São Paulo, 11 de setembro de 2012.

Universidade de São Paulo Instituto de Química QFL2426 – Físico-Química Experimental Prof. Renato Giovanni Cecchini Experimento A – Pressão de Vapor de Líquido Puro

Turma 32 – Grupo 2 Aline Heimy Morimoto José Luiz Lara Cruz nº USP: 4333493 nº USP: 7627137

Sua determinação pode ser feita com posse de dados da pressão de vapor de uma substância em diferentes temperaturas. Objetivos Determinação de pressão de vapor de etanol puro a várias temperaturas e a relação existente entre pressão e temperatura. verificando conceitos termodinâmicos aprendidos na teoria. ou seja. Introdução 2. 2. podemos desprezar o volume do líquido. que é o calor necessário para transformar um mol de substância a partir da fase líquida para a fase vapor em certa pressão. Integrando a equação temos: onde C é uma constante .1 Teoria A variação de entalpia que acompanha uma mudança de estado físico é a entalpia de transição. mostrada abaixo: Na qual: =entalpia molar de vaporização = volume molar do vapor = volume molar do líquido Para temperaturas inferiores a temperatura crítica e pequenas variações de temperatura. Vamos supor que a fase vapor é um gás ideal e a entalpia ∆H de vaporização é independente da temperatura (ao menos em um determinado intervalo). Aplicação da equação de Clausius – Clapeyron.1. podemos considerar a variação do volume do gás igual ao próprio volume do gás. utilizando a equação de Clapeyron. um exemplo desta é a entalpia de vaporização.

em que ambos os estados físicos da substância estão em equilíbrio. a substância permanece em estado liquido como pode ser percebido ao agitá-la. já que permite água liquida em temperaturas acima de 100ºC. já que permite a utilização de estados de substancia (líquida ou vapor) diferentes daquele encontrado na natureza em temperatura ambiente. é torna-se fácil manipular a substância para que esta fique no estado físico desejado. . indústrias de produtos aerossóis fazem uso dessa técnica. Quando o produto é liberado a pressão atmosférica. como em hospitais e indústrias.A partir desta equação podemos inferir que há uma relação linear entre o inverso da temperatura e o lnP e o coeficiente desta reta é o quociente.2 Aplicações A técnica empregada para se obter a pressão de vapor de líquidos puros pode ser estendida para diversas áreas. sob alta pressão. Além disso. uma vez que dentro da embalagem. a técnica em questão é bem interessante. Sabendo o valor limite. sendo que o valor da pressão de vapor é o valor limite. ele instantaneamente torna-se gás e é dessa forma que é visto e utilizado. Por exemplo. 2. para a limpeza pesada ou higienização de produtos que exigem altas temperaturas para eliminar microorganismos resistentes.

Procedimento Experimental 3. .3 mmHg (C) 4. Subtraindo do valor (B) o fator de correção para a temperatura de 0ºC ( k = 3): 703. .TRAP com garrafa térmica (frasco Dewar) contendo 3 partes de gelo e 1 parte de sal. .0 mmHg (D) O valor (D) corresponde à pressão real medida no barômetro para a temperatura de 0ºC e para a gravidade g0 medida AP nível do mar.3 mmHg (A) 2. foi realizada a correção das pressões medidas no barômetro e no manômetro: Barômetro (escala de latão) : 1.Botijão (~35litros) para facilitar o acerto da pressão. Multiplicando o valor de (C) por 0. . chapa elétrica e termômetro auxiliar.Banho com água.3.Manômetro (escala de aço) para medir a pressão desejada. Somando ao valor (A) 2 mmHg referentes ao erro do barômetro usado: 706. Valor medido: 704.Bomba de vácuo para obter-se a pressão desejada.Tubo de vidro (~30cm) contendo carvão ativo (adsorção de vapores do etanol estudado protegendo o resto da aparelhagem).2ºC) contendo etanol.2 Correção das pressões e verificação de vazamentos Inicialmente.Tubo vaporizador com termômetro (escala 0.3 mmHg (B) 3. correspondente ao valor glocal/g0: 702.9982. .1 Aparelhagem . funcionando também como um amortizador das variações de pressão. . . 3.

aumentando gradativamente.2 mmHg (ΔP). ser realizado sem problemas. Como o barômetro é um equipamento mais preciso que o manômetro usado no experimento. a bomba foi desligada e a torneira de três saídas. ou seja.6ºC. O fato de correção achado é (D) – (G) = . 3. essa seria a temperatura de ebulição da substância e o sistema teria atingido o equilíbrio térmico.3 Procedimento Após a verificação de vazamentos. foi feito vácuo no sistema. da mesma forma que no item 4: 704.correspondente a pressão pouco maior do que aquela em que o etanol entra em ebulição a temperatura ambiente.3 mmHg (F) 7. A chapa elétrica foi ligada sob baixa voltagem. Depois disso. Valor medido: 708. a pressão real medida no barômetro será considerada como verdadeira. e deverá ser subtraído do valor de pressão medido no manômetro para todas as medidas efetuadas.0 mmHg (G) O valor (G) corresponde à pressão real medida no manômetro para a temperatura de 0ºC e para a gravidade g0.9955) para a temperatura de 0ºC: 705.Manômetro ( escala de aço) : 5. Multiplicando ao valor (E) o fato de correção ( k = 0. O experimento poderia então. foi realizado um teste na aparelhagem do laboratório para verificar se havia algum vazamento ou outro defeito qualquer no mesmo: a bomba de vácuo foi ligada e uma pressão qualquer foi estabelecida e fixada. significando a inexistência de vazamentos ou outros defeitos. .4 mmHg (E) 6. O módulo de ΔP é a diferença entre as pressões medidas nos dois equipamentos. até uma pressão de 68 mmHg . medida ao nível do mar. Aguardando alguns instantes. Após alguns minutos de espera. fechada. não foi registrada nenhuma variação no manômetro. foi verificado que o valor da temperatura do etanol permaneceu constante e igual a 29. Nesse ponto. e será usada para corrigir os valores medidos com o manômetro ao longo do experimento. Fazendo a correção para a gravidade local.

Para saber se já estava estabelecido o equilíbrio liquido/vapor. a temperatura observada corresponderia ao ponto de ebulição. C = número de componentes do sistema. uma vez que de acordo com a Lei de Gibs para este sistema. Assim. verificando em cada ponto um novo estado de equilíbrio e a temperatura de ebulição correspondente. o grau de liberdade passa a ser zero. F = número de graus de liberdade ou número de variáveis externamente controladas. há apenas 1 grau de liberdade (ver figura 1). Lei de Gibbs: P +F = C + N. →F=1 Vale lembrar que determinando a temperatura de ebulição do etanol. estabelecido o equilíbrio desejado. devem ser subtraídos 2 mmHg da pressão observada correspondente. temos apenas uma temperatura de ebulição correspondente. Figura 1: Quadro demonstrando o número de graus de liberdade do sistema da experiência. C = 1. como a temperatura e a pressão. significando que a temperatura depende da pressão. N = 2.’ N = quantidade de variáveis do processo não relacionadas com a composição. era necessário esperar cerca de 5 minutos entre uma medição e outra. Tais conclusões são possíveis. No sistema considerado: P = 2. verificando se havia variação da temperatura – se a temperatura continuasse constante decorrido tal período de tempo. pois fixando uma determinada pressão. .A chapa elétrica foi mantida sob alta voltagem e a pressão interna do sistema foi aumentada de 30 em 30 mmHg. fixando uma pressão. onde: P = número de fases presentes. portanto. de acordo com o que já foi discutido no item anterior. tendo.

6 34.6 54.4. Pressões medida e corrigida em mmHg e temperaturas de banho e de ebulição em ºC Pressão medida (mmHg) Pressão corrigida (mmHg) Ponto de Ebulição (ºC) Temperatura do banho (ºC) 70 100 130 160 190 220 250 280 310 340 68 98 128 158 188 218 248 278 308 338 29. Resultados e Discussão Os valores das medidas de pressão e temperatura obtidos são mostrados a seguir: Tabela 1.2 58.8 44 47.2 49.8 52.5 39. é obtida a seguinte relação: .4 50 55 56 62 64 68 71 73 74 77 Esses dados devem ser relacionados de acordo com a equação de Clausius – Clapeyron: P = Pressão em mmHg T = Temperatura em Kelvin Desse modo.8 57.

5 2 1.005 0.02 1/T(1/ºC) 0.035 0. conforme mostra a figura 2.9769 2 Figura 2: Gráfico de Log de P (1/mol) pelo inverso da temperatura de ebulição do etanol (1/ºC) A figura 2 mostra que os resultados experimentais estão condizentes com a teoria. que deve Relação Pressão de Vapor x Temperatura 3 2.5 1 0.025 0. . na qual estão apresentadas as temperaturas teóricas (de acordo com a equação de Clausius – Clapeyron) e experimentais.Portanto.161x + 3. Além disso.01 0. Tabela 2: Pressão em mmHg . é possível notar uma função do tipo resultar numa reta. outra maneira de comparar dados experimentais com teóricos pode ser verificada na tabela 2. uma vez que foi possível aproximar os dados por uma reta.1808 R = 0.015 0.04 y = -41.5 0 0 0.03 0. Log P(1/mol) . Temperatura calculada em ºC (T calculado) a partir da equação de Clausius Clapeyron e Temperatura observada na experiência em ºC (T experimental).

também foi verificada uma pequena divergência entre valores calculados e valores teóricos conforme mostra a tabela 3.88 62. Na verdade.62 40. ou seja.55 59. de acordo com a tabela 2.96 36.00 57.97 52.29 48.6ºC no ponto correspondente a pressão de 248 mmHg qdo.96 81.4 T(calculado) (ºC) 18.P (mmHg) 68 98 128 158 188 218 248 278 308 338 T(calculado) (ºC) 29. esta temperatura era para ser obtida numa pressão um pouco mais baixa. na teoria. os dados experimentais se desviam muito pouco dos valores calculados (através da equação de Clausius – Clapeyron). ao consultar valores tabelados. é possível observar que existe coerência nos dados obtidos.61 65.8 57. .2 49.16 55.2 58. afastando-se no máximo ± 2ºC. como no caso em que.8 34.8 44 47. foi obtida experimentalmente uma temperatura de 52.95 45.5 78.6 34.5 39.4 Analisando a figura 2 e a tabela 2.02 T(experimental) (ºC) 29.88 Essa pequena diferença pode ter ocorrido devido a alguns erros de manuseio do aparelho ou de algum erro de leitura do manômetro. Tabela 3: Comparação de valores de temperaturas (em ºC) teórica tabelada e calculada a partir da equação de Clapeyron P (mmHg) 40 100 400 760 T (teórico) (ºC) 19.8 52.6 54.9 63.20 35.

. com um desvio de quase 4ºC. Conclusão 6. Bibliografia . 5.Apostila de acompanhamento para as experiências.O único ponto em que é observada uma maior diferença é no último. o que provavelmente ocorreu devido ao fato de que a gaze que deveria estar apenas umidificada com etanol ficou submersa na substância em questão. pois a torneira do recipiente contendo o líquido foi esquecida aberta.Tabela de pressão de vapor e temperatura de ebulição do etanol cedida pelo professor Renato Giovanni Cecchini .