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IBP1076_12 DETERMINAÇÃO DE PERMEABILIDADE EM BACIAS DE TANQUES COM PERMEÂMETRO DE ZANGAR Carlos Alberto Rodrigues Torres1, Ana Paula Camargo

de Vicente2, Jorge Antonio Lopes3 ,Celso Rodrigues da Silveira Filho4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Este artigo aborda um tema que vem sendo alvo de exigências de órgãos ambientais para os casos de renovação de licenças, ampliações ou de implantação de novos empreendimentos. O tema refere-se à verificação e adequação da permeabilidade de bacias de tanques a determinados critérios. A norma brasileira que regulamenta estes critérios é a ABNT NBR 17505-2 - Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis. Para a verificação do atendimento aos critérios estabelecidos o ideal é que se realizem ensaios geotécnicos para verificar a permeabilidade e as principais características do solo. Para a realização desses serviços podem surgir algumas dificuldades, como por exemplo, existência de poucas empresas capacitadas, relativa complexidade, alto custo e tempo considerável para a realização. Neste sentido este artigo visa apresentar uma metodologia diferenciada proposta por Zangar (1953) para a verificação da permeabilidade das bacias e também um caso prático aplicado em um terminal de armazenamento de derivados de petróleo. A metodologia é complementada com a apresentação dos resultados em uma planta contendo curvas de isovalores conseguindo com isso uma representação geográfica dos coeficientes de permeabilidade das bacias. No estudo de caso foram realizados 21 ensaios contemplando 7 bacias de tanques. Como resultado pôde-se verificar que 98,3 % da área estudada atenderam aos critérios, com um coeficiente de permeabilidade médio de 6,84 x 10-5 cm/s. Com esse trabalho pode-se concluir que a metodologia proposta apresenta-se como uma opção confiável, rápida, de baixo custo e de fácil aplicação, podendo ser utilizada para a verificação do atendimento da permeabilidade de bacias de tanques em relação ao critério da norma ABNT NBR 17505-2.

Abstract
This article addresses a subject that has been target of requirements from environmental agencies for renewal of licenses, expansions, or implementation of new enterprises. That subject refers to the checking of the permeability of tank basins and verifying its adequacy against certain criteria. The Brazilian standard that regulates those criteria is ABNT NBR 17505-2 – Flammable and Combustible Liquid Storage. In order to check compliance with the established criteria, it is best to perform geotechnical tests to check the permeability and main characteristics of the soil. Some difficulties may arise in the execution of those services, as for example, the scarce existence of qualified firms, relative complexity, high cost and considerable time for the execution. In that regard, this article is intended to present a differentiated methodology proposed by Zangar (1953) for the checking of the permeability of the basins and also a practical case applied to a petroleum by-product storage terminal. The methodology is complemented with the presentation of the results obtained in a plant containing iso-value curves, thereby getting a geographic representation of the permeability indexes of the basins. In the case study, 21 tests have been performed encompassing 7 tank basins. As a result therefrom, it was verified that 98.3% of the studied area met the criteria, with an average permeability of 6.84 x 10-5 cm/s. With this paper, one may conclude that the proposed methodology is reliable, quick, low-cost and easily applicable, and may be used for checking the compliance of the tank basin permeability with the criterion of ABNT NBR 17505-2 standard.

______________________________ 1 Mestre, Químico de Petróleo – TRANSPETRO 2 Especialista, Profissional de Meio Ambiente – TRANSPETRO 3 Mestre, Coordenador de Meio Ambiente – TRANSPETRO 4 Tecnólogo em Construção Civil – TRANSPETRO

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
Está ficando cada vez mais freqüente no Brasil, os órgãos ambientais estipularem exigências sobre a adequação da permeabilidade de bacias de tanques, normalmente em forma de condicionantes de licenças, para os casos de renovação, ampliações ou de implantação de novos empreendimentos. Algumas vezes as exigências estão vinculadas ao atendimento à norma da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT (2006) que regulamenta estes critérios, que no caso é a norma ABNT NBR 17505-2 - Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis que descreve o seguinte: “... o coeficiente de permeabilidade, máximo, das paredes e do piso da bacia deve ser de 10–6 cm/s referenciado à água a 20°C e uma coluna de água igual a altura do dique, com exceção para o armazenamento de líquidos estáveis podem ser aceitas bacias de contenção com o coeficiente de permeabilidade máximo de 10–4 cm/s, referenciado à água a 20°C, quando existirem canaletas em concreto armado, com área de escoamento mínima de 900 cm² em torno dos tanques e demais pontos passíveis de vazamentos e direcionando, preferencialmente, os vazamentos para o sistema de drenagem.” Como, de maneira geral a tancagem apresenta canaletas que se enquadram na área de escoamento mínima de 900cm², o critério a ser alcançado é de coeficiente de permeabilidade máximo de 10–4 cm/s. Para a verificação do atendimento ao critério estabelecido o ideal é que se realizem ensaios geotécnicos para verificar a permeabilidade e também as principais características do solo. Os ensaios de permeabilidade podem ser realizados “in situ” e em laboratório. Outros ensaios para se conhecer as principais características do solo são: • Análise granulométrica; • Limite de Liquidez, Limite de Plasticidade e Índice de Plasticidade; • Massa específica real dos grãos; • Densidade aparente; • Ensaio de compactação. Estes ensaios são úteis para poder interpretar melhor os resultados encontrados e para poder propor medidas para adequação das bacias no caso de valores desfavoráveis. Segundo a Associação Brasileira de Geologia de Engenharia e Ambiental - ABGE (1996) os ensaios de permeabilidade podem ser feitos classificados de acordo com a Tabela 1: Tabela 1. Classificação dos ensaios de permeabilidade MANEIRA DA REALIZAÇÃO Nível Constante Nível Variável PRESSÃO APLICADA carga descarga carga descarga DENOMINAÇÃO DOS ENSAIOS infiltração bombeamento rebaixamento recuperação MÉTODO DE PROSPECÇÃO sondagens, poços e cavas poços e sondagens sondagens e poços poços e sondagens

Teixeira (1967) apresenta uma correlação que pode ser utilizada como uma estimativa da ordem de grandeza da permeabilidade com base na granulometria. Esta correlação é apresentada na Figura 1 apresentada a seguir:

Figura 1. Correlação entre permeabilidade e granulometria (Teixeira, 1967) Esta correlação pode ser útil para a avaliação dos valores de permeabilidade encontrados no solo. Para a realização desses serviços podem surgir algumas dificuldades, como por exemplo, existência de poucas empresas capacitadas, relativa complexidade, alto custo e tempo considerável para a realização. Neste sentido este artigo visa apresentar uma metodologia para verificação da permeabilidade das bacias buscando unir confiabilidade, rapidez, simplicidade e baixo custo, e também apresentar um estudo de caso aplicado em um terminal de armazenamento de derivados de petróleo. 2

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2. Método Zangar
Este método proposto por Zangar (1953), baseia-se no trabalho de Hvorslev (1951) que estudou a realização de ensaios de determinação de permeabilidade, em regiões acima do nível do lençol freático, por meio de um poço, com profundidade e diâmetro conhecido, por meio de carga variável (o nível d’água varia em relação a um período). Para a medição da permeabilidade, Hvorslev propôs o uso de um determinado permeâmetro e usou a formulação do ensaio com carga variável, que tem a sua equação apresentada abaixo: K20 = _ πd2____ 11D (t2-t1) ln (h1/h2) .C (1)

onde: K20= permeabilidade a 20º C; d = diâmetro interno do tubo vertical do permeâmetro, em centímetro; D = diâmetro do fundo do furo, em centímetro; h1 = altura inicial de coluna d’água na bureta graduada no tempo inicial t1, em centímetro; h2 = altura de coluna d’água na bureta graduada no tempo t2, em centímetro; t1 = tempo inicial, em segundos; t2 = tempo final, em segundos; C = fator de correção da temperatura. Este método possibilita minimizar os erros de ensaios, tais como: vedação entre o revestimento e o terreno natural, amolgamento do solo ao ser perfurado, falta de precisão nas medidas dos elementos geométricos, ocorrências de comportamento geotécnico do tipo piping, colmatação e ocorrências de estruturas orgânicas, como formigueiro. Além disso o método é adequado para a profundidade de compactação das bacias dos tanques estimada em 40 cm e para o range esperado de valores de permeabilidade (menores que 10 -4cm/s).

3. Estudo de caso
A verificação da permeabilidade das bacias de tanques utilizando-se o permeâmetro de Zangar foi feita em um terminal de armazenamento de derivados de petróleo. O terminal apresenta 7 bacias de tanques. Optou-se pela realização de 3 ensaios por bacia, totalizando-se 21 ensaios. Em cada local ensaiado, foi removida uma camada de 5 cm de solo e a partir dessa profundidade, foi escavada uma cava circular de 25 cm de diâmetro e 20 cm de profundidade. A cava foi executada cuidadosamente, com utilização de ponteiras, a fim de perturbar o mínimo as paredes e em especial o fundo do furo. Na referida cava foi executado o ensaio de permeabilidade. Cabe salientar que antes da realização do ensaio, o solo foi saturado por no mínimo 20 minutos, para garantir que a água usada durante o ensaio representasse a permeabilidade saturada, sem interferência do processo de preenchimento de vazios do solo. A temperatura da água, durante a realização do ensaio foi monitorada, para que fosse possível determinar a permeabilidade a 20º C (K20). Foi utilizada uma tabela de conversão de K na temperatura de trabalho para o K20. As três últimas leituras foram usadas para o cálculo do coeficiente de permeabilidade in situ, visto que apresentaram variação de tempo similar, indicando assim que a saturação máxima do solo tinha sido atingida e, por conseguinte, a estabilização das leituras. Para cada bacia verificada, foram feitas três medições em pontos distintos, a fim de cobrir a maior área possível. O permeâmetro foi previamente calibrado, usando-se água para preenchimento e os diâmetros médios dos tubos foram obtidos, por meio da relação volumétrica e o peso, em determinada temperatura. O permeâmetro foi instalado na posição vertical, preenchendo o espaço entre o fundo da cava e a base do permeâmetro com areia grossa e limpa, isenta de matéria orgânica. A vedação entre a parede da cava e o permeâmetro, foi feita com selo de argila bentonítica. A Figura 2 apresenta fotos do permeâmetro utilizado nos ensaios.

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Figura 2. Permeâmetro de Zangar

Os resultados foram apresentados em um mapa contendo curvas de iso-valores conseguindo com isso uma representação geográfica dos índices de permeabilidade das bacias. A partir deste mapa as áreas que por ventura não atendam aos critérios podem ser limitadas e dessa forma as recomendações para a adequação da permeabilidade das bacias podem ser melhor elaboradas.

4. Resultados
Na Tabela 2 a seguir apresentam-se os valores encontrados: Tabela 2. Valores de permeabilidade

BACIA

PONTO 7 8 9 10 11 14 04 05 06 01 02 03 12 13 15 16 17 18 19 20 21

K20 (cm/s) 1,54 x 10-5 6,46 x 10-4 2,20 x 10-5 1,62 x 10-6 2,64 x 10-6 6,60 x 10-6 1,03 x 10-6 3,53 x 10-4 1,90 x 10-5 2,66 x 10-5 3,46 x 10-6 6,02 x 10-6 1,61 x 10-4 1,31 x 10-5 7,25 x 10-5 5,02 x 10-6 5,03 x 10-6 3,51 x 10-6 2,85 x 10-6 3,74 x 10-5 3,19 x 10-5 4

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A partir dos resultados encontrados e da locação dos pontos de execução dos ensaios foi elaborada uma planta com as curvas de iso-valores de permeabilidade, para melhor visualização do cenário encontrado. Esta planta é apresentada na Figura 3.

Figura 3. Planta com curvas de iso-valores de permeabilidade 5

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5. Discussões
Analisando-se os resultados pode-se constatar que: A permeabilidade média foi de 6,84 x 10-5 cm/s ficando dentro do valor estabelecido pela norma; O planta com curvas de iso-valores demonstra que 98,3 % da área total está dentro do valor estabelecido pela norma. • A permeabilidade variou de 1,03 x 10-6 cm/s a 6,46 x 10-4 cm/s. Diante das constatações concluiu-se que não há necessidade de adequações nas bacias pois de uma maneira geral os valores atendem à norma. Por outro lado, se houver a opção por adequar a área com iso-valores acima do estabelecido, equivalente a 1,7% da área total, pode-se realizar um procedimento de compactação manual com equipamento de compactação após revolvimento de aproximadamente 40 cm divididos em duas camadas de 20 cm e controle da umidade do solo. Posteriormente a permeabilidade pode ser monitorada utilizando-se o permeâmetro de Zangar. Ressalta-se ainda que se for necessário as áreas em vermelho podem ser melhor delimitadas utilizando-se novos ensaios nas mediações. • •

6. Considerações Finais
Com esse trabalho pode-se concluir que a metodologia utilizando-se o permeâmetro de Zangar associado à apresentação dos resultados em um mapa com curvas de iso-valores apresenta-se como uma opção confiável, rápida, de baixo custo e de fácil aplicação, podendo ser utilizada para a verificação do atendimento da permeabilidade de bacias de tanques em relação ao critério da ABNT NBR 17505-2 (2006).

7. Referências
ABGE - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE GEOLOGIA DE ENGENHARIA E AMBIENTAL. Ensaios de permeabilidade em solos – Orientações para sua execução no campo, Boletim 04, São Paulo, 1996. ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis. Parte 2: Armazenamento em tanques e em vasos. NBR 17505-2. Rio de Janeiro, 2006. HVORSLEV, M. J. Time lag and soil permeability in ground-water observations. U.S. Army Corps of Engineers, Waterways Experiment Station, Bulletin No. 36, 1951. TECPAM CONSULTORIA AMBIENTAL. Relatório dos ensaios geotécnicos nas bacias dos tanques, Goiânia, 2011. ZANGAR, C. N. Theory and problems of water percolation. Denver: USBR, 1953.

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