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IBP 1077_12 PRODUÇÃO FUTURA DE GASOLINA NO BRASIL Juarez B. Perissé1, Maria Regina R. Oddone2, Solange S. F.

Lemos3, Sérgio Cunha de Lucena 4, Hedemir F. Gomes5

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Diante do grande desafio de produção da gasolina a partir de 2014, a PETROBRAS atuou no planejamento de um novo Parque de refino que viabilizasse esta produção. A proposta englobou novas unidades de processo com hidrotratamento e conversão. Estas unidades têm a função de trabalhar em sinergia, de acordo com as necessidades e características de cada Refinaria. A grande redução do teor de enxofre gerou a necessidade de inserir no esquema de refino unidades de hidrodessulfurização (HDS) de nafta craqueada. Porém, estas unidades, além de remover enxofre, geram leve queda na octanagem da corrente por conta da saturação de algumas olefinas, o que implicaria em queda da produção de gasolina. A redução do teor de olefinas na especificação motivou a necessidade de diluir as olefinas no blend produzido, já que a gasolina A na PETROBRAS é composta, em média, por 70% de nafta craqueada. As unidades de Reforma Catalítica (URC) passam a fazer parte do esquema de refino tendo duas funções principais, diluir as olefinas e recuperar a octanagem perdida no processo de hidrodessulfurização. Isto é possível, pois a nafta reformada não possui olefinas e tem elevado índice de octanagem. A carga da URC precisa sofrer hidrotratamento para eliminar contaminantes, tornando-se estas unidades ainda mais severas se parte da carga for composta por naftas provenientes de unidades de Coqueamento Retardado (UCR). Em função disso, novas unidades de hidrotratamento de naftas (de destilação e de UCR) foram também inseridas nos novos esquemas de refino. Toda essa nova estrutura de refino, com foco na nova especificação de gasolina, está em implementação. Cada refinaria terá um esquema novo próprio, de acordo com suas configurações.

Abstract
Faced with the challenge of making 2014 gasoline, PETROBRAS established the planning of a new refining park that made possible this production. The proposal comprised new process units with hydrotreating and conversion. These units have the function to work synergistically, according to the needs and characteristics of each refinery. The large reduction in the sulfur content generated the need to use cracked naphtha hydrodesulfurization units (HDS) in the refining scheme. However, these units, in addition to removing sulfur, reduce octane number due to saturation of some olefins, which would imply a drop in gasoline production. The reduction of the content of olefins in the specification led the need to dilute the produced olefins in the blend, as PETROBRAS gasoline is composed on average of 70% cracked naphtha. Catalytic Reforming Units (CCR) will become part of the refining scheme with two main functions, dilute olefins and restore the octane number loss in the hydrodessulfurization process. This is possible because reformed naphtha has no olefins and a high octane index. The feedstock must be hydrotreated to remove contaminants, and such units become even more severe if the feedstock is combined with naphtha from Delayed coking units (DCU). As a result, new hydrotreatment of naphtha (distillation and DCU) were also included in the new refinery schemes. All this new refining structure, focusing on the new gasoline specification, is being implemented. Each refinery has a new scheme of its own, according to its characteristics.

______________________________ 1 Mestre, Engenheiro Químico – PETROBRAS 2 Engenheira Química – PETROBRAS 3 Engenheira Química – PETROBRAS 4 Engenheiro Químico – PETROBRAS 5 Químico – PETROBRAS

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
O Parque de Refino da PETROBRAS no Brasil possui atualmente doze Refinarias, geograficamente distribuídas pelo país, estão assim dispostas: REMAN em Manaus, Amazonas; Lubnor em Fortaleza, Ceará; RPCC em Guamaré, Rio Grande do Norte; RLAM em São Francisco do Conde, Bahia; REGAP em Betim, Minas Gerais; REDUC em Duque de Caxias, Rio de Janeiro; no Estado de São Paulo há quatro Refinarias: REPLAN em Campinas; REVAP em São José dos Campos; RECAP em Santo André e RPBC em Cubatão; e no sul do país se encontram a REPAR em Araucária, Paraná e REFAP em Canoas, Rio Grande do Sul. Todas estas Refinarias foram construídas durante as décadas de 1940 a 1980. Na época de instalação do Parque de Refino, o mercado brasileiro indicava a necessidade de configurações de refinarias voltadas para produção de gasolina. Salvo as exceções de Lubnor, dedicada a produzir asfalto e lubrificantes naftênicos e RPCC, contendo apenas Destilação Atmosférica, todas as demais dez Unidades Operacionais possuem em suas instalações Unidades de Processamento chamadas Craqueamento Catalítico Fluidizado (FCC).

Figura 1 - Diagrama Esquemático de uma Unidade de Craqueamento Catalítico

Este tipo de processo tem objetivo de converter gasóleos provenientes de Destilação à Vácuo ou resíduos atmosféricos em produtos mais leves, de maior valor agregado. Dentre estes produtos destaca-se a nafta craqueada, com cerca de 50% de rendimento volumétrico. A gasolina é produzida a partir de uma mistura de nafta craqueada e nafta de destilação direta. As proporções destas duas correntes variam de acordo com as qualidades de ambas, tendo uma faixa de 5 a 50% de incorporação de nafta de destilação direta à gasolina. REDUC e RPBC possuem processos complementares para a produção deste derivado. Ambas possuem, em seu esquema de refino, uma Unidade de Reforma Catalítica Semi-Regenerativa, a qual gera produto chamado nafta reformada que apresenta maior patamar de octanagem, além de teores de enxofre próximos a zero.

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FORNO 1

FORNO 2

FORNO 3

FORNO 4

REAT 1 OR

REAT 2 OR

REAT 3 OR

REATOR 4

T AMBOR DE FL ASH COMPRESSOR DE HIDROGÊNIO

H2 PARA O PRÉ-T RAT AMENT O

NAFT A PRÉ-T RAT ADA

REFORMADO P/ EST ABILIZAÇÃO

Figura 2 - Diagrama Esquemático de uma Unidade de Reforma Catalítica Adicionalmente, a RPBC possui uma Unidade de Processo Alquilação. Este processo tem como objetivo produzir uma corrente de qualidade diferenciada, utilizada na formulação de gasolinas especiais.

2. Evolução da Especificação da Gasolina
A gasolina C é uma mistura da gasolina A, produzida na Refinaria e o etanol. A qualidade da gasolina C é estipulada pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). A especificação sofreu, ao longo do tempo, contínuas modificações, adequando-se ao uso em motores mais potentes e minimizando-se o impacto ambiental. No que tange à redução do teor de enxofre, a evolução foi definida em diversos momentos de nossa história, reduzindo-se este limite de 0,25% até 0,10%, ou seja, 1000 ppm, em 1999. Mais recentemente, no final de 2011, este valor passou para 800 ppm. Tabela 1 – Evolução do teor de enxofre (% m/m) da gasolina C 29/11/55 0,25 25/4/67 0,25 07/01/75 0,25 04/09/79 0,25 30/11/82 0,25 20/05/98 0,15 28/12/99 0,10 18/08/00 0,10 27/12/01 0,10

Foi adotada a premissa de apresentar o valor máximo com a mistura com o álcool (gasolina C) desde o momento que a legislação brasileira assim o definiu. Como se pode observar, a redução no teor de enxofre só se efetivou a partir do final da década de 90 alavancado pela implantação dos sistemas catalíticos de oxi-redução dos gases de combustão. Tanto Europa quanto Estados Unidos estão, atualmente, em patamares de enxofre inferiores a 50 ppm. Em um período recente houve uma evolução da especificação deste produto. Em 2001, o teor de benzeno reduziu de 2 para 1% v/v, o teor de aromáticos e o teor de olefinas passaram a ser controlados, tendo como limites, respectivamente, 45% v/v e 30% v/v. Dentre estes novos limites, o teor de olefinas é um ponto de atenção para a PETROBRAS, pois a gasolina média produzida pelo Parque de Refino é baseada principalmente em naftas craqueadas, as quais são ricas em olefinas. A Resolução ANP No 38, de 9 de dezembro de 2009, publicada no Diário Oficial de 10 de dezembro de 2009 determinou que uma nova especificação para este derivado entrará em vigor em janeiro de 2014. A nova gasolina C terá qualidade compatível com as melhores gasolinas do Mundo. Os principais itens de especificação a serem modificados são: teor de enxofre será reduzido de 800 para 50 ppm, o teor de olefinas de 30 para 25 %v/v e o teor de aromáticos de 45 para 35%v/v. Ou seja, o desafio de especificar a nova gasolina se tornou muito maior. 3

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Figura 3 – Evolução da Especificação da Gasolina C Embora exista uma significativa variação na qualidade das correntes que compõem o “pool” de gasolina em cada refinaria em função da diversidade dos processos e matéria prima (petróleo) utilizada, apresenta-se na tabela 2 um exemplo típico de qualidade para estimativa da qualidade final da gasolina. Tabela 2 – Qualidade das Correntes no “Pool” de Gasolina Tipo Teor de enxofre máx ppm Nafta de coque hidrotratada Reformado Alquilado Nafta craqueada hidrotratada 0 0 0 50 8 83 0 30 0 0 0 40 Aromáticos máx %v/v Olefinas máx %v/v

3. Modificações no Parque de Refino Brasileiro
Diante do grande desafio de produção da gasolina a partir de 2014, a PETROBRAS atuou no planejamento de um novo Parque de refino que viabilizasse esta produção. A proposta englobou novas unidades de processo com características de hidrotratamento e conversão. Estas unidades têm a função de trabalhar em sinergia, de acordo com as necessidades e características de cada Refinaria. A grande redução do teor de enxofre gerou a necessidade de inserir no esquema de refino unidades de hidrodessulfurização (HDS) de nafta craqueada. Porém, estas unidades, além de remover enxofre, geram leve queda na octanagem da corrente por conta da saturação de algumas olefinas, o que implicaria em queda da produção de gasolina.

Figura 4 – Diagrama Esquemático da Unidade de Hidrodessulfurização de Nafta Craqueada 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A redução do teor de olefinas na especificação motivou a necessidade de diluir as olefinas no blend produzido, já que a gasolina A na PETROBRAS é composta, em média, por 70% de nafta craqueada. As unidades de Reforma Catalítica (URC) passam a fazer parte do esquema de refino tendo duas funções principais, diluir as olefinas e recuperar a octanagem perdida no processo de hidrodessulfurização. Isto é possível, pois a nafta reformada não possui olefinas e tem elevado índice de octanagem. A carga da URC precisa sofrer hidrotratamento para eliminar contaminantes, tornando-se estas unidades ainda mais severas se parte da carga for composta por naftas provenientes de unidades de Coqueamento Retardado (UCR). Em função disso, novas unidades de hidrotratamento de naftas (de destilação e de UCR) foram também inseridas nos novos esquemas de refino. A Carteira de Gasolina abrange a entrada em operação de 23 novas unidades como indica a tabela 3. Tabela 3 – Novas Unidades voltadas para produção de gasolina (m3/d) Refinaria REDUC REGAP RPBC RLAM REPLAN REPAR REVAP REFAP RECAP REMAN HDS Nafta Craqueada 5.000 4.000 5.000 3.000 5.000 4.000 4.000 5.000 7.000 5.000 2.000 --HDT Nafta de Coque/CTB(**) 2.000 3.000 2.200 --6.000 3.000 3.000 ----1.500 Reforma Catalítica ----2.300(*) --2.600 1.000 1.500 ----800

(*) Revamp de Unidade existente (**) Craqueamento Térmico Brando (Tecnologia PETROBRAS)

4. Produção Futura de Gasolina
No que se refere aos diferentes esquemas de refino, a Figura 5 exemplifica uma proposta que será adotada em algumas de nossas refinarias. A gasolina será produzida a partir de uma mistura das seguintes correntes: nafta hidrotratada, reformado, e nafta craqueada hidrodessulfurizada.

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Figura 5 – Correntes utilizadas para a produção de gasolina Toda essa nova estrutura de refino, com foco na nova especificação de gasolina, está em implementação. Cada refinaria terá um esquema novo próprio, de acordo com suas configurações. Ou seja, as soluções de refino foram customizadas. Nem todas receberão novas Unidades de Reforma Catalítica, nem todas receberão novas unidades de hidrodessulfurização ou hidrotratamento de nafta, porém todas serão capazes de produzir a gasolina do futuro. Outra mensagem importante é que a nova gasolina será produzida de uma forma bastante diferente da que é produzida hoje. Atualmente, a formulação contempla apenas dois componentes, no futuro haverá três ou mais. Isto implica na busca de novos conhecimentos, o que já está em andamento. Conhecer os impactos e os efeitos sinérgicos das novas misturas será fundamental para que possamos buscar a otimização na produção da gasolina no Parque de Refino futuro.

5. Referências
FARAH, M.A., Caracterização de Petróleo e seus Produtos – parte 1 – Combustíveis, 1989 (Documento Interno PETROBRAS). PERISSÉ, J. B., Evolução do Refino de Petróleo no Brasil, Tese de M.Sc., Instituto de Química/UERJ, Rio de Janeiro, Brasil, 2007.

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