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DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO 07/02/12 Avaliações: 1º trabalho – 10 – 13/03 1ª prova – 20 – 23/03 2ª prova – 20 – 08/05 2º trabalho – 20 – 05/06 Avaliação global – 30 – 12/06 Avaliação substitutiva – 15/06 Reavaliação – 19/06 Bibliografia: DOLINGER

, Jacob. Direito Internacional Privado. ARAÚJO, Nádia. Direito Internacional Privado: teoria e prática brasileira. DINIZ, Maria Helena. Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro Interpretado. STRENGER, Irineu. CASTRO, Amílcar. Conteúdo: I – Parte Geral 1) O objeto de estudo do DI privado a) nacionalidade;= cuida da caracterização do Nacional de cada Estado (formas originárias e derivadas de aquisição de nacionalidade, a perda de nacionalidade e sua reaquisição) b) condição jurídica do estrangeiro;= versa sobre os direitos dos estrangeiros de entrar e permanecer no país, quando residente e domiciliado no território

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nacional trata dos seus direitos em vários planos do Direito (econômico, social, publico...), incluindo as restrições que sofrem em determinada áreas da atividade humana. c) “conflito de leis”;= relações humanas ligadas a dois ou mais sistemas jurídicos os quais as normas de direito material não coincidem devendo determinar qual é a lei aplicável. d) conflito de jurisdição;= solução de conflitos que envolvem pessoas, coisas e interesses que extravasam os limites de uma soberania( reconhecimento e execução de sentenças proferidas no estrangeiro) e) o direito adquirido (em sua dimensão internacional).= quando as relações jurídicas nascem em uma jurisdição mas acabam afetando outra seus efeitos fica essa relação jurídica sujeita a legislação diversa. O estudo do conflito de leis => Ex. morre um brasileiro, domiciliado na Espanha, deixando bens no Brasil e na Espanha e cônjuge espanhol. Determine: a) A lei aplicável à presente sucessão -> a LINDB diz que se aplica a lei do país onde era domiciliado o falecido. Será decidido no Brasil com a lei estrangeira (só a Justiça brasileira é competente para decidir sobre bens situados no território brasileiro).

 O Direito Internacional Privado tem por objeto indicar qual a lei aplicável. Feito isto, sai de cena, não adentrando na análise de mérito.  O direito adquirido em determinado país deve ser respeitado pelo Direito do local onde venha a se domiciliar.

2) A denominação da disciplina: Direito Internacional Privado. O termo ‘internacional’ dá a ideia de relação entre Estados soberanos (tratados) [conflitos entre Estados-membros com autonomia legislativa em determinados países não suscita o direito internacional, pois se trata de conflito interno]. Contudo, o direito internacional privado não se refere a uma atividade legiferante de nível internacional (como nos tratados), mas sim a normas internas (atividade legislativa interna) de cada 2

país (“de internacional não tem nada”), sendo, por isso, o termo ‘internacional’ do nome da disciplina criticado por diversos autores. O direito internacional privado é preponderantemente composto por regras produzidas pelo legislador interno, por isso critica-se tanto o termo internacional privado. Outra critica que se faz a denominação internacional é que o termo da ideia de relação jurídica entre Estados, quando o principal objetivo do direito em tela é tratar de interesses de pessoas privadas (físicas ou jurídicas) e quando trata dos interesses do Estado figura apenas como membro da sociedade comercial internacional (não soberana). Estuda conflitos inter-espaciais e não internacionais. Alguns autores criticam também o termo privado, pois as normas de qualquer país são públicas, pois oriundas de sua função legislativa. Outros defendem o termo dizendo que o mesmo se refere ao indivíduo, que figura nas relações objeto de estudo da disciplina. O termo privado recebe criticas, pois, varias disciplinas adentram no tema como direito processual penal, administrativo...., no entanto privado não esta em relação a norma mas sim ao sujeito interessado na lei. Outra critica apontada é em relação ao termo privado é que os interesses envolvidos são públicos. Apesar de equivocada a denominação, os autores, como Delinger, acabam por aceitá-la em função de sua força histórica. Quem deu melhor nome a matéria foi Arminjon, que sugeriu “direito intersistemático”.

3) A relação do DI privado com o DI público DI privado Sujeitos Particulares (pessoa física ou pessoa jurídica) Objeto “conflito de leis” DI público Estados soberanos, organizações internacionais, homem “normatizar as relações entre

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b) normas diretas (é auto-aplicável. a qual indicará ser ou não aplicável). independente da nacionalidade do indivíduo. (?) ->autores acreditam: .os grandes princípios do direito internacional privado emanam do direito internacional publico. 4) A classificação das normas de DI privado quanto à sua natureza: a) normas indiretas (são as normas de conflito. Os que defendem a autonomia se baseiam no fato de o direito se referir. Não há conflito ou indicação de norma a ser aplicada. Ex. por isso um processo indireto. conflitual. na verdade. pois sempre depende de outra. Indica a lei aplicável e sai de cena. como a permanência de estrangeiro. algo ocorrido no Brasil que é regido pela norma brasileira. A própria norma é que regulará a situação concreta.seus sujeitos” Poder competente para Legislativo No plano interno Executivo No plano internacional elaborar a norma Âmbito de elaboração da norma -> O DI privado possui autonomia face ao DI público? -> os autores se dividem. É determinada norma que regulará a situação e 4 . É. às normas internas de resolução de conflitos. que têm por finalidade indicar a lei aplicável na hipótese de o caso concreto estar vinculado a dois ou mais sistemas normativos. -o direito internacional privado é uma disciplina autônoma? o direito internacional privado e o público pertencem a uma disciplina comum constituindo uma ciência. .? Devemos ficar no meio termo não considerando a disciplina autônoma nem fruto da mesma ciência.o direito internacional privado é independente em relação publico sendo esse muito mais antigo que aquele.

tratados internacionais). Os países entenderam que seria realmente impraticável. Espontâneo . costumes. . é só aplicar a norma acordada entre os Estados signatários). um interessante parecer. a influência italiana no nosso CP.pronto. na época. mas. etc.  O Código Bustamante era um código de DI privado que foi criado. era inviável. da Alemanha e de Portugal no nosso CC. Direito Internacional Privado e Direito Comparado a) Direito uniforme . É norma interna). Ocorre também a aplicação de norma direta quando há um tratado internacional entre Estados sobre determinado assunto – não há conflito. Direito Uniforme. 5 . c) normas qualificadoras (só tem uma finalidade: conceituar institutos jurídicos. Bevilácqua fez. da mesma forma. conceituação de casamento.). pois se refere a assuntos de interesse exclusivamente internos. A outra forma é a dirigida ou uniformizada. sem nenhuma força externa (ex. em virtude das diversas especificidades de cada nação no que tange à cultura. etc. Dirigido ou uniformizado  Há duas formas de se uniformizar o direito. mas inviável. b) A criação do UNIDROIT e o entusiasmo sobre a possibilidade de unificação do direito privado. dizendo que a ideia era até boa. sendo paulatinamente abandonado pelos países signatários ou se tornando incompatível com as normas internas de cada um. Ex. que ocorre de maneira natural. como a nacionalidade. que ocorre quando dois ou mais países se reúnem para uniformizar suas normas (ex.O parecer de Clóvis Bevilácqua  Foi criado o UNIDROIT no intuito de uniformizar o direito dos vários países. A primeira é a espontânea.

são semelhantes as características que se referem ao comércio. dizia que a uniformização conduzia à dispensa das regras de conflito de tal forma que o Direito Uniforme seria a antítese do DI privado.. são mais facilmente uniformizados. . de forma geral. os países com maior “produção” de propriedades intelectuais acabaram “forçando” os demais países a efetuarem o tratado no intuito de proteger justamente o que aquele país já “dominava”. com grande importância no cenário mundial. Tudo isso facilitou e facilita a uniformização do direito econômico. mesmo diante das divergências que cada pais apresenta. à propriedade. d) As teorias de Tobias Asser e Josephus Jitta sobre a relação entre o direito “uniforme” e o DI privado.Josephus Jitta: o Direito Uniforme e o DI privado se complementam. o termo uniforme teria. enquanto Jitta se referia aos tratados. a OMC. em sua maioria. e) O método de atuação do DI privado na atualidade * Atribui-se ao Jitta a elaboração do método de atuação do DI privado . ex. Além disso. etc. . pois. Há.Conflitual . p. Método .Tobias Asser: em síntese. Os assuntos referentes ao comércio. devido a várias convenções e tratados. O fato é que a discussão entre esses autores trouxe progresso ao DI privado.c) A uniformização do direito econômico  O direito econômico é uma área que adquiriu certa uniformização.Uniformizador 6 . (inicialmente. o sentido do direito uniforme espontâneo. principalmente com a criação do método de atuação do DI privado por Jitta). para Asser. principalmente as referentes à propriedade intelectual.

História e Teoria do DI Privado a) O período da antiguidade . IX. c) O feudalismo e a concepção de territorialidade das leis. se recorrerá ao método conflitual. d) Os centros de mercancia da idade média. no qual se estuda qual a norma será aplicada. o método aplicado será o uniformizador). se não houver uniformização legal entre os países (se houver. f) A importância do Direito Comparado e sua relação com o DI privado * O DI privado uniformizado. XII que fez o seguinte questionamento: “se o homem de diversas províncias.Atenas -> as questões que envolviam o estrangeiro eram submetidas à apreciação do juiz encarregado de julgar todas as causas relacionadas à guerra e ao inimigo. qual desses costumes deve seguir?” 24/02/12 7 . jus pereguinum . jus civile . ALDRICUS – jurista bolonhês da 2ª metade do séc.Roma . Ao se analisar a situação concreta. os quais estão sujeitos a costumes diferentes comparecem perante um mesmo juiz. jus gentium . b) A invasão do império romano pelos “bárbaros” e o sistema da personalidade das leis – séc.

(dizia que nós vivemos em uma comunidade do gênero humano e o legislador. Jitta => responsável pela elaboração do método de atuação do DIP. Possui relação com direitos políticos e outros referentes às relações jurídicas.Séc. . quando da elaboração de critérios para indicar a lei aplicável. A importância do tema para o direito internacional 8 . deveria levar em conta essa comunidade – preocupando-se com normas. princípio da liberdade e princípio da soberania. 2. (sintetizou sua contribuição nesses três princípios) (esse autor diz que normas com forte conotação de ordem pública não pode ser aplicada senão no próprio Estado que a emanou – princípio da soberania) . Conceito Vínculo que une uma pessoa a uma pátria. (esse método se refere à forma de atuação do DIP. XIX Doutrinas modernas: . Savigny => o grande historiador. Joseph Story => magistrado da suprema corte dos EUA. inclusive. Diferença entre nacionalidade e cidadania Cidadania é um conceito mais restrito. se referindo à capacidade de exercício dos direitos. Pasquale Mancini => princípio da nacionalidade.PARTE HISTÓRICA (a 1ª aula de parte histórica não foi copiada) . 3. de outros Estados) . que atua de duas formas: de maneira conflitual ou pelo método uniformizador [por tratados – já explicado]) NACIONALIDADE 1.

ius sanguinis.Derivada – há várias formas (casamento.Apesar de alguns autores se recusarem a tratar o tema por entendê-lo sem relação com o direito internacional privado. de maneira voluntária. desde que estes não estejam a serviço de seu país. desde que qualquer deles esteja a serviço da RFB.Originária – ius soli. 9 . b) os nascidos no estrangeiro. benefício de lei e naturalização). mutações territoriais. 12 – são brasileiros: I – Natos: a) os nascidos na RFB. 4. é clara a importância que o estudo da nacionalidade tem na resolução dos conflitos de normas. 6. Nacionalidade originária x nacionalidade derivada A originária é a adquirida com o nascimento. (suprimiu o registro consular) Texto da EC 54/07 – a) registro consular ou b) residência no Brasil a qualquer tempo + opção. A derivada é a adquirida posteriormente. mas a legislação brasileira só permite a nacionalidade derivada pela naturalização. critério misto. Art. c) Texto de 1988 – a) registro consular ou b) residência no Brasil antes da maioridade + opção. jus laboris. . filhos de pai ou mãe brasileira. Formas de aquisição da nacionalidade . A nacionalidade no direito brasileiro: CF. Texto da EC 03/94 – residência no Brasil a qualquer tempo + opção. ainda que de pais estrangeiros. 5.

. A maioria da doutrina diz se referir ao pai ou à mãe. O STF já decidiu que a criança terá. (Lei 6815/80 – 4 anos) (esse é ato de soberania do Estado brasileiro) b) Os estrangeiros. nesse caso. Considerando que a mãe da criança era brasileira. essa criança terá direito à nacionalidade brasileira? -> vai variar conforme a interpretação de “pais” da alínea “a” acima.[O caso do cônsul francês: um cônsul francês teve um filho no Brasil.. residentes na RFB há 15 anos ininterruptos. o direito de escolha.. b) imposição de naturalização pela lei estrangeira ao brasileiro como requisito para permanência ou exercício de direitos.... salvo: a) reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira. após os 18 anos] 28/02/12 Nacionalidade derivada Art. (esse é direito subjetivo do estrangeiro que preencher os requisitos constitucionais) (naturalização extraordinária) Naturalização ordinária (Lei 6815/80) x naturalização extraordinária Perda da nacionalidade brasileira / dupla nacionalidade Art. 12. 10 . José Afonso da Silva entende que se refere a ambos. de qualquer nacionalidade. CF – será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: I – tiver cancelada a sua naturalização por sentença judicial em virtude de atividade nociva ao interesse nacional (perda punição) II – adquirir outra nacionalidade. CF – são brasileiros: II – naturalizados: a) Os que. 12. pai e mãe. §4º.. justamente por ter sido tratado de maneira diferente na alínea “b”. conforme ocorre com a alínea “b”. na forma da lei adquiriram a nacionalidade brasileira.

c) A saída compulsória do país. adquirir a nacionalidade brasileira) e) De cortesia.para cientista. oficial e diplomático.Estatuto do estrangeiro – Lei 6. análise de cada uma destas situações) 1º . etc. restrição radiodifusão) 11 . (prazo de validade do visto [5 anos] ≠ tempo de permanência [90 dias. ao final. prorrogáveis por mais 90]) c) Temporário. (condicionado a uma finalidade específica .A política nacional de entrada de estrangeiros no território brasileiro: . (de passagem pelo território) b) De turista. b) Os direitos a eles reconhecidos na legislação brasileira. Política (não pode votar nem ser votado) . estudante. (prazo de 5 anos – para quem queira. (a cargo do Ministério das Relações Exteriores) (os de cortesia são para a família e acompanhantes dos que recebem os vistos oficiais ou os diplomáticos) Brasileiro nato Cidadania plena Brasileiro naturalizado A CF restringe alguns cargos a brasileiros natos Estrangeiro .Reciprocidade As modalidades de vistos: a) De trânsito.815/80 Normatiza a condição jurídica do estrangeiro considerando o seguinte: a) A entrada do mesmo no território nacional. Propriedade (não pode comprar imóvel em fronteira [180 km] e imóvel rural acima de certa metragem.) d) Permanente. palestrante.Interesse do país . (a seguir.

na ausência do tratado. Extradição. ou de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. praticado antes da naturalização. que um indivíduo deixe de pagar pelas conseqüências de crime cometido. . Poucos países extraditam o nacional e apenas quando consagrada em Tratado. . denominado declaração de reciprocidade. em caso de crime comum. É princípio consagrado quase que universalmente nas mais diferentes legislações que não se concede a extradição de nacional. na forma da lei”. remetendo-lhe pessoa processada no país solicitante por crime punido na legislação de ambos os países. É concedida mediante Tratado existente entre as partes ou mediante a declaração de reciprocidade. e 2. segundo o qual o indivíduo não pode ser julgado por delito diferente do que fundamentou o pedido de extradição. permite-se que a extradição seja feita mediante um compromisso. salvo o naturalizado. [regras – a extradição se fundamenta na prática de um crime. como nos EUA e na Inglaterra. deve haver um tratado existente entre os Estados. mediante a cooperação internacional. a) Extradição: é o processo pelo qual um país atende ao pedido de outro Estado.02/03/12 Saída compulsória do estrangeiro: . No Brasil. sua finalidade é evitar a impunidade. quem solicita a extradição deve ter o interesse em punir] 12 . Deportação. A instituição da extradição tem por objetivo principal evitar. a Constituição determina que “nenhum brasileiro será extraditado. Expulsão. não se extraditando. nacional do país solicitado.princípio da identidade. tem por objetivo devolver alguém ao país solicitante. pelo qual não se dará a extradição quando no Estado de refúgio não se considerar crime o que fundamenta o pedido de extradição. via de regra. A extradição é regida por dois princípios que visam dar maior proteção ao extraditado: 1 – princípio da especialidade.

não há vedação] [não se extradita brasileiro. deve restringir-se às estritas necessidades da defesa e conservação do Estado. mas de um órgão de jurisdição internacional] [A lei brasileira proíbe a extradição indireta que é aquela que. ficando-lhe vedado o retorno ao país donde foi expulso. 102. d. em razão de crime ali praticado ou de comportamento nocivo aos interesses nacionais. A medida comporta por parte do expulsando a impetração de habeas corpus que deverá ser submetido ao STF (conf. É por isso que.815/80 dispõe que “caberá exclusivamente ao Presidente da República resolver sobre a conveniência da expulsão ou da sua revogação”. 13 . O direito de expulsão não pode ser exercido arbitrariamente. é preciso que a conduta seja considerada crime em ambos os Estados. exceto o naturalizado por crime cometido antes da naturalização ou por comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins] [com relação ao Tribunal Penal Internacional. ele só deve ser aplicado aos estrangeiros que perturbem efetivamente a tranqüilidade ou a ordem pública e constituam um perigo ou uma ameaça para esta ou se tornem seriamente inconvenientes aos altos interesses do Estado. Art. não se extradita também se houver possibilidade de a pena ser de morte. salvo se o pedido de expulsão for revogado.[não se extradita se o crime é de menor potencial ofensivo. a que o Brasil é signatário. se a pena no país solicitante for de prisão perpétua. O artigo 66 da Lei 6. I. instituído pelo Estatuto de Roma. não se fala em extradição. mas em entrega. salvo se o país solicitante firmar compromisso de aplicar pena privativa de liberdade não superior a 30 anos. pois não se trata de um Estado soberano. após ter sido negada a um país. segundo a opinião corrente. é concedida a outro que pretende permitir a extradição para aquele primeiro a quem o Brasil teria negado] b) Expulsão: é o processo pelo qual um país expele de seu território estrangeiro residente. CF/88). isto é.

comprovadamente esteja sob sua guarda e dele dependa economicamente. É um ato discricionário do Estado. segundo doutrina e jurisprudência. 105. Direito uniforme.Ao poder Judiciário compete tão somente a apreciação formal e a constatação da existência ou não de vícios de nulidade do ato expulsório. A expulsão não é pena. c) Deportação: É o processo de devolução de estrangeiro que aqui chega ou permanece irregularmente. A denominação da disciplina. Matéria do 1º trabalho e da 1ª prova: • • • • • O objeto de estudo do DIP. para o STJ (art. A Lei 6. I. mas constitui medida administrativa.815/80 dispõe que não se procederá a expulsão quando o estrangeiro tiver: a) cônjuge brasileiro do qual não esteja divorciado ou separado. c da CF/88). É de competência do Ministro da Justiça. Juan Carlos Abadia e Maurício Norambuena para a próxima aula – valor 6 pontos. Cesare Battisti. de fato ou de direito.964/81 que alterou a Lei 6.  Fazer um relato manuscrito sobre os casos: Salvatore Cacciola. como manifestação da sua soberania. exercida em proteção do Estado. não o mérito da decisão presidencial. A classificação das normas de DIP quanto à sua natureza. 14 . Cabe habeas corpus. e desde que o casamento tenha sido celebrado há mais de cinco anos. direito comparado. para o país de sua nacionalidade ou de sua procedência. O método de atuação do DIP (Jitta). ou b) filho brasileiro que. DIP e DIP uniformizado.

a lei canadense. 06/03/12 APLICAÇÃO. deixando bens no Brasil e herdeiros italianos.  Exemplo: morre um italiano. cabe à parte alegar. não podendo o juiz aplicar de ofício. História e teoria do DIP. a ação será proposta aqui. Existem duas formas de recepcionar essa lei estrangeira. Nacionalidade e condição jurídica do estrangeiro. fundamentalmente. domiciliado no Canadá. PROVA E INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ESTRANGEIRO Trata-se de três situações distintas e que não se confundem: Aplicação do direito estrangeiro Quanto à primeira delas há que se esclarecer o seguinte: a forma pela qual o juiz nacional irá aplicar no país uma lei estrangeira depende. prova e interpretação do direito estrangeiro. [natureza jurídica do direito estrangeiro -> fato ou lei]  Quando o direito estrangeiro é recepcionado como fato. -> no caso dos bens no Brasil. de tal forma que ou ela é recepcionada como fato ou é recepcionada como lei. da forma pela qual a norma estrangeira é recepcionada no ordenamento do foro. 15 . como ocorre quando é recepcionado como lei. ou seja.• • • A relação do DIP com o DI Público. mas o CC ordena a aplicação da lei do domicílio do falecido. É necessário averiguar qual é a natureza jurídica da norma estrangeira. • Aplicação.

estrangeiro ou consuetudinário. deixando bens no Brasil e cônjuge espanhol. conforme a doutrina. a seguinte situação: um brasileiro morreu na Espanha. 16 .Meios tradicionais de prova: a) Lei. a saber: como que o ordenamento brasileiro recepciona a norma estrangeira? Qual é a natureza jurídica da norma estrangeira? Disso depende a forma como o juiz nacional irá aplicar a lei estrangeira. no Brasil. estadual.Art. provar-lhe-á o teor e a vigência da lei se assim determinar o juiz”. Art. LINDB (Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro) – “não conhecendo a lei estrangeira. 337. onde era domiciliado há 10 anos. Como o juiz brasileiro irá aplicar o direito espanhol? Antes de respondermos ao questionamento supra.) Determina a LINDB que “a sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido”. pois a norma não é clara quanto a isso. temos que discutir uma questão preliminar.  A doutrina diz que a norma do CPC acima indica que a natureza jurídica do direito estrangeiro. Natureza jurídica da norma estrangeira  [fato ou lei] -> vimos que no Brasil a norma estrangeira tem natureza jurídica de lei. ao estadual e ao consuetudinário. Na verdade. Considere. esse foi um esforço enorme da doutrina nesse sentido. Logo -> aplicação da norma estrangeira no Brasil: “de ofício”. Prova do direito estrangeiro: . 13/03/12 (cont. pois o legislador “equiparou” o direito estrangeiro ao municipal. A norma da LINDB é ainda mais confusa nesse sentido. é de lei. CPC – “a parte que alegar direito municipal. então. poderá o juiz exigir de quem a invoca a prova do texto e da vigência”. 14.

Meios (de prova) introduzidos pelo Código Bustamante: a) Certidão legalizada de dois advogados inscritos na Ordem dos Advogados e em exercício no país cujo direito se quer provar. a saber: 1ª – Sistema da recepção material -> propõe a incorporação e a nacionalização da norma estrangeira. na verdade. Acabou por não ser aplicado em virtude de normas internas de cada país. se mostravam incompatíveis.b) Doutrina. como uma outra norma nacional) 17 . . (no Brasil. um parecer em que os advogados do país do direito que se quer provar informam o direito requerido. c) Jurisprudência. há uma cultura em se preferir esse meio oficial para a prova de direito estrangeira)  O Código Bustamante é um código de direito privado criado no intuito de uniformizar o direito internacional privado na América. que. Interpretação do Direito estrangeiro Considerem o seguinte: qual a margem de liberdade do juiz ao interpretar o direito brasileiro? E o direito estrangeiro? (o juiz nacional tem ampla liberdade para interpretar a lei nacional – livre convencimento motivado) Existem três teorias sobre a interpretação do direito estrangeiro. (com a nacionalização da norma estrangeira. venha a se manifestar sobre o teor e a vigência da lei. (fala certidão. o juiz fica completamente livre para interpretá-la. através de seu mais alto tribunal. na maioria das vezes. A parte (ou o juiz) poderá oficiar a embaixada para que a norma. mas é. a vigência da norma e as orientações doutrinárias acerca) b) Meio oficial – via embaixada.

o juiz deve ficar adstrito à interpretação que é dada no estrangeiro. dando-se a interpretação que lhe é dada no país de origem) 3ª – Defende a não incorporação e a não nacionalização da norma estrangeira. que o recurso especial é cabível quando é dada interpretação diferente pelos tribunais nacionais a normas estrangeiras. A norma somente será aplicada no caso concreto de acordo com sua interpretação de origem e pronto. O primeiro passo é enquadrar o caso na norma (se é um divórcio. há um caminho a ser percorrido pelo DIP. 27/03/12 REGRAS DE CONEXÃO 1º . (o braço do legislador alcança a norma. um usucapião.2ª – Sistema da recepção formal -> propõe a incorporação e a não nacionalização da norma estrangeira. haveria uma “grande colcha de retalhos normativos”) (assim. etc. mas a mesma não é nacionalizada. não tendo a mesma liberdade de apreciação de que dispõem quando interpreta lei nacional – não há nacionalização da norma). um direito sucessório. (esta é a adotada no Brasil.determina a aplicação do direito vigente nessa sede  Indicar a lei aplicável é o objeto principal do DIP. no Brasil.localiza a sede jurídica da relação 3º . O último passo se refere a efetiva 18 . Para efetivar essa indicação. que possibilitará saber qual a lei competente para se aplicar. Não há nem incorporação nem nacionalização.qualifica a questão “sub judice” DIP -> indicar a lei aplicável 2º . Esta localização só se faz através das regras de conexão. a seu livre convencimento]) (os defensores dessa tese aduzem que se houvesse a constante incorporação de normas estrangeiras.). é preciso localizar a sede jurídica. Posteriormente. provando que o juiz deve ficar fiel à interpretação dada no estrangeiro [se houver divergência no país de origem da norma. Não há falar em trazer a norma por parte do legislador [que seria incorporação]) (tanto assim é. o juiz está resguardado aplicando uma ou outra orientação – o que não pode é aplicar de uma terceira forma.

a capacidade. Objeto -> lei do lugar de onde estiver situado. em que se aplica o critério da nacionalidade) 19 . (no caso desse exemplo. a capacidade e os direitos de família”. ex.aplicação do direito vigente no local. o nome. sem levar em consideração leis vigentes em outros países. A regra de conexão é o elemento constante do texto normativo que nos permite indicar a lei aplicável. ato ou fato jurídico. (não serve aos ideais do DIP. como a personalidade. lei domiciliar ou lei territorial. Aplica-se a lei de onde é domiciliado o sujeito.) b) Lei domiciliar. objeto. objeto ou ato jurídico). a saber: sujeito. o estado civil. ao objeto ou ao ato jurídico.  Para saber qual será o ponto de partida (sujeito. Adotado no Chile. se o que se deseja analisar sub judice se refere ao sujeito. o DIP toma como ponto de partida um de três elementos. (é aceito na grande maioria dos países da América. 7º da LINDB – “a lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. Lei determinadora do estatuto pessoal: (quando se fala em estatuto pessoal se refere aos fatos juridicamente relevantes referentes à pessoa. a regra de conexão é a expressão “a lei do país em que for domiciliada a pessoa”). há uma exceção ao critério da do domicílio que se refere à capacidade para se obrigar por letra de câmbio. do nascimento até a morte. Ex: art. pois obriga a aplicação da lei do foro. buscando avaliar se a lei aplicável não fere o ordenamento jurídico brasileiro. Ato jurídico -> local da celebração. é preciso analisar o caso concreto. etc. independente da lei da sua nacionalidade) (No Brasil.) (há três critérios para se determinar esse estatuto pessoal) a) Lei territorial. p. Ao qualificar determinada questão jurídica. É criticada pela doutrina. como o Brasil. o nome. Sujeito -> lei da nacionalidade.

Evita conflitos no seio da família (mesmo que os entes de uma família possuam nacionalidades diversas. (esse critério vincula o indivíduo ao território de sua nacionalidade. Esse critério e o da lei domiciliar são os mais adotados e aceitos pela doutrina) Lei territorial Lei domiciliar Lei da nacionalidade O critério do domicílio é considerado um “meio termo” entre os extremos da nacionalidade e do território. É mais adequada (é mais adequado . o mais indicado. Evita discriminação contrata com o estrangeiro . Nacionalidade X Domicílio . . É mais estável (não varia) varia de país para país como o conceito de domicílio) .  O debate que se faz em torno dessas regras mais adotadas (domicílio e nacionalidade) se refere às “vantagens” de cada uma. Protege melhor o nacional que convive e 30/03/12 REENVIO 20 . Traduz uma idéia de certeza (porque não . sendo. Propicia assimilar o estrangeiro no manter a pessoa vinculada ao seu país de território nacional em caráter definitivo origem) . por isso. Foi adotado no Brasil até 1942. aplicar-se-á a mesma lei: a do domicílio da família) . Propicia uma coincidência entre as competências legal e jurisdicional * Há países que determinam a lei definidora do estatuto pessoal pelo critério religioso.c) Lei da nacionalidade.

Ex: capacidade civil (Brasil – 18 anos / País X – 21 anos). (como se percebe nesse caso. . o juiz do caso aplicará. os dois países teriam competência para reger o caso. o reenvio só ocorre no conflito de 2º grau negativo. no Brasil. de modo que os dois seriam competentes para reger o caso. a norma brasileira neste caso. o juiz aplicará a legislação brasileira e pronto) Conflito de 2º grau negativo -> ocorre quando as legislações envolvidas com o caso não se entendem como competentes para regê-lo. * O conflito de 2º grau pode ser positivo ou negativo. pois a regra de DIP brasileira diz ser competente a lei brasileira. Como se percebe. em que as normas de DIP dos países envolvidos acabam por julgar incompetente qualquer 21 . (neste caso. ou dispõem de maneira que nenhum dos países envolvidos terá tal competência. “reenviando” a matéria. é regida pela lei do domicílio e na Itália. nem haverá o envio da matéria. pela lei da nacionalidade do sujeito. ao país do foro.Resumindo: as regras de DIP de um país divergem do outro. Conflito de 2º grau positivo -> ocorre quando ambas as legislações envolvidas com o caso se entendem como competentes para regê-lo. informe se sua legislação é realmente a competente. Ex: lei aplicável à capacidade de um brasileiro domiciliado na Itália. “envia” a matéria do caso ao país da nacionalidade do sujeito para que este. nenhum dos países se julgará competente para reger o caso com sua legislação interna) (O tema se chama reenvio porque o país do foro. Ex: qual a lei aplicável à capacidade de um italiano domiciliado no Brasil? Considere que a capacidade civil. como se percebe. .Conflito de 1º grau -> é aquele que se manifesta na esfera das normas de direito interno (excetuando-se as regras de DIP). Ocorre quando determinada disciplina jurídica de dois ou mais países dispõem de forma diferente a respeito de um mesmo instituto jurídico. pronto. atribuindo competência à outra lei. Como as duas normas de DIP dizem ser competente o seu respectivo país. devolvendo a questão. obviamente. com seu ordenamento. Conflito de 2º grau -> é aquele que se manifesta na esfera do DIP. Ocorre quando duas ou mais legislações dispõem de forma igual ou diferente ao indicar a lei aplicável para determinada questão jurídica.

Este é o tema que será estudado adiante) Graus de reenvio (se define pela quantidade de legislações envolvidas na questão. pois há países que aceitam qualquer grau de reenvio. Para resolver a situação. Neste caso.Reenvio de 3º grau – quatro legislações envolvidas. há outros que aceitam somente até o reenvio de 2º grau. etc. Ex: qual a lei aplicável à capacidade de um brasileiro domiciliado na Itália que. e assim sucessivamente). vamos ter que analisar o critério adotado no local da propositura da ação. ocorrerá como no exemplo anterior. assim. contraiu uma obrigação a ser executada (cumprida) na Argélia. será reenvio de 2º grau. daí por diante. Assim. Ex: qual a lei aplicável à capacidade de um brasileiro domiciliado na Itália que. será reenvio de 1º grau [duas legislações menos um = 1].) . esta diz que a lei da nacionalidade. menos um [que será a aplicada pelo juiz]. 10/04/12 (Reenvio – continuação) 22 . (imaginando-se que a regra da Argélia determina que se aplique a lei do local da contração da obrigação.Reenvio de 2º grau – três legislações envolvidas. nenhum dos países se julga competente [com suas normas] para reger o caso. que diz ser do domicílio. A determinação da lei aplicável se dará de acordo com o critério adotado no local da propositura da ação [qual grau de reenvio aceita]).Reenvio de 1º grau – duas legislações envolvidas (macete: normas de dois países envolvidas no caso) . de passagem pela Inglaterra. se forem 3 legislações. reenvia à Itália. entendendo competente a lei do domicílio. envia a questão para a Itália. (a Inglaterra. este. o local da propositura da ação vai dizer se aceita o reenvio. de passagem pela Inglaterra. enviando ao Brasil.deles. . contraiu uma obrigação. se forem duas legislações.

mas para a Alemanha. em razão de ordem pública. o uso é das palavras “remissão” e “transmissão” (depois transmissão de novo e de novo. 23 . Teoria da delegação (para essa teoria. o domicílio era o francês. seria como se o país da propositura da ação “delegasse” a responsabilidade de solução do caso [aplicação da lei] ao outro país). o que era exigido.. Como não houve comunicado. [Forgo nasceu na Alemanha. para não ficar sem julgar a questão).. Ex: Inglaterra Remissão Transmissão EUA Espanha Teorias que defendem a aceitação do reenvio (denominadas teorias conducentes ao reenvio por Dolinger) (essas teorias buscam explicar porque se deve aceitar o reenvio) 1. Alguns países como a Inglaterra e a Alemanha preferem uma terminologia diversa. inclusive com família. O conflito era para reger a herança] Terminologia A terminologia adotada no Brasil é “reenvio” seguindo uma tradição do direito francês que usa dessa expressão (“renvoi”) de maneira indiscriminada. adotando a expressão “reenvio” apenas para a hipótese de 1º grau.. definitivamente. 2. independente do grau do reenvio. A situação gerou o conflito de qual norma aplicar. Teoria da ordem pública (como o Judiciário não pode se negar a julgar a lide. Ex: Inglaterra Envio Reenvio EUA Para as demais situações.. o país da propositura da ação “deve” aceitar o reenvio. o domicílio continuava sendo a Alemanha. Deixou uma fortuna em bens móveis. ou seja. ele morava na França. mudou-se para a França em tenra idade. se for o caso). Não tinha irmãos. assumindo assim a ideia de retorno ou devolução. pois não havia declaração formal do domicílio de Forgo. mas.Como surgiu o reenvio? -> com o famoso “caso Forgo”. para a França.

. (essa condição diz que será aplicada a norma estrangeira se o terceiro país envolvido se 24 . Na segunda hipótese. aplicando a lei interna do estado americano em que.3. aceitam o reenvio da seguinte forma: . incumbido de aplicar a lei americana. mas as leis do país da propositura serão usadas subsidiariamente. esteja domiciliado o julgando. trabalham com as seguintes hipóteses:) Hipótese 1 – ação proposta na França. onde foi proposta a ação.França -> aceita o reenvio de 1º grau e impõe condição para aceitar o de 2º grau. versando sobre a capacidade de um estadunidense. Teoria da subsidiariedade (segundo essa teoria. Teoria da coordenação dos sistemas (teorizada por Henri Battifol e Paul Lagarde que. 4. que funciona como um “pano de fundo” para a resolução do caso. 13/04/12 Legislação interna sobre o reenvio a) Países que aceitam o reenvio => Alemanha. como o sujeito é domiciliado na França. Hipótese 2 – ação proposta na França versando sobre a capacidade de um estadunidense. pois nos EUA os Estados têm autonomia legislativa e o sujeito está domiciliado lá. possa cumprir esta determinação de seu DIP. deverá coordenar seu princípio da lex patriae com o regime americano da lei domiciliar. domiciliado no Estado do Texas (EUA).Itália -> aceita o reenvio de 1º e 2º graus. Esta é um “complemento” da teoria anterior). diz que deverá ser usada a lei do outro país indicado pelo país da propositura da ação. segundo a concepção americana. França e tantos outros. Ao analisar a primeira hipótese. . haverá o reenvio de pronto. para que o tribunal Francês.Alemanha -> aceita o reenvio de qualquer grau. Portanto. domiciliado em Nice (França). em sua legislação. percebe-se que o juiz deverá analisar qual a regra do Estado do Texas. pois a regra geral dos EUA é a do local do domicílio. Itália.

 São exceções à aplicação das regras de reenvio: a autonomia da vontade das partes e a forma do ato (são questões regidas pela lei do local da celebração ou ocorrência do fato). determinada pela lei brasileira (art. Se esse último país envolvido se julgar incompetente. LINDB). sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei”. 16 da LINDB. CPC). simplesmente aplicará a lei estrangeira. deixando bens no Brasil e cônjuge francês. ter-se-á em vista a disposição desta. domiciliado na França. . o art. LINDB). É o que acontece com países como EUA. [isso não se confunde com o fato de a lei brasileira aceitar a lei sobre a forma de determinado ato. Como o Brasil não aceita o reenvio.julga competente. -> Exceções à aceitação do reenvio: (a) a autonomia da vontade das partes. terminando a cadeia do reenvio de 2º grau. Egito e Brasil. .Local da propositura da ação: Brasil (art. No Brasil.Lei aplicável: França (último domicílio – art. Assim determina o art. o juiz brasileiro não irá considerar o que diz o DIP estrangeiro. 10. 89. nos termos dos artigos precedentes. 10. 16 da LINDB determina que “quando. de outro país] 25 . a lei francesa desconsidera toda a cadeia de reenvio e aplica sua própria norma) b) Países que não aceitam o reenvio => alguns países em suas leis rejeitam o reenvio. se houver de aplicar a lei estrangeira. Caso: morre um brasileiro. (b) a forma dos atos jurídicos.

do local da causa) [propõe-se que se faça uma qualificação prévia (não definitiva) e. na lei estrangeira. pois neste o conceito de determinada situação é o mesmo. para. c) aplicar a norma competente] -> é a adotada no Brasil (por uma construção doutrinária. posteriormente. ainda não se visualiza esse tipo 26 . Contudo. b) determinar a lei aplicável. No entanto. (propõe que a lei competente para enquadrar o caso à norma é a lei estrangeira. (devem-se levar em consideração conceitos universais. qualificar nada mais é que a operação de “enquadrar” a situação/relação jurídica dentro da norma. confirme-se a qualificação anterior. diferente da qualificação prévia. o que faria a questão retornar para ser tratada conforme a nova qualificação)] c) Qualificação por conceitos autônomos e universais. O problema surge quando os ordenamentos jurídicos que possuem conexão com a causa a qualificam de maneira diferente. não há lei que assim o diga) b) Qualificação pela lex causae. (é enquadrar a situação fática à norma jurídica) (não há confundir o “conflito” de qualificações com o estudado conflito de 1º grau. só então. o seu tratamento é que muda) Em outras palavras.24/04/12 TEORIA DAS QUALIFICAÇÕES Qualificar = conceituar (classificar). (propõe que a lei competente para enquadrar o caso à norma é a lei do local da propositura da ação) [assim. existem teorias que nos auxiliam a determinar a lei qualificadora: a) Qualificação pela lex fori. são três os passos para se resolver uma questão internacional: a) qualificar. aplicar a norma competente] [a crítica a essa teoria se refere à possibilidade de não se conseguir confirmar a qualificação (obtendo-se uma outra.

O ato teria validade? 2) O testamento ológrafo (particular) do holandês -> a Holanda proibia ao holandês a elaboração do testamento particular. o domicílio conjugal para a Argélia onde o cônjuge varão veio a falecer. A pretensão da viúva aos bens decorre do regime de bens do casamento ou da sucessão? [dados: regime de bens – 1º domicílio conjugal (1/3 dos bens) / sucessão – último domicílio (o cônjuge não herdava)]. deve-se saber se trata-se de “conflito” de forma ou de capacidade. Além disso. se um grego ortodoxo viesse a se casar no civil com uma francesa sendo o casamento realizado na França. 3) Caso Bartholo ou sucessão do maltês -> um casal matrimoniou-se na Ilha de Malta.de conceito. eis que a uniformidade. posteriormente. devido aos fatores culturais diversos) Os casos utilizados por Bartin para ilustrar a problemática do “conflito” de qualificação: 1) O casamento do grego ortodoxo -> a Grécia até pouco tempo (década de 90) só reconhecia o casamento religioso. deve-se analisar a teoria adotada pelo país. o lei aplicável é a do local da celebração e. pois sendo aquela. é dificultosa. Pergunta-se: o testamento particular feito por um holandês na França teria ou não validade? Em ambos os casos acima. sendo esta. 27/04/12 PESSOA JURÍDICA 27 . como já dito. as regras de DIP e as normas internas do local da propositura da ação dirão qual a lei aplicável e se há ou não validade. mudando. Assim.

etc. Foi muito usado no período das Grandes Guerras e leva em consideração a nacionalidade dos sócios) (a crítica se refere ao fato de poder-se ter várias nacionalidades. quanto à personalidade da pessoa física. (a lei brasileira. a mesma empresa é francesa]) d) Os critérios para determinar a nacionalidade da PJ d. só trata da nacionalidade brasileira.a) Nacionalidade da pessoa jurídica x nacionalidade da pessoa física. (questionou-se a nacionalidade da pessoa jurídica em virtude de não possuir direitos políticos.) c) Capacidade x nacionalidade (a pessoa jurídica constituída em conformidade com a lei de onde foi criada passa a ter capacidade universal.2) critério da sede social (a PJ tem a nacionalidade determinada pelo local onde ela mantém a sua sede social) (a crítica se refere ao fato de se poder mudar a nacionalidade da PJ) d. de acordo com as várias nacionalidades dos vários sócios) e) O critério adotado pela lei brasileira 28 . como cultural. enquanto no que se refere à pessoa jurídica há normas sobre as diversas nacionalidades) b) É correto falar em nacionalidade da pessoa jurídica? O questionamento de Niboyet. para o país X uma empresa é americana e para o país Y.1) critério da incorporação (a PJ tem a nacionalidade determinada pelo local onde ela foi constituída) (a crítica se refere ao fato de os fundadores poderem escolher o melhor ordenamento jurídico para seus objetivos) d. pois.3) critério do controle (não é muito utilizado atualmente. a depender do critério para determinar a nacionalidade da PJ adotada por aquele país [ex. em virtude de outros fatores diversos do político. para cada país. pode ter nacionalidade diversa. é sim correto falar em nacionalidade da pessoa jurídica. Porém. A nacionalidade da pessoa jurídica não é universal.

“os governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. estrangeira) .“os governos estrangeiros.Art.126. 11. em outras localidades. §1º. ficando sujeitas à lei brasileira. o imóvel terá de ser alugado) . não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação. que se refere à PJ estrangeira. 1. que eles tenham constituído. LINDB – “não poderão. 11 da LINDB. 11. Contudo. agências ou estabelecimentos.” (aqui se percebem os critérios da incorporação + o da sede social. a PJ tem que acumular os dois critérios [sede social + incorporação].Pessoa jurídica . Isto significa que para ser brasileira. adquirir terra em zona de fronteira) 29 .” (se refere aos sujeitos de direito internacional público) (esta proibição se dá em razão de soberania) §3º . De direito privado (permanecem as mesmas restrições previstas em lei para a pessoa física estrangeira – ex. A aprovação é um ato de competência do Ministério da Justiça) §2º . bem como as organizações de qualquer natureza. entretanto.” (se refere à regularização de filiais de PJ estrangeira em funcionamento no Brasil.” (aqui se percebe a adoção do critério da incorporação) Art. filiais. antes de serem os seus atos constitutivos aprovados pelo governo brasileiro. LINDB – “as organizações destinadas a fins de interesse coletivo como as sociedades e as fundações obedecem à lei do Estado em que se constituírem.” (esta é uma exceção ao § anterior) (somente em Brasília que pode haver aquisição da propriedade. segundo a lei brasileira) Art. dirijam ou hajam investido de funções públicas. ter no Brasil. De direito público (externo. CC – “é nacional a sociedade organizada em conformidade com a lei brasileira e que tenha no país a sede de sua administração. diferentemente do art. aqui se refere à PJ brasileira.

Regra válida apenas para o bem considerado em si mesmo (não se aplica às universalidades [ex. 04/05/12 DIREITO DAS COISAS LINDB: Art. quanto aos bens móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. §2º . (aplica-se a lei da bandeira) d) Bens móveis em trânsito (bagagem / negócio mercantil). a mudança do domicílio da pessoa não altera a lei reguladora – art.“Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes. adotada pelo Brasil. LINDB) e) Penhor. . Matéria da prova (08/05): Aplicação.Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário. Reenvio. §1º. Regras de conexão e lei determinadora do estatuto pessoal. §2º. aplicarse-á a lei do país em que o bem estiver situado”. (o legislador se referiu ao domicílio da pessoa que tinha a posse do bem no momento de sua tradição. regime de bens e sucessões]). pois o local da situação do bem é que regulará e qualificará) §1º .o penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa. 8º. (aplica-se a lei do último domicílio) c) Navios e aeronaves. Teoria das qualificações. Pessoa jurídica. prova e interpretação do direito estrangeiro. 8º. em cuja posse se encontre a coisa apenhada. (aplica-se a lei do país em que for domiciliado o proprietário – art.Regra de conexão -> lex rei sitae (lei da situação do bem) . LINDB) 30 . 8º .Exceções à regra da lex rei sitae: a) Regime de bens. ou seja. (esta é uma exceção à teoria da qualificação pela lex fori [exceção à regra geral de determinação da lei qualificadora]. . (será estudado mais a frente) b) Sucessões.

do §2º do art.Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial. 9º e a questão da autonomia da vontade das partes para: (Na LICC de 1916 [até 1942]. 9º. havia a expressão “salvo disposição contrária” no caput do art. aplica-se a lei do local da residência do proponente) b) A norma constante do art. do caput do art.A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente. o que criava uma saída para a autonomia das partes em acordar qual lei seria 31 . a) Regra de conexão .11/05/12 CONTRATOS INTERNACIONAIS Art. §2º . será esta observada. LINDB – Para qualificar e reger as obrigações aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem. 9º. a regra de conexão será o local de residência do proponente. Local de constituição da obrigação (“caput”) -> contrato entre presentes. §1º . 9º da LINDB) (considera-se contrato entre ausentes se as partes estavam em países diversos do momento em que foi firmado. a regra de conexão será o local de constituição da obrigação. neste caso. 9º da LINDB) (considera-se contrato entre presentes se as partes se encontravam no mesmo local em que o foi firmado) . Local da residência do proponente (§2º) -> contrato entre ausentes. (se o contrato for entre presentes. admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato. (se o contrato for entre ausentes.

ora na letra da lei) b. não há dúvida sobre o foro [art. segundo a jurisprudência. há doutrinadores que dizem continuar valendo a autonomia das partes. (apesar do art. segundo entendimento do STJ. c) O natural fracionamento do contrato para aplicação de leis diversas: (nestes casos. as ações referentes à inexecução também serão regidas por este mesmo local) c.2 – forma. mas se a ação for proposta no Brasil. CPC – competência concorrente]. que pode se basear ora nesses doutrinadores. inicialmente.aplicável ao contrato celebrado. já que os contratantes podem tentar resolver as situações onde decidirem. 7º LINDB) c. há a lex mercatoria. a eleição de foro não afasta a competência do judiciário brasileiro [art.4 – substância do contrato.1 – escolher a lei aplicável aos contratos internacionais. (art. 9º só é aplicável para esta parte – direitos e deveres dos contratantes. 88. O art.2 – escolher o foro onde o contrato será apreciado. Para “resolver” a questão sobre a escolha da lei que será aplicada. se a execução do contrato será em determinado local. CPC]). 89. (substancia do contrato é tudo o que é pactuado no contrato. Quando a causa se refere à competência absoluta do judiciário brasileiro.3 – inexecução da obrigação. o que gera dúvidas sobre qual lei será aplicada pelo juiz.1 – capacidade das partes. (local da prática do ato) c. consagrados no contrato)  A convenção de arbitragem “resolve” a problemática sobre a ausência ou não de autonomia da vontade das partes. (divergência doutrinária. o contrato será “fracionado” para ter leis diversas aplicadas) (Dépeçage) c. ainda hoje) b. (as partes podem escolher o foro no contrato. 9º não falar sobre a inexecução contratual. Apesar da mudança do texto legal. 32 .

5º. Internacional . LINDB – a sucessão por morte ou por ausência obedece a lei do país em que era domiciliado o defunto ou o desaparecido. decidindo que ela é constitucional. 34 da Lei de Arbitragem. se for o caso.Arbitragem .A sentença arbitral internacional proferida em território nacional (Nádia de Araújo diz que. Esse entendimento é corroborado pelo art. 33 . Nacional . CF) (o STF foi chamado a se posicionar sobre a constitucionalidade da Lei de Arbitragem. mesmo arbitral. o Judiciário deverá ser acionado) (via de regra. que diz ser nacional a decisão proferida em território nacional) .A necessidade de homologação da sentença arbitral (arts. Arbitragem – Lei 9307/96) .15/05/12 LEX MERCATORIA (material disponível no SGA) 18/05/12 (cont. a ser executada pelo Judiciário. ainda que a arbitragem seja internacional. a decisão arbitral gera coisa julgada. sendo ela proferida no Brasil. 10. não haverá necessidade de passar pelo processo de homologação [aquela homologação de decisão estrangeira que é de competência do STJ]. 36 e 37 da Lei de Arbitragem e 483 do CPC) (toda sentença estrangeira.O cumprimento do laudo/decisão/sentença arbitral (se a parte “vencida” não cumprir a decisão. pois é sempre garantido às partes o recurso ao Judiciário) SUCESSÃO INTERNACIONAL Art. Somente quando houver indícios de parcialidade do árbitro é que o juiz poderá adentrar o mérito da questão) . qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. deve ser homologada pelo STJ) .A arbitragem e a previsão constitucional de inafastabilidade do judiciário (art.

será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.Regra de conexão -> lei domiciliar (pelo caput percebe-se a adoção da lei domiciliar) .A adoção do princípio da universalidade pelo legislador brasileiro: não importa a natureza e o local onde os bens estiverem situados. §2º .a sucessão de bens de estrangeiros. situados no país. LINDB – A lei do país em que for domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. pela regra brasileira. o nome. (não importa onde os bens estão situados ou se cada um está em um país..Caso: considerem uma sucessão na qual o autor da herança tenha deixado bens no Brasil.Regra de conexão (estatuto pessoal) -> lei domiciliar 34 . Qual a lei aplicável à presente sucessão? De quem será a competência jurisdicional? (competência jurisdicional – deverá ser proposta uma ação em cada país acerca dos bens situados em seus respectivos territórios [pluralidade de foro sucessório]) (lei aplicável – dependerá do critério aplicado em cada país. será aplicada a do último domicílio.Lei pessoal do de cujus -> lei do domicílio do defunto. Todos os bens serão submetidos a uma lei única. aplicar-se-á uma única lei no que se refere à sucessão – essa regra é denominada pela doutrina de princípio da universalidade) § 1º . via de regra) 22/05/12 DIREITO DE FAMÍLIA NO DIP Art. ou de quem os represente. salvo se a estrangeira for mais favorável. a capacidade e os direitos de família. . Significa que a lei do domicílio do herdeiro é que determina se ele será ou não capaz para receber a herança) . sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.Adoção do critério da nacionalidade (cônjuge ou filhos brasileiros) -> lei brasileira.Capacidade civil ou ordem hereditária? (a norma do §2º se refere à capacidade civil. . na Espanha e no México. . 7º. .a lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder.

35 . mas se reconhecerá o contrato (registro de documentos – com geração de efeitos patrimoniais). (esse parágrafo é inaplicável. Tanto a doutrina quanto a jurisprudência apontam essa norma como vacilo legislativo) 25/05/12 (cont. segundo a doutrina. deve-se pagar uma multa no cartório). a ser definida pela lei brasileira (relativa aos impedimentos). deve haver o registro no Brasil dentro de 180 dias (depois desse prazo. regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do 1º domicílio conjugal. obedece à lei do país em que forem domiciliados os nubentes e. > No caso.§1º .O regime de bens. não se reconhecerá a instituição casamento (registro de pessoas). será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. os noivos devem ter a mesma nacionalidade) . ex. pois a lei que rege a validade de um ato. do casamento realizado em países que permitem poligamia. legal ou convencional. como visto.Tendo os nubentes domicílios diversos.. p.Realizando-se o casamento no Brasil. .Regra de conexão -> lei territorial > Além da capacidade civil. para o registro no Brasil. à lei do primeiro domicílio conjugal. §2º . > Quando brasileiros se casam no exterior perante as autoridades locais ou no consulado.) §4º .O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante as autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. para o casamento há uma capacidade especial.Regra de conexão (casamento consular) -> lei da nacionalidade §3º .Nubentes com domicílio diverso à época do casamento -> lei do 1º domicílio conjugal. . é a do local de sua celebração. (como se percebe. se este for diverso.Nubentes com domicílio comum à época do casamento -> lei do domicílio comum. .

não havendo mais que se falar em prazos. . uma vez que a homologação faz a sentença surtir efeito a partir da decisão do STJ. Surtirá efeito após um ano da data da sentença.homologação da sentença estrangeira (de divórcio) -> competência do STJ . se precedida de separação judicial por igual prazo (um ano).  Com a publicação da nova lei de divórcio. Imediatamente. 36 . não faz mais sentido esta regra do §6º.permite ao estrangeiro que se naturalizar brasileiro a “adequação” do regime de bens.§5º . §6º .