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Prezado (a) aluno (a) Bem-vindo (a) ao Curso Gestão de Cooperativas de Crédito, que integra a matriz de soluções educacionais do SEBRAE!

Saber conhecer, saber ser/conviver e saber fazer são princípios que norteiam a concepção de educação do SEBRAE, proporcionando condições para o desenvolvimento integral do empreendedor. Este curso está inserido na política estratégica do SEBRAE no que se refere à facilitação do acesso ao crédito pelos empresários de micro e pequenas empresas. O SEBRAE está convencido que o fortalecimento do cooperativismo de crédito criará um ambiente favorável ao desenvolvimento dos pequenos negócios e à geração de emprego e renda. Neste curso, o aluno terá condições de conhecer e desenvolver práticas gerenciais necessárias a uma gestão efetiva e eficaz de cooperativas de crédito. O tema deste curso está dividido em três módulos: I - O Cooperativismo de Crédito II - Estrutura e Funcionamento das Cooperativas de Crédito III - Gestão Contábil-Financeira Este curso tem a duração de vários dias Você deve iniciar pelo primeiro assunto do tema, ou seja, continuar na ordem que segue, pois a navegação deste curso é linear. Antes de iniciar a navegação pelo conteúdo do curso, é fundamental que você consulte o Guia onde você encontrará informações sobre como navegar, o detalhamento dos assuntos e como utilizar os recursos disponíveis. Na primeira unidade de cada assunto, você poderá dispor de um arquivo com todas as unidades para download. Ou seja, você poderá baixar para sua máquina o arquivo disponível na internet, clicando no link clique aqui. Este material objetiva apoiá-lo (a) nos seus estudos e diminuir o seu tempo de conexão na internet. Para ler o arquivo é necessário ter o Acrobat Reader instalado em sua máquina. Este software está disponível para download na seção software na Midiateca. Para garantir sua navegação no curso, certifique-se de que o seu computador possui o navegador Internet Explorer 5.5 ou mais recente; Real Player 8 ou superior; acesso à Internet em velocidade 33.600 bps e que o seu monitor esteja exibindo resolução de 800x600 pixels. Esperamos aprender juntos uma nova forma de gestão de cooperativas de crédito. Conte sempre conosco. Sucesso! Equipe SEBRAE

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SUMÁRIO

MÓDULO 1 – O COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

UNIDADE 1: OS FUNDAMENTOS DO COOPERATIVISMO .............................. 4 UNIDADE 2: O COOPERATIVISMO NO MUNDO E NO BRASIL ..................... 20 UNIDADE 3: COOPERATIVAS DE CRÉDITO – CONCEITUAÇÃO E HISTÓRICO ....................................................................................................... 36 UNIDADE 4: COOPERATIVAS DE CRÉDITO – CLASSIFICAÇÃO E ADMISSÃO ........................................................................................................ 51 UNIDADE 5: A IMPORTÂNCIA DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO NO DESENVOLVIMENTO LOCAL .......................................................................... 63 UNIDADE 6: SISTEMAS COOPERATIVISTAS DE CRÉDITO .......................... 79 UNIDADE 7: COOPERATIVISMO DE CRÉDITO E O SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ........................................................................................................ 87 GLOSSÁRIO.................................................................................................... 106 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: ............................................................... 122

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CURSO: GESTÃO DE COOPERATIVAS DE CRÉDITO Módulo 1: O Cooperativismo de Crédito Unidade 1: Os Fundamentos do Cooperativismo

Caros (as) alunos (as)! Sejam bem-vindos! Nós somos Dona Guiga e Seu Miguel Formigas. Que bons ventos os tragam! Olá! Na tela anterior, você teve acesso ao ambiente de aprendizagem onde se desenvolverá este curso e que se expressa na metáfora do formigueiro. A ideia do formigueiro representa a visão de coletividade, de grupo, de organização, de cooperação. Como você pode notar, a sua viagem começa aqui! Quando se pensa em cooperativismo percebe-se que cada um é sujeito da sua própria história, pois carrega um conjunto de experiências, de saberes, de capacidades que levam a um determinado objetivo. Começa aqui o estudo sobre Gestão de Cooperativas de Crédito onde você terá acesso aos conceitos e princípios fundamentais do cooperativismo . Isto lhe possibilitará conceituar cooperativismo e reconhecer a importância dos princípios de coletividade, participação, democracia, responsabilidade, igualdade e solidariedade como elementos fundamentais da constituição de uma cooperativa.

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“Se você não sabe para onde ir, todos os ventos serão favoráveis”. (Sêneca)

Você sabe quem foi Sêneca? Ele nasceu em Córdoba, na Espanha, no ano 4 a.C. Era conhecido como Sêneca, o Jovem. Era filho de Lúcio Aneu Sêneca, o Velho, que era um célebre orador. Por ser de origem ilustre, foi mandado para Roma para que estudasse oratória e filosofia. Escreveu várias obras, entre as quais alguns tratados sobre a moral. O pensamento de Sêneca (Lucius Aneus Seneca – 4 a.C. – 65 d.C) possibilita uma série de interpretações. Porém, aqui, ele servirá de rota para os principais pontos sobre o tema a ser estudado. É preciso definir quais ventos escolher, pois quando se trata do cooperativismo, pensa-se em participação coletiva do desenvolvimento de uma sociedade de forma consciente e organizada. Quando temos clareza de onde pretendemos chegar, nos apropriamos de saberes que nos permitem modificar uma dada realidade. É importante reconhecer que os princípios de uma cooperativa se fundamentam na participação de seus membros, numa gestão democrática e numa perspectiva de autonomia e independência. Este reconhecimento irá auxiliar, não só na identificação dos destinos onde se pretende chegar, como também na utilização de informações, conceitos, metodologias e técnicas que deverão ser utilizadas no caminho desejado. As formigas possuem extraordinária capacidade de adaptação e isso lhes confere um lugar destacado no mundo dos seres vivos por serem extremamente organizadas. A arquitetura de seus ninhos é algo incrivelmente diverso. Algumas espécies usam espaços naturais preexistentes para fazer seu ninho. Outras constroem ou modificam os ninhos para adaptar às suas próprias exigências. As formigas legionárias (formigas-correição) não possuem ninhos fixos. Em seu ciclo vital, passam por uma fase nômade. No mundo das formigas, a Rainha, bem diferente do que aponta o senso comum, não exerce função de controle, de comando, de liderança. Sua função é exclusivamente de reprodução. A rainha só observa o andamento da colônia. Caso ela perceba que faltam formigas no grupo das cortadeiras, ela bota ovos 5

para ter mais cortadeiras. Um formigueiro só acaba quando a rainha morre. Ela é a única que pode reproduzir. Todas as formigas se auto-organizam dentro de um contexto altamente colaborativo. O mundo sem as formigas viraria um caos. Muitos ecossistemas seriam prejudicados e algumas espécies não existiriam. A organização é o ponto alto da sociedade das formigas. Cada operária tem uma função específica (cortadeira, carregadeira, jardineira e soldado). Assim que nascem, cada uma executa sua tarefa. O número de indivíduos em uma colônia de formigas é extremamente variado e está relacionado ao seu modo de vida. Existem espécies que apresentam não mais de quatro indivíduos e outras que podem conter milhões de indivíduos, como acontece com as formigas legionárias ou a Caçarema, famosa formiga bem conhecida dos produtores de cacau da Bahia. Fazer parte de uma cooperativa e trabalhar de forma cooperativa é um desafio constante e cotidiano. A cada dia, se constrói uma rede de relações e de decisões democráticas. Assim, o cooperativismo é uma ação conjunta em prol de interesses que são comuns a todos os seus *cooperados. Como você já percebeu você navegará à vontade e sempre fará paradas em alguns pontos de apoio para que possa se nutrir com informações que o (a) ajudarão a construir uma visão objetiva e profunda da temática do curso. Você seguirá uma rota baseada numa visão cooperativa, colaborativa, de troca, de afetividade e de compromisso com o seu desenvolvimento e com sua aprendizagem. Pretende-se que, a partir deste curso, você desenvolva competências que o façam pensar, analisar, julgar, argumentar, sentir, perceber, agir, atuar etc. em tudo que diga respeito às cooperativas de crédito. Assim, é importante que você realize, com total compromisso com seu próprio desenvolvimento e com sua própria aprendizagem, as propostas que estão aqui disponíveis. Você irá estudar os conceitos e princípios do cooperativismo, conhecerá um pouco da história do cooperativismo no mundo e no Brasil e terá acesso a informações sobre os diversos ramos do cooperativismo. Siga em frente! Lembre-se de que há muitas pessoas percorrendo este mesmo roteiro. São os seus colegas nesta viagem.

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Você começou sua viagem pelo formigueiro. Ao fazer uma analogia com o formigueiro, percebe-se que, em sua estrutura, há muita determinação e respeito pelas tarefas que cabem a cada um. Não há uma hierarquia de poder, mas existe uma harmonia na perspectiva de união em prol de um interesse comum. As formigas representam força, determinação e respeito mútuo entre sua espécie. São unidas e seu trabalho é realizado sempre com outras formigas. Quando estão colhendo folhas grandes, recebem a ajuda e colaboração de outras formigas para levar o alimento até o formigueiro. Apesar das formigas carregarem uma carga de cinco vezes seu peso, são extremamente solidárias. Unem-se por um interesse em comum. Os princípios das formigas e do seu trabalho são semelhantes ao cooperativismo. O Brasil é um país onde o povo trabalha, produz e constrói para constituir um sentimento de nação, de soberania. Para tanto, somos todos, de uma forma ou de outra, formigas trabalhando em prol de um interesse comum: desenvolvimento sustentável do país. Ao entendermos alguns conceitos que fundamentam a ideia do cooperativismo, estaremos nos instrumentalizando para uma compreensão mais profunda dos processos que envolvem as cooperativas de crédito na perspectiva de gerar renda, emprego e, consequentemente, o desenvolvimento da nação, no caso, do nosso formigueiro.

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O nosso primeiro ponto de apoio tratará dos conceitos que fundamentam os princípios universais norteadores do cooperativismo. Cooperativismo é o instrumento pelo qual a sociedade se organiza, através de ajuda mútua, da colaboração, da solidariedade, para resolver diversos problemas relacionados ao seu dia-a-dia. As pessoas associadas a uma cooperativa se obrigam, reciprocamente, a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. A história dos povos registra, em todas as épocas da vida da humanidade, experiências de economias coletivas, a prática de união da força e de cooperação para atingir objetivos comuns (ajuda mútua). Os exemplos vêm dos babilônios, egípcios, gregos, romanos, os povos maias e astecas, com atividades em comum, produção dividida segundo o trabalho e as necessidades de cada participante. Na Inglaterra, após a chamada Revolução Industrial em meados do século XVIII, a mão de obra perdeu seu grande poder de troca, sendo substituída pelas máquinas. Ao lado de redução de custos* e barateamento de produtos e da organização dos trabalhadores em classes assalariadas, a Revolução Industrial gerou, também, desemprego em massa, miséria coletiva e desajustamentos sociais. As classes operárias, pressionadas pelos baixos salários, longas jornadas de trabalho e dificuldades socioeconômicas, buscaram novas formas de associação para suplantar, juntas, essas dificuldades, surgindo, então, a organização denominada Associação. A Associação incentivou a ideia da ajuda mútua e da solidariedade entre as pessoas, como alternativa para solucionar ou aliviar o peso de seus problemas através da cooperação e empréstimos* entre si (mutualidade). ATIVIDADE INDIVIDUAL 8

Iniciaremos com uma reflexão. Sabemos que você traz para este curso uma bagagem cheia de experiências de vida, pessoal e profissional. A proposta deste curso é valorizar todos os saberes que você tem e acrescentar outros considerados essenciais à formação do gestor de uma cooperativa de crédito. A partir do somatório dessas experiências, é possível formar uma poderosa comunidade de aprendizagem que se comunicará e trocará informações durante todo o curso. Quem sabe, até mesmo depois do curso concluído? Orientando-se pela ideia do formigueiro e do trabalho que cada uma das formigas exerce, quais seriam os principais valores que norteiam a ideia de cooperativismo? Algumas indicações...  os *cooperados atuam individualmente?  a comunidade delega funções aos *cooperados?  a cooperativa tem muitos associados?  os cooperados participam ativamente de todas as decisões da cooperativa?  a gestão da cooperativa é função de um presidente (formiga rainha) eleito pelos cooperados? Após a leitura destes questionamentos, busque acrescentar mais algumas alternativas, excluindo aquelas que, a seu ver, não concorrem para o desenvolvimento de valores cooperativos. Utilize para isto o espaço abaixo. Reserve a sua resposta, voltaremos a ela no final desta etapa.

TEORIA Conceitos básicos de cooperativismo Para que você possa apreender os princípios do cooperativismo de crédito, é importante que você apresente quais são as suas visões sobre alguns conceitos básicos do cooperativismo de modo geral. Vamos a eles, então? 9

No seu cotidiano, você já deve ter ouvido alguma frase semelhante a estas: “Para que nosso trabalho tenha um resultado satisfatório, é preciso que todos cooperem!”; “Não é possível continuarmos com aquela tarefa, pois o setor de crédito não está cooperando conosco.”; “É preciso que haja cooperação para que possamos concluir o trabalho”; “Os indicadores econômicos apontam para um crescimento relevante nos próximos anos. As cooperativas vêm expandindo sua atuação neste processo”. Diante dessas frases, para você, o que é: Cooperação * Cooperar* Cooperativa* Cooperativismo* Cooperado*

Agora que você já respondeu, confronte suas respostas com as definições que constam do glossário no ambiente do curso (lapela horizontal). Cooperativa é uma organização de, pelo menos, vinte pessoas físicas unidas pela cooperação e ajuda mútua, gerida de forma democrática e participativa, com objetivos econômicos e sociais comuns, cujos aspectos legais e doutrinários são distintos de outras sociedades. Fundamenta-se na economia solidária e se propõe a obter um desempenho econômico eficiente, pela qualidade e confiabilidade dos serviços que presta aos próprios associados e aos usuários. Associado/Cooperado* - Associado ou Cooperado é o trabalhador, urbano ou rural, o profissional de uma atividade socioeconômica, o empresário ou empreendedor, cotista de uma cooperativa, na qual participa ativamente, assumindo responsabilidades, direitos e deveres inerentes. (Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB)

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SAIBA MAIS O cooperativismo teve origem na organização dos trabalhadores na Inglaterra, no período da Revolução Industrial. Em 21 de dezembro de 1844, em Rochdale, bairro da cidade de Manchester, vinte e oito (28) tecelões, diante do desemprego e dos baixos salários, se reuniram para, coletivamente, comprarem produtos de primeira necessidade. Assim, criaram a Associação dos Probos Pioneiros de Rochdale, mais tarde transformada em Cooperativa de Rochdale, formada pelo aporte de capital dos trabalhadores, cuja função inicial era conseguir capital para aumentar o poder da compra coletiva. Esses 28 tecelões de Rochdale sistematizaram as regras fundamentais a respeito do funcionamento de cooperativas. Enquanto eles se dedicavam às cooperativas de consumo, o movimento se espalhava pela Europa, principalmente no ramo “crédito”. A experiência dos trabalhadores da Inglaterra difundiu-se para outros países, como França e Alemanha. Mais tarde, essas experiências foram difundidas pelo mundo inteiro e, no Brasil, são reconhecidas legalmente como uma forma de organização. Na primeira metade do século XX a maioria das cooperativas estava ligada à agricultura. Atualmente, as cooperativas urbanas estão se expandindo. Isso pode ser explicado pelo êxodo rural e a maior emergência de problemas sociais nas cidades. Pode-se afirmar que, em torno de qualquer problema econômico ou social, é possível constituir uma cooperativa. Assim, pela diversidade de possibilidades de atuação, as cooperativas se apresentam como alternativa para a resolução de problemas decorrentes do desemprego. Como instrumentos de geração de emprego e renda, as cooperativas podem atuar desde os processos de produção, industrialização, comercialização, crédito e prestação de serviços. As experiências mais significativas que têm sido constituídas, no último período, foram as cooperativas de trabalho e de produção industrial. As cooperativas de trabalho congregam pessoas, geralmente desempregadas, para prestar serviços a outras empresas, num processo de terceirização. As cooperativas de produção industrial são decorrentes de processos de falência de indústrias que passaram a ser administradas pelos próprios trabalhadores. Em ambos os casos, apesar das dificuldades que os trabalhadores enfrentam e dos direitos trabalhistas que, por vezes, são prejudicados, as cooperativas apresentam um conjunto de vantagens aos trabalhadores que, possivelmente, sem elas, estariam numa condição de vida mais precária. Já existem cerca de 700 mil cooperativas em todo o mundo, representando a possibilidade de superar dificuldades comuns pela ajuda mútua. No Brasil, as cooperativas registradas na Organização das Cooperativas Brasileiras - OCB já eram mais de 7,2 mil, no final de 2.009.

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TEORIA Princípios universais do cooperativismo

1. Adesão voluntária e livre 3. Participação econômica dos membros 5. .Educação, formação e informação 7. Interesse pela comunidade

2. Gestão democrática pelos membros 4. Autonomia e independência 6. Intercooperação

1) Adesão voluntária e livre “As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, social, racial, política ou religiosa”. Perceba que, via de regra, todas as pessoas têm liberdade de se associar a uma cooperativa. Você não pode ser forçado a se associar. Existe o livre arbítrio para tomar esta decisão. É uma decisão pessoal. Porém, caso decida pela adesão, é preciso que você tome conhecimento das normas de associação. Cada cooperativa tem normas, estatuto e regimento interno que disciplinam a adesão de novos associados, evitando o ingresso de aventureiros. Propicia, ainda, um ambiente favorável às discussões de interesse comum, visando atender às necessidades coletivas do grupo. 2) Gestão democrática e livre “As cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulheres, eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes. Nas cooperativas singulares* os membros têm igual direito de voto (um membro, um voto); as cooperativas centrais são também organizadas de maneira democrática”. Esse Princípio é 12

conhecido por "Um Homem, Um Voto". Os associados têm direitos iguais nos benefícios gerados pela economia da cooperativa, independentemente das situações econômica, política e social de cada um, dentro e fora da associação. Usando seu direito ao voto, os sócios elegem os diretores e conselheiros e definem as prioridades das atividades da cooperativa com base nas necessidades e objetivos estabelecidos pelo voto. 3) Participação econômica dos membros “Os membros contribuem equitativamente para o capital das cooperativas e controlam-no democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. Recebem, habitualmente, se houver uma remuneração limitada ao capital integralizado, como condição de sua adesão”. Os associados destinam os excedentes ou sobras a uma ou mais das seguintes finalidades: formação de reservas legais e voluntárias, visando a reparar perdas e atender ao desenvolvimento das atividades da cooperativa; benefício aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa e apoio a outras atividades aprovadas pelos membros. É a Assembleia Geral dos Sócios quem determina a destinação dos excedentes ou sobras, sempre em conformidade com a legislação cooperativista. 4) Autonomia e independência “As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recorrerem a capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos seus membros e mantenham a autonomia das cooperativas”. Os cooperados decidem sobre suas atividades, definem sua missão, objetivos e metas, sem interferência governamental nas decisões. A cooperativa pode firmar convênios e contratos com terceiros, desde que mantenha sua independência, principalmente em relação aos seus objetivos econômico, político e social. 5) Educação, formação e informação “As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação”. Esse princípio visa a incentivar o desenvolvimento intelectual e profissional dos associados e de seus familiares e, ainda, a comunidade na qual se encontra instalada. 6) Intercooperação “As cooperativas servem de forma mais eficaz os seus membros e dão mais força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais”. É o princípio da Cooperação entre Cooperativas. Possibilita o fortalecimento do movimento cooperativista, a partir de

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troca de informações e de experiências, e a obtenção de economia com a distribuição conjunta de produtos entre as cooperativas do mesmo segmento. 7) Interesse pela comunidade “As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentado das suas comunidades, fundamentado em políticas aprovadas pelos seus próprios membros”. Há uma preocupação com a geração de empregos, com a produção, com serviços e com preservação do meio-ambiente. As Assembleias Gerais dos Sócios determinarão as ações de cunho social e/ou desenvolvimentistas que serão implementadas na comunidade, visando ao seu fortalecimento e melhoria da qualidade de vida local. ATIVIDADE INDIVIDUAL Este exercício foi preparado para que você reflita um pouco mais sobre os princípios universais do cooperativismo! Esta reportagem que você vai ler traz algumas informações interessantes sobre os valores cooperativistas e sobre alguns princípios que norteiam o cooperativismo. LIÇÕES DO FORMIGUEIRO Por Raul Marinho Tanto entre os animais quanto entre os homens, a cooperação parece ser o fator chave do sucesso. Golfinhos formam grupos para encurralar cardumes de peixes com resultados muito melhores que a caça individual. Chimpanzés formam bandos de mais de cem indivíduos que os protege contra predadores e bandos rivais. E a humanidade forma grupos de trabalho há muitos milhares de anos. Henry Ford revolucionou a indústria com o conceito de linha de montagem, que nada mais é do que uma nova forma de organizar a cooperação humana. Mas como convencer cada indivíduo a atuar cooperativamente como parte de um grupo? Por mais que o desempenho cooperativo de um grupo seja a opção mais interessante para a coletividade, os mecanismos do individualismo, da deserção e da trapaça tendem a trazer benefícios ainda maiores para cada indivíduo em particular. Imagine que você faça parte de um grupo de caçadores aborígines. Vocês estão à caça de um animal de grande porte que irá matar a fome de toda a aldeia – um gnu (antílope, com cabeças e chifres semelhantes aos do búfalo), por exemplo. Para isto, é necessário que haja uma coordenação da equipe para cercar o bicho e possibilitar o seu abate. Entretanto, num dado momento você vê um coelho passando. Você sabe que um coelho é suficiente para matar a fome da sua família. Por outro lado, se você for atrás do coelho, toda a operação de caça pode naufragar se o gnu tentar escapar justamente pelo seu lado. Você também sabe que, mesmo com a cooperação de todo o grupo, as chances de pegar o gnu são muito menores que a sua possibilidade de sucesso individual com o coelho. Existe ainda a possibilidade de você cooperar com o grupo e esquecer o coelho - mas se

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algum outro componente do grupo for atrás do seu coelho, você vai ficar sem nada. O que fazer, então? Segundo o conceito original da Teoria dos Jogos, a deserção seria a alternativa racional. Em um jogo de rodada única, o caçador que for atrás do seu coelho estaria exercendo a melhor opção. Mas na vida real, o que acontece com maior frequência são situações de repetição do jogo, onde a cooperação mútua tende a trazer os melhores resultados tanto individual quanto coletivamente. Nos grupos humanos em geral – e no exemplo dos aborígines em particular – é essencial que se possa acreditar que cada membro irá se comportar cooperativamente. É a base de um conceito que costumamos chamar de confiança. Se todos tiverem a certeza que todos cooperam, será muito melhor o desempenho do grupo como um todo. O grande problema é convencer cada um dos componentes do grupo a cooperar mesmo em situações em que a deserção traz o melhor resultado individual imediato. Em termos de cooperação, entretanto, nada se compara ao que acontece com as formigas. Estes insetos têm uma organização sem hierarquia formal definida, sem mecanismos coercitivos, sem punições ou recompensas e sem estruturas de comando que funciona maravilhosamente bem. Todas as formigas cooperam e colocam a sobrevivência do formigueiro acima de sua própria sobrevivência. Não existe deserção individual entre as elas. Formigas jogam segundo a estratégia do “coopere sempre” há milhões de anos com excelentes resultados. Mas não é isto que acontece entre os humanos, que sempre estão à mercê de uma traição de outra parte. Os seres humanos precisaram desenvolver mecanismos para estimular a cooperação mútua baseados na punição. Para que a sociedade humana funcione, foi necessário criar o mecanismo do ostracismo, em que o indivíduo não cooperativo é excluído do grupo. Para que se saiba quem é que não coopera – e, portanto, quem é que deve ser mantido fora do grupo – criou-se outro mecanismo denominado estigmatização. O estigma é uma marca que o indivíduo condenado ao ostracismo carrega para ser facilmente identificado. No Oriente Médio, a amputação das mãos é um mecanismo usado até hoje para estigmatizar um ladrão. Uma pessoa maneta é facilmente reconhecida como uma ladra e, com isto, toda a sociedade sabe que ela não é digna de confiança. Ao contrário das formigas, nós só conseguimos obter a cooperação recíproca na marra. Se nós cooperássemos sempre espontaneamente, não haveria a necessidade de tantos mecanismos punitivos e/ou defensivos, como leis e contratos. O maior problema do mecanismo da estigmatização e do ostracismo é que o indivíduo é impedido de permanecer no grupo por um comportamento passado, mas nada garante que isto se repetiria no futuro. Um caçador pode eventualmente desertar do grupo para caçar o coelho porque sua mulher acabou de parir um bebê e ele não podia prescindir de alimento naquele momento específico. Mas, no futuro, aquele caçador poderia voltar a se comportar cooperativamente e fazer a diferença para a sobrevivência do grupo, coisa que não vai ser possível se ele for 15

estigmatizado e condenado ao ostracismo. O processo de estigmatização faz com que a sociedade dirija somente olhando no retrovisor e não para frente. Parece que temos muito a aprender ainda com as formigas. DICAS O SEBRAE também tem se preocupado com a expansão dos princípios cooperativistas. Inclusive, investe em programas de educação para fomentar o cooperativismo e o associativismo como elementos estruturadores de geração de renda e de desenvolvimento sustentável. O programa A GENTE SABE, A GENTE FAZ apresenta como um dos objetivos “fomentar o cooperativismo e o associativismo, relacionados ao mundo dos negócios Como você pôde perceber, a visão cooperativa exige posturas éticas, solidárias, coletivas para que determinados interesses comuns sejam alcançados. É preciso organizar e trabalhar! ATIVIDADE INDIVIDUAL No início deste encontro, você refletiu sobre as concepções filosóficas que norteiam a ideia de cooperativismo. Você apontou alguns valores essenciais para as práticas cooperativas. Reveja a sua resposta no passo 7, verificando se excluiu algum item e mentalmente justifique os motivos da exclusão. Uma cooperativa precisa nortear todas as suas ações em princípios fundamentais. Para isto, seus valores e pressupostos são, cotidianamente, perseguidos e postos em prática. Por trás de uma cooperativa há sempre um grande presidente? Verdade ou fantasia? Você decide... Acesse o FÓRUM e faça seu comentário sobre a importância de cada um dos *cooperados para o sucesso de uma cooperativa. RESUMO Esta unidade abordou os conceitos fundamentais do cooperativismo, os seus princípios e os valores essenciais segundo os quais cada membro de uma cooperativa tem uma função definida direcionada para o alcance de metas e objetivos comuns.

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Relembrando... Na tradição dos fundadores do Cooperativismo, os membros das cooperativas acreditam nos valores éticos da:     honestidade, transparência, responsabilidade social e preocupação pelo seu semelhante. São princípios universais do cooperativismo:        adesão voluntária e livre; gestão democrática dos membros; participação econômica dos membros; autonomia e independência; educação, formação e informação; intercooperação; interesse pela comunidade.

Como você deve ter percebido, apesar de terem sido revistos ao longo do tempo, o mundo cooperativista ainda mantém a visão filosófica que foi pensada pelos pioneiros de Rochdale, em 1844. Nas próximas telas você encontrará alguns exercícios que foram preparados especialmente para você! Procure resolvê-los calmamente, mesmo acertando todas as questões, você poderá confirmar suas respostas retornando às telas indicadas nos exercícios para, mais uma vez, revisar o assunto. SUCESSO! EXERCÍCIO Nesta unidade, você estudou o assunto Os Fundamentos do Cooperativismo que tratou dos seus conceitos e valores. Agora, você vai ler cuidadosamente as questões que se seguem e respondê-las. Assinale a alternativa que, para você, contém um conceito de cooperativismo. A ( ) É o método de ação pelo qual indivíduos, famílias ou comunidades, constituem um empreendimento. B ( ) É um sistema econômico e social, com autogestão em bases democráticas, baseado na ajuda mútua. É a união de pessoas voltadas para um objetivo comum. C ( ) É a reunião de pessoas de determinadas categorias profissionais que se reúnem para montar negócios na área comercial.

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Gabarito comentado: Comentário da alternativa A: Resposta Incorreta. Este é o conceito de cooperação, ação de cooperar. O cooperativismo pressupõe, além da reunião de indivíduos para construção de um empreendimento, um conjunto de princípios e valores baseados na igualdade, colaboração e solidariedade entre os diversos membros. Você pode rever este assunto nas telas 7 a 9 desta unidade. Poderá também acessar a Midiateca . Comentário da alternativa B: Resposta Correta. Parabéns! Sua resposta está correta! Esta alternativa contempla todos os princípios do cooperativismo porque cooperativismo é o instrumento pelo qual a sociedade se organiza, através de ajuda mútua, da colaboração, da solidariedade, para resolver diversos problemas relacionados ao seu dia-a-dia. As pessoas associadas a uma cooperativa se obrigam, reciprocamente, a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Alternativa C. Resposta Incorreta. O cooperativismo é um sistema que se baseia na autogestão, é operado por meio da ajuda mútua e se destina a satisfazer as necessidades econômicas dos seus associados, em qualquer área de atividade e não apenas na área comercial. Você pode rever este assunto nas telas 6 a 8 desta unidade. Poderá também acessar a Midiateca. EXERCÍCIO Sobre os princípios universais do cooperativismo que você estudou nesta unidade, responda ao exercício a seguir, relacionando os itens abaixo com as afirmações adiante.

1) 2) 3) 4) 5)

Adesão voluntária e livre Gestão democrática Participação econômica dos membros Autonomia e independência Educação, formação e informação

[ ] “As cooperativas são organizações autônomas, de ajuda mútua, controladas pelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recorrerem a capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos seus membros e mantenham a autonomia das cooperativas”. 18

[ ] “As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, social, racial, política ou religiosas”. [ ] “As cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formulação das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulheres, eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes. Nas cooperativas singulares* os membros têm igual direito de voto (um membro, um voto); as cooperativas centrais são também organizadas de maneira democrática”. [ ] “As cooperativas promovem a educação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação”. [ ] “Os membros contribuem equitativamente para o capital das cooperativas e controlam-no democraticamente. Parte desse capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. Recebem, habitualmente, se houver, uma remuneração limitada ao capital integralizado como condição de sua adesão”.

Gabarito: 4, 1, 2, 5, 3 COMENTÁRIOS

Clicando no botão Concluir. Você terá acesso imediato ao próximo tema - O Cooperativismo no Mundo e no Brasil, dando sequência à realização do curso. Toda a comunidade formada por alunos e Tutores deste curso está à sua espera. Retorne com a mesma dose de entusiasmo e dedicação com que percorreu o primeiro roteiro que ora se conclui. Ate lá!

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: O Cooperativismo de Crédito Unidade 2: O Cooperativismo no Mundo e no Brasil Olá, caro (a) aluno (a)! Seja bem-vindo (a) a esta etapa do curso. Você está chegando da tela inicial que mostra o ambiente de aprendizagem com a imagem do formigueiro, ideia que continuará presente nos estudos do assunto Gestão de Cooperativas de Crédito. Relembrando... Como você já viu na unidade anterior, Os Fundamentos do Cooperativismo, os conceitos e valores do cooperativismo incluem as expressões solidariedade, igualdade, segurança, colaboração, democracia, responsabilidade, pois o cooperativismo se direciona para o alcance de metas e objetivos comuns baseados nesses valores essenciais. Nesta etapa do curso, você conhecerá alguns aspectos históricos do Cooperativismo no Mundo e no Brasil e, ao final, será capaz de diferenciar cada um dos ramos do cooperativismo, assinalando suas principais finalidades. CURIOSIDADES Um pouco da história do cooperativismo no Mundo e no Brasil... Este estudo será iniciado com uma fábula para que você possa refletir sobre a história do cooperativismo no mundo e no Brasil. Você terá elementos para compreender o processo de evolução do cooperativismo no Brasil e acesso a dados sobre o estágio atual das cooperativas em nosso país. A fábula é um gênero narrativo que utiliza os animais como personagens e que, ao final, sempre nos apresenta uma moral. Seguindo o caminho natural da metáfora que acompanha todo este curso: o formigueiro, você fará a leitura da fábula “A Formiga e a Pomba”, de Esopo. Antes de iniciar a leitura, saiba um pouquinho sobre o famoso autor desta fábula e de outras tantas.

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Esopo era um fabulista grego que nasceu por volta do ano de 620 a.C. Tornou-se célebre por suas fábulas. Segundo o historiador Heródoto, Esopo teria nascido na Frígia e trabalhava como escravo numa casa. Ainda existem alguns detalhes atribuídos à biografia de Esopo que não foram comprovados: seria aleijado e com dificuldades de fala, seria um protegido do rei Creso e teria sido executado pelos cidadãos da cidade de Delfos por crime de blasfêmia. Há uma grande discussão sobre a sua existência real. Alguns levantam a hipótese de que suas fábulas sejam ditadas pela sabedoria popular da antiga Grécia. Bem, seja lá como for, o que é extremamente relevante é a imortalidade e a universalidade da obra a ele atribuída.

REFLEXÃO Agora, você pode iniciar a leitura da fábula. Após a leitura, você será levado a refletir sobre os seus significados e como eles se relacionarão com a parte teórica que será apresentada no próximo passo.

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Então, gostou da fábula? Ela tem vários sentidos, não é mesmo? Mas, o primordial é pensar que a ideia do cooperativismo se associa muito estreitamente ao sentimento de solidariedade, de fraternidade, de cooperação, de ajuda mútua. Pense a respeito! TEORIA

O cooperativismo no Mundo A ideia do cooperativismo tomou campo no mundo e se expandiu rapidamente. O modelo cooperativista que se iniciou em Rochdale (Inglaterra, 1844), se espalhou de forma imediata e crescente. Em 1848, na França, foram criadas cooperativas de produção por operários e na Alemanha e Itália surgiram as primeiras cooperativas de crédito. A cooperativa de Rochdale, ao fim do primeiro ano de atividades, tinha aumentado de 28 para 180 libras o seu capital integralizado. Em 1855, já possuía 1.400 associados. O progresso demonstrado pela experiência foi responsável pelo rápido crescimento do cooperativismo de consumo: em 1881, já existiam mil cooperativas deste tipo, contando com, aproximadamente, 550 mil cooperados. Como se vê, o cooperativismo persiste ao longo do tempo e continua se expandindo. É uma ideia que está presente em toda a parte. Ele faz parte das sociedades de economia planejada e das sociedades de livre mercado. No momento atual, o cooperativismo no mundo cresce muito velozmente e de modo sólido, desempenhando o seu intento de atenuar as contradições do capitalismo internacional. Para se ter uma ideia, só nos EUA., cerca de 25% da população participam de algum tipo de cooperativa, que reúnem mais de 75 milhões de pessoas. No Canadá, 45% da população (5 milhões de pessoas); na Alemanha, 20% da população (aproximadamente 16 milhões de pessoas), sendo que 80% dos agricultores e 75% dos comerciantes são cooperados; na França, 20% da população (aproximadamente 12,6 milhões). Você já sabe um pouco da história do surgimento do cooperativismo e, também, um pouco de sua expansão pelo mundo. Aqui, você terá mais algumas informações que complementam as que já possui. Aproveite! 22

 O número de cooperados em todo o mundo ultrapassa 800 milhões de pessoas, algo como 6 vezes toda a população brasileira. Isso torna o movimento cooperativista a maior doutrina não religiosa do planeta.  A Aliança Cooperativa Internacional (ACI), órgão de representação e integração do cooperativismo no mundo, conta com mais de 245 organizações nacionais e internacionais, espalhadas por mais de 100 países, tornando a ACI a maior organização não governamental existente.  De todas as categorias de cooperativas, a que mais tem crescido no mundo é a dos produtores rurais. O cooperativismo na Suécia é um dos mais desenvolvidos, tanto na área do consumo como na produção, no crédito e nos serviços em geral. Sua federação de cooperativas de consumo produz 90% de todo óleo comestível no país, 50% das caixas registradoras, 68% das lâmpadas elétricas e 30% das massas alimentícias, entre outros produtos. (Dados de 2005 da ACI).  No passado, as cooperativas habitacionais foram responsáveis pela reconstrução da moradia em muitos países que participaram das duas grandes guerras. Na Inglaterra e no País de Gales, 50% das casas foram refeitas no regime cooperativista. Em países como Dinamarca, Suíça, Bélgica e a própria Suécia, o cooperativismo habitacional foi o único meio encontrado pela população para construção da casa própria. TEORIA

O cooperativismo no Brasil No Brasil, por volta de 1.600, iniciou-se um movimento que indicaria uma organização fundamentada na ideia do comunitarismo. A fundação das primeiras missões jesuítas foi o marco da ideia cooperativista no país. Suas ações se baseavam nos princípios de solidariedade humana, em que o trabalho coletivo era privilegiado como mecanismo de gerar bem-estar à coletividade, superando todo e qualquer individualismo. Esse modelo de organização social foi desenvolvido por mais de 150 anos. Porém, efetivamente, a primeira cooperativa seguindo as diretrizes do modelo rochdaleano, foi criada em 1847, sob a liderança do médico francês Jean Maurice Faivre, à frente de um grupo de colonos europeus, dando vez à fundação da Colônia Tereza Cristina, no Paraná. Baseava-se nas diretrizes do modelo desenvolvido em Rochdale, na Inglaterra, conforme você viu na tela 4. Esta 23

organização articulou e solidificou os princípios do cooperativismo brasileiro, servindo de referencial aos novos empreendimentos coletivos. Posteriormente, novas organizações com consciência cooperativa surgiram no país, tais como: Cooperativa de Consumo dos Empregados da Cia. Paulista, em Campinas (SP), em 1887; Cooperativa de Consumo dos Funcionários da Prefeitura de Ouro Preto (MG), fundada em 1889; Associação Cooperativa dos Empregados da Companhia Telefônica, em Limeira (SP), fundada em 1891; Cooperativa Militar de Consumo do Rio de Janeiro (RJ), em 1894; Cooperativa de Consumo de Camaragibe, em Recife (PE), em 1895. Leia para saber mais sobre as Cooperativas de Crédito no Brasil... A primeira cooperativa de crédito surgiu em 1902, na cidade de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul. Sua criação foi iniciativa do padre missionário suíço Theodor Amstad (SJ). Está em funcionamento até hoje, sob a denominação de Sicredi Pioneira RS. A partir de 1966, o recém-criado Banco Central do Brasil desenvolveu rigorosa fiscalização nas cooperativas, principalmente nas de crédito, tendo cassado, em um ano de trabalho, mais de 2.000 cooperativas, principalmente aquelas denominadas “Luzzatti”, ou abertas. Em 1970, houve outra investida da autoridade monetária sobre as cooperativas de crédito rural, tendo sido fechadas e cassadas quase a totalidade das instituições, principalmente no Rio Grande do Sul. Os motivos alegados eram, em sua maioria, irregularidades administrativas e financeiras. SAIBA MAIS Para que você conheça um pouco mais sobre o cooperativismo no Brasil, aqui estão apresentadas algumas tabelas e alguns comentários sobre estes dados estatísticos. A leitura dos dados estatísticos fornece informações importantes para que se entenda todo o processo de evolução do cooperativismo no Brasil.

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ANO

NÚMERO DE COOPERATIVAS REGISTRADAS NA OCB 3.440 3.928 6.084 7.549 7.355 7.136 7.518 7.603 7.672 7.682

NÚMERO DE ASSOCIADOS (arredondado) 1.859.000 3.554.000 4.649.000 5.259.000 5.763.000 6.160.000 6.791.000 7.393.000 7.688.000 7.888.000

1990 1995 2000 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009

7.261

8.252.410

Fonte: OCB: Departamento Técnico (Detec) e Núcleo de Bancos de Dados.

A variação no número de cooperativas, no ano de 2.009, pode ser visualizada na tabela a seguir. RAMOS AGROPECUÁRIO TRANSPORTE TRABALHO CRÉDITO (*) SAÚDE INFRAESTRUTURA CONSUMO PRODUÇÃO OUTROS (5 RAMOS) TOTAL 2008 1611 1060 1746 1113 894 148 138 215 757 7.682 2009 1615 1100 1408 1100 871 154 128 226 659 7.261 VARIAÇÃO % 0,25 3,77 -19,36 -1,17 -2,57 4,05 -7,25 5,12 1,15 -5,48

(*) registradas na OCB. Fontes: OCB: Departamento Técnico (Detec) e Núcleo de Bancos de Dados.

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Segundo informações da Organização das Cooperativas de Minas Gerais – OCEMG, a redução do número de cooperativas verificada em 2009 deveu-se a um trabalho das organizações das cooperativas estaduais de saneamento dos seus quadros. Inúmeras cooperativas que se registraram e não entraram em funcionamento foram expurgadas; outras foram liquidadas e não baixaram seus registros e também foram expurgadas, além de várias fusões. A distribuição das cooperativas brasileiras, pelos seus 13 ramos de atividade, com o número de seus associados e os empregos gerados nas próprias instituições ou Sistemas, em 2009, pode ser visualizada no quadro a seguir.

RAMO DE ATIVIDADE AGROPECUÁRIO CONSUMO CRÉDITO (*) EDUCACIONAL ESPECIAL HABITACIONAL INFRAESTRUTURA MINERAL PRODUÇÃO SAÚDE TRABALHO TRANSPORTE TURISMO E LAZER TOTAL

COOPERATIVAS 1.615 128 1.100 304 15 253 154 58 226 871 1.408 1.100 29 7.261

ASSOCIADOS 942.147 2.304.830 3.497.735 55.838 469 108.695 715.800 20.031 11.396 225.980 260.891 107.109 1.489 8.252.410

EMPREGADOS 138.829 9.702 42.802 3.716 9 1.406 6.045 103 2.936 55.709 4.243 8.660 30 274.190

(*) O total não inclui 305 cooperativas de crédito que, apesar de registradas no BACEN, não são filiadas à OCB. Fonte: OCEs e OCB - Elaboração: GEMERC

Observa-se que se destacam os ramos agropecuário, crédito e trabalho, com relação ao número de cooperativas e o de cooperados. O ramo consumo é o que apresenta a maior relação cooperados/cooperativa, uma média de 18,6 mil associados por cooperativa. A COOP – Cooperativa de Consumo dos Empregados da Rhodia, Rhodiaceta e Valisère foi criada em 1954. No início, eram 292 sócios, empregados da Rhodia. 26

Hoje, são mais de 1,5 milhão de cooperados. Tem 30 lojas, 4 mil funcionários, tendo vendido, em 2009, quase R$ 1,3 bilhão. No ranking da Associação Brasileira de Supermercados, ocupa o honroso 12º lugar. ATIVIDADE INDIVIDUAL Nesta unidade, você estudou um pouco da história do cooperativismo no mundo e no Brasil. Muitos escritores tiveram grande preocupação com o tempo: o tempo passado, o tempo presente e o tempo futuro. Isso ajuda o ser humano a construir sua própria história. Aprendendo com o passado, você constrói o seu presente e projeta o seu futuro. Conhecer um pouco da história do cooperativismo pode fornecer muitos elementos para avançar nas suas estruturas. O texto que você vai ler é o início de um capítulo do livro Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, um dos maiores escritores brasileiros, autor de um grande número de obras: romances, contos, peças de teatro, poesia, crônicas. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o personagem, Brás Cubas, relata, depois de morto, sua vida, começando por contar sua própria morte... ele declara que é um defunto autor, e não um autor defunto... O início do capítulo se chama “A pêndula”. Pêndula é um relógio de pêndulo, antigo. Em seguida, faça a reflexão que se pede. Você poderá socializar suas impressões no FÓRUM .

A PÊNDULA Machado de Assis Não pude dormir; estirei-me na cama, é certo, mas foi o mesmo que nada. Ouvi as horas todas da noite. Usualmente, quando eu perdia o sono, o bater da pêndula fazia-me muito mal; esse tique-taque soturno, vagaroso e seco parecia dizer a cada golpe que eu ia ter um instante menos de vida. Imaginava então um velho diabo, sentado entre dois sacos, o da vida e o da morte, a tirar as moedas da vida para dá-las à morte, e a contá-las assim: - Outra de menos... - Outra de menos... 27

- Outra de menos... - Outra de menos... O mais singular é que, se o relógio parava, eu dava-lhe corda, para que ele não deixasse de bater nunca, e eu pudesse contar todos os meus instantes perdidos. Invenções há que se transformam ou acabam; as mesmas instituições morrem; o relógio é definitivo e perpétuo. O derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto, há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre. Memórias Póstumas de Brás Cubas. São Paulo: Moderna, 1994, p. 77. ATIVIDADE INDIVIDUAL Como você pôde perceber no texto, a preocupação com o tempo é algo que sempre acompanhou o homem. A história é uma forma que a humanidade utiliza para não esquecer fatos importantes, tal como o surgimento do cooperativismo. Escreva um bilhete a um destinatário de sua escolha, focalizando o futuro do cooperativismo, considerando um horizonte de 5 anos...! Fale do presente  problemas, dificuldades, perplexidades , mas também fale de avanços, de conquistas... Fale de suas esperanças para o futuro – o mundo e o país em que você gostaria de estar vivendo...

Estudar à distância exige concentração e disciplina. Parabéns pelo seu esforço e dedicação até agora! Caso você esteja se sentindo um pouco cansado (a) vá até a próxima página e faça um exercício de relaxamento especialmente dedicado a você. Lembramos que não é uma atividade obrigatória! VAMOS RELAXAR Pensando em um momento de descontração, eis aqui um exercício de relaxamento. Costas e tronco: Apoie as mãos nos batentes da porta, na altura dos ombros. 28

Incline os ombros pra frente até sentir confortável alongamento no tórax e na parte interna dos braços. Mantenha-se nessa posição por 15 segundos. EXEMPLO Após o estudo dos conceitos e princípios do cooperativismo e da história do cooperativismo no mundo e no Brasil que vimos até aqui, você conhecerá os diferentes ramos do cooperativismo. Cada tipo de cooperativa tem finalidades muito específicas e direcionamentos para uma determinada atividade econômica e social. Você vai poder identificar cada um dos ramos do cooperativismo, assinalando suas principais finalidades. Agora você vai acompanhar a experiência de um grupo de cooperados com os quais Seu Miguel Formigas e Dona Guiga mantêm contato e vai perceber a importância que cada ramo do cooperativismo promove para o desenvolvimento das comunidades locais. Conheça este exemplo. Capal e Crediara desenvolvem o “Jovemcoop Voluntário” Atendendo sugestão do II Encontro Estadual de Jovens Cooperativistas, promovido pela OCEMG / SESCOOP / MG, quando foi muito debatido o trabalho voluntário, os jovens da CAPAL e CREDIARA estão planejando a realização de um projeto nestes moldes em Araxá. Eles formaram um grupo que recebeu o nome de “Jovemcoop Voluntário” e contam com o apoio dos dirigentes das duas cooperativas, as quais, a exemplo da OCEMG / SESCOOP / MG, investem e acreditam no seu potencial. “Incentivados por esta ideia, nos reunimos e decidimos trabalhar voluntariamente junto ao Asilo São Vicente, por acreditar que as pessoas ali necessitam tanto de apoio material, quanto de muito carinho e atenção”, conta o jovem Achiles Moreira Alves, que participa ativamente deste trabalho. Os integrantes do “Jovemcoop Voluntário” já fizeram duas visitas ao Asilo São Vicente, onde foram recebidos pela coordenadora Sônia Maria Teixeira Torquato e demais funcionários. A partir destes contatos iniciais, puderam conhecer melhor o trabalho já desenvolvido e estão cientes das necessidades daquela entidade. “Nossa primeira obra” será o plantio de um pomar em uma área ociosa do asilo, sendo que, para tanto, contamos como o apoio de técnicos do Projeto Educampo, já providenciamos a análise do solo, estamos recebendo doações de mudas frutíferas e a cooperativa nos fornecerá os insumos necessários”, acrescenta o jovem Achiles. No mês de novembro o trabalho do plantio de um pomar foi concretizado. Além do Jovemcoop, representado por Achilles Moreira Alves e Fabiano César de Ávila, participaram do plantio os diretores da CAPAL, Alberto Adhemar do Valle Júnior e Djalma Pereira Guimarães. Foram plantadas as seguintes frutas: laranja, abacate, pêssego, nectarina, tamarinho, mexerica e acerola, num total de 24 29

mudas, doadas pela CBMM e pelo cooperado João Alberto Vale; sendo que o adubo utilizado foi oferecido pela CAPAL. Para a concretização deste primeiro projeto, o Jovemcoop contou ainda com o apoio dos técnicos Wandir Medeiros Araúlo, do Educampo/Capal e Vanderlei Arantes Galdino, da Emater/Araxá, que acompanharam a coleta para análise e preparo do solo e fizeram as recomendações de plantio. Segundo Achilles, este é o primeiro de uma série de projetos sociais que serão empreendidos pelos jovens cooperativas. “Ser voluntário traz uma satisfação e realização que é difícil de explicar. É muito gratificante auxiliar as pessoas que precisam e isto nós temos aprendido muito ao vivenciarmos o cooperativismo”, conclui. Muito entusiasmados, os integrantes do “Jovemcoop Voluntário” planejam desenvolver diversas atividades junto aos idosos do asilo, além de promover campanhas de conscientização e de mobilização dos produtores rurais e da comunidade em geral, para que todos colaborem com esta importante causa social. DICAS  Hoje o cooperativismo, unindo seus 13 ramos, soma, segundo estatísticas da Organização das Cooperativas do Brasil – OCB (dez/2009), quase 275 mil empregos e 7,8 milhões de postos de trabalho, participando com 6% do PIB e gerando 6,5 bilhão em exportações.  Dentre os 13 ramos do cooperativismo, aquele que possui maior número de cooperativas é o Ramo Agropecuário que viabiliza 139 mil postos de trabalho diretos, sem contar com os trabalhadores que indiretamente se beneficiam com o incremento econômico proporcionado pela renda deste ramo. TEORIA

Os ramos do cooperativismo
As cooperativas podem adotar, por objetivo, qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, de acordo com a área econômica de interesse dos cooperados. Usase a palavra “ramo” para diferenciar os tipos de cooperativas. A seguir, alguns ramos de cooperativas: AGROPECUÁRIO É composto por cooperativas agropecuárias e de produtores rurais. Caracteriza-se pela prestação de serviços aos associados na atividade agropecuária, principalmente no fornecimento de insumos, assistência técnica, assistência ao crédito, recebimento, classificação, secagem, armazenamento de grãos, comercialização e, em alguns casos, 30

industrialização. De acordo com a atividade, são denominadas cooperativas dos produtores, agropecuária, avícola, de laticínios, de suinocultores, de exploração de açúcar e álcool, de hortaliças, frutas, etc. Quando uma cooperativa tem mais de uma atividade, é denominada cooperativa mista.

CONSUMO As cooperativas de consumo têm como atividade principal adquirir bens e produtos em maior quantidade e repassar aos associados por menores preços.

CRÉDITO Seu objetivo básico é realizar operações e prestar serviços tipicamente bancários, procurando a melhor rentabilidade nas aplicações e oferecendo crédito em condições compatíveis com as necessidades próprias de cada categoria de associados. São consideradas como instituições financeiras e os associados são seus donos.

EDUCACIONAL As cooperativas educacionais objetivam melhorar o ensino e o desenvolvimento intelectual dos estudantes, por intermédio de uma metodologia moderna e de profissionais capacitados. As mais conhecidas são as cooperativas de alunos/professores/pais.

ESPECIAL São as constituídas por pessoas de menor idade, ou incapazes ou, ainda, que necessitam ser tuteladas.

HABITACIONAL As cooperativas habitacionais são constituídas para atender às necessidades de moradia. São destinadas à construção, manutenção e administração de moradias aos associados. 31

Seu diferencial é a construção de habitações a preços mais justos, abaixo do mercado, pois não visam ao lucro.

MINERAL São cooperativas de mineradores, que procuram viabilizar os negócios de seus cooperados, ligados à extração, industrialização e comercialização de produtos minerais. Sua finalidade é pesquisar, extrair, lavrar, industrializar, comercializar, importar e exportar produtos minerais.

PRODUÇÃO Nesse ramo, os meios de produção pertencem às cooperativas e são explorados pelos associados. São, portanto, de propriedade coletiva. Composto pelas cooperativas dedicadas à produção de bens e produtos. Estimula o empreendedorismo, em que um grupo de profissionais, com objetivos comuns na exploração de diversas atividades produtivas, se reúne para produzir bens e produtos como donos de seu próprio negócio. Exemplo: Cooperativa Produtora de Artigos de Vestuário, etc.

SAÚDE São as cooperativas organizadas por profissionais com o objetivo de assistência à saúde física e mental de pessoas, de forma conveniada ou não, que necessitem de consultas, exames, internação, cirurgias. Seus estatutos e regulamentos definem suas normas de operacionalização.

TRABALHO Composto por cooperativas de profissionais afins para a prestação de serviços. É um dos ramos de cooperativismo que mais cresce, congregando tanto profissionais intelectualmente especializados quanto mão-de-obra braçal. É uma saída contra a informalidade de empregos.

TURISMO E LAZER

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Compreende as cooperativas formadas por associados que desenvolvem atividades voltadas ao turismo e lazer. Composto pelas cooperativas que prestam serviços turísticos, artísticos, de entretenimento, de esportes e de hotelaria.

TRANSPORTE É o ramo das cooperativas compostas por pessoas que atuam no transporte de cargas e passageiros. As cooperativas de “perueiros”, que estão surgindo nos grandes centros urbanos como alternativa ao transporte de passageiros por grandes empresas, são o exemplo mais recente.

I NFRAESTRUTURA É o ramo das cooperativas com a finalidade de atuar no saneamento básico, na construção da malha viária, portos, eletrificação, etc. Preenche uma lacuna das concessionárias de energia nas regiões de baixo consumo.

SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento, leia uma notícia sobre cooperativismo retirada do seguinte endereço: www.portaldocooperativismo.org.br. Vá também ao endereço www.ocb.com.br onde podem ser encontradas notícias e informações interessantes para complementar seus estudos.

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Cetril beneficia 810 famílias no Luz para Todos O programa Federal "Luz para Todos", que chegou em Ibiúna por meio da Cetril (Cooperativa de Eletrificação e Telefonia Rurais de Ibiúna), já beneficiou 810 famílias no município e até maio de 2007 pretende completar o total de 1.650 novas ligações. Em execução há 10 meses, o projeto oferece gratuitamente a ligação de energia elétrica para pessoas que não desfrutavam deste direito. "A cooperativa atua na ampliação de redes e faz novas instalações, pensando em melhorar a vida dos cooperados e dos novos consumidores de energia elétrica", disse o presidente da Cetril, Nélio Antonio Leite. O trabalho da cooperativa é acompanhado de perto pela Eletrobrás, que implantou o programa junto com o Ministério de Minas e Energia. "O resultado do trabalho está sendo muito bom, pois obtive todas as informações necessárias e observei que a cooperativa tem infraestrutura adequada, está muito bem organizada e possui profissionais competentes", disse o analista da Eletrobrás Paulo Sérgio Chaves, após visita técnica à cooperativa realizada em setembro. Desde o início do programa, em fevereiro último, foram instalados 35 mil metros de rede em alta tensão e 10 mil metros em baixa tensão. De acordo com o departamento de engenharia da cooperativa, já foram atendidas propriedades em 22 bairros rurais de Ibiúna e outros sete serão atendidos até o final do ano. (www.portaldocooperativismo.org.br em 22 de novembro de 2006) RESUMO Nesta unidade você conheceu um pouco da história do cooperativismo no mundo, a luta dos operários em países da Europa e no Brasil para criarem uma alternativa de trabalho. Percebeu, também, que o cooperativismo persiste ao longo do tempo e continua se expandindo. É uma ideia que está presente em toda a parte. Ele faz parte das sociedades de economia planejada e das sociedades de livre mercado e cresce velozmente. A leitura das informações estatísticas lhe permitiu ver como se encontra, no Brasil, a organização das cooperativas em torno de 13 ramos de atividades produtivas que atendem a demandas específicas e a finalidades diferenciadas, mas apresentam os valores universais do cooperativismo como elementos capazes de contribuir para o engrandecimento do país, do estado, do município, da comunidade local. Agropecuário, consumo, crédito, infraestrutura, habitacional, saúde, produção, educacional, turismo e lazer, especial, trabalho, mineral, transporte. .

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EXERCÍCIO Sobre os diversos tipos de cooperativa, leia as alternativas a seguir e assinale a afirmativa correta: A. ( ) O cooperativismo agropecuário caracteriza-se, principalmente, pela oferta de serviços de eletrificação rural. B. ( ) As cooperativas só podem ser formadas por maiores de 18 anos e que não necessitam ser tutelados. C. ( ) O cooperativismo de transporte atua, principalmente, no transporte de cargas e de passageiros. Gabarito: Comentário da alternativa A: Resposta Incorreta. O cooperativismo agropecuário não tem como característica principal a oferta de serviços de eletrificação rural. O objetivo das cooperativas agropecuárias é a prestação de serviços aos associados na atividade agropecuária, principalmente no fornecimento de insumos, assistência técnica, assistência ao crédito, recebimento, classificação, secagem, armazenamento de grãos, comercialização e, em alguns casos, industrialização. Para rever o assunto, retorne à tela 15 desta unidade. Comentário da alternativa B: Resposta Incorreta. Entre os ramos das cooperativas há uma categoria chamada Especial que permite a menores de 18 anos e tutelados participar de cooperativas. Para rever o assunto, retorne à tela 16 desta unidade. Alternativa C. Resposta Correta. Parabéns! COMENTÁRIOS

Estaremos a sua espera para mais uma etapa deste curso. Contamos com sua determinação e entusiasmo. Até lá!

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: O Cooperativismo de Crédito Unidade 3: Cooperativas de Crédito – Conceituação e Histórico Olá, caro(a) aluno(a)! Seja bem-vindo(a) a esta etapa do curso. Continuamos com a imagem do formigueiro, ideia que foi retomada em encontros anteriores e continuará presente nos estudos sobre Gestão de Cooperativas de Crédito. Relembrando... Como você pôde observar nas unidades já cursadas, os conceitos e valores do cooperativismo incluem as expressões solidariedade, igualdade, segurança, colaboração, democracia, responsabilidade, pois o cooperativismo se direciona para o alcance de metas e objetivos comuns baseados nesses valores essenciais. Você viu também que o cooperativismo apresenta uma diversificada tipologia. Há vários ramos de cooperativismo. Há cooperativas agropecuárias, educacionais, de saúde etc. APRESENTAÇÃO PANORÂMICA

Nesta unidade, você terá a oportunidade de obter importantes informações acerca das Cooperativas de Crédito e, a partir daí, vai poder conceituar, compreender o processo histórico do cooperativismo de crédito no Brasil e no mundo, além de identificar características específicas da natureza do cooperativismo de crédito. A metodologia adotada prevê a elaboração de respostas para as várias questões propostas e estimulará o contato com seus colegas e o Tutor. Lembre-se de que eles são componentes da ampla rede de conhecimentos que você está construindo no decorrer desses percursos de estudo. Procure manter o seu nível de dedicação e interesse e a viagem será muito proveitosa.

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TEORIA

Reflita com calma sobre as perguntas e procure relacionar algumas palavras (3 ou 4 para cada questão) que possam ajudá-lo(a) a responder às perguntas acima sobre cooperativa de crédito. Se você desejar, organize as palavras em 3 frases (uma para cada questão). Utilize o espaço abaixo para registrar as respostas.

Uma cooperativa de crédito é uma instituição financeira constituída como uma sociedade de pessoas. Características: forma e natureza jurídica própria, natureza civil, sem fins lucrativos e não sujeita à falência. A finalidade das cooperativas de crédito é propiciar crédito e prestar serviços de maneira mais simples e mais vantajosa para seus cooperados. Ex: empréstimos com juros mais baixos e com exigências menores do que os bancos, investimento no desenvolvimento local da comunidade, prestação de serviços financeiros aos associados, etc.

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SAIBA MAIS O Sistema Cooperativo de Crédito demonstra uma posição muito significativa no panorama financeiro. Observe os seguintes dados:
        

1.368 Cooperativas singulares de crédito (1°. Grau) 37 Cooperativas centrais (2° grau) 1 Confederação de cooperativa de 3° grau (Unicred) 2.914 Postos de Atendimento Cooperativo (PAC) Cerca de 4 milhões de associados Mais de R$ 11 bilhões de patrimônio líquido Cerca de R$ 22 bilhões de depósitos Mais de R$ 25,5 bilhões em saldo de operações de crédito Quase 40 mil empregos diretos

Segundo dados de dezembro/2009, os maiores sistemas cooperativos de crédito são:

SICOOB – Presente em 20 estados e Distrito Federal (SC, PR, SP, RJ,
MG, BA, ES, PB, CE, RN, PE, GO, TO, MT, MS, PA, MA, PI, RO, AC)
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14 cooperativas centrais 608 cooperativas singulares 1.186 postos de atendimento cooperativo (PACs) 1.794 pontos de atendimento 1.7 milhão de associados R$ 9,4 bilhões em operações de crédito R$ 7,8 bilhões em depósitos R$ 4,6 bilhões em patrimônio de referência R$ 301 milhões de resultado anual R$ 15,9 bilhões de ativos totais

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SICREDI - Presente em 10 estados (RS, SC, PR, SP, GO, TO, MT, MS, PA,
RO)
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1,5 Milhões de associados, 128 Cooperativas, 1109 Postos de Atendimentos, 2,2 Bilhões de Patrimônios Líquidos, 1,4 Bilhões em empréstimos, 10,3 Bilhões em depósitos, 267 Milhões em sobras.

UNICRED - Presente em 24 estados da Federação
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211.288 mil associados, 9 Cooperativas Centrais, 119 Singulares, 419 postos de atendimento cooperativo, R$ 3.178 bilhões de empréstimos R$ 3.840 bilhões em depósitos R$ 59 milhões de resultado.

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DEBATE VIRTUAL O Brasil passa por um otimismo em relação aos bons desempenhos da economia. Isso significa que há uma grande vontade de continuarmos nos caminhos do desenvolvimento. Dessa forma, é fundamental que programas de geração de renda e emprego voltados para as camadas populares sejam fomentadas. Leia a reportagem que focaliza alguns aspectos fundamentais das cooperativas de crédito. Sistema reduz taxas e exigência de garantias Cooper Acisa reúne pequenos varejistas e indústrias de Santo André, na região do ABC; corretores de imóveis montam a Credicor-SP, que já tem perto de 600 associados e cobra juros de 2% no crédito pessoal. Donos de pequenas padarias, confeitarias, lojas de varejo, fabricantes de roupas, de alimentos. São empresários com esse perfil, com negócios instalados em Santo André e faturamento anual máximo de R$ 2,4 milhões, que participam da Crediacisa - cooperativa de crédito montada há um mês na própria sede da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa). O vice-presidente da Acisa e presidente da cooperativa, Wilson Ambrósio da Silva, conta que a iniciativa começou com a reunião de 50 sócios-fundadores e hoje tem 100 associados. "Levamos quase dois anos para ter a Crediacisa totalmente aprovada pelo Banco Central e colocada em operação. Mas está valendo a pena", diz Silva. Ele explica que o aporte mínimo para a participação é de R$ 250 (cota única), além de uma contribuição mensal a partir de R$ 10. Boa parte dos associados, contudo, tem contribuído com cota de R$ 1 mil e mensalidades de R$ 100. O teto do empréstimo, segundo ele, é o equivalente a cinco vezes o capital investido. "A cooperativa presta serviços bancários e aplica o dinheiro dos associados, com taxas atraentes. Já os empréstimos podem custar até 50% menos que a média dos bancos. Os cooperados têm direito a cartão de débito, talões de cheque, possibilidade de pagar suas contas e, em breve, de quitar todo tipo de impostos", destaca. "O associado pode tanto pegar um crédito pessoal para despesas da sua família, hoje pagando taxa de 1,8% ao mês, como tomar recursos para um investimento em estoques, em reforma da loja. A garantia será negociada, mas é mais simples, por se tratar de empresas que conhecemos, que são da nossa região", frisa. "Essa garantia poderá ser um imóvel, mas também o próprio equipamento adquirido, ou o aval de outro cooperado", acentua. Apesar de a cooperativa ainda estar começando, se um participante ou vários pedem, por exemplo, R$ 25 mil para investimento, ela pode recorrer ao sistema em que se apoia, que é o Sicoob-Bancoob, o qual reúne outras 14 centrais de cooperativas no país e 1,2 milhão de associados, movimentando cerca de R$ 4 bilhões e com ativos de R$ 8 bilhões. "Do mesmo modo, se tivermos sobras de caixa, podemos aplicar no sistema, o que garante o equilíbrio entre recursos tomados e emprestados, com economia de escala e possibilidade de praticar taxas muito atraentes". Se o associado decide resgatar tudo o que aplicou, diz Silva, recebe uma correção de 12% ao ano, mas terá de sair da cooperativa. Corretores Para enfrentar o problema crônico de juros salgados e dificuldade de acesso a 40

crédito bancário, o Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de São Paulo (Sincor-SP) criou a Sicoob-Credicor-SP. A meta é prestar serviços financeiros e formar capital coletivo para os corretores de seguros. Numa sede com 110 m² recém-inaugurada, dentro do próprio sindicato, os profissionais têm todo atendimento de um banco tradicional. Quando a cooperativa começou a operar, há quatro meses, funcionava em sala provisória e tinha 100 cooperados. "Hoje possuímos perto de 600 cotistas em todo o Estado de São Paulo, mais de 90% pequenas empresas", explica o presidente da cooperativa, Leôncio de Arruda. "Agora os corretores de seguros podem ter crédito com custos operacionais menores do que os praticados no mercado, juros baixos e a possibilidade do associado se beneficiar da distribuição de excedentes", destaca. Para aderir à cooperativa, o corretor deve enviar um e-mail para a entidade. A cota mínima para participar é de R$ 700. O cheque especial, segundo Arruda, está com uma taxa de 4% ao mês e o crédito pessoal, de 2%, com prazo para pagamento de até 24 meses. "Para conseguirmos montar a cooperativa, tivemos todo tipo de informação e orientação do Sebrae-SP. Agora, faremos uma parceria para capacitar os corretores em todo o Estado, para que gerenciem melhor o crédito e o seu próprio negócio", diz Arruda. Fonte: Diário de São Paulo (Caderno Negócios - O Espaço do Empreendedor Apoio Sebrae-SP) Autora: Sandra Motta Data de Publicação: 19/11/2006 Com base na leitura do texto, reflita sobre as questões seguintes: Que diferenças existem entre os serviços prestados pelas cooperativas de crédito e os dos bancos comerciais? A reportagem informa, também, que as cooperativas têm maior espaço nos períodos democráticos do que em momento de autoritarismo. O que você pensa a respeito disso? É realmente assim? Que aspectos específicos da ideia de cooperativismo estão presentes? Elabore, agora, um pequeno texto, colocando suas impressões sobre a reportagem e sobre as questões levantadas acima. Utilize o espaço abaixo. Reserve a sua resposta, ela poderá ajudá-lo(a) a rever o assunto ao final da unidade. Procure utilizar os recursos tecnológicos que estão disponíveis para você neste curso. Para isso, acesse a Comunidade (lapela vertical) e comente com seus colegas. Você sabe, o assunto cooperativismo tem atraído a atenção do empreendedor brasileiro e alunos e tutores deste curso formam uma grande rede de conhecimento já que cada um possui diferentes experiências profissionais e de vida.

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TEORIA O Cooperativismo de crédito O gestor da cooperativa de crédito compreenderá melhor o papel social de sua instituição ao conhecer as origens e fundamentos do cooperativismo, em geral, e do de crédito, em particular. O cooperativismo é baseado em princípios da ajuda mútua e da solidariedade. Quando você estudou o assunto O Cooperativismo no Mundo e no Brasil, viu que o cooperativismo nasceu há mais de 160 anos, na Europa, numa época de grandes dificuldades financeiras para as classes trabalhadoras e empreendedoras, como alternativa comprovada para a busca de soluções de natureza social pela cooperação mútua. Essas dificuldades foram oriundas da Revolução Industrial que só viria trazer benefícios em larga escala décadas mais tarde; no momento inicial, foi causa de grande desemprego na classe trabalhadora. Deveria, portanto, ter um campo fértil nos continentes mais pobres e em ambientes de dificuldades, atendendo as camadas mais desprotegidas da população, mas não foi o que aconteceu. Como se verá a seguir, o cooperativismo cresceu, floresceu e germinou na Europa e América do Norte (Estados Unidos e Canadá), mais do que na África e América Latina. No Brasil, as regiões mais ricas são as que apresentam o cooperativismo mais consolidado. A explicação, segundo os estudiosos do cooperativismo, está no maior nível de educação do povo dessas regiões. O cooperativismo pressupõe uma sociedade com um grau de educação e bom nível de cultura, onde pessoas atuam com desprendimento e de maneira mais coletiva, ao invés de individual. Além disso, é comprovado que a pobreza deixa o indivíduo com dificuldades de se juntar e de se associar, pensando, primeiramente em sua sobrevivência.

CURIOSIDADES

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Em Minas Gerais, por exemplo, a Lei nº 15.075, de 05/04/2004, denominada POLÍTICA ESTADUAL DE APOIO AO COOPERATIVISMO, dispõe, em seu art. 3º, que: “as escolas de ensino médio integrantes do sistema estadual de ensino incluirão em seus currículos conteúdos e atividades relacionadas ao cooperativismo (............) abrangendo informações sobre o funcionamento, a filosofia, a gerência e a operacionalização do cooperativismo” O gestor da cooperativa de crédito tem um papel preponderante nessa tarefa, desempenhando o papel de disseminador dessa cultura, quer com seus exemplos, quer com palestras, distribuição de materiais, etc. Quanto mais a comunidade estiver com os ideais de cooperação arraigados em seus hábitos de vida, mais beneficiada poderá ser a própria cooperativa, com a adesão constante de novos associados, aumento de depósitos, etc. TEORIA Com o objetivo de situar o gestor da cooperativa de crédito no ambiente geral onde sua instituição está inserida, será apresentado um histórico do cooperativismo de crédito no mundo e, em seguida, sua introdução no Brasil. O cooperativismo de crédito no mundo O cooperativismo de crédito foi um dos principais responsáveis pela difusão da doutrina cooperativista em todo o mundo. Apenas três anos após a criação da Cooperativa de Rochdale (1844), surgia na Alemanha o Cooperativismo de Crédito pelo esforço de Friedrich Raiffeisen, complementado por SchulzeDelitzsch, seguindo para Itália com Luigi Luzzatti e Leone Wolemborg, espalhando-se, então, por toda a Europa. Expande-se, posteriormente, para as Américas, com Alphonse Desjardins, que o implanta no Canadá. É levado para os Estados Unidos por Edward Filene. Um dos 43

fatores determinantes dessa expansão foi a grande importância que o ramo crédito sempre concedeu ao princípio da integração, refletida inclusive na segunda denominação – Credit Union. Seus adeptos logo adquiriram consciência de que essa era a forma de conseguir atender ao amplo espectro de necessidades dos associados, melhorar a qualidade dos serviços, adquirir força política e ocupar espaço junto ao sistema financeiro. Portanto, passaram a criar cooperativas de cooperativas - Centrais e Confederações – e assim difundir e expandir o movimento. O Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (em inglês,World Council of Credit Union - WOCCU), com sede em Madison, no Estado de Wisconsin, EUA, é composto por 4 grandes Confederações Regionais e dez Associações Nacionais, que congregam cooperativas de crédito de 85 países. O Sistema WOCCU não incorpora todas as cooperativas de crédito. Há vários outros sistemas mundiais de cooperativas de crédito, sendo os principais o DG Bank e o Volksbank na Alemanha, o Rabobank na Holanda e o Crédit Agricole na França. SAIBA MAIS

A DIFUSÃO DO COOPERATIVISMO DE CRÉDITO NO MUNDO Base: 2008 CONTINENTE COOPERATIVAS ASSOCIADOS (MILHÕES) África Américas Central e do Sul América do Norte Ásia Caribe Europa Pacífico Sul TOTAL 14.404 1.784 8.653 21.233 556 2.418 282 49.330 15.6 14.9 101.9 35.9 3.02 8.5 3.9 183,8 PENETRAÇÃO (*) 6,8% 4,8% 44,6% 2,6 % 18,9% 3,6 % 17,9% 7,6% CRÉDITO (US$ BILHÕES) 3.8 22.2 769.5 64.3 3.1 13.8 34.6 911.3 ATIVOS (US$ BILHÕES) 4.94 38.1 1.126.5 110.32 4.4 26.3 42.8 1.357.3

(*) Percentual de associados a cooperativas de crédito, em relação à População Economicamente Ativa (PEA) Fonte: Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito (WOCCU) – visita ao site em 27/09/2010 www.woccu.org

A América do Norte (Estados Unidos da América e Canadá) lidera o ranking do cooperativismo de crédito mundial. Note-se que, além dos valores expressivos de empréstimos e de ativos financeiros, o cooperativismo de crédito envolve, em 44

média, 44% da População Economicamente Ativa (PEA) dos dois países. Observe também que os principais países cooperativistas da Europa (Itália, França, Bélgica e Alemanha) dispõem de associações próprias e seus dados não estão incluídos nas estatísticas do WOCCU. Veja estes dados referentes a agosto de 2010:  CERCA DE 40 MILHÕES DE BRASILEIROS NÃO TÊM CONTA EM BANCO (classes baixa e média); 1.975 MUNICÍPIOS BRASILEIROS BANCÁRIAS (35,6 %); NÃO POSSUEM AGÊNCIAS

1.518 MUNICÍPIOS BRASILEIROS POSSUEM APENAS UMA AGÊNCIA BANCÁRIA (27,4 %). 129 MUNICÍPIOS BRASILEIROS POSSUEM APENAS UM POSTO DE ATENDIMENTO BANCÁRIO (1,3%).

TEORIA O cooperativismo de crédito no brasil O Cooperativismo de Crédito no Brasil tem, através de seus sistemas, aprimorado seu modelo de organização. Com isto tem fortalecido sua inserção no contexto nacional como instrumento da sociedade para acesso ao crédito e aos serviços financeiros.

Para saber mais...

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As primeiras cooperativas brasileiras eram do ramo consumo. A primeira cooperativa de crédito foi constituída em dezembro de 1902, em Nova Petrópolis, Rio Grande do Sul, por iniciativa do padre suíço Theodor Amstad. Essa cooperativa funciona até os dias atuais, sob a denominação de Sicredi Pioneira RS. É integrante do Sistema Sicredi, cujas características serão vistas adiante. Até 1964, as cooperativas se constituíam sob a denominação de “Caixas Populares Raiffeisen”. Eram, então, coordenadas e fiscalizadas pelo Ministério da Agricultura, passando para a égide do Banco Central do Brasil após a reforma do sistema financeiro, em 30 de dezembro de 1964. Em 03/08/61, foi criada a FELEME – Federação Leste-Meridional das Cooperativas de Economia e Crédito Mútuo, no Rio de Janeiro, com a participação ativa da Igreja Católica, através da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidida por Dom Hélder Câmara, e de algumas cooperativas de crédito, tendo como objetivos integrar, dar assistência técnica e educativa às filiadas e fomentar a constituição de novas cooperativas. No entanto, em 1964, com a reformulação do sistema financeiro nacional (Lei nº 4.595, de 31/12/64, que criou o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil) e, em seguida, com o estabelecimento de normas mais rigorosas para o funcionamento das cooperativas de crédito (Decreto-Lei nº 59, de 21/11/66, regulamentado pelo Decreto nº 60.597, de 19/04/67), grande parte das cooperativas foi liquidada, principalmente as Luzzatti, popularmente denominadas Bancos Populares Luzzatti, cooperativas abertas ou regionais. Em 16 de dezembro de 1971, a Lei n° 5.764 definiu a nova Política Nacional do Cooperativismo e instituiu o regime jurídico das sociedades cooperativas. Na década de 70 e início dos anos 80, o cooperativismo de crédito no país restringiuse praticamente às cooperativas de crédito mútuo (urbanas) e às de crédito rural, vinculadas às cooperativas de produção. A proposta de criação de cooperativas de crédito rural ocorreu em razão das alterações na política de financiamentos agrícolas, com drástica redução de recursos e fim dos subsídios, via equalização da taxa de juros. A Constituição Federal de 1988 (Art. 192) confirmou que as cooperativas de crédito, como instituições financeiras, integram o Sistema Financeiro Nacional. Em decorrência, as cooperativas tiveram de assumir a autogestão em plenitude, passando a ser responsáveis pelo próprio êxito ou fracasso. Em 20 de dezembro de 2.002, o Banco Central divulgou a Resolução 3.058 do Conselho Monetário Nacional onde, pela primeira vez, foi permitida a constituição de cooperativas de crédito de micro e pequenos empresários ou microempreendores, definindo as regras para seu funcionamento. Pouco depois, em 25 de junho de 2.003, a Resolução 3.106 consolidou as normas cooperativistas e permitiu a constituição ou transformação de cooperativa de 46

crédito existente em “cooperativas de livre admissão de associados”, sob regras bem definidas. Em 27 de novembro do mesmo ano, a Resolução 3.140 completou as reformas do cooperativismo de crédito, ao permitir a formação de cooperativas de empresários cujas empresas fossem filiadas a órgão de classe patronal. Finalmente, em 27 de maio de 2010, o Conselho Monetário Nacional consolidou os normativos para a abertura e o funcionamento das cooperativas de crédito, divulgados pela Resolução 3.859. Esta Resolução é a que atualmente vigora (out/2010) para o cooperativismo de crédito. Foram mantidas todas as modalidades de cooperativas até então permitidas, clareando os detalhes operacionais para cada uma. SAIBA MAIS Nos últimos anos, o cooperativismo de crédito brasileiro apresentou um constante desenvolvimento, tanto no número de cooperativas como no de associados, demonstrando ser esta uma solução adequada para as necessidades financeiras de vários segmentos da sociedade. O quadro a seguir mostra a evolução do cooperativismo de crédito no Brasil, a partir de 1990.
COOPERATIVISMO DE CRÉDITO NO BRASIL - PERÍODO: 1990 A AGO/2010 NÚMERO DE COOPERATIVAS AUTORIZADAS A FUNCIONAR 741 946 1.088 1.430 1.436 1.452 1.453 1.405 1.382 27,6 15,0 31,4 0,4 1,1 0,0 -3,3 -1,6

ANO

ACRÉSCIMO %

NÚMERO DE ASSOCIADOS 546.000 772.000 1.284.000 1.650.000 2.136.000 (*) 2.800.000 (*) 3.500.000 (*) 4.000.000 (*) 4.300.000

ACRÉSCIMO % 41,4 66,3 28,5 29,4 31,1 25,0 14,3 7,5

1990 1994 1998 2002 2004 2006 2008 2009 Ago/10

(*) números estimados

Fonte:

Bacen:

www.bcb.gov.br

acessado

em

05/10/2010.

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SAIBA MAIS As cooperativas de crédito, segundo as leis brasileiras Conforme você pôde observar anteriormente, as cooperativas, de qualquer ramo, são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, constituídas para prestar serviços aos associados, cujo regime jurídico, atualmente, é o instituído pela Lei 5.764. São sociedades simples e, portanto, não sujeitas à falência, por força do disposto no parágrafo único do artigo 982 do novo Código Civil, muito embora tenham por objeto o exercício de atividades próprias do empresário, ou seja, exercem atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. Por sua vez, as cooperativas de crédito são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedades cooperativas para prestar serviços financeiros aos associados como: concessão de crédito, captação de depósitos, prestação de serviços de cobrança, de custódia, de recebimentos e pagamentos por conta de terceiros sob convênio com instituições financeiras públicas e privadas e de correspondentes no País, além de outras operações específicas e atribuições estabelecidas na legislação em vigor. EIS UMA DICA PARA VOCÊ... É importante que o gestor saiba que cooperativas de crédito não são bancos, e sim instituições financeiras. Ao contrário dos bancos, não têm acesso automático aos Serviços de Compensação de Cheques nem às Reservas Bancárias do Banco Central. Exercem, porém, as mesmas funções para seus associados: depósitos, recebimento de contas, transferências, empréstimos, etc. SAIBA MAIS A distribuição geográfica das cooperativas de crédito no Brasil Como se vê no quadro a seguir, há grande concentração das cooperativas de crédito nas regiões Sul e Sudeste, que são as regiões mais ricas e desenvolvidas do País. Essa situação ocorre, também, na distribuição das agências e pontos de atendimento dos bancos comerciais e múltiplos, em geral.

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DISTRIBUIÇÃO REGIONAL DAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO BASE: DEZ/2009 Regiões Norte Nordeste Centro-Oeste Sul Sudeste Total
Fonte: Bacen.

Cooperativas 82 149 121 398 655 1.405

% 5,9 10,6 8,6 28,3 46,6 100,0

DICAS Caro(a) aluno(a). Às vezes, o cansaço pode bater enquanto você ainda está no meio da unidade, ou então surge uma imprevista necessidade de interromper as atividades. Fique tranquilo (a), pois você está em um ambiente amigável que lhe permite esta pausa sem qualquer prejuízo e o retorno em momento mais oportuno. Finalmente, você não precisa estudar tudo "de uma única vez". Neste caso, clique em Concluir Para retornar ao ponto em que parou, utilize o Menu na tela de abertura do curso, acessando a unidade correspondente. RESUMO Você chegou ao final da unidade 3 onde pôde aprofundar seus conhecimentos sobre as Cooperativas de Crédito. Você percebeu que, logo após o surgimento da cooperativa de Rochdale, a Alemanha foi palco de origem da primeira cooperativa de crédito. No Brasil, a cidade de Nova Petrópolis, no Rio Grande do Sul, foi pioneira no cooperativismo de crédito. Além disso, você conheceu, também, todo o processo de evolução do cooperativismo de crédito no Brasil e como se consolidou sua conceituação. Neste momento, convidamos você para, na próxima tela, ler cuidadosamente a questão que se apresenta e respondê-la. Se achar necessário, revise o assunto, antes de prosseguir.

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EXERCÍCIO Nesta unidade, você teve contato com um panorama histórico da cooperativa de crédito no mundo e no Brasil. Com base no que você aprendeu, relacione as colunas a seguir: 1 Regiões sul e sudeste do Brasil ( )Continente que lidera o cooperativismo de crédito mundial

2 Resolução 3.859, do Conselho ( ) Confirma a inclusão das cooperativas Monetário Nacional, de 27 de maio de crédito no Sistema Financeiro Nacional de 2010 3 Nova Petrópolis - RS 4 Alemanha 5 Constituição Federal de 1988 6 América do Norte ( ) País onde surgiu o cooperativismo de crédito ( ) Grande concentração das cooperativas de crédito ( ) Consolidação dos normativos para funcionamento de cooperativas de crédito ( ) Cidade e estado em que foi constituída a primeira cooperativa de crédito no Brasil

Gabarito: (6, 5, 4, 1, 2, 3)

COMENTARIOS Prezado aluno. Prezada aluna. Você concluiu os estudos sobre a conceituação e o processo histórico das Cooperativas de Crédito: Parabéns! Desejamos que você alcance os objetivos que se propôs ao ingressar neste curso.. A próxima unidade que tratará da classificação e dos critérios para admissão utilizados nas cooperativas de Crédito. Sucesso! Estamos à sua espera.

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: O Cooperativismo de Crédito Unidade 4: Cooperativas de Crédito – Classificação e Admissão Prezado aluno. Prezada aluna. Seja bem-vindo (a) a mais uma etapa deste curso. Certamente você já está familiarizado (a) com o ambiente de aprendizagem onde se encontram à sua disposição recursos tecnológicos como Fórum, Mural, Midiateca, Glossário que tornarão o seu trajeto mais eficaz. Você conta, também, com o Tutor. Se tiver dúvidas sobre a navegação no curso e a utilização destes recursos, consulte o Guia. Nesta unidade, você saberá como se classificam as cooperativas de crédito e quais são os requisitos fundamentais para a admissão de associados nos diversos tipos de cooperativas. Podemos começar? Classificação das cooperativas de crédito A associação nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar-se dos seus serviços. É preciso aderir aos seus propósitos sociais e preencher as condições estabelecidas no estatuto. O número de associados é ilimitado a não ser que haja impossibilidade técnica de prestação de serviços na área de atuação pretendida. As cooperativas de crédito são classificadas em: I - cooperativas singulares, ou de 1° grau. São as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas. É permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas e as controladas pelos associados e, ainda, aquelas sem fins lucrativos. Exemplificando: o profissional médico associado a uma cooperativa de crédito pode também associar sua clínica, hospital, laboratório de exames clínicos, e assim por diante. As cooperativas singulares têm gestão independente e autônoma, com responsabilidades próprias e individuais. II - cooperativas centrais de crédito ou federações de cooperativas, ou ainda, de 2° grau. São as constituídas de, no mínimo, 3 (três) cooperativas singulares. São responsáveis por prestar serviços de centralização financeira, auditoria, controle e supervisão das cooperativas singulares associadas. III - confederações de cooperativas de natureza não financeira, ou de 3° grau. São constituídas de, pelo menos, 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais de crédito. As confederações tratam dos assuntos de interesse comum de suas cooperativas associadas.

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A partir da Res. 3.859/2010, o Banco Central autorizou a transformação das confederações de cooperativas em “Confederações de Créditos” com regras bem definidas, passando a ser consideradas, também, como instituições financeiras. REFLEXÕES Para que o gestor de cooperativas de crédito precisa conhecer a classificação das cooperativas de crédito? Antes de ir adiante, pense sobre o questionamento acima e elabore uma pequena justificativa que responda, coerentemente, à pergunta. Procure levantar características importantes que fazem com que o gestor desempenhe com eficiência seu trabalho. Além disso, levante, também, comportamentos e atitudes necessários para um bom desempenho do gestor. Guarde sua resposta, para que depois você possa encaminhá-la ao Tutor ou trocar ideias com seus colegas no Fórum (lapela horizontal). TEORIA As cooperativas de crédito, no Brasil e no mundo, têm uma organização sistêmica. O que é organização sistêmica? Acompanhe o que nos informa o autor Alcenor Pagnussatti, no livro Guia do Cooperativismo de Crédito sobre organização sistêmica, cuja indicação você encontra acessando a Midiateca (lapela horizontal). Ele diz que uma organização sistêmica ocorre quando as cooperativas singulares (1º grau) fazem parte das centrais (2º grau ou federações), e as centrais se organizam em confederações (3º grau) e empresas (bancos cooperativos, corretoras de seguro, administradoras de cartões). Elas se organizam assim para executarem em comum e, em maior escala, os serviços econômicos e assistenciais de seu interesse, passando a atuar de forma integrada e padronizada e com política corporativa única, sob a orientação e supervisão dessas entidades. O bom ou mau gerenciamento da cooperativa pelos seus gestores refletirá no sistema do qual ela é parte (microssistema) e no macrossistema, do qual todas são integrantes. Para complementar as informações acima, você encontrará, na Midiateca (lapela horizontal), um texto de reportagem da Revista Vencer (2004) titulado “A hora das cooperativas". Aproveite esta indicação e faça mais uma visita a outro espaço disponível no ambiente educacional com o qual, a esta altura do curso, você já se familiarizou.

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TEORIA Critérios de admissão de associados O texto da reportagem confirma a força e importância do sistema de cooperativismo que gera efetivamente 182 mil empregos e representa 6% do PIB (Produto Interno Bruto), movimentando U$ 1,09 bilhão em exportações. A organização das cooperativas de crédito é objeto de legislação específica no Brasil.. Resolução 3.859, de 27 de maio de 2010 (do Conselho Monetário Nacional). Segundo a Resolução 3859, a cooperativa singular de crédito deve estabelecer, em seu estatuto, condições de admissão de associados em observância ao que se segue: I - empregados, servidores e pessoas físicas prestadoras de serviço em caráter não eventual, de uma ou mais pessoas jurídicas, públicas ou privadas, definidas no estatuto, cujas atividades sejam afins, complementares ou correlatas, ou pertencentes a um mesmo conglomerado econômico; II - profissionais e trabalhadores dedicados a uma ou mais profissões e atividades, definidas no estatuto, cujos objetos sejam afins, complementares ou correlatos; III - pessoas que desenvolvam, na área de atuação da cooperativa, de forma efetiva e predominante, atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas, ou se dediquem a operações de captura e transformação do pescado; Atenção: para a constituição de cooperativas desses três critérios, o capital mínimo inicial é de R$ 3 mil, devendo o patrimônio de referência (PR), após cinco anos de funcionamento, atingir a R$ 60 mil, caso sejam filiadas a uma cooperativa central. Caso não o sejam, os valores passam a R$ 4,5 mil e R$ 86 mil, respectivamente. IV - pequenos empresários, microempresários ou microempreendedores, responsáveis por negócios de natureza industrial, comercial ou de prestação de serviços, incluídas as atividades da área rural objeto do inciso III, cuja receita bruta anual, por ocasião da associação, seja igual ou inferior ao limite máximo estabelecido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, e alterações posteriores. Esse limite é, hoje (outubro de 2010), de R$ 2,4 milhões; V - empresários participantes de empresas vinculadas direta ou indiretamente a sindicatos patronais ou a associações patronais, de qualquer nível, em funcionamento, no mínimo, há três anos, quando da constituição da cooperativa; VI – pessoas físicas e jurídicas com vínculos de natureza associativa, econômica ou social, tais como os derivados da filiação a sindicatos ou associações civis legalmente constituídos há mais de três anos, a participação em uma mesma cadeia de negócios ou arranjo produtivo local e o domicílio ou sede em uma comunidade ou região delimitada;

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Atenção: para a constituição de cooperativas desses três critérios, o capital inicial mínimo é de R$ 10 mil, devendo o patrimônio de referência (PR), após quatro anos de funcionamento, atingir a R$ 120 mil. É obrigatória a filiação a cooperativa central; VII - livre admissão de associados. As condições está mais adiante; VIII – critérios mistos, principalmente oriundos de fusões e incorporações de cooperativas, quando será facultadas a manutenção do quadro social e a redefinição das condições de admissão. Observações importantes: 1 - a admissão de pessoas jurídicas deve restringir-se, exceto nas cooperativas de livre admissão de associados, às sem fins lucrativos, às que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas dos associados pessoas físicas e às controladas por esses associados; 2 – segundo a Lei Complementar 130/2009, não podem ser admitidas no quadro social das cooperativas de crédito pessoas jurídicas que possam exercer concorrência com a própria sociedade (empresas de fomento mercantil ou factoring, por exemplo), nem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como suas respectivas autarquias, fundações e empresas estatais dependentes. Observe os conceitos Micro e pequenos empresários são aqueles cuja receita bruta anual, por ocasião da associação, é igual ou inferior ao limite máximo estabelecido pelo art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, para as empresas de pequeno porte. O limite atual de receita anual é de R$ 2.400.000,00 Microempreendedores são aqueles que trabalham por conta própria, em uma atividade legal, sem, contudo, ter uma empresa registrada nos órgãos competentes. SAIBA MAIS Agora, você vai conhecer os conceitos de cooperativas de crédito abertas ou de livre admissão, segundo as resoluções do Conselho Monetário Nacional. Cooperativas de livre admissão de associados. São as cooperativas abertas ou regionais, podendo admitir em seus quadros todos aqueles que, reconhecidamente, desejam participar do movimento cooperativista. Esse tipo de cooperativa se parece muito com as antigas Luzzatti, por serem abertas. Se você esqueceu este item do assunto, retorne às telas 5 e 6 da unidade 2 e sob o título “O Cooperativismo no Brasil”, encontrará a informação que precisa. Porém, o Banco Central estabeleceu regras rígidas para seu funcionamento: a) Quando a área de atuação da cooperativa tiver população inferior a 300 mil habitantes, poderá ser criada uma cooperativa de livre admissão ou será aceita, pelo Banco Central, a transformação de uma que já exista. 54

No caso de constituição de nova cooperativa, o capital inicial mínimo deve ser de R$ 20 mil e o PR (Patrimônio de Referência), após quatro anos da data da autorização, deve atingir a R$ 250 mil. b) Caso a população esteja entre 300 mil e 750 mil, somente será permitida a transformação de uma cooperativa com PR mínimo de R$ 3 milhões. c) Se a população da área de atuação for superior a 750 mil habitantes e inferior a 2 milhões, somente será autorizada a transformação de uma cooperativa, com patrimônio líquido superior a R$ 6 milhões. d) Finalmente, quando a área de atuação for superior a 2 milhões de habitantes, o Banco Central exige que a cooperativa a ser transformada tenha Patrimônio de Referencia (PR) mínimo de R$ 25 milhões. Observação importante: esses valores são reduzidos em 50% para as regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste. Em qualquer hipótese, as cooperativas deverão se filiar ou estar filiadas a uma cooperativa central de crédito também “sadia” (legalizada) e seu projeto de constituição ou transformação deverá ser aprovado previamente pelo Banco Central do Brasil.

SAIBA MAIS As cooperativas de empresários são aquelas cujas empresas são vinculadas diretamente a um mesmo sindicato patronal, ou indiretamente a uma associação patronal de grau superior, em funcionamento, no mínimo, há três anos, quando da constituição da cooperativa. Há, portanto, abertura para cooperativas de empresários e empresas ligados a entidade de classe, tais como Federações das Indústrias, do Comércio, da Agricultura, Federações de Associações Comerciais, Câmaras de Dirigentes Lojistas, etc. O capital mínimo para a constituição das cooperativas de empresários é de R$ 20.000,00 e há a obrigatoriedade de sua filiação a uma cooperativa central. COMENTARIOS Todas as cooperativas de crédito das categorias IV a VII que você conheceu anteriormente são obrigadas a participar de uma cooperativa central de crédito. Com esses normativos (legislação), agora todo e qualquer cidadão brasileiro, independentemente de sua atividade funcional ou profissional, ou do porte de sua

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empresa e mesmo aqueles chamados “informais” ou sem empresas registradas, pode se associar a uma cooperativa de crédito. As perguntas, a seguir, são de grande importância para os gestores e para todos aqueles que desejam participar de uma cooperativa de crédito:

As possibilidades de os gestores aumentarem os quadros sociais das cooperativas são imensas. A Resolução 3.859/2010 (Art.13) permite que os estatutos das cooperativas de crédito prevejam a aceitação, como associados, também, de:
I - seus próprios empregados e pessoas físicas que a ela prestem serviços em caráter não eventual, equiparados aos primeiros para os correspondentes efeitos legais; II - empregados e pessoas físicas prestadoras de serviços em caráter não eventual às entidades a ela associadas e àquelas de cujo capital participe direta ou indiretamente; III - aposentados que, quando em atividade, associação; atendiam os critérios estatutários de

IV - pais, cônjuge ou companheiro, viúvo, filho, dependente legal e pensionista de associado vivo ou falecido; V - pensionistas de falecidos que preenchiam as condições estatutárias de associação; e VI - estudantes de cursos superiores e de cursos técnicos de áreas complementares ou correlatas às que caracterizam as condições de associação. afins,

Vale recordar que a admissão de pessoas jurídicas deve se restringir, exceto nas cooperativas de livre admissão de associados, às sem fins lucrativos, às que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas dos associados pessoas físicas e às controladas por esses associados. Entidades sem fins lucrativos são instituições benfeitoras das cooperativas e muito importantes para seu desenvolvimento. Todos os empregados das empresas associadas, se assim o quiserem, podem também se filiar às mesmas cooperativas de crédito de seus empregadores. 56

ESTUDO DE CASO

Miguel Formigas e Dona Guiga, como gestores da CREDIFORMIGAS, Cooperativa de Crédito dos Empreendedores do Formigueiro Ltda., receberam uma comissão de aproximadamente 10 feirantes, representando a Associação dos Feirantes do Formigueiro. Essa comissão explicou a eles que estavam buscando uma linha de crédito que fosse mais favorável do que o crédito oferecido pelos bancos comerciais. Eles pretendem investir na melhoria da produção e na melhoria da comercialização de seus produtos. Ouviram dizer que, se fossem associados a uma Cooperativa de Crédito, eles seriam donos do investimento e, também, poderiam lançar mão de crédito com taxas de juros bem menores. Converse com seus colegas para discutir esse caso. Você, no lugar de Miguel Formigas e Dona Guiga, que atitudes tomaria para atender às necessidades desses feirantes? Que sugestões você apresentaria? Você já possui algumas informações sobre as cooperativas de crédito. Troque suas impressões com seus colegas na Comunidade (lapela vertical) fortalecendo a rede de conhecimentos da qual agora faz parte. A legislação que orienta todo o processo de classificação e admissão das cooperativas de crédito está à disposição em alguns sites de interesse do setor, entre os quais: www.bcb.gov.br www.sebrae.com.br www.bancoob.com.br www.sicredi.com.br www.unicred.com.br www.portaldocooperativismo.com.br Consulte-os sempre para ampliar e atualizar as suas informações. LEMBRETE! 57

Gestor Informado, Gestão Eficaz. REVISÃO PANORÂMICA

Você teve a oportunidade de conhecer bastante sobre a classificação das cooperativas de crédito, suas características principais e os requisitos fundamentais para a admissão nos diversos tipos de cooperativas. Acompanhe a revisão atentamente... As cooperativas singulares são constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas. Excepcionalmente admitem pessoas jurídicas. Elas têm gestão independente e autônoma, com responsabilidades próprias e individuais. As cooperativas centrais constituem-se de, no mínimo, 3 (três) cooperativas singulares. Prestam serviços de centralização financeira, auditoria, controle e supervisão das cooperativas singulares associadas. As confederações de cooperativas de natureza não financeira constituem-se de, no mínimo, 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais de crédito. As confederações tratam dos assuntos de interesse comum de suas cooperativas associadas. As confederações de Crédito, de natureza financeira, formadas por cooperativas centrais de crédito. Além disso, você recebeu informações sobre as várias modalidades de organização de cooperativas permitidas pela legislação e as possibilidades de ampliação de associados. Preparando-se para gerir uma cooperativa de crédito, você dispõe de um conjunto de informações que o gestor moderno pode reunir rapidamente para basear a sua tomada de decisões, acionando os recursos tecnológicos disponíveis.

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Agora estamos preparados para continuar. Se quiser fazer uma pausa, fique à vontade. Levante-se, estique braços e pernas, respire lentamente, olhe à sua volta, faça contato com a família ou amigos... TEORIA As Cooperativas Centrais de Crédito As Cooperativas Centrais de Crédito (cooperativas de 2° grau), são constituídas de, no mínimo, 3 (três) Cooperativas Singulares de crédito (cooperativas de 1º grau). Segundo a Resolução CMN (Conselho Monetário Nacional) 3.859, de 27/05/2010, as Cooperativas Centrais de Crédito devem prever, em seus estatutos e normas operacionais, dispositivos que possibilitem prevenir e corrigir situações anormais verificadas nas filiadas, inclusive a possibilidade de constituir Fundo Garantidor de Depósitos.Situações anormais são aquelas que possam configurar infrações a normas legais ou regulamentares ou causar risco para a solidez das cooperativas filiadas e do sistema associado. Para os gestores de Cooperativas Singulares (ou de 1º grau), a Cooperativa Central se reveste da maior importância para o sucesso de sua instituição, pois compete à Central supervisionar o funcionamento de suas associadas, zelar pela sua saúde financeira, promover programas de capacitação dos dirigentes e funcionários além das funções de auditoria interna. . A Cooperativa Central, como uma grande aliada do gestor de cooperativas, deverá estar preparada para:  suprir as cooperativas singulares associadas de instrumentos contratuais padronizados;  administrar os seus recursos financeiros excedentes (centralização financeira);  fornecer assessoria em questões jurídicas, contábeis e de recursos humanos. ATIVIDADE INDIVIDUAL Aqui, você é convidado(a) a dar uma paradinha para relaxar antes de continuar seu estudo. Como você sabe, “a propaganda é a alma do negócio”. Logo, as cooperativas de crédito também precisam divulgar suas ações, ampliar seus negócios, atrair maior número de associados. Alguns recursos criativos são necessários para se produzir uma boa propaganda, assim como alguns recursos também são necessários para uma boa gestão de cooperativa de crédito. Não adianta apenas uma boa ideia, como diria o cartunista Henfil: é preciso 90% de transpiração e 10% de inspiração. (Henrique de Souza Filho, cartunista, nasceu em Ribeirão das Neves- MG em 1944e faleceu no Rio de Janeiro RJ em 1988). O profissional da propaganda sabe que uma boa imagem vale por mil palavras. Assim, o requinte visual das propagandas ganha espaço grandioso nos diversos veículos de divulgação das propagandas. Diante disso, você está convidado (a) a provar para todos que seu produto/serviço é o melhor do mundo!

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Agora veja alguns recursos que a arte da propaganda utiliza: 1. Linguagem poética (rimas, repetições de consoantes e vogais, comparações, metáforas e prosopopeias, etc.) - Pag pouco - Se é Bayer, é bom - Tomou doril, a dor sumiu - Pense forte, pense Ford - Melhoral, melhoral, é melhor e não faz mal 2. Linguagem apelativa (explora ansiedades, vaidades, vontades, frustrações do consumidor, influi de modo decisivo no comportamento e postura do homem comum e, fantasiosamente, camufla as frustrações da realidade) - Seu romance é sagrado. Apaixone-se pela sua casa. Bless, a alma da sua casa. - Novo Neve. Aprovado pelo controle de qualidade mais rigoroso: o toque. - Beba coca-cola. - Compre batom, compre batom. O seu filho merece batom! 3. Associações arbitrárias: - Saúde com cigarro - Vigor físico com remédio 4. Linguagem popular (por meio da exploração dos ditos populares, provérbios, gírias, etc.) - Dize-me o que lês que te direi o que és – Veja. - Ponha algumas pedras no caminho de sua sede – Antarctica - Quem tem outro carro anda com o Fusca atrás da orelha. Agora, vamos ao trabalho de criação! Lance mão dos recursos mais inusitados para vender seu produto/serviço. Deixe sua imaginação viajar, voar livre. A sua tarefa é produzir um material escrito destinado a vender um dos produtos abaixo:  a lua  a vida  o fedex (produto desconhecido do público)  a Paz  um serviço que a Cooperativa de Crédito $egurança oferece com exclusividade  a solidariedade Releia seu texto! Leia-o para alguém! Ele convence? Vende? Envie o seu texto para o Tutor que poderá colocá-lo no Mural . Se desejar, você também poderá utilizar outro recurso tecnológico de que dispõe este curso – o Fórum – para divulgação de seu trabalho. RESUMO Você chegou ao final da unidade 4 onde pôde ampliar e aprofundar seus conhecimentos sobre as Cooperativas de Crédito. Tendo tomado conhecimento 60

do processo histórico de surgimento do cooperativismo de crédito na unidade anterior, você pôde melhor entender como se classificam as cooperativas de crédito, quais são suas características principais e os requisitos fundamentais para a admissão ou o funcionamento nos diversos tipos de cooperativas: cooperativas singulares, cooperativas centrais e confederações de cooperativas. Agora, vamos fazer um convite para você!

EXERCICIOS Leia as afirmativas abaixo. Verifique se são verdadeiras ou falsas. Aquela afirmativa que você julgar falsa, corrija-a, apresentando elementos que a tornem verdadeira. 1.( ) Pessoas que se dedicam à atividade rural podem ser admitidas como associados nas Cooperativas de Micro e Pequenos Empresários e Microempreendedores; 2.(..) As Cooperativas de Crédito de Livre Admissão de Associados “podem ser criadas em qualquer cidade, independentemente de sua população”; 3.(..) As Cooperativas de Empresários ligados a sindicatos patronais ou associações de classe podem ser criadas em qualquer município, independentemente de sua população; Gabarito: 1 (V), 2 (F), 3 (V) Sobre a classificação das cooperativas de crédito, leia as afirmativas abaixo e verifique se são verdadeiras ou falsas. Aquela afirmativa que você julgar falsa, corrija-a, apresentando elementos que a tornem verdadeira. 1 ( ) As cooperativas centrais constituem-se de, no mínimo, 3 (três) cooperativas singulares. Prestam serviços de centralização financeira, auditoria, controle e supervisão das cooperativas singulares associadas. 61

2 ( ) As confederações de cooperativas constituem-se de, no mínimo, 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais de crédito. As confederações tratam dos assuntos de interesse comum de suas cooperativas associadas.
3 ( ) As cooperativas de crédito, no Brasil e no mundo, são organizadas em Sistemas. As de 1º grau fazem parte das de 2º grau ou federações, que se organizam em confederações (3º grau). Seus bancos cooperativos, suas corretoras de seguro e administradoras de cartões também fazem parte destes Sistemas.

4 ( ) As cooperativas singulares são constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, não admitindo pessoas jurídicas. Elas têm gestão independente e autônoma, com responsabilidades próprias e individuais. Gabarito: 1 (V), 2 (V), 3 (V), 4 (F). COMENTÁRIOS Prezado aluno. Prezada aluna. Você concluiu, com êxito, os estudos sobre as Cooperativas de Crédito. Parabéns! Desejamos que você alcance os objetivos que se propôs ao ingressar neste curso. A próxima unidade tratará da importância das cooperativas de crédito no desenvolvimento local. Sucesso!

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: O Cooperativismo de Crédito Unidade 5: A Importância das Cooperativas de Crédito no Desenvolvimento Local

Antes de iniciar os estudos leia a seguir um texto de Leonardo Boff, para poder refletir e formar uma opinião sobre este assunto. Bom trabalho! TEORIA

Ecologia social em face da pobreza e da exclusão Leonardo Boff Hoje se fala das muitas crises sob as quais padecemos: crise econômica, energética, social, educacional, moral, ecológica e espiritual. Se olharmos bem, verificamos que, na verdade, em todas elas se encontra a crise fundamental: a crise do tipo de civilização que criamos a partir dos últimos 400 anos. Essa crise é global porque esse tipo de civilização se difundiu ou foi imposto praticamente ao globo inteiro. 63

Qual é o primeiro sinal visível que caracteriza esse tipo de civilização? É que ela produz sempre pobreza e miséria de um lado e riqueza e acumulação do outro. Esse fenômeno se nota em nível mundial. Há poucos países ricos e muitos países pobres. Nota-se principalmente no âmbito das nações: poucos estratos beneficiados com grande abundância de bens de vida (comida, meios de saúde, de moradia, de formação, de lazer) e grandes maiorias carentes do que é essencial e decente para a vida. Mesmo nos países chamados industrializados do hemisfério norte, notamos bolsões de pobreza (terceiromundialização no primeiro mundo) como existem também setores opulentos no terceiro mundo (uma primeiromundizalização do terceiro mundo), no meio da miséria generalizada. As críticas a seguir visam a denunciar as causas dessa situação. TEORIA

Há três linhas de crítica ao modelo de civilização e de sociedade atual, como foi sobejamente apontado por notáveis analistas. A primeira é feita pelos movimentos de libertação dos oprimidos. Ela diz: o núcleo desta sociedade não está construído sobre a vida, o bem comum, a participação e a solidariedade entre os humanos. O seu eixo estruturador está na economia de corte capitalista. Ela é um conjunto de poderes e instrumentos de criação de riqueza – e aqui vem a sua característica básica – mediante a depredação da natureza e a exploração dos seres humanos. A economia é a economia do crescimento ilimitado, no tempo mais rápido possível, com o mínimo de investimento e a máxima rentabilidade. Quem conseguir se manter nessa dinâmica e obedecer a essa lógica, acumulará e será rico, mesmo à custa de um permanente processo de exploração. Portanto, a economia orienta-se por um ideal de desenvolvimento material que melhor chamaríamos, simplesmente, de crescimento, que se coloca entre dois infinitos (...): o dos recursos naturais pressupostamente ilimitados e o do futuro indefinidamente aberto para frente.

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Para este tipo de economia do crescimento, a natureza é degradada à condição de um simples conjunto de recursos naturais, ou matéria-prima, disponível aos interesses humanos particulares. Os trabalhadores são considerados como recursos humanos ou, pior ainda, material humano, em função de uma meta de produção. Como se depreende, a visão é instrumental e mecanicista: pessoas, animais, plantas, minerais, enfim, todos os seres perdem os seu valore intrínseco e sua autonomia relativa. São reduzidos a meros meios para um fim fixado subjetivamente pelo ser humano, que se considera o centro e o rei do universo. Leonardo Boff (Santa Catarina, 14 de dezembro de 1938, Filosofo e Teólogo), Ética da Vida, Ed. Vozes. DEBATE VIRTUAL Como você pôde perceber no texto de Leonardo Boff, há vários desafios para a vida na Terra continuar a se desenvolver com sustentabilidade, com solidariedade, sem destruição da Natureza. Quando se diz: “promover a defesa e a melhoria da situação social e econômica dos cooperados e da comunidade local”, quais são os valores que os gestores precisam desenvolver? É possível o desenvolvimento ser sustentável e sem colocar em risco a vida no planeta? Reflita sobre essas ideias, a partir do texto apresentado anteriormente e com base também em todo o percurso que você trilhou até aqui. Registre suas reflexões e depois as encaminhe para o Tutor, propondo uma discussão no Fórum. TEORIA A natureza empresarial e o papel de agente de desenvolvimento local da cooperativa de crédito. O objetivo geral de uma sociedade cooperativa (aí incluída a de crédito) é a “promoção da defesa e a melhoria da situação econômica dos cooperados, quer obtendo para eles os mais baixos custos nos bens e serviços que necessitam, quer colocando, no mercado, a preços justos, os bens e serviços que produzem” (Walmor Franke). Os itens a seguir mostram aos gestores de cooperativas de crédito que essas instituições ou sociedades têm uma natureza empresarial que deve ser preservada e otimizada. Além de atuarem como empresas voltadas aos interesses de seus donos (os cotistas ou associados), também se interessam pela comunidade onde atuam, promovendo seu desenvolvimento local. Relembrando... 65

Na unidade 3 deste curso que tratou da conceituação e histórico das Cooperativas de Crédito, você teve informações sobre a natureza empresarial das cooperativas de crédito. Além disso, você dispõe do recurso da Midiateca que contém a indicação de material de pesquisa sobre o assunto. Vá até lá sempre que achar necessário para satisfazer sua curiosidade intelectual. Basta acessar a lapela correspondente na barra horizontal à direita, lembra-se? A cooperativa de crédito é uma instituição financeira e está sujeita, no que couber, às normas do Sistema Financeiro* Nacional. Presta aos associados basicamente os mesmos serviços oferecidos pelos bancos: empréstimos e financiamentos, conta-corrente, cheque especial, desconto de recebíveis (duplicatas, cheques prédatados*), cobrança de títulos e recebimento de contas de serviços ou boletos, pagamento de aposentadorias, salário de empregados, etc. Oferece, ainda, opções de aplicação dos recursos de curto e médio prazos dos associados. LEMBRETE! Lembre-se que a cooperativa de crédito é uma empresa que deve ser bem administrada, obter resultados e satisfazer seus donos (associados). CURIOSIDADES Mais do que isso, por ser instituição financeira, a cooperativa sofre violenta concorrência com gigantes no mercado, é fiscalizada pelo Banco Central do Brasil e seus administradores estão sujeitos às penalidades aplicáveis àqueles que gerem temerária ou fraudulentamente recursos de terceiros. Atuando como empresa, da mesma forma que os bancos comerciais, deve ter uma estrutura funcional com direção, gerência e setor operacional. Seus funcionários podem ou não ser cooperados e são regidos pelo regime trabalhista da CLT. Possui um organograma com as diversas áreas e divisão de tarefas e responsabilidades entre as mesmas. Dentre as diversas atividades de uma cooperativa de crédito destacam-se:  planejamento;  gerenciamento;  gestão de recursos humanos;  atendimento aos associados;  prospecção de novos associados e de novas operações;  controle e contabilidade;  administração das operações ativas, passivas e da prestação de serviços.  desenvolvimento de produtos e marketing e  administração financeira e serviços gerais. 66

TEORIA Diferenças entre cooperativas de crédito e bancos comerciais

Na cooperativa de crédito, diferentemente dos bancos, seus proprietários são os seus clientes. Não prioriza lucros (ou sobras), mas necessita de receitas para saldar seus compromissos. Seu custo é rateado entre o quadro social na forma de juros e menores taxas. Assim, quanto mais reduzidos forem os custos da cooperativa, tanto menores serão os juros e taxas cobrados por ela. As diferenças em relação aos bancos começam no tamanho e no destino dos rendimentos recebidos com as operações. Nos bancos tais rendimentos são apropriados pelos donos, constituindo lucro; nas cooperativas de crédito, as sobras apuradas são divididas entre os associados proporcionalmente às suas operações com a instituição ou utilizadas para a constituição de reservas e mesmo para remunerar anualmente o capital dos seus associados (limitada à taxa de referência do Selic.) ou, ainda, sua capitalização, elevando-se o número de cotas de capital dos associados. TEORIA a) Aplicação de recursos e tomada de empréstimos com taxas diferenciadas dos Bancos da praça Além do baixo custo* operacional, devido a sua reduzida estrutura física e de pessoal, as cooperativas podem fornecer empréstimos com juros menores que os praticados pelos bancos locais e, ainda, remunerar as aplicações de seus associados com taxas superiores às do mercado. Nas cidades médias e pequenas que dispõem de uma ou mais cooperativas de crédito bem estruturadas, a formação das taxas de captação e empréstimo locais é feita pela cooperativa, forçando os bancos comerciais concorrentes a acompanhá-la. Nas grandes cidades e capitais, esse fenômeno pode ser verificado nos bairros onde há ocorrência de cooperativas de crédito, principalmente daquelas de comerciante. 67

b) A irrigação da economia local Como as cooperativas de crédito só podem operar com seus associados, a maior parte dos seus recursos tende a ficar no próprio município, contribuindo para o seu desenvolvimento. Os bancos comerciais, os correspondentes bancários e os bancos postais retiram recursos da comunidade, captando as poupanças locais e aplicando-as nas praças que oferecem maiores possibilidades de lucro. Enquanto os bancos precisam aplicar apenas 25% de seus “depósitos à vista” na agricultura e pecuária, as cooperativas de crédito rural aplicam, no mínimo, 60%; a maioria dos bancos privados prefere depositar no Banco Central o valor referente aos 25% de seus “depósitos à vista” do que financiar as atividades rurais. SAIBA MAIS

COMPARATIVO ENTRE AS ATIVIDADES DAS COOPERATIVAS E DOS BANCOS ATIVIDADE BANCOS COOPERATIVAS DE CRÉDITO

Direção Captação e rendas Programas Oficiais Crédito

Donos (ou governos) Transferem às grandes cidades Participam (alguns) Priorizam os grandes projetos ou atividades selecionadas Sempre as do mercado São lucros, os quais remuneram os donos e/ou acionistas Maior, devido à estrutura mais pesada Cobram elevadas taxas (visam lucro)

Associados Retêm e aplicam no local Podem participar, principalmente as de crédito rural Analisam a necessidade e a capacidade de investimento e pagamento dos associados Sempre abaixo do mercado São sobras, distribuídas entre os associados ou reinvestidas na cooperativa Menor (pequenas estruturas) Cobram uma pequena taxa pelos serviços (não visam lucro)

Taxa de juros Resultados

Custo Operacional Serviços financeiros Atendimento

Impessoal ou de acordo com Tende a ser personalizado para o dinheiro do cliente todos os associados

Fonte: Bittencourt, Gilson A. – Cooperativas de Crédito Solidário – Constituição e Funcionamento 2001 – pág. 25

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VAMOS RELAXAR Cansou? Que tal parar um pouco e relaxar por algum tempo? Veja abaixo uma figura com recursos de ilusão de ótica e descubra outras imagens interessantes. Aproveite para dar uma relaxada...

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TEORIA

Vantagens oferecidas pela cooperativa de crédito aos seus associados A participação dos associados no capital da cooperativa depende de sua condição financeira. O valor de cada cota parte não pode ultrapassar o do salário mínimo. E o máximo que um associado pode subscrever é 1/3 do capital total da cooperativa. Apesar disso, nas assembleias, cada associado tem um voto, independentemente da sua participação no capital da cooperativa. É o princípio Um Homem, Um Voto. Além do direito de votar, tem o de ser votado. Assim, pode ser escolhido como administrador da cooperativa, conselheiro ou indicar as pessoas de sua confiança, em igualdade de condições com todos os outros associados.

A cooperativa de crédito é formada, geralmente, por pessoas que se conhecem, com afinidades profissionais e/ou econômicas. Seus administradores são eleitos pelos cooperados, que neles depositam seu voto de confiança. Nas operações do dia-a-dia, os cooperados são tratados como proprietários e suas demandas pessoais são respeitadas, sendo-lhes dispensado um atendimento personalizado. O que se observa, hoje em dia, nos médios e grandes bancos comerciais, públicos ou privados, é o distanciamento cada vez maior dos seus clientes, com investimentos pesados em tecnologia para mantê-los afastados das agências, incentivando o uso de operações bancárias pela internet (Home banking) e caixas eletrônicos. TEORIA A remuneração da cota-parte e a participação dos associados nas sobras do exercício A legislação permite, e o Estatuto Social deve estabelecer, que as cotas-partes dos associados sejam corrigidas monetariamente e remuneradas anualmente 70

tendo como referência a taxa do Selic. As cooperativas de crédito distribuem as sobras líquidas do exercício (após a constituição do Fundo de Reserva, do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social e da remuneração das cotas-partes) proporcionalmente às operações realizadas ou mantidas pelos seus associados. Caso tenha ocorrido prejuízo no exercício, o mesmo poderá ser coberto pelas reservas legais. Se forem insuficientes, poderá ser estabelecido um prazo, no exercício seguinte, para sua cobertura ou haverá uma chamada extra de capital (parcelas adicionais de capital solicitadas aos cooperados). A remuneração da cota-parte sofre tributação do imposto de renda na fonte ao passo que as sobras líquidas distribuídas proporcionalmente aos associados são isentas de tributação. O direito de retirada, observado o Estatuto Social. O associado tem o direito assegurado, pela legislação, de se retirar da sociedade quando assim julgar conveniente. O Estatuto Social estabelecerá as condições da devolução de suas cotas-partes. Usualmente, a devolução é feita após o encerramento do exercício social e da aprovação do balanço geral. O retirante tem direito às distribuições de resultados ou o dever de cobrir parte do prejuízo, caso verificado. Caso a devolução dos recursos ao associado possa prejudicar a cooperativa, poderá ser estabelecido um parcelamento dos pagamentos. No caso de falecimento do associado, o valor em Reais de suas cotas-partes será pago aos herdeiros, após o inventário, obedecidos os procedimentos citados acima.

TEORIA A Cooperativa de Crédito como Agente de Desenvolvimento Local O desenvolvimento econômico local e regional atualmente encontra-se em evidência como novo conceito de promoção do bem estar social. Há muitas organizações em todo o mundo que o promovem. A definição pura do termo corresponde à totalidade de todas as medidas realizadas por parte de empresas ao nível local para a tomada de decisão sobre investimentos. Frequentemente, surge a dúvida se as cooperativas de crédito devem se envolver em questões relativas ao desenvolvimento local, uma atividade que em um primeiro momento parece ser mais uma obrigação do poder público do que de uma instituição financeira. As cooperativas de crédito devem ser protagonistas na elaboração e implementação de políticas de interesse público. Cabe a elas relevante papel no desenvolvimento econômico e social do município, como órgãos agregadores do empresariado local. Assim, é importante que ela garanta, por um lado, estar presente em todos os conselhos e iniciativas que planejam e implementam o desenvolvimento do município, e, por outro lado, que apresentem competência na definição e implementação de propostas para alcançar este objetivo.

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REFLEXÃO

Ninguém é dono, isoladamente, da cooperativa de crédito. Todos os associados são seus donos em igualdade de condições. Pela Lei nº 5.764/71, em seu art. 24, § 1º, nenhum associado pode ter mais do que 1/3 do capital da cooperativa. A proibição serve para evitar a concentração de poder em mãos de um único associado. LEMBRETE PARA OS GESTORES: No sistema capitalista, no qual o Brasil e as instituições financeiras estão inseridos, não se maltrata o capital. É preciso que a cooperativa de crédito seja administrada de maneira a garantir seu funcionamento. O que mais afasta associados de uma cooperativa é terem que assumir e dividir (ratear) prejuízos e perdas patrimoniais.

EXEMPLO Agora que você já conhece os aspectos relativos à formação e importância de uma cooperativa de crédito, você vai conhecer o exemplo da cooperativa de crédito da cidade de São Roque de Minas (MG), e verificar como a cooperação pode transformar a vida de pessoas e sociedades inteiras, quando é trabalhada corretamente. Acompanhe... A cidade de São Roque de Minas... É uma cidadezinha de 2.000 Km2, com uma população (censo de 2000) de pouco mais de 6.000 habitantes, dos quais 4.000 se dedicam a atividades agropecuárias. É localizada na Serra da Canastra, no centro-oeste mineiro, abrigando a nascente do rio São Francisco.

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SAIBA MAIS A partir de 1991 Em junho de 1991, foi constituída a Cooperativa de Crédito Rural de São Roque de Minas Ltda. – Saromcredi, com 22 sócios fundadores. Idealizada pelo atual presidente, Sr. João Carlos Leite, objetivava, inicialmente, apesar da grande resistência encontrada, apenas a prestação de serviços bancários e, com isto, aumentar a autoestima dos moradores locais. Suas principais metas eram fazer o pagamento aos cerca de 800 aposentados que lá viviam e trazer as movimentações dos “queijeiros” (como são chamados os intermediários na compra/venda dos queijos locais) de volta ao município, fazendo com que eles realizassem o pagamento dos produtores de queijo pela cooperativa. A cooperativa de crédito facilitou a vida dos aposentados, garantindo, também, a permanência no município de seus salários e aumentando suas aplicações na Instituição, pois muitos deles eram produtores rurais associados à cooperativa.

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A partir daí, a Saromcredi começou a obter uma série de resultados bastante significativos, participando não só como Instituição Financeira, mas também através de outras instituições e projetos por ela criados, destacando-se, entre outros, a Fundação Saromcredi, o Instituto Ellos de Educação, o Projeto Pró-Touro e o Projeto Queijo Canastra. Para saber mais sobre a SAROMCRED... Em 1993, a cooperativa de crédito utilizou recursos de suas reservas legais (Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social – FATES) para criar a Fundação Saromcredi com o objetivo de comprar, produzir e distribuir mudas de café para seus associados e, desta forma, ajudar o crescimento econômico do município. Como resultado desta distribuição, a produção de café aumentou significativamente em dez anos (de 3.000 sacas em 1992 para 80.000 sacas em 2009). Além disto, a Fundação tem levado uma série de cursos de qualificação para os produtores rurais associados. Com isto, segundo João Carlos Leite, mais de cinquenta produtores rurais já fazem inseminação artificial em suas vacas, sendo que, em 1995, somente um produtor fazia uso desta técnica. Ainda com recursos da Fundação Saromcredi foi criada uma cooperativa educacional que mantém o Instituto Ellos de Educação, que tem como filosofia: “E” de ética, “L” de liderança, “L” de liberdade, “O” de organização e “S” de solidariedade, e sem se esquecer de ensinar o cooperativismo às crianças do município de modo a preparar as novas gerações de associados e de dirigentes da Saromcredi. Atualmente, a escola possui mais de 132 alunos e turmas do maternal à quinta série do ensino fundamental e seus custos são subsidiados pela Cooperativa. Outro projeto importante que vem sendo realizado é o Projeto Pró-Touro que financia a aquisição de touros de alta linhagem genética aos associados a uma taxa de juros de 6% ao ano e com 24 meses para pagar. Aumentando a renda do associado, aumentam seus depósitos na Saromcredi, garantindo, assim o crescimento econômico do município e da própria cooperativa de crédito. Está, também, em desenvolvimento, o Projeto “Queijo Canastra”. Para isto, foi firmado um convênio com a Secretaria da Agricultura do Estado de Minas Gerais e com a FERT, uma ONG francesa, com o objetivo de qualificar os queijos da Serra da Canastra e adequá-los às exigências sanitárias. Atualmente, a área de atuação da cooperativa abrange os municípios de São Roque de Minas (sede), Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, Sacramento, Tapira, Vargem Bonita, São João Batista do Glória, Passos e Pratinha, todos na Serra da Canastra. A Saromcredi possuía, em outubro de 2010, aproximadamente 10.000 associados e 5 Postos de Atendimento Cooperativos (PACs) nos vilarejos 74

vizinhos. O volume total de seus ativos era cerca de R$ 55 milhões, o Patrimônio Líquido Ajustado (PLA) de R$ 10 milhões, saldo de depósitos de R$ 27 milhões e o valor total de suas operações de crédito de R$ 35 milhões, com uma inadimplência de apenas 1,68%. O turismo também começa a se destacar como atividade econômica da cidade, situada no Parque Nacional da Serra da Canastra. O número de visitantes saltou de 2 mil/ano (em 1994) para cerca de 50 mil/ano, em 2010. Em 2004, a Saromcredi transformou-se em cooperativa de livre admissão de associados. Suas possibilidades de crescimento foram, então, potencializadas. Segundo o seu idealizador, “toda cooperativa precisa buscar sua função na sociedade, e a Saromcredi é a maior instituição de São Roque, estando envolvida em todos os segmentos da vida da comunidade”. Viram? Entre as montanhas de Minas, a pequena São Roque, a cidade do Miguel Formigas e Dona Guiga, dá exemplo de um grande cooperativismo... Eles são testemunhas de como é possível melhorar a vida neste planeta contribuindo para um desenvolvimento solidário e responsável. Foram alunos dos cursos promovidos pela Cooperativa e estão aqui completando a sua formação. RESUMO Esta unidade abordou um tema de fundamental para o gestor de cooperativa de crédito: a importância das cooperativas de crédito no desenvolvimento local. Você pôde observar que, em razão do baixo custo operacional e apesar da natureza empresarial, as cooperativas de crédito podem fornecer aos seus associados empréstimos com juros menores que os praticados pelos bancos locais e remunerar suas aplicações com taxas superiores às do mercado. E ainda, como as cooperativas de crédito só podem operar com seus associados, a maior parte dos seus recursos é aplicada no próprio município, contribuindo para o seu desenvolvimento. Quanto às vantagens oferecidas pela cooperativa de crédito aos seus associados, as principais são: o voto em igualdade de condições, o atendimento personalizado, a remuneração da cotas-partes, a participação dos associados nas sobras do exercício e o direito de retirada. Finalmente, utilizando como exemplo o caso da cooperativa de crédito da cidade de São Roque de Minas (MG), você teve a oportunidade de compreender a importância da cooperação para transformar a vida de pessoas e de sociedades inteiras, permitindo um desenvolvimento solidário e sustentável da comunidade local. Nas próximas páginas você encontrará alguns exercícios que foram preparados especialmente para você! Procure resolvê-los calmamente. SUCESSO!!!

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EXERCÍCIO Para que você avalie como está sua aprendizagem, preparamos alguns exercícios sobre a natureza empresarial das cooperativas de crédito e o seu papel no desenvolvimento local. Leia as afirmativas abaixo. Verifique se são verdadeiras ou falsas. Aquela afirmativa que você julgar falsa, corrija-a, apresentando elementos que a tornem verdadeira. 1.( ) Apesar de sua natureza empresarial, a cooperativa de crédito não pode ser considerada uma instituição financeira porque não pode oferecer aos seus associados opções de aplicação dos recursos de curto e médio prazos; 2.(..) Nos bancos, os rendimentos são apropriados pelos donos, constituindo lucro; nas cooperativas de crédito, as sobras apuradas são divididas entre os associados proporcionalmente às suas operações com a instituição ou utilizadas para a constituição de reservas ou aumento de capital; 3.(..) Atuando como empresa, da mesma forma que os bancos comerciais, a cooperativa de crédito deve ter uma estrutura funcional com direção, gerência e setor operacional. Seus funcionários podem ou não ser cooperados e são regidos pelo regime trabalhista da CLT; 4.(..) Como as cooperativas de crédito só podem operar com seus associados, a maior parte dos seus recursos tende a ficar no próprio município, contribuindo para o desenvolvimento da comunidade local e a melhoria da situação social e econômica dos cooperados. Gabarito: 1 ( F), 2 ( V), 3 (V), 4 (V).

EXERCÍCIO Sobre as principais vantagens oferecidas pela cooperativa de crédito a seus associados, assinale a alternativa correta: A ( ) A participação dos associados no capital da cooperativa depende de sua condição financeira. Por esta razão, nas assembleias, cada associado tem direito a uma quantidade de votos proporcional a sua participação no capital da cooperativa. B ( ) As sobras líquidas do exercício que são distribuídas aos associados pelas cooperativas de crédito são tributáveis na declaração de imposto de renda da pessoa física.

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C ( ) A cooperativa de crédito é formada, geralmente, por pessoas que se conhecem, com afinidades profissionais e/ou econômicas. Nas operações do diaa-dia, os cooperados são tratados como proprietários e suas demandas pessoais são respeitadas, sendo-lhes dispensado um atendimento personalizado. Gabarito comentado: Comentário da alternativa A: Resposta Incorreta. A participação dos associados no capital da cooperativa depende de sua condição financeira. O valor de cada cota-parte não pode exceder o do salário mínimo. E o máximo que um associado pode subscrever é 1/3 do capital total da cooperativa. No entanto, nas Assembleias, cada associado tem um voto, independentemente da sua participação no capital da cooperativa. É o princípio Um Homem, Um Voto. Comentário da alternativa B: Resposta Incorreta. A cooperativa de crédito distribui proporcionalmente aos associados as sobras líquidas do exercício. Entretanto elas não são tributáveis na declaração de imposto de renda da pessoa física. Alternativa C. Resposta Correta.

REFLEXÃO

Prezado aluno. Prezada aluna. Neste momento e antes de prosseguir, sugerimos que você releia o caso da cooperativa de crédito da cidade de São Roque de Minas (MG).

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Agora, pare para refletir um pouco e extraia do caso apresentado os aspectos que evidenciam ser possível a melhoria da situação social e econômica dos cooperados e o desenvolvimento sustentável da comunidade local, bem como o papel importante do gestor de uma cooperativa de crédito neste processo. Redija um documento contendo suas ideias. Vá ao Fórum e encaminhe este documento para seu Tutor. Lembre-se: se tiver dúvidas a respeito da navegação do curso ou dos recursos disponíveis que podem facilitar sua aprendizagem, consulte o guia. O assunto tratado nesta unidade deve ter contribuído para acrescentar conhecimentos e informações à grande experiência que você já tem. Logo mais vamos nos encontrar para nos deter nos principais sistemas cooperativistas* de crédito. Até mais!

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: As Cooperativas de Crédito Unidade 6: Sistemas Cooperativistas de Crédito Caro aluno. Cara aluna. Bem-vindo, bem-vinda! A unidade anterior abordou a importância das cooperativas de crédito no desenvolvimento local e o papel do gestor de uma cooperativa de crédito neste processo. Você pôde refletir sobre os aspectos que evidenciam ser possível a melhoria da situação social e econômica dos cooperados e o desenvolvimento sustentável da comunidade local. Pôde perceber, também, que as cooperativas de crédito devem ser protagonistas na elaboração e implementação de políticas de interesse público. Cabe a elas relevante papel no desenvolvimento econômico e social do município, como órgãos agregadores do empresariado local. Nesta unidade, você vai ter a oportunidade de ampliar seus conhecimentos sobre os principais sistemas cooperativistas de crédito. Já podemos começar? TEORIA Os principais sistemas cooperativistas de crédito no Brasil

Como você viu até aqui, o associativismo é de vital importância para os indivíduos resolverem seus problemas comuns, principalmente aqueles de crédito. Como no mundo das formigas, não é possível conceber que cooperativas de crédito atuem de forma isolada. O mercado financeiro denomina-as como “cooperativas solteiras”, pois é muito importante que elas se unam para alcançarem ganhos maiores.

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Tal qual no formigueiro, as cooperativas devem atuar para alcançarem objetivos comuns e todos precisam desempenhar funções diferenciadas, mas articuladas com o máximo de participação, democracia, solidariedade. Como o formigueiro, as cooperativas são partes de um sistema econômicofinanceiro e devem ser geridas de acordo com as regras próprias estabelecidas e aplicáveis a todas instituições integrantes desse sistema. No Brasil, o desenvolvimento verificado no segmento nos últimos anos está baseado nos Sistemas Cooperativistas de Crédito: Cooperativas Singulares, Centrais, Confederações de Cooperativas e Bancos Cooperativos. TEORIA Para atuar como rede, nos moldes dos bancos comerciais e múltiplos, com ganhos de escala, atendimento em tempo real, oferta de serviços e produtos interessantes e com a confiabilidade necessária, é vital que os sistemas sejam proprietários de bancos cooperativos. Atualmente, os sistemas Sicoob e Sicredi já constituíram seus bancos. O sistema Sicoob é proprietário do Bancoob e o Sicredi, do Bansicredi. O sistema Unicred utiliza-se das redes do Bansicredi e Bancoob , onde os bancos não atuam, da rede do Banco do Brasil para os serviços de compensação de cheques. As cooperativas integrantes de outros sistemas e as independentes, chamadas de “solteiras”, atuam com bancos de sua livre escolha, não se constituindo, propriamente, em redes de atendimento. LEMBRETE! A rede é importante principalmente para aquelas cooperativas de crédito que mantêm atendimento em agências (com conta-corrente) aos seus associados. Você verá, agora, alguns dados de dezembro de 2009 que mostram como estão compostos os principais Sistemas Cooperativistas de Crédito no Brasil. Sicoob – Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil É o maior sistema cooperativista de crédito brasileiro, apresentando posições significativas no mercado financeiro. Presente em 20 Estados e no Distrito Federal, é composto pela Confederação (Sicoob Confederação), 14 Centrais, 608 singulares, 1.186 PACs e cerca de 1,7 milhão de associados. É controlador do Banco Cooperativo do Brasil S/A – Bancoob. Sicredi – Sistema de Crédito Cooperativo É constituído pela confederação (Confederação Sicredi), 5 Centrais, 128 singulares, 1.109 postos de atendimento e aproximadamente 1,5 milhão de 80

associados e está presente em 10 Estados. É controlador do Banco Cooperativo Sicredi S/A. Sistema Unicred. Foi constituído inicialmente por cooperativas de médicos. Atualmente abrange os demais profissionais da área de saúde. Surgiu para administrar os recursos do Sistema Unimed (Cooperativas de trabalho médico), permitindo que nela ficássemos lucros que de outra forma iriam para outras instituições do Sistema Bancário. O sistema Unicred é formado pela Confederação, 9 Centrais, 119 singulares, 419 PACs e cerca de 212 mil associados. Sistema Confesol É um sistema cooperativo de economia solidária, cujas cooperativas são constituídas e dirigidas por agricultores familiares e trabalhadores urbanos. Presente em 18 estados, é composta pela Confederação, 5 Centrais, 204 singulares, 265 PAC´s e cerca de 275 mil associados. SAIBA MAIS Para ampliar suas informações sobre os sistemas cooperativos de crédito, veja alguns indicadores na tabela abaixo: PRINCIPAIS INDICADORES DOS SISTEMAS COOPERATIVOS BRASILEIROS Base: dezembro/2009
INDICADORES

SISTEMAS Sicoob Sicredi 24 14 608 1.186 1.700.000 4.600 11 5 128 984 1.560.000 2.500 Unicred 25 (*) 10 122 301 206.000 1.400 Confesol 18 5 204 265 274.000 ND

Estados + DF Centrais Singulares PAC’s Associados (**) PLA - R$ milhões

(*) inclusive a Confederação (**) arredondado Fontes: Internet, relatórios dos Sistemas, palestras dos dirigentes etc.

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TEORIA Os Bancos Cooperativos Sua principal função é prestar serviços às cooperativas de crédito, especialmente o de representá-las na Compensação de Cheques e de Outros Papéis - COMPE, mediante a celebração de convênios com as cooperativas centrais em cada estado, conforme autorizado pelo Banco Central do Brasil. Oferecem, ainda, aos associados das singulares, linhas de repasse de bancos oficiais, tais como Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar), Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) etc. São agentes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para aplicação dos recursos do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira). O primeiro banco cooperativo foi criado em 1995. Trata-se do Banco Cooperativo Sicredi S/A - Bansicredi sediado em Porto Alegre - RS, ligado às cooperativas filiadas ao Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi. Em 1997, foi a vez do Banco Cooperativo do Brasil S/A – Bancoob, criado pelas cooperativas integrantes do Sistema de Crédito do Sicoob. Sua sede é em Brasília, DF. É importante que os gestores de cooperativas de crédito saibam que suas instituições não são agências dos bancos cooperativos. Os bancos cooperativos se sujeitam à legislação aplicável aos bancos comerciais ou múltiplos, ao passo que as cooperativas, instituições financeiras independentes e autônomas, têm legislação própria. Em comum, bancos e cooperativas de crédito seguem normas emitidas pelo Banco Central do Brasil e são por ele fiscalizados, por determinação legal. TEORIA Confebrás – Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito, fundada em 01/11/86, em substituição a “Federação Leste-Meridional de Cooperativas de Crédito – FELEME, cuja constituição deu-se em 03/08/61. Sua sede fica em Brasília, é o órgão de representação nacional do Sistema. (http://www.confebras.com.br) Sicoob Brasil – Confederação Nacional das Cooperativas do Sicoob. Foi criada em 2002, e também tem sede em Brasília - DF. Seu objetivo é orientar, ordenar e coordenar as atividades das instituições que integram o Sistema Cooperativo de Crédito do Sicoob. (www.sicoob.com.br) 82

Confederação Sicredi, com sede em Porto Alegre - RS, tem como principal objetivo desenvolver tecnologia de informática e de processos para as cooperativas associadas ao Sistema Cooperativo de Crédito Sicredi. (www.sicredi.com.br) Unicred do Brasil - Confederação Nacional das Centrais das Cooperativas Unicreds, com sede em São Paulo - SP, tem a missão de coordenar as ações políticas e administrativas para implantação pelas centrais do Sistema Unicred, visando a padronização dos processos e a defesa da marca Unicred, de forma a promover a integração de todo o sistema, em nível nacional. (www.unicred.com.br) Confesol – Confederação das Cooperativas Centrais de Crédito Rural - com interação solidária e sede em Florianópolis - SC, nasceu da necessidade de melhorar as condições de crédito para a agricultura familiar e trabalhadores urbanos e pelo fortalecimento de um desenvolvimento local sustentável. TEORIA A entidade representativa do movimento cooperativista da América Latina é a COLAC – Confederação Latino-americana de Cooperativas de Trabalho e Crédito, constituída em 13/08/1970, com sede no Panamá, país da América Central.

COMENTÁRIOS Você já ouviu aquela frase que diz "homem nenhum é uma ilha..." do poeta inglês John Donne (1573-1631)? Pois é, já se pensava assim no século 17! As cooperativas são mais fortes quando participam de sistemas organizados, representados por federações, confederações nacionais, continentais e internacionais.

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EXEMPLO

Leia um pouco mais para conhecer esse exemplo de sucesso! Na comunidade da favela Conjunto das Palmeiras, em Fortaleza (CE), onde 90% dos 30 mil moradores ganham até dois salários mínimos, a moeda social se chama Palmares. A Associação dos Moradores do Conjunto Palmeiras criou um banco que faz empréstimos, financia negócios e concede cartão de crédito para a sua clientela, formada por famílias de baixa renda. Em meio à alta dos juros provocada pela crise asiática, o Palma$ cobrava uma taxa de 1,5% ao mês. A área de atuação do banco, no entanto, é restrita ao Conjunto Palmeiras, cujos moradores têm renda média de dois salários mínimos. O coordenador do Banco Palma$ diz que a ideia surgiu quando a associação decidiu eleger a geração de emprego e de renda como prioridade. "Decidimos criar um banco que estimulasse empreendimentos entre os moradores e que, ao mesmo tempo, viabilizasse o consumo interno na comunidade", Atualmente, o banco tem o Palmacard, um cartão de crédito que dá acesso a compras numa rede de 57 pequenos estabelecimentos do bairro. O limite do cartão é de R$ 20, mas sobe gradativamente até R$ 100, dependendo do comportamento do usuário. O pagamento das compras efetuadas com o cartão é feito mensalmente, sem cobrança de juros. O cartão fortalece comerciantes do bairro e ajuda os moradores em pequenas compras de emergência. A mesma filosofia foi adotada na linha de crédito criada pelo Banco Palma$ para financiar compras de móveis, roupas e eletrodomésticos até R$ 200. O pagamento pode ser feito em dez meses. "A nossa única exigência é que o produto seja comprado de um pequeno empresário do bairro. Queremos criar mercado para produtos fabricados pelos moradores." O Banco Palma$ concede ainda empréstimos de até R$ 300 para que moradores possam montar pequenos negócios ou comprar equipamentos para trabalhar. A inadimplência tem sido nula desde o início do funcionamento do banco. A clientela em potencial são os 657 membros da associação de moradores. Diante desse exemplo, como gestor de uma cooperativa de crédito você precisa fazer uma leitura da realidade de sua comunidade para que a cooperativa exerça 84

uma de suas funções, que é contribuir para o desenvolvimento sustentável da comunidade. Que lições você pode tirar desse exemplo? Que atitudes você, como gestor da cooperativa, deve tomar diante de situações semelhantes a essa realidade? Pense a respeito! RESUMO Nesta unidade, você tomou conhecimento da existência dos principais sistemas cooperativos brasileiros que são as Cooperativas Singulares, as Cooperativas Centrais, as Confederações de Cooperativas e os Bancos Cooperativos. Ficou sabendo, também, que: O Sistema Sicoob (Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil), bem como o Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo), com suas cooperativas singulares e seus bancos, atuam integrados operacionalmente, funcionando como uma verdadeira rede. Somente em 1995 foi criado o primeiro banco cooperativo, o Bansicredi – Banco Cooperativo Sicredi S/A, sediado em Porto Alegre - RS, ligado às cooperativas filiadas ao Sistema de Crédito Cooperativo Sicredi e em 1997, o Bancoob – Banco Cooperativo do Brasil S/A, criado pelas cooperativas integrantes do Sistema de Crédito do Sicoob com sede em Brasília, DF. Os bancos cooperativos se sujeitam à legislação aplicável aos bancos comerciais ou múltiplos, ao passo que as cooperativas, instituições financeiras independentes e autônomas, têm legislação própria. Entretanto, os bancos e as cooperativas de crédito seguem normas emitidas pelo Banco Central do Brasil e são por ele fiscalizados, por determinação legal.

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EXERCÍCIO Assinale, nas afirmações a seguir, a que não é correta: (.....) a) o Sicoob é, atualmente, o maior sistema cooperativista de crédito do Brasil, presente em 23 Estados e no Distrito Federal, operando com 14 Centrais e 608 cooperativas singulares (posição 31/12/2009); (.....) b) o Confesol é o sistema cooperativista de crédito com interação solidária, atuando junto aos produtores familiares e trabalhadores urbanos em 18 estados (.....) c) todos os Sistemas Cooperativistas já são proprietários de um Banco Cooperativo; (.....) d) o sistema Unicred é articulado com a Unimed e surgiu para administrar os recursos gerados pela organização. É formado pela Confederação, 9 Centrais e 128 cooperativas singulares

Gabarito: A afirmação de letra “c” não é correta.

COMENTARIOS A próxima unidade é sobre Cooperativismo de Crédito e o Sistema Financeiro Nacional. Toda a comunidade formada por alunos e Tutores deste curso está à sua espera.

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Curso: Gestão de Cooperativas de Crédito Módulo 1: Cooperativismo de Crédito Unidade 7: Cooperativismo de Crédito e o Sistema Financeiro Nacional Olá, caro(a) aluno(a)! Você já está familiarizado(a) com a navegação no ambiente de aprendizagem. Transitar neste ambiente e conhecê-lo bem vai facilitar a sua aprendizagem. Você poderá utilizar todos os recursos tecnológicos (Fórum, Mural, Midiateca, Glossário), que estão disponíveis para os alunos e tornarão o seu trajeto mais eficaz, pois poderá obter melhores resultados neste curso. Como os nossos guias, Miguel Formigas e Dona Guiga (gestores de uma cooperativa de crédito), você já domina um conjunto de informações até aqui apresentadas. Elas serão de grande utilidade para aprimorar as suas atividades como gestor(a) de uma cooperativa de crédito, ou , se você ainda não exerce a função, os estudos vão capacitá-lo(a) para o exercício do papel. Na unidade anterior você teve a oportunidade de conhecer mais a fundo os principais sistemas cooperativistas de crédito, os bancos cooperativos e as confederações de cooperativas de crédito. Nesta unidade, você aprofundará seus conhecimentos, compreendendo as relações do cooperativismo de crédito com o Sistema Financeiro Nacional e como este sistema está organizado atualmente. Para tanto, siga firme em seus propósitos e mantenha-se motivado(a), pois você estará concluindo, com sucesso, a primeira etapa deste curso. Lembre-se! Se tiver dúvidas sobre qualquer aspecto do curso, encaminhe a sua questão ao Tutor. A sua questão pode gerar uma sessão do Fórum (lapela horizontal). É dessa forma que a comunidade de conhecimento vai se ampliando com ganhos expressivos para todos os seus participantes e para o cooperativismo no nosso país. Vamos recomeçar?

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CURIOSIDADES Você agora vai conhecer as Doze Virtudes necessárias para que o cooperativismo possa ampliar horizontes.

Como você pôde perceber no início desta caminhada, o formigueiro foi a simbologia escolhida para você adentrar na temática do cooperativismo. As formigas representam força, determinação e respeito mútuo. Isso caracteriza um coletivo totalmente articulado. Para que isso aconteça em sua cooperativa e na sua tarefa de gestão da cooperativa, torna-se fundamental o desenvolvimento de atitudes e consolidação de valores. Reflita bem sobre cada um desses valores. Espero que você possa, como gestor de uma cooperativa de crédito, desenvolvê-los bem.

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DEBATE VIRTUAL

Como você pôde observar, estas doze virtudes apresentam algumas características muito semelhantes ao momento atual. No entanto, muitos destes valores foram definidos pelos tecelões de Rochdale quando surgiu a ideia do cooperativismo. Se você deseja maiores informações sobre este período da história do cooperativismo, retorne à unidade O Cooperativismo no Mundo e no Brasil e encontrará a informação desejada. Vamos refletir sobre as doze virtudes com o objetivo de torná-las mais adequadas à atualidade, tendo em vista que essas virtudes foram consolidadas em 1886, durante o II Congresso de Cooperativas de Consumo realizado em Lyon, na França. Estamos em outro momento histórico e naturalmente há novas exigências. Procure adaptar essas virtudes que foram apresentadas ao momento do país e, se quiser, acrescente outras. Após a reflexão, vá ao Fórum e troque com seus colegas de curso opiniões e impressões sobre o assunto. SAIBA MAIS Vamos ver mais sobre as principais diferenças entre a sociedade cooperativa, que se baseia nos valores da cooperação, solidariedade, segurança, e a sociedade empresária, que prioriza o interesse individual, o lucro.

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LEMBRETE. Na Midiateca , você encontrará a legislação pertinente ao cooperativismo de crédito. Vá, também, à seção Documento Eletrônico onde se encontram vários endereços que você poderá consultar para enriquecer as suas pesquisas. A informação é o instrumento básico do trabalho do gestor.

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APRESENTAÇÃO PANORÂMICA O Sistema Financeiro Nacional A Constituição Federal de 1988 deu mais autonomia ao cooperativismo brasileiro, com as cooperativas de crédito sendo confirmadas como instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional. Em decorrência, tiveram de assumir a autogestão plena, passando a ser responsáveis pelo próprio sucesso ou fracasso. Assim, é importante que os gestores de cooperativas de crédito conheçam a estrutura do Sistema Financeiro Nacional, para que situem com propriedade sua cooperativa nesse ambiente. Lembre-se! A cooperativa de crédito é uma instituição financeira classificada como “monetária”. Na tela 20, este item é tratado e você encontrará as explicações necessárias. Sistema Financeiro, segundo Fortuna no livro “Mercado Financeiro – produtos e serviços“ (indicação completa na Midiateca, seção Referência Bibliográfica) pode ser definido como: “um conjunto de instituições que se dedicam, de alguma forma, ao trabalho de propiciar condições satisfatórias para a manutenção de um fluxo de recursos entre poupadores e investidores”. Mercado Financeiro é o local onde se processam essas transações que permitem que um indivíduo ou empresa (agente econômico) detentor de poupança, seja colocado em contato com outro, que demanda essa poupança para investimento. Agora leia a reportagem a seguir: Impulso ao microcrédito Por Márcio Meloni O cooperativismo de crédito brasileiro vive um momento promissor motivado pelas aberturas positivas implantadas pelo governo Lula e pela possibilidade de o movimento se fortalecer com a provável criação de uma linha de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. O BNDES promete liberar R$ 3,2 bilhões, o que poderá dobrar o patrimônio das cooperativas de crédito que, em dezembro de 2004, era de R$ 2,2 bilhões. O processo, em fase final de avaliação, representa uma virada histórica e vai aumentar a participação 91

do sistema de crédito cooperativo no mercado financeiro, que hoje responde apenas por 1,94% das transações. A promessa de um financiamento direcionado representa uma oportunidade rara para a capitalização das cooperativas, atualmente alimentadas pelas contribuições dos associados e pelos juros cobrados sobre os empréstimos. Como o sistema não visa ao lucro, os juros cobrados dos associados, muito abaixo dos índices praticados pelo mercado, não permitem uma expansão rápida e sustentada. EXEMPLO É... parece que a saída para se reduzir as desigualdades está na perspectiva de microcrédito para combater a pobreza e a fome no mundo. Você não acha? Veja alguns exemplos que já acontecem no Brasil e que estão dando certo! As finanças na luta contra a pobreza Ricardo Abramovay (...) É equivocada a ideia de que primeiro os pobres devem ampliar sua geração de renda para, só então, demandar serviços financeiros formais. Na verdade, o acesso aos bancos é uma das mais importantes condições para aumentar as chances daqueles que vivem do trabalho por conta própria e próximo à linha de pobreza. Os três milhões de contas bancárias abertas nos últimos 18 meses – sobretudo em bancos estatais – fazem parte de um conjunto de iniciativas que podem contribuir para alterar o conteúdo social do crescimento econômico num país tão desigual como o Brasil. Uma vez afastada a barreira do ingresso, a tendência é que se amplie o uso dos seguros – que já começam a ser oferecidos a preços populares – da poupança e do crédito. Neste sentido, a experiência do microcrédito em São Paulo é exemplar. Dois estudos recentes – o do DIEESE sobre o São Paulo Confia e o do CEBRAP sobre o Banco do Povo do Estado de São Paulo, o Banco do Povo de Santo André e o Real Microcrédito – mostram que, apesar das várias diferenças entre estes diversos programas, eles conseguiram reduzir a inadimplência e elevar a renda dos que tomaram empréstimos. Parte muito importante do público atingido nunca tinha conseguido acesso a uma conta bancária. Ao que tudo indica o segredo está na capacidade de juntar a preocupação em oferecer serviços a populações pobres com o rigoroso respeito à racionalidade econômica, que se traduz no pagamento dos empréstimos por parte dos beneficiários. Medidas recentes tendem a permitir que as carteiras destas organizações de microcrédito – que até aqui operam numa escala ainda reduzida – sejam financiadas por banco comerciais. Este será um passo decisivo para que a história do crescimento econômico brasileiro deixe de apoiar-se sobre a aceleração da desigualdade.

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ESTUDO DE CASO

A reportagem trouxe para você um conjunto de informações que contribuem em muito para o seu trabalho como gestor de uma cooperativa de crédito. O texto focaliza as potencialidades das cooperativas de crédito como instrumentos vigorosos que podem transformar a realidade de exclusão e pobreza de nosso país. Sabemos que você tem uma vasta experiência de vida e pode fornecer alguns dados da realidade em que convive para ampliar a rede de conhecimentos que o curso estimula.. Conte-nos um pouco da história da sua comunidade, tente identificar situações de exclusão e procure lançar algumas sugestões que podem ser realizadas a partir de uma cooperativa de crédito. Eis um desafio para você... Miguel Formigas, o nosso gestor, tem um problema. Ele percebeu em sua comunidade que o desemprego era grande e as formigas começavam a tomar as ruas, montar barraquinhas para vender uma série de pequenos objetos, de bugigangas. As barracas vendiam, geralmente, os mesmos produtos, inviabilizando qualquer perspectiva de desenvolvimento. Conversou com todos esses comerciantes sobre as expectativas de seus negócios e a maioria não tinha sequer clareza de como fazer para melhor desenvolver seu negócio. O que fazer?

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Após analisar a situação, proponha um encaminhamento para o problema dessa comunidade. Utilize o espaço abaixo para registrar sua resposta. Você já dispõe de um conjunto de informações que podem auxiliá-lo(a) na tarefa. Vá, então, ao Fórum (lapela vertical) e socialize com todos as suas sugestões. Aproveite as oportunidades que este curso lhe oferece para ampliar a sua experiência e os seus conhecimentos com os quais você estará fortalecendo o seu processo de tomada de decisão, competência indispensável aos gestores de cooperativas de crédito. TEORIA Período histórico até 1964  As atividades bancárias no Brasil iniciaram-se no Império, baseadas no modelo europeu, ou seja, os bancos serviam quase que exclusivamente para receber depósitos e conceder empréstimos. Em 1808, Dom João VI criou um banco denominado Banco do Brasil, para administrar os recursos da família real. Não é o mesmo que existe atualmente, pois foi liquidado em 1829, após o retorno da família real a Portugal, que se deu em 1821. Em 1920 foi criada a Inspetoria Geral dos Bancos (Decreto nº 4.182/20) e começou o controle oficial sobre o segmento bancário. O mesmo decreto instituiu a Carteira de Redesconto do Banco do Brasil. Em 1933, no Governo Vargas, foi editado o Decreto nº 22.626/33, denominado Lei da Usura, estabelecendo o teto máximo das taxas de juros em 12% ao ano. Em 1945, através do Decreto-Lei n° 7.293, também no Governo Vargas, foi criada a SUMOC – Superintendência da Moeda e Crédito, iniciando-se efetivamente o controle do volume de crédito e dos meios de pagamento, com a instituição do Depósito Compulsório. As atividades da SUMOC eram de responsabilidade do Banco do Brasil. Como se vê, historicamente o Banco do Brasil exerceu funções relevantes no mercado financeiro, ao abrigar a Inspetoria e a SUMOC. 94

TEORIA

Pense um pouco. O termo instituição financeira está presente nos noticiários dos jornais, emissoras de rádio e TV, propagandas etc. Até parece que já faz parte da fala de todas as pessoas. Vamos construir uma definição para esta palavra. Para tanto, relacione 4 ou 5 palavras que, segundo você, estão contidas na definição de instituição financeira, como por exemplo, atividade, dinheiro...Continue a relacionar, registrando no espaço abaixo.

Concluiu a relação das palavras? Confira o seu acerto. A Lei n° 4.595/64, em seu Art. 17, caracteriza como instituições financeiras "as pessoas jurídicas públicas e privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros". Complementarmente, seu parágrafo único, diz: "Para os efeitos desta Lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam qualquer das atividades referidas nesse artigo, de forma permanente ou eventual".

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TEORIA

No início da década de 60, o Brasil contava com mais de 500 matrizes de bancos. O regime militar instalado em 1964 iniciou a reestruturação do Sistema Financeiro Nacional, com a edição de uma série de leis:       Lei da Correção Monetária (4.357/64) Lei do Plano Nacional da Habitação (4.380/64) Lei da Reforma do Sistema Financeiro (4.595/64) Lei do Mercado de Capitais (4.728/65) Lei da Comissão de Valores Mobiliários (6.385/76) e Lei das Sociedades. por Ações (6.404/76).

A severidade das novas normas para o sistema financeiro provocou o fechamento de inúmeros bancos, bem como um processo de fusões e incorporações. O Sistema Financeiro Nacional, atualmente, é considerado como saneado e solidificado, com grande liberdade de atuação. UMA DICA PARA VOCÊ... Se desejar se aprofundar no estudo deste assunto, consulte a seguinte referência bibliográfica: o livro ANDREZO, A. Fernandes, LIMA, I. Siqueira, Mercado financeiro – aspectos históricos e conceituais. Pioneira Thompson Learning – 2002.

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CURIOSIDADE!!!

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Veja como é curioso... só foram permitidas novas cooperativas de crédito rural e de empregados de determinada empresa ou entidade pública ou privada. Foi, também, proibido o uso da palavra “banco” no nome das cooperativas. VAMOS RELAXAR Que tal parar um pouco e relaxar por algum tempo? Se quiser, aproveite para ver uma tela de Guache Marques - artista brasileiro e um pequeno texto sobre a tão conhecida orixá Yemanjá. É interessante! Afinal, faz parte da nossa cultura popular.

No Brasil, Iemanjá é um orixá dos mais populares e reverenciados do Candomblé, Batuque, Xambá, Xangô do Nordeste, omoloko e Umbanda e mesmo por fiéis de outras religiões. Uma das maiores comemorações em honra à Iemanjá ocorre no último dia do ano em várias praias do litoral brasileiro. Antes e após a queima de fogos da passagem do ano, os devotos fazem oferendas à Rainha do Mar, um dos títulos pelos quais Iemanjá é saudada. Eles a presenteiam com flores, perfumes, velas e mimos de todos os tipos, tanto na areia da praia, quanto nas ondas do mar. 98

A tradicional Festa de Iemanjá no município de Salvador, capital da Bahia, tem lugar na praia do Rio Vermelho todo dia 2 de Fevereiro. Na mesma data, Iemanjá também é cultuada em diversas outras praias brasileiras, onde lhe são ofertadas velas e flores, lançadas ao mar em pequenos barcos artesanais. Uma das maiores festas ocorre em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, devido ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes. No Brasil, Iemanjá representa a mãe que protege os filhos a qualquer custo, a mãe de vários filhos, ou vários peixes, que adora cuidar de crianças e animais domésticos. TEORIA Você já conhece a história das instituições de crédito no Brasil. É importante agora que, como atual ou futuro gestor de cooperativas de crédito, conheça também a estrutura legal do Sistema Financeiro, do qual as cooperativas fazem parte. Quanto maior o conhecimento do gestor do ambiente (macrossistema) do qual é integrante, mais produtivo será nas suas atividades do dia-a-dia, pois saberá das possibilidades de prestação de serviços de sua cooperativa (tudo a que tem direito) e, principalmente, das dos concorrentes no mercado. Os estudiosos classificam o Sistema Financeiro em dois subsistemas que estão subordinados ao Conselho Monetário Nacional (CMN): o Subsistema Normativo e o Subsistema Operacional. Para você poder acompanhar com tranquilidade o desenvolvimento deste item, serão apresentadas primeiramente as informações sobre o Subsistema Normativo e tratadas as questões relativas ao Subsistema Operacional. Fique tranquilo(a), pois você já sabe e leu no Guia (lapela vertical) que pode retornar a qualquer tela do curso para rever os assuntos estudados seguindo os procedimentos que já conhece bem. TEORIA

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O subsistema normativo compreende todos os órgãos governamentais subordinados ao Conselho Monetário Nacional que têm o poder de, como o próprio nome indica, ordenar ou normatizar o funcionamento das diversas instituições financeiras, tais como:  Banco Central;  Comissão de Valores Mobiliários;  Superintendência de Seguros Privados;  Secretaria de Previdência Complementar. Conselho Monetário Nacional (CMN)  O CMN é um órgão normativo que não exerce qualquer atividade executiva; O CMN é responsável por estabelecer a taxa de juros praticadas no mercado, por fixar as diretrizes das políticas de crédito, cambial e monetária do país; Legisla sobre a constituição, o funcionamento e a fiscalização das instituições financeiras, públicas e privadas, que aqui operam; A partir de junho de 1994 (criação do Plano Real), passou a ser composto de três membros: o Ministro da Fazenda, o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central.

Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional Foi criado em 1985 e é subordinado ao Ministério da Fazenda. Tem a finalidade de julgar, em segunda e última instância administrativa, os recursos sobre as decisões relativas à aplicação de penalidades contra administradores e instituições financeiras. Administradores com problemas na gestão financeira de suas instituições devem dar suas explicações ao Conselho a quem cabe a palavra final. TEORIA Banco Central do Brasil (BC ou Bacen)  Instituição executora das políticas traçadas pelo Conselho Monetário Nacional e fiscalizadora do sistema financeiro;  Define as normas operacionais, limites e as condutas das instituições financeiras, com poderes para nelas intervir e, até, liquidá-las extrajudicialmente;  É considerado, aqui e em todo o mundo capitalista, o Banco dos Bancos, por sua atribuição de regular o mercado, por meio da emissão de moeda, do recolhimento de depósitos compulsórios e das operações de redescontos; 100

Responsabiliza-se, também, pela gestão da dívida pública, interna e externa. Instituições Auxiliares ou Especiais. As instituições financeiras públicas federais, denominadas Agentes Auxiliares ou Especiais, para muitos estudiosos são incluídas entre as normativas. São elas:  Banco do Brasil;  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social;  Caixa Econômica Federal;  Banco da Amazônia;  Banco do Nordeste. TEORIA Você acompanhou atentamente a apresentação dos itens relativos ao Subsistema Normativo, parte do Sistema Financeiro Nacional. Percebeu como é importante, para os gestores das cooperativas de crédito, conhecer melhor o Conselho Monetário Nacional e o Banco Central do Brasil, as duas instituições que normatizam suas operações. RELEMBRANDO... As cooperativas de crédito, bem como todas as outras instituições do sistema financeiro, são subordinadas às normas emanadas do Conselho Monetário Nacional e do Banco Central do Brasil. Suas decisões, divulgadas ao mercado sob a forma de Resoluções, Circulares, Cartas-circulares e Comunicados, podem permitir ou não as atividades das cooperativas. Assim, o conhecimento das atribuições e funcionamento do Conselho e do Banco Central, nesta parte do curso, é considerado importante para a formação profissional do gestor.

Subsistema Operacional Compreende as instituições operacionais monetárias e as não monetárias.

Instituições Operacionais Monetárias 101

São assim chamadas pelo poder que têm de “criar “moeda escritural. Acompanhe a explicação. Suas principais fontes de recursos são os depósitos que os seus clientes fazem à vista. Teoricamente, a cada operação de empréstimo, fazem os recursos girar mais e mais, como se estivessem “criando” moeda. Nesse grupo, estão:      SAIBA MAIS Bancos Comerciais; Bancos Múltiplos com carteira comercial; Caixa Econômica Federal; Bancos Cooperativos; Cooperativas de Crédito

Algumas informações importantes:  Os bancos cooperativos merecem um destaque especial, pois representam um grande avanço para o cooperativismo de crédito, na qualidade de instrumento de autonomia operacional dos Sistemas; As cooperativas de crédito operam, exclusivamente, com seu quadro de associados, por meio da captação de depósitos e da realização de financiamentos e empréstimos; Ao firmar convênios com bancos comerciais, as cooperativas de crédito possibilitaram a ampliação do leque de produtos financeiros e bancários oferecidos a seus sócios; A criação dos bancos cooperativos racionalizou os custos desses convênios e levou as cooperativas de crédito a um novo patamar de prestação de serviços; Por intermédio do Bancoob (Banco Cooperativo do Brasil S/A) e do Bansicredi, (Banco Cooperativo Sicredi S/A) a liquidez dos respectivos Sistemas passou a ser rentabilizada no mercado interfinanceiro, a taxas mais atraentes, resultando em ganhos para os associados; 102

Outro aspecto relevante a ser considerado foi a garantia do acesso das cooperativas de crédito a programas de repasses de recursos governamentais, tais como, Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar), Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos), Fundos agrícolas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Além disso, os bancos cooperativos captam recursos compulsórios dos bancos comerciais para aplicação em crédito rural. As aplicações, nesse caso, são diretamente aos cooperados, com interveniência, isto é, com a garantia da cooperativa; Em 29 de março de 2004, o Conselho Monetário Nacional, com a Resolução nº 3.188, autorizou aos bancos cooperativos a captação de poupança rural, utilizando-se da rede de cooperativas de crédito rural e das de livre admissão de associados. Hoje, podem credenciar correspondentes bancários.

TEORIA Como você viu, há instituições monetárias, mas há, também, as instituições não monetárias. Veja como elas se caracterizam:  As instituições chamadas de não monetárias apenas transferem recursos de poupadores para tomadores, operando basicamente com recursos de repasses e com captações de depósitos a prazo, que não são considerados meios de pagamento; Compreendem os bancos de investimento, de desenvolvimento, financeiras, bolsas de valores, corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, as entidades integrantes do sistema de previdência e seguros e as administradoras de recursos de terceiros. Em que pese sua importância no Sistema Financeiro, não serão abordadas nesse curso, por não se relacionarem diretamente com as cooperativas de crédito.

RESUMO Nesta etapa do curso, você, gestor da cooperativa de crédito, já se situou no ambiente macroeconômico do sistema cooperativista e financeiro do Brasil e do mundo. Conheceu a história do movimento cooperativista, sua importância para o desenvolvimento econômico dos associados e as bases legais para o funcionamento da cooperativa em que trabalha. Assim, a cooperativa de crédito, por ser integrante do sistema financeiro, deve ser cuidadosamente gerida, obedecendo-se às regras próprias dos integrantes do referido sistema.

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A partir do contato inicial com a imagem-símbolo do curso, a metáfora do formigueiro, você foi construindo o conhecimento sobre as cooperativas de crédito a partir da ideia de que cada indivíduo contribui para que toda a coletividade possa usufruir dos frutos do trabalho. Durante o percurso pelas várias unidades deste módulo, você focalizou sua atenção para a importância de se trabalhar em colaboração, em redes coletivas, com base nos valores éticos da solidariedade, igualdade, democracia, respeito às diferenças. A ONU declarou 2005 o Ano Internacional do Microcrédito. O Microcrédito e o Cooperativismo de Crédito, desde então, vêm sendo divulgados como instrumentos para combater a pobreza e a fome no mundo, mudando de forma positiva a vida das pessoas. EXERCÍCIO Para que você avalie como está sua aprendizagem, preparamos alguns exercícios sobre o Cooperativismo de Crédito e o Sistema Financeiro Nacional. Leia as afirmativas abaixo e verifique se são verdadeiras ou falsas:
1. ( )A Lei da Reforma do Sistema Financeiro (4.595/64) criou o Conselho

Monetário Nacional (CMN) e o Banco Central para regulamentarem o Sistema Financeiro.
2. (

)O Conselho Monetário Nacional está subordinado ao subsistema normativo do Sistema Financeiro Nacional. )_A Constituição Federal de 1988 deu maior autonomia ao cooperativismo brasileiro e as cooperativas de crédito foram confirmadas como integrantes do Sistema Financeiro Nacional.

3. (

Aquela afirmativa que você julgar falsa, corrija-a, apresentando elementos que a tornem verdadeira na caixa de texto abaixo:

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Resposta. A alternativa errada é a 2. Verifique cuidadosamente se a sua resposta contemplou as informações básicas, mesmo que tenha sido escrita com outras palavras. ( está igual ao próximo exercício). Afinal, o Conselho Monetário Nacional, segundo a Lei 5.764/64 é a autoridade máxima do Sistema Financeiro Nacional. EXERCÍCIO As instituições normativas do Sistema Financeiro Nacional são também denominadas Autoridades Monetárias, pois suas normas têm valor legal. Explique porque a Caixa Econômica e as Cooperativas de Crédito não fazem parte dessas instituições. Coloque sua resposta no quadro abaixo, e corrija-a depois.

Resposta aproximada: A Caixa Econômica Federal e as cooperativas de crédito não detêm o poder de ordenar ou criar normas para o funcionamento das diversas instituições financeiras. Só os órgãos definidos na Lei 5764/64 têm essas atribuições. Veja cuidadosamente se sua resposta contemplou as informações básicas, mesmo que tenha sido escrita com outras palavras. COMENTÁRIOS Você está concluindo o primeiro módulo do Curso Gestão de Cooperativas de Crédito. Está se preparando para fazer parte deste mundo cooperativista e para exercer as funções gerenciais de uma cooperativa de crédito. Toda a comunidade formada por Tutores, coordenadores e alunos deste curso está torcendo pelo seu sucesso. Mantenha na vida profissional a mesma dose de dedicação com que percorreu todo o roteiro traçado neste curso até aqui. Esperamos vê-lo(a) no próximo módulo que vai abordar a Estrutura e Funcionamento das Cooperativas de Crédito. Ate lá!

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GLOSSÁRIO Assembleia Geral dos Associados É o órgão supremo da cooperativa de crédito, dentro dos limites legais e estatutários, tendo poderes para decidir os negócios relativos ao objeto da sociedade e tomar as resoluções convenientes ao desenvolvimento e defesa desta. Nela são tomadas todas as decisões de interesse da sociedade e dos associados. Pode ser convocada sempre que for necessária e delibera sobre qualquer assunto de interesse da cooperativa, desde que mencionado no edital. Realiza-se anualmente, até quatro meses após o encerramento do exercício social da cooperativa. Delibera sobre a prestação de contas dos gestores, sobre os pareceres do conselho fiscal e dos auditores, sobre os resultados do exercício (sobras, perdas, constituição de reservas). É de sua competência a eleição dos componentes dos órgãos de administração e do Conselho Fiscal, fixando-lhes, quando previstos, os honorários. É um retrato sintético e ordenado da situação dos direitos, obrigações e bens de uma empresa ou entidade. É uma posição estática que mostra a situação econômica, financeira e patrimonial em um determinado momento contábil.

Assembleia Geral Extraordinária (AGE) Assembleia Geral Ordinária (AGO)

Balanço patrimonial

Banco Central do Brasil É o executor das políticas traçadas pelo Conselho (Bacen ou BC) Monetário Nacional e o fiscalizador do sistema financeiro. Define suas normas operacionais, limites e as condutas das instituições, com poderes para nelas intervir e, até, liquidá-las extrajudicialmente. É considerado, em todo o mundo capitalista, o Banco dos Bancos, por sua atribuição de regular a liquidez do mercado, por meio da emissão de moeda, do recolhimento de depósitos compulsórios e das operações de redescontos. Responsabiliza-se, também, pela gestão da dívida pública, interna e externa. Bancos cooperativos Sua principal função é prestar serviços às cooperativas de crédito, especialmente o de representá-las na Compensação de Cheques e de Outros Papéis COMPE, mediante a celebração de convênios com as cooperativas centrais em cada estado, conforme autorizado pelo Banco Central do Brasil. Foi instituída pela Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004. É título de crédito emitido, por pessoa física ou jurídica, em favor de instituição financeira ou de entidade a esta 106

Cédula de Crédito Bancário

equiparada (no caso, a cooperativa de crédito), representando promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de operação de crédito, de qualquer modalidade. Pode ser emitida com ou sem garantia, real ou fidejussória. Cheque pré-datado O cheque “pré-datado” (cheque pré) possui uma particularidade já que, legalmente, não é um título de crédito, mas sim uma ordem de pagamento à vista. A regulamentação do Banco Central é muito clara sobre este aspecto. O possuidor de um cheque pré-datado pode depositá-lo no momento que quiser e, se na contacorrente do emissor houver fundos suficientes, o banco deverá pagá-lo. São constituídas de, pelo menos, 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais. As confederações tratam dos assuntos de interesse comum de suas cooperativas associadas. São confederações de natureza financeira constituída por, pelo menos, três cooperativas centrais, autorizadas pela Resolução 3.859, de 27 de maio de 2010 Segundo o Art. 47 da Lei 5.764/71 (Lei do Cooperativismo), a cooperativa de crédito deve ser administrada por uma Diretoria ou Conselho de Administração, composto exclusivamente de associados eleitos pela Assembleia Geral, com mandato nunca superior a 4 anos, sendo obrigatória a renovação de, no mínimo, 1/3 do Conselho de Administração. “A administração da sociedade será fiscalizada, assídua e minuciosamente, por um Conselho Fiscal, constituído de três membros efetivos e três suplentes, todos associados eleitos pela Assembleia geral. O mandato dos conselheiros fiscais das cooperativas de crédito terá duração de até três anos, observada a renovação de, ao menos, dois membros a cada eleição, sendo um efetivo e um suplente.(Lei 5.764/71, Art. 56 combinada com a lei complementar 130/09, art.6º). O CMN é um órgão normativo composto por três membros: o Ministro da Fazenda, o Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e o Presidente do Banco Central, não exercendo qualquer atividade executiva. É responsável pela fixação das diretrizes das políticas de crédito, cambial e monetária do país, legislando sobre a constituição, o funcionamento e a fiscalização das instituições financeiras, públicas e 107

Confederações de cooperativas (ou de 3° grau) Confederação de Crédito

Conselho de Administração ou Diretoria

Conselheiro Fiscal

Conselho Monetário Nacional (CMN)

privadas, que aqui operam. Conselho Mundial de Cooperativas de Crédito Tem sede em Madison, no Estado de Wisconsin, EUA, e é composto por 4 grandes Confederações Regionais e dez Associações Nacionais, que congregam cooperativas de crédito de 85 países. O Conselho não incorpora todas as cooperativas de crédito do mundo. Há vários outros sistemas mundiais de cooperativas de crédito, sendo os principais o DG Bank e o Volksbank na Alemanha, o Rabobank na Holanda e o Crédit Agricole na França. As Contas a Pagar são obrigações já devidas e que deverão ser pagas em breve. O salário dos empregados, por exemplo, não é pago diariamente, mas somente ao final do mês (ou até o quinto dia do mês seguinte). Contas de telefone e água também são mensais, embora o consumo seja diário. O mesmo ocorre com impostos e encargos. Ou seja: assim, não só os clientes aplicadores, mas os empregados, o Governo, os fornecedores e os prestadores de serviços são credores da cooperativa. Contas a Receber referem-se, basicamente, aos valores decorrentes das operações de crédito e da prestação de serviços. São as devoluções dos valores emprestados, acrescidos dos juros, as eventuais multas, as receitas de serviços, de taxas e as contribuições periódicas dos cooperados para formação do capital da cooperativa. A abertura, manutenção e movimentação, bem como o encerramento de contas de depósito, também chamadas contas-correntes, são regulamentadas pelo Banco Central do Brasil pelas Resoluções 2.025/93, 2.747/00 e Circular 2.452/94. Nelas estão representadas as aplicações dos recursos, ou seja: os bens e direitos da empresa ou da instituição. Aparecem dispostas em ordem decrescente de liquidez, ou seja, de acordo com a facilidade em convertê-las em dinheiro. Assim, primeiro são apresentadas as disponibilidades, e os empréstimos de curto prazo que se converterão em dinheiro em menos de doze meses. Depois, as operações de longo prazo, acima de 12 meses e, por último, o imobilizado que, em princípio, não está na cooperativa para serem vendidos. Representam dívidas e obrigação de responsabilidade da cooperativa perante terceiros. São elencadas pela ordem de sua exigibilidade ou previsão de serem pagas, de tal forma que os depósitos à vista têm exigibilidade a 108

Contas a Pagar

Contas a Receber

Contas-correntes

Contas do ativo

Contas do passivo

qualquer hora e o capital dos associados, como um todo, somente em casos especiais. Cooperado/Associado É o trabalhador, urbano ou rural, o profissional de uma atividade socioeconômica, o empresário ou empreendedor, cotista de uma cooperativa, na qual participa ativamente, assumindo responsabilidades, direitos e deveres inerentes. Deriva etimologicamente da palavra latina “cooperari”, formada por “cum” (com) e “operari” (trabalhar). Significa agir, simultânea ou coletivamente, com outros, para um mesmo fim, ou seja, trabalhar em comum para o êxito de um mesmo propósito. Do latim “cooperatio”, ação de cooperar. É o método de ação pelo qual indivíduos, famílias ou comunidades, com interesses comuns, constituem um empreendimento. Neste, os direitos de todos são iguais e o resultado alcançado é repartido entre seus integrantes, na proporção de sua participação nas atividades da organização. É uma organização de, pelo menos, vinte pessoas físicas unidas pela cooperação e ajuda mútua, gerida de forma democrática e participativa, com objetivos econômicos e sociais comuns, cujos aspectos legais e doutrinários são distintos de outras sociedades. Fundamenta-se na economia solidária e se propõe a obter um desempenho econômico eficiente, pela qualidade e confiabilidade dos serviços que presta aos próprios associados e aos usuários.

Cooperar

Cooperação

Cooperativa

Cooperativas de crédito Cooperativas de crédito são instituições financeiras constituídas sob a forma de sociedades cooperativas. Têm por objeto a prestação de serviços financeiros aos associados, como concessão de crédito, captação de depósitos, prestação de serviços de cobrança, de custódia, de recebimentos e pagamentos por conta de terceiros sob convênio com instituições financeiras públicas e privadas e de correspondente no País, além de outras operações específicas e atribuições estabelecidas na legislação em vigor. As cooperativas de crédito não são bancos, e sim instituições financeiras. Ao contrário dos bancos, não têm acesso automático aos Serviços de Compensação de Cheques e às Reservas Bancárias do Banco Central. Cooperativas centrais (ou federações de cooperativas, ou ainda, São as constituídas de, no mínimo, três cooperativas singulares. São responsáveis por prestar serviços de centralização financeira, auditoria, controle e supervisão 109

de 2° grau) Cooperativas singulares (ou de 1° grau)

das cooperativas singulares associadas. São as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas. Excepcionalmente, é permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos. Exemplificando: o profissional médico associado a uma cooperativa de crédito pode também associar sua clínica, hospital, laboratório de exames clínicos, e assim por diante. As cooperativas singulares têm gestão independente e autônoma, com responsabilidades próprias e individuais. É um sistema econômico e social, com autogestão em bases democráticas, operado por meio da ajuda mútua, que se destina à satisfação das necessidades econômicas e à promoção moral dos membros a ele integrados. É a união de pessoas voltadas para um objetivo comum. São operações de empréstimos destinadas às pessoas físicas, que podem ser utilizados em função das suas necessidades ou pretensões de consumo. Geralmente, são garantidas por avalistas e o prazo varia de 3 a 24 meses. É a taxa de juros que a instituição financeira paga aos seus clientes aplicadores ou nos repasses que recebe de outra instituição financeira Trata-se de um resumo das operações da cooperativa (ou de uma empresa em geral) em determinado período, cujos valores finais representam as sobras (lucros) ou as perdas financeiras, ou seja: o resultado do exercício. Ao contrário do Ativo e do Passivo, possui um caráter dinâmico, uma vez que demonstra a posição da cooperativa entre o início e o fim do período em questão. Assim, no início de cada exercício suas contas são “zeradas” após a transferência dos resultados apurados para as contas do patrimônio líquido. Um DRE referente ao mês de março, por exemplo, deve apresentar as despesas e receitas do próprio mês, mas principalmente as acumuladas de 01 de janeiro a 31 de março do ano em questão. Analogamente às receitas, representam a saída de recursos da instituição em decorrência de suas atividades de intermediação e de prestação de serviços. Também estão divididas em operacionais e não operacionais e não devem ser confundidas com as 110

Cooperativismo

Crédito pessoal

Custo de captação

Demonstrativo do Resultado do Exercício (DRE)

Despesas

saídas de recursos das operações de crédito ou resgates de depósitos por parte dos associados. Despesas não operacionais Despesas operacionais São as decorrentes de eventualidades, dentre as quais se destacam os prejuízos na alienação de bens, manutenções imprevistas, multas incorridas. São as despesas de captação de recursos (depósitos), de obrigações por operações de repasses. Nelas também estão as despesas administrativas com os valores referentes a salários, encargos, materiais de consumo, impostos, manutenções, seguros, publicidade, honorários, serviços de terceiros, combustíveis, aluguéis, contas de consumo (água, energia e telefone), depreciação, provisões legais e diversas outras referentes ao dia-a-dia da cooperativa em suas atividades normais. A dívida pública interna, ou dívida mobiliária é constituída pelos títulos emitidos pelo Banco Central, Tesouro Nacional, Estados e Municípios, bem como pelas empresas estatais. Documento de transferência de recursos para instituições diferentes, via Câmara Interbancária de pagamentos, do Sistema de Pagamentos Brasileiro. É um título formal de crédito emitido em decorrência da compra e venda de mercadorias ou prestação de serviços. Segundo o site Crédito e Risco (www.creditoerisco.com.br), “a duplicata teve origem em um antigo costume existente no comércio brasileiro de se apresentar a conta em duas vias, para que a segunda via (a duplicata) fosse devolvida com a assinatura do comprador. Esta assinatura representava o reconhecimento da dívida”. São as tradicionais operações de crédito vinculadas a contratos nos quais constam taxas, valores, prazos, garantias etc., utilizadas para formação do capital de giros das empresas ou para eventuais dificuldades financeiras das pessoas físicas. Geralmente os prazos são inferiores a um ano. Para prazos maiores é comum a utilização dos Contratos de Mútuo, com características semelhantes aos empréstimos, mas com condições mais rigorosas devido ao risco maior. Possuem um método de cálculo de juros diferente do desconto, sendo utilizados os juros simples ou compostos e um dos diversos métodos de amortização que serão vistos mais adiante. Empréstimos para capital de giro são “operações tradicionais vinculadas a um contrato específico que 111

Dívida Pública Interna

Documento de Ordem de Crédito (DOC) Duplicata

Empréstimos

Empréstimo para capital de giro

estabeleça prazo, taxas, valores e garantias necessárias e que atendem às necessidades de capital de giro para as empresas. O prazo é, geralmente, de 180 dias, com garantias de duplicatas, cheques pré-datados, numa relação de 120% a 150% do principal emprestado” (FORTUNA , 1999). Financiamento As operações de financiamento possuem várias características de empréstimos e, muitas vezes, são consideradas variações destes. Possuem prazos que variam, normalmente, de 3 a 60 meses, de acordo com os objetivos do financiamento. Sua principal característica é a vinculação dos recursos à aquisição de um bem ou serviço, tanto para as pessoas físicas quanto para as jurídicas. É o movimento diário de entrada e saída de recursos financeiros. Em uma empresa, é constituído basicamente pelo movimento de recebimento de clientes e pagamento de fornecedores, gerado pelas compras de matérias-primas, pagamentos a funcionários e de impostos e recebimentos das vendas de produtos e prestação de serviços. No caso das cooperativas, assim como das outras instituições financeiras, o produto que está sendo transacionado é o próprio recurso financeiro. No jargão do setor, “compra-se e vende-se dinheiro”. Por isso, o fluxo de caixa da cooperativa tende a ficar cada vez mais intenso e, consequentemente, mais complexo. São aquelas que pessoas físicas ou jurídicas assumem a obrigação de honrar os compromissos relativos ao empréstimo, caso o devedor não o faça. Tipos de garantia pessoal: aval e fiança, São bens ou direito de recebimentos dados em garantia das obrigações relativas à operação de crédito. Alguns tipos de garantias reais:  Caução (títulos de investimento, duplicatas, faturas de cartões de crédito, etc.);  Hipoteca (imóveis, aeronaves, embarcações marítimas, etc.);  Alienação fiduciária (veículos, equipamentos, etc.);  Penhor (agrícola, pecuário, mercantil de estoques, direitos creditórios de contratos de prestação de serviços, etc.). Nas operações de crédito rural, a escolha de garantias é de livre convenção entre o financiado e o financiador. O Índice do Custo de Vida é calculado pelo Dieese 112

Fluxo de Caixa

Garantias pessoais ou fidejussórias

Garantias reais

ICV / DIEESE

(Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) no município de São Paulo, desde 1959, em pesquisas diretas nas famílias com renda de 1 a 30 salários mínimos, denominadas POF – Pesquisas de Orçamento Familiar. IGP-DI / FGV O IGP-DI/FGV (Índice Geral de Preços/Disponibilidade Interna) foi instituído em 1.947 e é calculado mensalmente pela FGV – Fundação Getúlio Vargas. Mede o comportamento de preços em geral da economia brasileira. O IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado) é calculado mensalmente pela FGV e, quando foi concebido, teve como princípio ser um indicador para balizar as correções de alguns títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e de Depósitos Bancários com renda pós-fixada, acima de um ano. É definida como um aumento persistente e generalizado no índice de preços, ou seja, os movimentos inflacionários são aumentos contínuos de preços e não podem ser confundidos com altas esporádicas devidas, por exemplo, a flutuações sazonais. Esses aumentos devem, também, ser generalizados, com todos os bens participando dessa escala altista. É ocasionada por aumentos dos custos de certos fatores de produção (salários, matérias-primas importadas, infraestrutura de escoamento deficiente), enquanto que a demanda permanece estável ou declinante. Ocorre quando há um excesso de demanda para uma produção insuficiente de bens e serviços. Os setores produtores de matérias-primas identificam um aquecimento na economia, com aumento de consumo de bens e serviços e praticam um reajuste em seus preços. É quando a inflação passada alimenta a futura, ou seja, todos os aumentos de preços são captados pelo índice de inflação, que, por sua vez, corrige automaticamente todos os demais preços da economia (salários, aluguéis, contratos), gerando um processo automático de realimentação da inflação. O INPC/IBGE (Índice Nacional de Preço do Consumidor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é calculado mensalmente pelo IBGE e foi criado com o objetivo de orientar os reajustes de salários dos trabalhadores. O INPC/IBGE verifica as variações dos custos com os gastos das pessoas que ganham de um a 113

IGP-M/FGV

Inflação

Inflação de custos

Inflação de demanda

Inflação inercial

INPC/IBGE

oito salários mínimos, nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, no município de Goiânia e no Distrito Federal. Mede a variação dos custos dos gastos, conforme descrito, no período do primeiro ao último dia de cada mês de referência. O IBGE divulga as variações entre o dia onze e o dia vinte do mês seguinte. Instituições financeiras A Lei 4.595/64, em seu Art. 17, caracteriza como instituições financeiras "as pessoas jurídicas públicas e privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, a intermediação ou a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros". Complementarmente, seu parágrafo único, diz: "Para os efeitos desta Lei e da legislação em vigor, equiparam-se às instituições financeiras as pessoas físicas que exerçam quaisquer das atividades referidas nesse artigo, de forma permanente ou eventual". O IPC/FIPE (Índice de Preços ao Consumidor) é calculado mensalmente pela FIPE - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas. Mede a variação de preços para o consumidor na cidade de São Paulo para quem ganha de dois a seis salários mínimos mensais. Os grupos de despesas estão compostos de acordo com o POF (Pesquisas de Orçamentos Familiares), em constante atualização. A estrutura de ponderação atual é restrita a assinantes e pode ser verificada no portal da FIPE http://www.fipe.com.br. O IPCA/IBGE (Índice de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é calculado mensalmente pelo IBGE e foi instituído, originalmente, com a finalidade de corrigir as demonstrações financeiras das companhias abertas. Verifica as variações dos custos com os gastos das pessoas que ganham de um a quarenta salários mínimos nas regiões metropolitanas de Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, no município de Goiânia e no Distrito Federal. O IPCA/IBGE mede a variação dos custos dos gastos, conforme acima descrito, no período do primeiro dia ao último dia de cada mês de referência. O IBGE divulga as variações entre o dia onze e o dia vinte do mês seguinte. É o índice oficial do Governo Federal, considerado o termômetro para medição das metas inflacionarias 114

IPC/FIPE

IPCA / IBGE

contratadas com o FMI – Fundo Monetário Internacional, desde julho/99. Juro Juro (no singular) é a quantia que remunera um credor pelo uso de seu dinheiro por parte de um devedor durante um período determinado, geralmente uma percentagem sobre o que foi emprestado; soma cobrada de outrem, pelo seu uso, por quem empresta o dinheiro. Na prática, simplesmente considera-se juro como sendo o retorno de quem empresta em função de um capital emprestado (Dicionário Houaiss, 2002). Também denominados juros exponenciais ou, popularmente, juros sobre juros. É o método de capitalização no qual os juros incidem sobre o Capital e também sobre os juros acumulados até o período imediatamente anterior, ou seja: os juros gerados no período anterior são incorporados ao Capital inicial e esse Montante passa a ser a nova base de cálculo para os juros do período seguinte. É por esse motivo que, matematicamente, são denominados exponenciais. Também chamado de regime de capitalização simples, é o regime no qual a taxa de juros incide somente sobre o Capital inicial (ou Principal) durante todo o período da operação. É o método tradicional de cálculo das prestações, onde o valor da dívida é dividido pelo número de parcelas. A cada mês, o associado paga a parcela fixa acrescida dos juros, calculados sobre o saldo devedor. São aqueles cuja receita bruta anual é igual ou inferior ao limite estabelecido pelo art. 3º da Lei Complementar nº123, de 14 de dezembro de 2006 e alterações posteriores. O limite atual de receita anual é de R$ 2.400.000,00 São aqueles que trabalham por conta própria, em uma atividade legal, sem, contudo, ter uma empresa registrada nos órgãos competentes. São as operações de crédito que as instituições financeiras realizam com seus clientes, gerando direitos. Em geral, essas operações representam a principal aplicação de recursos dessas instituições e, juntamente com as tarifas, são suas fontes de renda mais importantes. Em um sentido amplo, são os chamados empréstimos. Na prática, empréstimos são uma das modalidades de operações ativas. As operações passivas são representadas, basicamente, pela captação de depósitos a vista e a prazo. Essas 115

Juros compostos

Juros simples

Método Hamburguês de Amortização

Micro e pequenos empresários

Microempreendedores

Operações ativas

Operações passivas

operações geram compromissos pesados para a cooperativa, pois se trata de recursos de terceiros. Os depósitos a vista são exigíveis a qualquer momento, enquanto que os a prazo possuem data certa de vencimento. Ordem de pagamento (OP) Modalidade de transferência de recursos na qual uma agência de uma instituição envia uma mensagem para outra agência desta mesma instituição indicando o remetente dos recursos, o valor e, principalmente, a pessoa que irá sacar esse recurso pessoalmente nesta outra agência. Observe que tal sistema somente é válido para uma mesma instituição, que providenciará a contabilização interna entre agências. Os bancos cooperativos (Bancoob e Bansicredi) são autorizados a captar poupança rural (conhecida no mercado financeiro como “caderneta verde”). Devem celebrar convênios de correspondentes bancários, para a captação dos depósitos, tanto com as cooperativas de crédito do Sistema quanto com correspondentes bancáriosA poupança rural pode ser captada junto aos associados das cooperativas de crédito e à comunidade em geral e é uma grande fonte de recursos para as cooperativas que operam crédito rural.. Prática; ação concreta; maneira de proceder na prática; comportamento costumeiro. Ação de aplicar, usar, exercitar uma teoria, arte, ciência ou ofício. Parte do conhecimento voltada para as relações sociais e as reflexões políticas, econômicas e morais (Dicionário Houaiss). União indissociável de teoria e prática. O Produto Interno Bruto - PIB de um País é a soma de tudo que é produzido dentro do território nacional (bens e serviços finais), valorizado a preços de mercado. Sua variação, em um determinado período, é o principal indicador do nível de atividades de um País. O PIB contempla, portanto, somente os bens e serviços finais produzidos dentro do País. É denominado “bruto” por não levar consideração a depreciação (desgaste) dos bens utilizados em sua produção. Quando se desconta a depreciação, passa a ser Produto Interno Líquido. As cooperativas podem adotar, por objetivo, qualquer gênero de serviço, operação ou atividade, de acordo com a área econômica de interesse dos cooperados. Usa-se a palavra “ramo” para diferenciar os tipos de cooperativas. Alguns ramos de cooperativas: 116

Poupança rural

Práxis

Produto Interno Bruto – PIB

Ramos do cooperativismo

agropecuário, consumo, crédito, educacional, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde, trabalho, turismo e lazer e transporte. Receitas Representam a entrada de recursos para a instituição decorrentes de suas atividades operacionais ou de eventos não operacionais. Não devem ser confundidas com os depósitos dos associados. São as provenientes de eventos que não fazem parte do dia-a-dia da cooperativa, mas que representam entrada de recursos, onde se destacam a venda de móveis, imóveis, veículos, rendas de aluguéis e as doações recebidas. Referem-se às entradas de recursos para a cooperativa provenientes de suas atividades de intermediação financeira e de prestação de serviços. Basicamente é composta de juros das operações de empréstimos, descontos e financiamentos, multas, receitas das aplicações interfinanceiras, tarifas de prestação de serviços, recuperação de créditos baixados como prejuízos etc. É a diferença entre as receitas e as despesas que, no caso das cooperativas de crédito, são tecnicamente denominadas sobras ou perdas. É comum o uso das expressões superávit e déficit ou mesmo lucros e prejuízos, mais utilizadas em empresas. São aqueles relacionados à gestão de recursos financeiros que, no caso das cooperativas de crédito, são os insumos de produção. A má gestão destes riscos pode comprometer a existência da cooperativa em médio e, até mesmo, em curto prazo. O SELIC foi criado em 1979 pelo Banco Central e pela ANDIMA (Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto) para simplificar a sistemática de negociação dos títulos públicos no mercado aberto. Atualmente, além dos títulos públicos, registra, custodia e promove a liquidação financeira dos depósitos interbancários. É uma das mais antigas instituições de banco de dados sobre o comportamento financeiro das pessoas, no Brasil. O acesso é disponível mediante contrato prévio entre a cooperativa de crédito e a Serasa, com os devidos pagamentos por consulta. Seu produto mais conhecido é o Concentre Monitore, que permite o acompanhamento contínuo de clientes pessoas físicas e jurídicas em relação a ocorrências como: falências, 117

Receitas nãooperacionais

Receitas operacionais

Resultado

Riscos Financeiros

SELIC (Sistema Especial de Liquidação e Custódia)

Serasa

concordatas, protestos, ações judiciais executivas, ações judiciais de busca e apreensão, ações de execução fiscal da justiça federal, cheques sem fundos, participação em empresas falidas, pendências financeiras, dívidas vencidas. Serviço de Compensação de Cheques e Outros Papéis O serviço é regulado pelo Banco Central do Brasil – Bacen e executado pelo Banco do Brasil. É realizado numa dependência do Banco do Brasil, denominada Câmara de Compensação e consiste na troca, pelos bancos participantes, de cheques, pagamento de títulos, na transferência de fundos e outras obrigações. A compensação pode ser local (cidades de difícil acesso, que conta com, pelo menos, uma agência do Banco do Brasil e de outro banco), regional (abrangendo as agências de uma determinada região) ou nacional (abrange todas as agências do País). Atualmente, a compensação regional troca somente cheques e até R$ 250.000,00. São formados pelas cooperativas singulares, pelas Centrais, Confederações, empresas coligadas e respectivo banco cooperativo. As cooperativas dos Sistemas Sicoob e Sicredi e seus respectivos bancos, atuam integrados operacionalmente, funcionando como uma verdadeira rede. É o Cooperativismo de Crédito Rural com Interação Solidária. A primeira cooperativa do Sistema Cresol foi criada em 24 de junho de 1995, na microrregião de Dois Vizinhos, no Sudoeste do Paraná. É composto por duas Centrais (em Francisco Beltrão – PR), 7 bases de apoio, 76 cooperativas singulares, com 77.000 associados, atuando em 250 municípios nos estados de Santa Catarina , Paraná e Rio Grande do Sul (dez/2009). É o maior sistema cooperativista de crédito brasileiro, presente em 23 Estados e no Distrito Federal. É composto por 14 Centrais, 608 cooperativas singulares, 1.186 Postos de Atendimento Cooperativo (PAC) e 1.700.000 associados. É controlador do Banco Cooperativo do Brasil S/A – Bancoob (dez/2009). É constituído pela confederação (Sicredi Serviços), por 5 cooperativas centrais, 128 singulares, 760 PAC’s e um banco cooperativo (Bansicredi); possui 1.560.000 associados e está presente em 11 Estados. Controla o Banco Cooperativo Sicredi S/A – Bansicredi (dez/2009). É uma fonte de consulta gerida pelo Banco Central que, obedecidas a determinadas condições, permite a troca de informações sobre operações de crédito entre os 118

Sistemas Cooperativistas de Crédito

Sistema CRESOL

Sistema das Cooperativas de Crédito do Brasil SICOOB

Sistema de Crédito Cooperativo - SICREDI

Sistema de Informações de Crédito do Banco Central -

(SCR)

integrantes do Sistema Financeiro Nacional. Está disponível no SCR todo o endividamento das pessoas (físicas e jurídicas) com o sistema financeiro nacional, quer como tomadoras de empréstimos, quer como garantidoras (avalistas ou fiadoras). Seu comportamento como prestamistas também constam nos arquivos, como, por exemplo, se os clientes são bons ou maus pagadores, os atrasos médios, limites de crédito etc. Segundo Fortuna (1999), pode ser definido como “um conjunto de instituições que se dedicam, de alguma forma, ao trabalho de propiciar condições satisfatórias para a manutenção de um fluxo de recursos entre poupadores e investidores”. O local onde se processam essas transações é denominado “mercado financeiro”; ele permite que um indivíduo ou empresa (“agente econômico”) detentor de poupança, seja colocado em contato com outro, que demanda essa poupança para investimento. Foi constituído inicialmente por cooperativas de médicos; atualmente abrange os demais profissionais da área de saúde. Surgiu para administrar os recursos gerados pelo Sistema Unimed (cooperativas de trabalho médico), permitindo que nelas ficassem os lucros que seriam, de outra forma, auferidos por outras instituições financeiras. O Sistema é composto pela Confederação, 9 cooperativas centrais e 122 singulares, 301 PACs e 206.000 associados em 25 Estados (dez/2009). É a diferença entre o custo de captação da instituição e a taxa cobrada nos empréstimos aos clientes. O spread é composto basicamente por: a) despesas administrativas; b) tributos diretos e indiretos; c) expectativa de inadimplência e d) expectativa de lucro (sobras) para a Instituição. Também chamada de “Sistema Francês de Amortização”, calcula o valor das prestações fixas de um empréstimo ou financiamento. É o custo médio efetivo que as instituições financeiras estão pagando e/ou cobrando nas operações interbancárias. É considerada o custo médio de mercado do dinheiro para as instituições. As taxas equivalentes são aquelas que produzem o mesmo resultado quando aplicadas sobre o mesmo valor, durante o mesmo período, embora estejam expressas em unidades de tempo diferentes. A taxa nominal pode ser definida como uma taxa 119

Sistema Financeiro

Sistema UNICRED

Spread

Tabela Price

Taxa CDI

Taxa de juros equivalente

Taxa de juros nominal

negocial aceita entre as partes. É expressa em uma unidade de tempo que não coincide com a que será utilizada no processo de capitalização. Entretanto, é preciso considerar a taxa efetiva que pressupõe que sua unidade de tempo coincida com a unidade de tempo dos períodos de capitalização Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP Foi instituída em novembro de 1994 pelo Conselho Monetário Nacional, como forma de estimular os investimentos de longo prazo e remunerar as operações do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT e do PIS/PASEP. Substitui a Taxa de Referencial de Juros – TR, nas operações de longo prazo realizadas pelo BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, sendo seu principal fator de correção (exemplo: operações Finame). É calculada com base na expectativa de inflação, representada pela meta inflacionária do governo acrescida do risco Brasil. Considera, também, as taxas de juros cobradas no mercado internacional. Taxa real é aquela que efetivamente reflete a remuneração do capital em função do indexador utilizado. Além da remuneração da taxa de juros há, também, a variação do indexador (geralmente o de inflação – IPCA). Diariamente os bancos realizam operações entre si e com o Banco Central. Invariavelmente, os bancos precisam tomar empréstimos de curtíssimo prazo para cobrir deficiências momentâneas de caixa. A SELIC é a taxa de juros cobrada pelo Banco Central quando empresta dinheiro aos bancos. Os empréstimos são lastreados em títulos públicos de propriedade dos bancos. Também chamada de Financeiro, é a área da cooperativa que cuida da movimentação financeira do dia-a-dia. É um lugar onde os controles devem ser bastante rigorosos e é imprescindível a agilidade na tomada de decisão. Nas cooperativas menores, é muito comum o gerente responsável pelas operações ativas e passivas atuar, também, na Tesouraria. Com o crescimento da cooperativa, geralmente ocorre uma divisão de tarefas, ficando a tesouraria a cargo de um gerente exclusivo. É uma modalidade de transação “on-line” pela qual a instituição financeira recebe e disponibiliza, no mesmo dia (às vezes, em pouco minutos), o crédito ao 120

Taxa de juros real

Taxa SELIC

Tesouraria

Transferência Eletrônica Disponível (TED)

beneficiário da transferência. Apresenta segurança e rapidez uma vez que a confirmação dos valores é em tempo real (na mesma hora), não dependendo do movimento na Câmara de Compensação do Banco do Brasil. Atualmente somente podem ser enviados, via TED, valores iguais ou superiores a R$ 3 mil. Um objetivo do Banco Central é diminuir gradativamente este limite.

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