IBP1227_12 PROPAGAÇÃO E INFLUÊNCIA DE BOMBEAMENTO NO TRANSPORTE DE DERIVADOS DE PETRÓLEO EM UMA REDE DE DUTOS Camila B. de Borba¹, Liège B.

Klüppel², Flávio Neves Jr.³, Paulo C. Ribas4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Este artigo apresenta o trabalho desenvolvido em uma rede de dutos que transporta derivados de petróleo. O transporte ocorre em lotes de determinado produto, as chamadas bateladas, que possuem uma rota definida: uma origem de bombeamento, um destino para o seu recebimento e os dutos que deve percorrer. A rede estudada apresenta um total de trinta dutos interligados por quatorze possíveis locais de bombeamento e/ou recebimento, o que torna não trivial a obtenção da ordem das bateladas nos dutos. A fim de obter a lista ordenada de passagem de bateladas nos dutos da rede em questão, foi desenvolvido um algoritmo capaz de propagar uma lista de bateladas que possuem apenas rota, tempo de início e tempo de final de bombeamento na origem. Tal algoritmo é parte integrante de um projeto maior cujo objetivo é a obtenção de uma ferramenta de auxílio ao processo de tomada de decisões operacionais em uma rede real de dutos (Boschetto et al., 2010a). O módulo desenvolvido consegue ainda gerar os tempos de entrada e saída de cada batelada para cada duto por onde ela passa, podendo ser feitas análises ou validações com essas informações. Ao final do processamento, o resultado é uma lista com todos os bombeamentos de todas as bateladas em todos os dutos por onde ela deveria passar. Com isso, é feito um pequeno pós-processamento em que essa lista é ordenada, primeiramente por duto e depois por tempo de início de entrada no duto, o que faz com que naturalmente a lista de passagem das bateladas nos dutos seja obtida. Este trabalho fundamenta-se no desenvolvimento apresentado por Czaikowski et al (2008).

Abstract
This paper presents the work developed on a pipeline network that transports oil derivatives. The transport occurs in batches of a specific product, each one having a defined route: the pumping origin, a destination for its receipt and the pipelines which the product is moved through. The network studied has a total of thirty pipelines connected by fourteen possible areas of pumping and/or receiving, this makes it not trivial to obtain the batches order in the pipeline. In order to obtain the passage of batches ordered list in the pipeline network, was developed an algorithm capable of propagating a batches list that only have route, start time and end time of pumping in the origin. This algorithm is part of a larger project whose goal is to obtain a tool to aid the process of operational decision making in a real pipeline network (Boschetto et al., 2010a). The developed module can also generate the entry and exit times of each batch for each pipe through which it passes. With this information, analysis and/or validations can be made. At the end of the process, the result is a list of all the pumped batches in all pipes where it must go by. Thus, it is made a small pos-processing where the list is sorted, first by pipeline and then by start time of entry into the duct, which naturally causes the passage of the batches list in the ducts to be obtained. This work is based on the development presented by Czaikowski et al (2008).

______________________________ 1 Engenheira de Equipamentos - PETROBRAS 2 Estudante de Engenharia de Computação – UTFPR 3 Professor Doutor – UTFPR 4 Analista de Pesquisa Operacional – CENPES/PETROBRAS

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
O transporte de derivados de petróleo desde sua origem até o ponto final de consumo é feito através de diversas formas, porém, a mais comum atualmente no território brasileiro é por meio da utilização de dutos. Dado que este tipo de transporte provou ser confiável e econômico (Boschetto et al., 2010a). As operações de transporte em uma cadeia produtiva devem ser executadas de maneira a não comprometer as outras operações, já que o excesso ou falta de suprimentos, matéria prima ou produtos estocados prejudicam a eficiência de qualquer corporação (Czaikowski et al., 2008). Enquanto atrasos implicam escassez de recursos ou perda de tempo, entregas adiantadas comprometem a alocação dos mesmos, podendo gerar excesso de estoques, o que significa capital imobilizado e, consequentemente, perda de outras oportunidades geradoras de capital. Cresce assim o interesse pelas atividades de planejamento e agendamento de produção pela indústria petrolífera, o que motiva o desenvolvimento de ferramentas capazes de auxiliar no processo de tomada de decisão, em especial as que fazem uso de técnicas de otimização. Embora tenha em vista a utilização de recursos de uma maneira mais eficiente, lucrativa e confiável, normalmente estes problemas oferecem grandes desafios devido a sua dimensão e complexidade. O agendamento da distribuição de produtos usando dutos, embora seja uma atividade fundamental, ainda não possui uma abordagem de solução consolidada. Rejowski e Pinto (2008) mencionam que o problema possui elevado grau de complexidade e que em muitos casos possui um número pequeno de soluções viáveis. Sendo assim, para obter soluções viáveis de alta qualidade, o uso de ferramentas de otimização é crucial. Mesmo para especialistas experientes, a obtenção de uma solução viável não é trivial, pois é necessária a análise de um grande número de variáveis para se obter o agendamento das atividades em uma rede de dutos. Normalmente, o agendamento é feito por esses especialistas com base em suas experiências e uso de cálculos manuais. Sendo assim, existe uma motivação ao desenvolvimento de um modelo que auxilie nas decisões das atividades de agendamento de curto prazo. Moro (2000) cita que o objetivo da otimização de operações de transferência e estocagem de petróleo ou derivados é alcançar melhores condições de operação, segundo determinados critérios, sem alterar a malha de válvulas, bombas e dutos, usando um melhor caminho para a transferência de produtos. Como parte integrante de um projeto maior que visa à obtenção de uma ferramenta que auxilie no processo de tomada de decisões operacionais em uma rede real de dutos, este artigo está organizado como segue. A Seção 2 apresenta o problema de transferência de derivados de petróleo, destacando principais características e restrições que devem ser consideradas na otimização do processo. Em seguida, a seção 3 contextualiza o módulo de Propagação. Na Seção 4, são apresentados os principais resultados obtidos. Por fim, é feita a conclusão do presente trabalho.

2. Descrição do Problema
Nesta seção são abordadas as características específicas da rede analisada, também apresentado com detalhes em Felizari et al. (2007) e Neves-Jr et al. (2007). Esta rede é composta por diferentes áreas operacionais como refinarias, terminais de distribuição, terminais portuários e clientes finais interligadas por trechos de dutos, os quais operam o transporte de produtos (derivados do petróleo e produtos orgânicos). A Figura 1 apresenta um grafo direcionado que representa uma simplificação da rede, onde os nós representam as áreas e os arcos representam os trechos de dutos.

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Figura 1. Grafo simplificado da rede analisada A rede apresentada na Figura 1 consiste em 14 áreas (nós): consiste em 2 clientes finais (N2 e N14), 4 refinarias (nós N3, N4, N5 e N6), 2 terminais portuários (N7 e N10) e 6 terminais de distribuição (N1, N8, N9, N11, N12 e N13) que recebem ou enviam produtos. Sendo que o nó N1, em particular, representa uma área contendo apenas um conjunto de bombas e válvulas, não possuindo tanques para armazenamento de produtos. As áreas são conectadas por 29 dutos unidirecionais e bidirecionais (em casos de reversão de fluxo), cada duto possuindo um volume particular. Mais de 14 tipos de derivados de petróleo podem ser transportados nesta rede, sendo que um produto pode levar várias horas até atingir seu destino final pelo fato de que cada batelada pode permanecer em um duto até outra empurrá-la. Uma operação típica pode envolver o bombeamento de uma batelada através de várias áreas. Por exemplo, no bombeio de uma batelada do nó N6 ao nó N14, que passa pelos nós N8, N11 e N12 a batelada percorre os dutos 25, 2, 5 e 18, respectivamente. As operações de transferência devem ocorrer dentro de um horizonte de 30 dias, prezando o atendimento de requisitos de entrega, mantendo os estoques de refinarias e terminais dentro de limites práticos, e ao mesmo tempo gerenciar a utilização/ocupação dos dutos do sistema. Dentro desse horizonte, as bateladas, cujos volumes devem ser compatíveis com restrições de armazenamento e fatores econômicos, devem ser enviadas através de rotas de fluxo preferenciais para cada produto. Cada rota de fluxo é definida por uma sequência de áreas e dutos intercalados, construindo o caminho de movimentação das bateladas desde a origem até o destino. Nesse sentido, uma mesma rota pode ser usada por bateladas com produtos e vazões diferentes. Com base no exemplo anterior, a rota que a batelada percorreria a partir da área N6, com destino em N14 contém os seguintes elementos: {N6, 25, N8, 2, N11, 5, N12, 18, N14}. Além disso, bateladas podem ser bombeadas por diferentes fontes, por exemplo, os nós N4 e N6. Sendo assim, a rota da área de origem até a área de destino pode ser longa. Uma vez que os dutos são recursos compartilhados, o bombeamento de uma batelada específica em cada duto deve respeitar uma série de operações de bombeamento que estão em curso. Com tais definições conclui-se que, embora seja conhecida a ordem com que as bateladas passam em dutos onde há bombeamento, em dutos onde não há bombeamento, a obtenção desta lista ordenada não é algo trivial. Deve ser observado que uma batelada bombeada em sua origem afetará todas as bateladas existentes naquele duto e em todos os dutos seguintes por onde as bateladas que já estavam no duto devem passar. Sendo assim, quando uma batelada passa de um duto a outro, não necessariamente existe uma bomba nesse segundo duto por onde essa batelada se movimenta, ou seja, ela é empurrada por outras bateladas até que alcance seu destino. O conjunto que contém todas as bateladas afetadas por um bombeamento na origem é chamado de chaveamento. Ao analisar todos os chaveamentos que acontecem na rede, pode-se notar que a ordem das bateladas nos dutos intermediários depende de bombeamentos que não aconteceram nele, ou seja, toda a rede deve ser analisada em conjunto para que a ordem obtida seja a correta.

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3. Algoritmo de Propagação
O algoritmo desenvolvido a fim de gerar as listas de bateladas ordenadas tem como entrada duas listas: BatED e BatBomb . A primeira contém todas as bateladas que estão estocadas no duto no início do cenário. Chamadas de bateladas de estoque duto. A segunda lista é formada por todas as bateladas bombeadas na origem, sendo esta a lista principal para o funcionamento do algoritmo. A Tabela 1 apresenta os dados referentes à lista de bateladas de estoque duto com os principais parâmetros e dados retirados de um cenário de teste. Tabela 1. Lista de Bateladas de Estoque Duto Duto ED 01 01 01 02 02 02 Posição ED 1 2 3 1 2 3 Batelada 221 520 046 808 808 808 Volume [m³] 3300 4300 15700 4418 1276 8106 Órgão Final N8 N8 N8 N14 N12 N11 Volume Duto [m³] 23300 23300 23300 13800 13800 13800 Sentido R R R N N N

A primeira linha desta tabela pode ser compreendida da seguinte forma: a batelada de código 221 e volume de 3.300m³ é uma batelada de estoque duto que no início do cenário encontra-se parada no duto 01, cujo volume é de 23.300m³. O órgão final do recebimento, ou seja, o órgão onde a batelada será entregue é o órgão N8. Ela está localizada na primeira posição do estoque duto e seu sentido é reverso, ou seja, percorre no duto o caminho do órgão de destino ao órgão de origem. Foi criada uma convenção para estabelecer a posição das bateladas de estoque duto. A batelada que se encontra mais próxima do órgão de destino do duto é considerada a batelada da primeira posição. Já a batelada que se encontra mais próxima da origem do duto tem a posição de maior número. Além dos dados apresentados na Tabela 1, a lista ainda possui outros parâmetros: código do produto que está em estoque no duto, código da rota que a batelada percorre, todos os dutos por onde a batelada ainda deve passar (incluindo o duto onde ela encontra-se estocada), a posição destes dutos na rota e órgãos de origem e destino do duto. Na Tabela 2 estão os dados da lista de bateladas bombeadas na origem com os principais parâmetros e dados retirados do mesmo cenário de teste. Tabela 2. Lista de Bateladas Bombeadas na Origem Batelada Tempo Inicial [h] 0 0 0 0,20472 3,13333 13,67528 21,05194 22 Tempo Final [h] 0,20472 0,36361 22 13,30611 3,51333 20,14028 40,13528 46 Volume Bombeado [m³] 174 309 11000 9826 114 2586 11450 12000 Vazão de Bombeamento [m³/h] 850 850 500 750 300 400 600 500 Órgão de Bombeamento N3 N3 N4 N3 N3 N3 N6 N4 Duto Volume [m³] 10000 6000 11000 10000 2700 2700 15000 12000

049 047 052 049 053 053 073 094

12 11 01 12 10 10 24 01

A tabela pode ser entendida da seguinte forma: por exemplo, na primeira linha, a batelada de código 049 e volume de 10000m³ tem 174m³ do seu volume bombeado pelo órgão N3 a uma vazão de 850m³/h do tempo 0 h ao tempo 0,20472 h. Além dos dados presentes na Tabela 1, esta lista ainda possui outros parâmetros: código do produto que está sendo bombeado, código da rota que a batelada percorre, todos os dutos por onde a batelada passa e a posição destes dutos na rota, bem como todos os órgãos de passagem, ou seja, órgãos por onde a batelada entra nos dutos. Com base nos tempos de bombeamento da lista BatBomb o algoritmo gera uma lista com intervalos de tempos, chamados de eventos, cuja duração deve ser suficiente para que um chaveamento não interfira no outro. Para isso, primeiramente, uma lista é gerada com os tempos de início e final de bombeamento ordenados crescentemente. Os eventos criados simplesmente possuem a duração de dois intervalos de tempo adjacentes. Como exemplo, considerando a tabela anterior, os eventos criados seriam como mostra o Quadro 1.

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Quadro 1. Eventos Tempo Inicial 0 0,20472 0,36361 3,13333 3,51333 13,30611 13,67528 20,14028 21,05194 22 40,13528 Tempo Final 0,20472 0,36361 3,13333 3,51333 13,30611 13,67528 20,14028 21,05194 22 40,13528 46

Criada a lista de eventos, a próxima etapa consiste em verificar quais bateladas entraram na rede para cada evento. É interessante notar que cada evento pode ter mais de uma batelada movimentada e que esses bombeamentos não interferem entre si, ou seja, são independentes, conforme exemplificado na Figura 2. Neste caso é possível verificar que o bombeamento da batelada 133 do duto D25 afeta também o duto D2, uma vez que a batelada 122 está sendo movimentada em ambos os dutos. Simultaneamente está acontecendo o bombeamento da batelada 135 no duto D3 e da 199 no duto D1, que não afetam mais nenhum outro duto. Isso implica que um evento nunca poderá ter o mesmo duto sendo afetado por dois bombeamentos.

Figura 2. Bateladas bombeadas durante um evento Além disso, é definida também qual a quantidade total de produto que deverá ser propagado nesse evento, referenciado aqui como Volume Total de Propagação do Evento. Para isso, define-se o intervalo de tempo, dentro do evento, durante o qual a batelada foi bombeada. O volume total de produto propagado é calculado de acordo com a Equação 1, onde v é a vazão de bombeamento da batelada, e tf e ti são os tempos de final e início de bombeamento durante os quais a batelada é bombeada, respectivamente.

vol  v * (tf  ti )

(1)

Como exemplo, podemos citar o bombeio da batelada 047, presente na segunda linha da Tabela 2. No primeiro evento (primeira linha do Quadro 1), o volume propagado da batelada é definido como 174,012m³. No segundo evento, o volume propagado desta batelada é de 135,0565m³. Cria-se então uma lista com todas as bateladas bombeadas para cada evento, ordenada de acordo com os tempos dos eventos, em ordem crescente. Para dar continuidade ao algoritmo, precisa-se achar, para cada batelada selecionada, o chaveamento dela na rede naquele evento. O chaveamento é calculado verificando-se todas as bateladas do duto em questão até que a última batelada desse duto seja alcançada. Então, é feita a verificação do próximo duto por onde essa 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 última batelada deverá passar e assim o processo continua até que uma das bateladas encontradas esteja para ser entregue ao seu destino. Um exemplo disso pode ser verificado na Figura 3. Neste exemplo, a batelada 227 está no duto D3 e o próximo duto por onde passará é o duto D2, mesmo duto onde se encontram as bateladas 222 e 216. Sendo assim, o chaveamento neste caso consiste nessas três bateladas em seus respectivos dutos.

Figura 3. Exemplo de chaveamento Da verificação do chaveamento, é possível observar qual deverá ser o Mínimo Volume A Ser Propagado para que esse chaveamento não se altere. Esse mínimo volume não necessariamente será igual ao Volume Total de Propagação do Evento. Com o Mínimo Volume A Ser Propagado calculado, as bateladas são propagadas na rede, isto é, acontece a movimentação destas bateladas nos dutos. O chaveamento da rede deve então ser recalculado e um novo Mínimo Volume A Ser Propagado deve ser encontrado. Esse processo deve ser repetido até que o Volume Total de Propagação do Evento seja alcançado. A Figura 4 exemplifica o cálculo do Mínimo Volume A Ser Propagado. Este exemplo ilustra o bombeamento da Batelada de Bombeio 128 a partir do Órgão de Bombeio N3, considerando que 3.569m³ dessa batelada já foram bombeados para dentro do duto D32. Observa-se, também, que a batelada 130 é a Batelada de Recebimento e está sendo recebida no Órgão de Recebimento N4. O chaveamento desta rede consiste das bateladas 128 e 222 no duto D32, das 130 e 222 no duto D25 e da batelada 130 no duto D54. Este chaveamento irá sofrer alteração quando a cabeça de uma das bateladas afetadas atingir um órgão presente em sua rota ou até que a batelada de bombeio seja bombeada completamente. Para o caso da Figura 4, sendo que a batelada 128 possui volume total de 12.000m³, o Mínimo Volume A Ser Propagado terá o valor de 4.731m³. Valor referente ao volume faltante para a cabeça da batelada 128 atingir o órgão N2.

Figura 4. Exemplo de Bombeamento É interessante notar que alterações no chaveamento também ocorrem quando duas bateladas no mesmo duto possuem destinos diferentes, ou quando uma batelada, que se encontra no meio do chaveamento, alcança seu destino antes da última batelada ser completamente entregue. Toda a alteração que o bombeamento de uma batelada gerou nos dutos influenciados, ou o estado da rede no final daquele evento, é armazenada para que no próximo evento a rede esteja 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 organizada e pronta para os novos cálculos, conforme Figura 5. Assim, este cálculo é realizado para todos os eventos existentes. Na Figura 5, seguindo o exemplo da Figura 3, acontece o bombeamento de uma parte da batelada 284, que influencia e move todas as bateladas daquele chaveamento.

Figura 5. Exemplo de Alteração no Chaveamento Deve-se observar que cada batelada que entra na rede faz com que várias outras bateladas sejam movimentadas, ou seja, cada vez que uma batelada entra em um duto, a batelada que se encontra no lado oposto sai deste mesmo duto, e assim, a parte que saiu deve ser incluída no próximo duto de sua rota, até que alcance seu destino. Com isso é possível obter as entradas e saídas de cada batelada por cada duto e o momento em que isto aconteceu. A obtenção da ordem de passagem das bateladas pelos dutos acaba sendo obtida como conseqüência, pois ela é o reflexo de tudo o que já foi calculado e passou pelo duto. Ao final de todo o processamento, o resultado é uma lista com todos os bombeamentos de todas as bateladas em todos os dutos por onde ela deveria passar. Com isso é feito um pós-processamento em que essa lista é ordenada, primeiramente por duto e depois por tempo de início de entrada no duto, o que faz com que naturalmente a lista de passagem das bateladas nos dutos seja obtida.

4. Resultados
Como resultado, cinco listas são criadas: ord_bat, list_bomb, list_rec, list_bomb_agrp e list_rec_agrp. A primeira lista contém a ordem com que as bateladas passam por cada duto. A segunda e a terceira consistem nos dados temporais de bombeio e de recebimento das bateladas, respectivamente. Já a quarta lista possui os mesmos dados que a segunda com a diferença que as partes das bateladas que possuem bombeamento contínuo e mesma vazão são agrupadas. Analogamente, a última lista é obtida similarmente a quarta, porém, com os dados de list_rec. As Tabelas 3 e 4 apresentam os valores calculados para a batelada 049 da Tabela 2, referentes às listas list_bomb e list_rec, respectivamente. Tabela 3. List_bomb Batelada 049 049 049 Duto 12 12 15 Tempo Inicial [h] 0 0,20472 0,20472 Tempo Final [h] 0,20472 13,30611 13,53811 Tabela 4. List_rec Batelada 049 049 Duto 12 15 Tempo Inicial [h] 0,20472 1,64206 Tempo Final [h] 13,53811 14,97544 Volume [m³] 10000 10000 Vazão [m³/h] 750 750 Parte 1 2 7 Volume [m³] 174 9826 10000 Vazão [m³/h] 850 750 750 Parte 1 2 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 A Tabela 3 pode ser entendida da seguinte forma: a batelada 049 primeiramente teve 174m³ do seu volume bombeado entre os instantes de 0 h a 0,20472 h a uma vazão de 850m³/h no duto 098. No mesmo duto, uma segunda parte da batelada é bombeada a uma vazão de 750m³/h, entre os instantes de 0,20472 h a 13,30611 h, totalizando um volume de 9.826m³ bombeados. A terceira e última parte da batelada bombeada passa pelo duto 104 a uma vazão de 750m³/h, terminando seu bombeio no instante 13,53811 h, resultando no bombeio do volume total da batelada, 10.000m³. Já a Tabela 4 representa os instantes de recebimento das bateladas. Sua primeira parte é recebida a uma vazão de 750m³/h no duto 098 nos instantes de 0,20472 h a 13,53811 h. Já sua segunda parte é recebida no duto 104, com mesma vazão, nos instantes de 1,64206 h a 14,97544 h. É interessante notar que, embora a batelada tenha sido bombeada em 3 partes, ela é recebida em apenas 2. Isto confirma a premissa anterior de que uma batelada é influenciada não só pelo seu próprio bombeamento, como também pelo bombeamento de várias outras bateladas. A lista ord_bat está representada no Quadro 2, com as cinco primeiras bateladas que passam pelo duto 01. Quadro 2. Ord_bat Duto 01 01 01 01 01 Batelada 221 50 046 052 094 Ordem 1 2 3 4 5

Pode-se observar que as três primeiras bateladas são as mesmas presentes na lista de bateladas de estoque duto da Tabela 1. Já as duas últimas encontram-se na lista de bateladas bombeadas da Tabela 2. Podemos concluir que a ordem destas bateladas no duto 01 está coerente, pois as bateladas bombeadas sempre passarão pelo duto após as que estavam previamente estocadas no mesmo.

5. Conclusões
O presente artigo propôs uma abordagem computacional para determinar a ordem com que bateladas passam pelos dutos baseado apenas nos tempos de início e final de bombeamento das mesmas pelos seus órgãos de origem. O algoritmo identifica quais bateladas influenciam o deslocamento dos volumes de outras bateladas ao longo da rede em estudo. O algoritmo, implementado em linguagem de programação C#, identifica quais bateladas influenciam o deslocamento dos volumes de outras bateladas ao longo da rede em estudo. Além disso, os problemas de teste utilizados na validação do sistema representam cenários reais de uma malha dutoviária, onde a dificuldade de programação das atividades é um problema enfrentado pelos especialistas da área. Conclui-se que os resultados foram condizentes com o esperado (Tabelas 3 e 4 e Quadro 2), mostrando que a abordagem proposta é eficiente, além de fornecer dados com os quais podem ser feitas análises e validações (list_bomb e list_rec).

6. Agradecimentos
Este trabalho recebeu o apoio financeiro da ANP/FINEP (PRH-ANP/FINEP, PRH10/UTFPR), PFRHPETROBRAS (Convênio 6000.0067933.11.4), CENPES-PETROBRAS (TC 0050.0066666.11.9) e CNPq (grants 304037/2010-9 e 311877/2009-5).

7. Referências
BOSCHETTO, S. N., MAGATAO, L., BRONDANI, W. M., NEVES-JR, F., ARRUDA, L. V. R., BARBOSA-PÓVOA, A. P. F. D., RELVAS, S. An Operational Scheduling Model to Product Distribution through a Pipeline Network, In: Industrial & Engineering Chemistry Research. DOI: 10.1021/ie900685v, 2010a. BOSCHETTO, S. N., POLLI, H. L., MAGATAO, L., NEVES-JR, F., RIBAS, P. C. Modelo de planejamento para uma rede de dutos real utilizando programação linear inteira mista. In: Rio Oil & Gas Expo and Conference, 2010b, Rio de Janeiro.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 CZAIKOWSKI, D. I., BRONDANI, W. M., ARANTES, L. G., BOSCHETTO, S. N., LUDERS, R., MAGATAO, L., STEBEL, S. L., RIBAS, P. C. Uma pré-análise do problema de otimização da programação das operações de uma malha dutoviária. In: Rio Oil & Gas Expo and Conference, 14., 2008, Rio de Janeiro. FELIZARI, L. C., ARRUDA, L. V. R., LÜDERS, R., NEVES-JR, F. Programação das atividades de transporte de derivados de petróleo em complexos dutoviários, In: 4º Congresso Brasileiro de P&D em Petróleo e Gás, Campinas, 2007. MORO, L. F. L. Técnicas de otimização mista inteira para o planejamento e programação de produção em refinarias de petróleo. Tese (Doutorado em Engenharia Química), Escola Politécnica de São Paulo, 2000. NEVES JR, F., ARRUDA, L. V. R., MAGATÃO, L., STEBEL, S. L., BOSCHETTO, S. N., FELIZARI, L. C., CZAIKOWSKI, D. I., AIRES, M. C., RIBAS, P. C., BERNARDO, L. F. J. Programação das operações de transporte de derivados de petróleo em redes de dutos. In: Rio Pipeline Conference & Exposition, 2007. REJOWSKI, R., PINTO, J. M. A novel continuous time representation for the scheduling of pipeline systems with pumping yield rate constraints. Computers and Chemical Engineering. v. 32, p. 1042-1066., 2008.

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