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Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a
20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento,
seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os
textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e
Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado
nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.
______________________________
1
Graduanda em Engenharia Ambiental - UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
2
Doutor em Engenharia Química – UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO
3
Doutor em Engenharia Elétrica – B&G PESQUISA E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS
ELÉTRICOS S. A.
4
Doutorando em Engenharia Química – UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
IBP1086_12
MODELAGEM E SIMULAÇÃO VIA CFD DO TRATAMENTO
POR HIDROCICLONE DE ÁGUA DO MAR CONTAMINADA
POR DERIVADO DE PETRÓLEO
Lais A. Nascimento
1
, Leonie A. Sarubbo
2
, Paulo H. R. P. Gama
3
, Hilário
J. B. de Lima Filho
4
, Valdemir A. dos Santos
2



Resumo

Foi dimensionado um hidrociclone para atuar como elemento responsável pela etapa final da separação física de uma
mistura constituída de água do mar e derivado de petróleo, com posterior simulação via CFD (Computational Fluid
Dynamics). O uso de hidrociclones líquido-líquido para águas contaminadas com derivados de petróleo (querosene,
diesel, parafinas, etc.) é um dos processos de separação mais atrativos, devido ao tipo de equipamentos compactos, sem
partes móveis, capazes de atingir requisitos ambientais para descarte de efluentes. O hidrociclone líquido-líquido é um
tubo composto de componentes cilíndricos e cônicos justapostos que efetua a separação da fase dispersa pela ação do
campo centrífugo resultante, pela configuração do equipamento e pelo modo com que a suspensão o alimenta. O
hidrociclone de interesse deste trabalho, foi dimensionado hidraulicamente com auxílio do software Matlab®, assumindo-
se critérios de semelhança dinâmica a partir de números adimensionais, garantindo a otimização dessa estrutura e a
obtenção de futuras correlações de scale-up. Para a obtenção da geometria do equipamento e de uma malha adequada foi
utilizado o pré-processador GAMBIT do FLUENT®, com maior densidade na direção radial em função da considerável
variação das propriedades do fluxo nessa direção. Na direção axial a malha pode ser relativamente espaçada para reduzir
o esforço computacional. Os cálculos foram realizados combinando-se o Reynolds Stress Model e um algoritmo
multifásico. Os perfis de linhas de corrente, da fração volumétrica das fases e da queda de pressão da mistura, explicaram
o processo de separação. A curva de eficiência de separação permitiu observar que se pode trabalhar em condições
otimizadas com o referido separador centrífugo.


Abstract

A liquid-liquid hydrocyclone (LLHC) has been designed to act as an element responsible for the final step of physical
separation of a mixture consisting of sea water and oil products, with subsequent simulation by Computational Fluid
Dynamics (CFD). The use of LLHC for contaminated sea water is a separation processes more attractive due to the type
of compact equipment, without moving parts, capable of reaching environmental requirements for disposal of effluent.
LLHC is a tube composed of cylindrical and conical components juxtaposed effecting the separation of the dispersed
phase by the action of the resulting centrifugal field, by configuration of the equipment and by the way suspension feeds.
LLHC of interest of this work was hydraulically sized using the Matlab® software, assuming dynamic similarity criteria
from dimensionless numbers, ensuring optimization of the structure and obtain future scale-up correlations. To obtain the
geometry of the equipment and of a suitable grid was used the pre-processor GAMBIT from FLUENT® software, with
the highest density in the radial direction due to the considerable variation in flow properties in this direction. In axial
direction the mesh can be relatively spaced to reduce the computational effort. Calculations were performed by combining
the Reynolds Stress Model and a multiphase algorithm. The profiles of current lines, the volume fraction of phases and the
pressure drop of mixture explained the separation process. This indicates the current simulation could be an effective tool
to optimization design of LLHC.
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1. Introdução

A atual termelétrica instalada em Pernambuco (Termope), no Complexo Industrial Portuário de Suape, com
capacidade de geração de 540 MW elétricos, fica às margens do referido Porto, encontrando-se em uma situação de
considerável risco. A Termope utiliza água do mar para resfriamento de suas turbinas a gás. Entretanto, ao lado da
referida termelétrica encontra-se instalado um grande parque de tancagem de petróleo e de seus derivados, configurando-
se uma situação de iminente derramamento por acidentes de manobras. Para evitar que água do mar contaminada por
derivados de petróleo realiza-se trabalhos envolvendo-se estratégias para descontaminação e utilização da água de
resfriamento em condições adequadas à geração de energia (LORA; NASCIMENTO, 2004).
Numa possível etapa de descontaminação da água do mar por métodos físicos, dois separadores líquido-líquido
podem ser empregados: um decantador gravimétrico líquido-líquido e um hidrociclone. O primeiro deve atuar como etapa
preliminar, uma vez que sua faixa de operação envolve concentrações volumétricas acima de 3 %. O segundo,
hidrociclone líquido-líquido, pode envolver frações volumétricas menores (COLMAN; THEW, 1980).
O princípio de operação de um hidrociclone consiste na entrada tangencial da suspensão fase aquosa-fase
orgânica, sob pressão, no trecho de maior diâmetro do equipamento, sendo direcionada internamente, em fluxo espiral, em
direção ao trecho de menor diâmetro (Figura 1). O contínuo decréscimo de diâmetro faz com que este fluxo seja
acelerado, gerando uma força centrífuga que empurra o componente mais pesado (água) contra as paredes. Um fluxo axial
reverso ocorre na parte central do equipamento, devido ao formato cônico do mesmo e ao diferencial de pressão existente
entre as paredes e esse núcleo central, o qual se estabelece em consequência do campo centrífugo, associado à perda de
intensidade do vórtice ao longo do escoamento axial (NOROOZI; HASHEMABADI, 2009).



Figura 1. Esquema de funcionamento de um hidrociclone líquido-líquido

O presente trabalho envolveu o dimensionamento e a simulação da operação de um hidrociclones líquido-
líquido. O dimensionamento do referido equipamento foi realizado com auxílio de um programa computacional em
linguagem Matlab® e a partir de dados simulados nessa fase preliminar foi obtida uma simulação complementar via
Fluidodinâmica Computacional (FLUENT®), para análise e identificação de condições otimizadas do referido separador
centrífugo. A estratégia principal é desenvolver experimentos em diferentes escalas de trabalho para obtenção de
correlações de scale-up (ZLOKARNIK, 1991), as quais permitirão, posteriormente, o repasse da tecnologia desenvolvida
para a etapa comercial.


2. Material e Métodos

2.1. Critérios de Dimensionamento

O princípio de operação de um hidrociclone líquido-líquido consiste na alimentação tangencial da suspensão
água-produto orgânico (Figura 1), sob pressão, no trecho de maior diâmetro do hidrociclone, sendo direcionada
internamente, em fluxo espiral, em direção ao trecho de menor diâmetro. O contínuo decréscimo de diâmetro faz com que
este fluxo seja acelerado, gerando uma força centrífuga que força o componente mais pesado (água) contra as paredes. O
fluxo axial reverso ocorre, na parte central do equipamento, devido ao formato cônico do hidrociclone e ao diferencial de
pressão existente entre as paredes e o núcleo central que se estabelece em conseqüência do campo centrífugo, associado à
perda de intensidade do vórtice ao longo do escoamento axial (BELAIDI; THEW; MUNAWEERA, 2003). A fase líquida
central deixa o hidrociclone pela parte superior (topo), contendo derivado de petróleo em maior proporção. Neste caso, é
denominada rejeito. A saída de água localiza-se na parte inferior do equipamento (base), contendo traços de derivado de
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petróleo. Uma das principais preocupações em relação à separação de uma fase dispersa líquida, é o cuidado que se deve
ter para evitar a quebra das gotículas, o que contribuiria negativamente para a separação, pois gotículas menores
apresentam menores velocidades de migração no campo centrífugo (FILGUEIRAS, 2005). Para isso, evita-se regiões de
grandes turbulências, que acarretariam em altas tensões de cisalhamento.
A Figura 2 apresenta as principais correlações utilizadas no dimensionamento de um hidrociclone líquido-
líquido. Os valores dos parâmetros de dimensionamento adotados têm as seguintes particularidades (SAIDI,
MADDAHIAN, FARHANIEH, 2011):
- diâmetro característico
n
D - definido pelo usuário;
- diâmetro do duto de alimentação
i
D - definido como
n
D 35 , 0 ·
- diâmetro do duto superior (overflow)
o
D - definido por
n
D 024 , 0 ·
- diâmetro do duto inferior (underflow)
u
D - definido por
n
D 50 , 0 ·
- ângulos de conicidade
1
u (10 º) e
2
u (0,75 º)
- comprimentos: o comprimento de cada seção é obtido com auxílio da conicidade de cada ângulo e do diâmetro
característico do hidrociclone. O comprimento total do hidrociclone ( )
u c
L L L L L + + + =
| o
é da ordem de 20
vezes o diâmetro característico
n
D .


Figura 2. Esquema com componentes geométricos do hidrociclone

Na avaliação da eficiência de separação adota-se a seguinte expressão:


i i
u u
i i
o o
Q
Q
1
Q
Q
· c
· c
÷ =
· c
· c
= q (1)


em que:
c - fração volumétrica da fase, -
Q - vazão volumétrica da fase, m
3
/s
i, o, u - representam alimentação, saída superior e saída inferior, respectivamente.


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2.2. Simulação Via CFD

Para simular a complexidade do fluxo com vórtices interiores do hidrociclone foi empregada uma malha não
estruturada e um modelo apropriado de turbulência com mecanismo de alta resolução para discretização das equações
governantes, como uma estratégia para tornar aceitável a precisão dos resultados obtidos. Simulações numéricas prévias
dos vórtices mostraram a aplicabilidade do modelo de turbulência denominado de Reynolds Stress Model (RSM) para a
fase orgânica e do modelo multifásico de mistura para a fase aquosa ou contínua (ERDAL, 2001). A Figura 3 exemplifica
a malha obtida.
Para a obtenção da geometria do equipamento e de uma malha adequada foi utilizado o pré-processador
GAMBIT do FLUENT®, com maior densidade na direção radial em função da considerável variação das propriedades do
fluxo nessa direção. Na direção axial a malha pode ser relativamente espaçada para reduzir o esforço computacional. Os
cálculos foram realizados combinando-se o RSM e algoritmo multifásico. Os perfis de linhas de corrente, da fração
volumétrica das fases e da queda de pressão da mistura, foram analisados para explicações sobre o processo de separação.


Figura 3. Malha utilizada na simulação do hidrociclone

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Partindo-se de um hidrociclone com 3 cm de diâmetro nominal e correspondentes parâmetros o programa em
CFD forneceu importantes dados para o referido equipamento. A Figura 4 apresenta as linhas de corrente para o
hidrociclone dimensionado neste trabalho. Indica as posições onde ocorrem os grandes vórtexes e o fluxo reverso. Os
centros dos dois maiores vórtexes encontram-se nas seções da parte superior da região de conicidade do equipamento,
dando origem ao fluxo reverso que se extende até o duto de base do mesmo.

Figura 4. Linhas de corrente formadas pela mistura no interior do hidrociclone líquido-líquido

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A Figura 5 mostra o perfil da concentração volumétrica da fase orgânica ao longo dos comprimentos axial e
radial do hidrociclone. A coloração vermelha representa uma fração volumétrica igual à unidade, passando por amarelo,
verde, azul claro e, finalmente, azul escuro, essa última de valor nulo. Detalhes com cortes horizontais na parte superior
do hidrociclone ilustram que para uma velocidade de alimentação de 0,4 m/s da mistura, este último componente
acumula-se no topo do corpo cilíndrico do equipamento. Nessa condição, qualquer aumento da concentração volumétrica
de querosene, obtém-se esse componente puro pelo duto de overflow. Devido ao diminuto diâmetro da alimentação essa
velocidade não pode passar muito desse valor, sob pena de haver divergências no programa em função de altíssimas
perdas de carga.


Figura 5. Distribuição de fração volumétrica da fase orgânica no hidrociclone

A distribuição de pressão estática da mistura é mostrada pela Figura 6, existindo uma considerável diferença nas
direções axial e radial. Dessa forma, o processo de separação da suspensão pode ser explicado da seguinte maneira: o
fluido mais denso é induzido para as paredes pela força centrífuga e jogado então para o underflow pela diferença de
pressão na direção axial. O fluido menos denso, no caso a fase orgânica é então puchado para o centro do separador,
auxiliado pela diferença de pressão radial. Neste caso o fluido mais leve é ainda retirado pelo topo do hidrociclone pela
diferença de pressão entre o interior e o exterior do equipamento. Por outro lado a pressão no eixo central do separador é
abaixo da pressão atmosférica.

Figura 6. Distribuição de pressão da mistura água-querosene
Com os valores simulados para a separação da mistura, confirmando a adequação das equações de
dimensionamento, foi construído um arranjo experimental em escala de bancada (Figura 7). Testes preliminares foram
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realizados e os valores experimentais de eficiência de separação comparados. A curva apresentada pela Figura 8,
confeccionada com auxílio da Equação (1), ilustra a comparação das eficiências de separação prevista e experimental em
função do diâmetro médio das gotas da fase dispersa no hidrociclone.





(a)


(b)
Figura 7. Arranjo experimental de bancada: (a) esquema em 3D relativo à separação
por decantação e hidrociclone; (b) esquema 2D relativo à separação com hidrociclone


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Figura 8. Valores simulados (linha contínua) e experimentais de eficiência de separação em função do diâmetro
médio da gota da fase dispersa


4. Conclusões
O dimensionamento de um hidrociclone líquido-líquido, conforme realizado neste trabalho, leva a uma estrutura
simples, sem partes móveis e de alta eficiência de separação. Os perfis de linhas de corrente, de fração volumétrica de
querosene e de pressão estática da mistura entre as fases aquosa e orgânica, produzidos com auxílio da técnica de CFD,
explicaram o processo de separação.
A curva de eficiência de separação permite observar que se pode trabalhar em condições otimizadas com o
referido separador centrífugo.
5. Agradecimentos
Os autores são gratos à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) através do Programa de Pesquisa e
Desenvolvimento (P&D) da Termopernambuco S. A., e ao CNPq pelos suportes financeiros e bolsas.

6. Referências

BELAIDI, A., THEW, M. T., MUNAWEERA, S. J. Hydrocyclone performance with complex oil–water emulsions in the
feed. Can. J. Chem. Eng., Vol. 81, 2003, pp. 1159–1170.
COLMAN, D. A., THEW, M. T. Hydrocyclone to give a highly concentrated sample of a lighter dispersed phase. In:
International Conference on Hydrocyclones, p. 209 - 223, Cambridge, U.K., October, 1980.
ERDAL, F., Local Velocity Measurements and CFD Simulations. Ph.D. Thesis. The University of Tulsa, U.S.A. 2001.
FILGUEIRAS, N. G. T., Modelagem, análise e controle de um processo de separação óleo-água. M. Sc. thesis,
Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Rio de Janeiro, Brasil, 2005.
LORA, E. E. S., NASCIMENTO, M. A. R. Geração Termelétrica: planejamento, projeto e operação. Rio de Janeiro:
Interciência, 2004. 2 278 p.
NOROOZI, S. HASHEMABADI, S. H. CFD Simulation of Inlet Design Effect on Deoiling Hydrocyclone Separation
Efficiency. Chemical Engineering & Technology, Volume 32, pages 1885-1893, December, 2009.
SAIDI, M., MADDAHIAN, R., FARHANIEH, B. Deoiling Hydrocyclones Flow Field - A Comparison between k-
Epsilon and LES. World Academy of Science, Engineering and Technology 59 2011.
ZLOKARNIK M. Dimensional analysis and scale-up in chemical engineering. New York: Springer Verlag, 1991.



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