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IBP1142_12 EMPREGO DE ESTRUTURAS ANALÍTICAS DE PROJETO ORIENTADAS POR ÁREA FÍSICA EM EMPREENDIMENTOS EPC DE UNIDADES DE PROCESSO João Salloum1

, Diego J. G. Balbi2

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O emprego de estruturas analíticas de projeto orientadas por área física tem se mostrado uma ferramenta eficaz para planejamento e acompanhamento das fase de implantação dos empreendimentos no setor de óleo e gás. Tal pratica permite definir pacotes intermediários de trabalho, auxiliando na distribuição do escopo a ser executado entre os diferentes membros da equipe (ou subcontrados), além de permitir estabelecer uma estratégia básica de construção e montagem com base nas principais restrições do projeto refletidas em cada área física (prazos de fornecimento dos principais equipamentos, etc), servindo de guia para a elaboração de um cronograma "macro" de engenharia e suprimentos além de forma mais rápida e ágil, mais consistente com a estratégia de construção e montagem. Com isso, todas as atividades de engenharia detalhada podem ser desenvolvidas com base nessa setorização tendo assim, por exemplo, a possibilidade de se extrair isométricos e plantas de tubulação conforme essa subdivisão. É comum fazer a divisão do escopo de acordo com a localização física somente às vésperas do início das atividades de construção e montagem, como uma forma para identificação das frentes de serviço na ocasião da elaboração dos "planos de ataque" das atividades de campo. No entanto, uma vez que a este estágio boa parte das atividades de engenharia já se encontra em progresso, ou até mesmo concluídas, as chances de ocorrerem estratégias conflitantes, como optar por iniciar a montagem de tubulação em áreas que não dispõem projeto devidamente emitido ou material necessário, é consideravelmente maior. Portanto, o presente trabalho tem como intuito discorrer a respeito do emprego desta prática nos estágios iniciais da fase de detalhamento de engenharia e apresentar os impactos práticos da aplicação desse conceito, expondo os resultados obtidos com o emprego dessa estratégia na Promon Engenharia, em um empreendimento de refino de petróleo.

Abstract
The use of area-oriented work breakdown structures has been proven as a very useful tool for supporting the “scope detailing” processes in construction projects. This practice allows the definition of intermediate work packages, assisting in the distribution of the scope to be executed within the different team members (or subcontractors), and also allowing the definition of a basic construction strategy based on the main project constraints reflected in each physical area (delivery lead-time of long lead items, for example), to be used as a guide for developing a preliminary master schedule for engineering e procurement activities with a better alignment with the construction strategy. In this way the detailed engineering activities can be developed based on this structure allowing, for example, the possibility of issue piping isometrics and plants under this structure. It’s common to split the scope according to the physical location on the eve of starting the field activities as a way to identify the workfaces at the time of the development of “execution plans” for field activities. However, since this stage much of the engineering activities are already in progress, or even completed, the likelyhood of conflicting strategies, such as choosing to start the installation of piping in areas that do not have availability of design documents or required material is considerably higher. Therefore, this study has the intention to discuss about the use of this practice in the early stages of the detailed engineering phase and show the practical impacts of the application of this concept, showing the results obtained with this strategy in oil refining process plant EPC project carried out by Promon Engineering.

______________________________ 1 Engenheiro de Produção, Mestre em Engenharia Oceânica, PMP, Engenheiro de Planejamento – PROMON ENGENHARIA 2 Engenheiro Civil, Pós-graduado em Construção e Montagem Industrial e Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação, Engenheiro de Tubulações - PROMON ENGENHARIA

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1. Introdução
Os projetos de engenharia, principalmente os voltados para o setor de óleo e gás no Brasil, têm apresentado grande diminuição em seu prazo de execução essencialmente por forças de mercado. Este fato, por sua vez, tem levado as empresas envolvidas nas etapas de engenharia detalhada, suprimento, construção e montagem a buscarem novas soluções quanto aos processos, práticas e procedimentos que atendam a esta demanda em harmonia com os padrões de qualidade e custo. Neste contexto, a técnica de setorização, prática que subentende a divisão física do empreendimento em setores, ou subáreas, tem-se mostrado eficiente principalmente quando adotada no início da fase de detalhamento de engenharia. Figurando, assim, como uma importante ferramenta de apoio ao processo de “detalhar escopo”. Essa prática permite estabelecer uma estratégia básica de construção e montagem com base nas principais restrições do projeto refletidas em cada área física (prazos de fornecimento dos principais equipamentos, etc), servindo de guia para a elaboração de um cronograma "macro" de engenharia e suprimentos além de forma mais rápida e ágil, mais consistente com a estratégia de construção e montagem. Com isso, todas as atividades de engenharia detalhada podem ser desenvolvidas com base nessa setorização tendo assim, por exemplo, a possibilidade de se extrair isométricos e plantas de tubulação conforme essa subdivisão (mesmo que seja necessário “forçar” essa divisão em alguns casos). É comum que a setorização seja realizada somente às vésperas do início das atividades de construção e montagem, como uma forma para identificação das frentes de serviço na ocasião da elaboração dos "planos de ataque" das atividades de campo. No entanto, uma vez que a este estágio boa parte das atividades de engenharia já se encontra em progresso, ou até mesmo concluídas, as chances de ocorrerem estratégias conflitantes, como optar por iniciar a montagem de tubulação em áreas em que não há projeto devidamente emitido ou material, é bem maior. Daí o grande benefício de se fazer essa setorização nos estágios iniciais da fase de engenharia. Outra prática comum pode ser encontrada em projetos que envolvem serviços em mais de uma unidade da planta, onde se assume simploriamente que os setores são as diferentes unidades onde está localizado o escopo das atividades. Quando o escopo em uma determinada unidade é relativamente pequeno, esta consideração é, de fato, suficiente. Contudo, assumir que essa unidade é o setor, principalmente nos casos em que o volume de serviços nas diferentes unidades é maior, demanda um plano de ataque particular para cada unidade. Assim sendo, é conveniente que as atividades de engenharia e suprimentos estejam em linha com esse plano de ataque, tornando a técnica de setorização de cada unidade uma estratégia interessante. Na bibliografia, há uma série de referências que corroboram com os benefícios do emprego dessa prática. O presente trabalho tem como objetivo motivar a discussão a respeito da bibliografia e os impactos práticos da aplicação desse conceito e expor os resultados obtidos com o emprego dessa prática bem como os desafios e impactos em cada fase do empreendimento (engenharia, suprimentos, construção e montagem) em face da forma tradicional de execução de empreendimentos desse tipo. Posto isso, o presente trabalho tem como finalidade apresentar um estudo de caso quanto à aplicação deste tipo de estratégia na Promon Engenharia em um empreendimento de refino de petróleo, demonstrando os pontos fortes e de melhorias detectados com esta experiência. Esse trabalho está estruturado da seguinte maneira: na Seção 2 será feita uma breve revisão da bibliografia abordando as estruturas de trabalho mais comumente utilizadas em empreendimentos de construção e montagem industrial; na Seção 3 serão apresentados os principais impactos do emprego da estrutura orientada por área física nas diversas fases de empreendimentos desse tipo. Para isso fez-se uso de um estudo de caso executado durante um empreendimento EPC, Engineering, Procurement and Construction, realizado na Promon Engenharia; na Seção 4 serão discutidas as conclusões.

2. Revisão Bibliográfica
2.1. Principais Drivers Considerados para Subdivisão do Escopo a ser Executado De acordo com Chirillo e Okayama (1982), o trabalho necessário para a execução de qualquer grande empreendimento de construção e montagem precisa ser subdivido de forma que permita a gestão efetiva. Dessa forma, qualquer esquema de subdivisão empregado para detalhar o escopo consiste em uma estrutura analítica de projeto (EAP). Rad (1999) faz uma comparação entre as diversas bases utilizadas para estabelecer a subdivisão do trabalho a ser executado em empreendimentos e conclui que existem essencialmente dois tipos de bases para subdivisão, sendo uma orientada as entregas, ou deliverables, e outra orientada às atividades. A EAP orientada as entregas consiste em subdividir o escopo nos componentes físicos que o constituem. São exemplos desse esquema de subdivisão: sistemas operacionais (ou SOPs), área física, equipamentos, estruturas, etc. Já a EAP orientada às atividades se refere a o que é necessário fazer para se atingir os objetivos do projeto, e agrupa essas 2

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atividades nos níveis mais altos da EAP de acordo com o que elas têm em comum entre si. O exemplo mais evidente para projetos de construção e montagem industrial executados em modalidade EPC é a subdivisão do escopo de acordo com a fase do empreendimento (engenharia, suprimentos, construção, montagem, comissionamento). Em seu trabalho, Rad (1999) advoga a respeito das vantagens da utilização de estruturas orientadas às entregas, uma vez que o propósito dessa subdivisão é detalhar o escopo, ou seja, ajudar a compreender e gerenciar o quê deve ser feito, diferentemente do que ocorre em EAPs orientadas às atividades, que consistem em agrupar como esse escopo será entregue. 2.2. Diferenças Entre Conceitos – Estrutura Orientada por Sistemas x Estrutura Orientada por Área Física Nota-se que empreendimentos de construção e montagem executados em regime EPC que empregam EAPs orientadas às entregas, as estruturas mais frequentemente utilizadas são orientadas por sistemas. No entanto, de acordo com Storch et al. (1995), apesar das EAPs orientadas por sistemas serem muito úteis para estimativas iniciais, bem como nas primeiras fases de engenharia (projeto conceitual e básico), essa prática não é apropriada para o planejamento, programação, controle e gestão (especialmente para atividades de construção e montagem) uma vez que a EAP orientada à sistemas geralmente resulta em pacotes de trabalho muito grandes para controle efetivo de materiais, recursos e prazos. No entanto, também nota-se que independentemente da estrutura adotada nos diferentes processos de gestão do empreendimento, para as atividades de campo, ou seja, atividades de construção e montagem eletromecânica, os planos de execução dessas atividades são estruturados por área física em sua grande maioria. Isso se justifica seja pela maior facilidade de identificação das diferentes frentes de serviço bem como pela maior facilidade na atribuição das responsabilidades entre as equipes, gestão dos recursos necessários para execução (mão-de-obra, equipamentos, andaimes), etc. Ao levarmos em consideração que em empreendimentos executados na modalidade EPC é na etapa de construção e montagem eletromecânica que se concentram os riscos com impacto mais direto nos objetivos do projeto e ao mesmo tempo é a etapa em que a margem para implantação de alternativas é menor ou inexistente (basta tomar como exemplo o custo de mão-de-obra parada ou retrabalho devido a indefinições de engenharia ou falta de material para execução das atividades) é de suma importância que as atividades de engenharia e suprimentos sigam as mesmas prioridades que as atividades de campo. E é nesse ponto que estruturar o trabalho por área física também nas fases de engenharia e suprimentos se torna uma prática de grande eficácia, uma vez que além tornar mais explícitas as prioridades necessárias para atender as atividades de campo, viabiliza a gestão das atividades de engenharia e suprimentos de forma que essas prioridades sejam atendidas. Portanto, a prática proposta nesse trabalho e exemplificada no estudo de caso consiste em setorizar (ou dividir) as unidades de processo que estão no escopo do empreendimento nos estágios iniciais de engenharia. Isso permite que seja elaborado um cronograma “máster” detalhado por setor (ou subárea) onde serão consideradas as principais restrições do projeto (como equipamentos com maiores prazos de fornecimento, informações de fornecimentos necessárias para a execução de atividades de engenharia, etc), e com base nessas restrições é elaborado um plano de ataque à obra (mesmo que preliminar) que permite estabelecer as prioridades que a equipe de engenharia deve seguir para que sejam atendidas as demandas de construção e montagem.

3. Estudo de Caso
O caso estudado consiste no empreendimento de construção de uma unidade de processo de uma refinaria executado em modalidade EPC pela Promon Engenharia em consórcio. O escopo de empreendimento compreende a consolidação da engenharia básica, desenvolvimento da engenharia detalhada, suprimento de materiais e equipamentos, construção, montagem e comissionamento de uma unidade de processo de uma instalação de refino de petróleo. A Tabela 1 apresenta os principais quantitativos do empreendimento.

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Tabela 1. Principais quantitativos do empreendimento Descrição Quantidade Unidade Concreto 16.125 m3 Estruturas metálicas 2.200 t Tubulação 2.650 t Válvulas 550 t Suportes de Tubulação 320 t Equipamentos 520 t Caldeiraria 6.680 t Cabos de Elétrica 456.000 m Cabos de Instrumentação 300.000 m Instrumentos 6.215 un

Ainda nos estágios iniciais do empreendimento (pré-assinatura do contrato), foi realizada uma reunião envolvendo essencialmente os profissionais-chave das equipes de engenharia e planejamento do empreendimento com o intuito de subdividir a planta em setores (ou sub-áreas) tendo em mente fatores que possam contribuir tanto no estabelecimento de uma estratégia de construção bem como no desenvolvimento das atividades de engenharia detalhada. 3.1. Impactos no Detalhamento de Engenharia Conforme apresentado, a estratégia de setorização possibilita grandes vantagens no que diz respeito à maior visibilidade da evolução de atividades, processos e, sobre tudo, controle. Dentro da engenharia, responsável por todo o detalhamento das informações base do empreendimento, esta estratégia leva a um direcionamento total dos recursos às necessidades e programação da obra. Esta condição demanda que as equipes das disciplinas envolvidas estejam engajadas em atender o cronograma dos entregáveis necessários à execução das atividades de campo. De uma forma geral, pode-se considerar que mudanças de paradigmas sobre os processos executivos tradicionais na geração de informação são necessárias. Tradicionalmente a condução destas tarefas se baseia no fechamento dos diversos sistemas que compõe uma unidade de processos. Assim sendo, as demandas por informações de entrada, tal como dados sobre instrumentos, equipamentos, estruturas auxiliares, limites de bateria, entre outros, estão orientadas para a conclusão destes sistemas. Neste contexto, uma tubulação responsável pelo transporte do vapor de média pressão terá suas pendências priorizadas pela equipe responsável, no sentido de concluir o “pacote”. Isso se dá com o intuito de facilitar a verificação das informações detalhadas e concluir uma atividade que, na maioria dos casos, demanda profissionais de senioridade específica, principalmente no controle de qualidade destes dados. É uma tendência natural que se configurou ao decorrer dos anos e reflete uma necessidade do projeto. Contudo, na maioria das vezes, esta não está alinhada com as necessidades da obra. Os projetos em modalidade EPC cada vez mais seguem uma estratégia de sobreposição das atividades desde o projeto até a entrega do empreendimento. Desta forma, o detalhamento das atividades tem seguido uma tendência de aprofundamento para atender a este conceito. A estratégia de setorização leva esta idéia para dentro da engenharia, impondo um aumento de conhecimento das atividades inerentes às disciplinas, de forma que, cada vez mais a geração das informações obedeça a uma linha de montagem. Esta característica remete a estratégia do Lean Construction a qual, segundo Gregory A. Howell (1999), possui a seguinte essência: “Lean Construction, de forma similar a prática atual, tem o objetivo de atender melhor às necessidades do cliente, utilizando menos de tudo... O resultado é um novo sistema de entregas no projeto que pode ser aplicado em qualquer tipo de empreendimento, mas é particularmente aplicável em projetos complexos, incertos e rápidos”.1 A setorização se apresenta com similaridades básicas ao Lean Construction. Ela aprofunda o conceito nas práticas de engenharia dentro do projeto detalhado, proporcionando a geração dos entregáveis como em uma linha de produção, de forma que os fechamentos não ocorrem mais por sistemas, mas sim por pacotes direcionados às demandas de obra. Isso acarreta a uma quebra de paradigma no trabalho orientado por sistemas, uma vez que o controle e demanda das informações de entrada, insumos na geração dos dados de construção, sigam fechamentos periódicos. Ou seja, um mesmo sistema para transporte de vapor de média pressão, mencionado acima, será revisitado periodicamente a cada fechamento

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Tradução dos autores.

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dos pacotes, ou áreas físicas. Em uma primeira análise, pode-se concluir que a imposição desta filosofia de trabalho leva a um aumento de horas no projeto em virtude dos diversos eventos de emissão dos entregáveis, além de eventos de verificação fracionados. Todavia, conforme observado neste estudo de caso da Promon Engenharia, os benefícios proporcionados ao final da cadeia produtiva foram significativos. Pendências de informações não solucionadas durante a fase de projeto apresentam alto valor agregado quando avaliadas sobre a perspectiva de equipes e maquinário parados por falta destas. Os impactos na engenharia com grande visibilidade são, principalmente, a mudança na cultura de geração da informação com o objetivo de atender ao cronograma de obra e o aumento no quantitativo de horas para o detalhamento do projeto. Durante o empreendimento foi observado que estes fatores são compensados com oportunidades geradas em estratégias de suprimentos e construção, as quais mitigam futuros problemas de grande valor agregado. 3.2. Impactos em Suprimentos No que diz respeito a estratégia de suprimentos, o emprego de EAPs orientadas por área física não apresenta impacto significativo no que diz respeito ao fornecimento de equipamentos, uma vez que no caso de itens com prazos maiores (long lead items), esses prazos devem ser considerados como premissas na elaboração da estratégia de execução das atividades de campo e consequentemente na priorização das atividades predecessoras às atividades de construção e montagem relacionadas a esses itens. No que diz respeito fornecimento de materiais essa estratégia tem impacto mais significativo, especialmente no caso de materiais de tubulação onde há certos tipos de materiais que possuem prazos de fornecimento maior (por exemplo, aço-inox e aço-liga) diferentemente da maioria dos materiais de elétrica e instrumentação (cabos, bandejas, acessórios, etc), onde seus prazos de fornecimento são mais curtos. Outro fator que destaca o impacto do emprego de EAPs orientadas por área física no fornecimento de materiais de tubulação é o fato da disciplina de tubulação ser uma das disciplinas onde se concentra o maior volume de recursos de mão-de-obra necessários nas atividades de montagem eletromecânica em empreendimentos típicos de construção e montagem de unidades de processo para as indústrias química, petroquímica e de óleo e gás. Portanto, uma parcela considerável do sucesso desses empreendimentos está relacionada a uma boa gestão dos recursos necessários para a obtenção de uma boa produtividade e desempenho nessa disciplina. Destacamos o maior impacto no fornecimento de materiais de tubulação, pois para que seja atendida a sequência de execução das atividades de campo dessa disciplina, é necessário o fornecimento desses materiais siga as prioridades impostas por essa sequência. Sendo assim pode-se estabelecer um plano de emissão de take-offs de materiais conforme vão sendo desenvolvidos os projetos das áreas (ou grupos de áreas). Ocorre que o atendimento pleno dessas prioridades pode implicar em um número de compras parciais maior do que a prática tradicional, onde se espera ter um quantitativo maior - definido com a execução das atividade de engenharia - como forma de se obter um maior poder de barganha junto aos fornecedores durante o processo de negociação. Tal efeito pode ser mitigado por meio de uma cotação preliminar com base nos quantitativos obtidos na fase de engenharia básica, e fazendo uma modalidade de contratação com preços unitários tabelados e definindo métricas para reajuste desses preços no decorrer do contrato com os fornecedores. 3.3. Impactos em Construção, Montagem e Comissionamento Conforme já foi citado em seções anteriores, para as atividades de campo, o emprego de EAPs orientadas por área física formaliza nos processos de gestão do empreendimento o quê já era feito em campo na prática. Portanto, o quê se passa a ter ao incorporar essa estrutura em fases anteriores às atividades de campo são pacotes de trabalho mais bem definidos, com os requisitos necessários para a execução dessas atividades (projeto, materiais, etc) identificados e quantificados de forma mais precisa. Para o emprego de uma EAP orientada por área física é necessário também dispor de ferramentas que permitam fazer a gestão de pacotes de trabalho que independem da localização física que seus componentes estão localizados. Como exemplo, podemos citar a fase de comissionamento, que é orientada fundamentalmente pelos sistemas operacionais (SOPs) que compõem as unidades de processo. Os componentes dos SOPs (equipamentos, linhas, instrumentos, etc) estão espalhados por diferentes áreas físicas, o que geralmente implica em conflitos e dificuldade para executar as atividades, principalmente nas etapas finais da montagem eletromecânica e no início das atividades de comissionamento. Slootman (2007) propõe um sistema de codificação para as atividades que permite visualizar os pacotes de trabalho estruturados tanto por área quanto por sistema. Essa prática permite fazer a gestão do empreendimento com foco tanto na forma com que as unidades serão construídas/montadas quanto na forma com que elas serão comissionadas, permitindo estabelecer as prioridades com base nesses dois focos. 5

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4. Conclusão
A partir das informações e fatos descritos neste estudo, conclui-se que a estratégia de setorização apresenta grandes desafios no que diz respeito às mudanças necessárias em práticas enraizadas, principalmente na fase de detalhamento do projeto de engenharia. Todavia, as oportunidades de aprimoramento nas estratégias de construção e montagem, assim como em suprimentos, tornam esta uma ferramenta atraente para empresas e profissionais que estejam dispostas e inovar com foco na mitigação do risco associado à confiabilidade de informações em obras de grande porte, sobretudo as executadas em modalidade EPC.

5. Agradecimentos
Os autores prestam agradecimento à Promon Engenharia por reconhecer a importância e incentivar, através de ações internas, a participação de seus profissionais em eventos que propiciam a geração de conhecimento. Em especial, deixamos nosso obrigado ao Gerente de Engenharia Cleber Barros pela disponibilidade em prestar esclarecimentos os quais tornaram possível a confecção deste trabalho.

6. Referências
CHIRILLO, L. D., OKAYAMA, Y. Product Work Breakdown Structures. The National Shipbuilding Research Program. U.S. Department of Commerce. NSRP No. 164, 1982. RAD, P. F. Advocating a deliverable-oriented work breakdown struture. Cost Engineering, 1999. SLOOTMAN, T. Planning of Mega-Projects, Influence of Execution Planning on Project Performance, Tese de Mestrado, University of Twente Student, Holanda, 2007. STORCH, R. L., HAMMON, C. P., BUNCH, H. M., MOORE, R. C. Ship Production. Society of Naval Architects and Marine Engineers. 2ª Edição. 1995. JERGEAS, G., VAN DER PUT, JOHN, Benefits of Constructability on Construction Projects. Journal of Construction Engineering and Management, Edição de Julho/Agosto, 2001. HOWELL, GREGORY A., What is Lean Construction. 7th Conference of the International Group for Lean Construction, July 1999, University of California, Berkeley, CA, USA

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