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IBP1065_12 ACIDIFICAÇÕES MATRICIAIS EM RESERVATÓRIOS CARBONÁTICOS, Márcio de Oliveira Martins1

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Reservatórios carbonáticos caracterizam-se por grande heterogeneidade, inclusive de propriedades permoporosas. Quando submetidos a acidificações matriciais, o ácido tenderá a consumir os carbonatos onde a permoporosidade relativa for mais elevada, aumentando ainda mais a condutividade nestes locais e incrementando o contraste de permoporosidade já existente, caso nenhum esforço for empregado no sentido de promover distribuição mais adequada do tratamento. Isto acarretaria em produção limitada a reduzida extensão do intervalo produtor, com provável subaproveitamento das potencialidades dos reservatórios. Para suplantar este efeito e se alcançar maior cobertura intervalar dos tratamentos, técnicas de divergência devem ser empregadas, inclusive de forma combinada. Este trabalho apresenta exemplos de aplicação de técnicas de divergência em acidificações matriciais efetuadas em poços das bacias de Campo e do Espírito Santo, os quais apresentam grande variedade estrutural e assim representam significativa abrangência de situações. Os resultados de testes de formação são analisados para verificação da eficácia dos sistemas diversivos aplicados, bem como eles contribuem para o incremento do potencial produtivo.

Abstract
Carbonate reservoirs are characterized by great diversity of its properties, including permeability and porosity. When submitted to matrix acidifications, if no effort is employed, acid will tend to consume carbonates where permeability and porosity are higher, further increasing conductivity of these sites and also increasing permeability and porosity contrast existing before acid effects on formation. That would give limited production as result of small effective producer zone extent, with probable underutilization of potential reservoirs productivity. To overcome this effect and to achieve greater coverage of treatments, divergence techniques should be applied, including associations of them. This paper presents divergence techniques performed in matrix acidifications of Campos and Espírito Santo basins wells, which represent great structural diversity and, as consequence, a significant range of situations. Formations tests results are analyzed to verify diversion systems effectiveness, and how they contribute to the growth of productive potential.

1. Introdução
As recentes descobertas em reservatórios carbonáticos, tanto no pós-sal quanto no pré-sal, implicaram no desenvolvimento de técnicas de estimulação que objetivam, dentro dos recursos existentes, a maximização da produção. Para isto, é entendido que o tratamento ácido deve atuar na máxima extensão possível de reservatório exposto (seja através de poço aberto com liner ou intervalo canhoneado em revestimento, por exemplo), de modo a possibilitar o fluxo, ou incrementá-lo, nas zonas potencialmente produtoras. No caso específico de carbonatos, este desafio é especialmente considerável. Reservatórios carbonáticos são idiossincraticamente heterogêneos, não sendo raras grandes variações naturais de permoporosidade, as quais podem ser incrementadas por danos na perfuração. Considerando que a reação de dissolução de carbonato de cálcio (principal constituinte destes reservatórios) por ácidos fortes ordinários é normalmente rápida, e que são gerados produtos solúveis em água, implicando em destruição da matriz no ponto em que há a reação, aumenta-se ainda mais o contraste de

______________________________ 1 Mestre em Físico-Química, Químico de Petróleo - Petrobras

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 permeabilidade quando o ácido atinge a primeira zona de alta permeabilidade relativa que surge no percurso de seu fluxo. Se esforços não forem empregados, grande quantidade do ácido bombeado em seguida fluirá para este ponto, não havendo o surgimento de novos sítios de reação e, dessa forma, resultando o tratamento em pequena cobertura, em termos de extensão linear. Este problema realmente não deve ser desprezado para intervalos superiores a 30 m. Para que seja alcançada uma remoção mais uniforme possível do dano, bem como estimulação do maior número de zonas potencialmente produtoras, é necessário alterar a distribuição original do fluxo ácido. Isto pode ser conseguido com emprego de um conjunto de técnicas denominado divergência. Basicamente, a divergência consiste na diminuição tda permeabilidade em uma zona já tratada, tornando-a relativamente mais baixa que em outras sem contato com o ácido, permitindo que o tratamento flua para estas. Adicionalmente, é condição que a permeabilidade pós-tratamento com o ácido seja passível de restabelecimento, de modo que a divergência não implique em dano permanente à formação. Exemplos desse tipo de atuação são os divergentes químicos e as esferas selantes. Visto que em sistemas carbonáticos estabelecer um adequado equilíbrio – entre a cinética de reação de dissolução de carbonato pelo ácido e a transferência de massa deste reagente – é fundamental para uma distribuição mais homogênea do tratamento, técnicas que o promovam podem ser consideradas como auxiliares do processo de divergência. É o caso da zona de perda criada no trecho final do intervalo canhoneado ou do poço horizontal, com flexitubo, de modo a se estabelecer um ponto de fluxo maior, no qual o sistema ácido dificilmente atingiria de outra forma e que, assim, competiria com as zonas superiores mais permeáveis, diminuindo sua disponibilidade, em massa e tempo de residência, diante delas. Dada a já citada complexidade de reservatórios carbonáticos, e a dificuldade de se promover divergência neles quando realizadas acidificações matriciais (i.e, bombeios de sistemas ácidos abaixo da pressão de fratura da formação), a escolha e o dimensionamento da abordagem de divergência é uma tarefa que, normalmente, se vale da utilização dos diversos recursos existentes para este fim - combinados e aplicados de maneiras distintas que refletem as especifidades das marcantes diferenças dos sistemas em questão. Neste trabalho, portanto, serão apresentadas as acidificações matriciais efetuadas em quatro poços, identificados como A, B, C e D. Este conjunto representa um panorama de cenários diversificados, com propostas de estimulação diferenciadas e abrangente no que concerne ao que vem sendo praticado e aprimorado em serviços realizados nas bacias de Campos e do Espírito Santo.

2. Poços A e B
Poços localizados nos reservatórios carbonáticos de Jabuti, formação Macaé, membro Quissamã, com certo grau de dolomitização. Na região em questão, caracterizam-se por considerável permeabilidade horizontal, sobretudo devido à presença de fraturas naturais. Portanto a acidificação, se capaz de remover o dano e promover efetividade de interligação das fraturas naturais, geraria bons resultados. Este ponto é compatível com a limitação imposta pela quantidade de ácido que poderia ser disponibilizada no barco de estimulação – caso fosse necessário um tratamento ácido de maior extensão, no que diz respeito ao alcance em termos de profundidade na formação, haveria problemas de se atingir uma galonagem de ácido por pé compatível com os volumes de ácido viáveis, do ponto de vista operacional. Ambos os poços são horizontais no trecho de reservatório carbonático, e revestidos com liner de 7”. A similaridade também se estende ao intervalo total tratado: enquanto no poço A foram 1.850 m, no poço B este valor foi de 1.414 m. Estes intervalos foram divididos em três partes, através do posicionamento de inverted seals de packers. Estes inverted seals, quando diante de selos dos washpipes diversivos (sistemas com densidade de furos não homogênea, através do qual se bombeou ácido de modo homogêneo no anular definido por ele e o liner), gerou efetivo confinamento de fluido bombeado no trecho do poço por eles compreendido. Cada bombeio, em cada um dos três trechos, constituiu um estágio de tratamento. Naturalmente, foram então três estágios no total. No poço A, a abordagem consistiu em se bombear, em cada estágio, através dos washpipes diversivos para um posicionamento homogêneo entre estes e o liner de 7”, uma fase de HCl 15%, outra de HCl 15% gelificado, seguida de divergente reticulável na concentração de 2,5% e deslocamento com fluido de completação – sendo que, no primeiro estágio, foi realizado soaking com HCl 15% para garantir injetividade inicial. A fase de HCl 15% promoveria o ataque principal, com o HCl gelificado posterior reagindo mais lentamente e, dessa forma, contribuindo para uma melhor penetração do tratamento ao longo do intervalo. O divergente reticulável, no contexto da primeira operação, na qual não havia informação da efetividade da restrição entre os selos e os inverted seals (a posterior análise dos registradores de fundo mostrou que é correto se esperar tal eficiência), promoveria restrição temporária com intuito de garantir que não houvesse fluxo de um intervalo para outro durante o bombeio do estágio seguinte. 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 No caso do poço B, toda a concepção é idêntica, tornando o trabalho similar ao do poço A apenas pela diferença da composição de cada estágio: no primeiro, foi utilizado sistema auto-divergente – ou seja, o sistema ácido é bombeado com elevada fluidez, garantida por sua baixa viscosidade relativa, e ao reagir com o carbonato da formação gera produto de alta viscosidade, promovendo redução de permeabilidade na região tratada e forçando, assim, o sistema ácido subseqüente – ainda relativamente mais fluido, visto que não em contato com a formação – para outras zonas menos permeáveis, levando assim ao aumento da cobertura do intervalo a ser tratado. Análises de perfis da formação determinaram que os trechos tratados no poço B compreenderam os intervalos 4.275 – 4.630 m (355 m), 4.665 – 5.090 m (425 m) e 5.130 – 5.690 m (560 m), os quais foram definidos a partir do posicionamento dos packers. O critério utilizado foi posicionar os packers onde a possibilidade de fluxo de óleo era mais remota – ou seja, o trecho correspondente ao comprimento do packer não impactaria significativamente na produção do poço. 2.1. Programação dos tratamentos e justificativas A proposta de utilização do auto-divergente é a de empregá-lo efetivamente como um sistema que contenha, nele próprio, a fase fluida promotora de consumo de carbonato de cálcio – resultando em estimulação – e a fase que, após consumo pelo carbonato, apresentaria viscosidade relativamente mais alta, introduzindo dessa maneira na formação um dano temporário, forçando o fluxo a outros intervalos. Sendo assim, foi descartado o uso de colchões intercalados de HCl não viscosificado e auto-divergente, pois isto resultaria em uso similar ao sistema reticulável que foi utilizado no poço A, perdendo-se, desta forma, o caráter diferenciado de sistema auto-divergente. Para o poço A, por questões diversas concernentes à logística, havia disponibilidade de produtos químicos para 1.800 bbl de sistema auto-divergente em HCl a 20%. Como o intervalo de formação carbonática a ser efetivamente tratado foi de 1.340 m, isto equivaleu a um tratamento de 17,2 gal/ft. Entretanto, tendo em vista que havia disponibilidade de alocação de mais ácido clorídrico no barco de estimulação, decidiu-se bombear, à frente da fase de auto-divergente em cada estágio, uma fase de HCl 15%. Com isto, empregar-se-ia uma maior massa de ácido, aproveitando-se a disponibilidade e, dessa forma, aumentando-se o potencial estimulador da operação. Além disso, o colchão de HCl à frente permitiria um ganho de injetividade antes mesmo do sistema auto-divergente ser bombeado, o que possibilitaria que esta fase fosse bombeada a altas vazões desde o início e, desse modo, um ganho de divergência por vazões elevadas ocorresse. Utilizando-se toda a capacidade do barco de estimulação, poder-se-ia bombear 600 bbl de HCl 15% distribuídos nos três estágios. Isto representaria um ganho de 5,7 gal/ft de ácido no tratamento, o que levaria ao valor global de 22,9 gal/ft. Esta taxa não resulta em tratamento muito invasivo em poço horizontal de cerca de 1.400 m. Contudo, a remoção do dano e uma atuação no sentido de se estabelecer uma conectividade entre as fraturas naturais, garantiram bons resultados em termos de produtividade. Com a distribuição proporcional dos volumes descritos em termos de comprimento de intervalo a ser tratado, cada um dos estágios do tratamento pode ser descrito como na tabela 1, lembrando que foram três os estágios bombeados no total.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Tabela 1 – Fases do tratamento, em cada estágio. Estágio 1 Fase 1 2 3 Fase 1 2 3 Fase 1 2 3 Volume (bbl) 160 480 300 Volume (bbl) 190 570 300 Volume (bbl) 250 750 300 Fluido HCl 15 % Auto-divergente 60 20% Fluido de deslocamento (salmoura 8,55 ppg) Estágio 2 Fluido HCl 15 % Auto-divergente 60 20% Fluido de deslocamento (salmoura 8,55 ppg) Estágio 3 Fluido HCl 15 % Auto-divergente 60 20% Fluido de deslocamento (salmoura 8,55 ppg)

O tratamento foi realizado a partir do intervalo inferior, de modo que o estágio 1 corresponde ao intervalo 5.130 – 5.690 m, e assim sucessivamente em relação aos intervalos 4.665 – 5.090 m e 4.275 – 4.630 m. O deslocamento com 300 bbl de salmoura 8,55 ppg, preparados com água do mar, buscou garantir que praticamente todo o ácido bombeado reaja com a formação. A fase de auto-divergente é denominada 60 em função da concentração de 60 lb/mgal do referido surfactante. 2.1.1. Bombeio do soaking O objetivo do soaking é promover injetividade em maior extensão possível do trecho a ser tratado, de modo a permitir bombeio de ácido em altas vazões desde o início, promovendo ganho de divergência desde os barris iniciais do tratamento. Para isto, um colchão de HCl 15% foi deslocado com salmoura 8,55 ppg, e sem injeção na formação – ou seja, com retorno, através do anular, de fluido de completação presente no poço. O selo da ferramenta foi posicionado fora da área do packer inferior, de maneira a permitir a possibilidade de circulação do ácido num intervalo de comprimento superior ao determinado pelo packer inferior e a extremidade do liner.

Figura 1 - Posição prevista dos selos e dos washpipes no soaking. 2.1.2. Bombeio do primeiro estágio (5.130 a 5.690 m) Conforme programação, após o bombeio do soaking seria necessário quebrar seção e retirar a coluna estripando, até que os washpipes perfurados estivessem um tubo abaixo do swelling packer inferior.

Figura 2 - Posição dos selos e dos washpipes no bombeio do primeiro estágio. Iniciou-se o bombeio a 10 bpm. Gradualmente, a vazão aumentou para 20 bpm e, uma vez alcançada, foi mantida praticamente constante, resultando em pressão de bombeio em torno de 3.800 psi. Não foi observada grande variação deste parâmetro. A pressão anular (que não poderia suplantar 1.200 psi, para não ocorrer fratura da formação), 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 inicialmente foi lida em torno de 20 psi, atingindo um ápice de 480 psi, e depois caindo para cerca de 50 psi – sendo todos estes valores observados enquanto a vazão era de 20 bpm. Durante o deslocamento do tratamento com fluido 8,5 ppg, a pressão anular praticamente zerou: isto foi corroborado pela perda que se seguiu ao tratamento do estágio.

Figura 3 - Bombeio do soaking e do primeiro estágio. A pequena variação na pressão de superfície durante bombeio do sistema auto-divergente é característica deste sistema. Do gráfico, onde são apresentadas as vazões praticadas e as pressões observadas durante o bombeio do soaking e do tratamento do primeiro estágio, pode-se inferir que o comportamento do sistema auto-divergente foi significamente diferente do que é normalmente verificado para divergentes reticuláveis – enquanto estes incrementam a pressão em até 1.000 psi quando entram em contato com a formação, o sistema auto-divergente praticamente não resultou em variação de pressão de bombeio. A provável explicação para este fato é que se o sistema auto-divergente incrementa a pressão, em determinado ponto, pela redução de permeabilidade local promovida pela viscosificação do ácido gasto (além de outros efeitos hidrodinâmicos), na zona permeável imediatamente mais próxima haveria decréscimo da pressão de injeção, devido a ácido vivo consumir mais carbonato com conseqüente aumento de permeabilidade. Desse modo, um efeito anularia o outro e a pressão de bombeio se manteria aproximadamente constante, a dada vazão, para trabalhos com sistemas auto-divergentes, devido à simultaneidade dos efeitos. Supondo que sejam de mesma magnitude os dois fenômenos (de promoção e redução da permeabilidade, em diferentes pontos porém ao mesmo tempo), há compatibilidade dos fatos com a pressão de bombeio praticamente não variar. 2.1.3. Bombeio do segundo estágio (4.665 a 5.090 m) O bombeio foi iniciado com 10 bpm, com pressões de bombeio muito baixas. Este comportamento pode ser atribuído ao fato de que a coluna estava vazia. Durante algum tempo, portanto, a vazão foi mantida a 10 bpm para que houvesse seu preenchimento.

Figura 4 - Posição dos selos e dos washpipes no bombeio do segundo estágio. Contudo, as pressões de bombeio se mantiveram baixas – menores até que a perda de carga correspondente à vazão praticada. Foi realizada checagem de todas as linhas e também de todo o posicionamento do aparato relacionado à coluna e aos washpipes diversivos, não havendo nenhuma anormalidade perceptível. Só depois disto é que a vazão foi aumentada para 20 bpm, com pressão de bombeio ficando em torno de 3.000 psi e sem grande variação até o fim do deslocamento (uma característica do sistema auto-divergente, conforme mencionado), bem como não foi mais alterada a vazão de trabalho. A pressão no anular também não apresentou grande variação, provavelmente devido às grandes perdas após a acidificação do primeiro estágio.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 2.1.4. Bombeio do terceiro estágio (4.275 a 4.630 m) Com o selo inferior posicionado diante dos inverted seals superiores, novamente o bombeio foi iniciado a 10 bpm, sendo rapidamente aumentado para 20,5 bpm. Primeiramente injetou-se salmoura 8,5 ppg na formação, seguida da fase de HCl 15%, com pressão de bombeio de cerca de 3.000 psi. Quando o HCl 15% atingiu a formação, deslocado pela fase do sistema auto-divergente também a 20,5 bpm, houve decréscimo da pressão de bombeio, para cerca de 2.850 psi. Alcançando o sistema auto-divergente a formação, a vazão foi aumentada até atingir 22 bpm, com a pressão de bombeio flutuando, em pequena amplitude, em torno de 3.500 psi.

Figura 5 - Posição dos selos e dos washpipes no bombeio do terceiro estágio. Novamente, a pressão no anular manteve-se constante todo o tempo.

Figura 6 - Bombeio do terceiro estágio. 2.2. Resultados Por circunstâncias diversas, não foram corridos perfis de produção no poço A, bem como no B, de modo que a avaliação da cobertura do tratamento, em termos de extensão de poço aberto, não foi possível de ser avaliada. Contudo, no poço A, o índice de produtividade (IP) estimado na abertura foi de 178 m3/d/kgf/cm2, com razão de dano e skin não sendo possíveis de estimar. A produção na abertura ficou em torno de 42.000 bpd, um recorde na Bacia de Campos. Já o poço B, na abertura, apresentou IP de 96,2 m3/d/kgf/cm2, com razão de dano de 0,82, skin de -1,3 e vazão de produção em torno de 21.700 bpd. Atualmente, o IP encontra-se em 136 m3/d/kgf/cm2, com vazão de produção de 14.500 bpd. Embora não tenha havido um diagnóstico preciso a respeito de promoção de divergência, são resultados sem dúvida expressivos. Contudo, o trabalho no poço a ser apresentado em seguida demonstra a eficiência da combinação de washpipes diversivos, divergência química e alta vazão para garantir uma cobertura significativa de área tratada. Sendo assim, a suposição de que a divergência nos poços A e B desempenhou papel importante é fundamentada – na pior das hipóteses, encontra-se espaço para em casos similares se melhorarem ainda mais os excelentes resultados já alcançados.

3. Poço C
O poço C, mais precisamente no intervalo canhoneado de 3.940 a 4.060 m (calcarenito Macaé), foi submetido a acidificação abaixo da pressão de fratura (ou seja, a um tratamento matricial – necessidade imperativa devido à presença de contato óleo – água a 4.112 m, fato inviabilizador de aplicação da técnica de fraturamento) para estimulação e 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 realização de teste de formação a poço revestido (no caso, TFR-03), com a maior cobertura possível na região canhoneada, através da aplicação de técnicas de divergência mecânica (washpipes diversivos posicionados diante do revestimento de 9 5/8”) e química (divergente químico reticulável que promove a redução do fluxo em zonas já tratadas pelo ácido – contribuindo, dessa forma, para o esforço de se evitar hot spots), de modo que fosse maximizado o potencial produtivo do poço em questão. Os intervalos 3.824 – 3.854 m (TFR-01) e 3.702 – 3.748 m (TFR-02) já haviam sido previamente testados, e os reservatórios por eles compreendidos foram considerados como sendo de baixíssima permeabilidade. 3.1. Washpipes diversivos Washpipes diversivos são desenhados para, a partir de uma determinada vazão, promover o posicionamento homogêneo do fluido bombeado no anular compreendido pelo revestimento ou liner (no caso em questão, revestimento de 9 5/8”) e os próprios washpipes diversivos, levando em consideração aspectos de hidrodinâmica e distribuição de permeabilidades no intervalo a ser tratado. Neste trabalho, a vazão mínima para a distribuição homogênea do fluido bombeado é de 10 bpm. A distribuição de furos ao longo dos washpipes diversivos é dada na tabela a seguir: Tabela 2 - Distribuição de furos ao longo dos washpipes diversivos.

3.2. Step Rate Test (SRT) O SRT foi conduzido com BOP fechado e ferramenta na posição de vedação: ou seja, injetando-se salmoura 9,7 ppg, através de bombeio pelo barco de estimulação, na formação. Para cada vazão prevista, bombeou-se durante três minutos – tempo considerado suficiente para estabilização das pressões. Os resultados encontrados em termos de pressão, considerando-se somente as vazões nas quais as perdas de cargas eram desprezíveis, são mostrados a seguir:

Figura 7 - Análise de step rate test considerando-se somente as vazões que geram perdas de carga desprezíveis. Por este gráfico, é possível estimar que a vazão na qual ocorra a propagação de fratura é por volta de 1 bpm. O gradiente de propagação de fratura correspondente foi estimado em 0,54 psi/ft. o qual é ligeiramente menor que o gradiente de fratura encontrado para a formação superior (0,56 psi/ft) e consideravelmente aquém que o estimado por modelagem para esta zona canhoneada de 3.940 a 4.060 m (0,60 psi/ft). Como as perdas de carga foram superestimadas, para a definição do limite superior da pressão de bombeio entende-se que é necessário subtrair a componente imposta pela restrição entre a ferramenta e o packer – algo que não existe na posição de vedação, justamente a posição de bombeio do ácido. Portanto, conservadoramente, considerou-se 70% do valor da perda de carga medida. Sendo assim, o valor máximo da pressão de bombeio ficou estabelecido em (800 + ∆P) psi.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.3. Soaking ácido Para promoção de injetividade inicial, e ser possível iniciar o trabalho a vazões superiores a 10 bpm (condição imposta pelo dimensionamento do washpipe diversivo), foi previsto soaking ácido. Este consistiu em se bombear 100 bbl de HCl 15% com a ferramenta fora da posição de vedação e BOP aberto, deslocando-se com a primeira fase do tratamento ácido (no caso, também HCl 15%). Isto foi realizado com vazão de 10,2 bpm, e pressão de bombeio variando entre 1.400 e 1.700 psi. Aguardou-se ação do ácido durante 20 minutos e, em seguida, fechou-se BOP e bombearam-se 100 bbl de camai 9,7 ppg pela linha de kill, através da bomba da sonda, para evitar qualquer eventual ácido que possa ter ficado acima do packer. 3.4. Tratamento ácido Com BOP fechado, ferramenta na posição de vedação e choke line aberta (para monitoramento da pressão anular, de modo a se verificar a eficiência da vedação), foi injetado todo o tratamento constituído basicamente por quatro estágios das seguintes fases, na seqüência: HCl 15%, HCl 15% gelificado, divergente reticulável 2,5% e fluido de deslocamento. Este tratamento correspondeu a 25,6 gal/pé em termos de HCl 15%; 28,8 gal/pé em termos de HCl 15% gelificado; 19,7 gal/pé em termos de divergente reticulável 2,5%; e 42,3 gal/pé em termos de fluido de deslocamento. Este, quando entre estágios, contituiu-se de salmoura 8,5 ppg pela facilidade de fabricação, visto que é preparado com a água do mar. Já o deslocamento final foi realizado com camai 9,7 ppg, a fim de se evitar desbalanceio. A capacidade máxima de estocagem de ácido, determinada pela volumetria dos tanques de ácido no barco de estimulação, foi empregada.

Figura 8 - Parte do bombeio do tratamento ácido no poço C. A figura é representativa do que ocorreu em todos os estágios. O soaking ácido foi bem-sucedido no sentido de garantir injetividade inicial. Foi observado que, com a atuação na formação do HCl e do HCl gelificado, puderam ser desenvolvidas vazões mais altas, o que demonstra dissolução da formação e geração de condutividade. A injetividade alcançada foi considerável, conseguindo-se taxas de bombeio da ordem de 24 bpm. Há clara atuação do divergente reticulável, com acréscimo de até 1.000 psi quando este atingiu a formação, a despeito da diminuição de vazão.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.5. Resultados A tabela a seguir apresenta os resultados obtidos após análise do teste de formação: Tabela 3 - Resultados do TFR-03

Estes valores indicam três zonas do intervalo canhoneado contribuindo, ainda que com valores de produtividade pequenos. Este fato corrobora a baixa qualidade do reservatório, conforme observado nas zonas testadas no TFR-01 e no TFR-02.

Figura 9 - PLT do intervalo canhoneado 3.940 – 4.060 m Contudo, é claro que, apesar da técnica de estimulação ter esbarrado na baixa potencialidade do intervalo em questão, houve sucesso na distribuição do tratamento ácido com o conjunto de métodos de divergência empregados, pois verifica-se ação do ácido em três zonas do intervalo canhoneado completamente distintas – e provavelmente haveria em outras, caso existisse permoporosidade significativa.

4. Poço D
Poço localizado na porção do pré-sal do Reservatório de Baleia Franca. Anterior a este teste de formação a poço revestido, já havia sido realizado outros dois, sendo investigadas duas zonas distintas – no caso do TFR-01, as coquinas; e no caso do TFR-02, o MCB 200 do Alagoas Superior. Houve ampliação do canhoneio, estendendo-o ao MCB 100 e MCB 300 e perfazendo um intervalo total de 200 m (4.350 a 4.550 m). O objetivo foi a avaliação conjunta de todas essas zonas, através do referido intervalo. A estimulação ácida foi realizada promovendo-se, inicialmente, uma zona de injeção no terço final do intervalo canhoneado, através de bombeio de HCl 15% e ácido gelificado (HCl 15%) por flexitubo e ferramenta de jateamento. O objetivo desta abordagem foi possibilitar o desenvolvimento de altas vazões da fase a ser posteriormente bombeada (no caso, sistema auto-divergente), bem como propiciar um equilíbrio – entre a cinética de reação de consumo de carbonato pelo ácido e de transporte de ácido pela matriz carbonática – que seja favorável à distribuição do tratamento em maior extensão possível do intervalo canhoneado. Criada esta zona de injeção, o tratamento consistiu em bombeio bullheading de sistema auto-divergente. O fluido base para a fabricação do sistema auto-divergente foi HCl 17%. O bombeio foi efetuado à máxima vazão (assumindo-se como limite valor em torno de 20 bpm), em modalidade matricial – em outras palavras, limitada pela pressão de fratura. A modalidade matricial foi escolhida, dentre outros motivos, devido à presença de contato óleo-água. O desenvolvimento de vazões tão elevadas quanto possível contribuiu para o aumento da cobertura do tratamento ácido. Divergência adicional 9

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 foi programada com o uso de esferas selantes de 7/8” e densidade relativa de 1,2, as quais são completamente solúveis em fluido de completação, após período de seis horas. 4.1. Promoção da zona de perda Em intervalos canhoneados de longa extensão em carbonatos, se não forem aplicadas técnicas apropriadas de divergência, é muito difícil tratar além da primeira zona de alta permeabilidade relativa da formação com a qual o ácido entrar em contato. Isto porque, com o consumo da formação pelo ácido e criação de wormholes, há um incremento da permeabilidade que já era relativamente mais alta, gerando-se um contraste de permeabilidades tal que impede o fluxo subseqüente de ácido para outros trechos do intervalo canhoneado. Para superar esta imposição que as características intrínsecas da formação colocam, além de divergência química, para este poço foi proposta a promoção de zona de perda no terço final do intervalo canhoneado, por meio de bombeio de pequeno volume de ácido (em relação ao volume total do tratamento) através de flexitubo. A idéia é que o ácido agindo no terço final do intervalo canhoneado gera uma região de fluxo preferencial, a qual compete com as reações rápidas nos carbonatos dos trechos iniciais. Para o poço em questão, foi programado o bombeio de 90 bbl de HCl 15% e 100 bbl de gelled acid (baseado em HCl 15%) através de flexitubo e ferramenta de jateamento, à vazão de 1,1 bpm (definida em simulação) e em quatro passadas. Durante o posicionamento deste ácido, havia uma pressão no anular coluna de produção – flexitubo em torno de 174 psi. Fechada a válvula de superfície, durante o bombeio do HCl 15% e do gelled acid, esta pressão caiu a zero, mostrando que já havia atuação do ácido na formação. Toda a injeção destes fluidos foi feita com a vazão de 1,1 bpm, conforme programado, e a pressão de bombeio variou entre 4.859 e 4.064 psi. O deslocamento do tratamento ácido foi feito com salmoura 8,6 ppg. 4.2. Acidificação bullheading de sistema auto-divergente Baseado no gradiente de fratura de poço correlato, considerou-se o valor de 0,72 psi/ft para a determinação do limite superior de pressão de bombeio, a fim de evitar que a formação fosse fraturada – uma fratura nesta situação implicaria em pequeno intervalo altamente condutivo e localizado, dificultando muito a promoção de divergência. Sendo assim, enquanto houve fluido de completação de peso 9,4 ppg no poço, a pressão de bombeio na etapa de bullheading deveria ser limitada a 4.000 psi mais perdas de carga, aumentando para 4.500 psi mais perdas de carga quando havia ácido e fluido de completação 8,6 ppg no poço. Como as perdas de carga para a vazão prevista de bombeio (20 bpm) poderiam atingir até cerca de 2.000 psi, considerando a coluna de produção presente no poço, testou-se as linhas com 6.800 psi, com desligamento automático calibrado para 6.500 psi. Iniciado o bombeio, aumentou-se gradativamente a vazão até 20 bpm, com a pressão de bombeio flutuando, inicialmente, em torno de 3.300 psi – bem abaixo dos limites para não fraturar a formação. Sendo assim, não haveria dificuldades em se manter a vazão neste patamar, e este fato se confirmou, sendo mantida a vazão de 20 bpm até praticamente o final do trabalho.

Figura 10 - Gráfico de bombeio do bullheading do poço B – bombeio do sistema auto-divergente (HCl 17%). 10

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A vazão de bombeio foi mantida em 20,5 bpm durante quase todo o trabalho. A pressão de bombeio apresentou ligeiro declínio, caindo de cerca de 3.300 psi para 2.700 psi. Essa variação leva a algumas reflexões acerca do processo de divergência. A primeira é que o sistema auto-divergente não impõe divergência perceptível em termos de pressão de superfície. Uma possível razão para este fato é que por se tratar de um sistema auto-divergente, bombeado em fase única, ocorreria em primeiro momento o consumo da matriz carbonática pelo ácido clorídrico, com conseqüente aumento da injetividade e diminuição da pressão de bombeio. Logo em seguida, ocorreria o aumento de pH no fluido em contato com esta zona tratada – e realmente é um processo rápido, visto que a cinética deste processo é caracterizada por reações de alta velocidade. Sendo assim, haveria a viscosificação pela atuação dos surfactantes presentes no sistema, com conseqüente redução temporária da permeabilidade local e aumento da pressão de bombeio. Contudo, efeito seria imediatamente cancelado pelo tratamento da zona seguinte, levando a um novo ponto de abaixamento da pressão de bombeio e aumento de injetividade. Imaginando esse processo acontecendo em nível praticamente contínuo, seria compatível com a pouca variação de pressão de bombeio observada. Logo, talvez seja possível afirmar que as acidificações de carbonatos com o sistema auto-divergente sejam processos quase-estáticos em termos de pressão de superfície. A segunda reflexão é a respeito das esferas selantes. Em termos de pressão de superfície não foi observado nenhum incremento, de modo que não se pode afirmar a respeito da efetividade das esferas selantes nesta situação. De qualquer forma, elas foram empregadas como técnica de divergência adicional, no sentido de contribuir para a promoção desta – sobretudo levando-se em consideração que, para 200 metros de intervalo canhoneado a uma densidade de 12 jatos/ft, havia cerca de 7.875 furos. Logo, o número de esferas utilizadas era apenas 17% do ideal. 4.3. Resultados O teste de formação indicou IP variando de 54,3 a 76,9 m³/dia/kgf/cm², com razão de dano 0,57 e skin -3,38. Ou seja, o poço foi amplamente estimulado. No que diz respeito à contribuição da produção ao longo do intervalo, análises podem ser feitas a partir do resultado obtido com o PLT, exposto a seguir:

Figura 11 - Perfis de permeabilidade e de produção ao longo do intervalo tratado. O perfil mostra que há contribuição majoritária dos 155 m finais do intervalo canhoneado, o que corresponde a 77,5% do total. É um resultado expressivo, considerando os contrastes de permeabilidade típicos de formações carbonáticas – e que no caso do trabalho em questão, foram da ordem de pelo menos 102. A base da zona das coquinas tem a maior contribuição unitária, com aproximadamente 50% do total. A zona Macabu 300 contribui com aproximadamente 50% do total e de maneira marcadamente uniforme. A contribuição da zona Macabu 200 é marginal. Interessante notar que o trecho dos canhoneados não contribuinte para a produção (os 45 m iniciais) é justamente o de menor permeabilidade relativa. Aparentemente, o equilíbrio estabelecido entre a transferência de massa do ácido clorídrico e o tempo de contato entre o ácido clorídrico e o carbonato da formação, necessário para o desencadeamento da reação de solubilização do CaCO3, não foi favorável para a promoção de estimulação nas zonas relativamente menos permeáveis superiores, considerando a vazão empregada e a perda no fundo do intervalo promovida pela zona de perda no fundo. Para se tentar mitigar esta situação, em trabalhos futuros pode-se recorrer ao expediente de diminuir a vazão (para algo em torno de 3 bpm, por exemplo) nos barris finais do tratamento. Com isto, supõe-se estabelecer um tempo de contato do ácido clorídrico maior com a formação (considerando o processo dinamicamente, ou seja, sem que a camada 11

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 de ácido clorídrico, em contato com a formação carbonática, seja tão imediatamente substituída), favorecendo a reação nos trechos iniciais – e, conseqüentemente, um possível aumento da cobertura de tratamento.

5. Conclusões
A partir da experiência obtida com estes poços, são várias as conclusões que podem ser obtidas – as quais, em base empírica e portanto adequada para sistemas como os carbonáticos, nos quais a heterogeneidade é substancial, devem ser consideradas para o aprimoramento e aperfeiçoamento de estimulações futuras, servindo como premissas para o desenho de acidificações em carbonatos. Washpipes diversivos promovem o posicionamento homogêneo do tratamento ácido, o que contribui para a promoção de divergência. Embora PLT não tenha sido corrido nos poços A e B, houve a disponibilização deste recurso no poço C e neste caso ficou configurada a ocorrência de divergência, após associação dos washpipes diversivos com divergente reticulável e alta vazão. Fica clara também a versatilidade destes washpipes, pois podem ser utilizados tanto em poços horizontais quanto verticais, abertos ou revestidos. Nos casos dos poços A e B, a galonagem de ácido por pé foi pequena. Contudo, para reservatórios fraturados, isto parece ser suficiente, pois a conexão das fraturas aumenta a permeabilidade global. Entretanto, em termos gerais, deve-se buscar sempre a utilização do máximo volume possível de ácido, pois o consumo da matriz carbonática implica na formação de sítios com alta condutividade. O comportamento dos sistemas químicos para divergência são notadamente distintos. O divergente reticulável apresenta agudo aumento da pressão, em nível de até 1.000 psi, quando atinge a formação. Isto sugere que a sua ação é imediata e, por conseguinte, provavelmente local, o que talvez o torne mais adequado para trabalhos onde os intervalos a serem tratados são relativamente menores. Já o sistema auto-divergente, quando bombeado contra a formação, resulta em pressão na superfície que praticamente não varia, indica realmente a simultaneidade de fenômenos a que se propõe (redução de permeabilidade em um ponto, com aumento de pressão; e em outro ponto, menos permeável, considerando a distribuição original, com consumo da formação por matéria ácida ativa, resultando em decréscimo que contrabalanceia o aumento de pressão citado anteriormente). Este comportamento sugere uma ação difusa, sendo assim compatível com intervalos grandes. Finalmente, a associação de várias técnicas de divergência disponíveis, aplicadas adequadamente para cada contexto, é fundamental para a obtenção de bons resultados. Afinal, quando o primeiro ácido atinge a formação carbonática, consumindo-a, trata-se a partir daí do embate em distribuir fluxo entre um ponto de altíssima condutividade com outros nos quais, não raro, a permeabilidade é do nível de apenas milésimos de darcy. Sendo assim, a idéia de utilização ampla dos recursos deve ser tomada como norma.

6. Referências
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