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IBP1306_12 A ESTRATÉGIA DE INVESTIMENTOS EXTERNOS DA CHINA NO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O BRASIL Alice Kinue

J. de Pinho1, Maria M. da Fonseca2, Roberta Salomão M. da Silva3
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O presente trabalho apresenta as estratégias chinesas de investimentos externos no setor de petróleo e gás, considerando a enorme capacidade de investimento das empresas estatais e a demanda crescente por petróleo que garanta a sustentabilidade do crescimento econômico chinês. Inicialmente, descreve-se como a velocidade do crescimento econômico da China influencia o mercado internacional de petróleo. O artigo também detalha a relação entre o Governo e as estatais, destacando as formas pelas quais as empresas chinesas buscam ampliar seus mercados e os resultados alcançados até agora. Por fim, verifica-se como tais estratégias podem afetar o segmento upstream brasileiro de petróleo e gás natural. A despeito das preocupações com a interferência do governo chinês nas estratégias das NOCs, elas possuem objetivos muito mais amplos, que transcendem a mera busca por segurança energética, tais como diversificação de ativos, acesso à novas tecnologias e fortalecimento no cenário mundial. Dessa forma, essas empresas podem se tornar, no longo prazo, importantes parceiras da Petrobras na exploração e na produção das áreas do pré-sal, numa relação que pode ser vantajosa para ambas as partes, e também para Brasil e China.

Abstract
The present work discuss Chinese strategies for making foreign investments in O&G sector, taking into account NOC’s huge investment capability and increasing oil demand with sustains China’s economic growth. Initially, the effect of China’s economic growth rate on international oil market is addressed. The paper also details the relationship between Chinese NOCs and the Government, highlighting their aims and strategies, as well as the results of their results. Finally, this article evaluates how those strategies can affect Brazilian O&G upstream sector. Despite of concerns on Chinese government interference in NOCs management and decision processes, it is show that those State companies pursue much wider objectives, which transcend the mere search for energy security, such as asset diversification, access to new technologies and strengthening of their positions in global economic context. Doing so, those enterprises can become, in the long run, valuable partners of Brazilian Petrobras in E&P activities in pre-salt areas, building a win-win relationship not only for the companies involved but also for Brazil and China.

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Introdução

O crescimento econômico significativo da economia chinesa, especialmente nos últimos anos, acarretou um rápido aumento da demanda por energia. Essa expansão da demanda foi decorrente do crescimento do consumo do setores industrial e comercial exportador, assim como da classe média. Desde o início da década de 90, as importações de petróleo e gás natural da China têm crescido a um ritmo acelerado, o que aumentou a preocupação do governo com relação à segurança energética do país no longo prazo. Assim, o Governo chinês intensificou a exploração de petróleo doméstico, aumentou a capacidade de armazenamento de derivados e buscou a garantia de suprimento. Adicionalmente, o Governo chinês está diminuindo paulatinamente os subsídios ao consumo de derivados, de forma a aproximar o seu comportamento ao observado no mercado internacional. A China também tem investido no desenvolvimento da indústria do gás natural, num esforço de diversificar a sua matriz energética. Para fazer frente a esses desafios do setor energético, o Governo estabeleceu alguns objetivos principais, entre eles o incentivo a fusões e aquisições no exterior.[1] O presente trabalho apresenta as estratégias chinesas de investimentos externos no setor de petróleo e gás, considerando a enorme capacidade de investimento das empresas estatais e a demanda crescente por petróleo que garanta a sustentabilidade do crescimento econômico chinês. Inicialmente, descreve-se como a velocidade do crescimento econômico da China influencia o mercado de commodities, em particular o mercado internacional de
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Mestre, Economista - ANP Doutoranda PPE/COPPE, Engenheira - ANP 3 Jornalista - ANP 1

petróleo. O artigo também detalha a relação entre o Governo e as estatais, bem como a estratégia de investimentos da China em sua atuação internacional, destacando as formas pelas quais as empresas estatais chinesas buscam ampliar , seus mercados e os resultados alcançados até agora. Por fim, será analisada como tais estratégias podem afetar o mercado brasileiro upstream de petróleo e gás natural. Em particular, o trabalho vislumbra possíveis implicações da entrada chinesa nas licitações do novo marco icular, regulatório, considerando as novas licitações de áreas sob concessão e os critérios já definidos na Lei 12.351/10 para os contratos de partilha de produção.

2. Crescimento econômico da China e sua influência no mercado de commodities e na demanda por petróleo
A China tem se destacado por seu crescimento bem acima da média mundial e dos países emergentes desde o fim dos anos 70, quando implementou uma série de reformas internas que alteraram a estrutura econômica do país4. série Esta reestruturação e os ganhos de eficiência resultantes contribuíram para o aumento do PIB em mais de 10 vezes desde 1978. Em 2010 o PIB chinês foi o segundo maior do mundo, alcançou US$ 5,92 trilhões superando o Japão. trilhões, Entre 2001 e 2010, a economia chinesa cresceu, em média, 10,5%. Na medida em que o país passou a ter cada vez mais importância no cenário mundial, seu crescimento tem afetado as trocas internacionais de diversos produto produtos. Além de ter se tornado grande importador de produtos primários, as necessidades da indústria e do mercado consumidor interno exigem cada vez mais insumos par sustentar o crescimento. Cabe ressaltar o enorme potencial de crescimento para da demanda chinesa, ainda mais tendo em vista que s somente em 2011 a população urbana ultrapassou a rural. O consumo de petróleo da China cresceu em média 7,1% a.a. nos últimos 20 anos, o que tornou o país a importador líquido do insumo a partir de 1993 (Figura 1). Enquanto a produção de petróleo passou de 2,8 milhões de rodução barris por dia em 1991 para 4,0 milhões de barris por dia em 2010 (alta de 44% ou 2,0% a.a. o consumo subiu de 2,5 a.a.), milhões de barris por dia para 9,1 milhões de barris por dia no mesmo período, o que correspon a um aumento de corresponde 259%. Assim, em 2010, a China importou 55% do petróleo que consumiu, o que evidencia su dependência em relação sua ao mercado externo. [2] No mesmo período, as reservas provadas chinesas permaneceram praticamente estagnadas (Figura 2), variando entre 14 e 17 bilhões de barris, com tendência decrescente nos últimos dez anos (14,8 bilhões de barris em 2010). Os campos na China estão envelhecendo e o mercado produtor doméstico se aproxima de seu pico. Assim, a China depende da oferta internacional de petróleo para atender ao crescimento da demanda. ional Figura 1- Produção e consumo de petróleo na China (milhões de barris/dia) e dependência externa (%).
10,0 Produção de Petróleo 8,0 Milhões de barris/dia Consumo de Petróleo 6,0 80% 4,0 40% 2,0 0,0 -2,0 0% -40% 120% Milhões de barris/dia 4 Bilhões de barris 16 3 Produção de Petróleo Reservas Provadas 1 8 160%

Figura 2 – Produção de petróleo (milhões de barris/dia) e reservas provadas (bilhões de barris) da China
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Fonte: Elaboração própria a partir de dados da BP.

Fonte: Elaboração própria a partir de dados da BP.

Por isso, o mercado internacional de commodities, em particular o de petróleo, sente cada vez mais os efeitos do “milagre chinês”. A grande busca da China por petróleo contrasta com a recente queda da demanda nos países de desenvolvidos, que vivem uma pesada recessão. Na última década (2001-2010), a China foi responsável por 10,4% do 2010), consumo mundial de petróleo, porém a variação d sua demanda correspondeu a 41,7% do crescimento desse consumo. de De acordo com a Agência Internacional de Energia ( (AIE), quase metade do crescimento da demanda por petróleo nos , próximos cinco anos virá da China. O World Energy Outlook 2010 da AIE prevê que, em 2030 a China importará 79% 2030, do petróleo consumido no país. [3]
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As reformas foram iniciadas com foco na agricultura, onde as comunas agrícolas foram dissolvidas para distribuição da terra e entre os camponeses. Também houve medidas para liberalização gradual dos preços, descentralização fiscal, maior autonomia para empresas estatais, cria ém criação de um sistema bancário diversificado, desenvolvimento dos mercados de ações, crescimento rápido do setor privado, e de abertura ao comércio exterior e investimento.

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A maior parte das importações chinesas vem do Oriente Médio (40%), mas também há importações da África, Ásia, América Latina e Rússia, onde as empresas buscam ampliar sua atuação (Tabela 1). Tabela 1 – Origem das importações de petróleo e derivados da China em 2010 (mil barris por dia). [2] Regiões Oriente Médio África Ásia Países da ex-União Soviética Américas Central e Sul America do Norte e Europa Total Fonte: Elaboração própria a partir de dados da BP 2010 2.383 1.335 959 676 488 122 5.963 % 40% 22% 16% 11% 8% 2% 100%

Desse modo, os investimentos substanciais das companhias chinesas em fusões e aquisições, contratos de serviço e concessões de empréstimos para exploração e desenvolvimento de campos no mundo serão muito importantes para o setor de upstream e para a oferta global de petróleo e gás natural.

2. Estratégias de investimentos e objetivos das empresas estatais de petróleo chinesas em sua atuação internacional.
2.1. As NOCs chinesas e sua evolução Os anos 80 marcaram as reformas econômicas que gradualmente liberalizaram e descentralizaram o setor industrial chinês. Já as investidas chinesas em ativos no exterior são mais recentes, iniciadas na década de 90, ainda sem uma política explícita do governo. Só após a entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, a ideia de levar empresas estatais a competir internacionalmente começou a ser vista com bons olhos pelos dirigentes, pois o período coincidiu com a preocupação com o crescimento das importações de petróleo. [4] O início das reformas no setor de petróleo ocorreu nos anos 80, quando o Governo chinês decidiu converter seus ativos produtores em empresas estatais. O objetivo era introduzir a concorrência, promover eficiência econômica e sujeitar as empresas às regras do mercado. Para tanto, foram criadas as três maiores empresas estatais chinesas – China National Petroleum Corporation (CNPC), China Petrochemical Corporation (Sinopec) e China National Offshore Oil Corporation (CNOOC). A CNPC atuava inicialmente na produção de petróleo e gás onshore, enquanto a Sinopec era responsável pelo refino, distribuição, revenda e petroquímica, dominando o mercado downstream chinês. A CNOOC, comparada às duas primeiras, era relativamente pequena, sendo responsável pelos ativos offshore, uma atividade nova para a China nos anos 90. Porém, tornou-se a mais rentável das National Oil Companies (NOCs). As NOCs também eram geograficamente divididas, com a CNPC controlando a região norte da China e a Sinopec o sul, enquanto a CNOOC dominava a produção offshore. Esses limites foram desfeitos assim que as reformas foram sendo introduzidas, porém as empresas ainda se mantêm especialistas em certas áreas (CNPC na construção e na operação de dutos, Sinopec no refino e CNOOC na produção de petróleo offshore). [4] A CNPC é a maior estatal da China em valor de ativos e uma das maiores do mundo em termos de reservas provadas. Foi criada a partir do antigo Ministério do Petróleo e foi a primeira estatal chinesa do setor, com foco nas operações do upstream. Atualmente, opera no upstream, midstream, downstream, nas atividades de prestação de serviços relacionados e no desenvolvimento tecnológico. Desde meados dos anos 80, explora campos gigantes na China. No início da década de 90, passou a buscar novas oportunidades no exterior, tentando aumentar suas reservas e tornar-se uma empresa multinacional. Assim, entrou fortemente em algumas regiões selecionadas (África e Cazaquistão) e construiu uma cadeia integrada da exploração à revenda. A companhia iniciou sua atuação externa em associações com empresas em pequenos empreendimentos de baixo risco e gradualmente começou a atuar em projetos maiores. Quando o braço internacional do grupo CNPC (CNPC Internacional - CNPCI) foi criado, houve expansão das atividades externas em vários setores, incluindo desenvolvimento e produção, serviços de construção e tecnologia, no upstream e no downstream. A empresa preferiu atuar como operadora na maior parte dos projetos por meio de fusões e aquisições, integração de seus ativos regionais na África e na Ásia Central, e expansão para novas fronteiras e mercados5[5]. Em 2012, atuava em 29 países, incluindo Iraque, Irã, Cazaquistão, Venezuela e Indonésia, sob diferentes modelos de contrato. No fim de 2010, participava de 35 joint-ventures em projetos de exploração e produção no mundo.[6]
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Turcomenistão na Ásia Central; Equador na América do Sul; Niger e Chad na África; e Rússia.

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A Sinopec é a empresa que dom domina o setor de downstream na costa da China, onde a crescente demanda foi suprida por importações, principalmente do Oriente Médio. Tornou-se uma empresa integrada em 1998, quando recebeu ativos de upstream da CNPC em troca de alguns de seus ativos. Teve ações listadas nas bolsas de Nova York, Hong . Kong, Londres e Shangai em outubro de 2000 e agosto de 2001. Seu braço internacional, a Sinopec International Company foi constituído em 2002, quase 10 anos após a Company, CNPC. Por ser uma empresa mais focada em downstream, possui relacionamento com parceiros que fornecem petróleo or , e empresas de comercialização. Sua estratégia passa por investir em exploração e refino em países do Oriente Médio (Irã, Arábia Saudita e Iêmen), da África e da América do Sul. Mantém parcerias internacionais nas áreas de Exploração antém e Produção (E&P) (em 2010, foram assinados nove novos projetos), contratos de serviços (448 contratos em execução jetos), em 35 países), refino e petroquímica (11 projetos incluindo Arábia Saudita e Cazaquistão) e comércio internacional.[7] projetos, A CNOOC, por sua vez, é a terceira maior estatal da China, especializada em pr projetos de E&P offshore e atividades relacionadas. Desde sua criação no início da década de 80, a cooperação internacional faz pa de suas criação, parte operações, com foco em fusões e aquisições com International Oil Companies (IOCs). Em 2001, a empresa lançou uma bem sucedida IPO nas bolsas de Nova York e Hong Kong, o que contribuiu para elevar seu portfólio de m investimentos.[8] Há outras empresas chinesas do setor que atuam no exterior. A Sinochem, por exemplo, maior empresa de exportação e importação de petróleo e petroquímicos do país, atua no setor upstream internacional desde 2002, com foco no Sudeste Asiático e na América do Sul, tendo investi no Brasil. a investido Duas destas empresas listadas acima (CNPC e Sinopec) estão entre as maiores mundo de acordo com o mundo, ranking global Fortune[9] (Tabela 2). Além dessas a CNOOC e a Sinochem também têm se destacado por sua atuação dessas, m no exterior. Tabela 2 – Ranking, receitas, lucros e ativos das maiores empresas chinesas do setor em 2010. [10] 2010 Ranking Global Fortune Receitas (US$ bi) Sinopec 5 273,4 CNPC 6 240,2 CNOOC 162 52,4 Sinochem 168 49,5 Fonte: Ranking mundial da Fortune em 2011. 2.2. Arranjo institucional do setor de energia chinês O Partido Comunista chinês possui vários níveis de controle sobre as empresas do setor de petróleo e gás omunista (Figura 3). O setor de energia permanece como ponto estratégico e sujeito a mais controle governamental, porém houve grande deslocamento de poder, recursos financeiros, humanos e de conhecimento do Governo para as empresas estatais overno pós-reforma. A reestruturação da burocracia fragmentou o setor de energia em diversas agências governamentais, algumas com falta de orçamento e de pessoal, e politicamente mais fracas que as empresas estatais Por isso, as estatais ue estatais. chinesas do setor de petróleo são relativamente autônomas e possuem interesses nacionais e internacionais próprios que nem sempre coincidem com os interesses do Governo.[4] Figura 3 – Relações entre o Gover chinês e as empresas estatais. [4] Governo Lucros (US$ bi) 7,6 14,4 7,2 0,8 Ativos (US$ bi) 225,4 399,1 93,7 32,1

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Legenda: CNE – Comissão Nacional de Energia, AASAE – Agência de administração e supervisão de ativos estatais, MF – Ministério das finanças, MRE – Ministério das relações exteriores, ARDN – Agência de reforma e desenvolvimento nacional, ANE – Agência nacional de energia, ARBC – Agência regulatória dos bancos chineses Fonte: Jiang e Sinton, 2011. A CNPC, a Sinopec e a CNOOC foram criadas a partir do antigo Ministério do Petróleo. As duas primeiras chegaram a atuar como agências governamentais. No início da década de 90, foi criada a Agência de Administração e Supervisão de Ativos Estatais (AASAE), que tem autoridade formal sobre as empresas estatais e indica os altos cargos gerenciais. Embora a AASAE tenha sido relativamente passiva em relação às NOCs, passou a atrelar o salário de seus gerentes ao desempenho financeiro das companhias. Então, o principal instrumento de poder do Partido Comunista sobre as NOCs é a escolha de seus máximos dirigentes. Eles devem tomar decisões levando em conta os interesses das companhias e do partido, especialmente se possuírem aspirações políticas. O partido também controla as estatais por meio do sistema de aprovação de investimentos. Os investimentos domésticos devem ser aprovados pelo Governo; os investimentos externos que excedam US$30 milhões, pela Agência de Reforma e Desenvolvimento Nacional (ARDN), e aqueles superiores a US$ 200 milhões, pela ARDN e pelo Conselho Nacional de Energia (CNE). Por último, embora as NOCs não precisem de financiamento de baixo custo dos bancos chineses por terem recursos próprios, estes podem servir como atrativo para o Partido Comunista aumentar sua influência sobre elas.[11] Vale lembrar que não existe um Ministério da Energia na China. O único órgão cuja autoridade se estende por todo o setor de energia é a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC, na sigla em inglês), órgão máximo de planejamento econômico. Além do Conselho de Estado, o controle sobre o processo de internacionalização das empresas chinesas é realizado por três organismos governamentais: a NDRC, o Ministério do Comércio (MOFCOM, antigo MOFTEC) e o State Administration of Foreign Exchange (SAFE).[12] Uma das preocupações quanto à atuação das NOCs chinesas no exterior diz respeito ao grau de interferência do Governo na tomada de decisões. Alguns analistas consideram-nas braços do Governo chinês, e entendem que a ajuda financeira estatal “viola as regras do jogo” por não estar disponível às concorrentes no mercado internacional.[11] Outra visão é de que a relação das estatais com o Governo é fragmentada, descentralizada, e em constante evolução. Embora as empresas chinesas invistam no exterior com objetivo de buscar segurança energética para o país, suas ações sugerem que a escolha dos ativos é guiada por oportunidades comerciais identificadas no mercado mundial. [4] As companhias não são totalmente submissas aos interesses do governo chinês. Elas possuem grande poder de negociação com o Governo, graças a sua associação histórica com ex-ministros, e da alta cúpula gerencial com o Partido Comunista. As NOCs chinesas, às vezes, tomam decisões que privilegiam os interesses corporativos em detrimento dos interesses nacionais. Por exemplo, a CNPC e a Sinopec já reduziram o processamento de petróleo nas refinarias para pressionar o governo a aumentar os preços dos derivados. Dessa forma, percebe-se que a crença de muitos analistas de que as NOCs chinesas se submetem totalmente aos objetivos do Governo carece de fundamento. Isso ocorre porque, apesar de o Estado ser detentor da maioria de suas ações, este não controla as NOCs. [4] [12] Cada vez mais, estas empresas tomam suas decisões de investimento com base nos sinais do mercado.[1] As grandes estatais de energia chinesas e, em particular, as NOCs exercem uma influência significativa na política energética. [4] [12] Esse poder deriva da transformação da China de uma economia planificada para uma economia socialista de mercado, o que envolveu a transformação de estruturas ministeriais em corporações. [12] Como parte do processo, a CNPC e a Sinopec mantiveram seu status de Ministério e seus executivos-chefes, posições equivalentes a de vice-ministro, e a CNOOC possui o status político de um Bureau geral. Consequentemente, as NOCs chinesas têm acesso aos mais altos escalões de governo e podem influenciar diretamente a formulação da política energética. Por essa razão, alguns analistas costumam caracterizar a situação vigente no setor energético chinês como “Empresas fortes, instituições fracas”. Outra forma de analisar o setor seria considerar até que ponto as NOCs são formuladoras e não executoras de política, uma vez que elas retêm benefícios políticos do poder ministerial, e as carreiras individuais dos executivos das NOCs e do Governo estão entrelaçadas. Como exemplos de executivos com carreira na indústria do petróleo que passaram a ocupar altos cargos políticos, podese citar: Zeng Qinghgong, Zhou Youngkang e Wu Yi. [13] Também há aqueles que fizeram o caminho inverso, e deixaram seus postos no Governo para assumir posições executivas seniores na CNPC. Com relação à política externa, Downs alerta para o fato de que nem sempre os objetivos corporativos coincidem com as prioridades nacionais de política. Um bom exemplo disso foi a oferta competitiva entre CNPC e Sinopec por projetos de dutos no Sudão, o que desagradou as lideranças políticas da China. Estas, certamente, teriam preferido que as duas empresas atuassem em conjunto nos negócios realizados no exterior, concentrando seus esforços em áreas mutuamente exclusivas a fim de evitar a competição direta. [13] Segundo o estudo da AIE, o poder das NOCs com relação ao Governo foi amplamente demonstrado por meio do sucesso do seu lobby para evitar a formação de uma Agência de Energia em nível ministerial. Este fato deixa o Governo com pouca força para perseguir seus objetivos estratégicos, já que as várias agências e organismos trabalham frequentemente com objetivos cruzados. A recém formada CNE, por exemplo, possui representante de 20 agências e ministérios, caracterizando a descentralização e a fragmentação do poder. [4] 5

2.3. Investimentos internacionais das principais empresas chinesas do setor de petróleo – Objetivos, estratégias e perfil Os anos 80 marcaram as reformas econômicas que gradualmente liberalizaram e descentralizaram o setor industrial chinês. Já a internacionalização das NOCs chinesas se insere num contexto mais amplo, que se iniciou nos anos 90, com a chamada “terceira onda” dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IED). Esta é caracterizada pela maior diversificação geográfica, com o ressurgimento da América do Sul e com a inclusão da Rússia e da África do Sul como destinos. [14] A partir dos anos 2000, foram implementadas mudanças na política de incentivos à internacionalização e à simplificação de procedimentos. Em 2001, a China ingressou na OMC. As discussões iniciais da estratégia de segurança energética da China estão contidas no décimo plano quinquenal (2001-2005), que enfatizou a necessidade do uso mais eficiente da energia, da diversificação da matriz energética e do aumento da importação de petróleo e gás natural. Tendo em vista os crescentes preços das fontes de energia e o aumento da competição, a China percebeu a importância de complementar as compras diretas de petróleo e gás com recursos energéticos provenientes de projetos sob controle direto de suas empresas. Assim, estimulou maiores investimentos em ativos no exterior. As motivações das NOCs chinesas para realizar investimentos em outros países buscam conciliar objetivos governamentais e de natureza comercial como, por exemplo, transformar as estatais-chave em empresas mundialmente competitivas, aumentar reservas de óleo e gás e adquirir expertise em novas tecnologias. Além disso, possuem como foco a aquisição de ativos que complementem seus portfólios e integrem sua cadeia de suprimento. As empresas chinesas também buscam aumentar seus lucros expandindo-se para o exterior e compensando perdas obtidas no mercado doméstico. Em particular, CNPC e Sinopec investem no mercado externo para ajudar a mitigar grandes perdas incorridas nas operações de refino, por conta dos preços internos controlados pelo Governo. Adicionalmente, alguns dos ativos adquiridos internacionalmente pelas NOCs chinesas buscam aumentar a capacidade técnica das empresas, ter acesso à tecnologia avançada e desenvolver habilidades em gerenciar grandes projetos. Em novembro de 2009, a CNOOC assinou um acordo com a Statoil norueguesa para adquirir participação em quatro projetos no Golfo do México. Com esse negócio, a CNOOC não só passou a participar do desenvolvimento da região do Golfo, como também avançou no desenvolvimento de tecnologias de E&P offshore. Em alguns casos, as parcerisa IOCs –NOCs permitem o ganho de experiência na exploração e produção de petróleos não convencionais e localizados em águas profundas. Em outros, as NOCs permitem às IOCs o acesso às suas reservas, quando não dispõem de capacidade para desenvolvê-las, e conseguem, como contrapartida, transferência de tecnologia. [9] A CNPC e a Sinopec têm se mostrado bastante ativas na busca por expertise em águas profundas. A Sinopec tem grande interesse nos projetos de E&P em águas profundas de Angola e Brasil. No último caso, a concessão de empréstimos à Petrobras para que esta possa dar seguimento ao seu ambicioso programa de investimento constituiu uma importante vantagem competitiva da Sinopec, que obteve um compromisso contratual de transferência de tecnologia de águas profundas por parte da empresa brasileira.[9] Nos dias de hoje, com as NOCs chinesas cada vez mais orientadas pra o mercado, uma porção significativa da produção externa não chega a entrar no país. Nenhuma parte da produção chinesa no Azerbaijão e no Canadá flui para a China, por exemplo. Apesar de o governo venezuelano declarar que embarca de 400 a 500 mil barris de petróleo/dia para a China, os dados da aduana mostram que apenas 150 mil barris/dia de petróleo chegaram aos portos chineses em 2010. Essa enorme discrepância sugere que as NOCs chinesas vendem a maior parte do petróleo produzido na Venezuela no mercado, como uma forma de evitar os altos custos de logística associados à grande distância que separa estes dois países. A disponibilização das linhas de crédito com taxas de juros abaixo das praticadas pelo mercado para investimentos preferenciais constitui outro instrumento de incentivo ao investimento estrangeiro direto. O China Development Bank (CDB) e o China Export and Import Bank (Exim Bank) merecem destaque na concessão de financiamentos subsidiados, embora outros bancos também desempenhem esse papel. [13] Em 2004, o NDRC e o China Eximbank anunciaram que disponibilizariam uma linha de crédito preferencial para empresas chinesas realizarem a aquisição de ativos no exterior incluindo desenvolvimento de recursos, que beneficiou a CNOOC. Em 2006, a empresa recebeu um empréstimo de US$1,6 bilhão num prazo de 10 anos para suas operações na Nigéria a taxa de juros de 4,05%, bem abaixo da taxa vigente em Pequim para empréstimos comerciais naquela época (4,68%). A mesma empresa também conseguiu financiamentos para realizar a sua oferta mal sucedida em Unocal (empresa de petróleo californiana) em 2005, incluindo um empréstimo de US$4,5 bilhões a uma taxa de 3,5% e outro de U$2,5 bilhões com taxa zero, de sua matriz. [13] Uma das estratégias de entrada das estatais chinesas nos países estrangeiros passa pelo financiamento das atividades de E&P pelos bancos chineses e, em alguns casos, o governo chinês é envolvido diretamente na realização do acordo. É a chamada troca de “mercado pelo recurso”, onde se garante acesso ao mercado chinês em troca do petróleo produzido no país, e exportado para a China. O enorme mercado consumidor chinês é o maior atrativo para as empresas realizarem esta parceria. Desde 2009, já foram concluídos 12 acordos de empréstimo em troca de fornecimento de petróleo ou gás natural, para nove países (Rússia, Venezuela, Brasil, Angola, Bolívia, Equador, Gana, Cazaquistão, Turcomenistão). No fim de 2010, o total de empréstimos alcançou aproximadamente US$77 bilhões. Adicionalmente, o Governo tenta influenciar ou facilitar o investimento por meio de negociações com o país hospedeiro, com a celebração de acordos bilaterais ou através do fortalecimento das relações diplomáticas. Destaca-se o 6

papel dos acordos internacionais (International Investment Agreements - IEE), que, em geral, incluem cláusulas relacionadas à promoção de investimentos e à proteção jurídica de investimentos estrangeiros. [14] No início dos anos 90, as NOCs chinesas ainda não conseguiam competir com as gigantes do setor e, por essa razão, negociaram com países com relações complicadas com o Ocidente. Esse foi o caso do Sudão, onde a CNPC ganhou a oferta do projeto de produção no bloco 1/2/4 em 1996. Enquanto as empresas norte-americanas foram proibidas de investir naquele país, após os EUA terem classificado o Sudão como um país que dava suporte ao terrorismo, o principio de Pequim de não intervenção permitiu que as NOCs chinesas perseguissem os seus objetivos comerciais no país sem nenhum impedimento. Desde então, as NOCs chinesas têm desfrutado de uma parceria bastante lucrativa com o governo sudanês. As importações de petróleo chinesas do Sudão aumentaram de 270 mil toneladas em 2009 para 13 milhões de toneladas em 2011. Em termos de suporte financeiro indireto, o Governo chinês proveu os Governos dos países produtores de petróleo de incentivos financeiros, em contrapartida à concessão de oportunidades de investimento às NOCs chinesas. Essas ajudas financeiras e projetos de infraestrutura contribuem para a consecução dos objetivos mais gerais da política externa de Pequim, como aumentar a influência política e econômica do país no mundo e criar empresas mundialmente competitivas. [14] Muitas das aquisições das NOCs chinesas estão ligadas a investimentos em infraestrutura que não pertencem ao setor de Óleo e Gás (O&G) realizados por outras empresas chinesas. Esse é o padrão vigente principalmente nos países da África, onde ainda há um grande déficit de infraestrutura. Alguns países produtores de petróleo, como Angola e Nigéria, sinalizaram que dariam preferência às empresas de O&G estrangeiras que pudessem oferecer pacotes econômicos atrativos em contrapartida às oportunidades de investimento. O principal exemplo disso foi o crédito de US$ 2 bilhões concedido pelo China Eximbank ao Governo angolano em 2004, a uma taxa de juros de 1,5% em 17 anos, para financiar a construção de infraestrutura por companhias chinesas. O crédito foi liberado à medida que cada projeto evoluía. Existe consenso de que o pacote de financiamentos oferecido a Angola persuadiu o governo local a rejeitar o plano da Shell de vender sua participação no bloco 18 para a indiana ONGC Videsh, e só permitiu sua alienação para a Sinopec. O China Eximbank forneceu um crédito adicional de US$3 bilhões durante a primeira metade de 2006. O Governo chinês ofereceu ainda aos países produtores de petróleo empréstimos e financiamentos com juros baixos a taxa zero para programas de saúde pública e medicamentos como, por exemplo, o da Nigéria, em 2004 e o do Quênia, em 2006. Mais recentemente, em 2010, a China emprestou US$ 20 bilhões à Venezuela, o que tornou os lances chineses para os blocos ofertados no Orinoco muito mais competitivos. Pela perspectiva das vantagens de custos, um bom exemplo é o projeto de redesenvolvimento do campo Tumaila no Iraque, no qual a CNPC detém uma participação de 29%. Muito embora a BP seja a operadora, a CNPC dispõe de um corpo técnico muito maior, e o projeto se sustenta na cadeia de suprimento da NOC chinesa, que compra equipamentos de baixa tecnologia dos fornecedores das suas afiliadas a custos módicos. Muitas das vantagens competitivas que as NOCs possuem derivam do acesso relativamente fácil ao capital advindo das instituições financeiras controladas pelo Estado, e que foram direcionadas pelo Governo a dar suporte às aquisições no solo estrangeiro. As empresas CNPC, Sinopec e CNOOC participaram em mais de 70 projetos de E&P em mais de 30 países. A crise financeira de 2008 e a queda dos preços do petróleo proporcionaram boas oportunidades de negócios para as NOCs chinesas expandirem suas aquisições no exterior. Para as empresas com dinheiro em caixa, o ambiente econômico atual oferece oportunidades para o aumento das reservas por meio de fusões e aquisições. [15] A escassez generalizada de liquidez que resultou do agravamento da crise financeira de 2008 exerceu uma grande pressão em algumas empresas de petróleo com alto grau de alavancagem financeira e afetou profundamente os países produtores com uma estrutura industrial simples. A crise financeira e a recessão em alguns países criaram novas chances para a aquisição de ativos de alta qualidade a preços abaixo da média. Em 2009, no pós-crise, quando grande parte das companhias de petróleo cortaram investimentos, as chinesas investiram em 10 aquisições no exterior, totalizando US$ 18,2 bilhões. De acordo com a AIE, em 2010 as companhias chinesas investiram cerca de US$ 30 bilhões no setor de petróleo e gás mundial, sendo mais da metade investido na América Latina (US$ 15,74 bilhões). Inicialmente, o investimento estrangeiro direto da China em outros países ocorreu na forma de “greenfield investment”, que consiste na construção de novas instalações de E&P, transporte e refino. Além de prover a China de reservas de O&G, também promove a exportação de produtos e mão de obra. A probabilidade de encontrar grandes quantidades de petróleo e gás natural convencionais se torna cada vez mais baixa, o que faz com que o foco das operações mude para áreas mais remotas, em profundidades cada vez maiores e em áreas de produção de petróleo não convencionais com estruturas complicadas. O ciclo de investimentos vem se tornando cada vez mais longo. Esses fatos fizeram com que a China passasse a visar fusões e aquisições como método de investimento. [15] Isso permite a redução do tempo necessário para desenvolver os ativos de O&G, além de proporcionar a vantagem de usufruir da experiência gerencial e dos canais de mercado das empresas adquiridas, que tendem a ser relativamente mais maduras. A estratégia de investimentos em ativos no exterior cada vez mais orientada ao mercado pode ser ilustrada pelo retorno da China à E&P das areias betuminosas do Canadá, cujas reservas provadas situam-se atrás apenas da Arábia Saudita e da Venezuela.[16] Frustrada com a relação turbulenta com o Governo conservador que subiu ao poder no Canadá em janeiro de 2006, as NOCs chinesas abortaram seu plano de participar diretamente na E&P de areias betuminosas canadenses em julho de 2007. Esse foi uma indicação clara de que as NOCs chinesas preferem realizar seus investimentos em países 7

amigáveis politicamente, como a Venezuela.[10] Contudo, o ambiente político e a regulação estável no Canadá, aliado ao tamanho das reservas existentes, fez com que este pais voltasse a despertar o interesse das NOCs, que investiram US$ 15 bilhões na província de Alberta somente em 2010. Considerando que o Partido Conservador continua no poder desde 2006, esse fato sugere que a estratégia das NOCs chinesas passou a ter motivações menos políticas e mais orientadas ao mercado na realização de investimentos em ativos externos. Entre 2006 e 2011, as empresas chinesas realizaram mais de 200 transações de O&G, totalizando mais de US$135 bilhões. Esse valor inclui VPPs6, que somaram US$35 bilhões. Desse total, cerca de 1% direcionou-se à aquisição de ativos no país e 4% na Ásia, enquanto a maior parcela destinou-se a ativos localizados fora do continente asiático.[1] Os investimentos em O&G apresentaram uma relativa diversificação, embora haja uma predominância de ativos adquiridos nos países da antiga União Soviética (principalmente Cazaquistão e Rússia), Brasil e, em menor grau, Venezuela, além de Sudão e Angola. Os investimentos na América do Norte nesse período foram relativamente modestos, mas estão crescendo, e se concentram primariamente nas areias betuminosas do Canadá. Mais recentemente a CNOOC fez uma joint-venture com a Chesapeake Energy para explorar o shale gas norte-americano envolvendo um terço do play Cheasepeake Eagle Ford no Texas. Os investimentos das empresas de O&G chinesas se concentraram no upstream, cujo montante envolvendo reservas e produção correspondeu a 79% do valor total das transações, enquanto os gastos com aquisição de áreas correspondeu a 3%. As transações no downstream tiveram uma participação de 3%, assim como a de venda de serviços nos campos de produção. A partir de uma perspectiva dos plays, os investimentos chineses se dividiram em: transações VPP (31%), negócios envolvendo ativos convencionais (23%), águas profundas (14%) e diversos (14%). [1] Vale ressaltar que existem controvérsias relacionadas ao real montante de investimento estrangeiro direto da China em outros países, devido ao chamado “round tripping”, caracterizado pelo envio de capital da China para Hong Kong e o retorno desse investimento para a China, devido a fatores como vantagens e incentivos fiscais, proteção aos direitos de propriedade, expectativas de controle de câmbio e competitividade de Hong Kong em relação aos serviços financeiros. Segundo Xiao (2004), o round-tripping pode acarretar uma superestimação que varia de 25 a 50% no IED chinês.[17] Quando concorrem no mercado internacional, longe do oligopólio que caracteriza o mercado chinês, as NOCs devem atuar como empresas privadas. A cooperação com empresas locais e outras empresas estatais e privadas tem se mostrado fundamental para a entrada em países considerados “hostis”, onde as chinesas têm pouca ou nenhuma atividade no setor petróleo e para reduzir os riscos em seus investimentos. Este foi o caso da participação das companhias chinesas no Iraque em 2009. Fazer ofertas em parceria diversifica os riscos da companhia em países politicamente instáveis ou que possuem diferenças culturais muito grandes com a China e permite às NOCs chinesas aprender a operar no país com as empresas parceiras. Na África, inicialmente as empresas chinesas entraram sozinhas, porém atualmente buscam estabelecer parcerias estratégicas com outras companhias de petróleo. Apesar dos sucessos recentes, nem sempre as NOCs conseguiram atingir seus objetivos. Em 2009, por exemplo, os chineses não conseguiram comprar ativos na Angola e Líbia, pois as empresas nacionais desses países exerceram seus direitos de preferência para bloquear a entrada das chinesas nos blocos. Adicionalmente, a falta de experiência com relações públicas e lobby gerou decepção nos EUA. A tentativa e conseqüente falha da CNOOC em adquirir a empresa Unocal7 nos EUA em 2005 gerou desconfiança entre os dois países. As NOCs chinesas têm que lidar com um nacionalismo crescente nos países que tem abundância de recursos naturais. De acordo com dados da AIE, as companhias chinesas operavam em 2010 em 31 países e tinham participação na produção em 20 países. A produção das três maiores estatais no exterior em 2010 (cerca de 1,21 milhão de barris/dia) equivalia a 25,7% da necessidade de importação de petróleo da China (4,7 milhões de barris/dia). Apenas uma parte, entretanto, é enviada de fato para a China. [2] Tabela 3 - Produção de petróleo, na China e no exterior, das 3 maiores empresas chinesas em 2010(mil barris/dia).[2] CNOOC Internacional China 107 615 Sinopec 373 863 CNPC 731 2.138 2.868

Total 722 1.236 Fonte: Elaboração própria a partir dos relatórios anuais das empresas.
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Volumetric production payment (VPP) é um tipo de financiamento que vem sendo utilizado na indústria de O&G por muitas décadas. Ele envolve a venda de um percentual da sua produção por parte do detentor do ativo em troca de um pagamento adiantado. Tipicamente as companhias pequenas e medias têm utilizados acordos VPPs como um aforma de levantar capital e continuar detendo a totalidade do ativo de produção e não diluir as ações da empresa. 7 Em março de 2005, os chineses da CNOOC tentaram adquirir a Unocal (Union Oil Company of California) com uma oferta que girava entre U$16 bilhões e U$ 18 bilhões. Em seguida, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos encaminhou a proposta ao presidente George W. Bush, alegando que o acordo precisava ser revisto, por suas implicações para a segurança nacional. A CNOOC retirou sua oferta. Logo depois, Unocal se fundiu com a Chevron.

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Finalmente, cabe ressaltar que as NOCs chinesas também almejam se tornar empresas integradas de energia pela construção de partes da cadeia de valor que tragam sinergias ao seu portfólio. Essa visão acarretou a intensificação ao na sua busca por ativos globais. A Sinopec visa a obtenção de uma oferta global de petróleo para alimentar as suas refinarias domésticas e, portanto, tem foco na aquisição de ativos no upstream. A CNPC, por outro lado, quer se tornar , internacional no segmento downstream, para conseguir sinergias com seu crescente segmento upstream. A aquisição da , Singapore Petroleum Company pela Petrochina, subsidiária da CNPC, é um exemplo disso, e vai fortalecer a pos posição da empresa no comércio internacional, além de adicionar capacidade de refino, de estocagem, de dutos e outros ativos de logística em Cingapura. [19] Tendo em vista essas estratégias, fica claro que a competição entre as NOCs deve se intensificar, à m medida que elas tenham interesses superpostos. Existe alguma diferenciação entre a aversão ao risco e tipos de ativos que interessam a cada NOC, o que pode ajudar a mitigar essa competição Mas a análise dos investimentos já realizados competição. as sugere que elas não atuam de forma coordenada. tuam

3. A participação da China no setor upstream brasileiro e no pré-sal
3.1. A entrada dos investimentos chineses no Brasil Embora a China tenha começado a atuar como grande investidor estrangeiro externo em 2007, a entrada dos investimentos chineses no Brasil só ganhou força a partir de 2010, quando se tornou um dos principais destinos de nvestimentos investimentos diretos chineses. [20] (Figura 4) Figura 4. Evolução dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) Chineses no Mundo. .

Entre 2006 e 2010, o País recebeu US$14,9 bilhões da China, de acordo com a China Global Investment Tracker (publicação da Heritage Foundation)8 [20]. Para efeitos comparativos, estes investimentos estão no mesmo patamar de Nigéria e Irã, países que lideraram os investimentos chineses em seus continentes. Os investimentos chineses nos EUA se encontram em um patamar superior, e totalizaram US$ 28 bilhões. [21] Por sua vez, o Conselho Empresarial Brasil China (CEBC) calculou o investimento da China no Brasil em Brasil-China 2010 em US$ 12,7 bilhões, montante que representaria 26,6% do total de IEDs no País no ano (US$48,46 bilhões). [17] A maior parte dos investimentos chineses se refere à compra de participação em companhias internacionais aqui instaladas, o que representa apenas a troca de controle entre empresas estrangeiras. Se esta troca de controle fosse nas desconsiderada, o total de investimentos chineses no Brasil seria de apenas US$1,5 bilhão. Entretanto, o valor de US$ 12,7 bilhões marca a consolidação da presença chinesa no Brasil por meio de IEDs. Do capital chinês investido no Brasil em 2010, 93% foi proveniente das Empresas Estatais Centrais (Central State-Owned Enterprises ou Central SOE), 6% de SOEs (Empresas Estatais ou State Owned Enterprises) e 1% de Owned State-Owned iniciativa privada. As Central SOEs representam um conjunto de 123 grandes corporações pertencentes a setores estratégicos da s economia chinesa, e estão sob a supervisão direta do governo central por meio da AASAE. Além disso, o Governo chinês faz uma distinção entre essas 123 empresas, classificando 23 delas como “a Espinha Dorsal da China”. Destas as 23, sete anunciaram investimentos no Brasil, a saber: China National Cereals, Oils and Foodstuffs Corporation (COFCO), Dongfeng Motors, State Grid, China Railway Constructi , Baosteel, Sinopec e Sinochem [17]. A entrada de Construction, tantas estatais centrais chinesas no setor produtivo brasileiro pode ser indicador de um interesse estratégico e orientado pelo Governo chinês, um processo que não é meramente temporário, nem mesmo facilmente reversível. overno facilmente As companhias chinesas preferem entrar no Brasil por meio de fusões e aquisições, que em 2010 corresponderam a 67% dos investimentos realizados no país, sendo 46% correspondentes a compra parcial e 21% a compra total.
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Exclui compra de títulos públicos e investimentos abaixo de US$100 milhões. pra

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Somente 10% do montante total foram investidos na forma de "joint ventures", que alia capital externo ao ante nacional em parcerias estratégicas envolvendo participação acionária na criação de uma nova empresa com uma finalidade específica. A terceira modalidade, denominada " "greenfield" (construção de instalações totalmente novas no " país de destino por um investidor estrangeiro, que tem o controle total da construção e operação dos ativos), representou 23% do total de investimentos da China no Brasil. Figura 5. Modo de ingresso dos investimentos chineses no Brasil em 2010 . dos 10% Fusões e aquisições (Parcial) 21% 46% Greenfield Fusões e aquisições (Completa) 23% Fonte: CEBC. Elaboração própria. Joint Ventures

Por setores da economia, a maior parte dos investimentos chineses anunciados em 2010 se refere à área de petróleo e gás, totalizando 45%. Figura 6. Investimentos chineses por setores da economia brasileira em 2010. . 10% 3% 2% 45% 20% Energia (Petróleo e Gás) Agrobusiness Mineração Siderurgia 20% Fonte: CEBC. Elaboração própria. O setor de petróleo recebeu o maior volume de investimentos chineses em 2010 - US$ 10,1 bilhões, dos quais US$ 7,1 bilhões na compra de 40% da Repsol pela Sinopec[23, 24 e 25] e US$3,07 bilhões pagos pela Sinochem por 40% do campo de Peregrino, que pertence à norueguesa Statoil. Em 2009, o Banco de Desenvolvimento da China fechou um empréstimo de US$ 10 bilhões à Petrobras, com prazo de dez anos, pelo qual se acertou um aumento no volume de exportação do petróleo para o país asiático (Tabela 4). Tabela 4. Investimentos estatais chineses no setor de petróleo e gás brasileiro. .
Empresa Banco de Desenvolvimento da China - BDC Sinochem Sinochem Sinopec Sinopec Sinopec Data 2009 2010 2012 2010 2011 2012 Valor US$ 10 bilhões US$ 3,07 bilhões Não divulgado ivulgado US$ 7,1 bilhões Não divulgado US$ 4,8 bilhões Descrição Petrobras dará preferência às chinesas na compra de bens e serviços e referência venderá petróleo à subsidiária da Sinopec durante 10 anos (entre 150 e 200 mil barris/dia) Aquisição de participação no Campo de Peregrino da Statoil Aquisição de participação acionária em 5 blocos da Perenco em águas profundas Aquisição de 40% da Repsol Brasil. Inclui acesso ao pré sal Exploração em parceria com a Petrobras de dois bloc na bacia Paráblocos Maranhão 30% dos ativos da Galp Energia no Brasil. Inclui pré sal de Santos

Energia elétrica

Fonte: Notícias. Diversas fontes.

[23][24][25][26]

Após o acordo com o BDC, em 2010 as exportações brasileiras de petróleo para a China alcançaram US$ 4,05 bilhões, elevação expressiva se comparada a 2009, quando as vendas de petróleo foram de US$ 1,33 bilhão. Em 2011, o Brasil exportou para a China cerca de US$ 4,88 bilhões de petróleo, respondendo por 11% das exportações brasileira brasileiras para a China, que somaram US$ 44,3 bilhões. Apesar de o apetite por commodities ser a parte mais relevante da história do investimento chinês no Brasil até o momento, a China está buscando uma diversificação de portfólio [17]. Seu primeiro foco foi busc segmentos que buscar 10

assegurassem suprimentos de matéria-prima, como alimentos, minério de ferro e cobre. Hoje, está em curso a "segunda fase do investimento", com os chineses chegando com força em projetos de manufatura com agregação de valor e tecnologia [18 e 26]. De acordo com Oded Shenkar[22], três fatores vão estimular os investimentos chineses em 2012. O primeiro continuará sendo a necessidade de garantir o suprimento de energia, recursos naturais e alimentos ao país. Mesmo se a China desacelerar, ele crê que a demanda por recursos continuará forte. O segundo fator ficou mais evidente em 2011, com a crise da dívida europeia e a ameaça de calote americano: a necessidade de Pequim de diversificar seus investimentos, limitando a exposição a títulos soberanos. Há uma tendência de mudança do portfólio de títulos para ativos reais. O terceiro fator é o crédito fácil e barato, o que deixa empresas chinesas em vantagem em relação a rivais ocidentais que estão com dificuldade de se financiar nos bancos e mercados de ações locais. O custo financeiro menor faz com que os chineses possam aceitar taxas de retorno menores.

Conclusão
De acordo com a AIE, a demanda por petróleo deverá crescer 50% até 2030, o que requer ampliação da oferta mundial. O mundo precisa de mais capacidade ociosa e produção, que deve ser originada de petróleos convencionais e não convencionais e, nesse sentido, as NOCs devem ser vistas como de grande utilidade na elevação da capacidade de produção do sistema energético mundial. As NOCs chinesas ainda estão em estágio inicial de internacionalização e não podem ser comparadas às atividades das maiores IOCs, especialmente em relação à produção diária de petróleo. É mais provável que haja cooperação e parcerias entre NOCs e IOCs e entre NOCs[5] nas Américas, particularmente, no Brasil. As NOCs chinesas devem investir no suprimento de petróleo de longo prazo (p.ex. nas areias betuminosas canadenses ou no pré-sal brasileiro), e para garantir acesso a tecnologias específicas, como a relacionada ao shale gas norte-americano, dado que a China detém as maiores reservas mundiais desse gás não convencional. Para muitas empresas, os investimentos chineses podem proporcionar o capital operacional necessário para projetos com falta de recursos financeiros. Em outros casos, as NOCs chinesas podem competir agressivamente por ativos com empresas regionais e IOCs e, nesse caso, dispõem de vantagens competitivas financeiras. Em relação às futuras licitações e ao novo marco regulatório, uma preocupação surge quanto ao comportamento das empresas chinesas nas rodadas. A licitação das áreas estratégicas e do pré-sal, conforme o artigo 18 da Lei 12.351/10, prevê que “o julgamento da licitação identificará a proposta mais vantajosa segundo o critério da oferta de maior excedente em óleo para a União”. E que a Petrobras será operadora de todos os blocos contratados sob regime de partilha de produção, sendo obrigada a aderir às regras do edital e à proposta vencedora (art. 4º e art. 20º, § 1º). Se as estatais chinesas buscassem apenas garantir o petróleo suficiente para atender o mercado interno, elas poderiam oferecer percentuais de excedente em óleo insuficientes para gerar retorno positivo do investimento. Isto geraria um problema financeiro à Petrobras, que é obrigada a aderir às regras do consórcio. De acordo com o inciso “c” do artigo 20, “a participação mínima da Petrobras no consórcio não poderá ser inferior a 30% (trinta por cento).” No entanto, as seções anteriores do presente trabalho mostraram que as NOCs chinesas possuem objetivos muito mais amplos, que transcendem a mera busca por segurança energética. Essas estatais do petróleo buscam a diversificação de seus ativos no exterior, como forma de ter acesso às novas tecnologias, e o fortalecimento de suas posições no cenário mundial. Procuram também compensar perdas decorrentes de sua atuação no mercado doméstico, que ainda se encontra com preços regulamentados. Para tanto, buscam as melhores oportunidades comerciais no exterior e estabelecem parcerias com empresas locais para diversificar os riscos. Assim, ainda que seja um cenário possível, parece pouco provável que as estatais chinesas entrem sozinhas, oferecendo percentuais de excedente em óleo que causem prejuízo à Petrobras. Dessa forma, tendo em vista as estratégias adotadas pelas NOCs chinesas, essas empresas podem se tornar, no longo prazo, importantes parceiras da Petrobras na exploração e na produção das áreas do pré-sal, numa relação que pode ser vantajosa pra ambas as partes, e também para Brasil e China. Referências bibliográficas [1] “Fueling the Dragon: China’s Investment in the Global Oil and Gas Market” – Ernst&Young, 2011. [2] BP Statistical Review of World Energy, bp.cpm/statistical review, 2011. [3] World Energy Outlook, Agência Internacional de Energia, 2011 [4] Jiang, J. e Sinton, J. (2011) - Overseas Investments by Chinese National Oil Companies, International Energy Agency (IEA) Information Paper, fevereiro de 2011. [5] Xu, X. – “China’s NOC’s Overseas Strategies” – The James Baker III Institute for Public Police, Rice University. março de 2007. [6] Sítio da CNPC na internet – http://www.cnpc.com.cn/en/cnpcworldwide/ [7] Sítio da Sinopec na internet – http://english.sinopec.com [8] Sítio da CNOOC - http://www.cnooc.com.cn [9] “Free Market Versus State Capitalism in Oil and Gas” - Global Trends, Price Waterhouse &Coopers, 2012. [10] http://money.cnn.com/magazines/fortune/global500/2011/ 11

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