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IBP1302_12 ESTUDO DE CASO DA APLICAÇÃO DE UMA FERRAMENTA PARA AUTOMATIZAÇÃO E CONTROLE DO PROCESSO DE MODELAGEM DE SUPORTES PARA TUBULAÇÕES EM MAQUETES

3D 1 Diego J. G. Balbi , Renato Oliveira2, Rogério Pinto3
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
A atividade de projetos na engenharia tem sofrido grandes reformulações nas últimas duas décadas no que diz respeito à forma de trabalho. Dificuldades advindas da crescente complexidade dos empreendimentos, principalmente em setores industriais, têm levado esta atividade à busca constante por novos métodos e ferramentas as quais possibilitem aumento de velocidade na execução de tarefas inerentes ao cotidiano do projeto. Atualmente, a evolução destas ferramentas tem se baseado na apresentação mais amigável ao usuário final, minimizando a necessidade de treinamentos extensos e repetitivos. Por outro lado, a indústria responsável pelo desenvolvimento destas ferramentas ainda se encontra na busca por conhecimento a fim explorar as vastas capacidades no âmbito de projetos quanto às soluções ofertadas. O presente artigo trata de uma destas inovações que desponta, apesar de não ser tecnológica. Esta se baseia na mesma plataforma básica disponível desde criação dos modelos atrelados a bancos de dados. Contudo, esta nova visão de trabalho insere mais uma especialidade no projeto virtual, as estruturas para suportes de tubulações industriais que, assim como outras disciplinas do projeto, também não usufruíam destas capacidades no que diz respeito à geração da informação, seu controle e manuseio.

Abstract
An activity in engineering projects has been changed over the past two decades with regarding to working practices. Difficulties arising from the increasing complexity of projects, especially in industrial sectors, have taken this activity a constant search for new methods and tools which enable increased speed in performing tasks of daily life of the project. Currently, the development of these tools has been based on a friendlier interface to the end user, minimizing the need for extensive and repetitive training. Moreover, the industry responsible for this development of these kind of tools is still in the search for knowledge in order to explore the plain capabilities within wide projects on solutions offered. This article deals with one of these innovations on the spotlight, besides of being not a technology issue. It’s based on the same basic platform available since the creation of models used together with databases. However, this new vision of work inserts one more specialty in the virtual designing of structures to support industrial pipes, as well as other design disciplines, nor taken advantage of these capabilities with regard to the generation of information, its control and management.

______________________________ 1 Engenheiro Civil, Pós-graduado em Construção e Montagem Industrial e Gestão Estratégica do Conhecimento e Inovação, Engenheiro de Tubulação – PROMON ENGENHARIA 2 Cientista da Computação, Administrador de Sistemas de Engenharia – PROMON ENGENHARIA 3 Engenheiro Mecânico, Gerente de Engenharia – PROMON ENGENHARIA

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1. Introdução
À medida que a complexidade dos grandes empreendimentos vem aumentando, a busca por soluções tem demonstrado um redirecionamento. Anteriormente este processo encontrava-se orientado à busca por soluções viáveis para problemas quanto à tecnologia, tanto do ponto de vista técnico como do ponto de vista econômico, de forma a auxiliar na execução de cálculos complexos, por exemplo. Hoje esta estratégia apresenta-se orientada à busca de ferramentas as quais consigam gerenciar a quantidade de informações geradas em um curto espaço de tempo, mantendo sua confiabilidade e acelerando a geração de documentos necessários a execução de atividades em projeto, suprimentos e obra. Atendendo a esta demanda, por volta do fim dos anos 80 programas baseados em bancos de dados começaram a fazer parte dos processos no detalhamento de empreendimentos. À medida que a gama de informações crescia, sua aceitação e necessidade dentro dos escritórios das projetistas aumentava exponencialmente. Desenhos antes possíveis apenas com a participação de um profissional altamente qualificado já podiam ser criados por desenhistas com auxilio de ferramentas do tipo CAD, sigla para Computer Aided Drawing. Em meados da década de 1990, com o avanço da capacidade dos computadores, sobretudo o aumento do ramo comercial dos computadores pessoais, a grande maioria das empresas já contava com uma central de geração de desenhos baseada em computadores. Mas o real avanço deste período viria com o início da utilização dos programas com modelos em três dimensões. Estes, por sua vez, possibilitaram uma visão prévia do empreendimento sem a necessidade de construção das caras maquetes em escala, produto que demandava a capacidade de um artista para sua criação. Era o início de uma nova perspectiva em projetos de engenharia uma vez que a avaliação de espaços, rotas de fuga, planejamento de obra, dentre outras vantagens, passavam a estar disponível durante a fase de projeto, possibilitando a solução de problemas antes só percebidos durante a montagem.

2. Objeto
O objeto a ser tratado neste trabalho consiste em uma ferramenta para automatização da geração de informações acerca de estruturas para suportes de tubulações industriais. Para isso será apresentado um estudo de caso que visa compartilhar a experiência adquirida pela Promon Engenharia na implantação desta solução de forma pioneira no mercado de Óleo e Gás.

3. Escopo
O escopo deste trabalho limita-se a projetos de empreendimentos do setor de refino de derivados do petróleo. Outro limitante diz respeito a plataforma utilizada, uma vez que atualmente no mercado podemos encontrar diversas. Este estudo de caso em específico está limitado à plataforma PDMS©, da sigla em inglês para Plant Design Management System, de propriedade da empresa AVEVA© Engineering Softwares. Esta limitação faz-se necessária em vista da não aplicabilidade das informações aqui dispostas em outras plataformas de mesmo propósito.

4. Objetivo
O objetivo deste trabalho é compartilhar a experiência da Promon Engenharia na utilização de uma ferramenta para automatização da atividade de criação de suportes de tubulação em maquetes 3D. De forma a tornar palpável esta percepção, propõe-se a exibição de um histórico acerca do avanço desta metodologia ao longo dos anos, à luz de experiências em outros projetos do mesmo ramo em que a empresa atuou entre os anos de 2002 e 2012.

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5. Conceitos Iniciais
Uma vez que este trabalho visa tratar de informações específicas as quais não são de conhecimento de todos, inclusive daqueles que já vivenciam os projetos de engenharia e seus diversos segmentos, neste item constam algumas definições que serão chamadas à frente durante a evolução do trabalho e que, segundo o entendimento dos autores, faz-se necessário o estabelecimento de seu entendimento.

5.2 Especialidades de Engenharia (Indutrial) Como é de conhecimento geral, os projetos de engenharia, principalmente os desenvolvidos para o setor de beneficiamento do petróleo, também intitulado setor de Óleo e Gás, apresentam-se de forma multidisciplinar, tendo as especialidades da engenharia como um segmentador nos escopos de cada uma destas. Apenas a título de conceito, e no sentido de proporcionar um entendimento comum sobre estas, segue no Quadro 1 abaixo divisão proposta pelo Process Industry Practices (PIP). Esta proposição possibilita a localização das especialidades da engenharia dentro das disciplinas do projeto. Um paralelo faz-se necessário, uma vez que as especialidades se completam dentro das atividades e divisão de escopo no detalhamento de empreendimentos. Quadro 1 - Disciplinas de um Projeto (Process Industry Practices – 2012) Disciplinas do Projeto Civil/Estrutural/Arquitetura Revestimento/ Isolamento/Refratário Gerenciamento de Documentação Elétrica Mecânica Tubulação e Diagramas de Instrumentos Tubulação Controle de Processos Vasos de Pressão 5.3 Tubulação (sistema) Segundo o código B31.3 da American Society of Mechanical Engineers (2006), uma tubulação consiste em um sistema de tubos e componentes utilizados para conduzir, distribuir, misturar, separar, descartar, medir, controlar ou conter fluxos de fluido. Tubulações também incluem elementos para suporte dos tubos, mas não inclui as estruturas de suporte como prédios, fundações ou qualquer equipamento o qual não esteja inserido no código conforme descrito em seu parágrafo 300.1.3. 5.4 Suportes de Tubulação De acordo com o código B31.3 – Process Piping da American Society of Mechanical Engineers (2008), suportes de tubulação podem ser classificados como Fixtures e Conexões a Estruturas1. Em linhas gerais, estes elementos podem ser caracterizados como artifícios utilizados para passagem adequada das forças provenientes do sistema de tubulação. De forma análoga, Arbulu e Tommelein (2002) conceituam um suporte de tubulação como um conjunto de componentes ligados ao tubo com a função de transferir os esforços provenientes do sistema de tubulação a estruturas, no sentido de garantir as restrições adequadas em condições estáticas e dinâmicas durante a partida da unidade, sua operação e parada de produção. Siglas CV, ST, CT, IN, RF DM EL RE PI PN PC VE

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Tradução dos Autores

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Figura 1 - Suporte tipo "mão-fancesa" (http://www.simplifiedbuilding.com)

6. Histórico
A seguir é apresentada uma série de fatos que visam situar o tema atual na linha de tempo das formas de execução anteriores no âmbito de projetos deste tipo. As informações aqui dispostas retratam a experiências dos autores e, em hipótese alguma, visam fixar um conceito sobre este tema. 6.2 Antes dos Modelos em 3D Antes da aplicação de programas em 3D com banco de dados atrelados a estes, as informações de todas as especialidades de engenharia constavam em documentos, seja este impresso ou em formato CAD. Desta forma, a única possibilidade de consulta às informações necessárias à fabricação, montagem e inspeção somente podiam ser acessadas através de único canal. As implicações são diversas, principalmente quando analisado sobre a dinâmica de atualização de informações pelas diversas equipes em atividade. Defasagens entre a posição de tubulações, “clientes” das soluções dos suportes ligados a estas, eram bem possíveis, mesmo com um rigoroso controle de qualidade. Neste momento, a maior atividade de correção de inconsistências do projeto se dava durante a obra. Fato extremamente indesejável, o qual foi alvo de grandes investidas por parte de empresas visionárias em busca da diminuição dos aspectos causadores destas. 6.3 Suportes Lógicos Por lógicos, entende-se todo e qualquer elemento que, por definição, apresente apenas a possibilidade de locação das informações no modelo 3D. Isso limita o elemento programável a atributos simples do tipo texto e numérico, não havendo qualquer tipo de caracterização geométrica deste. Com isso, estão presentes muitas limitações quanto a controles que serão discutidos posteriormente. Seguindo este conceito, podemos trazê-lo a especialidade de suportes para tubulação, haja visto que este pode passar a ter uma localização geográfica nas coordenadas globais do modelo 3D. Outras informações como peso, dimensões, observações e padrões, além de outras, são totalmente viáveis com este tipo de elemento/artifício. No que diz respeito às vantagens dos suportes lógicos, uma vez que estes ainda possuem aplicação em projetos os quais não demandem maiores detalhes acerca destes, a velocidade de trabalho é a maior delas. Os usuários capacitados no uso de programas de modelagem 3D não apresentam qualquer dificuldade quanto à criação, modificação ou manuseio deste elemento, desde que as informações a serem inseridas estejam, acima de tudo, validadas. Não há “inteligência” por parte do programa. Basicamente é estabelecida uma relação de emissor e receptor entre o programa e seu usuário, havendo limitações quanto à avaliação da solução adotada, pois não existe demonstração física. Contudo, de uma forma 4

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geral, as informações inseridas no modelo podem ser modificadas e recuperadas por meio de relatórios, caracterizando uma significativa evolução quando comparado aos projetos anteriores e processos disponíveis. A inexistência de visibilidade da solução adotada, conforme mencionado acima, consiste em uma das principais desvantagens no que se refere às necessidades atuais de um projeto executado em modelo fast track. Os desdobramentos deste fato podem levar, por exemplo, a interferências geométricas entre elementos próximos, interdição de acessos, baixa confiabilidade das informações, entre outros. Uma vez que as diversas disciplinas de engenharia trabalham juntas, ou seja, no mesmo banco de dados, quanto maior visibilidade e informações disponíveis para os demais usuários, maior a possibilidade de antecipação de problemas deste gênero. 6.4 Suportes Geométricos Os suportes geométricos, diferentemente dos suportes lógicos, carregam consigo uma evolução frente à prática anterior. Com a possibilidade de criação das geometrias de cada padrão de suportes, estes podiam ser vistos por todos os profissionais que estivessem atuando no modelo 3D ao mesmo tempo. A partir deste momento, interferências geométricas, maior contratempo dos engenheiros de obra, poderiam ser antecipadas e resolvidas ainda no projeto, minimizando custos e diminuindo os atrasos em virtude destas. Porém, processos e procedimentos internos eram necessários para que estes alertas passassem a fazer parte do fluxo de geração e validação da informação dentro do projeto. O ferramental necessário à potencialização da utilização de geometria dos suportes encontra-se em constante desenvolvimento. Questões quanto ao limite entre o aceitável e ótimo fazem parte dos fechamentos nas rodadas de verificação de consistências em projetos. O conceito já está instaurado, mas sua filosofia e amplitude são alvo de um foro muito mais amplo. Com a possibilidade de simulação da geometria, ferramentas como os relatórios que antes traziam apenas informações limitadas sobre o elemento, passaram a apontar o local e a gravidade das interferências, aumentando, em muito, a visibilidade e antecipação de inconsistências deste tipo. Quantificação e qualificação destas informações, assim como dimensionamento para tratamento destas, passaram a ser possíveis em eventos mais cedo dentro do cronograma de atividades dos empreendimentos. O maior limitante observado nesta etapa de evolução da atividade foi à impossibilidade de rastrear suportes cujas tubulações fossem modificadas. Como exemplo, pode ser citado o caso em que tubulações são movidas após a criação dos suportes. Essa modificação leva a uma desconexão não percebida do tudo para com seu suporte. As conseqüências são muitas e de difícil descoberta, uma vez que a informação necessária a rastreabilidade entre os itens não existe. Mesmo tendo trazido várias mudanças e possíveis melhorias, os suportes geométricos não resolveram todos os problemas presentes na atividade. Na verdade, esta maior visibilidade levou a percepção de que muito ainda havia por evoluir, mesmo que em um processo de melhoria contínua, correlato aos processos de inovação incremental observados em vários setores tecnológicos. Neste momento, foram percebidas as reais ameaças presentes na prática atual, viabilizando uma busca por soluções de mercado que atendessem o mínimo necessário naquele momento. Estes requisitos são discutidos nos tópicos seguintes. Com o intuito de proporcionar uma comparação visual das evoluções obtidas dentro de modelos em 3D, a Figura 2 apresenta a distinção entre dois suportes de aplicação comum em costado de equipamentos, como torres e vasos de pressão. À esquerda temos a representação do suporte lógico, representado apenas por uma forma de triângulo, enquanto que, à direita, o exemplo refere-se ao suporte geométrico. A primeira conclusão sobre a diferença entre os dois é a possibilidade de detectar interferências, ou sobreposições, com a geometria representada. Outra colocação cabível é quanto à possibilidade de obtenção dos quantitativos de peso, uma vez que o volume está presente e as densidades são conhecidas.

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Figura 2 - Comparação entre Suporte Lógico e Geométrico (PROMON ENGENHARIA, 2012)

6.5 Projetos Atuais Os suportes do tipo geométricos consistem na condição atual de detalhamento dos suportes de tubulação na grande maioria dos projetos de engenharia em andamento no Brasil hoje. Posto isso, o estudo de caso demonstrado neste trabalho posiciona-se à frente das práticas atuais, demonstrando a viabilidade e importância da melhoria contínua nos processos geradores e administradores de informações. Conforme disposto anteriormente, os dados necessários ao projeto de suportes para tubulações existem há bastante tempo. Todavia, a gestão destas informações demanda uma abordagem criteriosa, focada nas oportunidades de melhoria tanto do ponto de vista da trabalhabilidade quanto da confiabilidade.

7. Estudo de Caso
O estudo de caso proposto neste artigo compreende a aplicação de uma ferramenta para automação e controle de informações na atividade de detalhamento de suportes para tubulações industriais. O projeto no qual está inserido este estudo consiste de uma unidade de processo de uma dada refinaria de petróleo no Brasil. De forma a ilustrar a complexidade deste empreendimento, encontram-se dispostos no Quadro 2 abaixo alguns quantitativos de itens comumente utilizados na avaliação da ordem de grandeza deste tipo de projeto. Quadro 2 - Principais quantitativos do empreendimento Descrição Concreto Estruturas metálicas Tubulação Válvulas Suportes de Tubulação Equipamentos Caldeiraria Cabos de Elétrica Cabos de Instrumentação Instrumentos Quantidade 16.125 2.200 2.650 550 320 520 6.680 456.000 300.000 6.215 Unidade m3 t t t t t t m m un 6

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7.1 Percepções Iniciais Com base nas informações apresentadas, as quais refletem a vivência e dificuldades provenientes da gestão das informações referentes aos suportes de tubulação em situações anteriores, a Promon Engenharia, percebendo a oportunidade de melhoria orientada a obtenção de uma vantagem competitiva frente ao mercado, decidiu inovar em termos de ferramenta e processos. Ficou clara a demanda por um programa capaz de harmonizar o fluxo das informações, tal qual já é possível com os elementos que compõe os sistemas de tubulações, nos quais há controle completo sobre seus quantitativos, especificações e detalhes de projeto. Mesmo assim, uma pesquisa de mercado precisava ser conduzida de forma a proporcionar informações suficientes que sustentassem uma escolha assertiva. Esta busca precisava estar alinhada/delimitada por condições de contorno as quais refletissem as necessidades do projeto no que se refere à plataforma de utilização, documentos a serem gerados e o grau de controle desejado naquele momento. 7.2 Escolha da Ferramenta A escolha de um programa o qual atendesse às demandas detectadas passou pela possibilidade de uma concepção interna, até o envio de profissionais a fóruns mais amplos sobre o tem. O desenvolvimento interno de uma ferramenta para este propósito estava fora de cogitação por vários motivos. Em primeiro lugar não haveria tempo hábil para percorrer as etapas necessárias a desenvolvimentos deste porte, uma vez que a fase de detalhamento do projeto em questão estava bem próxima. Outro fator importante, era a baixa disponibilidade de profissionais capacitados na linguagem do PDMS©, o que certamente nos levaria a um cenário de escassez interna de pessoal qualificado. Restou, então, a busca por soluções existentes ofertadas no mercado internacional, visto que nenhuma empresa brasileira se propunha a oferecer uma solução deste tipo com pronto atendimento. Vale ressaltar que estas colocações levam em consideração um cenário existente em meados de 2009. Uma premissa primordial acerca da solução a ser adotada era que esta fosse capaz de identificar desconexões entre o suporte e o tubo, independente do causador desta inconsistência técnica. Esta possibilidade nos colocaria em posição vantajosa frente às dificuldades de detecção deste tipo de problema, apontando a localização das eventuais inconsistências e correções cabíveis em tempo hábil para evitar uma fabricação desconforme. Após treinamentos externos com maior interesse na avaliação das ferramentas, buscando sempre o alinhamento das necessidades obtidas em experiências anteriores, optou-se pelo uso de um módulo da própria plataforma de modelagem 3D. Esta escolha visou também à compatibilidade do sistema base com o programa. 7.3 Implantação Processos de mudanças que atinjam diretamente práticas enraizadas nas equipes responsáveis pela evolução do projeto requerem bastante cautela. Visando atender esta condição, o início da atividade de implantação focou em entender as proposições do programa, mapeando as capacidades e opções de interação, de forma a não iniciar uma mudança sem que esta estivesse estruturada o suficiente. Do contrário, os riscos seriam elevados. Após a primeira abordagem, iniciou-se a adaptação do banco de dados do programa à realidade do mercado nacional, principalmente no que diz respeito aos perfis estruturais utilizados. Em seguida ocorreu a customização dos suportes mais simples, diretamente ligados aos tubos, objetivando proporcionar uma folga na atividade de modelagem. Tal estratégia só foi possível por, neste empreendimento em particular, o pipe-rack ter sido a primeira frente de tarefa. Ao decorrer do trabalho da equipe responsável pelos suportes de tubulação, algumas dificuldades com a criação e manuseio de alguns padrões do programa mostraram-se evidentes. Estas dificuldades, em um primeiro momento, geraram considerável perda de produtividade na equipe, levando a uma reavaliação das soluções disponibilizadas. O principal causador desta dificuldade pode ser atribuído as práticas de trabalho presentes na Europa e Estadas Unidos, as quais não são as mesmas existentes no mercado nacional. Assim sendo, algumas demandas não foram atendidas de forma automática, fato este que não estava previsto dentro das expectativas. Já com seis meses do início da implantação, foram iniciados os testes com a geração automática de desenhos, outra capacidade apontada como diferencial desta ferramenta, a qual gerou grandes expectativas sobre as suas possibilidades. Os resultados ficaram aquém do esperado, levando a constantes incursões dos profissionais aos desenhos para que reparos fossem executados. 7

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7.4 Conclusões Após análise das experiências adquiridas com o processo de implantação, as seguintes conclusões podem ser apresentadas. Primeiramente, a reformulação de processos de trabalho, independente do envolvimento ou não da implantação de uma ferramenta para automatizar a tarefa, precisam passar, indubitavelmente, por uma análise de riscos, de forma a gerar um plano de ação frente às adversidades inerentes a este tipo de investida. Para isso, faz-se necessário o envolvimento de profissionais experientes e capacitados, aptos a identificarem os riscos e suas implicações, assim como propor ações de mitigação e/ou controle. Outra conclusão importante vai de encontro às diferenças entre filosofias de trabalho existentes aqui e as que estão imbuídas nos programas ofertados por empresas de atuação internacional. É de suma importância o conhecimento sobre o contexto no qual aquela aplicação foi desenvolvida, de forma a antecipar futuras incompatibilidades nos processos. Esta ação possibilita uma percepção coerente da futura aplicação, norteando a criação de expectativas nas partes interessadas.

8. Referências
ARBULU, Roberto J. e Tommelein, Iris D., Alternative Supply-Chain Configurations for Engineered or Catalogued Made-to-Order Components: Case Study on Pipe Supports used in Power Plants, 10th Conference of the International Group for Lean Construction, Gramado – Brasil, 2002. PROCESS INDUSTRY PRACTICE, Process Industry Disciplines, acessado em 25/06/2012. Disponível no endereço http://www.pip.org/practices/practices.asp ASME, B31.3, Code for Pressure Piping – Process Piping, American Society of Mechanical Engineers, Nova York, 2006. JERGEAS, G., VAN DER PUT, JOHN, Benefits of Constructability on Construction Projects. Journal of Construction Engineering and Management, Edição de Julho/Agosto, 2001.

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