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IBP1014_12 A NT 01/11 DO IBAMA E SUAS APLICAÇÕES NO TRATAMENTO DE EFLUENTES NAS PLATAFORMAS OFFSHORE Thadeu Crespo Paravidino1, André Miocque 2, Cristiane

Lopes de Oliveira3

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O presente trabalho tem o propósito de apresentar a norma técnica do IBAMA (NT01/11) no que esta se aplica ao tratamento de efluentes nos empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo & gás, e as soluções propostas pela empresa VICEL para o atendimento a esta norma e demais legislações em vigor no Brasil. Para atender a estes objetivos, o trabalho aborda os seguintes tópicos: - A legislação ambiental aplicável aos empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo & gás em operação no Brasil – Conceitos e definições das Resoluções MARPOL & CONAMA 357 (alterada pela 430), Lei 9966/2000 e NT01/11 - O PCP – Projeto de Controle da Poluição exigido pelo IBAMA - As soluções propostas pela VICEL de Política de Gerenciamento de Efluentes e Sistema de Tratamento de Águas Cinzas (GWTS) Ao longo de seu desenvolvimento o trabalho apresenta em detalhes a análise dos efluentes gerados a bordo em uma Plataforma de Perfuração, e os resultados obtidos com a instalação do protótipo de um sistema de tratamento de águas cinzas (GWTS) desenvolvido pela VICEL. Por fim, o trabalho demonstra que a NT01/11 do IBAMA visa orientar e criar meios de fiscalização para que as unidades marítimas de exploração e produção de petróleo e gás em operação no litoral do Brasil promovam a redução da poluição causada na sua operação (pegada ecológica), e conclui quanto a obrigatoriedade do tratamento das águas cinzas geradas à bordo, apresentando como soluções propostas pela VICEL a implementação de uma Política de Gerenciamento de Efluentes e a instalação de um Sistema de Tratamento de Águas Cinzas (GWTS)

Abstract
This paper aims to present the technical standard IBAMA (NT01/11) as it applies to wastewater treatment projects in maritime exploration and production of oil & gas, and the solutions proposed by the company VICEL to meet with this standard and the other existing laws in force in Brazil. To meet these objectives, the paper covers the following topics: - Environmental Legislation applicable to maritime enterprises of exploration and production of oil & gas operating in Brazil - Concepts and definitions of MARPOL & CONAMA Resolution 357 (amended by CONAMA 430), Law 9966/2000 and NT01/11 - PCP - Pollution Control Project required by IBAMA - The solutions proposed by VICEL - Gray Water Policy Management and Treatment System (GWTS) Throughout its development, this paper presents in detail the analysis of the gray water effluents generated on board of a drilling rig, and the results obtained with the installation of a prototype system for treating gray water (GWTS). Finally, this paper demonstrates that IBAMA NT01/11 regulation is intended to guide and create means for monitoring all maritime enterprises of exploration and production of oil & gas operating in Brazil, in order to promote the

______________________________ 1 Engenheiro Mecânico – VICEL COMERCIO INDUSTRIA E SERVIÇO LTDA 2 Químico – VICEL COMERCIO INDUSTRIA E SERVIÇO LTDA 3 Bióloga – VICEL COMERCIO INDUSTRIA E SERVIÇO LTDA

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 reduction of the pollution caused by their operation (ecological footprint), concludes as compulsory the treatment for the gray water generated on board, and presents VICEL solutions for the implementation of a Waste Management Policy and the installation of a Gray Water Treatment System (GWTS).

1. Introdução
A legislação ambiental para proteger as águas do mar evoluiu em consonância com a evolução da exploração e produção de petróleo e gás offshore em todo o mundo. Ela visa garantir a manutenção das características dos corpos de água para as gerações futuras, mitigando os impactos provocados pela ação industrial. No bojo das preocupações ambientais, organismos internacionais e nacionais desde a década de 70 vêm buscando sancionar leis e diretrizes que obriguem e orientem a indústria de exploração de petróleo offshore a adotar processos menos poluentes e mais eficazes quanto à degradação ambiental decorrente das suas atividades. No âmbito internacional podemos citar a convenção MARPOL, que foi assinada em 17 de fevereiro de 1973 e, posteriormente, modificada pelo protocola de 1978. MARPOL 73/78, como ficou conhecida, é a mais importante convenção ambiental marítima e foi projetada para minimizar a poluição nos mares, tendo como objetivo preservar o ambiente marinho pela eliminação completa de substâncias prejudiciais, bem como, minimizar as conseqüências nefastas de descargas acidentais de tais substâncias. A MARPOL possui 6 anexos, sendo que no presente trabalho daremos destaque ao Anexo IV que prevê regras para prevenção da poluição causada por esgoto em navios e plataformas. A MARPOL 73/78 entrou em vigor em 2 de outubro de 1983, sendo que em 31 de dezembro de 2005 foi atingida a marca de 136 países signatários, representando 96% da frota de navios e plataformas no mundo. O Anexo IV da convenção entrou em vigor em 27 de setembro de 2003, sendo desde então o Brasil um de seus signatários. Contudo, a MARPOL não tem poder de lei, cabendo aos países signatários adotar medidas legais internas que façam as diretrizes serem seguidas. Nesse contexto, no âmbito nacional, em abril de 2000 foi aprovada a Lei Nº 9.966, necessária para complementar a MARPOL 73/78, sem superpor-lhe conteúdo. Em 17 de março de 2005 foi aprovada a Resolução Nº 357 do CONAMA quando o Conselho revisa as diretrizes para a proteção do meio ambiente, aprimorando a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, transferindo para os órgãos executivos a responsabilidade de detalhamento e execução. E, por fim, foi aprovada em 13 de maio de 2011 a Resolução CONAMA 430 que aperfeiçoa as condições e padrões de lançamento de efluentes nos corpos de água já definidos, complementando e alterando a Resolução CONAMA 357/2005. O Brasil possui muitas de suas legislações ambientais comparáveis às legislações mais modernas e criteriosas de países expoentes em políticas de conservação de recursos naturais. A Resolução CONAMA nº 357 foi buscar parâmetros e padrões de qualidade de água em legislações do Canadá, Estados Unidos, Austrália, Comunidade Européia e OMS. Entretanto, em matéria de gestão de efluentes, o Brasil vem se contentando em manter um modelo com mais de 20 anos, para o qual não há indicadores de eficiência, nem estudos que justifiquem a sua suficiência e manutenção. Nesse intuito, em 2008 foi realizado um estudo pelo IBAMA com a finalidade de levantar histórico das diretrizes e dos procedimentos de análise nos processos de licenciamento ambiental dos empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo e gás no Brasil que resultou na elaboração da Nota Técnica CGPEG/DILIC/IBAMA Nº 03/08. Nesse mesmo sentido, em janeiro de 2011 foi elaborada a Nota Técnica CGPEG/DILIC/IBAMA Nº 01/11 no qual define principalmente a abrangência do Plano de Controle da Poluição exigido nos processos de licenciamento ambiental nos empreendimentos marítimos de exploração e produção de petróleo e gás. Ambas as Notas Técnicas de 2008 e 2011 demonstram a tentativa de obter parâmetros e padrões nacionais de poluição, de modo a evoluir constantemente o modelo e definir metas de redução e melhorias em um futuro próximo. Isso fica evidente quando observamos a NT 01/11, no qual determina a medição e registro quantitativo do volume total descartado e, para efluentes líquidos, determina ainda a medição e registro qualitativo de DBO, DQO, TOG e coliformes fecais, entre outros. Assim como as demais resoluções e legislações implementadas anteriormente, a NT01/11 trouxe mudanças para as operações offshore de exploração de petróleo e gás, no qual devem se adequar. Nas próximas seções, iremos tratar com destaque as mudanças implementadas pela NT01/11, as propostas para o cumprimento das novas diretrizes e as soluções implementadas pela Vicel no que tange o descarte de águas cinzas.

2. Conceitos e definições da NT01/11 e as águas cinzas no Brasil
2.1. Conceitos da NT01/11

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A Nota Técnica nº 01/11 do IBAMA tem como principal efeito a implementação e a definição da abrangência do Plano de Controle da Poluição, exigido nos processos de licenciamento ambiental. O Plano de Controle da Poluição, ou PCP, como é conhecido, é, por regra, um conjunto de procedimentos que devem ser adotados pelas unidades marítimas e embarcações que busquem minimizar a poluição advinda da geração de resíduos a bordo, da sua disposição em terra quando pertinente, do descarte dos rejeitos no mar e das emissões atmosféricas. A NT 01/11 determina que o PCP deve abranger da geração à disposição final de qualquer fonte de poluição, seja sólidos, líquidos ou emissões atmosféricas, exigindo ainda a melhoria contínua dos processos. O IBAMA, através dessa nota técnica, define também o conceito de unidade marítima na indústria de petróleo e gás. Para a NT01/11, unidade marítima é todo e qualquer tipo de embarcação ou sonda utilizado nas atividades de perfuração, produção, escoamento, armazenamento, rebombeio ou transferência de petróleo ou gás, conforme definição anterior na NT03/08. Porém, a abrangência foi estendida para navios de pesquisa sísmica, lançadores de linha e ROV, embarcações de mergulho e embarcações de apoio autorizadas a transportar mais de 15 tripulantes. Através dessa nota técnica, o IBAMA também traz a exigência do registro quantitativo e qualitativo da geração e descarte de todas as fontes poluidoras. Esse registro deve estar disponível para consulta e auditorias, devendo ser realizado trimestralmente. Dessa forma, fica evidente a tentativa de se obter valores de referência para águas nacionais, de forma a melhorar os métodos e modelos utilizados para o controle da poluição. 2.2. Efluentes Sanitários e Águas Servidas na NT01/11 Conforme item anterior, a NT 01/11 exige um controle rigoroso das fontes poluidoras, incluindo a geração e o descarte de efluentes sanitários e águas servidas. Para esse caso em especial, a Nota Técnica do IBAMA tornou-se mais abrangente que a convenção MARPOL 73/78, na qual os efluentes sanitários eram divididos em águas negras, águas cinzas, sendo o tratamento exigido exclusivamente para águas negras. A Nota Técnica de 2011 não faz segregação das formas de geração de efluentes sanitários e águas servidas, tratando-os todos como efluentes e aplicando as mesmas regras para estes. Para efluentes sanitários e águas servidas, a regra definida pelo IBAMA é que o descarte no corpo hídrico não deve ser in natura, ou seja, antes de ser lançado no mar o efluente precisa passar por algum tipo de tratamento. Contudo, neste momento, o IBAMA não determina o tipo nem a eficiência do tratamento. Por esse motivo, tanto águas negras, provenientes de mictórios e vasos sanitários, quanto águas cinzas, provenientes de pias, chuveiros e lavanderia, devem ser tratadas antes do descarte. Quanto ao descarte dos efluentes da cozinha, a NT possibilita o descarte de resíduos alimentares triturados, com partículas menores que 25 mm, desde que este descarte ocorra a partir de 12 milhas náuticas do litoral. Porém, a Nota Técnica não determina metas de redução ou valores máximos de parâmetros, apenas a medição quantitativa e qualitativa. Para os efluentes sanitários, o registro dos valores qualitativos deve seguir a seguinte tabela. Tabela 1. Parâmetros qualitativos na geração e descarte de efluentes sanitários Parâmetro DBO (Demanda Biológica de Oxigênio) DQO (Demanda Química de Oxigênio) TOG (Total de Óleos e Graxas) Coliformes Totais pH Cloro Livre Compostos Organoclorados Fonte Geração e Descarte Geração e Descarte Descarte Descarte Descarte Descarte Descarte Periodicidade Trimestral Trimestral Trimestral Trimestral Trimestral Trimestral Trimestral

Além disso, a Nota Técnica define que os efluentes sanitários e águas servidas não podem ser descartados a uma distância inferior a três milhas náuticas da costa e somente podem ser descartadas sem tratamento a uma distância superior a 12 milhas náuticas da costa com a embarcação em movimento e com velocidade superior a 4 nós. Isso significa que qualquer embarcação ou plataforma em operação a uma distância superior a três milhas náuticas da costa, e que seja estacionária, precisa tratar seus efluentes sanitários e águas servidas. Com isso, a partir da entrada em vigor da NT01/11, as embarcações e plataformas que estejam operando em águas territoriais brasileiras passaram a ter a obrigatoriedade de tratar seus efluentes sanitários e águas servidas. Para a MARPOL 73/78 a obrigatoriedade de tratamento era somente para águas negras, sendo que para tal existem equipamentos certificados pela IMO que garantem a eficiência e concordância com os parâmetros exigidos. Para águas cinzas, o padrão adotado até então era o descarte in natura no mar.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Portanto, as embarcações e plataformas que assim o fazem, seguindo somente as diretrizes da MARPOL 73/78, passam a ter como exigência também a necessidade de tratar as águas cinzas geradas a bordo, antes de serem descartadas no mar. 2.3. Proposta de Política de Gerenciamento de Efluentes A Nota Técnica nº 01/11 exige a implementação de um Plano de Controle da Poluição que deve buscar a melhoria contínua tanto da geração quanto do descarte de efluentes sanitários e águas servidas. Nesse sentido, há uma série de medidas que podem ser adotadas de modo a reduzir os impactos gerados ao meio ambiente. Abaixo, segue uma lista de ações propostas pela VICEL para uma Política de Gerenciamento de Resíduos, que pode ser parte integrante do PCP, conseguindo assim uma redução na geração dos efluentes sanitários. 1. Utilizar para limpeza das cozinhas, pias, banheiros e na lavagem de roupa somente produtos biodegradáveis. A adoção dessa prática reduzirá os valores encontrados para DQO (demanda química de oxigênio) e reduzirá as chances de alteração no pH dos efluentes sanitários descartados. Utilizar triturador de alimentos na cozinha, de forma a descartar os efluentes gerados na limpeza da louças diretamente no mar (partículas menores que 25 mm). Evitar lavar roupas muito sujas de óleo a bordo, de modo a reduzir no descarte os valores para TOG (total de óleos e graxas). Para a lavanderia, pode ser instalada ainda uma unidade separadora de água e óleo, de modo a manter retidos óleos e emulsões. Instalar válvulas para descarga automáticas, que evitem o desperdício de água quando da descarga ou uso dos mictórios e das pias, de modo a reduzir o tempo em que permanecem abertas. Essa medida reduzirá bastante o volume total de efluentes gerados a bordo. Para os vasos sanitários, considerar o uso de sistemas de coleta à vácuo que reduzem substancialmente o volume de água utilizado nas descargas.

2. 3.

4.

5.

3. Solução implementada pela Vicel no descarte de águas cinzas
3.1. Metodologia e identificação qualitativa de águas cinzas Como observado anteriormente, apenas o tratamento de águas negras era mandatório anteriormente à implementação da NT01/11. Com isso, muitas embarcações operando no Brasil possuem tubulações separadas para o descarte de águas cinzas, normalmente por gravidade. Com isso, é possível o desvio dessas tubulações para um outro equipamento capaz de tratar águas cinzas e atender as diretrizes da NT01/11. Para tanto, um dos primeiros fatores levados em consideração foi o espaço e localização a bordo. Com plataformas já em operação, fica evidente a falta de espaço para equipamentos de grande porte. Para o desenvolvimento de um equipamento para tratamento de água cinzas, fez-se necessário inicialmente a identificação e qualificação do efluente ao qual o mesmo estaria submetido. Para tanto, uma plataforma foi escolhida como unidade de estudo, no qual amostras de efluentes foram colhidas em diversos locais, bem como no ponto convergente de todas as tubulações de água cinza antes do descarte. Dentre os resultados da análise laboratorial das amostras recolhidas, vale destacar o efluente obtido na tubulação proveniente de pias e chuveiros nos banheiros (Tabela 2) e cozinha (Tabela 3). Tabela 2. Resultados laboratoriais do efluente de pias e chuveiros Parâmetros Cloro residual livre Cloretos Organoclorados Coliformes Termotolerantes Coliformes Totais Unidade mg/L mg/L mg/L NMP/100mL NMP/100mL Efluente <0,02 147,2 Ausente 21000 42000 4

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DBO 5 dias DQO Ferro total TOG pH Sólidos Sedimentáveis Sólidos Suspensos

mg O2/L mg O2/L mg/L mg/L mL/L mg/L

620,29 2089 14,55 27,6 8,94 1,25 144

Nos resultados acima, vale destacar o valor encontrado para coliformes totais, DBO, DQO, pH e sólidos. Os valores para esses parâmetros foram observados que estão muito acima do esperado para o tipo de efluente do qual foi coletada a amostra. Espera-se que, tanto em chuveiros quanto em pias, haja um valor reduzido de coliformes, o que se mostrou incorreta a afirmação. A quantidade elevada de coliformes também provocou um aumento significativo do valor DBO, que corresponde diretamente à carga orgânica da amostra. Além disso, a presença constante de materiais de limpeza não biodegradáveis, explica o valor obtido para DQO e para o pH elevado. No caso da cozinha, os valores obtidos podem ser observados na tabela seguinte. Tabela 3. Resultados laboratoriais do efluente de pias e chuveiros Parâmetros Cloro residual livre Cloretos Organoclorados Coliformes Termotolerantes Coliformes Totais DBO 5 dias DQO Ferro total TOG pH Sólidos Sedimentáveis Sólidos Suspensos Unidade mg/L mg/L mg/L NMP/100mL NMP/100mL mg O2/L mg O2/L mg/L mg/L mL/L mg/L Efluente <0,02 13,20 Ausente 17000 27000 83,64 190 2,02 290,7 5,77 6,47 928

Para os valores obtidos na amostra da cozinha, podemos observar que a carga orgânica, representada pelo valor de coliformes totais e DBO é significativamente reduzida quando comparada à encontrada na amostra de pias e chuveiros, porém, ainda alta. Outro caso a se destacar é a quantidade de sólidos obtida, proveniente da lavagem de louças. 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Contudo, o valor mais importante para o qual a amostra em questão foi colhida é o Total de Óleos e Graxas. Observa-se um valor extremamente elevado, proveniente da gordura e emulsões de óleos vegetais, comumente encontrados nas cozinhas. Para verificação do método e comparação, foi ainda coletada uma amostra da água potável consumida nesses pontos de coleta de efluentes. A Tabela 4 detalha os resultados obtidos na amostra de água limpa. Tabela 4. Resultados laboratoriais da água potável obtida a bordo Parâmetros Cloro residual livre Cloretos Organoclorados Coliformes Termotolerantes Coliformes Totais DBO 5 dias DQO Ferro total TOG pH Sólidos Sedimentáveis Sólidos Suspensos Unidade mg/L mg/L mg/L NMP/100mL NMP/100mL mg O2/L mg O2/L mg/L mg/L mL/L mg/L Efluente 0,06 7,54 Ausente 20 78 2,22 8 1,0 <2,0 6,75 <0,01 25

Através desses resultados, pode-se identificar a necessidade de tratamento das águas cinzas visando reduzir os valores encontrados de sólidos sedimentáveis e sólidos suspensos, reduzir a carga orgânica (DBO e Coliformes) e ainda reduzir a presença de óleos e graxas totais. Esses parâmetros foram escolhidos devido ao seu potencial poluidor e por existir métodos conhecidos e eficazes para aferição e redução desses parâmetros.

3.2. Sistema GWTS (Gray Water Treatment System) O sistema de tratamento de águas cinzas concebido pela VICEL foi desenvolvido para atender aos requisitos da NT01/11, tendo por base os valores encontrados para os parâmetros descritos anteriormente, considerados como valores reais, encontrados a bordo de uma plataforma tripulada. 3.2.1. Caixa de separação de sólidos e gorduras A primeira etapa do tratamento dá-se através de uma caixa de separação de sólidos e gordura, denominado por “Módulo de Pré-Tratamento”. Nessa etapa as graxas e gorduras são separadas através da diferença de densidade, onde o fluido é forçado a perder velocidade e passar para uma câmara secundária através de um sifão. O método utilizado é semelhante às caixas de gorduras convencionais utilizadas na indústria. As graxas e gorduras retidas na câmara primária devem ser removidas frequentemente através de um dreno localizado na parte inferior do módulo, e descarregadas para o “slop tank” ou coletadas em tonéis para posterior reciclagem em terra. Com isso, poderemos reduzir significativamente o valor encontrado para o TOG (total de óleos e graxas) observado nos resultados das amostras. 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A caixa de separação conta ainda com filtros para retenção de sólidos. Esses filtros têm a finalidade de evitar que sólidos sigam para o processo de tratamento final, trazendo prejuízo a sua eficiência. Tal como a retirada de óleos e graxas, a câmara secundária, na qual ficam retidas a maior parte das partículas sólidas, possui um dreno de fundo que possibilita a remoção dessas partículas sólidas para posterior disposição em terra. Os sólidos são seqüestrados ainda pela decantação, uma vez que o fluido perdeu velocidades tanto na câmara primária quanto secundária. Através desses filtros e decantação, pode-se reduzir os valores encontrados para sólidos sedimentáveis (seqüestrados pela decantação) e sólidos suspensos (seqüestrados pelos filtros).

Figura 1. Módulo de Pré-tratamento

3.2.2. Tanque de armazenamento Após passar pelo módulo de pré-tratamento, o efluente é coletado em um tanque para ser bombeado através do tratamento final e descarga no mar. Esse tanque tem por fim controlar o sistema de partida e parada de bombas através de chaves de nível e permitir que haja efluente em quantidade mínima para bombeamento e alarme em caso de avaria nas bombas. O tanque possui, além das chaves de nível tipo boia, um visor externo de nível, e uma porta de visitas para inspeção, limpeza e manutenção. Para lidar com a questão de espaço reduzido a bordo das embarcações e plataformas, o tanque de armazenamento pode ser fabricado em qualquer material desde que seja adequado ao recebimento de águas cinzas, e no formatos mais conveniente ao projeto do cliente (“footprint”) desde que seja respeitado o volume mínimo exigido pelo sistema e sua adequabilidade ao ambiente agressivo em que se encontra.

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Figura 2. Tanque de armazenamento 3.2.3. Módulo de Tratamento por Ultra-Violeta Após o tanque de armazenamento, o fluido é aspirado por uma bomba de alto rendimento, e bombeado através de um sistema de lâmpadas ultravioletas. Os raios ultravioletas são conhecidos por sua ação bactericida reduzindo a carga orgânica através da eliminação dos coliformes totais. Fica evidente nesse ponto a necessidade da eliminação de sólidos que é realizada no Módulo de Pré-Tratamento, de modo a permitir maior penetração dos raios ultravioletas nas águas que estão sendo tratadas para descarte. O Módulo de Tratamento por UV conta ainda com duas bombas intercambiáveis (uma em uso e outra em “standby”), com filtros tipo “cestos” em aço inoxidável para proteção das bombas, e painel de controle para operacionalização do sistema. Devido à exigência da NT01/11 de que se realize a medição quantitativa de efluentes descartados, o Módulo de Tratamento por UV possui ainda um medidor/contador de vazão, que registra o total de efluente tratado que está sendo descartado no mar.

Figura 3. Módulo de tratamento por UV

3.3. Resultados obtidos com o protótipo Com o uso do GWTS concebido com os três módulos acima descritos, esperava-se que os valores encontrados de TOG, Sólidos, DBO e coliformes seriam reduzidos de maneira significativa antes do descarte para o mar. 8

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Para essa verificação, foram então coletadas duas amostras, sendo uma antes da entrada do equipamento, ou seja, efluente bruto, e outra amostra após o tratamento, ou seja, efluente tratado. Os resultados encontram-se nas tabelas abaixo. Tabela 5. Resultados laboratoriais da amostra de efluente bruto Parâmetros Cloro residual livre Cloretos Organoclorados Coliformes Termotolerantes Coliformes Totais DBO 5 dias DQO Ferro total TOG pH Sólidos Sedimentáveis Sólidos Suspensos Unidade mg/L mg/L mg/L NMP/100mL NMP/100mL mg O2/L mg O2/L mg/L mg/L mL/L mg/L Efluente <0,02 138,62 Ausente 23000 49000 750,44 2919 14,55 320,4 9,78 8,66 1056

Percebe-se que a amostra acima apresentava o mesmo padrão encontrado em amostras coletadas anteriormente, ou seja, com elevado grau de sólidos suspensos, TOG, DBO, coliformes e pH alterado. Estes valores serão a referência comparativa com o resultado do efluente tratado pelo GWTS, indicando (ou não) a eficiência no tratamento. Ressaltamos que a resolução NT01/11 prevê que deverão ser coletadas trimestralmente amostras para análise e registro qualitativo dos valores. Tabela 6. Resultados laboratoriais da amostra de efluente tratado e porcentagem de redução nos parâmetros de medição Parâmetros Cloro residual livre Cloretos Organoclorados Coliformes Termotolerantes Coliformes Totais DBO 5 dias DQO Unidade mg/L mg/L mg/L NMP/100mL NMP/100mL mg O2/L mg O2/L Efluente Tratado <0,02 138,62 Ausente 23000 49000 750,44 2919 Porcentagem de redução 94,90% 85,65% 85,10% 82,95% 86,81% 9

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Ferro total TOG pH Sólidos Sedimentáveis Sólidos Suspensos

mg/L mg/L mL/L mg/L

14,55 320,4 9,78 8,66 1056

86,74% 89,14% 98,84% 87,59%

Comparando-se os valores na tabela acima com os da tabela 5, podemos observar significativa redução em todos os parâmetros observados, incluindo DBO e DQO com redução de cerca de 85%, e sólidos sedimentáveis com redução de quase 100%.

4. Conclusões
Podemos concluir que a NT01/11 do IBAMA visa orientar e criar meios de fiscalização para que as unidades marítimas de exploração e produção de petróleo e gás, em operação no litoral do Brasil, promovam a redução da poluição causada na sua operação (pegada ecológica). Esta norma técnica implementa o PCP – Programa de Controle de Poluição, que neste primeiro momento não estabelece parâmetros definidos para o descarte de efluentes sanitários e águas servidas, mas exige o seu tratamento, bem como o registro trimestral de determinados parâmetros, e a melhoria contínua dos resultados obtidos, demandando uma Política de Gerenciamento de Efluentes. Concluímos por fim quanto à obrigatoriedade da instalação de um sistema de tratamento de águas cinzas a bordo das unidades marítimas que atualmente só tratam águas negras, mas que a partir da implementação da NT01/11 só podem realizar o descarte de efluentes sanitários e águas servidas no mar após passarem por um processo de tratamento.

5. Referências
IMO, International Maritime Organization. <Disponível em www.imo.org>. Acesso em 29 de abril de 2012. MARPOL, 73/78, 1999, 1997 e 1999 amendments. International Maritime Organization. <Disponível em www.imo.org>. Acesso em 24 de abril de 2012. OCIMF. Oil Companies International Marine Forum. <Disponível em www.ocimf.org>. Acesso em 29 de abril de 2012. BRASIL. Lei nº 9.966, de 28 de abril de 2000. Dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências. Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF, v. 132, n. 152. BRASIL. Constituição (1988). Constituição [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal. BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente, CONAMA. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF, v.132, n.152, p.58-63. BRASIL. Conselho Nacional de Meio Ambiente, CONAMA. Resolução nº 430, de 13 de maio de 2011. Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução no 357, de 17 de março de 2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. Diário Oficial [da] Republica Federativa do Brasil. Brasília, DF, v.132, n.152. BRASIL. MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. Nota Técnica CGPEG/DILIC/IBAMA Nº 01/11.

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