5ª Aula Ética, comunicação e Relações

ÉTICA Definições Em geral a ética pode ser considerada a ciência da conduta e dos hábitos humanos e tem como objetivo servir a vida e o bem estar do ser humano. Neste sentido mais amplo a ética envolve diferentes disciplinas (história, biologia, fisiologia etc. ) e abrange vários períodos históricos, tornando-se uma disciplina muito vasta. É uma investigação dos princípios morais do BEM ou do MAL, em relação à conduta humana e também em seu sentido fundamental e absoluto. Baseando-se na ética criam-se, portanto, códigos comportamentais aplicáveis em vários contextos. A ética reivindica a autoridade para julgar Instituições e formas de vida social, que são continuamente avaliadas por juízos morais (consciência moral). Os conceitos de dever, responsabilidade e vontade, mesmo não sendo parte do estudo da ética, à ela se remetem (derivam). A ética em si estuda mais as circunstâncias em que os atos se cumprem, as consequências e o caráter dos indivíduos. Um assunto critico é a universalidade e a natureza da ética. Podemos aqui colocar algumas questões fundamentais em cima destes conceitos: - Existe um critério universal para a moralidade? Um Supremo Bem ou um Fim ultimo que regulamenta as virtudes e as ações? - Caso sim: como pode a ética mudar e transformar-se no tempo? - Porque damos respostas diferentes a problemas morais semelhantes? Refletindo sobre estas questões podemos afirmar que a reflexão ética começa como uma analise da natureza da consciência moral.

a ética compreendia uma serie de normativas comportamentais ligadas mais ao estilo de vida.A ética na historia da filosofia Na antiga filosofia grega dos pré-socráticos. Foi com Sócrates que nasceu um primeiro Sistema Ético. . eles colocaram pela primeira vez as questões éticas ao serviço das causas práticas da vida social. Em outros momentos a ética não podia diferenciar-se da moral religiosa. A conjunção de busca da razão (conhecimento) e de conduta colocam em Sócrates o nascimento do estudo da ética. Os sofistas por sua vez começaram uma indagação mais ligadas a vida publica da pólis grega. e demostrar assim que a ética é diferente da moral de tipo religioso. Ética e psicologia Freud e o super-ego Os ensinamentos morais vivem dentro de nós. transmitidos com a cultura e a educação. sempre em conflito e resolução. O Indivíduo se deparam com as questões morais continuamente. A busca de definições é o fundamento inicial de um pensamento e de uma pratica ética (através da dialética). em adaptação e transformação. em um equilíbrio dinâmico. mas eram inerentes à prática particular (exercício e regulamentação) da cidadania. Mesmo fugindo da busca do conhecimento de uma razão ética superior. O pensamento de Sócrates sobre ética era constituído por alguns paradoxos: . Neste sentido as virtudes não dependiam de um conceito universal superior. .A virtude é conhecimento. mas também era diferente da pratica “relativista” dos sofistas. Algo de dogmático e profético caracterizava as prescrições comportamentais morais típicas (ética ontológica). ou seja aquela que foi chamada de ética prática. no entanto o maior beneficio que um amigo pode nos trazer é o aperfeiçoamento moral. O primeiro passo do método socrático era recusar a ideia de que tudo seja relativo (com a ironia).Um amigo que não nos traga benefícios não vale nada.

ID e superego). Assim como deve mediar continuamente com as pressões e estímulos externos com aqueles internos. “Desprezo os ladrões. mas compro pirataria barata” cria um estado de dissonância cognitiva. 3. julga. O equilíbrio é dado pela função do Ego (Eu consciente. presente a mim mesmo) que deve mediar entre as instancias libidinosas do ID e as repressões do SuperEgo. Se as ideias forem coerentes a um mesmo modelo. Para exemplificar a dissonância pode ser reduzidas em uma das seguintes 3 formas: 1. condena os atos do individuo. da nossa “teoria da mente”. Um exemplo para Festinger é a compra de pirataria. que resumidamente podemos chamar com a Instância psíquica sede da moral. e compões uma das três instâncias do aparelho psíquico (EGO. dissonância cultural. do contrario cria-se uma incoerência que produz um estado de ansiedade “logica”. para compensar a dissonância em ato. que o individuo procura de eliminar automaticamente. Alguns exemplos: dissonância logica. Isto leva a pessoa a ativar processos psíquicos compensatórios. para descrever a situação complexa onde contemporaneamente sentimos crenças divergentes e opostas em relação à um determinado assunto.Freud teorizou que o Super-Ego. Dissonância Cognitiva La dissonância cognitiva é um conceito introduzido por Leon Festinger no 1957 em psicologia social. Produzindo uma mudança no ambiente 2. a dissonância. Mudar o próprio mundo cognitivo (ou seja o sistema de representações e crenças e suas relações internas) Um outro exemplo interessante de dissonância cognitiva é o conto de Fedro “A raposa e a uva”. . Mudar o próprio comportamento. O Super-Ego avalia. A solução é parar de comprar pirataria ou justificar ou entender a criação e divulgação da pirataria. dissonância com atitudes do passado. e estudado posteriormente também por Milton Erickson. Os valores são interiorizados e podem cristalizar-se desde a infância. se forja na Infância como Censor absoluto das pulsões do Id. estamos em uma situação emocional satisfatória (consonância cognitiva).

o que é dito. etc. •Relação . isto é. Watzlawick) Os “Axiomas de Comunicação” de Watzlawick. a forma como deve ser entendido o que foi dito – Metacomunicação. refere-se ao que é dito. Axioma 2: Toda a comunicação tem um aspecto de conteúdo e um aspecto de relação •Conteúdo .. . a comunicação pode ser definida como uma sequência ininterrupta de trocas.. etc. qualquer comportamento de uma pessoa afeta sempre de qualquer modo o comportamento das pessoas à sua volta. •Desde que estejam mutuamente conscientes da presença umas das outras. • é perfeitamente arbitrária. constituem preciosos instrumentos de trabalho para o estudo da comunicação interpessoal: Axioma 1: Não se pode não comunicar •Numa interação todo o comportamento tem valor de mensagem – é comunicação. A pontuação: • dá estrutura e sentido à comunicação. Axioma 4: Os seres humanos comunicam de forma digital e de forma analógica •A codificação digital refere-se à representação por um nome.há uma arbitrariedade na relação significado/ significante é utilizado um sistema simbólico convencional e com uma sintaxe complexa.COMUNICAÇÂO e Relações A pragmática da comunicação (P. tonal. consciente ou bem sucedida (compreensão mútua) •Há diferentes tipos de mensagens/comportamentos . Há comunicação mesmo quando esta não é intencional. •Define a relação entre os seres comunicantes Axioma 3: A natureza de uma relação depende da forma como ambos os parceiros pontuam as sequências de interação • De um ponto de vista exterior. •A codificação analógica refere-se à representação pela semelhança – a zanga pode ser expressa por uma dureza no tom ou elevação do nível da voz.define o contexto da comunicação como é dito. contextual. face vermelha.verbal. postural.

obriga necessariamente a uma relação./aluno. O conhecimento mais profundo das nossas dinâmicas pode ajudar a resolver problemas. Se um destes axiomas não for considerado pelo comunicador./prof.relação prof. Nossas atitudes perante os problemas são influenciadas pelo nosso julgamento “ético”. Os comportamentos que as pessoas assumem quando estabelecem uma relação. Segundo Watzlawick. são sempre viciadas por preconceitos e relacionamentos. se a comunicação poderá falhar se um dos axiomas não for considerado pelo comunicador então a “relação” fica comprometida. . Reflexões Psicoestratégicas sobre Ética. pelas expectativas que temos. existem 5 axiomas na sua teoria da comunicação entre dois indíviduos. Comunicações e Relações. mas as nossas perspectivas viciadas podem inibir ou desacelerar a tomada de uma visão clara dos nossos fenômenos e de uma escolha consequente. Nunca somos expectadores passivos. expectativas e sistemas de convivência codificados e dinâmicos.os parceiros têm posições complementares (one up ou one down) . estão condicionados pelas regras de interação que cada sujeito adquire.. aluno/aluno. a comunicação pode falhar. Assim a interação cria continuamente novas regras. mas podemos intervir com ações e técnicas que podem influenciar os “roteiros do nosso sistema” e do sistema onde vivemos.Axioma 5: Qualquer troca comunicativa pode ser definida como sendo simétrica ou complementar •A comunicação simétrica define uma relação baseada na igualdade – os parceiros têm a mesma posição e fazem a mesma coisa (comportamento em espelho) – relação prof. tanto que a busca de um real significado “social” unívoco passa por canais codificados pontualmente e que dificultam (ou facilitam) uma interação mutuamente satisfatória. e pelo tipo de relacionamento que temos com o ambiente. que procura uma comunicação eficaz. O ato de comunicar é um ato social. •A comunicação complementar é baseada na diferença . médico/doente. Assim sendo. Assim também as nossas comunicações.