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GLAUCO BARBOSA HOFFMAN KAIZER

RELIGIÃO E REVELAÇÃO EM TROELTSCH

Trabalho acadêmico apresentado ao Profa. Maria Clara Lucheti Bingemer, da disciplina de Questões Especiais sobre Deus, como exigência parcial para a conclusão da Pós Graduação em Teologia na Pontifícia Universidade Católica – Rio de Janeiro.

Rio de Janeiro — Dezembro/2009

que temos o desafio de dizer um discurso sobre Deus na pósmodernidade. precisamente do capítulo “Revelación y Religión”. cônscio dessas limitações. antropólogos e etc. Como também de catalogar respostas do referido autor às argumentações de Troelsch em face do tema em questão. suscitando. dentre os quais nos fixaremos na resposta de Ernest Troeltsch. tais como: Karl Barth e sua teologia dialética. a partir do advento da modernidade. . de Joseph Moingt. reações entre os teólogos. Rudolf Bultmann e sua teologia existencial ou hermenêutica entre outros. com maior importância sobre a nossa. sob a perspectiva da compreensão das tensões em torno do tema da Revelação. que nossa incursão sobre tema deixará ainda muitas perguntas sobre sua amplitude da teológica em face da nova configuração oferecida pela modernidade. portanto. Reconhecemos. fenomenólogos. Enfim. oferecemos este trabalho como um aperitivo dos grandes embates ensejados por esse tema tão caro e fundamental para o cristianismo de todas as épocas. a serem especulado por sociólogos. nossa atenção. Para tanto iniciaremos nossa breve caminhada pela importância do tema da religião/revelação e como estes passaram. colhida do livro “Dios que viene ao hombre”. Ernst Peter Wilhelm Troeltsch. como também deixará de fora outras reações que mereceriam. de chofre.Introdução Este trabalho tem a modesta intenção de apresentar o tema da Revelação sob a perspectiva do teólogo. filósofo e sociólogo..

Portanto. Portanto. p. 1995. de único. em específico. pelo menos daquela parte que adota a conceituação acima citada. de exclusivo. Contudo. e filósofos ou historiadores do fenômeno religioso.259. de ser estudado em sua modalidade religiosa. Disso resultou que a reinvidicação do cristianismo no tocante a intervenção histórica da divindade como acontecimento particular fora sensivelmente relativizada. sobretudo. catalogando o cristianismo como qualquer outra religião. Inevitavelmente houve a reação dos teólogos. São Paulo: Paulus.2007: p. Com efeito. tal conceito serve para designar o que ela entende como seu fundamento divino. com efeito. A partir do iluminismo o exame crítico das religiões e. Salamanca. ediciones sígueme .21. uma vez que a preocupação recai sobre o ponto de vista fenomenológico. é o aspecto morfológico do sagrado presente em várias religiões. a 1 MOINGT. O que se busca estudar. fenomenólogos. enquanto que no cristianismo. um conflito é deflagrado à medida que a ciência das religiões foi desenvolvendo-se. a psicologia. a sociologia. para expressar o sentimento do sagrado e do divino observado nas religiões. A revelação de Deus na realização humana. o que ela possui. Dá-se então o uso universal do termo revelação. 2 QUEIRUGA. Pretender perfilar este fenômeno mediante a fisiologia. preludiada na história do povo judeu e consignada nos livros do Antigo e do Novo Testamento. o uso transparece evidente particularismo.Uma nova leitura do Cristianismo Não podemos iniciar esse trabalho sem dar conta da importância daquilo que se compreende. como conceito de Revelação. na teologia cristã. Segundo Mircéa Eliade um fenômeno religioso não se revelará a nós como tal mais que a condição de ser apreendido em sua modalidade própria. operando-se dessa forma a exclusão do tema da transcendência. o termo “revelação” ganha novas significações que extrapolam o universo confessional. ou seja. extraído do capítulo que enseja este trabalho. Sua verdade que tem seu cume na existência histórica de Jesus de Nazaré. a palavra “revelação” é usada por sociólogos. . Negando-lhe qualquer tratamento diferenciado. a verdadeira. a única manifestação de Deus na história1. André Torres. Joseph. o contato com elas foram abrindo novas perspectivas2. Dios que viene al hombre.

op. Joseph. da automanifestação de Deus4.. Reconhece que a complexidade das religiões é condensada também a partir do agir humano e que a divisão de diferentes disciplinas. sendo aquela a comunicação em palavras de um segredo oculto. 4 MOIGNT. a lingüística. mesmo em face de sua defesa à supremacia do cristianismo no plano da religião.261 . e esta a exteriorização – a aparição do divino em signos visíveis . embora sem identificá-la absolutamente a pessoa de Jesus e com a revelação que se deu nele. Houve. seu caráter sagrado3. p. alguns teólogos continuaram a defender a posição tradicional da igreja. conferiram ao cristianismo o caráter de revelação perfeita. uma vez que o sentimento de uma revelação.economia. habitualmente. Mas também houve aqueles que se ocuparam em vinculá-la a condição natural e mesmo a história universal da humanidade. no sentido de uma automanifestação de Deus. é deixar escapar o que precisamente há nele de único e irredutível. da vinda de Deus desde fora até a interioridade de sua presença. esse esquema diz respeito tanto ao cristianismo quanto a outras religiões. Contudo. negando ao cristianismo o caráter de uma revelação particular. Madri: Edições Cristandad. 1981. nos oferece avanços na compreensão do mesmo. Tratado de história de las religiones. ou seja. cit. Tomando essa relação em linhas gerais. Por outro lado. várias posições entre os teólogos.Moingt deixa clara a relação de complementaridade que existe quando afirma que a revelação vem acompanhada.. aceitaram alguns pontos desse novo modo de encarar o tema da revelação. em vista da investigação científica do fenômeno religioso. ou seja. a singularidade da revelação cristã. não obstante identificá-la como um momento a parte nessa história universal – revelação categórica. p. ressaltando sua heterogeneidade e exclusivismo. parece inscrito nos 3 ELIADE. portanto. Alguns. Distinguindo revelação de manifestação. 17. é traí-lo. a arte. Mircea. ele adverte quanto a incapacidade dessas diferenciações disciplinares em dar conta daquilo que está como fundamento mesmo da religião: a experiência do sagrado que abarca o humano como um todo. Mircea não nega a importância dessas leituras.

os alicerces mais profundos. como 5 6 Ibid. no entanto. naturais e filosóficas. há algum tipo de comunidade fundamental. uma vez que está se experimenta como a automanifestação de Deus. passa a ser considera em relação com a cultura e a sociedade.. o culto. ou seja. expressa e vivida através de símbolos sagrados. por mais que seja difícil e delicado defini-la6. tornando-se dependente das ciências sociológicas e historiográficas. milagres e profecias.são profundamente afetados e postos em questão diante da necessidade de novas explicações que dessem conta do momento vivido. Com efeito. Mas é ao longo do século XIX que vão ocorrer importantes mudanças epistemológicas na teoria da religião. a oração. ou seja.mais profundo e no mais original da crença religiosa. que interage e está relacionado com seu tempo histórico. situado no tempo e no espaço. Verdades teológicas não mais fazem frente à realidade e suas leis naturais. QUEIRUGA. Deflagra-se um confronto entre a teologia e essas novas ciências.5 Com efeito. ressaltando seu aspecto fenomênico. por meio dos quais a experiência cristã havia sido plasmada – o paradigma précientífico . a despeito de seu profundo espírito investigativo. ser estudadas deste mesmo ponto. a crítica da razão se generaliza em torno de 1700. prévias às diferenças e às especificidades. os adivinhos. não se trata de nivelar tudo. invocados pelo cristianismo. E começando pelos símbolos sobrenaturais. Com o enfraquecimento da influência da religião sobre o espírito humano e com reinvidicação da autonomia da razão. Suas doutrinas e práticas devem. Op. uma vez que a teologia se vê invadida por esses métodos investigativos. André Torres. tendo em conta de que toda crença é uma resposta à automanifestação do divino. são sinais de que há uma idéia de revelação prévia em qualquer prática religiosa. os símbolos religiosos pelos quais se comunica com o divino. No lugar de ser estudada em sua interioridade e em sua relação com uma racionalidade como expressão de uma transcendência.p. os sacerdotes. portanto. de uma razão irreligiosa. desenvolvida em nome das ciências históricas. Todavia.Cit.21 . surge uma nova maneira de estudar o cristianismo. Não se trata. a religião como resultado de um fenômeno social. mas de conhecer que. atingindo também a idéia de revelação.

Paulus. que possui seus homólogos em outras religiões. ficou fascinado pelas arrebatadoras preleções de Heinrich von Treitschke. Como então salvar o dogma cristológico. Dessa maneira se põe a prova o caráter absoluto de Jesus Cristo em função dos valores da religião que criou.M. p. Berlim e Göttingen. como tantos outros.cit. pela qual passa o cristianismo. 7 8 MOINGT. André Torres. É nesse momento que se multiplicam as investigações exegéticas e históricas sobre os escritos. diante das leituras sociais e históricas? É nessa turbulência. . o controvertido sucessor de Ranke. Em vista disso. São Paulo. 20. no tocante a sua adaptação à modernidade7 e de sua pertinência e contribuição para o devir da sociedade da qual faça parte. as tradições neo-testamentárias e sobre a origem do cristianismo. Revelação de Deus na Revelação Humana. o cristianismo passa a ser investigado como qualquer outro fenômeno cultural em face de suas possibilidades para o futuro.263. Suas doutrinas. ponto fundamental e decisivo para a religião cristã. Até mesmo a figura de Jesus é comparada com o simples fundador de uma religião. Ernst Peter Wilhelm Troeltsch nasceu em Augsburg. Edsmann.p. Como era comum naquela época. à civilização histórica e à construção de um mundo melhor. 1995.também acusada de que seus métodos são dogmáticos e não científicos. crenças e práticas deixam de ser aceitas como testemunho interno e sobrenatural e passam a ser investigadas a partir do ponto de vista de sua objetividade cientifica. Citado por QUEIRUGA. Em Berlim. que surgem as reflexões de Ernst Troeltsch.Troeltsch A revelação pertence à auto-compreensão de toda religião. Desde do ponto de vista da evolução do fenômeno humano. ou seja. realizou-os em três diferentes universidades: Erlangen. o que ele pode oferecer através de sua missão e de sua pretensão a universalidade. op. A revelação na história das religiões . no dia 17 de fevereiro de 1865. Com 19 anos inicia seus estudos teológicos. C. que sempre considera a si mesma como criação divina e não meramente humana8.

com a finalidade de garantir ao cristianismo um caráter singular da revelação de Deus. Sérgio. como uma intervenção de Deus direto na história. que segue se desenvolvendo através de todas a religiões e que chega ao seu termo na religião cristã. Título: Ernst Troeltsch e a história: uma introdução.br/c. Bem. Acessado em 08. No entanto. sua abordagem a respeito do tema da revelação se configura na análise da relação de valor que a revelação cristã mantém com outras revelações de Deus presentes em outras religiões. 9 Artigo de DA MATTA. como também dos diversos sentidos que essa palavra pode receber. Troeltsch também é decisivamente contrário a tentativa de isentar o cristianismo da investigação das ciências históricas. Com efeito. em face da origem da religião ser entendida em termos de revelação do divino que se dá a conhecer. como também ao apelo de fatos milagrosos . resultado do despertamento e desenvolvimento da consicência religiosa na história da humanidade. o ponto básico da afirmação de Troeltsch é a impossibilidade de uma revelação a priori senão apenas do ponto de vista subjetivo.2009 em <www.poder sobrenatural . nas religiões históricas. Revista Eletrônica Locus.locus. aspectos que marcariam toda sua vida e obra9.2§-266 Através dessa relação de valor .ufjf. Troeltsch a emprega em sentido positivo. indicando o cristianismo como o momento mais intenso e pontual da religião personalista.Chegou a escrever a seu amigo Wilhelm Bousset que “apenas por sua [de Treitschke] causa vale a pena ir a Berlim”. Este dado de sua biografia intelectual revelava já um perfil político conservador e o forte interesse pela história. isto é. salvaguardando sua posição acima das demais. Tributário de seu contexto sócio-cultural.método comparativo 10 Troeltsch deseja explicar a revelação e o fato religioso como a invocação do nome de Deus no coração daquele que crê. Entende que Deus pode revelar-se na religião. que atingiu seu vértice na religião dos profetas de Israel e na pessoa de Jesus.12. como a profundidade divina no espírito humano. 265. afirmando o caráter primitivo da crença em Deus.php? c=baixar_artigo&arq=Mjk%3D> 10 Uma das questões importantes da historiografia tradicional era a sua preocupação com as origens das instituições e das crenças da humanidade. Buscar a origem da religião era um anseio dos partidários evolucionistas do método comparativo - . mas compreende essa revelação de maneira deísta.

fica claro que não há comunhão com Deus para além da comunidade cristã em seu conjunto. o leitor não é capaz de lidar com a natureza dos fatos que ora lê.do pensar histórico. de um ponto único da comunicação de Deus na história. De acordo com o postulado moderno. E não é diferente com o fato religioso. torna-se inevitável a rejeição de uma singularidade histórica por parte deste.diante da necessidade de uma justificativa racional do cristianismo. enquanto Absoluto. os mensageiros que tem a responsabilidade de comunicar uma mensagem celeste. Com isso. sob diversos argumentos: • 267. Até mesmo essas narrativas não são a fixação do fato bruto em si. E sendo Deus o absoluto e não um fenômeno desencadeado na história. 266. até mesmo a pessoa de Jesus ou a primeira comunidade cristã. torna-se impossível para Troeltsch acreditar na revelação como um fato particular e restrito apenas a tradição cristã. que é o de creditar autoridade divina aos mensageiros. Na verdade.1§ Para ele a história da religião é história da revelação. apenas. Os fatos religiosos. quando qualquer declaração a partir de um ponto determinado da história nega-se ao controle das ciências históricas. • Quando se reserva a essa singularidade histórica da revelação de Deus. mas interpretação que a comunidade assume - . • • O argumento do milagre se torna ofensivo às leis naturais. através da crítica histórica e literária desses textos. obedecem a um mesmo esquema narrativo. Dessa maneira Troeltsch defende e justifica a validez do cristianismo no movimento da história da religião. querer determiná-lo num ponto determinado da história. portanto. perde-se. que progressivamente vai acontecendo. a idéia de uma revelação particular. sendo possível. devem ser renunciados como ponto único na história.§ . Nessas narrativas o acento dado a capacidade de realizar feitos que escapam a esfera do natural tem a finalidade de forçar o consentimento daquele que lê. toda crédito racional. É contra a natureza de Deus. para Troeltsch. a respeito da origem divina do mensageiro. fica claro que não há.

uma vez que 11 12 13 14 MOINGT. . devemos distinguir entre a ordem da fé e a ordem do saber.cit. sendo o este caminho oferecido como acesso para tal compreensão. Portanto. Deus não é conhecido em si mesmo. Curso Fundamental da Fé. op.testemunhos de fé. temos outra objeção.Troeltsch Nessa etapa surge um impasse. p. p. na qual ele transcende para o próprio Deus absoluto14 Com esse argumento Troeltsch reafirma sua posição negativa à possibilidade de uma revelação de Deus em sentido particular. uma vez que deveríamos renunciar a buscar a prova num fato exterior a esta manifestação13. Troeltsch: entrar em relação viva. Seguindo o caminho da revelação e automanifestação. 268. como se tivesse a função de humilhar a razão. conferir volume e autoridade ao personagem protagonista11. mediante a um dado obtido da existência. os relatos querem. Com isso. em virtude da autocomunicação de Deus. Em que poderíamos reconhecer que se manifesta (Deus). uma vez que o conhecimento humano é limitado. experimentar a si mesmo em relação com Ele. Deus se revela porque deseja entrar em relação com o homem. senão apenas pelo desejo divino. Karl. então. ou como dizia. a nova vida. São Paulo: Paulinas. não há lugar para dissertar sobre a natureza e a possibilidade do fato presumido como milagroso. como já dito.268 Ibid. para compreender Aquele que. podendo. Nesse caso. o conhecimento de Deus não se trata de um saber adquirido. Uma realização plena e acabada de transcendência do homem. na ordem da gratuita da liberdade por meio da qual se revela. mas do fato do humano se sentir movido por Ele até Ele.p. p. tomado em si mesmo. Pela via da cognoscibilidade humana. senão da autocomunicação d’Ele ao humano. obrigando-a a acolher a mensagem que acompanha12 Sobre a possibilidade da Revelação de Deus . Troeltsch deixa clara sua posição quanto a incapacidade do humano em conhecer a Deus por meio de experiências sensíveis. 268 RAHNER. Ibid. 1989. em face de sua absolutidade e infinitude estaria impedido de dar-se na medida dos fenômenos do mundo e neste assumir uma aparência que pudesse ser compreendida pelo o humano. Portanto. Como indissociável do fato.176. sobretudo. o humano é elevado até Ele a um nova maneira de existir.

semelhantemente ao saber racional. não podendo.. opinião. perecemos que para Troeltsch é decisiva a impossibilidade da manifestação de Deus no tempo e no espaço. Ela é graça que eleva o ser humano [.] a ordem do verdadeiramente humano [.] enquanto se descobre religado a uma experiência religiosa a uma alteridade transcendente16 Diante do exposto acima. mas que.essa sensação de ser movida a responder ao divino (fé – tipo de conhecimento que corresponde à graça) se encontra inscrita no cerne de outras tradições religiosas. tampouco julgá-la. um sentimento ou imaginação. mas que o humano é instado pelo divino.p. tendo em vista a falta de vínculo na história. Não quer dizer. Não pretende julgar esta. Sendo assim.Fé) 71.272 . Pg. SOBRE A FÉ A fé não é um juízo objetivante. Ela não é um conhecimento acima nem abaixo da razão. o transcendente. quando afirma que conhecer a Deus pela fé não está ligado ao juízo objetivante da existência. mas que. no sentido de se tornar verdadeiramente humano e compreender sua própria verdade. uma vez que dado que Deus é Absoluto e Ilimitado17. E seu caráter sobrenatural se situa não no fato de ser um acontecimento que ultrapasse a ordem natural das coisas. cit. mas em ser uma percepção de uma qualidade no existir humano entregue a liberdade e que se torna consciente de seus limites em seu espaço. como um saber que possa ser possuído. a franquear esses limites.. em sua vinda ao homem. como uma fé surgida do nada. op. dizer que Deus está ali ou que Ele existe. sendo uma crença. Moingt declara esse esquema de Troeltsch.. não é possível circunscrever sua 15 16 17 MOINGT. contudo. que a fé está para além da condição humana. Ele permanece em movimento15.. no entanto.2§ Novamente aqui Troeltsch deixa evidente sua posição. Está na mesma ordem fenomênica. a despeito de no dogma católico a revelação está ancorada numa revelação histórica declarada na ordem do sobrenatural. portanto. Ibid. está na ordem da subjetividade do julgamento que aquele que crê emite sobre sua própria existência em face de ter sido elevado pela graça da visitação de Deus.271 Ibid. (Rhaner .

op. O Absoluto não reduz. mas são a porta de entrada para aquele que os lê. no momento e no lugar que o relato exprime. e é através de um ato de presença espiritual que se manifesta Ele mesmo ao espírito do homem19. Sobre a possibilidade ou a impossibilidade da manifestação de Deus – Resposta De Moingt Todavia. esses exemplos situados não criam fórmulas que devem ser repetidas.9 MOINGT. Deus é espírito e é como presença espiritual que Ele se revela no 18 19 Karl Rahner. em virtude disso. no momento e no lugar em que o fato o revela. mas que também está relacionado a uma experiência real na história. E que situar a revelação de Deus no tempo e no espaço não esgota. sentem-se profundamente alcançados por Ele. Op. senão que permite transparecer-se na significação que a fé está convidada a reconhecê-lo. são a porta de entrada pela qual o humano entra em relação viva como Deus.presença num determinado momento da história. mas se inscreve no coração daqueles que o lêem e que. a contingência de sua apreensão pelo homem. Moingt rebate aos argumentos de Troeltsch sobre a possibilidade de uma revelação de Deus com base na experiência fenomênica. Os fatos. para Moingt esse vínculo com a história é a condição ideal para apreendê-lo. Ademais. sua presença a faticidade de seu aparecer.273 . pois Deus é Espírito. quando falam da revelação de Deus. uma vez que na tradição judaica e cristã.cit. Pelo contrário. como já afirmado. O cristianismo é uma religião que repousa sobre acontecimentos históricos18. tornando-se efetiva a revelação na fé que suscita naquele ao qual se dirige. da mesma maneira que o humano seria incapaz de conhecê-lo e compreendê-lo a partir dos fenômenos dados à realidade. tampouco rebaixa Deus de sua grandeza. O Absoluto não se inscreve no fato. vínculo impensável pela razão. que de maneira alguma deve ser visto como reduzido a faticidade de seu parecer.cit. não o situam apenas num discurso intimista. no relato ou mesmo na Escritura que o dá a conhecer.p.p. pois.

Ele é o ponto tátil para a compreensão dessa revelação. Se Deus. de maneira nenhuma. que é a proposta oferecida por Troeltsch. Pelo contrário. pois só pode ser reconhecido na categoria da graça e não apenas na provisoriedade dos objetos pelos quais se dá a conhecer.só é mesmo possível através do contingente. só pode ser apreendido porque é Ele quem assim desejosamente se aproxima. a razão humana não demonstra a impossibilidade de uma revelação de Deus na história. poderia ser reduzido ao contingente por meio da abstração da razão. Sua revelação só é apreendida através da crença que suscita. . Moingt afirma que a revelação de Deus – o Absoluto circunscrito num determinado ponto da história . seria tão irreal falar de uma revelação imanente como da revelação histórica. revelado no contingente. Apesar disso. esgotar o revelado. Retoricamente. a possibilidade de uma revelação histórica traz em si uma revelação imanente. como possibilidade e condução da graça. muito mais que um pensamento interior a respeito da efetividade da presença de Deus. sem. pois Ele guarda o seu modo de ser absoluto. Ibid. É Deus quem se dá a conhecer. sob ser a revelação de Deus portada por sua graça e que uma razão investigativa não dá conta de apreendê-la. Além disso. Se assim o fosse.274. na segunda diz: para evitar esse erro temos que renunciar a historicidade da revelação divina20 Moingt afirma que não. o que de maneira nenhuma invalida a sua manifestação na história. segundo Moingt.espírito do humano. Contudo. ligando-o a nossa própria contingência.p. contudo. Moingt levanta duas questões sobre a revelação de Deus na história: na primeira delas ele pergunta se não seria um erro esfacelar o ser de Deus na multiplicidade de suas auto-manifestações. Pelo contrário. Portanto. não é presumível pensar essa revelação segundo os trâmites da razão analítica. sendo que ela não é o penhor da apreensão 20 21 Ibid. Parece que num ponto ele concorda com Troeltsch. então. Moingt adverte que isso não anula o fato de sua historicidade. mesmo em face de seu aparecimento na contingência das coisas humanas21. oferecendo. ‘segundo o esquema da abstração. uma vez que tanto uma quanto a outra são tomadas como a vinda de Deus a nós com a finalidade de nos tornar participantes de sua presença.

dessa revelação. Contudo. ela é útil. . e sim a graça. uma vez que toda experiência verdadeiramente humana deve florescer à consciência.

uma vez que. E que. O ponto tátil dessa revelação – natureza histórica do cristianismo. tanto Troeltsch como Moingt. mediada pela graça.é. é uma razão convertida. i. em categorias diferentes. portanto. habilitada pela graça. Além disso.CONCLUSÃO Troelstch segue o caminho da impossibilidade da revelação de Deus a priori. segundo ele. por outro lado. seria reduzir o divino de sua absolutidade e infinitude. no cristianismo. quando se fala em revelação. não reconhece a impossibilidade da revelação histórica de Deus. como também afirma a incapacidade do conhecimento humano em perceber o divino a partir da realidade dada como tal. . o divino só pode ser percebido nos limites da subjetividade humana. A despeito das divergências. portado pela graça de Deus. a história da revelação é a história das religiões e que o cristianismo seria. no caso de Moingt. Para ele a percepção da manifestação do divino só se dá a partir de uma perspectiva intimista. ficando impossibilitada qualquer manifestação histórica – a priori. esta é concebida por meio de acontecimentos históricos bem determinados.. uma vez que. Moingt. o momento definitivo dessa revelação. reconhecem que é Deus que se dá a conhecer ao homem e que é a graça que o torna apto a responder a sua interpelação salvífica. a razão que conhece.

BIBLIOGRAFIA LIVROS MOINGT. André Torres. Sérgio. Acessado em 08. Joseph. QUEIRUGA. 2007. São Paulo: Paulinas. Revista Eletrônica Locus. 1981.locus. Madri: Edições Cristandad. Salamanca.br/c.12. 1989. Karl. Título: Ernst Troeltsch e a história: uma introdução. Dios que viene al hombre. A revelação de Deus na realização humana. ELIADE.php?c=baixar_artigo&arq=Mjk%3D> . Mircea. RAHNER. São Paulo: Paulus.2009 em www. DOCUMENTOS ELETRÔNICOS Artigo de DA MATTA. ediciones sígueme. Tratado de história de las religiones. Curso Fundamental da Fé.ufjf.