IBP1243_12 PROPOSTA DE INCLUSÃO DA TÉCNICA INSPEÇÃO BASEADA EM RISCO NA NORMA REGULAMENTADORA NR 13 Vinícius T. Esteves1, Marco Aurélio O.

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Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 13 (NR 13) estabelece requisitos para a inspeção de caldeiras e vasos de pressão com o principal objetivo de prevenir acidentes com esses tipos de equipamentos. Adicionalmente, tem-se a técnica Inspeção Baseada em Risco (RBI) como uma forma eficaz de gerenciar a integridade de diversos tipos de equipamentos mecânicos estáticos por meio de um planejamento da inspeção baseado no fator risco. Neste trabalho, está sendo proposta a inclusão da técnica RBI como método alternativo, na NR 13, para o planejamento e definição de prazos para a inspeção de segurança periódica de caldeiras e vasos de pressão, visando promover um acréscimo na segurança operacional em indústrias de processos no Brasil. Para tanto, é realizada uma análise crítica da NR 13 e da técnica RBI, além de uma pesquisa bibliográfica de diversos documentos internacionais que relacionam a segurança operacional de equipamentos pressurizados com a atividade de inspeção, e mostram como está a aceitabilidade de RBI por governos, órgãos e entidades ao redor do mundo. Considera-se que a inclusão e aceitação formal da técnica RBI na NR 13 deve vir acompanhada de um controle rigoroso para evitar a "banalização" do uso desta técnica e garantir a sua aplicação de forma racional, eficiente e confiável. Para isso, foram desenvolvidos e sugeridos elementos básicos e requisitos mínimos, a serem inseridos na NR 13, para serem atendidos, de forma mandatória, pelas empresas que optarem pela implementação e uso da técnica RBI como ferramenta para o planejamento da segurança periódica. Conclui-se que a aceitação formal da técnica RBI na NR 13 poderia agregar muito valor a essa norma, no que diz respeito à prevenção de acidentes envolvendo caldeiras ou vasos de pressão, além de proporcionar um salto tecnológico às empresas que fizerem o uso da técnica RBI no Brasil.

Abstract
In Brazil, the Regulatory Standard nº 13 (NR 13) establishes requirements for the inspection of boilers and pressure vessels which has main objective of preventing accidents with these types of equipment. Additionally, it has the RiskBased Inspection (RBI) technique as an effective way to manage the mechanical integrity of various types of static mechanical equipment by through an inspection planning based on the risk factor. In this study, it is being proposed to include the RBI technique, in the NR 13, for the planning and definition of periods for the safety inspection of boilers and pressure vessels in order to promote an increase in the operational safety in process industries in Brazil. In this study it was carried out a critical analysis of NR 13 and RBI, and beyond that a bibliographic research of various international documents that relate the operational safety of pressurized equipment with the inspection activity, and the acceptability of RBI by governments, agencies and organizations around the world. It is considered that the inclusion and formal acceptance of RBI technique in the NR 13 must be accompanied by a rigorous control to avoid the "trivialization" of its use and ensure the implementation rational, efficient and reliable. Finally, it was developed and suggested basic elements and minimum requirements to be inserted in the NR 13, to be attended, in order mandatory, by the companies that choose the implementation and use of the RBI technique as a tool for the planning of safety inspection of boilers and pressure vessels. It is concluded that the formal acceptance of the RBI technique in the NR 13 could aggregate much value to this standard, with regard to the prevention of accidents involving boilers or pressure vessels, and provide a technological jump to the companies that make use of RBI technique in Brazil.

______________________________ 1 Engenheiro Mecânico – Det Norske Veritas Ltda. 2 Mestre, Engenheiro Mecânico – Det Norske Veritas Ltda.

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

1. Introdução
O principal objetivo deste trabalho é propor na Norma Regulamentadora para Caldeiras e Vasos de Pressão - NR 13 a inclusão da técnica Inspeção Baseada em Risco (Risk-Based Inspection – RBI) como método possível de ser utilizado para a determinação de prazos e técnicas de inspeção a serem utilizados no planejamento da inspeção de segurança periódica para vasos de pressão e caldeiras e demonstrar que esta inclusão poderia contribuir, efetivamente, para a manutenção da integridade dos equipamentos estáticos, diminuição da probabilidade de falha e riscos dos mesmos e, por consequência, aumento do nível de segurança destes. Muito utilizada mundialmente, a técnica RBI ainda encontra alguns entraves para a sua disseminação no Brasil, tais como a limitação dos prazos para inspeção periódica de equipamentos pressurizados estabelecidos pela NR 13. Diversos países já consideram a inspeção baseada em risco como uma forma eficaz de determinar o planejamento da inspeção para equipamentos pressurizados. Diversas normas internacionais, inclusive, já aceitam a técnica RBI como uma maneira eficiente, segura e economicamente viável no que diz respeito à busca pela disponibilidade e segurança dos ativos industriais. Entende-se, portanto, que uma aceitação formal da inspeção baseada em risco na NR 13 possibilitará um ganho na segurança operacional na indústria brasileira, na maior compreensão dos riscos, e contribuirá para salvaguardar as pessoas, os ativos e o meio-ambiente. Entretanto, o direito de uso da técnica RBI para o propósito de planejamento da inspeção deverá se dar somente sob condições/critérios técnicos preestabelecidos – e sugeridos neste trabalho. Essas condições/critérios visam evitar a “banalização” da aplicação da técnica RBI e um possível comprometimento do ganho esperado quanto ao aumento da segurança e disponibilidade das instalações.

2. Norma Regulamentadora NR 13
As Normas Regulamentadoras (NRs) surgiram da necessidade da redução da enorme quantidade de acidentes de trabalho que assolava o Brasil na década de 70. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) regulamentou os artigos contidos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) por meio da Portaria nº 3.214/78, criando vinte e oito Normas Regulamentadoras. Atualmente, o Brasil conta com trinta e cinco NRs que regulamentam e fornecem orientações sobre procedimentos obrigatórios relacionados à Segurança e Medicina do Trabalho no País. Objeto deste trabalho, a Norma Regulamentadora nº 13 tem como principal objetivo a prevenção de acidentes envolvendo caldeiras e vasos de pressão e, além disso, regulamenta as suas instalações, manutenções e inspeções. Entretanto, este trabalho tem a finalidade de debater apenas os itens pertinentes à inspeção de segurança periódica de Caldeiras e Vasos de Pressão presentes na norma regulamentadora. Para estabelecer prazos para inspeção, a NR 13 classifica as caldeiras em três categorias considerando a pressão de operação e/ou volume interno. Esse conceito, também adotado por outras normas internacionais, representa a energia disponível em uma caldeira. Dessa forma, quanto maior a energia, maiores serão os riscos envolvidos. A norma estabelece que as caldeiras devem ser submetidas a inspeções de segurança inicial, periódica e extraordinária. No que se refere à inspeção de segurança periódica, constituída por exames interno e externo, os prazos máximos para serem executados variam de 12 meses a 40 meses a depender da categoria da caldeira e da existência ou não de Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos (SPIE), por exemplo. Já na classificação para os vasos de pressão, a norma categoriza os equipamentos segundo o tipo de fluido contido e o potencial de risco. Para tanto, é considerado a inflamabilidade e toxicidade do fluido, por exemplo, e o produto entre a pressão de operação do vaso e o seu volume. De maneira análoga às Caldeiras, a categoria desses tipos de equipamentos irá determinar o prazo máximo para inspeção de segurança periódica. Essa NR não detalha métodos ou procedimentos de inspeção, muito menos a sua abrangência e técnicas a serem utilizadas. Essas atividades são de competência do Profissional Habilitado (PH), que, normalmente, fará estas definições com base em códigos e normas internacionalmente reconhecidos e/ou da própria companhia, boas práticas de engenharia e histórico do equipamento.

3. Inspeção Baseada em Risco (RBI)
A técnica RBI é um método para uso do risco como base para priorizar e gerenciar os esforços de um programa de inspeção (RAMESH, 2005). Os resultados da análise, além de definirem exatamente o quê, quando e como inspecionar, também permitem focar as atividades de inspeção e manutenção, alocando os melhores recursos nos equipamentos de mais alto risco e criticidade (OHLWEILER, 2010). O objetivo da técnica RBI é determinar os efeitos que poderiam ser provocados por um acidente (consequência) no evento de falha do equipamento, e a frequência (probabilidade) que esse acidente pode acontecer (API, 2009a). A 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 combinação da probabilidade de um ou mais eventos com a consequência irá determinar o risco de segurança de processo oferecido pelo componente analisado. Então, se a combinação da probabilidade e consequência é alta o suficiente para o risco ser considerado como inaceitável, uma ação para reduzir ou eliminar a probabilidade e/ou a consequência do evento se faz necessária. A probabilidade de falha (variável no tempo) é determinada pela combinação de três fatores principais de influência: frequência de falha genérica, o fator dano e o fator do sistema de gestão de segurança da empresa. A frequência de falha genérica representa a frequência de falha antes de qualquer dano específico ocorrido a partir da exposição ao ambiente de processo, com distinção, por exemplo, pelo tipo de equipamentos (vasos de processo, sistemas de tubulação, torres, entre outros). O fator do sistema de gestão contabiliza a efetividade do Sistema de Gestão de Segurança de Processo da empresa que pode refletir, diretamente ou indiretamente, na integridade mecânica dos componentes analisados pela técnica RBI. O fator dano é determinado de acordo com os mecanismos de danos aplicáveis aos materiais de construção, condições de processo de cada equipamento, condições físicas (resistência aos mecanismos de danos) do componente e as técnicas de inspeção usadas para detectar e quantificar o dano. Além disso, o fator dano também é determinado como uma função da efetividade de inspeção (caracterização da capacidade do método ou técnica de inspeção em determinar e quantificar corretamente as taxas dos danos). A análise de consequência na técnica RBI é realizada de maneira a fornecer a discriminação entre os itens dos equipamentos com base na significância de uma falha potencial. Para obter o valor desse item no estudo RBI, utilizam-se técnicas de análise de consequência bem estabelecidas, e os resultados podem ser expressos em “termo financeiro” e/ ou “área impactada”. Métodos mais ou menos detalhados, com diferentes níveis de complexidade, podem ser usados, dependendo da aplicação desejável para a estimativa, e os resultados podem estabelecer, adicionalmente, um ranking relativo dos riscos dos itens de cada equipamento. Após o estudo individual da probabilidade de falha e da sua consequência, combinam-se os resultados para obter o risco individual de cada componente do equipamento, sistema ou unidade. Na técnica RBI, o estudo do risco serve de parâmetro para avaliar os critérios de aceitabilidade e priorizar a implementação do plano de gerenciamento de riscos e do plano de inspeção dos equipamentos. Uma observação importante é que na técnica RBI o gerenciamento do risco, normalmente, é feito gerenciando-se a probabilidade de falha por meio de planos de inspeção (MARANGONE, 2005). Toda vez que uma inspeção é feita, dirigida a um determinado mecanismo de dano de possível presença no equipamento, a probabilidade de falha por este mecanismo de dano ocorrer diminui. É dessa forma que o risco é reduzido para parâmetros aceitáveis nos equipamentos estáticos por meio da RBI (OHLWEILER, 2010). Fundamentando-se na redução da probabilidade, é realizado o plano de inspeção usando RBI com base no fato de que em algum momento do tempo o risco mensurado irá alcançar o risco alvo (nível de aceitabilidade do risco para propósito de planejamento de inspeção). Nesse instante, ou anterior, é recomendado que a inspeção de equipamento seja realizada com embasamento no ranking dos mecanismos de danos para os componentes analisados que possuem maiores fatores de dano calculados. A realização da inspeção não necessariamente garante a redução do risco inerente associado com o componente do equipamento analisado, mas irá prover o conhecimento do verdadeiro estado de dano do mesmo e reduzir as incertezas (ESTEVES, 2011). 3.1. RBI em Legislações Internacionais Voltadas para a Segurança de Vasos de Pressão e Caldeiras Como principal referência para uso da Inspeção Baseada em Risco, a prática recomendada API RP 581 fornece procedimentos quantitativos para estabelecer um programa de inspeção utilizando a técnica RBI para equipamentos pressurizados estáticos, incluindo vasos de pressão, tubulações, tanques e dispositivos de alívio de pressão. Ela deve ser utilizada em conjunto com a prática recomendada API RP 580 que provê um guia para desenvolver um programa de Inspeção Baseada em Risco para indústrias petroquímicas, de refino e plantas de processos químicos (API, 2008). A diferença entre essas duas práticas recomendadas do Americam Petroleum Institute (API) é que a API RP 580 visa introduzir os princípios básicos e apresentar as diretrizes gerais sobre a técnica RBI, enquanto que a API RP 581 apresenta métodos de cálculos quantitativos para determinar um plano de inspeção usando a técnica Inspeção Baseada em Risco do API (API, 2008). Do mesmo órgão, o código API 510, que trata sobre a inspeção de vasos de pressão, admite o uso da técnica RBI para a definição do plano de inspeção desses equipamentos. RBI pode ser utilizada para determinar a periodicidade e o tipo e extensão das futuras inspeções/exames. Quando um usuário/proprietário optar por realizar uma avaliação RBI, esse deve incluir uma avaliação sistemática tanto para a probabilidade de falha quando para a consequência de falha, em conformidade com a API RP 580 e a API RP 581. Quanto à periodicidade de inspeção, a avaliação RBI permite exceder os limites de intervalos estabelecidos neste código para as inspeções internas, externas e em operação. No entanto, quando esses prazos sugeridos para as inspeções internas e em operação excedem o limite de 10 anos, a avaliação RBI deve ser revisada e aprovada por um engenheiro (API, 2006). No Canadá existem normas e códigos aplicáveis a corporações ligadas ao setor público federal e, além disso, cada Província é responsável pela elaboração e aplicação de normas referentes à segurança e saúde ocupacional no seu 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 território. Uma destas Províncias que possui legislação própria sobre esse tema é Alberta. A autoridade de segurança para equipamentos pressurizados nessa província é o órgão denominado “Alberta Boilers Safety Association” (ABSA) que administra a segurança por meio de leis e códigos sobre o assunto. Uma das principais leis sobre o tema é a “AB-506: Inspection & Servicing Requirements for In-Service Pressure Equipment” que se destina a prover uma abordagem consistente para o estabelecimento de segurança por meio de inspeção e que são aplicáveis para todos os setores. Este documento define os requisitos a serem seguidos para a inspeção de equipamentos pressurizados e, como complemento, aceita a introdução de um Programa de Inspeção Baseada em Risco (RBIP – Risk-Based Inspection Program) para aquelas empresas que assim desejarem. O RBIP pode ser usado para determinar a extensão e a frequência das inspeções, sendo que, a ABSA possui uma norma específica para definir o RBIP, a “AB-505: Risk-Based Inspection Requirements for Pressure Equipment” (ABSA, 2009). A AB-505 oficializa a aceitabilidade da aplicação de RBI em Alberta, que embora não seja obrigatória, a companhia que escolher aplicar a técnica pela ABSA para os seus equipamentos deve seguir os requisitos especificados na Inspection and Servicing Requirements Documents (ISRD) do próprio órgão. O propósito desse documento é a promoção e manutenção da segurança para equipamentos pressurizados em Alberta por meio da definição dos elementos essenciais a serem endereçados num programa RBI (ABSA, 2005). Já a norma “The Pressure Systems Safety Regulations 2000” (PSSR), mandatória no Reino Unido, tem como o seu objetivo principal a prevenção de lesões graves decorrentes do perigo da energia armazenada resultante da falha de um sistema de pressão ou um de seus componentes (UNITED KINGDOM, 2000). Em relação à inspeção, a responsabilidade de especificar a natureza, extensão e periodicidade são atribuições de uma “Pessoa Competente”, que deve realizar efetivamente uma avaliação de risco antes de fazer as recomendações (PEREIRA, 2002). Na PSSR, ao decidir sobre a periocidade entre os exames, o objetivo deve ser assegurar que os exames são realizados com a frequência realista para identificar, numa fase inicial, qualquer deterioração que é susceptível em afetar a operação segura do sistema. Em outras palavras, a frequência de inspeção dever ser consistente com o risco de falha do sistema associado a um determinado item (TWI AND ROYAL & SUN ALLIANCE ENGINEERING, 2001). Os equipamentos pressurizados instalados no território da Austrália estão sujeitos à inspeção periódica estabelecida pela norma “AS/NZS 3788: Pressure Equipment – In-Service Inspection”, sendo o proprietário o responsável por garantir que as mesmas estão sendo executadas. Além disso, os intervalos de inspeção nominal são dependentes do fluido de processo e da relação Pressão-Volume. Essa norma especifica os requisitos mínimos para a inspeção, reparo e alteração de caldeiras, vasos de pressão, tubulações, equipamentos de segurança e controles de segurança associados, e ainda dá orientação na execução de tais atividades. Ela fornece informações para facilitar o entendimento entre as partes interessadas e estabelece os requisitos mínimos para serviços de inspeção, incluindo os seus intervalos e procedimentos, para garantir uma operação segura e econômica (SAI GLOBAL, 2009). Como forma de auxiliar na elaboração do plano de inspeção, a AS/NZS 3788 aceita que esses planos possam ser feitos por meio de estudos de RBI e possibilita o aumento dos períodos de inspeção desde que possa ser justificado e aprovado pelos órgãos de inspeção. Para a validação do emprego dessa técnica, a mesma deve ser acordada previamente entre o proprietário/usuário dos equipamentos e o órgão de inspeção competente e justificar qualquer variação das práticas de inspeção adotadas por essa norma (OLAER FAWCETT CHRISTIE, 2006). Mundialmente, não existe um padrão único a ser usado para definir os planos de inspeção para equipamentos mecânicos estáticos, mas há certo consenso e tendência entre as leis/normas de que a melhor forma para fazer isto passa por uma análise minuciosa de cada equipamento quanto aos fatores que possam levar à falha de integridade mecânica e aos efeitos dessa falha. Entretanto, percebe-se uma forte tendência, principalmente entre os países mais industrializados e desenvolvidos, pela aceitação da técnica RBI para a determinação do planejamento da inspeção para equipamentos mecânicos estáticos. Sendo assim, seria bastante desejável que a legislação brasileira pertinente, a NR 13, pudesse seguir esses exemplos internacionais, o que representaria um grande avanço tecnológico na área de inspeção de equipamentos.

4. Gestão da Integridade Mecânica de Equipamentos Estáticos por meio da NR 13 e da Técnica RBI
4.1. Relação da NR 13 e da Técnica RBI com o Fator Risco O risco é uma propriedade intrínseca dos sistemas físicos e representa a combinação da probabilidade de ocorrer uma falha nesses sistemas e a consequência dessa falha (SUTTON, 1997). Logo, em uma análise de risco mais completa, esse estudo deve envolver a combinação da frequência de falha e de sua severidade, de modo que não contemplar na avaliação um desses dois fatores pode levar a resultados incoerentes ao esperado. Dessa forma, observa-se que uma das lacunas existentes na NR 13 é não considerar esses dois fatores (consequência e probabilidade) numa avaliação quantitativa para garantir a segurança operacional de vasos de pressão e caldeiras. Apesar de a norma considerar o potencial da falha ao categorizar qualitativamente os vasos de pressão, essa classificação é feita apenas com base nas características do fluido (criticidade) e da energia acumulada (produto Pressão x 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Volume) somente no equipamento (desconsiderado o fluido contido no grupo de inventário que este pertence, por exemplo), simplificando essa avaliação. Em relação à probabilidade de falha, não há uma relação clara na sua estimativa para a determinação dos prazos de inspeção, haja vista que esses prazos independem do estágio e evolução do dano no equipamento, pois os prazos máximos de inspeção permanecem inalterados com o tempo. Já a técnica RBI foca no cálculo do risco por meio da possibilidade de uma avaliação quantitativa da probabilidade de falha e da sua consequência de maneira sistemática e aprofundada, podendo levantar os reais perigos de falha de integridade dos equipamentos de processo. A probabilidade de falha calculada na técnica RBI considera três fatores principais de influência, abrangendo características intrínsecas do tipo de equipamento, da Gestão de Segurança de Processo da empresa e das condições de operação de cada componente do sistema. Já na consequência, é interessante analisar, individualmente, cada equipamento, mas ao mesmo tempo considerar todo o grupo de inventário que o mesmo está incluso, como já ocorre na técnica RBI. Entende-se que o potencial de causar efeitos nocivos a pessoas, ambiente e ativos por parte de cada equipamento não depende, somente, das características do fluido contido no mesmo e das condições de pressão e temperatura de armazenagem. Características como condições atmosféricas, tipo de vazamento e localização do equipamento devem ser também levadas em consideração na determinação da consequência de falha. Além disso, considerar apenas o potencial do fluido contido somente no equipamento acaba por, na maioria das vezes, apresentar resultados inferiores aos reais esperados. Portanto, nessa etapa deve ser considerado o potencial de todo o volume disponível para liberação (avaliar fatores como inventário disponível, tempo de detecção de vazamentos, tempo de isolamento do grupo de inventário, vazão etc.). Sempre que possível, o risco deve ser quantificado. Somente quando isso é feito é que se pode avaliar racionalmente as decisões acerca da segurança e definir as prioridades de mitigação/redução do risco (SUTTON, 1997). Ressalta-se que a norma NR 13 não tem como objetivo principal a avaliação do risco de operação dos vasos de pressão e caldeiras, porém quando o documento se propõe a garantir a prevenção de acidentes envolvendo esses equipamentos, esperasse que se leve em consideração o fator Risco, inclusive no planejamento da inspeção – importante elemento de gestão de segurança para a prevenção de acidentes de processo. 4.2. Programa de Inspeção de Equipamentos A atividade de inspeção tem como objetivo principal assegurar a integridade dos equipamentos e, consequentemente, a sua continuidade operacional de forma segura, por meio da redução da probabilidade de falhas inesperadas. É esperado que essa ação seja rotineira e sistemática para ser capaz de acompanhar a evolução dos mecanismos de danos (corrosão, fadiga e erosão, por exemplo) atuantes nos equipamentos, bem como as mudanças que podem ocorrer nas variáveis operacionais a que estão sujeitos. Sendo assim, devido à tamanha importância para a gestão de segurança de processo de uma indústria, a inspeção deve ser corretamente planejada, desde a definição das técnicas que serão empregadas, a abrangência e localidade até a sua periodicidade. A inspeção periódica está ligada diretamente à redução da probabilidade de falha, e, então, é recomendável considerar esse fator na determinação de qualquer plano de inspeção relacionado à segurança dos equipamentos, pessoas e meio ambiente. Além disso, avaliar o potencial do efeito de falha de integridade é levar em consideração a criticidade que o fluido contido e o sistema representam para a segurança, fator que também é muito importante para a priorização das atividades de inspeção. Dessa forma, a combinação da probabilidade de falha e da consequência de falha acaba por determinar o Risco de falha do equipamento. Na prática, observa-se que a concentração do risco alto está presente apenas numa pequena fração dos equipamentos de uma planta industrial. Com base nessa premissa, para se reduzir o risco global, é necessário criar programas de inspeção diferenciados para cada equipamento, verificando também que a efetividade desses programas pode aumentar com um levantamento mais preciso das características relacionadas à integridade (suscetibilidade e resistência aos diversos mecanismos de danos) e operacionais dos equipamentos (MOTA, 2003). Portanto, alguns dos elementos essenciais para a implantação de um programa de inspeção são: cálculo da probabilidade de falha, cálculo da consequência de falha, avaliação do risco e tipo do plano de inspeção. Um dos resultados desse planejamento é a determinação da periodicidade da inspeção dos equipamentos. A técnica RBI e a norma NR 13 possuem similaridades e diferenças quanto à consideração de cada um desses elementos, como pode ser visto na Tabela 1 que fornece uma breve descrição do tratamento desses elementos conforme esses dois itens. Entende-se que seria um grande avanço tecnológico e um aumento da segurança de processo nas instalações industriais no Brasil se o planejamento da inspeção pudesse ser feito com base no fator “risco”, usando, por exemplo, a técnica inspeção baseada em risco (RBI). Para tanto, entende-se que seria bastante desejável que existisse essa possibilidade (abertura) na Norma Regulamentadora nº 13. A sugestão seria que o uso da técnica RBI na NR-13 não fosse de caráter obrigatório, mas sim opcional, cabendo a cada empresa decidir pelo seu uso ou não. Para as empresas que decidissem realizar o estudo de RBI para os seus equipamentos, as mesmas estariam isentas de seguir os prazos prescritivos máximos preestabelecidos na NR 13. 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Adicionalmente, seria imprescindível que requisitos mínimos que pudessem assegurar a aplicação racional e segura da técnica RBI fossem estabelecidos na NR 13, de forma a evitar o uso indevido da mesma. Tabela 1. Comparação de elementos importantes para o planejamento da inspeção de equipamentos mecânicos estáticos conforme a Técnica RBI e a Norma NR 13.
RBI Análise quantitativa da probabilidade de falha. Para esta determinação, são considerados os mecanismos de danos em que o equipamento pode estar sujeito, a frequência de falha genérica (por tipo de equipamento) e a gestão de segurança de processo praticada na unidade industrial analisada. Análise quantitativa considerando parâmetros de processos, operacionais e modos de falha. Avalia por meio da combinação da probabilidade de falha e da consequência de falha. Os riscos de falha são levados em consideração na determinação dos planos de inspeção. Dinâmica. Não existem prazos fixos para a inspeção. A data para a próxima inspeção é determinada em função do risco de falha que o equipamento representa para a unidade industrial. Plano específico por equipamento ou por componente (parte individual do equipamento). NR 13 Não avalia e nem leva em consideração a probabilidade de falha na determinação dos planos de inspeção. Análise qualitativa considerando volume e pressão do equipamento e criticidade do fluido armazenado. Não leva em consideração os riscos de falha na determinação dos planos de inspeção. Pré-fixada (prazos fixos para a inspeção). Prazos menores para os equipamentos que representam maiores severidades para a planta. Programa generalizado de acordo com as categorias de equipamentos.

Probabilidade de Falha

Consequência de Falha

Risco de Falha

Periodicidade de Inspeção Tipo de Plano de Inspeção

5. Proposta de Inclusão da Técnica RBI na Norma Regulamentadora NR 13
Este item tem o objetivo de propor de que forma a técnica Inspeção Baseada em Risco (RBI) poderia ser incluída oficialmente na Norma Regulamentadora nº 13 (NR 13) como uma ferramenta possível de ser utilizada para o planejamento da inspeção de equipamentos mecânicos estáticos pressurizados. A sugestão seria que, com a inclusão da técnica RBI na NR 13, as empresas que optassem por utilizar a técnica como ferramenta para o planejamento da inspeção dos equipamentos mecânicos estáticos pressurizados teriam a abertura para definir os seus próprios prazos, técnicas e abrangências das inspeções de segurança periódicas a serem realizadas, com base no “fator risco” (produto da probabilidade e consequência de uma falha). Porém, de forma a fazer com que o uso da técnica RBI seja feita de forma racional, segura, rastreável e de acordo com critérios pré-estabelecidos, é crucial que sejam definidos na NR 13 requisitos mínimos mandatórios a serem atendidos pelas empresas que tiverem o interesse de adotar a técnica RBI para definir os prazos, técnicas e abrangências das inspeções periódicas a serem realizadas. Os requisitos mínimos mandatórios, aqui sugeridos, a serem atendidos pelas empresas que tiverem o interesse de adotar a técnica RBI para o planejamento da inspeção de equipamentos estáticos pressurizados, são oriundos da compilação de informações técnicas presentes em diversos documentos (normas, leis, práticas recomendadas, relatórios, dentre outros) e da análise crítica dos autores. Os principais documentos utilizados como referência para este propósito foram: a) API RP 580: Risk-Based Inspection b) API RP 581: Risk-Based Inspection Technology c) CRR 363/2001: Best Practice for Risk-Based Inspection as a Part of Plant Integrity Management d) AB 505: Risk-Based Inspection Requirements for Pressure Equipment e) NBIC: National Board Inspection Code f) NR 13: Caldeiras e Vasos de Pressão Os requisitos mínimos mandatórios para garantir uma implantação eficaz, rastreável e confiável de um programa de RBI podem ser agrupados em oito elementos fundamentais como sugerido na Figura 1. Esses elementos abordam desde a etapa inicial da instalação de um programa de inspeção com a definição da equipe, até os processos finais com a retroalimentação das informações advindas das inspeções realizadas. O não atendimento a qualquer um destes elementos poderá comprometer a qualidade, confiabilidade e segurança do programa RBI implantado. 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Figura 1. Elementos básicos para a implantação do programa de RBI. Isto posto, a empresa que desejar implantar o Programa de Inspeção Baseada em Risco deverá atender a todos os oito elementos apresentados na Figura 1, e detalhados nos itens a seguir. 5.1. Equipe Para a instalação de um programa de RBI, a empresa deve prever uma equipe multidisciplinar tecnicamente capaz de realizar, com sucesso, a análise de risco e o planejamento da inspeção para os equipamentos mecânicos estáticos pressurizados utilizando essa ferramenta. A empresa deve definir as competências, treinamentos, qualificações e certificações que os membros da equipe multidisciplinar deverão possuir, bem como definir a composição mínima das equipes específicas para as diversas etapas do programa de RBI. Recomenda-se, entretanto, que a equipe multidisciplinar da empresa, referente ao programa de RBI, seja formada, no mínimo, pelos seguintes componentes: a) Líder da equipe (especialista na técnica RBI); b) Engenheiro especialista em inspeção de equipamentos (mecanismos de danos, avaliação de integridade, ensaios não destrutivos etc.); c) Técnico de inspeção de equipamentos; d) Especialista em corrosão; e) Especialista de processo; f) Especialista de operação; g) Especialista de manutenção (caldeiraria, complementar e instrumentação, principalmente). O papel de cada integrante da equipe multidisciplinar definida acima deve ser claramente definido dentro do programa de RBI, e todos devem ser treinados nessa técnica de forma a entender claramente os seus envolvimentos e as implicações de suas decisões. 5.2. Informações da Planta Para assegurar a qualidade e confiabilidade necessária para um programa de inspeção baseada em risco é importante que todas as informações relativas à planta industrial a serem analisadas estejam disponíveis. A inexistência e/ou inconsistência de informações necessárias à análise RBI poderá incorrer no uso de ‘conservadorismo’ desnecessário e/ou na consideração de dados que podem levar a resultados incoerentes. Os dados essenciais a uma análise RBI variam de acordo com a especificidade da planta e dos itens a serem analisados, cabendo à equipe de RBI efetuar a avaliação dos fatores relevantes, determinar e validar as informações mínimas necessárias para a realização desta análise. Entretanto, independente das características da planta e dos itens a serem analisados, entende-se, como mínimo necessário, que sejam disponibilizados para a análise RBI as seguintes informações / documentos atualizados, rastreáveis, legíveis e confiáveis (que retratem, de forma o mais fidedigna possível, as reais condições da planta e dos equipamentos): a) Dados de projeto e construção; b) Dados operacionais e de processo; c) Registros de inspeção; d) Registros de reparos e alterações; 7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 e) Registros de manutenções realizadas (pintura, isolamento etc.); f) Critérios de tolerabilidade de riscos. A exatidão dos dados apresentados deve ser consistente com o nível de detalhamento a ser utilizado na técnica RBI (se qualitativa ou quantitativa), e a equipe envolvida nesta análise deve entender e definir as implicações nos resultados por falta e/ou inconsistência das informações necessárias. 5.3. Procedimento de Análise de Risco A Inspeção Baseada em Risco (RBI) requer uma análise sistemática e coordenada, como aplicável a qualquer técnica de análise de risco. A forma dessa análise pode variar, consideravelmente, dependendo das circunstâncias, podendo se estender desde abordagens qualitativas até análises numéricas quantitativas. Entretanto, em todas as abordagens de análise de risco devem ser avaliados, e devidamente documentados, os seguintes estágios: a) Identificação dos cenários referentes às falhas dos equipamentos analisados; b) Identificação dos mecanismos de danos potenciais e respectivos modos de falha; c) Avaliação da probabilidade de falha atrelada a cada mecanismo de dano/modo de falha; d) Avaliação das consequências resultantes de falha de equipamentos (perda de contenção); e) Determinação dos riscos de falha de equipamentos; f) Classificação do risco. A técnica RBI requer uma forma particular de análise de risco. Essa deve focar os perigos de falha de equipamentos, resultantes de deteriorações, que podem ser detectados por exames periódicos (TWI AND ROYAL & SUN ALLIANCE ENGINEERING, 2001). Dessa forma, a avaliação deve compreender, por exemplo, a identificação dos equipamentos e seus mecanismos de danos e taxas de deterioração esperados. 5.4. Desenvolvimento do Plano de Inspeção Após a realização da análise de risco, e com base nos seus resultados, serão então definidos os planos de inspeção dos equipamentos. Nessa etapa é de fundamental importância correlacionar os resultados obtidos na análise de risco com o objetivo da inspeção de equipamentos, que é o de reduzir as incertezas que levam à falha de integridade mecânica. Assim, para reduzir a probabilidade de falha, devem ser planejadas as técnicas, periodicidades, abrangências e locais a serem inspecionados. Logo, nesta fase é fundamental: a) Priorização de equipamentos para inspeção com base no critério de tolerabilidade de riscos; b) Definição do tipo de inspeção (intrusiva ou não intrusiva); c) Definição dos métodos de inspeção (ensaios não destrutivos); d) Definição da cobertura da inspeção; e) Avaliação da efetividade de inspeção; f) Definição da data para realização da inspeção. Vale ressaltar que a atividade de inspeção influencia diretamente no valor do risco por meio da redução da probabilidade de falha. Para a redução da consequência de falha é necessária a adoção de medidas mitigadoras, tais como mudanças das condições operacionais, reduções de inventários e/ou modificações dos sistemas de detecção e isolamento (bloqueio) para grupos de inventários. Essas medidas podem ser tomadas em qualquer etapa da vida útil das instalações. 5.5. Execução do Plano de Inspeção Esta fase tem por objetivo colocar em prática as atividades planejadas na etapa anterior. As aplicações, capacidades e limitações das técnicas de inspeção são revisadas e adequadas para atender às necessidades do plano de inspeção. Nesta etapa prevê-se: a) Adequação das técnicas de inspeção disponíveis às requeridas no plano de inspeção (equivalência de efetividade); b) Garantia da capacidade técnica dos executores dos ensaios compatíveis com a atividade proposta; c) Execução dos ensaios não destrutivos previstos; d) Avaliação do estado de conservação e da vida residual dos equipamentos; e) Emissão de relatório de inspeção e laudo referente à integridade mecânica e continuidade operacional do equipamento de forma segura. 5.6. Retroalimentação da Análise de Risco RBI é uma ferramenta dinâmica que pode fornecer uma avaliação do risco atual e projeção do risco futuro. No entanto, essas avaliações são baseadas em dados e informações no momento da avaliação. No decorrer do tempo, as mudanças são, normalmente, inevitáveis e os resultados da avaliação RBI devem ser atualizados (API, 2008). Percebe-se então, a importância da manutenção e atualização das informações mais recentes no programa RBI. Os resultados das inspeções, mudanças das condições operacionais e implementação de práticas de manutenção podem ter 8

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 efeitos significativos sobre os riscos e, portanto, sempre que houver mudanças em parâmetros da análise de risco é necessária uma reavaliação e atualização do plano de inspeção. Para atender aos objetivos do programa de RBI, deve ser feita uma reavaliação do risco sempre que as seguintes informações forem inseridas, mas não se limitando a: a) Histórico de inspeção; b) Mudanças de condições operacionais; c) Mudanças nas premissas da análise de risco; d) Implementação de estratégias de mitigação do risco; e) Mudanças nas práticas industriais e de gestão da planta; f) Mudança no nível de treinamento e conhecimento da equipe de RBI. 5.7. Gestão do Programa Como em todas as atividades relacionadas à segurança de processo, a Inspeção Baseada em Risco requer uma gestão efetiva para ser executada com sucesso. A responsabilidade de gestão do programa de RBI é do corpo gerencial da empresa que deve fornecer recursos suficientes para a plena execução do mesmo, acompanhar o andamento de todas as etapas, exigir o cumprimento dos elementos básicos e assegurar a qualidade do programa. O acompanhamento pelo corpo gerencial deve ser ininterrupto e sistemático, além de sempre buscar a melhoria contínua do programa. A gestão do Programa de Inspeção Baseada em Risco deve assegurar: a) Alocação de responsabilidades e recursos; b) Cooperação entre as diferentes áreas da companhia; c) Acompanhamento da análise de risco e planejamento de inspeção; d) Implantação do programa RBI; e) Avaliação do desempenho do programa; f) Revisão do desempenho de todo o processo e promoção da melhoria contínua; g) Auditoria interna e externa do processo. O acompanhamento dessas etapas visa assegurar que todo o processo de implantação e operação do programa de RBI é executado com qualidade e confiabilidade, e garantir que haja uma melhoria na segurança de processo da planta por meio de um correto planejamento da inspeção periódica de segurança de equipamentos mecânicos estáticos pressurizados. 5.8. Documentação Avaliar o desempenho das organizações por meio de auditorias internas e externas requer a disponibilidade de provas documentais. Para o programa de RBI deve acontecer da mesma maneira, sendo necessárias provas para cobrir todas as fases do processo. Devido à grande extensão do escopo de RBI, a quantidade de provas documentais deve ser proporcional. Todas as etapas do processo de execução do programa de RBI devem ser evidenciadas por meio de documentos disponibilizados em acervo atualizado e rastreado. As evidências são necessárias para certificar que cada estágio foi completado satisfatoriamente e a qualidade dessas informações deve ser confiável.

6. Conclusões
Atualmente, percebe-se uma crescente inclusão dos aspectos relacionados à segurança de processo em leis, normas e organismos internacionais ao redor do mundo, o que inclui a possibilidade do uso da técnica RBI como ferramenta para determinar os planos de inspeção de equipamentos. Essa disposição objetiva a melhoria no entendimento dos riscos associados à operação de equipamentos, dos elementos que levam a falha de integridade e das consequências dessas falhas e, por decorrência, aumentar a segurança operacional em indústrias de processo. A técnica RBI é uma forma eficaz de gerenciar a integridade mecânica de diversos tipos de equipamentos por meio de um adequado e sistematizado planejamento de inspeção e permite que os recursos e esforços da empresa sejam corretamente direcionados para os equipamentos que oferecem maiores riscos à segurança de pessoas, meio ambiente e instalações. No Brasil, a Norma Regulamentadora nº 13 visa garantir a segurança na operação de vasos de pressão e caldeiras, que determina os prazos prescritivos máximos para realização das inspeções de segurança periódicas conforme a categorização dos equipamentos (caldeiras e vasos de pressão). Porém, observa-se na NR 13 que na definição da criticidade (categorias) e nos respectivos prazos para realização das inspeções periódicas é considerado apenas o aspecto referente à consequência de falha, e mesmo assim, de forma qualitativa e superficial. Como a periodicidade para a inspeção de segurança pré-fixada pela norma é constante durante o tempo, a mesma não leva em consideração a evolução dos mecanismos de danos ao longo da vida operacional dos equipamentos e consequente probabilidade de falha. Por outro lado, entende-se ser bem mais razoável que ambos os fatores, consequência de falha e probabilidade de falha, sejam levados em consideração na definição do plano de inspeção para cada equipamento individualmente. Primeiro, porque é necessário priorizar os equipamentos a serem examinados a partir da criticidade que cada um 9

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 representa para a segurança operacional da planta. E segundo, é importante considerar também a probabilidade de falha, que normalmente é crescente ao longo do tempo, e vai então implicar que a frequência entre inspeções seja variável e não fixa. Sendo assim, seria salutar que houvesse algum tipo de abertura na NR 13 para o uso da técnica RBI como ferramenta para determinar os planos de inspeção de segurança periódica para vasos de pressão e caldeiras, que seriam baseados, consequentemente, no fator risco. Ressalta-se que a realização da análise RBI para definição de prazos para inspeção não é impedida pela NR 13, porém, terão que ser sempre respeitados os prazos limites para inspeções de segurança periódicas definidas nesta Norma, independente de, pelo critério de tolerabilidade de risco, o equipamento analisado poder ser inspecionado em um prazo mais dilatado. Tal condição gera, então, certo “entrave” quando à disseminação da técnica RBI no Brasil. Porém, em virtude de que a NR 13 é uma legislação de uso nacional é imprescindível que o uso da técnica RBI para determinar os planos de inspeção para esses tipos de equipamentos seja permitido apenas mediante o atendimento a requisitos mandatórios (como sugeridos no Item 5) a serem definidos nessa norma, de forma a garantir que a implantação e manutenção do programa RBI seja feita de forma sistematizada, eficaz e segura. Como o atendimento a estes requisitos requer uma grande estruturação e capacitação do setor de inspeção de equipamentos, estima-se que esta abertura para uso da técnica RBI seria utilizada apenas pelas grandes indústrias e companhias que possuem recursos e capacidade para essa implantação. Para as demais empresas, os critérios para determinação dos prazos máximos para inspeções de segurança periódicas poderiam então continuar como correntemente definidos na NR 13. Sendo assim, o uso da técnica RBI como ferramenta para o planejamento da inspeção não seria de caráter mandatório, mas sim uma “alternativa” para as empresas que tiverem este interesse, em contraposição ao cumprimento obrigatório dos planos de inspeção de segurança externo e interno estipulados atualmente pela NR 13. Por fim, vale aqui ressaltar a importância da Norma Regulamentadora nº 13 para a segurança operacional das empresas no Brasil, e a sua essencialidade para manter o controle sobre os acidentes de processos que possam levar a fatalidades e perdas financeiras e ambientais. Alinhado com este propósito, entende-se que uma aceitação formal da técnica RBI para o planejamento da inspeção de segurança periódica para vasos de pressão e caldeiras muito acrescentaria positivamente para reforçar, ainda mais, o objetivo maior dessa norma: a prevenção de acidentes envolvendo caldeiras ou vasos de pressão.

7. Referências
ABSA, 2005. “AB-505: Risk-Based Inspection Requirements for Pressure Equipment”. Rev. 1. Alberta. ABSA, 2009. “AB-506: Inspection & Servicing Requirements for In-Service Pressure Equipment”. Rev. 6. Alberta. API, 2006. “API RP 510: Pressure Vessel Inspection Code: In-Service Inspection, Rating, Repair, and Alteration”. 9th edition. API, 2009b. “API RP 570: Piping Inspection Code: In-service Inspection, Rating, Repair, and Alteration of Piping Systems”. 3rd edition. API, 2009a. “API RP 580: Risk-Based Inspection”. 2nd edition. Washington. API, 2008. “API RP 581: Risk-based inspection technology”. 2nd edition. ESTEVES, V. T., 2011. “Proposta de Inclusão da Técnica Inspeção Baseada em Risco na Norma Regulamentadora NR 13”. Salvador: UFBA, Departamento de Engenharia Mecânica. MARANGONE, F. C., 2005. “Gerenciamento da integridade de equipamentos utilizando a inspeção baseada em risco”. Rio de Janeiro: PUC, Departamento de Engenharia Mecânica. MOTA, J. G. D., 2003. “Inspeção baseada em risco aplicada ao planejamento de paradas de manutenção”. In: III PanAmerican Conference for Nondestructive Testing. Anais... Rio de Janeiro: PANNDT. OHLWEILER, D. R., 2010. “A inspeção baseada em risco como uma ferramenta no gerenciamento dos riscos de processo”. In: 2ª Conferência Latino-Americana de Segurança de Processos. Anais... São Paulo. PEREIRA, M. et al., 2002. “Managing the risk: overview and practical application of twi’s risk-based integrity management”. In: 6ª COTEQ - Conferência sobre Tecnologia de Equipamentos. Anais... Salvador: ABENDI. RAMESH, J. P., 2005. “Risk based inspection”. In: 3rd MENDT – Middle East Nondestructive Testing Conference & Exhibition, 2005, Bahrain. Manama. SAI GLOBAL, 2009. “AS/NZS 3788-2006: Pressure equipment - In-service inspection”. Disponível em: < http://infostore.saiglobal.com/store2/Details.aspx?ProductID=374650>. Acesso em: 23 out. 2011. SUTTON, I. S., 1997. “Process Safety Management”. 2nd edition. Houston: Southwestern Books. TWI AND ROYAL & SUN ALLIANCE ENGINEERING, 2001. “CRR 363/2001: Best practice for risk based inspection as a part of plant integrity management”. HSE Books. Norwich. UNITED KINGDOM, 2000. “The Pressure Systems Safety Regulations 2000 (SI 2000 No. 128)”. Approved Code of Practice L122. UK. v. 14, n. 2, p. 137-158, 1996. 10