You are on page 1of 8

IBP1175_12 AVALIAÇÃO ACUSTOELÁSTICA DE TUBO OCTG DO TIPO CASING API 5CT N80Q COM SOLDA 1 Manoel A. C.

Fonseca , Marcelo S. Q. Bittencourt 2, João C. P. Filho3

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Este trabalho apresenta uma avaliação acustoelástica realizada em um tubo OCTG API 5CT Grau N80Q do tipo Casing, soldado com o processo Electric Resistance Welding (ERW), utilizado na prospecção e exploração de petróleo e gás. A técnica ultrassônica da birrefringência acústica foi usada para avaliar os comportamentos acustoelásticos da chapa da aço T-380 da CSN, que deu origem ao tubo em estudo, e do próprio tubo antes da etapa de tratamento térmico de têmpera/revenido e após a etapa de desempeno a quente. Foi verificada uma redução do nível de anisotropia acústica após as duas etapas de fabricação, mostrando a eficácia do tratamento térmico de têmpera/revenido e do desempeno a quente. Além disso, foi extraído um corpo-de-prova do tubo após a etapa de desempeno, contendo ao centro a área de inspeção circunferencial em avaliação, o qual foi submetido a uma operação de corte por fresamento ao longo da solda. Devido à abertura do corpo-de-prova após o corte, ficou constatado que a tensão residual circunferencial existente no tubo sem corte era trativa. Foi realizada uma comparação entre o estado acustoelástico do tubo após a etapa de fabricação de desempeno a quente e depois da operação de corte por fresa, constatando uma redução de 63% do nível de anisotropia acústica após a confecção do rasgo.

Abstract
This paper presents an acoustoelastic evaluation of an OCTG API 5CT N80Q casing pipe welded by the ERW/HFIW process, which is used in oil and gas exploration and exploitation. The ultrasonic technique of acoustic birefringence was employed to evaluate the acoustoelastic behavior of the T-380 CSN steel plate used to manufacture the pipe under study, and the acoustoelastic behavior of the pipe itself before subjected to the heat treatment of quench tempering and after subjected to hot straightening. It was observed a reduction in the level of anisotropy after these two manufacturing steps, what shows the efficacy of the heat treatment of quench tempering and hot straightening. After the hot straightening step, a test specimen was extracted from the pipe containing at its center the circumferential area of inspection under evaluation, which was subjected to a milling cutting operation along the weld. The opening of specimen after cutting indicated that the residual circumferential stress in the pipe was tensile. A comparison between the acoustoelastic states of the pipe after the hot straightening and the cutting operations indicated a 63% reduction in the level of anisotropy after the latter operation.

1. Introdução
A avaliação de tensões residuais é importante porque não é possível prever com precisão e confiança a vida remanescente em serviço de componentes sem contabilizar a presença das tensões residuais. Níveis modestos de tensões residuais, na ordem de 10 a 20% do limite de escoamento, podem aumentar ou diminuir significativamente a vida remanescente em serviço de componentes dependendo se as tensões residuais são adicionadas ou subtraídas às tensões de serviço. A avaliação não destrutiva de tensões residuais em componentes sujeitos a fratura crítica é uma das oportunidades

______________________________ 1 M.Sc., Engenheiro Mecânico – CNEN 2 D.Sc., Engenheiro Metalúrgico – CNEN 3 Dr.-Ing., Engenheiro Metalúrgico – COPPE/UFRJ

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 mais promissoras assim como um dos desafios mais difíceis que a comunidade de NDE se defronta hoje, Thompson e Chimenti (2006). Com o intuito de evitar danos ambientais e a vidas humanas, decorrentes de acidentes por colapso de suas tubulações nas redes de distribuição, condução, prospecção e produção de gás, petróleo e seus derivados o setor petrolífero tem se preocupado sobremaneira com a integridade estrutural desses componentes investindo em novas tecnologias para avaliação de tensão nesses materiais. Dessa forma, técnicas ultrassônicas de medidas de tensão vêm sendo desenvolvidas para essas aplicações. A técnica de medida de tensões por ultrassom se baseia no fenômeno conhecido como acustoelasticidade. Quando uma onda ultrassônica se move numa determinada direção em um meio elástico, a sua velocidade de propagação depende, fundamentalmente, das constantes elásticas de segunda ordem do meio e, portanto, da sua simetria estrutural. A presença de um estado de tensões elásticas produz pequenas mudanças nesta velocidade de propagação (fenômeno acustoelástico), sendo que, agora, a velocidade de propagação da onda ultrassônica depende também das constantes elásticas de terceira ordem. Consequentemente é possível avaliar o estado de tensões da região percorrida pela onda ultrassônica medindo a sua velocidade de propagação, Bittencourt et al. (2006). A birrefringência acústica relaciona a diferença relativa entre os tempos de percurso de duas ondas ultrassônicas cisalhantes com direções de polarização ortogonais entre si, que se propagam em um mesmo volume de material e é dada pela equação abaixo. A birrefringência acústica indica o grau de anisotropia do material, assim, se B = 0 significa que o material é isotrópico e, portanto, não está submetido a qualquer estado de tensão.

B=

tl − tt tl + tt 2

(1)

onde tl e tt são os tempos de percurso da onda ultrassônica cisalhante com as direções de polarização alinhadas em duas direções ortogonais, Ortega et al. (2011). Nesse trabalho as direções de polarização foram alinhadas com a direção longitudinal e transversal a direção de laminação do material. Uma onda ultrassônica cisalhante incidindo perpendicularmente a um material acusticamente isotrópico, quando propagada em um mesmo volume do material, polarizada em duas direções ortogonais tem essas velocidades de propagação nas duas direções iguais. Porém, quando este material é submetido a uma tensão torna-se acusticamente anisotrópico e essas velocidades tornam-se diferentes. Não só a tensão confere a um material um comportamento acusticamente anisotrópico, condições microestruturais como, por exemplo, a textura produz esse mesmo efeito da tensão. O uso da técnica ultrassônica da birrefringência acústica na área de avaliação do nível de tensões nessas tubulações é de fundamental importância. Para que isso seja possível é necessária a determinação de um parâmetro do material, sua constante acustoelástica, que representa o comportamento das diversas constantes elásticas do material em inspeção, pelo efeito da tensão. A relação da birrefringência acústica e a tensão, quando os eixos de tensão e de simetria são coincidentes, é dada pela equação a seguir:

B = B 0 + A (σ i − σ j )

(2)

onde B é a birrefringência acústica induzida pelo estado de tensão e por outros fatores que causam anisotropia no material, como por exemplo, deformação plástica e fatores microestruturais, B0 é a birrefringência inicial, ou seja, na situação em que o material não sofreu ainda o efeito da tensão, A é a constante acustoelástica do material e σi e σj são as tensões principais. A constante acustoelástica representa o comportamento das diversas constantes acustoelásticas do material pelo efeito da tensão. Ela, como se observa, é fator determinante para a obtenção de tensões pela técnica ultrassônica da birrefringência acústica, Ortega et al. (2011). Para atender as funções de prospecção, extração, transporte e distribuição, são produzidos tubos com ou sem solda, com as composições químicas e propriedades mecânicas exigidas, tolerâncias dimensionais, atendendo normas rígidas como da American Petroleum Institute (API) e da International Organization for Standardization (ISO), visando a especificação do produto final com segurança de uso, Freitas (2007). Os tubos de aço com solda podem ser produzidos com solda longitudinal pelos processos Electric Resistance Welding (ERW) a partir de bobinas laminadas e Submerse Arc Welding (SAW) a partir de chapas laminadas, e com solda helicoidal a partir de bobinas laminadas, Telles (2001). Os tubos OCTG (Oil Country Tubular Goods) podem ser classificados em tubos de perfuração (Drilling), de revestimento (Casing) e de produção (Tubing), Freitas (2007). 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Um tubo OCTG do tipo Casing API 5CT Grau N80Q, soldado com o processo ERW, em sua linha da fabricação passa pelas etapas de tratamento térmico de têmpera/revenido e de desempeno a quente, etapas essas que são determinantes para obtenção do material nas especificações exigidas. Observe que os processos metalúrgicos envolvidos é que dão origem ao material especificado alterando suas propriedades mecânicas, elevando a resistência mecânica do material e sua resistência ao colapso. Nesse trabalho foi realizada uma avaliação acustoelástica em um tubo deste tipo e grau, na linha de fabricação, antes do tratamento térmico de tempera/revenido e após o desempeno a quente, visando estudar os efeitos dessas etapas de fabricação com o objetivo de gerar conhecimento para possibilitar o uso da técnica ultrassônica da birrefringência acústica para avaliação de tensões nessas tubulações.

2. Metodologia
A metodologia de captura do sinal ultrassônico aplicada neste estudo foi a contínua onde o transdutor é mantido acoplado na peça em inspeção com a onda ultrassônica polarizada na direção longitudinal (paralela à direção de laminação), capturando a quantidade de sinais ultrassônicos previamente estabelecida para o estudo. A seguir, o transdutor ultrassônico era girado e posicionado a 900 no mesmo ponto anteriormente inspecionado, e feita a captura dos sinais ultrassônicos agora na direção transversal (ortogonal a direção de laminação), até obter a mesma quantidade de sinais. O transdutor ultrassônico de onda cisalhante Panametrics usado tinha um diâmetro de 12,7 mm e a frequência de 2,25 MHz. Os sinais foram capturados pelo osciloscópio Tektronix modelo 3032B, e transferidos para o notebook pelo programa WaveStar, da Tektronix. Estes sinais em seguida foram processados pelo programa CHRONOS desenvolvido pelo Instituto de Engenharia Nuclear, Bittencourt et al. (2003), gerando os tempos reais de percurso da onda ultrassônica pela espessura do tubo nas duas direções. Com a média dos tempos de percurso da onda em cada direção foi calculada a birrefringência acústica de cada ponto de inspeção, de acordo com a equação 1. Inicialmente da bobina de aço T-380 da CSN usada na fabricação do tubo em estudo, foi extraída uma chapa com 270 x 220 x 8,05 mm, denominada corpo-de-prova número um (CP-1), no qual foram marcados e numerados trinta pontos de inspeção para realização de uma inspeção ultrassônica visando a determinação da birrefringência inicial do material (BMAT). Em cada ponto inspecionado foi calculada a média do tempo de percurso da onda ultrassônica em cada direção e obtido um valor de birrefringência acústica. A seguir foi obtido o valor de BMAT pela média dos valores de birrefringência acústica encontrados nos trinta pontos de inspeção. O tubo OCTG do tipo Casing API 5CT Grau N80Q, com solda, avaliado no estudo, tinha a espessura de 8,05 mm, o diâmetro de 178 mm e o comprimento de 12.000 mm. Para a sua avaliação foram marcados e identificados cinco pontos (12H+, 3H, 6H, 9H e 12H-) na região de inspeção situada a 600 mm de uma das extremidades, conforme Figura 1, antes da etapa de tratamento térmico de tempera/revenido.

Figura 1 - Desenho esquemático do tubo em estudo contendo a região de inspeção com seus cinco pontos de avaliação Após a realização das marcações e identificações, foi iniciada a primeira fase de inspeção ultrassônica na linha de fabricação obedecendo à sequência de inspeção nos pontos 12H+, 3H, 6H, 9H e 12H-, contidos na região selecionada para estudo. Em cada ponto inspecionado foram capturados sequencialmente cinco sinais ultrassônicos com a direção de polarização da onda ultrassônica na direção longitudinal (paralela à de laminação e ao comprimento do tubo), e a seguir, cinco sinais com a direção de polarização da onda na direção transversal. Todos os sinais ultrassônicos capturados foram transferidos para um notebook e ao término da inspeção foram processados. O valor da birrefringência pontual foi determinado empregando a equação 1. 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Ao término da primeira fase de inspeção na linha de fabricação, o tubo foi marcado com uma faixa circunferencial branca, de aproximadamente 250 mm de largura, pintada nas suas extremidades com tinta automotiva na cor branca. Este procedimento foi feito para facilitar o acompanhamento e a retirada do tubo após sua passagem pelas etapas de fabricação de tratamento térmico de têmpera/revenido e, de desempeno a quente. O tubo retornou à linha de fabricação passando por essas duas etapas. Logo em seguida, o tubo foi retirado para resfriamento e posterior inspeção. Ao alcançar a temperatura ambiente, os cinco pontos (12H+, 3H, 6H, 9H e 12H-) foram novamente inspecionados e os sinais ultrassônicos capturados e processados, sendo determinado o valor da birrefringência em cada ponto novamente. Ao final dessas etapas de inspeção, foi extraído do tubo um corpo-de-prova com 400 mm de comprimento como ilustrado na Figura 2, contendo ao centro a região circunferencial de inspeção com seus cinco pontos. Em seguida, neste corpo-de-prova foi realizado um corte ao longo do comprimento da solda por uma fresa de topo com 6 mm de diâmetro, e foram medidos os tempos de percurso da onda ultrassônica e obtidos os valores das birrefringências acústicas nos mesmos pontos anteriormente avaliados (tubo sem corte).

Figura 2 – Localização da região do corpo-de-prova extraído do tubo em avaliação no desenho

3. Resultados e discussões
Foi realizada uma avaliação acustoelástica num corpo-de-prova plano (CP-1) extraído da bobina de aço usada na fabricação do tubo em estudo, visando a determinação do estado inicial do material da bobina (BMAT). No CP-1 foram marcados e identificados trinta pontos para a realização da inspeção ultrassônica. A Figura 3 ilustra o ensaio sendo realizado nas instalações do Laboratório de Ultrassom do Instituto de Engenharia Nuclear (LABUS/IEN).

Figura 3 – Corpo-de-prova CP-1 retirado da bobina de aço no momento em que o ponto 8 está sendo inspecionado ultrassonicamente Ao todo foram armazenados trezentos sinais nas duas direções de polarização da onda. Estes sinais foram processados pelo programa CHRONOS e obtidos os respectivos tempos de percurso da onda ultrassônica. Com os tempos 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 de percurso da onda em cada ponto de inspeção foram determinados os valores médios em cada direção de polarização e em seguida a birrefringência pontual. De posse das birrefringências nos trinta pontos inspecionados, foi determinado o valor médio de –7,807E-04 para a birrefringência acústica do material da bobina (BMAT). Na linha de fabricação do tubo, os cinco pontos marcados e identificados na região de inspeção circunferencial do tubo foram inspecionados antes da etapa de tratamento térmico de tempera/revenido onde foi respeitada em todos os ensaios realizados a sequência de inspeção nos pontos 12H+, 3H, 6H, 9H e 12H-, contidos na região selecionada e marcada para inspeção. Seguindo a rotina de ensaio, cada sinal ultrassônico era capturado pelo osciloscópio em sua tela e logo em seguida transferido para o notebook pelo programa WaveStar. Foram gerados dez sinais em cada ponto de inspeção (cinco em cada direção de polarização da onda), dando um total de cinquenta sinais em cada região selecionada para estudo. Todos os sinais ultrassônicos foram processados pelo programa CHRONOS, gerando os tempos de percurso da onda ultrassônica em cada direção pela espessura do tubo. Os tempos de percurso e o respectivo valor da birrefringência acústica se encontram na Tabela 1 a seguir. Tabela 1 - Resultados da primeira inspeção na linha de fabricação da indústria

ENSAIO ULTRASSÔNICO: TUBO – AT PONTOS 12H+ 3H 6H 9H 12HMÉDIA TEMPO DE PERCURSO DA ONDA (s) LONGITUDINAL TRANSVERSAL 5,047E-06 5,058E-06 5,016E-06 5,028E-06 5,010E-06 5,018E-06 5,010E-06 5,021E-06 5,028E-06 5,032E-06 5,022E-06 5,031E-06 BIRREFRINGÊNCIA -2,108E-03 -2,399E-03 -1,665E-03 -2,263E-03 -7,455E-04 -1,836E-03

Após a primeira inspeção, o tubo retornou a linha de fabricação e passou pelas etapas de tratamento térmico e de desempeno a quente. Logo em seguida, o tubo foi retirado para resfriamento e posterior inspeção. Ao alcançar a temperatura ambiente, os cinco pontos foram novamente inspecionados e os sinais ultrassônicos capturados e processados. Com os valores dos tempos foi determinado o valor da birrefringência pontual e suas médias, como podem ser vistos na Tabela 2. Tabela 2 - Resultados da segunda inspeção na linha de fabricação da indústria

ENSAIO ULTRASSÔNICO: TUBO - DD PONTOS 12H+ 3H 6H 9H 12HMÉDIA TEMPO DE PERCURSO DA ONDA (s) LONGITUDINAL TRANSVERSAL 4,967E-06 4,975E-06 4,938E-06 4,944E-06 4,932E-06 4,938E-06 4,944E-06 4,950E-06 4,980E-06 4,984E-06 4,952E-06 4,958E-06 BIRREFRINGÊNCIA -1,609E-03 -1,214E-03 -1,216E-03 -1,213E-03 -8,731E-04 -1,225E-03

A Figura 4 a seguir mostra um gráfico contendo as duas curvas de tendência formadas pelos valores das birrefringências determinados nos cinco pontos de inspeção do tubo (TB) antes do tratamento térmico de tempera/revenido (TB-AT) e após o desempeno a quente (TB-DD), bem como uma reta indicando o valor da birrefringência do material da bobina (BMAT = -7,807E-04).

5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Figura 4 – Variação de B nos cinco pontos de inspeção no tubo na condição Antes do Tratamento Térmico (TB-AT) e Depois do Desempeno (TB-DD) Observe que após a conformação do tubo (TB-AT), os pontos examinados apresentam sua anisotropia alterada. Isso se deve as alterações ocorridas em decorrência da deformação mecânica imposta ao material bem como as tensões internas resultantes do processo de fabricação do tubo. Repare ainda que é sensível a variação anisotrópica ocorrida após o tubo passar pelas etapas de tratamento térmico de têmpera/revenido e de desempeno a quente (TB-DD). Essa curva de tendência, obtida com os cinco pontos de inspeção após o tubo passar pelas etapas de tratamento térmico e de desempeno (TB-DD), mostra uma redução da anisotropia média existente no tubo (-1,225E-03) da ordem de 33% em relação à birrefringência média existente antes dessas etapas (-1,836E-03), e uma aproximação do valor de BMAT (-7,807E-04) obtido no CP-1 extraído da bobina de aço. Isso mostra a eficiência dessas duas etapas de fabricação em estudo, pois além de proporcionarem uma elevação na resistência do tubo (limite de escoamento passa de 55 Ksi passa para 80 Ksi), reduzem ainda a anisotropia média existente no mesmo, distribuindo-a de maneira mais homogênea circunferencialmente ao tubo. Em seguida foi extraído do tubo um corpo-de-prova contendo ao centro a região de inspeção e seus pontos, conforme a Figura 2. Então foi realizada uma operação de corte por fresa ao longo da solda, visando eliminar as tensões geradas no processo de fabricação do tubo. Devido à abertura do corpo-de-prova após o corte, ficou constatado que a tensão residual circunferencial existente no tubo sem corte era trativa. Logo a seguir, foi realizada uma nova avaliação ultrassônica nos cinco pontos deste corpo-de-prova já inspecionados nas outras etapas, e verificado pela anisotropia encontrada, o seu comportamento. A Tabela 3 mostra a relação dos pontos de inspeção com os respectivos tempos médios de percurso da onda ultrassônica, nas duas direções de polarização, o valor das birrefringências acústicas calculadas para cada par de tempos, e na última linha, a média geral encontrada no tubo (corpo-de-prova) agora com o rasgo já usinado.

6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Tabela 3 – Resultados dos pontos em inspeção do tubo com rasgo (TB-DDA)

ENSAIO ULTRASSÔNICO: TUBO - DDA PONTOS 12H+ 3H 6H 9H 12HMÉDIA TEMPO DE PERCURSO DA ONDA (s) LONGITUDINAL TRANSVERSAL 4,975E-06 4,981E-06 4,950E-06 4,950E-06 4,940E-06 4,944E-06 4,950E-06 4,950E-06 4,986E-06 4,988E-06 4,960E-06 4,962E-06 BIRREFRINGÊNCIA -1,266E-03 -1,010E-05 -6,273E-04 -1,010E-05 -3,509E-04 -4,528E-04

De posse dos valores de B nos pontos em inspeção do tubo com rasgo, foi confeccionado um gráfico (Figura 5) apresentando a variação das duas curvas de tendência obtidas pelos cinco pontos inspecionados nas fases do tubo como depois do desempeno a quente (TB-DD) e depois do desempeno a quente e aberto (TB-DDA).

Figura 5 – Variação de B nos cinco pontos de inspeção do tubo Depois do Desempeno (TB-DD) e Depois do Desempeno e Aberto (TB-DDA) Comparando a curva de tendência formada pelos cinco pontos de inspeção depois do tubo passar pelas etapas de tratamento térmico e de desempeno (TB-DD) com a curva de tendência do tubo com rasgo (TB-DDA), é observada uma redução do grau de anisotropia acústica em todos os pontos de inspeção (12H+, 3H, 6H, 9H e 12H-). Os pontos 3H e 9H apresentaram um valor para B de -1,01E-05, muito próximo de zero, significando que nestes pontos o material tende a ser isotrópico (tensão aproximadamente igual à zero). O BMÉDIO do tubo após a etapa de desempeno a quente que era de 1,225E-03, depois do corte passou para -4,529E-04 mostrando uma redução de 63% do nível de anisotropia acústica. Essa redução mostra que a variação da birrefringência acústica ocorrida em cada ponto após o corte do tubo está relacionada à tensão residual pontual existente que foi aliviada pela operação de corte, devido à abertura do tubo. Quanto aos valores medidos de tensão residual circunferencial existente no tubo, estes podem ser calculados empregando a equação 2, usando os elementos necessários (B, B0 e A). Este assunto será apresentado e discutido em trabalho futuro, onde serão mostrados os resultados obtidos que confirmam a possibilidade do uso dessa técnica de avaliação de tensões em tubulações. Além disso, serão divulgados também os dados necessários para o levantamento da constante acustoelástica do material (A), de modo a permitir o emprego da equação acima citada para o cálculo da tensão residual existente. 7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

4. Conclusões
• • • A birrefringência do material da bobina (BMAT) aumentou pelo efeito de conformação do tubo; Após as etapas de tratamento térmico de tempera/revenido e de desempeno a quente a birrefringência acústica do tubo tende a se aproximar dos valores da birrefringência do material da bobina (BMAT); Foi verificado que havia no tubo uma tensão residual circunferencial trativa decorrente do processo de fabricação.

5. Agradecimentos
A empresa Apolo Tubulars pelo apoio e parceria e, por acreditar e incentivar a pesquisa científica e tecnológica cedendo material, pessoal e instalações laboratoriais e de fabricação para a realização deste trabalho.

6. Referências
THOMPSON, D. O., CHIMENTI, D. E. Review of Quantitative Nondestructive Evaluation. American Institute of Physics, v. 25, 2006. BITTENCOURT, M.S.Q., FONSECA, M.A.C., LAMY, C.A., OLIVEIRA, C.H.F. Estudo acustoelástico de tubos API5L-X70 com costura. In: RIO OIL & GAS 2006 EXPO AND CONFERENCE, IBP 1791_06, Rio de Janeiro, Brasil, 2006. ORTEGA, L. P. C., LAMY, C. A., BITTENCOURT, et al. Introdução à Avaliação de Tensões por Ultrassom, Editora Virtual Científica, 1a Edição, Rio de Janeiro, 2011. FREITAS, J.J. Validação de uma metodologia de ensaio de resistência ao cisalhamento para avaliação da aderência de interfaces revestimento metálico-bainha de cimento aplicada a poços de petróleo. Dissertação de Mestrado, UFRN, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, 2007. TELLES, P.C.S. Tubulações industriais: materiais, projeto e desenho, LTC Livros Técnicos e Científicos Editora S.A., Reimpressão 2008, 10ª Edição, Rio de Janeiro, Brasil, 2001. BITTENCOURT, M.S.Q., PINHEIRO, M.A.A.,LAMY, C.A., PAYÃO, J.C. Medida de tempo de percurso da onda ultrasônica para avaliação de tensões. In: III Conferência Pan-Americana de Ensaios Não Destrutivos (PANNDT), Rio de Janeiro, Brasil, 2003.

8