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FACULDADE SENAC DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Aline Vieira Araújo Barrence Gabriela Penkaitis

Remediação de Áreas Contaminadas: Um Estudo de Caso de Biorremediação

São Paulo 2004

ALINE VIEIRA ARAÚJO BARRENCE GABRIELA PENKAITIS

Remediação de Áreas Contaminadas: Um Estudo de Caso de Biorremediação

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Senac de Educação Ambiental, como exigência parcial para obtenção do grau de Tecnólogo em Gestão Ambiental.

Orientador Prof. Murilo Damato

São Paulo 2004

Barrence, Aline Vieira Araújo; Penkaitis, Gabriela Remediação de Áreas Contaminadas: Um Estudo de Caso de Biorremediação / Aline Vieira Araújo Barrence e Gabriela Penkaitis. – São Paulo, 2004. 100 f. il., tab.

Trabalho de Conclusão de Curso – Faculdade Senac de Educação Ambiental Orientador: Prof. Murilo Damato

1. Áreas contaminadas 2. Remediação 3. Biorremediação I.Título

Alunos: Aline Vieira Araújo Barrence Gabriela Penkaitis Título: Remediação de Áreas Contaminadas: Um Estudo de Caso de Biorremediação A banca examinadora dos Trabalhos de Conclusão de Curso em sessão pública realizada em ___/___/___, considerou as candidatas: ( ) aprovadas ( ) reprovadas

1) Examinador (a): 2) Examinador (a): 3) Examinador (a):

Dedicamos este trabalho aos nossos pais, por nos proporcionarem a

oportunidade de aprendizado e nos apoiarem sempre.

AGRADECIMENTO

A

todos

que

de

alguma

forma

contribuíram para a concretização deste trabalho.

“A maior recompensa do nosso trabalho não é o que nos pagam por ele, mas aquilo em que ele nos transforma” (John Ruskin)

RESUMO

O objetivo do trabalho consiste em fazer um panorama do problema das áreas contaminadas em diversos países e analisar as principais técnicas de remediação existentes para diferentes tipos de contaminação, com ênfase no tratamento biológico, buscando demonstrar suas principais características e vantagens perante as demais técnicas. Primeiramente é abordada a questão das áreas contaminadas, as principais causas e fontes de contaminação, seus respectivos impactos e gerenciamento. Posteriormente há a descrição das principais técnicas de remediação existentes, dando ênfase às de biorremediação. Analisou-se também um estudo de caso de uma área remediada por tratamento biológico, buscando avaliar a efetividade e as vantagens desta técnica perante as demais. A análise das técnicas e do estudo evidenciou que o tratamento biológico é uma alternativa interessante econômica e ambientalmente na remediação de locais contaminados, mostrando-se relativamente barata e não prejudicando as funções do solo, pois o uso de microorganismos degrada naturalmente os contaminantes.

ABSTRACT

The goal of this work consists of do a panorama of the problem of the contaminated sites in diverse countries and analyze the main remediation techniques existing for peculiar kinds of contamination, with emphasis in the biological handling, showing its main characteristics and advantages. First it is approached the question of the contaminated sites, the main causes and springs of contamination, its respective impacts and management. Subsequently there is a description of the main remediation techniques existing, giving emphasis to the of bioremediation. A study of case of an area remedied by biological handling was analyzed, seeking evaluate the effectiveness and the advantages of this technique. The analysis of the techniques and of the study showed up that the biological handling is an economic and environmental interesting alternative in the remediation of contaminated sites, showing to be cheap and don’t injure the functions of the soil, therefore the use of microorganisms degrades naturally the contaminantes.

LISTA DE TABELAS

Principais atividades potencialmente contaminantes ........................................... 17 Receptores, bens a proteger e impactos potenciais ..............................................22 Abordages governamentais no gerenciamento de áreas contaminadas ...............31 Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo – maio de 2002 ............................34 Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo – outubro de 2003 .......................34 Linha do tempo da remediação do French Ltd. .....................................................72 Concentração de VOCs durante o processo de biorremediação ..........................78

LISTA DE FIGURAS

Distribuição por atividade – Maio de 2002 .............................................................35 Distribuição por atividade – Outubro de 2003 ........................................................35 Distribuição por estágio de andamento – Maio de 2002 ........................................36 Distribuição por estágio de andamento – Outubro de 2003 ..................................36 Gerenciamento de Áreas Contaminadas ...............................................................39 Células de tratamento do French Ltd. ....................................................................74 Esquema de aeração na remediação do French Ltd. ............................................76 Esquema de tratamento do French Ltd .................................................................77 Diminuição dos compostos orgânicos voláteis ......................................................80 Diminuição dos compostos orgânicos semivolátes ...............................................81

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ................................................................................................ 13 2. ÁREAS CONTAMINADAS ............................................................................. 15 2.1 2.2 2.3 2.4 Conceituação teórica .................................................................................. 15 Impactos ..................................................................................................... 19 Gerenciamento de Áreas Contaminadas.................................................... 23 Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo........................................... 32

2.4.1 Gerenciamento de Áreas Contaminadas proposto pela CETESB .............. 37 2.4.2 Anteprojeto de Lei Sobre Proteção da Qualidade do Solo e Gerenciamento de Áreas Contaminadas ........................................................................................ 41 3. REMEDIAÇÃO DE ÁREAS CONTAMINADAS .............................................. 44 3.1 Técnicas de remediação............................................................................. 45

3.1.1 Técnicas de remediação in situ .................................................................. 47 3.1.2 Técnicas de remediação ex situ ................................................................. 55 3.2 Monitoramento............................................................................................ 58

4. BIORREMEDIAÇÃO DE ÁREAS CONTAMINADAS ..................................... 60 4.1 Técnicas de biorremediação ex situ ........................................................... 61

4.1.1 Fase sólida (solid phase): ........................................................................... 62 4.1.2 Fase lodosa (slurry phase) ......................................................................... 65 4.2 Técnicas de biorremediação in-situ ............................................................ 65

5. ESTUDO DE CASO ........................................................................................ 69 5.1 5.2 5.3 Histórico...................................................................................................... 69 Atividade de remediação ............................................................................ 73 Resultados.................................................................................................. 79

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................ 82 Recomendações.................................................................................................. 83 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................... 84 ANEXO A - Anteprojeto de Lei sobre Proteção da Qualidade do Solo e Gerenciamento de Áreas Contaminadas........................................................... 90

1. INTRODUÇÃO

Historicamente, o meio ambiente tem sido utilizado inadequadamente como receptor de resíduos resultantes de atividades humanas. Com a Revolução Industrial, onde se iniciaram os processos de transformação em grande escala, a liberação não controlada de poluentes no ambiente e sua conseqüente acumulação no solo e nos sedimentos sofreu uma mudança drástica de intensidade e de forma devido ao uso intensivo dos recursos e insumos das atividades industriais, agrícolas e domésticas (BUCCI, 2000). Devido ao aumento populacional decorrente deste período e à dinâmica de ocupação do território urbano, por causa do desconhecimento público e da negligência por parte do poluidor e às vezes do poder público, houve uma revalorização e reocupação de espaços onde anteriormente se localizavam atividades potencialmente poluidoras do solo e detentoras de grande passivo ambiental, apesar deles necessitarem ter seu uso disciplinado ou até mesmo serem remediados (CASARINI, 2000). A partir da década de 1970 começaram a surgir problemas relacionados à contaminação de áreas em muitos países, em sua maioria relacionados à saúde da população. Esses fatos repercutiram junto à opinião pública, ocasionando pressões tanto sobre os responsáveis pela contaminação quanto sobre o governo. Este cenário motivou a elaboração deste trabalho devido à grande necessidade de se buscar e avaliar alternativas mais eficazes e mais

interessantes economicamente para a remediação de áreas contaminadas, a fim de minimizar ou mesmo eliminar os riscos e os efeitos provocados no meio ambiente e na saúde pública pela existência das mesmas. Deste modo, o objetivo do trabalho consiste em fazer um panorama desta problemática em diversos países e analisar as principais técnicas de remediação existentes para diferentes tipos de contaminação, com ênfase no tratamento biológico, buscando demonstrar suas principais características e vantagens perante as demais técnicas. Para tanto, analisou-se também um estudo de caso de uma área remediada por esse tipo de tratamento. O trabalho foi baseado em pesquisas bibliográficas realizadas em universidades, órgãos públicos e na internet, principalmente em sites de agências ambientais e órgãos governamentais tanto do Brasil como do exterior, garantindo assim a veracidade do material encontrado. Informações bastante pertinentes também foram encontradas através da participação em seminários relacionados ao tema e de conversas com profissionais da área.

2. ÁREAS CONTAMINADAS

2.1 Conceituação teórica

De acordo com o Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas da CETESB (2001), “uma área contaminada pode ser definida como uma área, local ou terreno onde há comprovadamente poluição ou contaminação causada pela introdução de quaisquer substâncias ou resíduos que nela tenham sido depositados, acumulados, armazenados, enterrados ou infiltrados de forma planejada, acidental ou até mesmo natural”. Nelas, os contaminantes podem concentrar-se em nos diferentes compartimentos do ambiente, como por exemplo no solo, nos sedimentos, nas rochas, nas águas subterrâneas ou, de uma forma geral, nas zonas não saturada e saturada, além de poderem concentrar-se nas paredes, nos pisos e nas estruturas de construções (CETESB,2001). De acordo com Gloeden (1997), o conceito “área contaminada” deve ser usado considerando os seguintes aspectos: A presença de poluentes ou contaminantes na área; Realçar que os contaminantes podem se concentrar ou serem transportados nos vários compartimentos do meio ambiente; Introduzir a noção do termo via de transporte dos contaminantes (...);

Considerar a ocorrência de danos ou riscos aos bens a proteger (...). Segundo a Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6938/81), são considerados bem a proteger: A saúde e o bem estar da população; A fauna e a flora; A qualidade dos solos, da água e do ar; Os interesses de proteção a natureza/paisagem; A ordenação territorial e planejamento regional e urbano; A segurança e a ordem pública. Um dos principais problemas decorrentes da contaminação do solo é o fato das substâncias poluentes poderem ser arrastadas, lixiviadas ou solubilizadas pelas águas superficiais e, ao infiltrar no solo, formar plumas de contaminação, atingindo assim as águas subterrâneas. Por este motivo, o estudo da contaminação do solo e as soluções adotadas para evitá-la estão quase sempre associadas com a contaminação das águas subterrâneas. Ela está associada a diferentes fontes de poluição, sendo as mais comuns as de natureza industrial, de sistemas de tratamento e disposição de resíduos e as relacionadas ao armazenamento e distribuição de substâncias químicas, entre estas as de comercialização de combustíveis (CUNHA, 1997). Existe uma enorme quantidade de fontes potencialmente contaminantes, pois as atividades antrópicas geram, em sua grande maioria, resíduos ou efluentes que podem contaminar diferentes compartimentos do meio ambiente. Gloeden (1999) separa as fontes potencialmente geradoras de carga contaminante em basicamente dois tipos: fontes pontuais e fontes difusas. Dentre

as fontes pontuais encontram-se as atividades industriais; a disposição de resíduos domiciliares e industriais; a mineração; cemitérios e armazenamento de substâncias químicas. Entre as difusas, destacam-se as atividades de saneamento in situ, ou seja, o saneamento básico efetuado sem rede de esgoto, e as atividades agropecuárias, onde são aplicadas taxas exageradas de defensivos agrícolas e fertilizantes e gera-se grande quantidade de efluentes. A tabela abaixo, modificado das listas de atividades potencialmente contaminantes das águas subterrâneas apresentadas pela Environmental Protection Agency (1993 e 1994), apresenta exemplos das principais atividades potencialmente contaminadoras e os contaminantes associados a elas:

Tabela 01: Principais Atividades Potencialmente Contaminantes PRINCIPAIS CONTAMINANTES ATIVIDADES COMERCIAIS Aeroportos, aviação campos de combustível de aviação; óleo diesel; solventes clorados; óleos de motor e resíduos de produtos de limpeza Depósitos de barcos e marinas óleo diesel; efluentes de áreas de dispOsição de resíduos de barcos; tintas; vernizes; graxas automotivas; gasolina e óleos de motor Cemitérios necrochorume; substâncias químicas para a manutenção de gramado e jardim Postos de serviços e garagens óleo diesel; gasolina; fluído de transmissão; ácido de veículos de baterias; fluidos de radiador; desengraxantes; fluidos de freios; óleos de motor; graxas e lodos Instituições médicas substâncias para raio-X; resíduos infecciosos; resíduos radiológicos e biológicos e

desinfectantes

FONTES RESIDENCIAIS Sistemas sépticos, fossas efluente; coliformes fecais; vírus; nitratos; metais detergentes. Óleos; alvejantes;

negras e tubulações de esgoto pesados;

pesticidas; tintas; etc. FONTES MUNICIPAIS Plantas esgoto Aterros sanitários e lixões de tratamento de esgoto; lodo e substâncias químicas para

tratamento chorume; resíduos e substâncias domésticas e comerciais; óleos; metais; nitratos; etc

Incineradores

metais pesados; hidrocarbonetos; formaldeídos; metano; etano; acetileno; enxofre e compostos nitrogenados

ATIVIDADES INDUSTRIAIS Galvanoplastia Fundições ácidos; hidróxidos; cianetos e sais metálicos resíduos de pintura; ácidos; metais pesados; lodos com metais; resíduos galvânico; óleos; solventes e resíduos explosivos Fábrica de papel metais; ácidos minerais; sulfatos; lodos orgânicos; hidróxido de sódio; cloro; hipocloreto; dióxido de cloro e peróxido de oxigênio Materiais plásticos e outros solventes; produtos sintéticos inorgânicos pintura; óleos; compostos orgânicos e

(fenóis e resinas); resíduos de ácidos; álcalis; lodos de

cianetos;

tratamento de efluentes e surfactantes Siderurgia - indústria de metal lodos de efluentes com metais pesados; líquidos primário (auto forno, aciaria, de decapagem; resíduos oleosos; resíduos de coqueria, laminação) sintetização e limpeza de gases; lodo ácido contendo alcatrão; limpadores alcalinos; desengraxantes; escória e poeira de metal

ATIVIDADES AGROPECUÁRIAS Áreas animais de alimentação de resíduos e efluentes; nitratos; fosfatos; cloretos; substâncias utilizadas no controle sanitário

(insetos, bactérias, vírus e fungos) e coliformes Aplicação esterco Áreas agrícolas e irrigação pesticidas; fertilizantes; efluentes; gasolina e óleos de motor Áreas de armazenamento de pesticidas; fertilizantes e resíduos de fertilizantes substâncias químicas FONTES NATURAIS Águas contaminadas Eventos naturais
Fonte: Environmental Protection Agency, 1993 e 1994.

e

disposição

de resíduos de criação e nitratos

sódio; bactérias; vírus e águas ácidas

hidrogeológicos intrusão de águas salinas

2.2 Impactos

Os impactos causados pela contaminação de áreas são principalmente danos aos ecossistemas e problemas de saúde pública. Sanchez (2001) afirma que as conseqüências de tais danos são, em geral, cumulativas, manifestando muitas vezes futuramente por meio do aumento da incidência de doenças ou da concentração de substâncias tóxicas no meio.

A seguir serão listados os principais contaminantes decorrentes de atividades potencialmente poluidoras e seus respectivos impactos, segundo a Agência Ambiental Canadense (ENVIRONMENT CANADA, 1997): Substâncias Orgânicas depletoras de oxigênio (estrume de animais, resíduos humanos, produtos de cultivos) e nutrientes (potássio, fosfato e nitrogênio) - esgotamento de oxigênio, proliferação de algas, bactérias e de organismos patogênicos; Substâncias Orgânicas Tóxicas (Bifenilas Policloradas - PCB’s, hidrocarbonetos substâncias são de petróleo, pesticidas, creosoto) – essas imuno-

letais,

cancerígenas,

mutagênicas,

depressivas e causam diversos efeitos à saúde humana e à outras formas de vida. Metais (zinco, cádmio, chumbo e mercúrio) – são elementos primários ou compostos desses elementos que são letais,

cancerígenos, mutagênicos, imuno-depressivos e causam diversos efeitos à saúde humana e a outras formas de vida. Elementos radioativos (urânio, água pesada, gás radônio e césio) – também são elementos primários letais, cancerígenos, mutagênicos, imuno-depressivos e causam diversos efeitos à saúde humana e a outras formas de vida, além da propriedade adicional de emitir energia em forma de ondas ou raios (X, beta, gama); Substâncias incômodas (enxofre, ferro, metano, sódio, carbonato de cálcio ou calcita e sólidos suspensos) – essas substâncias causam

problemas de gosto na água, odores, perigos de explosão, sujeiras em canos e sistemas de tratamento. Segundo Sanchez (2001), as áreas contaminadas representam um risco à saúde pública por diversas razões. As substâncias tóxicas podem entrar em contato com a pele ou mesmo serem ingeridas e inaladas. Gases nocivos e odores podem ser liberados de terrenos contaminados, transferindo as substâncias tóxicas para as águas subterrâneas e para redes de distribuição de água potável. E ainda podem ser tóxicas para a vegetação, influenciando negativamente o crescimento de plantas. Esse risco está intimamente ligado ao tipo e às propriedades geomorfológicas do solo, assim como ao tipo do poluente. Os impactos das áreas contaminadas também têm uma grande influência no tipo de uso do solo. Determinados usos requerem um alto grau limpeza do solo, como por exemplo, as atividades recreativas, agrícolas e residenciais, pois as possibilidades de contato direto e de exposição à contaminação são muito elevadas. Já para os usos industriais, comerciais e até mesmo para as vias de transporte não é necessário um grau de limpeza muito exigente. Deve-se levar em conta que as áreas contaminadas também são fontes de poluição indiretas e potencialmente poluidoras de outros meios, através da dispersão de poluentes no ar e nas águas (SANCHEZ, 2001). Na tabela abaixo estão relacionados os principais impactos para cada receptor e bem a proteger.

Tabela 02: Receptores, bens a proteger e impactos potenciais Receptores Impacto

Contaminação do solo, incluindo efeitos de longo prazo na sua habilidade de manter a biodiversidade e produzir alimentos. Meio Ambiente Poluição do ar, incluindo odores. Poluição das águas superficiais, incluindo a poluição visual. Poluição das águas subterrâneas. Morte. Redução do crescimento - populacional e individual. Stress. Flora e Fauna Efeitos reprodutivos adversos. Efeitos tóxicos, agudos e crônicos. Teratogenicidade (danos fetais levando a defeitos de nascimento). Perda de habitat. Morte. Efeitos tóxicos, agudos e crônicos. Teratogenicidade (danos fetais levando a defeitos de nascimento). Carcinogenicidade (desenvolvimento de Seres Humanos tumores malignos e neoplasmas). Mutagenicidade (mudança na estrutura do DNA dos genes). Alergias e Sensibilização (indução de dermatites após contato com a pele). Bens a Proteger Impactos Danos devidos a explosões e fogo. Materiais e Construções Deterioração de materiais por ataque químico. Corrosão de materiais. Colapsos estruturais. Perda de valor da terra. Custos adicionais de desenvolvimento. Custos de monitoramento de longo prazo. Sócio-economia Atrasos na venda/desenvolvimento de áreas. Stress na população afetada. Percepção de perda de qualidade de vida. Interrupção de planos pessoais. Medo (principalmente efeitos à saúde).
Fonte: Casarini, 2000.

2.3

Gerenciamento de Áreas Contaminadas

O gerenciamento de áreas contaminadas tem como o principal objetivo minimizar o risco decorrente da existência das mesmas à população e ao ambiente por meio do conhecimento das características e dos impactos causados por estas áreas, possibilitando instrumentos necessários à tomada de decisão e a uma intervenção mais adequada (GLOEDEN, 1997) Em virtude dos impactos que causam sobre a saúde pública e dos ecossistemas, a segurança e ao patrimônio, restringindo o desenvolvimento urbano e desvalorizando imóveis, muitos países vêm adotando políticas para o gerenciamento destas áreas. Essas políticas contemplam o estabelecimento de legislação específica e de inventários de locais contaminados e suspeitos de contaminação; o desenvolvimento de procedimentos de avaliação, priorização e de tecnologias de remediação; e a criação de fundos que subsidiem a remediação das áreas prioritárias (CUNHA, 1997). O surgimento de tais políticas, ações e programas de governo deve-se principalmente à ocorrência de um ou mais acidentes que chamaram a atenção do público, fazendo com que estes se envolvessem com a questão de áreas contaminadas e cobrassem uma atitude por parte do governo. O caso clássico e paradigmático que é tido como a principal razão que levou os Estados Unidos a aprovarem a primeira lei referente à áreas contaminadas em 1980 é o do Love Canal, na cidade de Niagara Falls, estado de Nova York. Nesta cidade, um bairro foi construído sobre um depósito de resíduos

industriais perigos e após o surgimento de diversos problemas de saúde pública e de deterioração do patrimônio a associação dos moradores começou a reivindicar uma ação corretiva por parte das autoridades, a qual resultou na desocupação de aproximadamente 1000 residências. Estima-se que o Poder Público tenha gastado cerca de 250 milhões de dólares nos trabalhos de limpeza, remoção de famílias e indenizações pelas casas. Investigações feitas no local identificaram a presença de 248 diferentes substâncias químicas no solo e 89 na água subterrânea. Os custos previstos de remediação da área são de 123 milhões de dólares, além de processos movidos pelo Governo Federal e pelos moradores no valor de 200 milhões (SANCHEZ, 2001). Logo após este caso surgir na imprensa, o Congresso americano aprovou a CERCLA – Comprehensive Environmental Response, Compensation and Liability Act (Lei Ampla de Resposta, Compensação e Responsabilização Ambiental), amplamente conhecida também como Superfund, nome do fundo nacional de recuperação de áreas contaminadas criado por ela (SANCHEZ, 2001). O objetivo deste primeiro fundo para tal finalidade é financiar a identificação de áreas contaminadas, a realização de ações emergenciais e a caracterização e recuperação de áreas abandonadas ou desativadas, onde não há responsável legal identificado. Os recursos para o Superfund provêm de taxas sobre o petróleo e outros produtos químicos e também do tesouro americano e de outras taxas (GLOEDEN, 1997). Nos seus primeiros 12 anos (1981-1992) foram usados 20 bilhões de dólares (DEMAJOROVIC, 2003) para que as áreas incluídas na Lista Nacional de Prioridades fossem investigadas e sua recuperação executada (GLOEDEN, 1997).

Nos Estados Unidos, o Superfund é apenas um dos programas voltados para a remediação de áreas contaminadas, sendo que mais de 40 estados possuem seus programas locais para locais que não estão sendo gerenciados pelo governo federal (GLOEDEN, 1997). Em 1978 algo parecido ocorreu na Holanda. O reconhecimento público do problema de áreas contaminadas deu-se a partir da descoberta de um caso grave de contaminação próximo a Roterdam, fazendo com que o país passasse a adotar uma legislação específica sobre proteção e contaminação de solos (SANCHEZ, 2001). Sucintamente, conhecido como caso de Lekkerlirk, foi palco de uma grande contaminação de uma área que abrigava um antigo aterro de resíduos industriais. Sobre este cenário foram construídas 268 casas que tiveram que ser abandonadas quando os moradores começaram a sentir odores intensos e perceber a deterioração das tubulações plásticas de água no subsolo das casas. Uma escola e um ginásio foram demolidos e o local foi escavado, descobrindo-se aí a existência de 1651 tambores de substâncias químicas misturados a resíduos de demolição ali depositados. Desta forma, o ocorrido repercutiu junto à opinião pública, praticamente forçando o poder público a adotar essas leis (Sanchez, 2001). Como destaca Gloeden (1999), na política holandesa vários agentes são envolvidos no processo de aplicação de medidas preventivas e corretivas em casos de contaminação. Com relação a propostas de remediação, através da legislação são negociadas soluções individuais para cada caso.

Um aspecto que chama atenção na legislação holandesa é que de acordo com a Lei de Proteção do Solo, estabeleceu-se que a presente geração não deve deixar como herança nenhum passivo ambiental significativo. Sendo assim, os “atuais passivos” devem ser reduzidos ou eliminados em proporções aceitáveis até 2015, quando os caso mais urgentes já terão sido remediados (GLOEDEN, 1999). Entretanto Gloeden (1999) afirma que na Holanda apenas 20% dos problemas relacionados a remediação de locais contaminados serão resolvidos em uma geração. Então, algumas propostas com o intuito de agilizar os processos de remediação na Holanda estão em pauta. São elas: a necessidade de uma postura cada vez mais preventiva; criar novas formas de uso futuro para áreas em processo de remediação; incentivar pesquisa e novas tecnologias mais efetivas e baratas de remediação. Na Alemanha, de acordo com a Constituição Federal, os estados têm competência na remediação das áreas contaminadas, isto é, devem registrá-las, avaliar seus possíveis riscos e, se necessário, remediar esses locais. Como ocorre em outros países, caso o responsável não seja identificado, o próprio estado deve arcar com as despesas. Coma criação da Lei Federal de Proteção do Solo, de 1999, a atuação frente a essa questão unificou-se por todo o país (GLOEDEN, 1999). Segundo Gloeden (1999), os principais aspectos da Lei de Proteção do Solo alemã são:

áreas suspeitas de contaminação devem ser identificadas, avaliadas e investigadas pelo órgão público responsável; o responsável deve realizar a remediação; o responsável deve elaborar um plano de remediação; o público deve ser informado a respeito dos problemas gerados pelas áreas contaminadas. A remediação de áreas industriais na Alemanha proporcionou ao país a abertura para um outro tipo de mercado hoje já consolidado, além de atrair recursos como aqueles provenientes do Fundo de Desenvolvimento Regional Europeu (“European Regional Development Fund” – ERDF), que vem estimulando atividades de remediação em escala regional. Com relação a esse mercado, no estado de “Nordrhein – Westfalen”, por exemplo, a remediação de 525 áreas industriais em 217 cidades foi financiada no período de 1980 a 1994 (numa quantia de 1,1 bilhões de euros). Dos 6304 hectares de áreas remediadas, 70% foram vendidos no final de 1993 principalmente para investidores privados (GLOEDEN, 1999). No Canadá o reconhecimento público do problema de locais contaminados deu-se com um ocorrido em Quebec, conhecido como Sítio Mercier. Foi uma antiga mina de areia, utilizada em 1968 e 1972 para armazenar óleos usados, entre os quais foram encontrados óleos perigosos. Em 1971 já tinha sido detectada a poluição dos aqüíferos e dez anos mais tarde, um estudo de caracterização de águas subterrâneas estimou que uma área de 30Km² já tinha sido afetada (SANCHEZ, 2001).

A partir daí, várias ações desarticuladas foram tentadas, incluindo a remoção e solidificação de parte do material contaminado, sua estocagem, disposição em células de segurança e incineração dos resíduos. O governo adotou medidas de compensação como fornecimento de água encanada para os moradores da vizinhança. O sítio então foi considerado órfão e incluído no Canadian Council of Ministers of the Environment - CCME, permitindo o uso de fundos federais nas atividades de descontaminação (SANCHEZ, 2001). O primeiro Programa Nacional de Recuperação de Áreas Contaminadas canadense foi instituído em 1989, através do CCME. Inicialmente contava com US$ 250 milhões, sendo 50% proveniente do governo federal e o restante das províncias e territórios. Do total de recursos disponíveis, eram destinados US$ 200 milhões a remediação de locais e US$ 50 milhões ao desenvolvimento de tecnologias (CUNHA, 1997). O gerenciamento de áreas contaminadas no Brasil é baseado totalmente em modelos internacionais, incluindo os padrões de qualidade do solo. Os padrões utilizados são os vigentes principalmente na Holanda e no Canadá. Devido às diferenças das características dos solos de cada país, cada um deveria adotar padrões específicos, o que acarretaria num melhor gerenciamento. Não existe ainda uma política específica consolidada para a questão das áreas contaminadas no país; algumas leis são aplicadas, mas, de forma geral, nenhuma apresenta ferramentas específicas para tratar essa problemática (SANCHEZ, 1998 apud GLOEDEN, 1999). O surgimento dos problemas decorrentes da contaminação de áreas no Brasil deu-se em meados da década de 70 e início dos anos 80, quando muitos

casos de contaminação começaram a vir à tona e manifestar efeitos na saúde pública e no meio ambiente. A região da Baixada Santista, em São Paulo, mais especificamente Cubatão, tornou-se uma grande geradora de passivos e contaminações cujas conseqüências começaram a chamar a atenção do poder público e principalmente da população, que acabou sofrendo maiores prejuízos. Alguns casos que ocorreram no passado no município de Cubatão ainda chamam a atenção da opinião pública, como o do “lixão dos pilões”, localizado no vale do rio dos Pilões. Muitos terrenos foram utilizados no passado para disposição de resíduos perigosos. O local foi ocupado por uma favela, permitindose que as pessoas morassem e trabalhassem sobre os terrenos sem qualquer restrição. Não menos importantes são os casos envolvendo a empresa Rhodia. Em Samaritá, muitas cavas de extração de areia foram utilizadas pela empresa e, quando desativadas, passaram a servir como locais de disposição de resíduos industriais. Uma grande quantidade de loteamentos populares foi construída no local, expondo essa população a todos os riscos provenientes desse tipo de contaminação (SANCHEZ, 2001). Mais adiante será apresentado o escopo do Anteprojeto de Lei Sobre Proteção da Qualidade do Solo e Gerenciamento de Áreas Contaminadas para o estado de São Paulo, que se encontra na etapa de elaboração e entrará em vigor futuramente. A partir destes exemplos, pode-se perceber que a questão da contaminação dos solos recebe tratamento diversificado nos âmbitos legal, administrativo e econômico. A opinião pública e dos grupos de pressão na formulação de políticas, a importância formal e real dos órgãos ambientais perante

os demais setores do governo e sua capacidade de aplicar a legislação influem na postura de cada governo perante este problema. Sanchez (2001) agrupou-as em cinco tipos: A abordagem negligente constitui-se numa postura amplamente difundida principalmente nos países em desenvolvimento, onde não há ainda um reconhecimento público do problema. Geralmente a existência de áreas contaminadas pode ser de conhecimento de um pequeno grupo de especialistas, não havendo assim a repercussão frente à opinião pública. Conseqüentemente isto pode significar o ocultamento por parte do poluidor, já que sem uma política explícita o problema na maior parte das vezes é ignorado. Muitas vezes esta falta de conhecimento acarreta na implantação de residências e empreendimentos sobre locais contaminados, expondo assim a população diretamente aos riscos presentes nestas áreas. A abordagem reativa geralmente é caracterizada por uma pressão da população sobre o poder público para que este tome alguma atitude frente a situações onde os riscos ou danos são muito evidentes e exigem a adoção de medidas emergenciais. Muitas vezes os órgãos governamentais não estão preparados para situações como estas, gerando assim ações desarticuladas, contraditórias, custosas e muitas vezes ineficientes, com metas sempre de curto prazo. A abordagem corretiva visa intervir frente a um problema de contaminação após uma prévia identificação, diagnóstico e análise de risco da área suspeita de contaminação. Tal postura se dá, ao contrário da reativa, caso a caso, e não de forma sistematizada, adotando geralmente uma série de instrumentos de

intervenção. Ela é a mais difundida nos países industrializados, onde já há políticas de gerenciamento de áreas contaminadas. A abordagem preventiva é adotada visando eliminar os passivos ambientais quando um empreendimento é desativado, evitando assim o aparecimento de problemas como a contaminação dos solos dos aqüíferos e conseqüentemente novos casos de áreas contaminadas. Para tanto, faz-se necessário a exigência de um plano de desativação do empreendimento. A abordagem proativa busca evitar o acúmulo dos passivos durante o período de operação de um empreendimento, minimizando assim os impactos ambientais durante o seu ciclo de vida. Leva em conta a eventual desativação de um empreendimento desde a fase do seu planejamento, tendo,

conseqüentemente, um alcance mais amplo do que a abordagem preventiva. Na tabela abaixo, há um resumo de todas as abordagens e exemplos de cada uma, para melhor entendimento.

Tabela 03: Abordagens governamentais no gerenciamento de áreas contaminadas ABORDAGEM CARACTERÍSTICAS EXEMPLOS DOMINANTE * não fazer nada, esperar que o NEGLIGÊNTE problema se manifeste ou não seja descoberto * estudo e eventual ação quando se manifestam suspeitas de risco à REATIVA saúde * tentativa de aplicação do quadro jurídico postura difundida Love Canal (EUA), sítio Mercier Dortmund (Canadá), (Alemanha), amplamente

áreas contamimnadas da Rodhia Santista na Baixada

* estudo e eventual recuperação quando há mudança no uso do solo Estados Unidos,

* inventário de sítios potencialmente Holanda, Quebec, Reino CORRETIVA contaminados seguido da adoção Unido, de medidas como remediação ou (Austrália), restrição do uso do solo (Austrália), Queensland Victoria Toronto,

* previsão de fundo públicos para Alemanha remediação de sítio órfãos * planejar o que fechamento possam de planos de recuperação

atividades PREVENTIVA

causar ambiental na mineração (vários países), legais na

contaminação do solo

* adoção de instrumentos que provisões

garantam a desativação adequada Holanda, Nova Jersey , (ex: garantias financeiras) * planejamento e gestão ambiental PROATIVA de todas as etapas do ciclo de vida de um empreendimento
Fonte: Sanchez, 2001.

França , Ontário aplicação avaliação eficaz de da

impacto

ambiental e dos sistemas de gestão ambiental

2.4 Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo

O surgimento de áreas contaminadas no Estado de São Paulo está associado ao processo de industrialização iniciado no final do século XIX e intensificado a partir da segunda metade do século XX, época em que a gestão

ambiental não era considerada e não eram adotadas medidas preventivas (CETESB, 2003). Esta expansão industrial concentrou-se na capital, na região do ABC e em Cubatão, acompanhando os eixos ferroviários. Portanto, a partir do final da década de 70 foram descobertos nestas regiões os primeiros casos de contaminação do solo, iniciando-se, no começo dos anos 80, o processo de gerenciamento de áreas contaminadas através da agência ambiental estadual, a Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental - CETESB (CETESB, 2003). Em 1993, por meio de um convênio de cooperação técnica entre a CETESB e a Sociedade Alemã de Cooperação Técnica – GTZ (Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit) iniciou-se um processo de identificação e avaliação de áreas contaminadas no Estado de São Paulo. Entre os produtos consolidados deste convênio destacam-se o Inventário de Áreas Contaminadas do Estado de São Paulo e uma metodologia de gerenciamento de áreas contaminadas, concretizada na publicação do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas. Através deste inventário foi registrada em 2002 a existência de 255 áreas contaminadas, passando para 727 em 2003. Nas tabelas abaixo se pode observar esta mudança de acordo com a atividade e a localização do local.

Tabela 04: Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo - Maio de 2002
Região/atividade São Paulo RMSP - outros Interior Litoral Vale do Paraíba Total Fonte: CETESB, 2003. Comercial 3 1 2 1 0 7 Industrial 9 23 39 11 12 94 Disposição de resíduos 3 5 1 3 0 12 Postos de combustível 65 48 14 6 3 136 Outros 1 2 3 0 0 6 Total 81 79 59 21 15 255

Tabela 05: Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo - Outubro de 2003
Disposição de Região/Atividade Comercial Industrial resíduos São Paulo RMSP - outros Interior Litoral Vale do Paraíba 19 7 20 1 1 28 45 56 19 14 14 10 15 11 0 combustível 250 103 63 44 4 1 2 6 4 0 314 167 150 79 17 727 Postos de Outros Total

Total 48 162 40 464 13 Outros: Inclui contaminações por acidentes ferroviários, rodoviários, em dutos e atividades de serviço. Fonte: CETESB, 2003.

A partir da análise das tabelas, percebe-se um aumento significativo no número de postos de combustível, explicado pela exigência do licenciamento desta atividade. Pode-se visualizar esse aumento nos gráficos abaixo:

Figura 01: Distribuição por atividade – maio de 2002 Fonte: CETESB, 2003.

Figura 02: Distribuição por atividade – outubro de 2003 Fonte: CETESB, 2003.

Nas figuras abaixo se observa a distribuição das áreas contaminadas por estágio de andamento, de acordo com a metodologia de gerenciamento adotada pela CETESB:

Figura 03: Distribuição por estágio de andamento – maio de 2002 Fonte: CETESB, 2003.

Figura 04: Distribuição por estágio de andamento – outubro de 2003 Fonte: CETESB, 2003.

2.4.1 Gerenciamento de Áreas Contaminadas proposto pela CETESB

Esta etapa está baseada no Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas da CETESB (1999). A seguir será detalhada toda a metodologia utilizada por este órgão.

2.4.1.1 Etapas do Gerenciamento

São dois os processos que embasam o gerenciamento de áreas contaminadas: processo de identificação e processo de recuperação. O processo de identificação visa localizar as áreas contaminadas e é constituído por quatro etapas: Definição da região de interesse; Identificação das áreas potencialmente contaminadas; Avaliação preliminar e Investigação confirmatória O processo de recuperação visa adotar medidas corretivas nessas áreas com o objetivo de recuperá-las para um uso compatível com as metas de remediação pré-estabelecidas. É constituído por seis etapas: Investigação detalhada; Avaliação de risco;

Investigação para a remediação; Projeto de remediação; Remediação e Monitoramento. O gerenciamento pode ser exercido por um órgão de âmbito federal, estadual, municipal ou privado, desde que possua competência para fazer a gestão ambiental da região. Este terá como responsabilidade a execução das etapas do processo de identificação e a fiscalização da execução das etapas do processo de recuperação (CETESB, 1999). Para tanto, as áreas em investigação são classificadas em três categorias: áreas potencialmente contaminadas (APs), áreas suspeitas de contaminação (ASs) e áreas contaminadas (ACs) (CETESB, 1999). As áreas potencialmente contaminadas são aquelas onde ocorre ou em algum momento ocorreu a produção, a utilização ou o descarte de substâncias cujas características podem causar danos e/ou riscos aos bens a proteger. As áreas suspeitas de contaminação são aquelas onde durante a avaliação preliminar foram detectados problemas no projeto, na construção, na manutenção ou na operação do empreendimento que induzem a suspeitar de uma provável contaminação do solo e das águas subterrâneas e/ou em outros compartimentos do meio ambiente. Uma área contaminada, como definida anteriormente, é a área onde a contaminação está comprovada e que pode causar danos aos bens a proteger. As etapas do gerenciamento são mostradas no fluxograma a seguir:

Figura 05: Etapas de Gerenciamento de Áreas Contaminadas Fonte: CETESB, 1999.

2.4.1.2 Cadastro de áreas contaminadas

O cadastro de ACs é o principal instrumento do gerenciamento destas áreas. Ele é composto por: cadastro físico (informações sobre a área, mapas contendo sua localização e relatórios das etapas de gerenciamento, entre outros) e cadastro informatizado (banco de dados composto por informações de identificação da área associado a um Sistema de Informações Geográficas) (CETESB, 1999).

2.4.1.3 Priorizações

Estão relacionadas à utilização racional dos recursos destinados à execução das diversas etapas do gerenciamento, devido ao grande número de áreas geralmente envolvidas no processo (CETESB, 1999). Existem 3 etapas de priorização: Priorização 1: são e considerados além aspectos das técnicos, do econômicos, órgão de

administrativos gerenciamento.

políticos,

atribuições

Priorização 2: as áreas suspeitas são submetidas a um sistema de pontuação, a fim de priorizar as áreas em função dos seus riscos aos bens a proteger.

Priorização 3: quando o responsável pela contaminação não é identificado ou quando este não possui condições financeiras para arcar com as despesas decorrentes do gerenciamento, as áreas contaminadas devem passar por uma terceira priorização, para que os recursos destinados para este fim possam ser direcionados.

2.4.2 Anteprojeto de Lei Sobre Proteção da Qualidade do Solo e Gerenciamento de Áreas Contaminadas

Este Anteprojeto de Lei nasce da necessidade de uma legislação específica para o problema, já que não há legislação federal sobre o tema e o Estado de São Paulo é o mais industrializado do Brasil, possuindo, conseqüentemente, maior passivo ambiental. Ele foi elaborado entre os meses de junho e agosto de 2003, apresentado no Conselho Estadual de Meio Ambiente – CONSEMA e aberto à consulta nos meses de novembro e dezembro do mesmo ano, sendo a versão estudada ainda não finalizada. Tal versão encontra-se no ANEXO A. Seus objetivos principais são a proteção do solo, das águas subterrâneas e da saúde da população exposta à contaminação; prevenção à geração de novas áreas contaminadas; responsabilização pela identificação e remediação dessas áreas; gestão das áreas contaminadas e incentivo ao reuso das remediadas; e definição e padronização de conceitos.

Para atingi-los e prevenir alterações significativas e prejudiciais às funções do solo, é necessária a atuação de todos os atores sociais envolvidos: o Poder Público atuando preventivamente, através de licenciamento e fiscalização; os empreendedores, monitorando a área e o entorno das atividades com potencial de contaminação; e a população em geral, através da sua participação na fiscalização e denúncias de qualquer ocorrência. Outro aspecto relevante definido pelo Anteprojeto é a responsabilidade solidária pelas áreas contaminadas, cabendo ao causador do dano e seus sucessores, ao proprietário da área, ao superficiário, ao detentor da posse efetiva e a quem dela se beneficiar direta ou indiretamente a prevenção e a remediação da contaminação. Uma vez não identificado o responsável pelas áreas ou se ele não promover a imediata remoção do perigo, caberá ao Estado promovê-la através de recursos provenientes do Fundo Estadual Para a Prevenção e Remediação de Áreas Contaminadas – FEPRAC, que virá a ser criado visando à proteção do solo e à identificação e remediação de áreas contaminadas. Os órgãos do Sistema de Administração da Qualidade Ambiental, Proteção, Controle e Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais – SEAQUA e os demais órgãos públicos relacionados a atividades de licenciamento e controle deverão atuar de forma preventiva e corretiva, tendo como parâmetro os Valores de Referência de Qualidade, Prevenção e Intervenção visando o controle da poluição do solo. Apesar de tardiamente, espera-se que, com a aprovação desta Lei, o Estado adote uma política efetiva no controle de áreas contaminadas, como já ocorre ha muito

tempo nos países desenvolvidos, minimizando, assim, os conflitos socioambientais e econômicos decorrentes da existência das mesmas.

3.

REMEDIAÇÃO DE ÁREAS CONTAMINADAS

O termo “remediação de áreas contaminadas” tem significados diferentes para cada pessoa. O mais comum deles é limpar os contaminantes tanto do solo quanto das águas subterrâneas. Entretanto, em alguns casos não ocorre a limpeza total, mas podem ser contidos ou imobilizados (CONTAMINATED SITES MANAGEMENT WORKING GROUP - CSMWG,1997). Segundo o CCME, a remediação envolve o desenvolvimento e aplicação de um plano que remova, destrua, contenha ou reduza a disponibilidade dos contaminantes aos receptores de interesse (CSMWG, 1997). Para realizar a remediação de uma área contaminada faz-se necessário a caracterização do local e a investigação detalhada do terreno por meio de estudo de documentos como licenças ambientais, fotografias aéreas, imagens de satélite e mapas; entrevistas com a população e, se possível, com funcionários que trabalharam na atividade que causou a contaminação; e inspeções a campo para identificar o tipo de contaminação, a concentração dos poluentes e onde se localizam (GLOEDEN, 1999; SANCHEZ,2001). Com os dados obtidos na investigação, parte-se para estudos de avaliação de risco, cujos resultados indicarão se será necessário eliminar ou reduzir os riscos decorrentes da área contaminada. Caso alguma dessas necessidades se confirme, deverá ser elaborado um plano de remediação (GLOEDEN 1990).

Para estabelecer os objetivos da remediação deve-se levar em conta os limites estabelecidos por lei, a análise de risco específica para cada caso, os limites estabelecidos em função dos valores naturais, a disponibilidade da tecnologia de descontaminação, o custo dos trabalhos e o uso futuro pretendido para a área (GLOEDEN 1999; SANCHEZ,2001).

3.1 Técnicas de remediação

Durante as últimas décadas, algumas técnicas de remediação do solo e das águas subterrâneas foram desenvolvidas em vários países. A escolha da mais adequada deverá observar alguns critérios: proteção da saúde humana, do ambiente e de outros bens de interesse; a eficácia da técnica a curto, médio e longo prazo; a avaliação custo/benefício; o tipo dos poluentes presentes; sua distribuição no solo e/ou na água e as características do solo e do local contaminado. Há dois grandes grupos de técnicas de remediação de áreas contaminadas. As que promovem a remoção do solo, seu tratamento e eventual reposição no local de origem são denominadas ex situ. Já as que eliminam ou reduzem a contaminação sem remover o solo são chamadas in situ (SANCHEZ, 2001). A remoção de solos é a mais custosa dentre as técnicas, pois, além dos gastos com a remoção propriamente dita, devem ser levados em conta gastos com transporte e com o tratamento do solo removido. Além disso, a remoção deve ser realizada com cuidado para que não ocorra a propagação da contaminação para outros meios, como

o ar e as águas superficiais. Outra desvantagem é a possibilidade de transferência do problema, nas etapas de transporte e tratamento, para outros locais que também poderão vir a serem contaminados (CASARINI, 2000). Esta técnica também não promove a limpeza da água subterrânea que possa ter sido poluída (SANCHEZ, 2001). As tecnologias de tratamento in situ podem ter um maior custo/benefício com uma menor modificação do meio remediado. Elas não necessitam de grandes áreas nem de equipamentos pesados, como ocorre nos tratamentos ex situ. Com elas, os contaminantes ficam restritos no local, minimizando exposições humanas e do meio ambiente a eles. Por estes motivos, essas tecnologias são as preferidas para a remediação (CSMWG, 1997). Contudo, os tratamentos in situ possuem limitações técnicas e são ineficientes em casos onde algumas condições do local não são favoráveis como a baixa permeabilidade do solo, o subsolo heterogêneo, a distribuição dos contaminantes e a obstrução das zonas de tratamento (CSMWG, 1997). Além disso, requerem normalmente um tempo de tratamento mais longo do que os tratamentos ex situ. Também há uma dificuldade em controlar os processos destes tratamentos, pois o material contaminado pode não estar totalmente acessível a eles, não sendo remediado uniformemente. Apesar destas desvantagens, existem muitas

tecnologias de tratamento in situ sendo utilizadas, demonstrando sua maior efetividade em relação às ex situ (CSMWG, 1997). A seguir, serão detalhadas as técnicas mais difundidas para a remediação de solos e águas subterrâneas.

3.1.1 Técnicas de remediação in situ

As técnicas podem ser divididas segundo sua efetividade em dois grupos: as de contenção e as de tratamento. A primeira consiste no controle das fontes de contaminação através de barreiras físicas ou hidráulicas e na escavação e remoção de solos contaminados, resíduos e outros materiais a fim de evitar a disseminação de poluentes. Já as de tratamento, efetivamente promovem a descontaminação, mesmo que parcial, de um sítio (GLOEDEN 1999; SANCHEZ, 2001).

3.1.1.1 Técnicas de tratamento

O contaminante pode estar localizado tanto na zona saturada quanto na insaturada do local, sendo este um fator determinante da tecnologia a ser utilizada. É considerada zona saturada a camada de água subterrânea e zona insaturada o solo (CSMWG, 1997). As descrições das técnicas à seguir é o resultado da interpretação dos documentos Site Remediation Technologies: A Reference Manual, elaborado pelo CSMWG da agência ambiental canadense e dos Citzens Guide’s respectivos de cada técnica elaborados pela EPA. As tecnologias disponíveis para a zona insaturada são:

Extração de Vapor à Vácuo (Soil Vapour Extration - SVE)

Consiste em remover fisicamente compostos orgânicos voláteis da zona contaminada através da aplicação de um sistema de extração a vácuo. Perfuram-se poços e conectam-nos a uma bomba que criará vácuo, puxando o ar e os vapores para a superfície, onde serão descontaminados. Também podem ser perfurados poços de injeção de ar para ajudar na remediação. O ar injetado faz com que os contaminantes evaporem mais rápido, acelerando o processo de descontaminação do solo. Esta técnica é limitada em situações onde o solo é permeável e quando os contaminantes possuem volatilidades diferentes, podendo nestes casos ser combinada com outras tecnologias ou mesmo substituída. • Lavagem de solo (Soil Flushing)

Injetam-se compostos químicos, como surfactantes ou cosolventes, no solo para dissolver o contaminante. Através de drenos subterrâneos, o fluido (composto químico e contaminante dissolvido) é coletado e bombeado para a superfície para tratamento. Os fluidos podem ser reciclados e reutilizados após a remoção dos contaminantes. É facilmente aplicada em solos permeáveis e os custos podem variar dependendo da solução utilizada na lavagem. O solo lavado pode não requerer um futuro tratamento, porém é necessário monitoramento e controle para prevenir que o contaminante dissolvido não migre para as águas superficiais e nem subterrâneas. • Tratamento Térmico (Thermal Treatment)

O tratamento térmico in situ é dividido em duas vertentes: volatilização e vitrificação. A primeira remove os contaminantes do solo enquanto a última transformaos em sólidos inertes.

Volatilização é a injeção de fluidos quentes (água, ar ou vapor) para que os contaminantes se volatilizem e sejam extraídos do subsolo na forma de gases para serem tratados posteriormente. Esta técnica não pode ser utilizada para contaminantes orgânicos não voláteis ou metais e o aquecimento do solo pode afetar algumas de suas propriedades. Na vitrificação utiliza-se a energia elétrica que, através de eletrodos inseridos na região contaminada, fundirá o solo convertendo-o em blocos sólidos de um material parecido com vidro. É uma nova tecnologia que mostra os benefícios dos tratamentos in situ devido à baixa exposição aos contaminantes e a desnecessidade de escavação. Porém é necessária mão-de-obra especializada para operar o equipamento, requer um alto consumo de energia e possibilita a migração dos contaminantes volatilizados. A presença de muita água nos materiais contaminados pode aumentar o tempo de tratamento, acarretando na elevação dos custos. • Fitorremediação

Na fitorremediação as plantas são utilizadas para acumular, degradar ou transformar os contaminantes. Pode ser aplicada em grandes áreas onde a contaminação é superficial e não muito intensa. As plantas utilizadas podem ser naturais ou modificadas através da engenharia genética. Através delas, causa-se pouco distúrbio nos arredores e o solo tratado recupera suas propriedades físicas, químicas e biológicas naturais. As plantas que acumularam ou transformaram os contaminantes devem ser dispostas como resíduos perigosos, não podendo ser utilizadas na alimentação por poderem causar efeitos adversos em animais.

Atenuação Natural Monitorada

É o declínio da quantidade de contaminantes no local como resultado de processos naturais, que podem ser bióticos ou abióticos. São necessárias condições específicas para que ela seja rápida e eficiente. A remoção da fonte poluidora do local também auxiliará na sua eficácia. Os parâmetros indicadores devem ser monitorados para validar a estabilização ou a redução da contaminação. Ao ser contaminado, o ambiente naturalmente utiliza-se de quatro formas para limpar-se: os microorganismos presentes no solo degradam os contaminantes, digerindo-os; os contaminantes infiltram no solo, que os retém no local; os poluentes passam do solo para as águas subterrâneas e, ao misturarem-se com água limpa, diluem-se, reduzindo a poluição; algumas substâncias, como óleos e solventes, podem evaporar do solo e, ao atingirem a atmosfera, serem destruídos pela luz do sol. Já as principais tecnologias para remediação da zona saturada são: • Bombeamento de produto livre

Consiste em bombear para a superfície o contaminante (LNAPL) juntamente com uma pequena quantidade de água. Após serem separados, os contaminantes podem ser destruídos ou reciclados, enquanto a água deve ser tratada. • Pump and treat (bombear e tratar)

É o método mais comum para remediar a água subterrânea. A água poluída é levada à superfície através de um sistema de extração, que consiste em um ou mais poços equipados com bombas. Quando acionadas, as bombas puxam a água poluída

para a superfície, onde passará por um tanque de espera e será encaminhada para tratamento. • Barreiras Reativas Permeáveis

É considerado um método passivo de remediação, pois não necessita muito monitoramento e manutenção. Consiste na construção de uma barreira permeável subterrânea para interceptar a água contaminada. Tal barreira é uma vala preenchida com materiais reativos que descontaminará a água ao passar por ela. Os materiais reativos devem ser misturados com areia para facilitar a passagem da água por eles. Em alguns casos, há a construção de um funil que fará com que a água seja direcionada para a parte reativa da barreira. As escolhas dos materiais para preencher a vala e do método utilizado dependerão do tipo de contaminante a ser tratado. Os mais comuns são: - Adsorve os contaminantes. Por exemplo, o carbono possui uma superfície que adsorve os contaminantes quando a água passa por ele. - Precipitar os contaminantes dissolvidos na água, que, ao se tornarem sólidos, ficarão presos na barreira. Por exemplo, a pedra de calcário pode fazer com que os metais dissolvidos precipitem. - Diminuir a periculosidade dos contaminantes. Por exemplo, o ferro pode transformar alguns solventes em substâncias inofensivas. - Estimular pequenos insetos ou micróbios do solo a comerem os contaminantes. Por exemplo, nutrientes e oxigênio numa barreira ajudarão os micróbios a crescerem e comerem mais poluentes. Quando digeridos completamente, são transformados em água e gases inofensivos.

3.1.1.2 Técnicas de contenção

A descrição das técnicas de contenção de áreas contaminadas foi extraída do documento Site Remediation Technologies: A Reference Manual, elaborado pelo CSM WG da agência ambiental canadense. • Bombeamento (Pumping)

É uma técnica de contenção hidráulica por meio do bombeamento da água subterrânea, que conterá ou reduzirá os contaminantes ao parar ou reverter seu fluxo natural. A camada de água ao redor de cada bomba é rebaixada para que o fluxo da água seja direcionado a elas, possibilitando assim a extração da água contaminada. Depois de extraída, ela pode ser tratada na superfície, técnica conhecida como pump and treat (explicada anteriormente), ou re-injetada no aqüífero sem tratamento. Alguns fatores que influenciam a performance desta técnica são o tamanho da pluma de contaminação e as propriedades dos contaminantes, condições

hidrogeológicas, direção do fluxo da água, proximidade de poços de extração de água, taxa de bombeamento necessária para controlar a contaminação e impactos ambientais do bombeamento, como alteração no nível das águas superficiais próximas. Estes sistemas de bombeamento possuem algumas desvantagens potenciais como: um longo tempo de operação (centenas de anos); nem todos os aqüíferos e tipos de contaminação são suscetíveis ao bombeamento; as condições de bombeamento podem mudar ao longo do tempo, necessitando um re-desenvolvimento do sistema e nem todos os contaminantes podem ser tratados ou re-injetados com segurança. Há um alto grau de incerteza quanto a efetividade do bombeamento antes de sua instalação

devido a variabilidade das condições sub-superficiais, fazendo com que alguns sistemas não funcionem como o planejado. • Trincheiras e drenos (Cut-off Trenches and drains)

O controle hidráulico pode ser realizado através de trincheiras ou drenos subsuperficiais para interceptar o fluxo da água subterrânea antes ou depois de um local contaminado. Esta opção é normalmente utilizada para quando as águas subterrâneas são rasas e em situações emergenciais onde a contaminação flui rapidamente e precisa ser contida para não atingir possíveis receptores. Trincheiras e drenos podem ser localizados antes de locais contaminados para prevenir que a água subterrânea entre neles e possa tornar-se contaminada. A água coletada nestas situações, por ser geralmente limpa, é despejada em corpos d’água superficiais. Quando localizado depois de um local contaminado, o sistema coletará a água contaminada que sairia dele. Assim como nos sistemas de bombeamento, essa água deverá ser tratada ou re-injetada. Essa técnica não controla movimentos verticais das águas subterrâneas e não pode ser utilizada em casos onde a profundidade da água é maior que 10 metros da superfície. Trincheiras ao ar livre podem emitir poluentes e necessitam de medidas especiais de segurança. • Paredes impermeáveis (Slurry walls)

São paredes construídas cavando-se uma vala no entorno ou em parte do local contaminado e enchendo-as com materiais impermeáveis, como misturas de barro, cimento e água, para conter o fluxo das águas subterrâneas. Deste modo, a água contaminada fica restrita aos limites da parede, não se misturando com a água limpa.

Normalmente, nos casos onde se utiliza esta técnica o local é coberto com material impermeável para prevenir a infiltração da água de chuva. • Cortinas impermeáveis (Grout curtains)

É similar à técnica anterior, porém o material impermeável é injetado no solo em alta pressão por meio de perfurações, fazendo com que ele permeie no solo. As injeções são feitas em vários pontos do local, formando finalmente uma “cortina”. Os materiais que podem ser utilizados são numerosos, como minerais, cimento, silicatos, materiais lenhosos e químicos orgânicos. A profundidade da cortina pode ser controlada conforme desejado. • Cobertura superficial (Surface caps)

É uma das técnicas mais utilizadas no gerenciamento de áreas contaminadas, sendo normalmente usada em conjunto com outras técnicas de tratamento in situ ou de contenção. A cobertura é uma camada de pelo menos 0,5 metros colocada sobre o local contaminado que pode ser impermeável, semi-permeável, permeável para substâncias específicas ou permeável. A permeabilidade é definida pelos mecanismos de controle ou tratamento do local, pela quantidade de chuva e pelo uso final planejado do local. É uma técnica relativamente barata, utilizada com sucesso há muitos anos que retira a ameaça da exposição dos contaminantes. Como não resolve o problema da contaminação, os locais cobertos são potencialmente perigosos, tendo restrições em seu desenvolvimento.

3.1.2 Técnicas de remediação ex situ

Algumas das principais técnicas de remediação ex situ são: • Lavagem de solo Consiste na escavação do solo para separar os contaminantes adsorvidos sobre as partículas de solo com soluções aquosas que devem conter um agente básico de lixiviação, surfactantes ou corretor de pH. O solo tratado retorna para o local de escavação ou é removido para um aterro sanitário. Os principais contaminantes que podem ser tratados por meio dessa técnica são os semivoláteis, hidrocarbonetos de petróleo e inorgânicos, sendo ela menos efetiva para alguns voláteis e pesticidas (ENVIRONMENT CANADA, 2003). Esse tratamento pode ser uma solução permanente e o tempo de remediação é relativamente curto. Entretanto, a lama e o barro são difíceis de serem lavados, a otimização das soluções de lavagem é dificultada quando há uma mistura de metais e orgânicos, é necessário o tratamento da água residual e da lama e os cultos são altos (ENVIRONMENT CANADA, 2003). • Extração Química O processo utiliza solventes para dissolver os contaminantes provenientes material escavado. Os solventes são separados desse material, tratados para remover qualquer contaminante neles dissolvido e podem então ser reciclados. Os

contaminantes semivoláteis e os pesticidas são os mais suscetíveis a esse tipo de

tratamento, enquanto que para alguns voláteis e hidrocarbonetos de petróleo, ele é menos efetivo (ENVIRONMENT CANADA, 2003). Essa técnica pode ser usada para diferentes concentrações de contaminantes além de ser uma solução permanente. Porém os solventes residuais que permanecerem no solo podem requerer um tratamento secundário antes que o mesmo seja recolocado no local de origem. A presença de grande quantidade de barro e carbono pode inibir a extração e os custos são altos (ENVIRONMENT CANADA, 2003). • Redução e oxidação química São utilizados agentes de redução e oxidação para converter quimicamente contaminantes tóxicos presentes no material escavado em componentes menos tóxicos que são mais estáveis, menos móveis e/ou inertes. Os agentes comumente usados são o ozônio, peróxido de hidrogênio, hipocloritos, cloro e dióxido de cloro e os contaminantes tratados são os inorgânicos. Alguns não-halógenos voláteis e semivoláteis, hidrocarbonetos de petróleo e pesticidas são pouco suscetíveis a esse tratamento (ENVIRONMENT CANADA, 2003). O tempo de descontaminação é relativamente curto e os custos são baixos. Contudo, pode ocorrer uma oxidação incompleta e pode não efetivo para altas concentrações de contaminantes (ENVIRONMENT CANADA, 2003). • Incineração A incineração é uma técnica para tratamento de resíduos perigosos e materiais escavados. Os incineradores destroem toda matéria orgânica presente nesses

materiais através da oxidação em temperaturas muito altas. Requerem muita energia e as emissões atmosféricas podem ser restritas de acordo com os padrões de emissão estabelecidos pela legislação local, fazendo com que os custos se elevem (CSMWG, 1997). É um tratamento aplicado para uma grande quantidade de contaminantes, sendo bastante utilizado em contaminações por pesticidas e substâncias semivoláteis. Todavia, é menos efetivo para alguns compostos voláteis e hidrocarbonetos e a presença de sais dificulta o processo (ENVIRONMENT CANADA, 2003). • Vitrificação A vitrificação consiste na escavação de solos e lamas contaminados que, ao serem submetidos a altas temperaturas, transformam-se em escórias de material semelhante ao vidro com baixo potencial de lixiviação. Os compostos orgânicos nãovoláteis são encapsulados na escória e imobilizados. Para se obter melhores resultados os contaminantes inorgânicos e os compostos semivoláteis orgânicos são os mais adequados, sendo que a imobilização dos compostos inorgânicos é permanente (ENVIRONMENT CANADA, 2003). Como desvantagens do tratamento tem-se a necessidade de se controlar a emissão de gases, é necessária a disposição da escória resultante, os custos são altos, a aceitação pública é baixa e é efetiva para contaminantes que flutuam na água (ENVIRONMENT CANADA, 2003).

• Escavação e disposição O material contaminado é escavado e transportado para um local de disposição de resíduos licenciado ou aterro. Esse material pode requerer um pré-tratamento antes da disposição. A escavação e a disposição são os métodos mais comuns de remediação para solos (ENVIRONMENT CANADA, 2003). Antes da disposição, é necessário verificar outras opções como armazenamento e reciclagem. Se escolhida a disposição, o local dependerá dos contaminantes de interesse, da localização geográfica, das obrigações associadas aos locais de disposição e do estado físico do material a ser disposto (CSMWG, 1997). Esse é um método rápido para lidar com o material contaminado, viável para todos os tipos de contaminantes e tem uma alta aceitação pública. Apesar de aliviar o problema da contaminação do local a responsabilidade pela contaminação persiste. Os custos podem ser elevados devido tanto ao transporte quanto ao local de disposição e a aceitação do órgão de controle é baixa, pois é preferível o tratamento dos contaminantes (ENVIRONMENT CANADA, 2003).

3.2 Monitoramento

A etapa de monitoramento é essencial no processo de remediação de locais contaminados. É uma tarefa que deve ser realizada no início, durante e ao final do

processo de descontaminação de uma área, cabendo parte da responsabilidade não só ao responsável pelo passivo como ao órgão ambiental. Segundo Moeri (2003), depois de iniciado o processo de remediação, o órgão ambiental tem condições e deve fazer o acompanhamento através de relatórios de monitoramento que são emitidos periodicamente. Com isso, é possível acompanhar a evolução do processo como um todo, fazendo projeções e controlando o comportamento dos contaminantes de acordo com as previsões predeterminadas nos estudos. É uma tarefa essencial, pois o processo nem sempre decorre como se espera. Requer, ainda, a presença de profissionais que acompanharam e pesquisaram a área, para poder direcionar e apontar quais são os melhores caminhos a serem seguidos. De acordo com o Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas da CETESB, a partir dos resultados obtidos no monitoramento, torna-se possível realizar uma nova etapa de classificação, na qual a área poderá ser classificada como área potencialmente contaminada caso a contaminação tenha sido removida e continue existindo uma atividade potencialmente contaminadora. Uma área poderá ser classificada ou permanecer como área contaminada caso continue existindo contaminação na área, embora os riscos aos bens a proteger tenham sido eliminados ou minimizados pela aplicação das técnicas de remediação. Caso a contaminação seja removida e não exista uma atividade potencialmente contaminadora na área, ela será então excluída do cadastro.

4. BIORREMEDIAÇÃO DE ÁREAS CONTAMINADAS

A biorremediação é uma técnica que consiste no uso de microorganismos naturais como fungos e bactérias para degradar substâncias, muitas vezes perigosas para os seres humanos, transformando-as em substâncias com pouca ou nenhuma toxicidade, como dióxido de carbono e água. Os microorganismos, da mesma forma que os seres humanos, digerem substâncias orgânicas, das quais obtêm nutrientes e energia. Quanto maior a população de microorganismos, mais rápida e eficiente será a biorremediação. Depois de degradar os contaminantes (combustíveis, solventes, petróleo, etc), a população de microorganismos volta aos níveis normais, uma vez que se esgota sua fonte de alimentos (QUÍMICA AVANÇADA FOR WEB, 2003). Existem dois tipos de biorremediação: a bioestimulação e a bioaumentação. A bioestimulação é um processo que estimula o crescimento de microorganismos naturais, autóctones ou indígenos. Esses organismos são aqueles pertencentes às espécies nativas do local contaminado, onde participam de funções reprodutivas, ciclo de nutrientes e fluxo de energia. As técnicas utilizadas neste caso consistem na introdução de nutrientes, de substâncias para a correção de pH do meio e de receptores de elétrons específicos para a degradação da contaminação (CASARINI, 2000). A bioaumentação é a aplicação de microorganismos não indígenos depois de verificada a insuficiência de microorganismos indígenos para a biodegradação do contaminante. A aplicação dessas espécies deve ser avaliada caso a caso sendo que

elas devem atuar em sinergia com as espécies locais, sem interferir nos processos biogeoquímicos naturais (CASARINI, 2000). As medidas biocorretivas podem ser aplicadas em condições aeróbias ou anaeróbias. Em condições aeróbias, os microorganismos se desenvolvem utilizando o oxigênio que, em quantidade suficiente, transforma os contaminantes em dióxido de carbono e água. Em condições anaeróbias, a atividade biológica acontece na ausência de oxigênio, de tal forma que os microorganismos decompõem os compostos orgânicos do solo para liberar a energia que necessitam. Este processo de degradação geralmente é bem mais lento (QUÍMICA AVANÇADA FOR WEB, 2003). Essas medidas podem ser usadas para descontaminar solos e águas subterrâneas e são classificadas em duas grandes categorias, in situ e ex situ, que serão detalhadas a seguir.

4.1 Técnicas de biorremediação ex situ

As técnicas de biorremediação ex situ geralmente são mais rápidas, mais fáceis de serem controladas do que as técnicas in situ e são utilizadas para remediar grandes áreas contaminadas e diferentes tipos de solos. Entretanto, requerem a escavação do solo antes e, às vezes, depois da efetiva biorremediação. São mais onerosas, porém, devido à necessidade de transporte e remoção do solo. Dividem-se em biorremediação da fase sólida e da fase lodosa (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY,2001a).

4.1.1 Fase sólida (solid phase):

O tratamento biológico da fase sólida é relativamente simples de se operar e manter. Nessa fase, porém, os descontaminantes necessitam de mais tempo para completar o processo do que na fase lodosa. Umidade, calor, nutrientes ou oxigênio são controlados para aumentar a biodegradação dos contaminantes. Dentre as tecnologias mais utilizadas nesta fase, podem-se citar: biopilhas, landfarming e compostagem (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a).

Biopilhas (biopiles)

A biopilha envolve a construção de células ou pilhas de solo, onde as condições do processo são otimizadas através da aeração. Se adicionados umidade e nutrientes como nitrogênio e fósforo, a atividade microbiana tende a ser aumentada. As bactérias então, degradam os hidrocarbonetos presentes no solo, reduzindo assim, suas concentrações (BITTAR, 2001). Quanto menos permeável for o solo, mais difícil será a aeração e maior a retenção de água, dificultando a distribuição de umidade, ar e nutrientes. Altas concentrações de petróleo e derivados, bem como de metais pesados apresentam efeitos tóxicos aos microorganismos, inibindo assim o crescimento e a reprodução das bactérias (BITTAR, 2001). Dentre as vantagens do sistema destacam-se: a facilidade de construção e manutenção; o tempo de tratamento e os custos relativamente baixos; não requer

grandes áreas para tratamento e os contaminantes são totalmente destruídos, podendo tornar o solo agriculturável. Como desvantagens tem-se: pode não ser efetiva para altas concentrações de contaminantes; metais pesados em altas concentrações inibem o crescimento microbiano e a geração de vapores durante a aeração pode requerer tratamento antes do descarte para a atmosfera (BITTAR, 2001). É uma tecnologia relativamente recente e que já apresenta uma demanda bastante alta, principalmente pelo fato de ser mais efetiva e menos onerosa que as convencionais. Nos Estados Unidos sua aplicabilidade é muito comum devido ao grande número de áreas contaminadas por petróleo e combustíveis. Essa tecnologia deverá se despontar como uma ótima alternativa para remediação de solos também aqui no Brasil (BITTAR, 2001). • Landfarming

Neste tipo de tratamento, o solo é escavado e espalhado numa plataforma com um sistema que coleta qualquer líquido lixiviado ou contaminado que possa sair do solo encharcado. Os solos são periodicamente revolvidos, fazendo com que o ar se misture com os resíduos. A umidade e os nutrientes são controlados para fomentar a biorremediação. O tempo para a biorremediação ocorrer será longo se a quantidade de nutrientes, o oxigênio ou a temperatura não forem propriamente controlados. Em alguns casos, a redução efetiva da concentração dos contaminantes pode ser atribuída mais à volatilização do que a biorremediação. Quando o processo é conduzido em um local controlado, a fuga dos contaminantes voláteis é minimizada (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a). As principais vantagens desse tipo de técnica é que ela apresenta uma implementação simples, seus custos são baixos, pode ser uma solução permanente e a

aceitação pública é bastante favorável. Já como desvantagens pode-se ressaltar a necessidade de um grande espaço, o tratamento das emissões atmosféricas e um longo tempo para concluir a remediação (ENVIRONMENT CANADA, 2003). • Compostagem (composting)

Uma nova tecnologia de compostagem está sendo utilizada para restaurar solos contaminados, controlar odores e degradar compostos orgânicos voláteis (VOCs). Esse tipo de biorremediação refere-se ao uso de um sistema biológico de microorganismos; um adubo que seqüestra ou quebra os contaminantes da água ou do solo. Os microorganismos consomem os contaminantes nos solos, nas águas e superficiais subterrâneas e no ar. Os contaminantes são digeridos, metabolizados e transformados em húmus e em produtos inertes, como dióxido de carbono, água e sais. A compostagem é efetiva na degradação ou na alteração de muitos tipos de contaminantes como hidrocarbonetos clorados e não clorados, substâncias químicas utilizadas na preservação de madeira, solventes, metais pesados, pesticidas, produtos de petróleo e explosivos. O adubo usado na biorremediação deve ser desenvolvido especialmente para cada contaminante em locais específicos (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a). A meta final para qualquer projeto de remediação é fazer com que o local retorne para as condições anteriores à contaminação, incluindo a revegetação para estabilizar o solo tratado. Além de reduzir os níveis de contaminantes, a compostagem avança nessa meta, pois facilita o crescimento das plantas ao prover condições de solo e nutrientes para uma grande variedade de vegetação (ENVIRONMENTAL

PROTECTION AGENCY, 2001a).

4.1.2 Fase lodosa (slurry phase)

Nesta fase, o solo e o barro escavados são misturados com água e outros aditivos num grande reservatório denominado bioreator. Isso faz com que os microorganismos já presentes no solo sejam retidos e entrem em contato com os contaminantes. Nutrientes e oxigênio são adicionados e as condições do bioreator são controladas para auxiliar o crescimento dos microorganismos que degradarão os contaminantes. Após a remediação, a água é removida e disposta ou tratada (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a). Esse tratamento é relativamente rápido comparado a outros processos biológicos de tratamento para lodo contaminado. O sucesso do tratamento depende da especificidade do solo e das propriedades químicas do material contaminado. Costuma ser utilizado quando a rápida remediação é prioridade (ENVIRONMENTAL

PROTECTION AGENCY, 2001a).

4.2 Técnicas de biorremediação in-situ

Essas técnicas são menos custosas, geram menos impacto e menores riscos de liberação de contaminantes do que as técnicas ex situ, pois não requerem a escavação e o transporte do solo contaminado. Além disso, é possível tratar uma grande quantidade de solos contaminados de uma só vez. Entretanto, elas podem ser mais

demoradas, mais difíceis de se gerenciar e mais efetivas apenas em solos de alta permeabilidade (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a). A biorremediação in situ é a única tecnologia que pode remover os contaminantes adsorvidos no solo e nas águas subterrâneas até os níveis exigidos pela legislação (CASARINI, 2000). Elas têm sido usadas, na prática, para remediar locais contaminados por hidrocarbonetos de petróleo. O oxigênio é um fator limitante na degradação dos contaminantes por se tratar de um processo aeróbio. Para superar essa limitação, alguns acessos são criados para levar oxigênio, nutrientes e outros suplementos para o subsolo (ENVIRONMENT CANADA, 2003). Dentre as técnicas mais conhecidas de biorremediação in situ, pode-se citar: bombeamento e reinjeção (pump-and-reinject), air sparging, bioventilação (bioventing) e bioslurping. • Bombemanto e reinjeção (pump and reinject)

É uma tecnologia utilizada tanto para remediar solos quanto águas subterrâneas. Um sistema de tratamento físico-químico composto por poços que extraem a água e adicionam alguns reagentes de forma a melhorar sua qualidade, removendo seus contaminantes, para que então seja reinjetada no subsolo por poços de recarga (CSMWG, 1997). A biodegradação e a lavagem do solo ocorrem no subsolo. Quando a água se move em direção aos poços de extração, ela vai lavando os contaminantes. Os reagentes adicionados a ela estimulam os microorganismos e promovem a biodegradação (CSMWG, 1997).

Após essa etapa os microorganismos presentes num bioreator degradam os contaminantes orgânicos presentes no solo. Os efluentes do bioreator então, são aplicados no solo de forma a percolar nele. Esses efluentes contêm uma biomassa ativa que degradará os contaminantes do solo. Um clarificador separará a parte sólida da parte líquida do resto do efluente que fica na superfície (CSMWG, 1997). • Air sparging Apresenta um grande potencial de limpeza de locais contaminados. Oferece duas opções de processos de remediação que podem trabalhar sozinhos ou em conjunto, a biorremediação e a volatilização (CSMWG, 1997). O processo envolve a introdução de ar sob a água subterrânea. Esse ar pressionado é então injetado diretamente no aqüífero para fornecer oxigênio para a biodegradação e/ou para extrair os contaminantes da água subterrânea. Os contaminantes volatilizados podem ser capturados por um sistema de extração a vácuo e bombeados para serem tratados na superfície (CSMWG, 1997). • Bioventilação

É um sistema de introdução de ar da atmosfera para o solo, acima da camada de água subterrânea através de poços de injeção situados nas partes do solo onde há a presença de contaminantes. O número, a localização e a profundidade dos poços dependem de muitos fatores geológicos e de condições de planejamento. Um ventilador pode ser usado para puxar ou empurrar o ar e bombear nutrientes para o solo através dos poços. O ar flui pelo solo, levando o oxigênio até os microorganismos. Nitrogênio e

fósforo podem ser adicionados para acelerar o crescimento da população microbiana (ENVIRONMENTAL PROTECTION AGENCY, 2001a). • Bioslurping

É uma tecnologia inovadora que consiste num sistema composto por tubos de sucção cuja função é remover o produto livre que fluta na água subterrânea e ventilar o solo. Essa ventilação, muito semelhante a bioventilação, aumenta a volatilização e a biodegradação dos contaminantes presentes no solo. Os vapores contaminados que alcançam a superfície são liberados na atmosfera ou podem passar por algum tipo de tratamento (CSMWG, 1997).

5. ESTUDO DE CASO

Este estudo de caso está inteiramente baseado no documento Cost and Performance Report – Slurry-Phase Bioremediatio at the French Limited Superfund Site, da EPA. Ele visa apresentar a performance de um tratamento por biorremediação in situ da fase lodosa aplicada no French Limited Superfound Site (French Ltd.), em Crosby, Texas.

5.1 Histórico

O French Ltd. é um local permitido de disposição de resíduos industriais de 2250 m², onde foram dispostos, aproximadamente, 70 milhões de galões de resíduos provenientes de refinarias e plantas petroquímicas entre 1966 e 1971, principalmente numa lagoa de 730 m². Estes resíduos incluem material de fundo de tanque, ácidos e produtos não especificados; eles também eram processados e incinerados. Dentre os contaminantes incluem-se hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs), orgânicos clorados e metais. A lagoa era uma antiga cava de areia abandonada com profundidade entre 6 e 7,5 metros. Na lagoa, os resíduos estavam concentrados em uma camada densa, oleosa e viscosa de 1 metro de lama e 1,5 metros de subsolo.

O local localiza-se numa área de plantação de 100 anos no Rio São Jacinto, local suscetível à cheias periódicas. Em maio de 1979, uma cheia ocorreu e quebrou o dique oriental que cercava a lagoa. Como resultado, a lama contaminada foi carregada para fora da lagoa, atingindo um lamaçal adjacente. Em 1982, a EPA consertou o dique e bombeou a lama contaminada do lamaçal de volta para a lagoa. A EPA identificou aproximadamente 90 Companhias como Partes

Potencialmente Responsáveis (PRPs) e, em 1983, elas as formaram uma Força-Tarefa para liderar a remediação do local, o FLTG (French Limited Task Group), que concordou, em 1984, em remediar o local. As Investigações de Remediação (RI) iniciaram-se em 1983 pela EPA e foram conduzidas pelo FLTG com investigações de campo e uma segunda RI em 1986. A técnica escolhida para a remediação foi baseada nos resultados de ambas RI e num Estudo de Probabilidade. A primeira proposta da EPA era utilizar a incineração, porém o FLTG pesquisou alternativas de maior custo-benefício. Em 1987, o FLTG conduziu um estudo de tratabilidade em escala piloto de biorremediação numa seção de 60 m² da lagoa. Como resultado, em 24 de março de 1988 um Registro de Decisão (ROD – Record of Decision) substituiu a incineração pela biorremediação in-situ para remediar o local. O processo de biorremediação da fase lodosa foi operado entre janeiro de 1992 e Novembro de 1993 para remediar aproximadamente 300.000 toneladas de lama e subsolo da lagoa. Esta técnica atingiu as metas de limpeza para os cinco contaminantes alvos (benzo(a)pireno, PCBs totais, cloreto de vinila, arsênico e benzeno) dentro de 11 meses de tratamento.

Os custos desta biorremediação incluindo desenvolvimento da tecnologia, gerenciamento do projeto e monitoramento da EPA foram de aproximadamente US$49. 000.000. Os custos diretamente relacionados com a remediação foram de

aproximadamente US$26. 900.000, o correspondente a US$ 90 por tonelada de solo e lama contaminados. O ROD especificou o risco-base através de metas quantitativas de limpeza para os cinco tipos de contaminantes do fundo da lagoa da French Ltd. e também forneceu especificações para a recuperação e tratamento de águas subterrâneas. As seguintes alternativas de ação de remediação foram consideradas para a área da French Ltd.: incineração on-site da lama e do subsolo contaminados; incineração on-site da lama e fixação química do subsolo contaminado no local; encapsulamento dos contaminantes por paredes impermeáveis e cobertura de várias camadas; não ação e tratamento biológico da lama e do subsolo contaminado. O tratamento biológico da lama e do subsolo contaminado foi escolhido porque ele seria capaz de atingir as metas de limpeza num razoável período de tempo, teria um custo menor que a incineração e a probabilidade da biorremediação falhar era menor que das outras opções. Entretanto, se a biorremediação falhasse, o uso da incineração seria a alternativa.

Os primeiros contaminantes encontrados na lagoa foram HPAs, halogenados semivoláteis, não-halogenados voláteis, metais e elementos não-metálicos. A lama e o solo da lagoa continham uma variedade de orgânicos, metais e PCB’s, cujas especificações e concentrações eram: PCB’s: até 616 mg/Kg; orgânicos voláteis: até 400 mg/Kg para cada contaminante; pentaclorofenol: até 750 mg/Kg; semi-voláteis: até 5.000 mg/Kg para cada contaminante e metais: até 5.000 mg/Kg para cada contaminante.

A seguir, encontra-se uma linha do tempo do gerenciamento do French Ltd, sintetizando as idéias explanadas anteriormente:

Tabela 06: Linha do tempo da remediação do French Ltd. DATA DE INÍCIO DATA DE TÉRMINO ATIVIDADE O local foi adicionado à Lista Nacional de 10/1983 Prioridades da CERCLA Tratamento-piloto 04/1987 04/1988 conduzido numa célula de 50m² do local 03/1988 03/1990 Assinatura do ROD Preparação do Plano de Remediação Preparação 01/1991 06/1991 remediação do desenvolvimento da de biorremediação

Construção 07/1991 12/1991 remediação 01/1992 11/1992

da

infra-enstrutura

de

Biorremediação da célula E Transferência dos equipamentos de

11/1992

12/1992 biorremediação para a célula F

01/1993

11/1993

Biorremediação da célula F Pós-tratamento da célula E e seu re-

06/1993

01/1994 enchimento com solo limpo Desmonte dos equipamentos de tratamento

12/1993

03/1994 da célula F Pós-tratamento da célula F e seu re-

02/1994

11/1994 enchimento com solo limpo

Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

5.2 Atividade de remediação

O sistema usado na French Ltd. foi elaborado visando estimular os microorganismos indígenos através da aeração, controle de pH e nutrientes para a oxidar biologicamente os resíduos orgânicos. A lama e o subsolo eram cortados, introduzidos em soluções e misturados por bombas, escavadeiras e centrígugas. O corte controlado era o fator-chave no controle do crescimento da biomassa, assim como o nível de oxigênio dissolvido e pH.

A lama e o subsolo eram tratados separadamente. Se fossem misturados, a lama poderia cobrir as partículas do solo e a mistura poderia não ter a gravidade ideal e assentar mais rapidamente, reduzindo assim a efetividade do tratamento. Tratar a lama separadamente evita que ela cubra as partículas do solo e maximize a superfície disponível para tratamento. A lagoa foi dividida em duas células de tratamento, célula E e célula F, de volumes aproximadamente iguais, conforme mostra a figura abaixo. Ambas foram criadas através da construção de barreiras na direção norte-sul da lagoa. Essa configuração permitiu a remediação sucessiva da célula ocidental (célula E) e oriental (célula F). Os benefícios dessa remediação sucessiva foram limitar as emissões atmosféricas durante a remediação; reduzir a quantidade de equipamentos adquiridos e permitir o aprimoramento do processo durante a remediação.

Figura 06: Células de tratamento do French Ltd. Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

As células de tratamento foram desenvolvidas para comportar um volume de 17 milhões de galões de solução cada e manter a concentração mínima de oxigênio dissolvido de 2 mg/L. Os principais componentes do processo de biorremediação incluem um sistema de aeração, um sistema de fornecimento de oxigênio líquido, um sistema de fornecimento de substâncias químicas e um equipamento de escavação e mistura. O FLTG escolheu um sistema de oxigênio puro ao invés de um sistema de aeração para minimizar as emissões atmosféricas na remediação. Nos sistemas de aeração convencionais ocorrem consideráveis quantidades de emissões atmosféricas porque é necessária uma grande quantidade de ar para atingir a quantidade necessária de oxigênio dissolvido. O sistema de oxigênio puro é mais eficiente que os convencionais numa proporção de 90% para 30%. Essa combinação reduz as emissões atmosféricas e de gases residuais do processo de tratamento. Este sistema dissolve o oxigênio em dois estágios. No primeiro, a água é bombeada para a área de tratamento e pressurizada. O oxigênio puro então é injetado na água. A mistura resultante passa por um encanamento onde aproximadamente 60% do oxigênio injetado é dissolvido. No segundo estágio, a mistura de oxigênio e água é reinjetada na área de tratamento. Um edutor dissipa a energia do bombeamento na mistura de água/oxigênio, através da ingestão da água não oxigenada, misturando-a com a oxigenada e finalmente descarregando a mistura completa de volta para a área de tratamento, dissolvendo assim 75% do oxigênio remanescente.

Figura 07: Esquema da aeração na remediação do French Ltd Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

O oxigênio é distribuído em toda a célula de tratamento através de um modelo de circulação dupla que o injeta na solução e faz com que esta passe pela célula, onde será utilizado no processo de biorremediação. Para dragar e misturar a lama e o subsolo foi utilizado um sistema de tratamento diferente. Quatro misturadores de lama foram usados para cortar a quantidade necessária de lama para ativar o tratamento biológico do material sólido, o mesmo acontecendo para o subsolo da lagoa. Um sistema simples de adição química foi utilizado para controlar o pH e os nutrientes químicos na solução de tratamento. Foram adicionados uma solução de 15% de lima hidratada, uréia hidratada em 46% e fósforo através de fosfato de amônia líquido.

Figura 08: Esquema de tratamento do French Ltd. Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

Após verificado que as metas de limpeza do solo e da lama foram atingidas, foi utilizada osmose reversa para tratar a água superficial da lagoa. Aproximadamente 40 milhões de galões de água superficial da lagoa foram processados através de um sistema de osmose reversa e descarregados no Rio São Jacinto. Quando a lagoa secou, ela foi recomposta com solo limpo. Os sólidos residuais foram estabilizados e o local foi revegetado, através do plantio de capim e vegetação nativa. O tratamento foi monitorado usando amostras de lama, de subsolo e da solução utilizada. As amostras do subsolo e da lama foram coletadas em 52 locais na célula E e em 68 locais na célula F; durante todo o processo de biorremediação,

aproximadamente 50% do local foi amostrado. Também foi implementado um programa de monitoramento do ar para monitorar possíveis emissões de Compostos Orgânicos Voláteis (VOCs) causadas pelo processo de biorremediação através de equipamento eletrônicos instalados em locais

estratégicos da célula de tratamento em operação. A concentração de VOCs totais variou de 0.3 à 1.6 ppm, menor do que o nível máximo especificado de 11 ppm, como mostra a tabela abaixo:

Tabela 07: Concentração de VOCs durante o processo de biorremediação

Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

Este sistema de monitoramento de ar foi complementado com a instalação de pontos de amostra contínuos entre a célula de tratamento e os três receptores mais próximos. As amostras eram analisadas diariamente para prover a medição dos 35 VOCs e emitir dados, semanalmente, que calculavam o risco para estes receptores mais próximos. Todas as medições permaneceram dentro dos padrões estabelecidos pela EPA.

5.3 Resultados

Os resultados indicam que as metas de tratamento foram atingidas em 10 meses para a célula E em 11 meses para a célula F. Os contaminantes tratados mais rapidamente foram o cloreto de vinila (4 meses para a célula E e 1 mês para a célula F) e os PCBs totais (4 meses para a célula E e 1 mês para a célula F), sendo o benzo(a)pireno o que levou mais tempo. Os cinco contaminantes mostraram redução de concentração no tratamento. Por exemplo, o benzeno passou de 608 mg/kg para 4.4 mg/kg na célula E e de 393.3 mg/kg para 5.2 mg/kg na célula F. O cloreto de vinila atingiu concentrações abaixo do detectável na célula E e 6.6 mg/kg na célula F. Já o benzo(a)pireno atingiu 6 mg/kg na célula E e 6.8 mg/kg na célula F. O monitoramento de VOCs, juntamente com dados operacionais, indicaram que os componentes orgânicos, incluindo cloreto de vinila, benzeno e benzo(a)pireno foram removidos da lagoa via biodegradação.

De acordo com o FLTG os dados disponíveis indicaram que os PCBs foram biodegradados na fase lodosa até níveis abaixo dos estabelecidos. O arsênico e outros metais não foram biodegradados, porém foram dispersos nos resíduos finais. Pode-se visualizar a redução na concentração dos contaminantes através dos gráficos abaixo:

Figura 09: Diminuição dos compostos orgânicos voláteis Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

Figura 10: Diminuição dos compostos orgânicos semivoláteis Fonte: Environmental Protection Agency, 1995.

A biorremediação demonstrou ser uma técnica efetiva e com um custo-benefício menor do que as alternativas, atingindo em um curto espaço de tempo as metas estipuladas de limpeza do solo.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A preocupação com a contaminação do solo só recentemente tem sido discutida, porém já faz parte da agenda política de alguns países, principalmente dos desenvolvidos. No Brasil, apesar de suas dimensões e do seu histórico, apenas o estado de São Paulo está desenvolvendo uma política a respeito, sendo a elaboração do Anteprojeto de Lei um grande avanço no processo de gerenciamento de áreas contaminadas. É necessário que não só medidas de correção e punição sejam adotadas, mas também medidas preventivas e proativas, para que não surjam novos problemas e novos desastres ambientais como os que ocorreram no passado. E mais do que isso, que a postura negligente das empresas e indústrias de fato mude e elas não se mostrem tão indiferentes aos passivos ambientais por elas causados. Estão sendo desenvolvidas tecnologias cada vez mais elaboradas para a remediação de resíduos e de áreas contaminadas, visando à minimização dos impactos causados por eles ao ambiente, principalmente nos solos, nas águas subterrâneas e superficiais. A análise das técnicas e do estudo de caso evidenciou que o tratamento biológico é uma alternativa interessante na remediação de locais contaminados. O Brasil já tem exemplos bastante avançados de biorremediação que são comumente expostos em congressos internacionais e amplamente utilizados como referência para outros trabalhos.

São necessários estudos e pesquisas intensas visando a não-ocorrência de casos onde se utilizem microorganismos e substâncias desconhecidas cujas conseqüências no final do tratamento são verdadeiras incógnitas, podendo causar problemas não só na estrutura física do solo e do ambiente do entorno como também de saúde pública. É muito importante o estabelecimento de parcerias das empresas brasileiras com grupos estrangeiros e/ou com instituições de pesquisa brasileiras para que se desenvolvam cada vez mais estudos nessa área, buscando selecionar as melhores alternativas para os inúmeros tipos contaminação existentes e também para os ainda desconhecidos.

Recomendações

A partir dos estudos realizados, percebeu-se a necessidade da criação de padrões de qualidade de solo específicos para o Brasil. Recomenda-se que universidades e centros de pesquisa elaborem tais padrões para aprimorar o gerenciamento de áreas contaminadas, garantindo assim a eficiência na remediação dessas áreas.

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ENVIRONMENTAL

PROTECTION

AGENCY.

A

Citizen's

Guide

to

Solidification/Stabilization. Dezembro de 2001i. Disponível em < http://www.cluin.com/s.focus/c/pub/i/945/> Acesso em 12 de dezembro de 2003.

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ANEXO A - Anteprojeto de Lei sobre Proteção da Qualidade do Solo e Gerenciamento de Áreas Contaminadas
O GOVERNADOR DO ESTADO DE SÃO PAULO

CONSIDERANDO:

O Artigo 225 da Constituição Federal que impõe ao poder público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente de forma ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações;

O estabelecido no Artigo 24, inciso VIII, da Constituição Federal, que autoriza os Estados para legislar concorrentemente sobre a responsabilidade por dano ao meio ambiente.

O estabelecido no artigo 193 da Constituição do Estado de São Paulo, que determina a necessidade de se adotar medidas, nas diferentes áreas de ação pública e junto ao setor privado, para manter e promover o equilíbrio ecológico e a melhoria da qualidade ambiental, prevenindo a degradação em todas as suas formas e impedindo ou mitigando impactos ambientais negativos e recuperando o meio ambiente degradado;

O disposto no artigo 1° da Lei Estadual n° 997/76, que institui o Sistema de Prevenção e Controle da Poluição do Meio Ambiente;

A necessidade de proteger a saúde humana, o meio ambiente e outros bens contra os efeitos negativos decorrentes de atividades poluidoras;

A existência no Estado de São Paulo, de áreas contaminadas geradas pelo manejo inadequado ou ilegal de substâncias, com potencial de contaminação do solo e das águas subterrâneas;

A necessidade de evitar a disseminação de áreas contaminadas pela eliminação ou redução a níveis seguros a quantidade de substâncias nocivas introduzidas no solo, e de forma compatível com a proteção da saúde humana e dos ecossistemas;

A necessidade de promover o uso sustentável do solo de forma a protegê-lo contra alterações nocivas causadas pelas atividades econômicas, pelos impactos delas decorrentes e pelos acidentes ambientais;

A necessidade de proteger a qualidade das águas subterrâneas como reserva estratégica para abastecimento;

A necessidade de informar a população sobre os reflexos causados pelos agentes de contaminação à qualidade ambiental e à saúde humana;

A necessidade de revitalização de ambientes urbanos degradados pela implementação de políticas públicas direcionadas à remediação de áreas contaminadas;

A necessidade de articulação dos órgãos públicos, em todos os níveis, visando a melhoria da qualidade do solo e das águas subterrâneas, atendidas as peculiaridades regionais e locais e em harmonia com o desenvolvimento social e econômico;

A necessidade de unificação de procedimentos para otimização das ações de remediação de áreas contaminadas.

Propõe à Assembléia Legislativa o anexo.

ANTEPROJETO DE LEI SOBRE PROTEÇÃO DA QUALIDADE DO DE SOLO E

Seção II Dos Objetivos

GERENCIAMENTO CONTAMINADAS

ÁREAS Artigo 2º - Constitui objetivo desta lei garantir o uso sustentável do solo pela proteção contra

Dispõe sobre diretrizes e procedimentos para a proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas e dá providências correlatas.

contaminações e prevenção de alterações nas características e funções do solo, por meio de: I. medidas para proteção da qualidade do solo e das águas subterrâneas; II. medidas preventivas à geração de áreas contaminadas;

Capítulo I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

III. procedimentos para identificação de áreas contaminadas; IV. garantia à saúde e segurança da população

Seção I Do Objeto

exposta à contaminação; V. promoção da remediação de áreas

contaminadas e das águas subterrâneas por Artigo 1º - Esta lei trata da proteção da qualidade do solo contra alterações nocivas por contaminação, responsabilidades, da da definição identificação e de do elas afetadas; VI. incentivo à reutilização de áreas remediadas, principalmente em ambiente urbano; VII. promoção da articulação interinstitucional; e VIII. garantia de participação da população afetada nas decisões relacionadas às áreas contaminadas.

cadastramento de áreas contaminadas, e da remediação dessas áreas de forma a tornar seguro seu uso atual e futuro. Parágrafo único – Para efeito desta lei considera-se área contaminada aquela área, terreno, benfeitoria local, que instalação, contém edificação quantidades ou ou

Seção III Das Definições

Artigo 3º - Para efeitos desta lei são adotadas as seguintes definições: Água Subterrânea - água de ocorrência natural na zona saturada do subsolo. Área Contaminada - área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria que contém quantidades ou concentrações de matéria em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger.

concentrações de matéria em condições que causem ou possam causar danos à saúde humana, ao meio ambiente ou a outro bem a proteger.

Área Contaminada sob investigação – área contaminada na qual estão sendo realizados procedimentos para determinar a extensão da contaminação e os receptores afetados. Área com Potencial de Contaminação - área, terreno, local, instalação, edificação ou

Declaração de Encerramento de Atividade – ato administrativo pelo qual o órgão ambiental atesta o cumprimento das condicionantes

estabelecidas no Plano de Desativação do empreendimento e na legislação pertinente. Fase Livre - ocorrência de substância ou produto em fase separada e imiscível quando em contato com a água ou o ar do solo. Intervenção – ação que objetive afastar o perigo advindo de uma área contaminada. Investigação Confirmatória – investigação que visa comprovar a existência de uma área contaminada. Investigação Detalhada processo de

benfeitoria onde são ou foram desenvolvidas atividades que, por suas características, possam acumular quantidades ou concentrações de matéria em condições que a tornem

contaminada. Área Remediada para o Uso Declarado – área, terreno, local, instalação, edificação ou benfeitoria após anteriormente à contaminada remediação, que, tem

submetida

aquisição e interpretação de dados de campo que permite o entendimento da dinâmica das plumas de contaminação em cada um dos meios físicos afetados. Remediação de Área Contaminada – adoção de medidas para a redução dos riscos a níveis aceitáveis para o uso definido. Risco - probabilidade de ocorrência de um efeito adverso em um receptor sensível. Solo - camada superior da crosta terrestre, constituída por minerais, matéria orgânica, água,

restabelecido o nível de risco aceitável à saúde humana, considerado o uso declarado. Área Suspeita de Contaminação - área, terreno, local, instalação, edificação ou

benfeitoria com indícios de ser uma área contaminada. Avaliação de Risco - é o processo pelo qual são identificados, avaliados e quantificados os riscos à saúde humana, ao meio ambiente e a outros bens a proteger. Avaliação realizada Preliminar com base – avaliação nas inicial,

ar e organismos vivos. Valor de Intervenção - concentração de determinada substância no solo e na água subterrânea, acima da qual existem riscos potenciais diretos e indiretos à saúde humana, considerado um cenário de exposição genérico. Valor de Prevenção – concentração de

informações

disponíveis, visando fundamentar a suspeita de contaminação de uma área. Cenário de Exposição – conjunto de variáveis sobre o meio físico e a saúde humana, estabelecidas para avaliar os riscos associados à exposição dos indivíduos a determinadas condições, em um período de tempo. Classificação de Área - ato administrativo por meio do qual o órgão ambiental classifica determinada área durante o processo de

determinada substância, acima da qual podem ocorrer alterações prejudiciais à qualidade do solo e da água subterrânea. Valor de Referência de Qualidade -

concentração de determinada substância no solo e na água subterrânea que define um solo

identificação e remediação da contaminação.

como limpo ou a qualidade natural da água subterrânea.

ocorram alterações significativas e prejudiciais às funções do solo. Parágrafo único – Para os efeitos desta lei, são

Seção IV Dos Instrumentos

consideradas funções do solo: I. sustentação da vida e habitat para pessoas, animais, plantas e organismos do solo;

Artigo 4º – São instrumentos, dentre outros, para a implantação do sistema de proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas:

II. manutenção do ciclo da água e dos nutrientes; III. proteção da água subterrânea; IV. manutenção do patrimônio histórico natural e cultural;

I.

Cadastro

de

Áreas

Contaminadas;

II.

V. conservação das reservas minerais e de matéria prima; e VI. produção de alimentos. Artigo 6º - Os órgãos do SEAQUA – Sistema de Administração da Qualidade Ambiental,

Disponibilização de informações; III. Auto-denúncia; IV. Licenciamento e fiscalização; V. Plano de Desativação; VI. Plano Diretor e legislação de Uso e Ocupação do Solo; VII. Plano de Remediação; VIII. Incentivos fiscais, tributários e creditícios; IX. Fiança bancária; X. Seguro ambiental; XI. Auditorias ambientais; XII. Critérios de qualidade para solo e águas subterrâneas XIII. Compensação ambiental; XIV. Fundos Financeiros; e XV. Educação Ambiental.

Proteção, Controle e Desenvolvimento do Meio Ambiente e Uso Adequado dos Recursos Naturais, bem como os demais órgãos ou entidades da Administração Pública direta ou indireta, no exercício de atividades de

licenciamento e controle, deverão atuar de forma preventiva e corretiva com o objetivo de evitar alterações significativas das funções do solo. Artigo 7º - A atuação dos órgãos do SEAQUA, no que se refere à proteção da qualidade do solo e gerenciamento de áreas contaminadas, terá como parâmetros os valores de referência de qualidade,

Capítulo II DA PREVENÇÃO E DO CONTROLE DA POLUIÇÃO DO SOLO

prevenção e intervenção, a serem estabelecidos pelo órgão ambiental estadual. Artigo 8º - Os Valores de Referência de Qualidade serão utilizados para orientar a

Artigo 5º - Qualquer pessoa física ou jurídica que, por sua atuação, possa afetar

política de prevenção e controle das funções do solo.

negativamente a qualidade do solo, deve tomar as providências necessárias para que não

Parágrafo único - O Poder Público deverá disponibilizar informações sobre a qualidade do solo e das águas subterrâneas Artigo 9º - Os Valores de Prevenção serão utilizados para disciplinar a introdução de substâncias no solo. Parágrafo único - Na hipótese dos Valores de Prevenção serem ultrapassados, a continuidade da atividade será submetida a reavaliação, devendo os responsáveis legais proceder ao monitoramento dos impactos

V.

quem

dela

se

beneficiar

direta

ou

indiretamente. Parágrafo único – Poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica quando sua personalidade for obstáculo à identificação e remediação da área contaminada. Artigo 13 - Havendo perigo à vida ou à saúde da população, pela contaminação de uma área, o responsável tal legal fato deve às comunicar autoridades

imediatamente

competentes e atuar prontamente para a retirada do perigo. § 1º - Os perigos a que se refere este artigo são, dentre outros, os seguintes: I. incêndios; II. explosões; III. episódios de exposição aguda a agentes tóxicos, reativos e corrosivos; IV. episódios de exposição a agentes

decorrentes. Artigo 10 - Os Valores de Intervenção serão utilizados para impedir a continuidade da introdução de cargas poluentes no solo. Artigo 11- O órgão ambiental poderá exigir do responsável legal por uma área com fontes potenciais de contaminação do solo e das águas subterrâneas a manutenção de um programa de monitoramento da área e de seu entorno.

patogênicos; V. migração de gases voláteis para ambientes confinados e semi-confinados, cuja

concentração final exceda a 20% do Limite Capítulo III DAS ÁREAS CONTAMINADAS Inferior de Explosividade - LIE; VI. contaminação águas para superficiais ou

subterrâneas Seção I Das Responsabilidades

utilizadas

abastecimento

público e dessedentação de animais; e VII. contaminação de alimentos. § 2º - Na hipótese em que o responsável não

Artigo 12 - São considerados responsáveis solidários pela prevenção e remediação de uma área contaminada: I. o causador da contaminação e seus

promover a imediata remoção do perigo, tal providência poderá ser tomada subsidiariamente pelo poder público, garantido-se o direito de ressarcimento dos custos efetuados. § 3º - Os órgãos do SEAQUA fixarão, por meio de regulamento, os parâmetros objetivos para a quantificação dos custos a serem cobrados do responsável legal.

sucessores; II. o proprietário da área; III. o superficiário; IV. o detentor da posse efetiva; e

Seção II Da Identificação

interessados; e III. iniciar procedimentos para ações emergenciais.

Artigo 14 - Uma área será classificada como contaminada quando houver constatação de: I. contaminantes em no solo ou na acima água dos

Seção III Da Remediação

subterrânea

concentrações

Artigo 18 – O responsável legal pela área classificada como Área Contaminada sob

valores de intervenção; II. presença de produto em fase livre,

Investigação deverá realizar uma investigação detalhada para conhecimento da extensão total da contaminação e identificação de todos os receptores de risco. Parágrafo único - Nos casos onde houver comprometimento de uma fonte de

proveniente da área; e III. presença de substâncias que, de acordo com parâmetros específicos, possam representar perigo. Artigo 15 - O responsável legal, ao detectar indícios ou suspeitas de que uma área esteja contaminada, deverá imediatamente notificar o órgão ambiental, sob pena de responsabilização nas esferas administrativa, civil e penal. Artigo 16 – O órgão ambiental deverá adotar os seguintes procedimentos para identificação de uma área contaminada: I. manter informações sobre as áreas com potencial de contaminação; II. realizar avaliação preliminar na área onde haja indícios de contaminação, conforme

abastecimento de água, o responsável pela contaminação deverá fornecer fonte alternativa de água potável para abastecimento da população afetada. Artigo 19 – A tomada de decisão, pelo órgão ambiental, quanto à intervenção em uma Área Contaminada sob Investigação, será subsidiada por avaliação de risco para fins de remediação, a ser executada pelo responsável legal. Artigo 20 - Área Contaminada sob Investigação não pode ter seu uso alterado até conclusão das etapas de investigação detalhada e avaliação de risco. Artigo 21 – Quando os valores definidos para riscos aceitáveis à saúde ser humana forem a

priorização estabelecida em regulamento; III. exigir investigação confirmatória da área pelo responsável, uma vez confirmada a suspeita doinciso II; e IV. propor a sua classificação como Área Contaminada sob Investigação. Artigo 17 – Uma vez a área classificada como Área Contaminada sob Investigação, o órgão ambiental deverá: I. providenciar a inclusão da área no Cadastro de Áreas Contaminadas; II. notificar os órgãos públicos estaduais

ultrapassados,

deverá

promovida

remediação da área contaminada. Parágrafo único – Os valores referidos no caput deste artigo serão definidos em

regulamento. Artigo 22 – Classificada uma área como Área Contaminada, o órgão ambiental deve tomar as seguintes providências:

envolvidos, prefeituras municipais e demais

I. reclassificar a área no Cadastro de Áreas Contaminadas; II. informar os órgãos de saúde, havendo riscos à saúde humana; III. oficiar ao Cartório de Registro de Imóveis, visando a averbação da contaminação da área; IV. notificar os órgãos públicos estaduais envolvidos, prefeituras municipais e demais interessados; e V. iniciar os procedimentos para remediação da área contaminada em sintonia com as ações emergenciais já em curso. Artigo 23 – O responsável legal pela área contaminada deverá elaborar Plano de

Artigo 25 – Uma vez classificada a área como Área Remediada para o Uso Declarado, o órgão ambiental deverá: I. reclassificar a área no Cadastro de Áreas Contaminadas; II. oficiar ao Cartório de Registro de Imóveis, visando a averbação da remediação da área para o uso declarado, respeitada a legislação de uso e ocupação do solo; III. notificar os órgãos públicos envolvidos, prefeituras municipais e demais interessados. Parágrafo único – Todos os registros e informações referentes à Área Remediada para o Uso Declarado devem indicar expressamente o uso para o qual ela foi remediada, que não

Remediação a ser submetido e aprovado pelo órgão ambiental. § 1º A implementação do Plano de

poderá ser distinta dos usos autorizados pela legislação de uso e ocupação de solo. Artigo 26 – Na hipótese de propositura para

Remediação será acompanhada pelo Poder Público. § 2º O responsável legal pela área

alteração do uso ou ocupação de uma área remediada, deverá ser efetuada, pelo

contaminada deverá apresentar garantias de que o Plano de Remediação aprovado será implantado em sua totalidade e nos prazos estabelecidos. § 3º - No descumprimento, por quaisquer motivos, do Plano de Remediação aprovado, o órgão ambiental executará as garantias para custear a complementação das medidas de remediação, além de tomar as medidas

responsável, nova avaliação de risco para o uso pretendido, a qual será submetida à aprovação do órgão ambiental. Parágrafo único - O novo uso autorizado para a área remediada deverá atender à legislação de uso e ocupação do solo e será averbado pelo Cartório de Registro de Imóveis, mediante notificação do órgão ambiental. Artigo 27 - Os empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental, e potenciais geradores de contaminação, ou o deverão comunicar das a

atinentes a seu poder de polícia administrativa. Artigo 24 - Uma área contaminada será classificada como Área Remediada para o Uso Declarado quando for restabelecido nível de risco aceitável para o uso declarado. Parágrafo único – Na classificação referida no caput deste artigo quanto ao uso declarado, deverá sempre ser respeitada a legislação de uso e ocupação de solo.

suspensão

encerramento

suas

atividades junto ao SEAQUA. § 1º - A comunicação a que se refere o "caput", deverá ser acompanhada que de a Plano de

Desativação

contemple

situação

ambiental existente, em especial, quanto à possibilidade da área estar contaminada e,

quando for o caso, deve conter informações quanto à implementação das medidas de remediação das áreas que serão desativadas ou desocupadas. § 2º- O órgão ambiental deverá analisar o Plano de Desativação, verificando a adequação das propostas apresentadas. § 3ºApós a recuperação da qualidade

IV.

recursos

provenientes internacional e

de de

ajuda

e

cooperação

acordos

intergovernamentais; V. o retorno de operações de crédito

contratadas com órgãos ou entidades da administração direta ou indireta, consórcios intermunicipais, concessionários de serviços públicos e empresas privadas; VI. o produto de operações de crédito e as rendas provenientes da aplicação de seus recursos;

ambiental da área, o órgão ambiental emitirá a Declaração de Encerramento da Atividade.

Capítulo IV DOS INSTRUMENTOS ECONÔMICOS

VII. doações de pessoas naturais ou jurídicas, públicas ou privadas, nacionais, estrangeiras ou multinacionais;

Artigo 28 – Fica criado o Fundo Estadual para Prevenção Contaminadas e – Remediação FEPRAC, de fundo Áreas de

VIII. compensações ambientais provenientes de atividades potencialmente causadoras de

contaminação; IX. 10% do montante arrecadado em multas e licenças aplicadas pelos órgãos do SEAQUA. Artigo 30 – Os recursos de que trata o artigo anterior serão aplicados em operações

investimento vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, destinado à proteção contra alterações prejudiciais das funções do solo e à identificação e remediação de áreas

contaminadas, de forma a tornar seguro seu uso atual e futuro. Artigo 29 – Constituem receitas do FEPRAC: I. dotações ou créditos específicos, consignados no orçamento do Estado; II. transferências dos saldos e aplicações de outros fundos estaduais ou de suas subcontas, cujos recursos se destinem à execução de projetos, planos, programas, atividades e ações relacionados à prevenção e ao controle da poluição, de interesse comum; III. transferências da União, dos Estados e dos municípios para a execução de planos,

financeiras destinadas a apoiar e incentivar a execução de ações relacionadas à remediação de áreas contaminadas. § 1º - Os recursos do FEPRAC poderão ser aplicados a fundo perdido, quando o tomador for o Estado, visando a intervenção numa área contaminada para remoção do perigo iminente à saúde pública. § 2º - O Estado deverá ser ressarcido das despesas decorrentes da remediação de áreas contaminadas de acordo com o estabelecido no parágrafo anterior. § 3º - O Estado, uma vez ressarcido das despesas previstas no § 2º deste artigo, devolverá o montante recebido ao FEPRAC. Artigo 31 – A CETESB – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental exercerá

programas, atividades e ações de interesse do controle, preservação e melhoria das condições do meio ambiente no Estado;

as funções de agente técnico e de secretaria executiva do FEPRAC.

natureza e gravidade, a multa corresponderá ao dobro da anteriormente imposta. Artigo 34 – As infrações ambientais serão

Capítulo V DAS INFRAÇÕES E PENALIDADES

lavradas por autoridade competente e apuradas em processo administrativo próprio, assegurado o direito de ampla defesa e o contraditório,

Artigo 32 – Toda ação ou omissão contrária às disposições desta Lei e seu Regulamento são consideradas infrações ambientais classificadas em leves, graves ou gravíssimas, a critério da autoridade competente, levando-se em conta: I. a intensidade do dano, efetivo ou potencial; II. as circunstâncias atenuantes ou agravantes; e III. os antecedentes do infrator. Artigo 33 – As infrações ambientais de que trata o artigo anterior serão punidas com as seguintes penalidades: I. advertência; II. multa. § 1º - A penalidade de advertência será imposta quando se tratar de primeira infração pelo descumprimento das exigências técnicas

observadas as disposições desta Lei e seu Regulamento. Parágrafo único – Responderá pela infração quem por qualquer modo a cometer, concorrer para sua prática ou dela se beneficiar. Artigo 35 – Da aplicação das penalidades previstas nesta Lei caberá recurso à autoridade imediatamente superior, no prazo de 20 (vinte) dias contadas da data do auto de infração, ouvida a autoridade recorrida, que poderá reconsiderar sua decisão.

Capítulo VI DAS DISPOSIÇÕES FINAIS

Artigo 36 - O órgão competente do SEAQUA poderá estabelecer procedimentos diferenciados para a identificação contaminadas, e remediação suprimindo ou das áreas

formuladas pelo órgão ambiental competente, em qualquer fase do processo de remediação; § 2º - A penalidade de multa será imposta ao responsável pela área classificada como

aglutinando

etapas, em função das peculiaridades da atividade ou empreendimento ou da extensão da contaminação, princípios e desde finalidades que garantidos os pelo

contaminada, conforme disposto no artigo 14 desta Lei, observado o limite de 1.000 a 10.000 vezes o valor da Unidade Fiscal do Estado de São Paulo – UFESP; § 3º - A multa será recolhida com base no valor da UFESP do dia de seu efetivo pagamento; § 4º - Ocorrendo a extinção da UFESP adotarse-á, para efeitos desta Lei, o mesmo índice que a substituir; § 5º - Nos casos de reincidência, caracterizada pelo cometimento de nova infração da mesma

estabelecidos

presente decreto. Artigo 37 - Classificada uma área como contaminada sob investigação, o SEAQUA e os órgãos de saúde deverão implementar

Programa Participativo que garanta à população afetada, por meio de seus representantes, condições efetivas de envolvimento no processo

de remediação da área e acesso às informações disponíveis. Artigo 38 – No licenciamento ambiental de empreendimento cuja atividade seja geradora de área com potencial fica de contaminação, a título o de

acordo

com

a

etapa

do

processo

de

identificação e remediação da contaminação que se encontram § 1º - Para efeito de classificação no Cadastro de Áreas |Contaminadas, ficam estabelecidas as seguintes classes: Classe AI - Área Contaminada sob Investigação; Classe AC - Área Contaminada; Classe AR - Área Remediada para Uso Declarado.. § 2º - O Cadastro de Áreas Contaminadas integrará informações registradas nos órgãos públicos estaduais e municipais e disponibilizará a classificação das áreas para todos os de geração de uma área interessados. Artigo 43 - Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

empreendedor

obrigado,

compensação ambiental, a recolher ao FEPRAC - Fundo Estadual para Prevenção e Remediação de Áreas Contaminadas, valor nunca inferior a 0,5% dos custos totais previstos para a implantação do empreendimento, sendo o percentual fixado pelo órgão ambiental licenciador, de acordo com o grau de potencialidade contaminada. Artigo 39 - Nos planos diretores municipais, e respectiva legislação de uso e ocupação do solo, deverão ser consideradas suspeita de as áreas com e potencial as ou

contaminação

áreas

contaminadas. Artigo 40 - A aprovação de projetos de parcelamento do solo e de edificação, pelo Poder Público, deverá garantir o uso seguro das áreas com potencial ou suspeita de

contaminação e das áreas contaminadas. Artigo 41 –O licenciamento de

empreendimentos em áreas que anteriormente abrigaram atividades com potencial de

contaminação, deverá exigir o levantamento de passivo ambiental. Artigo 42 –O Cadastro de Áreas Contaminadas será constituído pelo conjunto de informações referentes aos empreendimentos e atividades que apresentam potencial de contaminação e às área suspeitas de contaminação em classes e de

contaminadas,

distribuídas