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O DIREITO DE ARREPENDIMENTO NAS RELAÇÕES DE CONSUMO VIA CONTRATO ELETRÔNICO

“Navegar é preciso...”. (Fernando Pessoa)

Wellington Fonseca dos Santos 1

RESUMO Este artigo tem como objetivo analisar a aplicabilidade do direito de arrependimento, também conhecido como direito de reflexão, previsto no Código de Defesa do Consumidor, às relações de consumo viabilizadas pelo comércio eletrônico, em específico o comércio varejista das lojas virtuais. Traz à tona temas outros correlacionados e de relevante questionamento no meio jurídico, tanto pela doutrina quanto pela hermenêutica sobre a legislação consumerista, sendo que ao contrato eletrônico também se aplica esta legislação, mesmo não o elencando literalmente em seus preceitos normativos. A expansão da internet na rede mundial e a popularização de sua utilização pela sociedade de consumo como meio célere, facilitador de busca aos mais diversos produtos e serviços para atender aos seus anseios e necessidades em uma economia globalizada, rompeu fronteiras geográficas e presenciais para se contratar. Obviamente, o Direito, como ciência que perscruta o mover social, não deixaria de abarcar em sua ampla seara protetiva o consumidor nessas relações comerciais – essencialmente do seu direito de se arrepender do negócio jurídico realizado, dentro dos parâmetros definidos em lei. PALAVRAS–CHAVE: Internet – Comércio eletrônico – Contratos eletrônicos – Lojas Virtuais – Direito de Arrependimento.

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Graduando do 8º período do curso de Direito das Faculdades Promove - BH. Supervisor na área de atendimento e suporte à RMI – Rede Municipal de Informática da Prefeitura de BH-MG.

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INTRODUÇÃO O advento da maior rede de informações e de comunicação em tempo real no mundo

contemporâneo – a Internet -, possibilitou ao homem o poder de se interagir globalmente nas mais diversas culturas, sistemas políticos, religiosos, formas de Governo e de Estado. Nas relações comerciais, como não poderia deixar de ser em um sistema capitalista dominante, haja vista o potencial humano de se comunicar e negociar com aos seus pares em busca dos bens que lhe são necessários à vida, seja ela para subsistência ou para conforto e acúmulo de riquezas, descobriu-se, como na expansão marítima da Idade Moderna, um novo caminho para as Índias2, isto é, um mar de oportunidades de negócios mercantis: o comércio eletrônico. E para praticá-lo uma nova modalidade de contrato: o contrato eletrônico, objeto paralelo de estudo deste trabalho. O consumidor, neste novo mar de negócios, “navega” por meio do computador - ferramenta necessária ao acesso à Internet -, como a caravela3 nas Grandes Navegações. Se “Navegar é Preciso” 4, como dito pelo poeta, será, então, esta precisão analisada neste estudo. Precisão no sentido de se avaliar não a necessidade de se conviver com a internet e seus: chat, orkut, twitter, youtube, games online, e outros, mas sim a eficiência, viabilidade e garantia de seu uso como novo mercado de consumo – o e-commerce. Aspectos fático-jurídicos são abordados e se relacionam à proteção virtual - segurança dos dados eletrônicos e das informações pessoais dos contratantes; e material - o contrato eletrônico [conceito, forma, requisitos de validade e prova], o direito do consumidor na relação de compra e venda eletrônica [em específico quanto ao seu arrependimento], e o papel das lojas virtuais como fornecedores à luz do Código de Defesa do Consumidor. Desta feita, para consecução deste, proceder-se-á à pesquisa bibliográfica pertinente para a demonstração do entendimento jurídico-doutrinário sobre o tema, além de análise seletiva de algumas lojas virtuais varejistas e suas políticas de atendimento ao consumidor.
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“No século XV as modernas invenções criavam uma perspectiva favorável para as navegações: a imprensa propiciava a divulgação dos avanços, a pólvora era utilizada para armar os navios com canhões e instrumentos como a bússola e o astrolábio orientavam melhor os navegantes [...] Assim, era preciso descobrir novas rotas para evitar o domínio comercial dos turcos e venezianos no Mediterrâneo e atingir as Índias diretamente, sem intermediação.” (SHNEEBERGER, 2003, p. 133)
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CARAVELA In: FERREIRA. Dic. Navio de casco alteroso à popa e baixo avante, de boca aberta ou coberta, aparelhado com um a quatro mastros de velas bastardas, e armado com até 18 peças de artilharia. [Algumas tinham velas redondas no mastro de vante. Foram navios, por excelência, dos descobrimentos marítimos portugueses dos sécs. XV e XVI.]
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Frase imortalizada no Poema Navegar é Preciso, de Fernando Pessoa. <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/jp000001.pdf>. Acesso em 12 de out. 2009.

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em:

do Ministério das Telecomunicações. assim. sejam elas educacionais. a internet começou a ser utilizada nas universidades e centros de pesquisa. Netscape Navigator ou Explorer). é que se definem os detalhes de cada atividade. como preleciona Rhormann (2005). incluindo o modo como são enviadas as mensagens. tornou-se um meio de comercialização de produtos e serviços. 6 “A World Wide Web (WWW) é considerada uma coleção de documentos distribuídos. políticas. 2005. sem perda de pacotes eletrônicos. A invenção do e-mail [correio eletrônico] na década de 1970 também propiciou facilidades às transmissões de mensagens nas atividades acadêmicas e de pesquisa. uma rede de computadores de origem militar. porém só com a edição da Portaria n. do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.1995. 46) . Desenvolve-se. Sua origem. p.07. 23) ________________________ 5 Sobre o TCP/IP – Transmission Control Protocol/Internet Protocol-. O software navegador (browser) atua como uma interface gráfica entre o usuário e a Internet – ele envia os comandos necessários para solicitar dados de outro computador e então os formata para a tela do usuário”. os computadores passaram a se conectar à ARPANET a uma taxa acelerada. comerciais. não somente pela sua expansão. a maneira como a autorização para transmitir mensagens é delegada às máquinas e a forma como são manipuladas as tarefas de compactar e descompactar mensagens para a transmissão”. em alusão aos protocolos usados na sociedade para administrar as relações humanas. elevando-se a uma condição de extrema dependência para as relações humanas no cotidiano. p. Brookshear (2005. Contudo. já fazia uso da tecnologia packet switched” (RHORMANN. se deu no início da década de 1960 com pesquisas voltadas para a troca de mensagens em uma rede por interligação lógica do tipo packet switched [protocolo de comunicação de rede para transmissão de pacotes de dados] e não física [computadores conectados por cabos uns aos outros]. a ARPANET. utilizam-se os browsers. 133) explica de forma compreensível que “Os conjuntos de regras que administram a comunicação entre os diferentes componentes de um sistema computacional são denominados protocolos. além de meio ágil de comunicação. A partir deste marco. mas essencialmente para se garantir a transmissão segura de dados. “no final da década. localizados em computadores (denominados de servidores) de todo o mundo. a partir de 1988. sendo que no início da década de 1990 a ARPANET é fechada. prestando-se como fonte de informação transcultural e extraterritorial. populariza-se a WWW6.3 2. referidos como páginas. p. 2006. Para utilizar a WWW. Rhormann ressalta que a Internet rompeu esse meio científico.295. um novo protocolo de comunicação permitindo que múltiplas redes se compreendam – o TCP/IP5 –. Gregores destaca que: No Brasil. exigindo o avanço tecnológico dos recursos de rede. permitiu-se que as empresas denominadas provedores de acesso pudessem começar a comercializar o acesso à rede. em 1969 . Mais adiante. (GREGORES. 2000. associado ao surgimento dos provedores de acesso [empresas comerciais que vendem aos clientes o meio de “navegar” na Internet] viabiliza-se o seu uso a todas as pessoas naturais e jurídicas. de 20. padronizado na década de 1980 como protocolo da Internet. a internet. além de conectar-se à Internet. BREVE HISTÓRICO DA INTERNET A Internet alçou seus 40 anos de existência neste ano de 2009. 5). um usuário precisa de um software especial chamado de softwares navegador (por exemplo. na lição do mesmo autor. (ALBERTIN. p. mais do que uma rede de circulação de informações. Por meio dos protocolos da rede. Em meados de 1994.

um tratamento pela via legal – Lei nº. após o seu primeiro momento evolutivo.555) Parente (2000) leciona a respeito dos paradigmas que diferenciam a economia mundial de ontem e de hoje. p.077/2004. Centros de Recuperação de Computadores doados e/ou disponibilizados por desuso pelos órgãos e entidades governamentais e particulares. destaca-se: “interação entre vendedores e compradores ocorre em um ponto de venda (mercado físico)” na economia industrial. 3. ademais a redução dos custos de produção e barateamento da tecnologia da informática [componentes eletrônicos e softwares/programas para computadores pessoais – PC) e. Centros de Capacitação em Informática. 7 .” (VENOSA.2009. Dentre os seis elementos de seu quadro comparativo . Acesso em 13 de out. capacitando-a na prática das técnicas computacionais.248/1991 com as alterações da Lei nº.1 COMÉRCIO ELETRÔNICO Considerações gerais Na esteira da evolução da rede mundial de computadores e de seu concomitante acesso popular.4 3. outro ponto nas mesmas referências: “conteúdo. somado às políticas públicas de nosso país e em quase todo o mundo voltadas para a chamada Inclusão Digital7. a da tecnologia da informação. o contexto é “como ela está vendendo os produtos?”. Disponível em< http://www. que permitiu redução progressiva da taxação tributária sobre bens e serviços de informática e automação. por exemplo. em sucinta análise sobre os dados deste último paradigma apresentado pelo autor.gov. contexto e infra-estrutura estão desagregados. voltadas tanto para o aperfeiçoamento da qualidade profissional quanto para a melhoria do ensino. no que tange a este estudo. este ensina que o conteúdo refere-se a “o que a empresa está vendendo?” no comércio físico e no comércio eletrônico.Paradigmas da Economia Industrial x Paradigmas da Economia Digital. a interação física do cliente com os produtos nas prateleiras. como exemplo a criação de Telecentros para acesso à Internet gratuita. criando novos formatos de negócios”. no caso. do Brasil. que proporcionem à população menos favorecida o acesso às tecnologias de informação. 8.br/inclusao/outros-programas >. e outros. 11. Assim. devido a essa nova era tecnológica que. pode-se dizer que “Ninguém mais duvida que o mundo ingressou definitivamente em uma nova era. em seu segundo momento estas tecnologias passaram a ser utilizadas no campo empresarial com o objetivo de divulgação e distribuição de produtos e serviços. 2005. informatização das escolas públicas. contexto e infra-estrutura estão agregados no produto”. v.g. enquanto na economia digital o “relacionamento entre vendedores e compradores ocorre por meio de uma transação no mercado virtual” [atualmente denominado Comércio Eletrônico].inclusaodigital. já na economia digital “conteúdo. e a infra-estrutura ________________________ Sobre a Inclusão Digital: tem como objetivo diversas ações governamentais. em contrapartida à interação feita por algum meio eletrônico iniciada em qualquer lugar.

finalmente. internet – lojas virtuais] viabilizam o comércio eletrônico. Antes. as transações entre empresas naquilo que se convencionou chamar de business to business transactions (B2B). econômico e do consumidor. antes simples e nacionais. p. as transações financeiras e de valores mobiliários. não só incluídas as operações bancárias como também aplicações em fundos de investimentos. definem o comércio eletrônico como “o processo de compra. p. quer ao consumidor final. supracitado. fax.5 sendo “o que possibilita que a transação de venda ocorra?”: ponto-de-venda [estabelecimento comercial físico]. Desta forma. e. pela delimitação do tema deste estudo. o que.50) [Grifo nosso] Todas estas classificações são tratadas pelo direito pátrio por regulamentação jurídica geral e específica. se torna nuclear em face do tema voltado para a legislação protetiva do consumidor aplicável a ela. importa discorrermos sobre o seu instrumento contratual.858) 3.” Correia citado por Gregores (2006. quer entre empresas. como a crescente internacionalidade de relações.3 Classificação Necessário é. serviços e informações por redes de computadores ou pela Internet. essencialmente depois de se apresentar o conceito mais abrangente de Correia. aliadas ao chamado marketing direto ou agressivo. 2006. compra de ações de companhias abertas e de ouros tipos de títulos. p. para este estudo. venda e troca de produtos. (MARQUES.4).34) conceitua comércio eletrônico como “utilização de tecnologias de informação avançadas para aumento de eficiência de relações entre parceiros comerciais. ao passo que computadores e telecomunicações [telefone. acrescentaram à vulnerabilidade técnica e jurídica do consumidor novos problemas. sob uma ótica empresarial. .2 Conceito Turban e King (2004.2005. nelas. como as redes privadas. para desenvolvimento de vendas de bens e prestações de serviços. como a compra de livros ou de utilidades domésticas. p. (RHORMANN.” 3. empresarial. a B2C se difere por ser relação estabelecida entre pessoas jurídicas [fornecedores] e pessoas físicas [consumidores]. a obtemos da exposição de Rhormann: As transações do comércio eletrônico são classificadas em três grandes grupos: os negócios que envolvem consumidores finais (transações também conhecidas como business to consumer transactions – B2C). que compreende também relações mercantis entre empresas. pela Internet e de outros meios eletrônicos. Marques com propriedade arrazoa que: Estas novas tecnologias de comunicação. de natureza diversa: direito civil. No entanto. que se distinga a classificação das transações efetuadas no comércio eletrônico.

que dão suporte legal às medidas de incentivo necessárias ao desenvolvimento de nosso país. a prova de sua existência. Destarte.asp>. Disponível em< http://www.net). ou que simplesmente deixem de fazer compras na rede acreditando que essa é uma prática insegura. o Brasil.org/noticias/releases. identificação do proponente [policitante] e do aceitante [oblato].lawinter. . Acesso em 15 de out.com/1uncitrallawinter.br) as avaliações das pessoas que realmente compraram nas lojas virtuais. especialmente.net/>. Questões de difícil solução. verificação de fato da capacidade dos sujeitos contratuais no ambiente virtual.internetsegura.com. Há complexidades peculiares aos contratos via internet que são conhecidas. como demonstram os dados8 da E-bit9 e do Movimento Internet Segura – criado pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico10: E-commerce cresce 27% no primeiro semestre de 2009 – o faturamento no setor foi de 4.internetsegura. para o aprimoramento de marcos regulatórios setoriais. o Movimento incorporou ao escopo de sua atuação a defesa da infância e da adolescência. A Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico – camara-e. 4.8 bilhões no primeiro semestre de 2008.net.br).com. muito menos pelo legislador. fornecendo informações aos pais. A partir do final de 2008. Disponível em: <http://www. Desde sua fundação a preocupação principal do MIS foi a de atuar na educação do usuário de Internet no sentido de evitar que as pessoas façam transações na rede de forma insegura caindo em golpes.camara-e.6 4. mas não desbravadas exaustivamente pela doutrina e jurisprudência.ebit. 11 10 Disponível em: <http://www.2009. a e-bit conquistou destaque no desenvolvimento do comércio eletrônico no país sendo referência no fornecimento de informações de e-commerce.8 bilhões no período.ebitempresa. a formulação de políticas públicas alinhadas aos anseios da sociedade moderna e. Acesso em 15 de out. sistemática e teleológica no que diz respeito à teoria dos contratos em geral e as normas contratuais firmadas no Código Civil e no Código de Defesa do Consumidor. A e-bit oferece serviços tanto para empresas como para o consumidor online. embasado na Lei Modelo de 1996. é a principal entidade multissetorial da America Latina e entidade brasileira de maior representatividade da Economia Digital. fundada em 07 de maio de 2001.htm>.com. as informações sobre os serviços direcionados às empresas podem ser encontradas no site institucional da e-bit: (www.asp?temp=5&id=54>. tais como: validade da oferta veiculada em uma página da web.ebitempresa. Já. contra 3. estas se tornam um grande desafio para a ciência jurídica.org) foi criado em setembro de 2004 sob a coordenação da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e. O Movimento Internet Segura (MIS. De qualquer forma. 2009. Para os consumidores.br/indices-ebit. a e-bit atua como um consultor de compras pela internet. O seu papel tem sido fundamental para a promoção da segurança nas transações eletrônicas. ainda que se aplique interpretação extensiva. o Direito não pode ignorar essas relações jurídicas que se constituem numa realidade em índices incontestáveis e em crescimento exponencial.www.1 O CONTRATO ELETRÔNICO Considerações gerais Por falta de uma legislação pátria que regulamente as contratações eletrônicas. responsáveis e aos próprios menores para que eles saibam reconhecer e evitar ações de (sic) mau feitores. Presente no mercado brasileiro desde janeiro de 2000. da UNCITRAL11 – Órgão das ________________________ 8 9 Maiores informações estatísticas em: <https://www.2009. Acesso em 17 de out. etc. tempo e local em que se tem por concluído esse tipo de contrato. publicando em seu site (www.

editou. Infere-se. assim. a confiança e segurança da relação jurídica estabelecida a partir da declaração de vontade manifesta e válida [esta última será abordada em tópico posterior]. tratando dos contratos eletrônicos.htm>. p. autodisciplinam os efeitos patrimoniais que pretendem atingir. p. nem por documento escrito. existe o Projeto de Lei 1. Ademais. e outras providências. e se orientar pela boa-fé objetiva [artigo 422 do Código Civil] em todas as suas fases para se garantir a força obrigatória de sua execução e.2 Conceito e natureza jurídica “Contrato eletrônico é aquele celebrado por meio da transmissão eletrônica de dados. 757 e 754) traz noção mais estrita a este estudo: “O contrato eletrônico é uma modalidade de negócio à distância ou entre ausentes. 2. 2000. por iniciativa do Deputado Federal Luciano Pizzato [PFL. Medida Provisória nº. .37). 2. 11). sob o nº.589/9912 elaborado pela OAB/SP. A manifestação de vontade dos contratantes (oferta e aceitação) não se veicula nem oralmente. no qual está consignado o consenso das partes contratantes”. um negócio jurídico. Acesso em 17 de out.200. de modo a limitá-lo em seus efeitos prezandose por atender a função social [artigo 421 do Código Civil]. limitadas pelos princípios da função social e da boa-fé objetiva.camara. que se encontra hoje em sua terceira versão.asp?id=16943>. mas pelo registro virtual (isto é. pela exposição destes conceitos.” (GAGLIANO e PAMPLONA FILHO. despapelizado).200-2. a validade jurídica do documento eletrônico e a assinatura digital. Diniz (2008.7 Nações Unidas-. ainda em vigor. 2007. Ainda arremata que o “contrato virtual opera-se entre o titular do estabelecimento virtual e o internauta. Nota-se. que sua natureza jurídica é.” (COELHO.br/old/gruptrab/legislacao/pl_1589_99.2009. Integra do PL 1589/99 disponível em: <http://www. mediante transmissão eletrônica de dados.org.” Vejamos um conceito de contrato como negócio jurídico na Teoria Contratual Contemporânea: “Contrato é um negócio jurídico por meio do qual as partes declarantes. segundo a autonomia das suas próprias vontades. de igual entendimento doutrinário para os contratos em geral. Acesso em 17 de out. 4. que os princípios contratuais gerais em todos os aspectos se amoldam ao contrato eletrônico.abes.gov. desta feita. p. ________________________ 12 Disponível em: <http://www. mesmo que presente a autonomia de vontade entre as partes. em 2001. efetivando-se via Internet por meio de instrumento eletrônico.br/sileg/Prop_Detalhe.Paraná]. que segue os moldes da Lei Modelo.2009. dispondo sobre o comércio eletrônico.

mas sim uma forma eletrônica de consentir. Com estas considerações. palavras. pela remessa do número de cartão de crédito ao policitante. 429) e seguem as normas dos arts. p.” . portanto. tácita e. A validade do negócio jurídico requer: I . como no caso em tela: o contrato eletrônico firmado via internet. pelo silêncio. até em casos específico. Quanto à formação do contrato eletrônico.forma prescrita ou não defesa em lei. e. determinado ou determinável. e uma vez demonstrada a aceitação. o negócio virtual terá existência. 427 e 428 do Código Civil. por exemplo. a forma solene da escritura pública exigida para a compra e venda de imóveis. possível. Portanto. independente de qual seja a sua espécie.8 4. 104. verbis: Art. por fim. produto ou serviço [objeto do contrato] lícito. validade e eficácia. 40-41) sustenta que “o consentimento e a exteriorização da vontade humana podem se manifestar de diferentes formas (gestos.3 Requisitos de validade e formação O artigo 104 do Código Civil traz em seu bojo os requisitos de validade do negócio jurídico. etc. esses requisitos devem ser observados para a validade no contrato eletrônico: capacidade [maioridade civil] dos contratantes [proponente e aceitante]. não existindo. p.” Navarrete citado por Gregores (2006. sendo possível a sua determinação física e juridicamente. correio eletrônico. compreensível é que o elemento indispensável à existência e validade do negócio jurídico é a manifestação da vontade. ex. p. senão quando a lei expressamente a exigir. II . e a forma livre [verbal. que não contraria a lei e os bons costumes em sua comercialização. 758) assim se expressa: “Não vislumbramos no nosso Código Civil qualquer vedação legal à formação do contrato via eletrônica.agente capaz. público ou particular] para o contrato de aluguel. escritos. 758). fax. a forma do contrato definida por lei ou não proibida por ela..). seja esta vontade manifesta de forma expressa. um consentimento eletrônico. art. III . (DINIZ. 2008. p. Diniz (2008.objeto lícito.” A autora ainda arremata que: As ofertas nas homepages (em sites) constituem modalidade de oferta ao público (CC. salvo nas hipóteses legais em que se requer forma solene para a validade e eficácia negocial. O artigo 107 do Código Civil preceitua que “a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial.

se. entre ausentes. no momento da aceitação. se apresenta da mesma forma que nos negócios jurídicos em geral. O artigo 428 e incisos do Código Civil dispôs. na maioria das vezes.se. telegrama e. não foi imediatamente aceita. Deixa de ser obrigatória a proposta: I . respeitado este (aqui. feita a pessoa ausente. in verbis: Art. tiver decorrido tempo suficiente para chegar a resposta ao conhecimento do proponente. II . chegar ao conhecimento da outra parte a retratação do proponente. pode-se chegar . Ou entre ausentes. p. se entre presentes ou entre ausentes. 428. de ambas as partes. Contrario sensu. para aqueles contratos cujas partes. dos contratos por computador. o contrato firmado pelas partes através de um chat. mas.se. 88) entende que: A aceitação dar-se-á nos contratos de forma inter praesentes e inter absentes. 4.se. III .9 Pode-se concluir desta afirmação que a manifestação de vontade no contrato eletrônico. pois o computador será apenas o meio utilizado para a declaração de vontade. pois equipara-se ao telefone. Não pode ser considerado. no nosso entendimento. entre presentes. Maurício Matte citado por Mattos (2009. como no caso de carta. entre ausentes. Considera-se também presente a pessoa que contrata por telefone ou por meio de comunicação semelhante. não tiver sido expedida a resposta dentro do prazo dado.4 Declaração de vontade eletrônica Para se determinar quando começa a eficácia do contrato mister é que se saiba o instante em que o contrato se forma. da mesma forma que a carta. ou quando houver prazo. no momento da aceitação. incluem-se os contratos firmados por telefone e fax). dependendo de certas características do meio utilizado para se contratar. antes dela. IV . feita sem prazo a pessoa ausente. ou seja. Pela sua relevância na formação do contrato eletrônico merecido é que se disserte a respeito da declaração de vontade em tópico exclusivo. e esse meio não interfere no âmago da vontade do consumidor contratante. sobre aqueles entre ausentes ou entre presentes. na transação B2C. ou simultaneamente. assim considerados aqueles contratos estabelecidos com a presença. não se encontram frente a frente. podendo ocorrer retratação de qualquer dos contratantes no lapso de tempo entre a proposta e a aceitação. haja vista que a proposta e a aceitação declaram-se em momentos distintos e sucessivos. por exemplo. o contrato efetuado por e-mail. feita sem prazo a pessoa presente. Mas tudo dependerá da situação das pessoas no momento da aceitação. para os contratos em geral. Conformando-se a este entendimento Gomes (2007) relata não ser possível a priori definir a qualificação do contrato por meio eletrônico.

a exposição de sua redação. ferindo um dos requisitos de validade do documento eletrônico. 434 do Código Civil. Pendrive) podem ser decodificados. se necessário for. o autor relaciona hipóteses exemplificativas relacionadas à questão: Nas hipóteses em que for possível e usual a aceitação imediata. Os contratos entre ausentes tornam-se perfeitos desde que a aceitação é expedida. (GOMES. No comércio eletrônico. os contratos concluídos por meio da troca de mensagens eletrônicas (e-mail). em seguida. então. o art. que é a autenticidade. 4. não possuir capacidade civil . Entretanto. aplicar-se-ão as regras dos contratos entre presentes (Art. dados armazenados (backup) no disco rígido (Hard Disk) do computador e em outros meios magnéticos (CD. Ao contrário. III . por um simples clicar (toque) do mouse sobre a confirmação de aceitação de uma proposta ou oferta ao público e o fornecimento do número do cartão de crédito ou por débito bancário direto via internet. A impressão gráfica dos e-mails trocados. como um dos elementos deste estudo.5 Prova e assinatura Venosa (2005) esclarece com propriedade acerca da prova da concretização do contrato por computador. poderia o contratante não ser o real detentor delas. em especial no B2C. aplicando-se-lhes. Diante disto. do Código Civil). nesta mesma loja virtual. impressos graficamente para registro como documento particular em cartórios de notas.se o proponente se houver comprometido a esperar resposta. inciso I. Por este exemplo vê-se que em momento algum ocorreu assinatura digital e muito menos em um documento contratual escrito [assinatura autógrafa].no caso do artigo antecedente. 81). II . DVD. admitindo que não há necessidade de escritura pública para tal. para compreensão de sua análise. ou diretamente nos endereços eletrônicos de empresas na Internet. poder-se-ia ter certeza de que o aceitante realmente é quem diz ser apenas pelos atos exercidos no ambiente virtual? Mesmo possuindo as informações documentais. ou. 2007. videoconferência e meios de comunicação em tempo real (como os chats). tais como teleconferência. devem ser considerados contratos entre ausentes.10 a uma definição em que se adequará ao disposto no artigo 428 supracitado.se ela não chegar no prazo convencionado. transcritos em linguagem vernacular e. 434. in verbis: Art. Como o autor fez citação do artigo 434 do Código Civil faz-se necessário. 428. para este exemplo citado. exceto: I . [Grifo nosso] Salienta-se “endereços eletrônicos de empresas na Internet” para sugerir as lojas virtuais. o contrato já se firma.

2200-2.11 para realizar o negócio jurídico. [. [Grifo nosso] Ter-se-á autenticação digital quando a identidade do proprietário das chaves for verificada previamente por uma terceira entidade de confiança das partes. valendo-se da chave pública daquele. que somente poderá ser decifrada pela chave privada. bem como a realização de transações eletrônicas seguras.Fica instituída a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira . criam-se duas chaves: a privada. formado por um conjunto de dados que vinculam a assinatura e a sua respectiva chave pública a uma determinada pessoa. e contra terceiros – hackers. distribuída aqueles com quem o proprietário deve manter comunicação segura e identificada. já regulamentadas em lei13. sendo a transformação de uma mensagem feita pelo emprego de sistema de cifragem assimétrica. a Tecnologia de Informação desenvolveu ferramentas técnicas próprias. que devem ser mantidos pela autoridade certificadora em local seguro e a salvo de adulteração. crackers e estelionatários cibernéticos. Assim se pode garantir a privacidade da comunicação. p. [Grifo nosso] Criptografia assimétrica. e outra particular. [Grifo nosso] Ainda. para uso exclusivo do proprietário do sistema. e a pública. p. decifrá-la-á utilizando a chave pública do remetente. pois somente esta captará as mensagens cifradas pela chave privada correspondente. Valiosa e em grande erudição é a explicitação de Lorenzetti e de Queiroz citados por Diniz (2008) para cada uma dessas recentes ferramentas digitais: A assinatura digital constitui-se por signos ou chaves pertencentes ao autor. das aplicações de suporte e das aplicações habilitadas que utilizem certificados digitais. [. doutrinariamente e jurisprudencialmente. 765-766).ICP-Brasil. com base em registros. Se alguém. de modo que o possuidor da mensagem a inicia e a chave pública do assinante determina de forma confiável se tal transformação se fez empregando a chave privada correspondente à chave pública do assinante e se a mensagem foi alterada desde o momento em que se deu aquela transformação. 2008.] a autenticação é provada por um certificado. que publicou as chaves públicas certificadas em diretórios seguros e que certificará a ligação entre a chave pública e a pessoa que a emitiu. Para tanto. privacidade... quando confrontadas com os requisitos legais do artigo 104 do Código Civil [exposto acima]. sigilo e confiabilidade para ambos os contratantes no meio eletrônico. bem como a sua validade. códigos ou chaves. que traz em seu artigo 1º . O destinatário. pela sua relevância no meio virtual. O titular cifra a mensagem com a chave privada. para garantir a autenticidade.] partindo-se de complexos métodos matemáticos. p. criptografando-a com sua chave privada. (QUEIROZ apud DINIZ. 764). por ser de conhecimento público. (QUEIROZ apud DINIZ. que será decifrada pela chave pública do destinatário. 766). uma de acesso geral. mantida em sigilo pelo usuário. Daí a complicação dada a essas relações de consumo. quiser enviar-lhe mensagem cifrada.. que irão atuar de forma a assegurar ao máximo a garantia de segurança da relação virtual geradora de negócio jurídico eletrônico. poderá fazê-lo. cabe a explanação de Rohrmann (2005. identificada como proprietária das chaves. p.. 69) a respeito da assinatura digital: ________________________ Medida Provisória nº. 2008. pela qual o contratante se identifica por duas senhas. de 24 de agosto de 2001. 2008. a integridade e a validade jurídica de documentos em forma eletrônica. entre eles. então. tendo chave pública de outrem. (LORENZETTI apud DINIZ. 13 .

sim. há exceções no varejo eletrônico. podese concluir que os contratos eletrônicos assumem a característica dos contratos em massa ou de adesão. (MARQUES. E. 72) Desta forma. uma pequena mudança no documento digitalmente assinado impossibilita a autenticação da assinatura digital..6 Contrato eletrônico – um contrato de adesão? Pode-se dizer que o contrato eletrônico. conforme preleciona Marques (2005). 4. A Constituição Federal de 1988. através de lojas virtuais. sem a participação da outra parte contratante que apenas o aceita ou o rejeita. onde o consentimento se dá por simples adesão à vontade manifestada pelo parceiro contratual economicamente mais forte. como no caso dos sites de leilão virtual. 5. não há alteração dessa situação.] 1) a sua pré-elaboração unilateral. Não obstante. Ela exerce o mesmo papel e. um conjunto muito grande de caracteres alfanuméricos inseridos em uma mensagem eletrônica. serve também para proteger a mensagem digital transmitida pela rede de computadores. 2) a sua oferta uniforme e de caráter geral.12 A assinatura digital é um substituto eletrônico da assinatura manual. visto que também não é aberto ao consumidor meio de efetivar tratativas com o proponente. limitando-se a uma das partes a aceitação ou não da proposta na forma negocial como veiculada. uma vez que o texto é codificado (sic) pot meio de algoritmos de criptografia. a relação contratual. em que se permitem as tratativas sobre os valores do produto e as formas de pagamento e entrega. neste último ato de vontade. não concretizando. 3) seu modo de aceitação. até mesmo porque a maioria dessas lojas no comércio eletrônico é varejista. 5. No caso específico da relação B2C. para um número ainda indeterminado de futuras relações contratuais. 2005. nos contratos realizados pela internet. já em seu artigo 5º que trata dos Direitos e . as cláusulas são preestabelecidas de forma unilateral pela parte contratual economicamente superior [fornecedor/vendedor]. p. já estabelecidas no comércio físico tradicional. via de regra. mais. A assinatura digital não é uma imagem digitalizada da assinatura manual e. Não há convenção. ainda.1 O DIREITO DE ARREPENDIMENTO Do consumidor e da tutela jurídica É notória a proteção jurídica dada ao pólo passivo da relação de consumo – o consumidor. através de e-mail ou fórum de discussão específico entre os interessados para a negociação do produto à venda. o mercado livre. é um contrato do tipo de adesão? Nos contratos de adesão. A mesma autora destaca as características do contrato de adesão: [.. por exemplo.

Dispõe a redação do inciso XXXII desse artigo: “O Estado promoverá. seja em decorrência do grande poderio econômico deste último. caput. Tal proteção resultou de todo um processo de transformações nas relações de consumo desde a Revolução Industrial.”. ser mais facilmente iludido no momento da contratação. portanto. 2005. como contabilidade. onde não há discussão individual e livre das cláusulas de seu acordo de vontade. podendo. 8. a melhoria da sua qualidade de vida. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores. matemática financeira e economia. jurídico e fático entre as partes. protegê-lo na relação de consumo? Têm-se como parâmetro o artigo 4º.] a vulnerabilidade técnica seria aquela na qual o comprador não possui conhecimentos específicos sobre o produto ou o serviço. na forma da lei. p. seja pela sua posição de monopólio. 65).reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo. ou em razão da essencialidade do serviço que presta. 5º. 17): [. de praticidade e mesmo de segurança. bem como a transparência e harmonia das relações de consumo. e não para revenda. impondo. I. a partir do comando constitucional do art. A lei especial. uma posição de superioridade. A vulnerabilidade jurídica seria a própria falta de conhecimentos jurídicos.” Além de se exigir que consumidor é aquele que adquire para si. resta saber como o sistema jurídico brasileiro reconhece a qualidade da pessoa como consumidor para. in verbis: Art. . em seu artigo 2º. Já a vulnerabilidade fática é a vulnerabilidade real diante do parceiro contratual. sopesando a condição do consumidor como parte frágil. como sustenta Garcia (2008.. assim. oferecido à simples adesão dos consumidores” (DINIZ. CDC – Código de Defesa do Consumidor – Lei nº. Esta vulnerabilidade será constatada com a análise do desequilíbrio técnico.. de racionalização.078 de 11/09/1990-. tutelou a defesa do consumidor pelo Estado. como leciona Diniz (2005). Na lição da mesma autora “por uma questão de economia. a defesa do consumidor. XXXII. O CDC.13 Garantias Fundamentais. surgiu. atendidos os seguintes princípios: I . a proteção de seus interesses econômicos. hipossuficiente em face de um mercado capitalista globalizado e de modelos contratuais de massa [contratos de adesão]. a empresa predispõe antecipadamente um esquema contratual. o respeito à sua dignidade. numa relação contratual. p. “na forma da lei”. afirma que “Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. então. saúde e segurança. ou de outros pertinentes à relação.

Firefox. durante o prazo de reflexão.2 Do direito de arrependimento O direito de arrependimento está previsto no artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor e é aplicado aos fornecedores que efetuam vendas fora de seu estabelecimento comercial. apesar de não trazer. Não há necessidade. serão devolvidos. e os agentes experts da informática: hackers e crackers. bots. a fática e prospera muito mais na vulnerabilidade técnica. no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço. acrescentando-se que no comércio eletrônico o consumidor não tem acesso direto ao produto. infere-se que a vulnerabilidade do consumidor na relação B2C alcança a jurídica. monetariamente atualizados.questão própria deste estudo. dispõe. nem mesmo para aquele que recebe catálogo de produtos ou serviços. webcam. de imediato. especialmente por telefone ou a domicílio. em sua parte final do caput um rol de circunstâncias-meios atualizado. e técnica no sentido de desconhecimento. O dispositivo é claro em seus termos. modem. Mozzila. os softwares instalados ou a instalar [browser – Internet Explorer. como exemplo: o computador e seus periféricos [scanner. etc. especificando. Se o consumidor exercitar o direito de arrependimento previsto neste artigo. antivírus. impressora. gerenciadores de downloads. spywares. . gerenciadores de e-mail. os valores eventualmente pagos. Pode-se até dividir esta última em técnica sobre o produto ou serviço. o malote postal ou a contratação via internet . além de outros diversos elementos do ambiente virtual. Parágrafo único. a qualquer título. backdoors. in verbis: Art. nem se faz presente no estabelecimento comercial.]. Sua redação. falta de domínio sobre as próprias ferramentas que manuseia ou que tem acesso. exceto no local do estabelecimento comercial deste catálogo. sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial. como os maliciosos: vírus. por exemplo. mouse. etc. portanto. como explicado pelo autor supracitado. teclado. com o parágrafo único.14 Seguindo-se esse entendimento. 5. 49. de esclarecimentos sobre esse direito que tem o consumidor que recebe telefonema em sua residência ou qualquer outro local fornecendo proposta de contratar. O consumidor pode desistir do contrato. worms. rede wirelless.]. keyloggers.

O Banner. presentes todos os requisitos legais do negócio jurídico.5] para contratar via internet sejam aplicadas de fato pelas lojas virtuais. na maioria das vezes. um spam consite numa mensagem de correio eletrônico com fins publicitários. pode o consumidor desistir do contrato dentro do prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do recebimento do produto ou serviço. a data de seu envio comprovando a concordância com a oferta do proponente. ciente. 434 do Código Civil [tópico 4. Pop-ups são janelas que se abrem automaticamente ao se acessar uma página na web (site). 16 15 . fraudes.3]. e. tendo elas que observar o princípio basilar da boa-fé nesta relação jurídica. por analogia. etc. da senha eletrônica e/ou certificação.15 O cerne da questão é então: “sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial. ________________________ 14 O termo Spam é uma mensagem eletrônica não-solicitada enviada em massa. talvez. é a forma de propaganda on-line que mais se aproxima da propaganda tradicional e ainda é o tipo de promoção que recebe a maior parte dos investimentos das agências e anunciantes na Internet. já demonstrados anteriormente [tópico 4. este dispositivo aos contratos eletrônicos. No contrato eletrônico é válida a data da assinatura digital. seja em relação ao produto ou ao serviço adquirido. efetuada a transação comercial via internet.4]. há dúvidas e desconfiança por parte do consumidor. não havendo como determinar por nenhum deles. banners16 e outros recursos publicitários que podem influenciar na decisão do consumidor. se por e-mail. Não obstante. pop-ups15. com a declaração de vontade do consumidor manifesta. sem acesso físico ao mesmo. Observado este princípio. das notícias de crimes virtuais veiculadas: estelionato digital. de outra forma. pois além de serem considerados à distância – fora do estabelecimento comercial do fornecedor. ainda mais apenas visualizando as especificações e imagens do produto na página da loja virtual. segundo Marques (2005) a doutrina majoritária aplica. Todavia. invasão de hackers a contas bancárias. ainda que desenvolvidas técnicas de segurança [tópico 4. A principal delas refere-se à insegurança quanto aos dados cadastrais fornecidos eletronicamente. contendo. recebendo o proponente a aceitação do oblato. vários são os problemas alegados pelo consumidor que contrata via internet. anúncios publicitários. sobre o consumidor é exercido o marketing agressivo dos spams14.” Deste modo. clonagem de home pages. e. Na sua forma mais popular. 428 e do art. nasce uma obrigação para ambas as partes advinda do contrato firmado. por fim. não ocorrendo a retratação oportuna nos termos do art. furto de códigos e senhas de internet banking. a data do recebimento do produto ou serviço.

SITUAÇÃO QUE CULMINA COM A INSCRIÇÃO DO NOME DA DEMANDANTE EM RÓIS DE INADIMPLENTES. RECURSOS DESPROVIDOS. como os de transporte. sendo qualquer explicação sua um ato voluntário. Terceira Turma Recursal Cível. Assim. 49. 2009. provimento ao recurso de apelação civil contra a sentença que proveu em favor do direito de arrependimento em compra realizada pela internet. Disponível em: <http://www. in verbis: “EMENTA: CONSUMIDOR. Devem. o consumidor deverá receber de forma imediata a quantia paga. ponderando sobre o mesmo. A lição que se extrai da obra de Garcia (2008) é a afirmação do direito imotivado da desistência do contrato pelo consumidor. monetariamente atualizada. ou desista do serviço contratado17. de modo que não tem o que nem do que reclamar se a relação jurídica é desfeita em virtude do arrependimento do consumidor. o mesmo autor ensina que: Exercido o direito de arrependimento. p. 17 . p. haja ________________________ A título ilustrativo c. e com atualização monetária. Nery Júnior citado por Mattos (2009.16 O lapso de tempo de 7 dias é considerado um período razoável assegurado pela lei ao consumidor para que este reflita sobre o negócio realizado. voltando ao status quo ante. 51 do CDC enumera um rol de cláusulas abusivas consideradas nulas de pleno direito. como as vendas em domicílio ou por marketing direto. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DA COMERCIANTE E DA ADMINISTRADORA DO CARTÃO.jus. [GARCIA. Essa situação de arrependimento e resolução do contrato de consumo é ínsita aos negócios estabelecidos mediantes essa prática comercial. 49. o fornecedor não poderá impor prazo ao consumidor para que restitua os valores. 2008. além de outros custos. inclusive fazendo referência à devolução dos valores pagos pelo consumidor. Quanto ao parágrafo único do art. a norma autoriza que a restituição seja feita de forma imediata. ser restituídos integralmente pelo fornecedor. DANOS MORAIS CONFIGURADOS IN RE IPSA. indiferente à demonstração de justificativa. COMPRA E VENDA FORA DO ESTABELECIMENTO COMERCIAL. 260] Para complementar. Relator: Eugênio Facchini Neto. por exemplo. EXERCÍCIO DO DIREITO DE ARREPENDIMENTO. Julgado em 25/11/2008)”. garantidos pelo parágrafo único do art. (Recurso Cível Nº 71001783364. corre o risco do negócio. EM QUE PESE O CANCELAMENTO DA COMPRA. como o valor das parcelas pagas. todo e qualquer custo despendido pelo consumidor deverá ser ressarcido.php>. havendo arrependimento. se já o recebeu. PAGAMENTO PARCELADO ATRAVÉS DE CARTÃO DE CRÉDITO. então. ou seja.tjrs. o art. Acesso em 25 de out. [Grifo do autor] Em última análise. por unanimidade. 105) comenta que: O fornecedor que opta por práticas comerciais mais incisivas. Turmas Recursais. sendo considerada abusiva qualquer cláusula que impossibilite essa restituição ou que imponha qualquer ônus ao consumidor pela sua desistência. o prazo de reflexão para muitos é considerado insuficiente. PERSISTÊNCIA DAS COBRANÇAS. e. devolva o produto.f. Além disso. isto é. o acórdão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em que foi negado. fora do estabelecimento comercial.br/site_php/jprud2/ementa.

a pessoas físicas que vendem a partir de suas casas. empreendorismo e popularidade. Acesso em 25 de out. 5. Disponível em: <http://www.com). da qual possui o controle acionário. já abalizada pelas Lojas Americanas desde 1929 e como empresa S/A desde 1940.com foi selecionada pelo critério da tradição. 49. em muitos casos. ________________________ 18 19 20 PONTO FRIO. etc. Ela pode pertencer ao fabricante (por exemplo. 37) Para fins deste estudo foram analisadas algumas lojas virtuais. ou contrata o fornecimento deles.com>. recentemente.pontofrio.com em uma nova empresa: a B2W Companhia Global do Varejo20. Arroga ser o maior varejo on-line do Brasil. Disponível em: <www.americanas. 2009. dentro do estabelecimento comercial. dentre elas a PontoFrio.Acesso em 25 de out. 2009. aumentando o prazo para 30 dias. pacotes turísticos. oferecendo uma vasta gama de produtos e serviços. ingressos para cinema e shows.com19. segundo informações de sua página na web. Disponível em: <www. a um varejista (por exemplo. 5995/2009 – do deputado Antônio Bulhões (PMDB-SP).com18 e a Americanas. Acesso em 25 de out. p. 371/99 – do deputado Enio Bacci (PDT-RS). ainda em trâmite no Congresso Nacional. que estende o direito de arrependimento ao consumidor que adquire produtos ou serviços. . ou quanto ao seu uso ser ou não eficaz para a necessidade do consumidor. geappliances. à complexidade técnica do produto ou serviço para a avaliação quanto ao real interesse em sua aquisição.” A Americanas.com/pt-br/institucional/perfil#1>. B2W. esta última consolidada no comércio eletrônico brasileiro desde 1999 e tendo. incluindo até mesmo a venda de passagens aéreas. walmart. também foi apresentado o Projeto de Lei nº. sendo que o deputado Celso Russomano (PP-SP) apresentou substituto a este projeto. Assim. AMERICANAS.com).” (TURBAN E KING. como missão: “ser o destino preferido de compras on-line no Brasil.17 vista. além de pretender incluir as relações de consumo via internet no rol exemplificativo do art.3 As lojas virtuais e políticas de atendimento ao consumidor “Uma loja virtual é o site de uma única empresa por meio do qual são vendidos produtos ou serviços. altera o prazo de reflexão para 10 dias. sendo que em 2006 fundiu-se com a Submarino. o Projeto de Lei PL nº. 2004. etc.com. Importante mencionar que.b2winc.br>. 2009.

A loja física que a abaliza é a Ponto Frio – Globex Utilidades S/A.com apresenta essa política como: Trocas e Devoluções – dentro do link Atendimento. constatou-se que atendem à legislação consumerista com raras ressalvas. com a mensagem em seu site de que “estamos trabalhando para construir a melhor opção de e-commerce do Brasil”. seja por vícios [defeitos/anomalias/avarias] constatados quando do recebimento do produto. quanto mais precisa e identificada diretamente em links específicos [link . a segunda maior rede varejista do Brasil. seja por devolução do produto apenas por simples desistência do negócio realizado. já na página inicial do site. sendo que o ressarcimento dos valores pagos se dá em conformidade com a forma de pagamento utilizada na compra. Os sites de ambas são certificados [ver tópico 4.”. alteração ou interferência nos dados informados pelo consumidor. As duas lojas. No que diz respeito à política de atendimento à norma do direito de arrependimento do consumidor.]. sendo. nada mais do que um quesito de segurança na relação de consumo para ambas as partes contratantes: à loja para garantir a efetivação da compra. também. segundo suas informações. divulgam os telefones: de atendimento e de televendas. boleto bancário.. débito em conta [de acordo com os bancos conveniados com cada loja]. e não discrimina a respeito da devolução do valor do frete pago. cartão da loja [somente a Americanas]. as formas de pagamento: cartão de crédito [possibilidade de dividir em dois cartões de bandeiras diferentes]. em agosto de 2008. e a este a certeza da não adulteração ou utilização de seus dados pessoais por terceiros de má-fé. o que muito facilita o contato do consumidor estreante em uma compra via internet quanto às suas dúvidas.referência de um documento em hipertexto] mais se demonstra o cuidado e atenção do fornecedor em acatar a determinação legal e prezar pela fidelidade na relação de consumo. nem mesmo nas modalidades de pagamento à vista via boleto ou débito bancário trata da atualização monetária determinada pelo parágrafo único do .fundada em 1946. sem perda.18 A Pontofrio.com foi selecionada pelo seu recente ingresso no e-commerce. Nas duas lojas em exame. Trazem. e financiamento bancário [conforme bancos conveniados com cada loja].. Diz: “o valor do produto será devolvido [. com a seguinte informação: “As solicitações de desistência do produto serão acatadas em até 7 (sete) dias corridos após o recebimento do item. que é a razão de seu negócio. A Pontofrio.5] por empresa especializada – autoridade em certificação digital.

Comércio Eletrônico e Contratos Eletrônicos estão deixando de ser cada vez mais um requinte das classes sociais elevadas. e outro: Central de Atendimento. CDC. possa se definir dentre os diversos projetos de lei apresentados. a contar da data do recebimento. de prover as necessidades humanas de consumo em um mundo imediatista e globalizado. excetuando-se quanto à informação de que o frete pago pelo envio do produto será reembolsado ao consumidor. produzir norma especial que atinja toda a seara do Direito Digital. percebe-se o esforço do Judiciário. cognitivamente. Também nada relata quanto à atualização monetária dos valores. que já se fazem indispensáveis ao cotidiano das pessoas. Para tanto. CONCLUSÃO Por tudo exposto sabe-se que Internet. informando neste que “O prazo para desistir da compra do produto é de até sete dias corridos. Todavia.”. e. . que contribuem para a pacificação e normalização dessas transações.com trata o assunto de forma um pouco mais detalhada. além da Ciência da Informática e o desenvolvimento de novas ferramentas digitais. exige o preenchimento obrigatório do campo Motivo da desistência no formulário digital. popularizandose o conhecimento a respeito e a utilização dos mesmos como técnicas modernas de se contratar.” A Americanas. mais abrangente e no qual aquele está inserido. Na página inicial possui um link direto: Troca e devolução. também. mas o legislador. do Legislativo e da própria sociedade. para que compreenda o ambiente eletrônico e.com. exigindo-se que haja um acompanhamento permanente e modulação da regulamentação legal que coíba os excessos da publicidade e do marketing agressivo. pertinentes à matéria contextualizada no direito de arrependimento. Portanto. não é a lei somente que deve se modernizar.19 artigo 49. o que não é exigência legal para o direito de arrependimento. ou. Quanto ao ressarcimento dos valores pagos procede-se da mesma forma que a Pontofrio. Apesar de tudo. Dentre as causas de devolução traz em específico o título: Devolução por Arrependimento/Desistência. Em contrapartida aos benefícios apresentados na relação de consumo B2C surgem também novas formas de agressão ao direito do consumidor. a omissão ou imprecisão de informações na oferta pública ou na proposta particular via internet pelos fornecedores virtuais. 6. melhor é que o consumidor acione seu direito através do telefone da central de atendimento. então. apenas afirma que: “O estorno será feito na conta corrente em até 10 (dez) dias úteis.

Projeto de Lei 5. Institui a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira .2009. SHNEEBERGER. e dá outras providências. Pablo Stolze. de 24 de agosto de 2001. 4. Acesso em: 16 de out. 2008. atual. 2007. ed. 2005. 2008. 2005. e ampl. e ampl. Armando Alves. BRASIL. TURBAN. Analice Castor de. revisão técnica Belmiro João.br/sileg/Prop_Detalhe. GARCIA. David. DINIZ. Fábio Ulhoa. 2. ed.camara. Direito do Consumidor : Código comentado e jurisprudência. Arlete Simille Marques. 5. rev. Compra e Venda eletrônica e suas implicações. – trad. ed. Efraim. Disponível em: < http://www. Alberto Luiz. Aspectos e Contribuições de sua Aplicação. Rio de Janeiro: Forense.. 2005. J. e ampl. 2000.planalto. Cláudia Lima. _______. Maria Helena. atual. ed. COELHO. GAGLIANO. GREGORES. FERREIRA.asp?id=448812>. Niterói. _______. 2007. Projeto de Lei 371/99. Minidicionário da Língua Portuguesa. Curitiba: Juruá. Contratos no Código de Defesa do Consumidor : O novo regime das relações contratuais. Acesso em 23 de out. Valéria Elias de Melo. 2007.995/2009. Orlando. São Paulo: Atlas. 3. – trad. BROOKSHEAR. volume IV : Contratos. GARCIA JÚNIOR. 2009. KING. GOMES. 2003. Leonardo de Medeiros. atual. 133 e 134. Aspectos Relevantes dos Contratos de Consumo Eletrônico. ed. Aurélio Buarque de Holanda. tomo 1 : Teoria Geral. Contratos via Internet. Comércio Eletrônico : Estratégia e Gestão. – São Paulo: Atlas. Glenn. Disponível em: <http://www. 24.htm>. 2000. p. São Paulo: Aduaneiras. Ciência da Computação : Uma visão abrangente. 7 ed. Comércio Eletrônico : Modelo. ROHRMANN.. – Rio de Janeiro: Forense. 2006. ed. 26. Sílvio de Salvo.200-2. Direito Civil : Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos..br/ccivil_03/MPV/Antigas_2001/2200-2. – São Paulo: Saraiva. 2000. São Paulo: Prentice Hall. . 7. São Paulo: Método. Acesso em 23 de out. RJ: Impetus. – Porto Alegre: Bookman. Novo curso de direito civil.2009. 2004. Rodolfo. Minidicionário compacto de História Geral: Expansão marítima e comercial européia. Belo Horizonte: Del Rey. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Rideel.. MARQUES. rev. Contratos. Medida Provisória 2. São Paulo: Revista dos Tribunais. PAMPLONA FILHO. Varejo no Brasil : Gestão e Estratégia. ed. PARENTE. MATTOS.br/internet/ordemdodia/integras/256093. rev. 2008. Curitiba: Ed. Juracy. Curso de Direito Civil Brasileiro : Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. Câmara dos Deputados. Erico Veras Marques. Curso de Direito Comercial. Curso de Direito Virtual. incluindo mais de 1000 decisões jurisprudenciais. 2005. Cheng Mei Lee. Câmara dos Deputados.gov. 2009. ed.20 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALBERTIN. Carlos Alberto. 2. Carlos Alberto.ICP-Brasil. VENOSA.gov. Positivo. Disponível em: <http://www. 5..gov.htm>.camara. – São Paulo: Atlas. ed.