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IBP1158_12 UTILIZAÇÃO DE SIMULADOR COMPUTACIONAL PARA A COMPARAÇÃO DAS CORRELAÇÕES DE ESCOAMENTO MULTIFÁSICO EM SISTEMAS BCS Roselaine M.

dos Anjos1, Carla Wilza S. P. Maitelli2, André L. Maitelli3, Rutácio O. Costa4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O Bombeio Centrífugo Submerso (BCS) é um método de elevação artificial que pode ser utilizado tanto em terra como em alto mar na produção de altas vazões de líquido. Utilizando-se o simulador computacional para sistemas BCS desenvolvido pela equipe do AUTOPOC/LAUT da UFRN, o objetivo deste trabalho foi avaliar correlações empíricas para o cálculo do escoamento multifásico em colunas de produção típicas dos sistemas de elevação artificial operando por BCS. Os parâmetros usados para avaliação das correlações são algumas das variáveis dinâmicas do sistema como a altura de elevação (Head), que indica a capacidade de elevação do sistema, a vazão de fluido na bomba e a pressão de descarga na bomba. Foram avaliadas cinco (5) correlações, das quais uma considera o escorregamento entre as fases, mas não considera os padrões de escoamento e, outras que consideram tanto o escorregamento entre as fases como os padrões de escoamento. Os resultados das simulações obtidos de tais correlações foram comparados aos resultados de um simulador comercial, amplamente utilizado na indústria petrolífera. Para os dois simuladores, os valores de entrada, bem como o tempo de simulação, foram praticamente os mesmos. Os resultados mostraram que o simulador utilizado no presente trabalho apresentou desempenho satisfatório, uma vez que não foram observadas diferenças significativas daqueles obtidos com o simulador comercial.

Abstract
Electrical Submersible Pumping (ESP) is an artificial lifting method which can be used both onshore and offshore for the production of high flow rates of liquid. By using the computational simulator for systems ESP developed by the AUTOPOC/LAUT – UFRN, this work aimed to evaluate empirical correlations for calculation of multiphase flow in tubing typical of artificial lifting systems operating by ESP. The parameters used for evaluating the correlations are some of the dynamic variables of the system such as head that indicates the lifting capacity of the system, the flow rate of fluid in the pump and the discharge pressure at the pump. Five (5) correlations were evaluated, from which only one considered slipping between phases, but does not take into account flow patterns and, four others considering slipping between the phases as well the flow patterns. The simulation results obtained for all these correlations were compared to results from a commercial computational simulator, extensively used in the oil industry. For both simulators, input values and simulation time, were virtually the same. The results showed that the simulator used in this work showed satisfactory performance, since no significant differences from those obtained with the commercial simulator.

______________________________ 1 Graduanda, Engenharia de Petróleo – UFRN 2 Doutora, Engenheira de Petróleo – UFRN 3 Doutor, Engenheiro Eletricista – UFRN 4 Mestre, Engenheiro de Petróleo – PETROBRAS

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1. Introdução
A elevação artificial é empregada na indústria petrolífera para manter a produção viável nos reservatórios em depleção ou nos poços de baixa produtividade. Estima-se que mais de noventa por cento (90%) dos poços existentes no mundo produzam por algum método de elevação artificial. O Bombeio Centrífugo Submerso (Figura 1) é um método, onde a energia é transmitida para o fundo do poço por meio de um cabo elétrico, e convertida em energia mecânica através de um motor de subsuperfície que está conectado a uma bomba centrífuga. Esta por sua vez, transmite a energia para o fluido sob a forma de pressão, elevando-o para a superfície.

Figura 1. Esquema de um poço operando por BCS Fazem parte ainda do sistema BCS os seguintes equipamentos de superfície: quadro de comando que contém os componentes de proteção e controle de carga; transformador que transforma a tensão de rede elétrica na tensão nominal do motor; caixa de ventilação, cuja finalidade principal é proporcionar a saída para a atmosfera do gás que porventura migre do poço pelo interior do cabo e o variador de frequência (VSD) que possibilita uma partida suave do motor, assim como, um maior controle da velocidade do motor e, consequentemente, da vazão do poço. As principais dificuldades na utilização desse método são na presença de grandes quantidades de areia, alta razão gás-líquido e quando as temperaturas de fundo são muito altas. É um método versátil, produzindo em poços com diferentes características, inclusive poços direcionais e horizontais, em diferentes profundidades (Maitelli, 2010). Diante do crescente aumento de aplicações do BCS, observou-se a necessidade do domínio operacional do sistema, a fim de definir o ponto ótimo de operação, de tal forma que o sistema trabalhe com eficiência e dentro dos limites de segurança de seus equipamentos. A automação desse sistema é um passo fundamental para o controle da produção e redução das falhas, principalmente nos equipamentos de subsuperfície, uma vez que as dificuldades encontradas na instalação e manutenção desses equipamentos são fatores que oneram a produção de petróleo. Baseado nesse contexto a equipe do AUTOPOC/LAUT da UFRN desenvolveu um simulador computacional para treinamento, testes e pesquisas em poços de petróleo que utilizam o BCS. Os resultados fornecidos pelo simulador BCS auxiliam na análise detalhada da dinâmica dos poços de petróleo e na tomada de decisões nas etapas de projeto e dimensionamento que é facilitada a partir do conjunto de respostas que o sistema proporciona. Entre outras coisas, o simulador BCS é capaz de representar o comportamento dinâmico do sistema, considerando o escoamento multifásico na tubulação, foco do nosso estudo. A tela principal do simulador BCS pode ser observada na Figura 2.

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Figura 2. Tela principal do simulador BCS – AUTOPOC/LAUT

2. Revisão da Literatura
2.1. Escoamento multifásico Diz-se que um escoamento é multifásico quando existe deslocamento simultâneo de fluidos que se apresentam em mais de uma fase. Água e ar escoando através de uma tubulação, por exemplo, formam uma mistura bifásica, com uma fase líquida e outra gasosa. O escoamento normalmente encontrado na produção de petróleo é, porém, o trifásico, com duas fases líquidas (água e óleo) e uma gasosa (gás). No entanto, para efeito de simplicidade, este tipo de escoamento é comumente tratado como bifásico, com uma fase líquida (óleo + água) e uma fase gasosa (gás). Neste texto o termo multifásico se refere exatamente a este tipo de escoamento, ou seja, bifásico (líquido + gás). Na produção de petróleo o escoamento multifásico pode ser observado em duas situações: a primeira ocorre no meio poroso (reservatório) e a segunda ocorre na etapa de produção (coluna e dutos). O primeiro fato notável a respeito do escoamento multifásico gás-líquido é que os dois fluidos não escoam com a mesma velocidade. Tanto no escoamento vertical (ascendente) como no horizontal, o gás tende a adquirir velocidade mais alta que o líquido e isto têm consequências sobre o comportamento de pressão nas tubulações. Outro fato diz respeito à topologia do escoamento, ou seja, a forma como gás e líquido escoam formando diferentes arranjos geométricos (ou configurações espaciais), denominados padrões de escoamento. Os padrões de escoamento são determinados pelas propriedades físicas das fases, dimensões do sistema e condições operacionais: viscosidade, tensão superficial, diâmetro, inclinação, vazões, pressão, entre outros, sendo diferentes para o escoamento horizontal e vertical. A complexidade desse tópico é inerente, dentre outros aspectos, à diversidade de arranjos espaciais que as fases líquida e gasosa podem apresentar e a alta compressibilidade da fase gasosa. Tais aspectos fazem com que as características do escoamento, entre elas, a determinação da perda de carga, sejam de difícil execução. Para tanto é necessário o conhecimento da mecânica desses escoamentos.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 2.2. Correlações de escoamento multifásico Devido ao caráter complexo do escoamento multifásico diversas correlações foram desenvolvidas para determinar os gradientes de pressão. Segundo Brill e Mukherjee (1999), citados por Oliveira (2010), tais correlações são usualmente classificadas em três grupos:  Correlações do tipo I: não utilizam mapas de padrão de escoamento ou arranjo de fases e não consideram o escorregamento1 entre as fases, isto é, assumem que o gás e as fases líquidas deslocam-se à mesma velocidade. Apresentam uma única correlação para o cálculo do fator de fricção das duas fases. As correlações encontradas na literatura e referidas por Poetmann & Carpenter, Baxendell & Thomas e Fancher & Brown são todas do Tipo I.  Correlações do tipo II: também não utilizam mapas de padrão de escoamento ou arranjo de fases, mas consideram o escorregamento entre as fases. Apresentam correlação para o cálculo do holdup2 e correlação para o fator de fricção das duas fases. As correlações encontradas na literatura e referidas por Hagedorn & Brown, Gray e Asheim são todas desse Tipo II.  Correlações do tipo III: utilizam mapas de padrão de escoamento ou arranjo de fases e consideram o escorregamento entre as fases. Apresentam ainda para cada padrão de escoamento uma correlação diferente para o cálculo do holdup e para o cálculo do fator de fricção das duas fases. As correlações encontradas na literatura e referidas por Duns & Ros, Orkiszewski, Aziz, Grovier & Fogarasi, Chierici, Ciucci & Sclocchi, Beggs & Brill e Mukherjee & Brill são todas do Tipo III. Segundo Tackacs (2001), citado por Pacheco et al. (2007), as principais correlações utilizadas na indústria de petróleo são: Hagedorn & Brown, Beggs & Brill, Aziz & Govier e Mukherjee & Brill. Neste trabalho além dessas correlações, a correlação de Duns & Ros foi usada como referência para comparação com os resultados obtidos pelo simulador comercial.

3. Metodologia
Utilizando-se o simulador computacional para sistemas BCS desenvolvido pela equipe do AUTOPOC/LAUT da UFRN, foram avaliadas cinco (5) correlações empíricas para o cálculo do escoamento óleo-água-gás, em colunas de produção típicas dos sistemas de elevação artificial operando por BCS: a correlação de Hagedorn & Brown que não utiliza mapas de padrão de escoamento ou arranjo de fases, mas que considera o escorregamento entre as fases e apresenta correlação para o cálculo do holdup e correlação para o fator de fricção das duas fases; as correlações de Duns & Ros, Aziz, Beggs & Brill e, Mukherjee & Brill que utilizam mapas de padrão de escoamento, consideram o escorregamento entre as fases e apresentam ainda, para cada padrão de escoamento uma correlação diferente para o cálculo do holdup e para o cálculo do fator de fricção das duas fases. Os dados de entrada estão presentes na Tabela 1 e os parâmetros utilizados para avaliação das correlações foram algumas das variáveis dinâmicas do sistema: pressão de descarga na bomba, altura de elevação (Head) que indica a capacidade de elevação do sistema e a vazão de fluido na bomba.

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Escorregamento: termo referente à diferença de velocidades entre as fases líquida e gasosa. Holdup: fração da seção de escoamento que se encontra ocupada pelo líquido.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Tabela 1. Dados de entrada do simulador Esquema mecânico Parâmetros Dados Revestimento 7” - 29,0 lb/ft - P110 Butt Coluna de Produção 2 7/8” EU 6,5 lb/ft N80 Luva reg Profundidade do Canhoneado (m) 2200 Admissão da Bomba (m) 2196 Propriedades dos fluidos °API 38 RGO (m3/m3) 47 BSW (%) 85,9 Densidade da Água 1,07 Densidade do Gás 0,7 Bomba Fabricante Centrilifit Modelo 400P6 Nº de Estágios 250 40Hz [0:1h] 45Hz [1:3h] Frequência (Hz) 52Hz [3:6h] 60Hz [6h:[ Considerar Efeito do Gás Sim Motor Fabricante Baker Hughes Série Baker 450 Potência (HP) 84 Tensão (V) 1105 Corrente (A) 49 Temperatura Máxima do Motor (°C) 176 Para tornar a validação possível, os resultados obtidos do simulador BCS foram comparados aos resultados de um simulador comercial amplamente utilizado na indústria do petróleo. Nos dois casos, os valores de entrada, bem como o tempo de simulação, foram praticamente os mesmos.

5. Resultados e discussão
Os resultados dos simuladores comercial e BCS são apresentados na Tabela 2 e foram encontrados no regime estacionário. Tabela 2. Comparação entre os simuladores Head (m) QBOMBA (m3/d) Observado *Desvio Observado *Desvio (%) (%) Comercial 1.422 128 BCS 1.317 -7,4 135 5,5 BCS 1.453 2,2 129 0,8 BCS 1.296 -8,9 135 5,5 BCS 1.466 3,1 130 1,6 BCS 1.254 -11,8 136 6,3 (*) Desvio em relação ao simulador comercial. Simulador PD (kg/cm2) Observado *Desvio (%) 224 217 -3,1 236 5,4 215 -4,0 237 5,8 209 -6,7 Correlação

Hagedorn & Brown Hagedorn & Brown Duns & Ros Aziz Beggs & Brill Mukherjee & Brill

Para a altura de elevação (Head), o menor desvio em relação ao simulador comercial foi observado com a correlação de Duns & Ros, enquanto a correlação de Mukherjee & Brill apresentou o maior desvio. Para a vazão da bomba, novamente Duns & Ros foi a correlação que resultou no menor desvio e Mukherjee & Brill no maior desvio. Para 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 a pressão de descarga, o menor desvio foi verificado com a correlação de Hagedorn & Brown, enquanto Mukherjee & Brill apresentou o maior desvio. Dos três parâmetros utilizados para a avaliação, a altura de elevação (Head) foi o que apresentou as maiores diferenças (11,8%). Nas diferentes correlações avaliadas os maiores desvios foram observados para a correlação de Mukherjee & Brill.

6. Conclusões
As correlações empíricas utilizadas para o cálculo do escoamento multifásico devem apresentar resultados semelhantes para o cálculo de pressões e altura de elevação (Head). Propriedades como densidade de cada fluido, viscosidade, fração de água produzida (BSW - Basic Sediments and Water), fator volume de formação do óleo (Bo), fator volume de formação do gás (Bg), razão gás-líquido (RGL), dentre outras, irão interferir nos resultados. Os resultados obtidos com o simulador para BCS, desenvolvido na UFRN pela equipe do projeto AUTOPOC/LAUT, utilizado no presente trabalho para o cálculo das variáveis dinâmicas dos sistemas BCS, apresenta desempenho satisfatório, uma vez que não foram observadas diferenças significativas daqueles obtidos com o simulador comercial.

7. Agradecimentos
Este trabalho foi desenvolvido no Laboratório de Automação de Petróleo – LAUT/UFRN. Os autores agradecem à equipe do projeto AUTOPOC e à PETROBRAS pelo apoio.

8. Referências
MAITELLI, C. W. S. de P. Simulação do escoamento monofásico em um estágio de uma bomba centrífuga utilizando técnicas de fluidodinâmica computacional. Tese de Doutorado - UFRN, Natal/ RN, 2010. OLIVEIRA, M. F. D. Análise da aplicação de um sistema de bombeamento multifásico submarino na produção de petróleo. Dissertação de Mestrado – Departamento de Engenharia Mecânica, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2003, 169 p. PACHECO, F., CAVALCANTE, C. C. P., MENDES, J. R. P., BANNWART, A. C., SERAPIÃO, A. B. S. Identificação de padrões de escoamento multifásico e determinação da perda de carga com o auxílio de redes neurais. 4º PDPETRO, Campinas/SP, Out., 2007.

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