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IBP1134_12 LEVANTAMENTO ENERGÉTICO EM PROCESSOS DE SECAGEM E QUEIMA DE PORCELANAS 1 André D. Ferraz , Andréa T. Nunes 2, Antônio R. Machado Jr.3, Ivan C. C.

da Rocha4, Jorge G. W. de Azevedo5, Ricardo Konishi6, Talita S. Possamai7, Vicente de P. Nicolau8, Willian A. Lehmkuhl9
Copyright 2012, Brazilian Petroleum, Gas and Biofuels Institute - IBP
This Technical Paper was prepared for presentation at the Rio Oi & Gas Expo and Conference 2012, held between September, 17-20, 2012, in Rio de Janeiro. This Technical Paper was selected for presentation by the Technical Committee of the event according to the information contained in the final paper submitted by the author(s). The organizers are not supposed to translate or correct the submitted papers. The material as it is presented, does not necessarily represent Brazilian Petroleum, Gas and Biofuels Institute’ opinion, or that of its Members or Representatives. Authors consent to the publication of this Technical Paper in the Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Proceedings.

Resumo
Este estudo avalia os processos de secagem e queima de produtos porcelânicos. Para a secagem das peças é utilizado ar ambiente aquecido a temperaturas médias de 100°C. O aquecimento do ar é feito através de trocadores de calor com vapor saturado situados dentro dos secadores. Uma linha de vapor principal oriunda de uma caldeira a lenha alimenta todos os equipamentos, enquanto o condensado retorna a um reservatório para reaquecimento. O rendimento da caldeira obtido é da ordem de 80%, um valor razoável para este tipo de equipamento. O consumo deste equipamento representa 27,6 % da energia utilizada na etapa de queima. No entanto, segundo medições realizadas, cerca de 30% da energia disponível na rede de vapor está sendo perdida no transporte de vapor e de condensado. Considerando o potencial de geração da lenha, ou seja, incluindo o rendimento da caldeira, estima-se estar perdendo cerca de 40 % da energia na geração e na distribuição do vapor. De acordo com a avaliação realizada, uma opção competitiva seria a queima direta de gás natural em cada secador, adotando-se o sistema de combustão e controle mais adequado, uma vez que os produtos da combustão podem ter interferência na qualidade da porcelana. Uma nova configuração é proposta como conclusão do trabalho.

Abstract
This study evaluates the processes of drying and firing of porcelain products. Ambient air heated to an average temperature of 100 ° C is used for drying the pieces. The air heating is done by heat exchangers located within the saturated steam dryers. A main steam’s line coming from a boiler fuel feeds all the equipment, while the condensate returned to a reservoir for reheating. The yield obtained from the boiler is about 80%, a reasonable value for this type of equipment. The consumption of this equipment represents 27.6% of the energy used in the stage of burning. However, according to measurements taken about 30% of the energy available in the network is lost in the steam vapor transport and condensation. Considering the potential generation of heat from the fuel, including the boiler efficiency, estimated at about 40% lost energy in the generation and distribution of steam. In accordance with the evaluation, a competitive option would be the direct combustion of natural gas in each dryer, adopting a better control and combustion system, since the products of combustion may impact the quality of the porcelain. A new configuration is proposed as a conclusion.

______________________________ 1 Civil Engineer - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina 2 Master, Mechanical Engineering - UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina 3 Master, Chemical Engineer - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina 4 Electrical Engineer - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina 5 Master, Chemical Engineer - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina 6 Chemical Industrial Engineer - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina 7 Ph.D., Mechanical Engineering - UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina 8 Ph.D., Mechanical Engineering - UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina 9 Master, Mechanical Engineering - SCGÁS - Companhia de Gás de Santa Catarina

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1. Introdução
O subsetor cerâmico de porcelana se encaixa dentro do setor de cerâmica branca. Este grupo é bastante diversificado, englobando basicamente materiais constituídos por um corpo branco e em geral recobertos por uma camada vítrea. Este grupo se divide em: Louça Sanitária; Louça de Mesa; Isoladores Elétricos para Alta e Baixa Tensão; Cerâmica Artística; Cerâmica Técnica para Fins diversos como: Químico, Térmico e Mecânico.

Figura 1. Fluxograma típico de produção de porcelana. Este estudo avalia os processos de secagem e queima de produtos porcelâmicos, através de um estudo de caso, cujo fabricante de porcelana apresenta o layout de trabalho apresentado na figura 2. A secagem das peças de porcelana é realizada em sete (7) secadores, de acordo com o produto a ser secado. Isso se deve às diferentes geometrias das peças e características específicas como abas, pés e asas. Para a secagem das peças é utilizado ar ambiente aquecido a temperaturas médias de 100°C. O aquecimento do ar é feito através de trocadores de calor com vapor saturado situados dentro dos secadores. Uma linha de vapor principal oriunda de uma caldeira a lenha alimenta todos os equipamentos, enquanto o condensado retorna a um reservatório para posterior reaquecimento.

Figura 2. Layout representativo do estudo de caso apresentado.

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2. Avaliação energética
A Tabela 1 apresenta alguns dados de produção de vapor da caldeira e consumo de lenha, bem como o equivalente em gás natural. Foi considerada uma lenha de boa qualidade e baixo conteúdo de umidade, obtendo-se um rendimento da ordem de 80%, um valor razoável para este tipo de equipamento. Para a substituição simples da lenha pelo gás natural na caldeira, pressupondo o mesmo rendimento, o consumo estimado seria de cerca de 32.300 m3/mês. Este consumo representa 27,6 % do consumo dos dois fornos, os quais respondem por um consumo de 117.000 m3/mês.

Figura 3. Secador (esquerda) e forno de primeira queima (direita). Tabela 1. Dados relativos à caldeira: consumo de lenha e equivalente em gás natural. CONSUMO DE LENHA NA CALDEIRA - EUCALIPTO ATÉ CERCA DE 20 CM DE DIÂMETRO Consumo de lenha, por período de 16 horas por dia 8,0 m3 Consumo de lenha aos sábados. 4,0 m3 Manômetro da caldeira: pressão 7,5 kgf/cm2 PCS da lenha (Relatório 3 Biomassa- tab 6- região 2) 5.041 kcal/kg Hidrogênio (Bazzo, E. e outros) 0,06 % Umidade w (Relatório 3 Biomassa - tab 2- região 2) 0,212 % PCI = PSC - 2440(9h +w) 3.206 kcal/kg 13.421 kJ/kg Densidade a seco (Relatório 3 Biomassa -tab 4) 400 kg/m3 Consumo de lenha 200 kg/h 0,0556 kg/s Taxa de energia fornecida pela lenha 746 kWatt PCI do GN 11.758 kcal/kg 49.218 kJ/kg Massa específica do GN 0,636 kg/m3 PCI do GN 7.483 kcal/m3 31.323 kJ/m3 Consumo previsto de GN 0,0238 m3/s 85,7 m3/h nº de horas semanais 88 horas nº de horas mensais 377 horas Consumo de GN 32.319 m3/mês Este esquema de aquecimento do ar utilizando um fluído intermediário (no caso o vapor d’água) apresenta menor rendimento quando comparado com o aquecimento direito dos produtos a partir dos gases de combustão. Mesmo assim 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 ele é utilizado em muitos casos no intuito de se buscar preservar a integridade dos materiais através de uma secagem mais suave e controlada, bem como uma forma de redução de custos quando se dispõe de lenha barata. Poderia se tornar uma opção muito interessante do ponto de vista energético caso a geração de vapor fosse viável com calor residual dos fornos.

Figura 4. Esquema da troca de calor com vapor nos secadores. Para a obtenção do consumo de energia em cada secador, três abordagens foram adotadas: Taxa de energia liberada pela linha de vapor em cada equipamento; Taxa de energia adquirida pelo ar de secagem ao passar pelo trocador de calor; Taxa de liberação de água no processo de secagem. No caso da 1ª avaliação, procurou-se medir o fluxo de massa de condensado após a passagem pelo trocador de calor. O vapor saturado é admitido praticamente na condição de saturação, muda de fase e deixa o trocador como líquido. Um purgador controla a saída do condensado. Na 2ª abordagem se avaliou o ganho de energia pelo ar de secagem no trocador de calor. Para tal foi necessária à medição de velocidades e temperaturas no local. Para a 3ª avaliação, buscaram-se dados sobre o processo de secagem, obtendo-se a massa de água evaporada de cada peça, obtida pela diferença entre a massa antes e depois do processo, considerando-se a temperatura de secagem, a taxa de produção e dados sobre a entalpia de vaporização da água. Sendo um método bastante simples, permite apenas estimar o consumo mínimo de energia, sem considerar as perdas do conjunto do processo.

Figura 5. Módulo trocador de calor (esquerda); ventilador para insuflar ar aquecido (direita). A Tabela 2 apresenta os resultados combinados das três abordagens realizadas. Segundo os dados obtidos, cerca de 30% da energia disponível na rede de vapor está sendo perdida no transporte de vapor e de condensado. Partindo-se do potencial de geração térmica da lenha, incluindo-se o rendimento da caldeira, as perdas totais podem chegar a 40% desde a geração até o transporte e a distribuição de vapor. Tais valores são considerados elevados mesmo com todas as 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 incertezas de medição envolvidas, e indicam que se for feita a substituição da lenha pelo gás natural na caldeira, ainda terse-á o rendimento desta a considerar. Outra característica identificada é a grande inércia térmica do conjunto, já que a caldeira não opera continuamente, mas num turno de 8 horas com maior potência, seguido de outro turno de 8 horas, com menor potência.

Tabela 2. Valores de consumo de energia obtidos através de três abordagens de avaliação. Equipamento Secador 1 Secador 2 Secador 4 Secador 6 Total de secadores Perdas nas linhas de vapor e condensado Total de energia (após a caldeira) Taxa [kW] 180 70 100 50 400 210 610 Taxa [Mcal/h] 155 60 86 43 344 181 525 Energia Útil 30% 11% 16% 8% 66% 34% 100%

3. Alternativa proposta e considerações finais
A opção mais recomendada do ponto de vista energético seria, então, a queima direta de gás natural em cada secador, adotando-se o queimador mais adequado para tal, uma vez os produtos da combustão podem ter interferência na qualidade da porcelana e também na saúde das pessoas que trabalham no local. Dessa forma, buscou-se no mercado um tipo de queimador adequado a tal situação. Trata-se de um queimador de duto, de baixa pressão. É instalado dentro do duto de passagem do ar de recirculação, mas utiliza o ar de renovação para a combustão. A mistura entre os gases de combustão e o ar de recirculação ocorre de imediato, diluindo os gases e baixando a temperatura dos fumos. A figura 6 apresenta o módulo e o núcleo do queimador proposto. As figuras 6 e 7 mostram detalhes do conjunto queimador e ventilador para o ar de combustão, em uma montagem para um duto vertical.

Figura 6. Queimador de duto.

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Figura 7. Conjunto queimador e ventilador para o ar de combustão. A figura 8 apresenta a montagem, de forma esquemática, da solução proposta para a queima direta de gás natural nos secadores.

Figura 8. Esquema com queimador, duto de recirculação, rampa e sistema de controle. Por fim, cabe avaliar em que caso é vantajoso, do ponto de vista econômico, manter-se a solução tradicional de secagem a vapor gerado com lenha e em que casos a solução proposta com queima direta de gás natural torna-se atrativa. Considerando-se os preços médios para o gás natural praticados no Brasil, bem como todas as perdas de energia apuradas neste estudo, a secagem a vapor produzido com lenha continua sendo uma opção interessante somente quando a lenha puder ser obtida a um custo inferior a R$ 43,00/m3, conforme apresentado na curva de sensibilidade da Figura 9.

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25%

Diferença de Custos (%) em função do Preço da Lenha (R$/m3)
20% 15% 10% 5% Preço da Lenha (R$/m3) 0%
32 34 36 38 40 42 44 46 48 50 52 54 56 58

-5% -10% -15% -20%

Figura 9. Curva de sensibilidade das soluções de secagem em função do preço da lenha.

4. Referências
BAZZO, Edson. Geração de Vapor. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 1995, 216 p. NICOLAU, Vicente de Paulo. Características das Biomassas Combustíveis na Região de Interesse da SCGÁS, Florianópolis, Nov/2007. VAN WYLEN, G.J.; Sonntag, R.E. Fundamentals of Classical Thermodynamics, 3rd Ed. John Wiley, New York, 1985.

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