos de declaração. Na verdade. intenção de prequestionamento que justificasse a oposição de embargos de declaração. Brasília. Firmado por assinatura digital (MP 2. na forma da lei. ISTOPOSTO ACORDAM os Ministros da Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho. com apoio no princípio da isonomia". se não havia omissão. não por falta de prequestionamento. o que não ocorreu. consequentemente. da Constituição Federal. não havia.

200-2/2001.5.FASE ATUAL: ED Firmado por assinatura digital em 20/04/2012 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho.0000 . PROCESSO Nº TST-RR-5064-41. que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira. . conforme MP 2.fls.2010.10.