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“NÃO HÁ DISCURSO QUE SEJA DO SINTHOMA" Flory Kruger

Cristiana Gallo O texto de Flory Kruger se inseriu no contexto de preparação ao VII Congresso da AMP que teve como tema “Semblantes e Sinthoma” e seu título já nos situa nas diferenças que inicialmente a autora estabelece entre ambos: dirigindo-se ao último ensino de Lacan, Flory apresenta o par semblante-sinthoma em relação ao inconsciente-sintoma, indicando que “o sinthoma faz sua aparição como um misto de sintoma e fantasia” e situa-se no registro real, enquanto o semblante “se sustenta no discurso” e situa-se nos registros imaginário e simbólico. No entanto, o interesse de Flory se dirige à questão: “quais seriam os efeitos sobre os semblantes, depois do percurso de uma análise?” Mais além, diferenciando os falsos e os verdadeiros semblantes, e entendendo os verdadeiros como orientados pelo real, questiona mais precisamente o destino dos falsos no final de uma análise. Buscando responder, leva-nos a questionar o uso dos semblantes “como instrumento do analista no tratamento”, indicando que tal uso permite avançar sobre os sintomas que se fazem falsos semblantes que se apresentam como resposta ao desejo do Outro. Contudo, traz maior precisão à questão ao dizer que o “savoir y faire com o sinthoma permite ao analista ir além do semblante, sob a condição de servir-se dele” e conclui que “o verdadeiro semblante que permite ao desejo do analista efetuar sua transmissão, no ponto em que o próprio analista é interpelado por sua intervenção.”
Texto publicado na Revista Correio da Escola Brasileira de Psicanálise – n.63, julho de 2009, p. 29-32.