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IBP1162_12 A PROGRAMAÇÃO DE UMA REFINARIA SOB A ÓTICA DO DECISOR: UMA ANÁLISE DOS TRADE-OFFS DIANTE DAS ORIENTAÇÕES

TÉCNICAS E CORPORATIVAS Thaís Spiegel1, Heitor Mansur Caulliraux2, Adriano Proença3

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Refinarias normalmente congregam um conjunto de atividades que a configuram como complexa e dinâmica. Além da complexidade do processo de refino, existe também uma grande liberdade nas operações da refinaria, múltiplos arranjos possíveis para converter determinados óleos em derivados. Neste contexto, o presente artigo se debruça sobre os processos decisórios que conduzem as refinarias de uma empresa petrolífera integrada no seu dia a dia. Como tomada de decisão, o texto se refere a um processo que sempre aporta um tipo de resolução de conflito, no qual objetivos contraditórios têm que ser negociados e conciliados. O objeto de análise insere-se em processos decisórios hierárquicos, isto é, um processo de desagregação, que se inicia com uma avaliação abrangente, e então divide a decisão em elementos cada vez menores e mais definidos, de maneira que sejam interdependentes. A saída em um nível agregado passa a ser entrada no próximo nível detalhado. Em cada um dos níveis hierárquicos a tomada de decisão é fruto de um problema, apresentado em um determinado contexto a um decisor. Este decisor será o responsável pelos rumos da produção da refinaria ao qual está alocado. O programador de cada refinaria têm diretrizes gerais que devem ser consideradas, ainda que de forma não-explícita ou não-parametrizável, estas assumem a forma de critérios em alguns casos de origem técnica e em outros situações derivadas do negócio. Diante destas, este artigo apresenta uma visão crítica e analítica em face aos dilemas que emergem diante da busca dos decisores por convergir uma programação de produção que atenda simultaneamente ao conjunto de critérios.

Abstract
Refineries usually gather a set of activities that shape how complex and dynamic it is. Adding to the complexity of the refining process, there is also a great freedom in the refinery operations, multiple arrangements possible to convert certain oil in derivatives. In this context, this article focuses on decision-making processes that lead refineries of an integrated oil company in their day to day. As decision-making, the text refers to a process that always brings a kind of conflict resolution, in which contradictory goals have to be negotiated and reconciled. The object of analysis is inserted in hierarchical decision-making processes, ie a process of disintegration, which begins with a comprehensive assessment, and then divides the decision in elements smaller and more defined, so that they are interdependent. The output at an aggregate level shall be the input in the next detailed level. In each level of the hierarchical, decision-making is the result of a problem, presented in a given context to a decision maker. Decision maker will be the responsible for the direction of the refinery production to which it is allocated. The programmer of each refinery is general guidelines that should be considered, albeit non-explicit or non-configurable, in some cases these take the form of technical criteria and in other situations derived from the business. From these, this article presents a critical and analytical in the face of dilemmas that emerge in front of decision makers search for converging a production schedule that meets both the criteria set.

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____________________________ Doutoranda, Engenheira de Produção – Grupo de Produção Integrada (EP & COPPE / UFRJ) 2 Doutor, Engenheiro de Produção – Grupo de Produção Integrada (EP & COPPE / UFRJ) 3 Doutor, Engenheiro de Produção – Grupo de Produção Integrada (EP & COPPE / UFRJ)

1. Introdução
A exemplo da maioria das empresas refinadoras de petróleo, a Companhia analisada neste trabalho é uma empresa petrolífera integrada que possui uma variedade de interesses, desde a exploração e produção até a comercialização e distribuição de derivados. Dentro de tais organizações, as refinarias trabalham sob a direção de um escritório chefe. O escritório chefe negocia contratos de longo e curto prazo para compra de petróleo e derivados, enquanto o conjunto de refinarias converte petróleos em derivados, para que os mesmos sejam vendidos como produtos finais. A refinaria em si normalmente trabalha dentro do quadro global da organização para maximizar a rentabilidade da empresa. Isso faz do refino uma atividade extremamente complexa e dinâmica. Além da complexidade do processo de refino, existe também uma grande liberdade nas operações da refinaria, múltiplos arranjos possíveis para converter determinados óleos em derivados. De acordo com Sahdev et al. (2004), o refino de petróleo no novo milênio continua sendo um negócio extremamente competitivo. Os autores destacam que o planejamento do refino constitui a base para as decisões comerciais com maior impacto sobre a rentabilidade da refinaria. Para que tal planejamento seja bem sucedido, é imprescindível que ele dialogue e seja orgânico com os processos de gestão efetivamente empregados pelos tomadores de decisão. Tais processos devem incorporar as formas adequadas de uso da programação matemática, tanto em termos de provimento de insumos quanto na absorção e aplicação de seus resultados, conciliando-a com as realidades da organização e com seus limites infraestruturais e operacionais concretos. Neste contexto, este trabalho trata do processo gerencial de tomada de decisões de programação das refinarias. Para abordar este processo gerencial de alto impacto na performance do refino, o presente artigo inicialmente apresenta o quadro teórico sobre teoria da decisão para entendimento das variáveis que compõe, a saber: o problema, o contexto e o decisor. O trabalho segue com uma análise centrada no papel do decisor, agente humano sobre o qual recai a responsabilidade pela decisão. São apresentadas as principais orientações técnicas e corporativas que regem a escolha dos programadores nas refinarias da Companhia analisada. Diante destes, o texto procura estabelecer uma visão crítica e analítica em face aos trade-offs que emergem diante da busca dos decisores por convergir uma programação de produção que atenda simultaneamente ao conjunto de critérios.

2. Processo decisório: as decisões de programação da produção de uma refinaria
A tomada de decisão é sempre um tipo de resolução de conflito, no qual objetivos contraditórios têm que ser negociados e conciliados (Svenson, 1996). A idéia central associada à decisão é a escolha ou seleção de alternativas. Segundo Ofstad (1961: 46 apud Mykytyn 1985) “tomar uma decisão (significa) fazer um julgamento relativo ao que devia se fazer em certa situação depois de ter deliberado sobre cursos alternativos de ação”. O tomador de decisão percebe um problema e realiza um processo decisório para alcançar a solução. A cadeia de reflexões e ações que se estende entre o instante em que ocorre a percepção da necessidade de agir e o momento em que se escolhe uma linha de ação é denominada de processo decisório (Abramczuk, 2009: 43). Diferentes decisões demandam diferentes tempos para tomar efeito, dados por suas diferentes inércias. Nas organizações esses sub-horizontes em geral são divididos em longo prazo, médio prazo e curto prazo (Corrêa, 2001). O Planejamento hierárquico é um processo de desagregação, que se inicia com uma avaliação abrangente, e então divide o plano em elementos cada vez menores e mais definidos, de maneira que sejam interdependentes. A saída em um nível agregado passa a ser entrada no próximo nível detalhado. O Planejamento Hierárquico objeto deste artigo se inicia, no nível estratégico, com a decisão do Plano Agregado de Refino de Petróleo da Companhia. A partir deste, no âmbito de cada refinaria e em nível tático, é elaborado o Plano de Produção com horizonte de dois meses. Esta decisão se encontra no nível tático do Planejamento. No nível operacional são elaboradas as programações com horizonte semanal e diária, encerrando o processo decisório. 2.1. O Problema e o Contexto Na análise dos fatores que compõem a tomada de decisão tem-se inicialmente o problema e o contexto no qual ele se coloca, isto é, o sistema de produção. Um problema varia conforme sua estruturação, estabilidade e compreensão (Yang, 2003). Sua importância, complexidade ou urgência influenciam a decisão a ser tomada (Bronner, 1993). Segundo MacCarthy & Wilson (2001: 4), o planejamento e a programação não recebem problemas discretizados que podem ser resolvidos de forma ótima por sistemas. São problemas dinâmicos, que precisam ser gerenciados o tempo todo. Na indústria petrolífera, são as refinarias que geram os produtos finais, os derivados do petróleo. O termo refino designa o processamento das diversas famílias de petróleo recebidos dos campos de produção e importados
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nas refinarias. A partir de um conjunto de processamentos de refino são obtidos os produtos comercializáveis desejados. Entre o “plano” de conversão de óleos em derivados e o “plano” de planejamento e programação, tem-se ainda o que denominamos de “plano” de operação. Nele, encontram-se os sistemas e operadores que fazem com quem as decisões sejam convertidas em processamentos, transferências e armazenamentos na planta.

Figura 1 - Planos do Sistema de Produção do Refino. Na figura 1 é exposta a relação entre os três planos identificados. No primeiro, os planejadores e programadores fornecem orientações aos operadores. Estes, por sua vez, no âmbito do segundo plano, operam a produção, com auxílio de sistemas, segundo as direções recebidas. Paralelamente, a Operação monitora o executado, informando ao Planejamento e Programação se tudo está correto ou se há problemas. Estes analisam os problemas e encaminham novas orientações aos operadores que atuam consertando os desvios. 2.2 O Decisor Segundo MacCarthy & Wilson (2001), o campo de estudo em planejamento e programação é visto como técnico e amplamente “resolvido”. Entretanto, apontam que estes processos continuam a ser significativos nas organizações, e que melhorias nas práticas e nos resultados obtidos dependem do entendimento da natureza deste processo. Para os autores, isto requer o reconhecimento do papel central das pessoas que conduzem estes processos na sua execução. Afinal, são elas que gerenciam e resolvem os problemas em ambientes dinâmicos, e que em última instância, “fazem acontecer”. A percepção do problema e/ou a atribuição da responsabilidade pela resolução cabe ao tomador de decisão. O decisor é o indivíduo ou grupo que irá lidar com o problema apresentado (Marakas, 1998) e, portanto, alguns fatores fundamentais ligados a ele(s) alteram a forma como a decisão ocorre. O número de decisores, assim como a qualidade e a preferência pessoal, determina a solução do processo decisório (Bronner, 1993). Os decisores analisados no presente trabalho são os responsáveis pela elaboração da programação da produção da refinaria. Decisões não são iguais e nem têm o mesmo grau de dificuldade (Beach, 1997), mas todas são dependentes do modelo mental de seus decisores. Os agentes podem ser avaliados pelo conhecimento individual acerca do problema, a habilidade de resolução de cada um, seus desejos e interesses, e os padrões éticos e morais que os rege (Yang, 2003). Ao tomar uma determinada decisão o indivíduo faz uso de suas próprias interpretações e/ou heurísticas para tal. Desta forma, a qualidade de uma decisão não depende apenas das informações disponíveis, mas também do modo pelo qual o tomador de decisões entende estas informações (Curseu, 2007).

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2. Caracterizando o processo decisório de programação de uma refinaria
A hierarquia entre o planejamento e a programação é evidente, inclusive pela denominação “planejamento hierárquico” já mencionada. Visto pela perspectiva dos papéis, o planejador elabora o plano em algum nível agregado e os programadores cuidam de realizá-lo na prática. De acordo com MacCarthy & Wilson (2001: 8), nesta “passagem” é que se encontram muitos dos problemas e conflitos observados na prática. Colocam-se questões de alocação, atribuições, responsabilidade e autoridade. O decisor para obter as informações necessárias a sua decisão irá interagir com outros indivíduos, que por sua vez terão papéis específicos na organização. Yang (2003) apresenta este como um dos modos mais efetivos de captar as informações necessárias à decisão. Nas refinarias analisadas, observou-se que o programador é um perfil com forte vetor ‘tácito’, conformado pelo conhecimento formado sobre o sistema de produção (história na refinaria). Neste sentido, parece que a trajetória na operação favorece a qualidade das decisões. A experiência destes atores forma certo quadro mental que incorpora soluções boas e ruins para os tipos de problema apresentados. Polya (1957) afirma ainda que observando a solução adotada, reconsiderando e reexaminando o resultado e os impactos por ele causado, o decisor ganha uma consolidação do conhecimento e desenvolve sua habilidade de resolução de problemas. Além disso, nenhum problema nunca está completamente esgotado. Com estudo e penetração acerca do processo seguido, pode-se melhorar qualquer solução e ampliar o entendimento sobre a questão. Como auxílio à tomada de decisão, os programadores utilizam softwares simuladores ou planilhas, que, uma vez tendo inseridos os dados de entrada, processarão os mesmos sem uma função objetivo. Isto quer dizer que o sistema não gera um resultado otimizado seguindo critérios que tenham sido anteriormente programados e fixados, mas sim um resultado que vai depender diretamente do decisor. Cabe, portanto, ao programador uma tomada de decisão complexa: ele deve julgar os eventuais dilemas que possam existir entre os critérios daquela determinada instância, avaliando os relatórios de programação que são gerados pelos simuladores para então finalizar sua programação. Diante das informações e com seus modelos mentais, os decisores irão proceder determinadas interpretações acerca das informações em pauta (McKay, 2001:43). Dentre as características que alteram o curso do processo decisório e, conseqüentemente, a solução gerada, Bronner (1993) indica os padrões interpretativos. Kenneth McKay ressalta também a utilização de um conjunto de “regras de mão”. Os decisores, diante dos problemas, se fazem valer de determinadas relações para reagir aos estímulos. Sendo assim, as decisões são função das variáveis observadas e do que as regras de mão indicam ao decisor.

3. As diretrizes do processo decisório de planejamento e programação de uma refinaria
As instâncias decisórias de programação têm diretrizes gerais que devem ser consideradas, ainda que de forma não-explícita ou não-parametrizável. Estas diretrizes em alguns casos tem origem técnica, função do tipo de petróleo ou das características do esquema de refino; em outras situações são derivadas do negócio, as orientações corporativas. De um modo geral, em qualquer refinaria busca-se evitar “balançadas” nas unidades. Isto é, alterações freqüentes das condições de operação (campanhas definidas para as unidades). Quando a campanha é alterada, as unidades são retiradas do regime estacionário, passam por um período transiente até entrar em regime estacionário novamente. A tancagem disponível condiciona a decisão de alterar determinada campanha. Quanto aos estoques, há uma orientação, desdobrada da política de atendimento à demanda, que orienta a existência de um estoque de segurança de produto final. Este deve garantir o atendimento à demanda de dois ou três dias, caso a refinaria tenha algum problema operacional que a impeça de manter a produção. Já a orientação de manter a continuidade operacional é desdobrada em uma política de estoque intermediário. Segundo a qual são estabelecidos níveis equivalentes aos volumes mínimos para manter as unidades operacionais. Como orientações gerais, observa-se ainda, o destaque da minimização das perdas decorrentes do processo de refino, segundo a qual os decisores devem buscar sempre priorizar decisões de forma a não gerar desperdícios – tanto de petróleos como de intermediários. Isto é, ainda que em um ambiente dinâmico, onde pode haver muitas variações ao longo dos processos de refino, as refinarias devem sempre convergir suas decisões tentando cumprir seus objetivos de forma otimizada. Adicionalmente, observa-se a orientação geral de se manter as refinarias operando em carga plena e evitar ao máximo a parada de unidades. Estes critérios, embora nem sempre explícitos, permeiam todas as decisões que são tomadas. Outra orientação coorporativa é a de processamento de resíduos e óleos ácidos. A produção nacional de óleos classificados como ácidos está em crescimento e o inconveniente desta qualidade está associada às restrições metalúrgicas (corrosividade) das unidades de processo. Há uma orientação corporativa para que as refinarias processem o máximo de óleo ácido respeitando esta limitação. Por outro lado, os resíduos (correntes residuais das unidades de processo) devem ser reprocessados e são considerados no plano de produção de todas as refinarias.

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3.1 Os critérios que orientam a decisão do programador A seguir, serão descritos os critérios que são particularmente encontrados nas instâncias decisórias de programação do refino. (i) Atendimento à demanda (prevista no Plano agregado da Companhia); O conceito de atendimento à demanda prevista no Plano agregado da Companhia diz respeito à quantidade de pedidos do mercado de derivados – e seus respectivos volumes – que será utilizada como dado de entrada para elaboração do plano. Eventualmente, pode-se detectar demandas adicionais durante o planejamento, que serão também consideradas. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Volume de derivados a ser produzido; • Prazo de entrega dos pedidos; • Utilização das unidades de processamento; (ii) Atendimento à demanda (real); O conceito de atendimento à demanda real diz respeito à quantidade de pedidos do mercado local de derivados – e seus respectivos volumes – que será aceita e cumprida ao longo do mês, adicionado às demandas abastecidas por movimentações da produção da refinaria. Na prática, a consideração deste critério significa suprir, sempre que possível, todos os pedidos feitos à refinaria. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Volume de derivados a ser produzido; • Prazo de entrega dos pedidos; • Utilização das unidades de processamento; (iii) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas; O conceito de destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas, ou ‘eficiência do uso dos petróleos’, utilizado refere-se ao melhor rendimento que se pode obter dado um petróleo ou mistura de petróleos. Ou seja, a partir da PEV (ponto de ebulição verdadeiro) da carga da destilação, o que pode ser obtido em termos de rendimento e valor de produto.

Figura 2 – Curva PEV. Uma aplicação deste conceito está em como proceder a melhor mistura de petróleos de modo que estes sejam utilizados de modo eficiente. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Processamento dos petróleos nas unidades de destilação; (iv) Operar a Carga máxima; O conceito de “operar a carga máxima” diz respeito à prática de se manter as unidades de processamento da refinaria funcionando em sua máxima capacidade de produção. Baixar carga altera parâmetros de funcionamento das unidades considerados no processo de elaboração do planejamento (pelo uso do software otimizador), o que pode resultar em desvios do plano. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Utilização das unidades de processamento; • Campanha das unidades de processamento; • Espaço em tanque; • Volume de (quais) derivados a ser produzido;
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Atualmente, o gargalo das refinarias da Companhia localiza-se em unidades de tratamento. Isto se deve, em parte, ao aumento do rigor exigido nas especificações. Operar a carga máxima nestas unidades confere maior flexibilidade para o programador, aumentando a quantidade de misturas possíveis para enquadrar os produtos. (v) Evitar paradas de unidades; O conceito de “evitar paradas de unidades” diz respeito à prática de manter as unidades de processamento da refinaria sempre funcionando. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Utilização das unidades de processamento; • Espaço em tanque; • Estoques de produtos intermediários; • Volume de (quais) derivados a ser produzido; (vi) Enquadramento dos produtos; O conceito de “enquadramento dos produtos” diz respeito às características qualitativas controladas para cada derivado. Vale ressaltar neste critério a importância da relação que ele tem com a utilização de determinadas unidades de processamento da refinaria. Para que os produtos sejam enquadrados nas especificações, são realizadas misturas e tratamentos. Produtos não especificados podem gerar necessidade de reprocessamentos. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Utilização das unidades de separação (pois um desbalanceamento pode dificultar a especificação ‘futura’); • Utilização das unidades de conversão; • Utilização das unidades de tratamento; • Blending em linha e em tanque; • Tanques para Mistura de petróleo • Propriedades dos óleos • Propriedades das correntes produzidas e dos tanques de estocagem; (vii) Diminuir give-away; O conceito “diminuir give-away” diz respeito à prática de se agregar valor aos produtos por meio de processamentos e mistura de correntes até determinado “ponto”. Busca-se evitar que o produto final gerado tenha qualidades melhores do que as necessárias pela sua especificação Vale ressaltar neste critério a importância da relação que ele tem com o espaço em tanque e com determinadas unidades de processamento. É preciso espaço em tanque para que se possa armazenar produtos acabados (que não necessitem de mais processamentos) e para permitir a realização de determinadas misturas. Quanto às unidades de processamento, há algumas que se destacam como as mais críticas no sentido de agregar valor aos produtos, especialmente as unidades de tratamento. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Espaço em tanque (flexibilidade para misturar os produtos ‘acabados’); • Utilização das unidades de tratamento (melhoram as propriedades químicas); • Utilização das unidades de conversão (converte correntes em produtos de maior interesse); • Blending em linha e em tanque; • Propriedades das correntes (viii) Atendimento ao plano de produção; O conceito de “atendimento do plano de produção” diz respeito ao cumprimento das diretrizes de produção que são planejadas e definidas mensalmente. Na prática, é justamente cumprir o plano oficial que é publicado e aprovado pelas refinarias, consumindo os petróleos alocados e produzindo produtos para atender à demanda. Este atendimento do plano é medido através de um indicador corporativo que deve ser calculado mensalmente. Dado este quadro, o cargo responsável pela tomada de decisão sob este critério deverá levar em conta o(s) seguinte(s) elemento(s): • Plano oficial de produção; • Diretrizes e orientações provenientes do plano; • Petróleos consumidos; • Volume de derivados a ser produzido; 3.2 Análise dos critérios que orientam a decisão do programador Conforme exposto na introdução, neste trabalho será realizada a análise do relacionamento entre os critérios, apresentados na seção anterior. Vale ressaltar que, em todos os casos, a decisão de qual critério priorizar cabe ao programador. Qualquer dilema que exista em determinada situação vai envolver diretamente a relevância, no momento em questão, de cada um dos critérios envolvidos. (a) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Atendimento à demanda Estes critérios se correlacionam de forma variável, existindo ocasiões em que eles divergem, e ocasiões em que convergem.
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Esta relação é evidenciada quando se observa os elementos que se destacam em cada um desses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “Volume de (quais) derivados a ser produzido” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e atendimento à demanda, respectivamente), já que ambos envolvem os processamentos que levarão à produção dos produtos finais. Normalmente, busca-se atender aos dois critérios. Entretanto, havendo uma urgência em cumprir os prazos de entrega de determinados pedidos, a questão do destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas será posta em segundo plano. Por outro lado, se não houver essa urgência e os prazos estiverem dentro dos limites acordados, sempre se buscará utilizar os petróleos de forma a obter melhor aproveitamento de suas propriedades. (b) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Operar a carga máxima Estes critérios se correlacionam de forma divergente. Este conflito é evidenciado ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “Utilização das unidades de processamento” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e operar a carga máxima, respectivamente). O dilema administrado pelo programador para estes critérios está em situações limite como, por exemplo, ter maior benefício em segregar um petróleo para uma campanha específica que não pode ser executada no momento com o ônus de baixar a carga da unidade ou manter a operação em carga máxima assumindo o ônus de processar um petróleo com destinação mais específica. Dentre os fatores que influenciam essa decisão estão: horizonte de programação, disponibilidade de tancagem e expedições de produto. Nos casos em que as refinarias não têm espaço em tanque e disponibilidade de hardware para operar em carga máxima de maneira constante, é realizado um aproveitamento não ideal dos petróleos. Algumas refinarias, devido à maior complexidade de seu hardware, são menos sensíveis a variações de elenco. Nestas, o conceito de destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas é maximizado e não afeta a operação a carga máxima. Além disso, o destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas pode gerar um nível de estoque inferior ao necessário para manter as unidades subseqüentes operando a carga máxima. Há ainda outras unidades, como aquelas de produção de lubrificantes e parafinas (produtos de alto valor), que operam de modo intermitente, com paradas freqüentes, devido à disponibilidade de carga. Ou seja, neste caso, inverte-se a relevância entre os critérios. (c) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Evitar paradas de unidades Estes critérios se correlacionam de forma divergente. Este conflito é evidenciado ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “Utilização das unidades de processamento” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e evitar paradas de unidades, respectivamente). De forma análoga ao exposto na análise anterior, a divergência entre estes critérios ocorre principalmente quando há pouco espaço em tanque disponível para determinadas correntes. Neste caso, opta-se por fazer pior uso do petróleo para evitar primeiramente a redução de carga das unidades, e no limite prefere-se baixar carga a ter de parar alguma unidade. Há ainda, conforme mencionado nos critérios anteriores, outras unidades, como aquelas de produção de lubrificantes e parafinas, que operam com paradas freqüentes, devido à disponibilidade de carga. Ou seja, neste caso, inverte-se a relevância entre os critérios. (d) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Enquadramento dos produtos Estes critérios são independentes. Esta relação é evidenciada, quando se observa os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “Tancagem para mistura de petróleos” e “propriedades dos petróleos recebidos” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e enquadramento dos produtos, respectivamente). Vale ressaltar que, para o caso de refinarias que não possuem hardware disponível para tratar os produtos posteriormente, as misturas realizadas antes da destilação condicionam o enquadramento. Assim, elas são dependentes da disponibilidade de matéria-prima e do espaço em tanque disponível para realizar as misturas na proporção “ideal” antes de separar as correntes na unidade destiladora (atmosférica e vácuo). (e) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Diminuir give-away Estes critérios são divergentes. Esta relação é evidenciada, quando se observa os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “Propriedades das correntes geradas” e “Utilização das unidades de tratamento” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e enquadramento dos produtos, respectivamente), onde os motivos de tal convergência são explicados nos parágrafos abaixo. Dar um destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas pode gerar correntes com propriedades acima das necessárias para o enquadramento do produto. Neste caso, as misturas realizadas em seguida poderão “carregar” uma sobre-especificação. Caso, antes da separação da mistura de petróleos, haja preocupação com a diminuição do give-away as correntes obtidas estarão condizentes com as especificações, mas não terá sido dado o destino ‘adequado’ aos petróleos em campanhas bloqueadas. (f) Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas X Atendimento ao plano de produção
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Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Processamento dos petróleos nas unidades de destilação” e “petróleos consumidos” e “volumes de derivados a serem produzidos” (destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas e atendimento ao plano de produção, respectivamente). As refinarias sempre buscam cumprir o que foi estabelecido no plano de produção oficial que foi avaliado e publicado. Para isto, a princípio não há problema em, simultaneamente processar-se os óleos disponíveis de forma a obter melhores aproveitamentos de suas propriedades, produzindo determinados derivados. Entretanto, há casos em que o atendimento do plano pode levar a menor eficiência do uso dos petróleos. Diante deste dilema, a decisão de qual priorizar caberá ao cargo responsável pela instância com a provável participação da SEDE. (g) Atendimento à demanda X Operar a carga máxima Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Volume de derivados a ser produzido” e “Utilização das unidades de processamento”. Havendo uma urgência em cumprir os prazos de entrega de determinados pedidos, a questão da operação a carga máxima pode ser posta em segundo plano, dando-se prioridade de utilização do hardware ao atendimento da demanda. Ao priorizar determinadas correntes, pode-se não ter quantidade suficiente de outras correntes para manter todas as unidades operando a carga máxima. Afinal, para que a operação a carga máxima seja possível, é necessário que haja estoque de intermediários suficiente para manter as unidades operacionais. Assim, quando a combinação de hardware, alocação de petróleo, níveis de estoque e campanha são tais que satisfazem ao atendimento da demanda, os critérios são convergentes. Contudo, para casos em que mesmo atendendo à demanda, ocorre acúmulo de um ou mais produtos em estoque em tal amplitude que gere a necessidade de diminuição de carga, os critérios se comportam de modo divergente. Nesta situação é papel do programador encontrar alternativas junto a outros atores para evitar a diminuição de carga de unidades. (h) Atendimento à demanda X Evitar paradas de unidades Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Volume de derivados a ser produzido” e “Utilização das unidades de processamento”. A avaliação sobre a parada de unidade é sempre a condição limitante máxima. Isto implica dizer que diante de uma possível parada, todos os critérios e alternativas serão considerados para evitá-la. Paradas de unidades não previstas no plano anual de manutenção somente ocorrem devido à falta de disponibilidade de matéria-prima, restrição de espaço em estoque para determinado produto ou intermediário, ou um grave problema operacional. Assim, podem acontecer situações em que se opta pela realização de certas alterações no processamento (diminuição de carga, utilização de determinada corrente para fins alternativos, reprocessamento) que não necessariamente levam ao atendimento de mercado, porém evitam paradas. (i) Atendimento à demanda X Enquadramento dos produtos Estes critérios são convergentes. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam em cada um desses dois critérios: “Volume de (quais) derivados a ser produzido” e “Utilização das unidades de conversão e tratamento” (atendimento à demanda e enquadramento dos produtos, respectivamente), já que ambos envolvem os processamentos que levarão à produção dos produtos finais, com os motivos de tal convergência explicados nos parágrafos abaixo. As refinarias não podem atender à demanda com produtos fora de especificação. Além disto, não há qualquer conflito quanto ao cumprimento desses dois critérios. (j) Atendimento à demanda X Diminuir give-away Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam em cada um desses dois critérios: “Volume de (quais) derivados a ser produzido” e “Utilização das unidades de tratamento” (atendimento à demanda e diminuir give-away, respectivamente), já que ambos envolvem os processamentos e atividades que levarão à produção dos produtos finais. Normalmente, busca-se atender aos dois critérios. Entretanto, havendo uma necessidade de cumprir os prazos de entrega de determinados pedidos, a questão da diminuição do give-away será posta em segundo plano. No entanto, se não houver esta necessidade e os prazos estiverem dentro dos limites acordados, sempre se buscará evitar give-away. Deve-se considerar também a disponibilidade em tanque ou de correntes que possam ser misturadas para diminuir o give-away. Em certas ocasiões, mesmo com urgência de entrega, se houver esta disponibilidade, o giveaway pode ser reduzido ou até eliminado. (k) Atendimento à demanda X Atendimento ao plano de produção
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Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. A decisão de qual priorizar cabe, portanto, ao cargo responsável pela instância. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “volume de (quais) derivados a ser produzido” onde os motivos de tal dilema foram explicados nos parágrafos abaixo. As refinarias sempre buscam atender aos dois critérios, cumprindo o que foi estabelecido no plano de produção oficial que foi avaliado e publicado levando em consideração uma determinada previsão de demanda de mercado. Entretanto, existem sistemáticas que permitem que os clientes alterem as cotas de pedidos de derivados. Por isso, por mais que se busque sempre cumprir o plano, havendo cotas-extras aprovadas e a possibilidade de entrega destas, as refinarias irão produzir para atender as demandas atualizadas de seus clientes. Pode-se afirmar portanto que, essencialmente, o objetivo destes dois critérios é o mesmo; o que existe são diferenças temporais sobre a informação trabalhada. (l) Operar a carga máxima X Evitar paradas de unidades Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Normalmente busca-se atender aos dois critérios. Considerando que todo produto gerado e especificado seja consumido, os critérios relacionam-se com convergência: processa-se os óleos a carga máxima e, neste contexto, é inerente a idéia de se evitar paradas de unidades. As condições de baixo estoque de matéria-prima ou alto estoque de intermediário/produto final podem levar a necessidade de diminuir a carga de unidades para evitar sua parada. Neste contexto, os critérios são divergentes. (m) Operar a carga máxima X Enquadramento dos produtos Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam em cada um desses dois critérios: “utilização das unidades de processamento” e “utilização das unidades de conversão e tratamento” (operar a carga máxima e enquadramento dos produtos, respectivamente), onde os motivos de tal dilema são explicados nos parágrafos abaixo. São convergentes desde que as correntes produzidas e os produtos em tanques sejam tais que estejam de acordo com as especificações. Entretanto, na ocasião de por algum motivo os produtos não estarem enquadrando – algum problema de hardware de uma unidade, ou alguma reação química inesperada –, torna-se um desperdício operar a carga máxima para gerar produtos que precisarão ser reprocessados posteriormente. No caso de indisponibilidade de tanques ou grande quantidade de produto fora de especificação pode-se optar pelo reprocessamento ou, caso este não seja possível, pela diminuição da carga. (n) Operar a carga máxima X Diminuir give-away Estes critérios são divergentes. Este conflito é evidenciado ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Utilização das unidades de processamento” e “Utilização das unidades de tratamento” (operar a carga máxima e diminuir give-away, respectivamente), onde os motivos de tal divergência são explicados nos parágrafos abaixo. Embora as refinarias busquem sempre atender aos dois critérios, e que essa possibilidade exista, suas essências são divergentes: Forçar os processamentos da refinaria a carga máxima é um critério que entra em conflito com a preocupação de se agregar valor aos produtos por meio de processamentos somente nos casos em que haja necessidade específica. Por isto, pode-se considerá-los divergentes Caso haja geração de produto com sobre-especificação além do que o hardware é capaz de absorver, uma alternativa possível seria a diminuição de carga de unidade de tratamento. Entretanto, atualmente esta não é seguida, decide-se pela venda com sobre-especificação. (o) Operar a carga máxima X Atendimento ao plano de produção Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. A decisão de qual priorizar cabe, portanto, ao cargo responsável pela instância. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “volume de (quais) derivados a ser produzido” onde os motivos de tal dilema são explicados nos parágrafos abaixo. Com relação ao plano, existe um grande dilema corporativo, pois mesmo que o Plano agregado da Cia indique que a refinaria opere abaixo da capacidade máxima, a orientação recebida através de outras áreas da empresa é a de que se deve sempre operar a carga máxima. Desta forma, pode-se afirmar que o encaminhamento destes dois critérios é convergente apenas quando o plano de produção também indica operação em carga máxima. Caso esta premissa não seja respeitada, os critérios se apresentam de modo divergente. (p) Evitar paradas de unidades X Enquadramento de produtos Estes critérios se correlacionam de forma independente. As refinarias sempre buscam atender aos dois critérios, sendo que os produtos, para serem entregues aos clientes, devem obrigatoriamente respeitar as especificações vigentes. Evitar paradas de unidades, a princípio, não interfere ou cria conflitos com esta questão. Quanto maior for o número de unidades de conversão e tratamento, maior a flexibilidade da refinaria em enquadrar os produtos.
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A decisão de parada de unidade é a última alternativa dentre outras. Desta forma, todos os critérios e alternativas serão considerados para evitá-la. Portanto, ela não ocorre em detrimento ao enquadramento de produtos. É importante ressaltar que diante de uma parada operacional, ou seja, quando não existe a possibilidade de evitá-la, a forma como o produto será enquadrado (especificação) torna-se um ponto ainda mais relevante. (q) Evitar paradas de unidades X Diminuir give-away Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. A decisão de qual priorizar cabe, portanto, ao cargo responsável pela instância. Este conflito é evidenciado ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “Utilização das unidades de processamento” e “Utilização das unidades de tratamento e processamento” (evitar paradas de unidades e diminuir give-away, respectivamente), onde os motivos de tal divergência/ convergência são explicados nos parágrafos abaixo. Dependendo do portifólio de produção da refinaria e do hardware disponível (unidades e tanques) diminuir give-away e evitar paradas de unidades são independentes até que para manter os níveis de produção seja melhor a perda de valor através de entrega de produto sobre especificado. Cabe ressaltar que a parada de determinada unidade é uma decisão extrema tomada quando não há espaço disponível em tanque para produto, não há disponibilidade de matéria-prima ou devido a um problema operacional. Contudo, dependendo da unidade que seja parada, as correntes resultantes que são geradas podem apresentar-se como sobre ou sob-especificadas. Desta forma, pode-se aumentar ou diminuir o give-away, respectivamente. Assim, estes dois critérios podem convergir ou divergir, classificando como variáveis. (r) Evitar paradas de unidades X Atendimento ao plano de produção Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. A decisão de qual priorizar cabe, portanto, ao cargo responsável pela instância. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam nesses dois critérios: “volume de (quais) derivados a ser produzido” onde os motivos de tal dilema são explicados nos parágrafos abaixo. O programador procura atender ao plano de produção e não programar paradas que não estejam prevista pelo plano de produção e, neste sentido, os critérios são convergentes. Porém, caso uma baixa capacidade de estoque gere a necessidade de menor produção de determinada corrente, o programador tem a opção de baixar carga para evitar parada de uma unidade. Neste caso, os critérios são divergentes e prioriza-se evitar parada em relação a atender ao plano no horizonte da programação (de poucos dias). (s) Enquadramento dos produtos X Diminuir give-away Estes critérios são divergentes. Esta relação é evidenciada ao se observar a divergência dos elementos que se destacam nesses dois critérios: “utilização das unidades de tratamento” e “blending em linha e em tanque”, onde os motivos de tal convergência são explicados nos parágrafos abaixo. Normalmente busca-se atender aos dois critérios. Entretanto, todos os derivados produzidos pela refinaria devem obrigatoriamente atender às especificações vigentes. Para isto, sempre se trabalha com um intervalo de confiança capaz de garantir que a produção estará enquadrada. Nesta perspectiva, por mais que se busque evitar give-away ao se fazer uma mistura, sempre há uma tendência à sobre-especificação para que se possa reduzir as possibilidades de que os derivados produzidos não se enquadrem nas especificações. (t) Enquadramento dos produtos X Atendimento ao plano de produção Estes critérios são convergentes. Esta relação é evidenciada ao se observar a convergência dos elementos que se destacam nesses dois critérios, onde os motivos de tal convergência são explicados nos parágrafos abaixo. As refinarias jamais podem atender ao plano com produtos fora de especificação. Além disto, não há qualquer conflito quanto ao cumprimento desses dois critérios. Desta forma, pode-se considerar que ambos têm mesma diretriz, caminhando juntos a um mesmo sentido. (u) Diminuir give-away X Atendimento ao plano de produção Estes critérios se correlacionam de forma variável: há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Esta relação é evidenciada ao se observar os elementos que se destacam em cada um desses dois critérios: “utilização das unidades de tratamento” e “Volume de (quais) derivados a ser produzido” (diminuir give-away e atendimento ao plano de produção), já que ambos envolvem os processamentos que levarão à produção dos produtos finais. O dilema que existe nesta situação vai envolver diretamente a relevância de cada um desses critérios dependendo do caso. Normalmente, busca-se atender aos dois. Havendo uma urgência em cumprir as entregas de produto, a questão da diminuição do give-away será posta em segundo plano, e os esforços se concentrarão em atendê-las, o que se reflete no atendimento ao plano. No entanto, se não houver esta necessidade, sempre se buscará evitar give-away. Na elaboração do Plano de Produção, já deve ter sido considerada a disponibilidade em tanque ou de correntes que possam ser misturadas para diminuir o give-away.

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4. Considerações quanto aos trade-offs que se apresentam ao programador de uma refinaria
Ao longo do artigo foi apresentada uma análise, sintetizada na tabela 1, com considerações sobre cada critério da programação de produção, e suas relações dois a dois. A classificação na tabela segue a seguinte ‘escala’ de consistência entre os critérios. Critérios são divergentes quando as diretrizes que propõem para ao menos 1 (um) elemento da decisão caminham, obrigatoriamente, em sentido contrário entre si. Isto é, na ocasião de dois critérios serem divergentes, ao cumprir-se um deles, o outro é suprimido. Critérios são convergentes quando as diretrizes que propõem para ao menos 1 (um) elemento da decisão caminham, obrigatoriamente, no mesmo sentido. Isto é, na ocasião de dois critérios serem convergentes, os dois critérios podem ser igualmente adotados e, juntos, direcionam a decisão ao seu objetivo. Critérios se correlacionam de forma variável quando há ocasiões em que eles divergem, e há ocasiões em que convergem. Diante dos dilemas a decisão sobre o que priorizar caberá ao cargo responsável pela instância. Tabela 1 - Análise cruzada dos critérios. Fonte: os autores. ATENDIMENTO
À DEMANDA

OPERAR A CARGA
MÁXIMA

EVITAR PARADAS DE UNIDADES

ENQUADRAME
NTO DOS PRODUTOS

DIMINUIR GIVE-AWAY

ATENDIMENTO
AO PLANO DE PRODUÇÃO

DESTINO ‘ADEQUADO’ DOS
PETRÓLEOS EM CAMPANHAS BLOQUEADAS

Variável

Divergente

Divergente

Independente

Divergente

Variável

ATENDIMENTO À
DEMANDA

Variável

Variável

Convergente

Variável

Variável

OPERAR A CARGA
MÁXIMA

Variável

Variável Independente

Divergente Variável Divergente

Variável Variável Convergente Variável

EVITAR PARADAS
DE UNIDADES

ENQUADRAMENT
O DOS PRODUTOS

DIMINUIR GIVEAWAY

ATENDIMENTO AO
PLANO DE PRODUÇÃO

Como pode ser observado, apenas duas combinações de critérios são sempre convergentes e não demandam uma análise e solução particular dos programadores. Observou-se da análise das refinarias estudadas que o conjunto de variáveis a ser considerado é grande, e que em muitas situações o espaço de divergência entre as orientações também é amplo. Este cenário exige do programador uma tomada de decisão complexa. Os programadores, enquanto decisores da programação de produção de suas respectivas refinarias, terão que lançar mão de padrões interpretativos (formados ao longo de sua história na refinaria, o vetor tácito ao qual este artigo se referiu anteriormente) e julgar os eventuais dilemas que possam existir entre os critérios em uma situação particular. Formulada uma proposta de programação da produção, os programadores avaliam a mesma a partir de seus quadros mentais, e decidem por seguir com aquela solução ou a buscar uma nova solução, isto é, um novo encaminhamento para os conflitos que emergem entre os critérios. Para minorar o espaço de conciliações necessárias entre as orientações que se colocam para o programador, propõe-se a seguir uma sequência padrão para a primeira composição de proposta de programação. Inicialmente, como hipótese de trabalho, coloca-se que o plano de produção ‘resolve’ as contradições no nível hierárquico anterior, e a partir de então, deve ser seguido pela programação. Neste sentido, indica-se que os ‘eventos inesperados’ sejam tratados de modo a, na média, seguir a solução gerada no planejamento. Em relação as orientações que ‘conformam’ a decisão do programador, podemos (em uma simplificação) seqüenciá-las da seguinte forma: • Enquadramento dos produtos (Posto como restrição ‘primária’, normalmente é requisito para atender à demanda.) • Atendimento à demanda (real)
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Operar a Carga máxima (Isto é, a carga definida pelo plano. Uma ‘preocupação’ desdobrada desta aparece na busca pela estabilidade operacional.) • Evitar paradas de unidades • Destino ‘adequado’ dos petróleos em campanhas bloqueadas • Diminuir give-away Dentre algumas das hipóteses de trabalho que podem ser consideradas para a Programação, há, disponíveis no mercado e não exploradas na atual pesquisa, uma gama de soluções computacionais que subsidiem a “resolução” dos dilemas discutidos acima. Assim, pode-se pensar, por exemplo, em simuladores que auxiliem o programador a testar cenários e determinar qual a solução seria obtida diante da priorização de outros critérios. •

5. Referências
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