Fármacos Anti-Hipertensivos na Gravidez

Vinicius Paulin Balan

Princípios
O tratamento de uma mulher grávida com hipertensão crônica começa antes da concepção da criança, para estabelecer o diagnóstico e evitar uma hipertensão secundária. Pacientes que tiveram hipertensão nos últimos 5 anos devem ser avaliados para órgãos alvos danificados, como por exemplo hipertrofia ventricular esquerda. Medicamentos com efeitos deletérios para o feto, como inibidores da enzima conversora de angiotensina e antagonistas da angiotensina II devem ser evitados.

Conduta Não Farmacológica
Pacientes grávidas são aconselhadas a não fazer exercícios vigorosos para evitar a queda de fluxo sanguíneo para a placenta. Mulheres que trabalham fora, além da pressão alta, existem a chance do aumento do risco de pré-eclâmpsia. Diminuição das horas de trabalho e maior tempo de repouso aumentam o fluxo sanguíneo placentário, diminuindo a pressão sanguínea. Perda de peso excessivo durante a gravidez não é aconselhado, mesmo para mulheres obesas. A restrição de sal não é recomendado durante a gravidez devido a preocupações de que a expansão do volume do plasma fisiológico normal não irá ocorrer. A suplementação de cálcio em excesso da ingestão diária recomendada não foi mostrado reduzir a incidência de pré-eclâmpsia, embora a evidência do mundo em desenvolvimento indique que em mulheres com baixo consumo de cálcio dietético, a suplementação de cálcio pode impedir pré-eclâmpsia.

Conduta Farmacológica
Uma questão importante para mulheres com hipertensão crônica é a prevenção da préeclâmpsia. Existem pequenas evidências que o tratamento precoce de hipertensão na gravidez reduz as chances de pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica. Pelo fato da pressão sanguínea cair no começo da gravidez, mesmo em mulheres com hipertensão crônica, se a paciente não tiver nenhum órgão alvo lesado, é possível considerar a descontinuação de drogas anti-hipertensivas e monitorar a pressão. Anti-hipertensivos administrados por via oral podem ser administrados em doses padrão durante a gravidez. A classificação da maioria das drogas anti-hipertensivas é de categoria C para as grávidas, significando que os potenciais benefícios justifiquem os potenciais riscos para o feto.

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2 . sonolência. Ambos. seu uso rotineiro não é defendido. Os efeitos adversos dos beta-bloqueadores. Embora o número de pacientes tratadas seja baixo.Agonistas Adrenérgicos de Ação Central Metildopa A metildopa continua sendo a droga de primeira escolha para o tratamento de hipertensão durante a gravidez. Clonidina A clonidina é outro agonista alfa-adrenérgico de ação central comparada com a metildopa quanto sua segurança e eficácia. sabe-se que essa droga não têm efeitos teratogênicos. incluem fadiga. há pouca justificação para a sua utilização em preferência a metildopa. esses dados são importantes. dada a segurança comprovada do último. Anatagonistas Alfa-Adrenérgicos Alfa-bloqueadores são indicados durante a gravidez em casos de feocromocitoma. A administração oral de nifedipina e verapamil não apresenta riscos teratogênicos ao feto no priemiro trimestre. Ela deve ser evitada no começo da gravidez por causa de suspeita de embriopatia. distúrbios do sono. embora a segurança fetal continue sendo uma preocupação. palpitações. intolerância ao exercício. O potencial para a hipertensão rebote existe quando a clonidina é abruptamente interrompida. e broncoconstrição. Bloqueadores do Canais de Cálcio São utilizados para o tratamento de hipertensão crônica. Labetalol é usado por via parenteral para tratar hipertensão severa e está associado com baixa incidência de hipotensão maternal e outros efeitos colaterais comparados com a hidralazina. Antagonistas Beta-Adrenérgicos Nenhum betabloqueador foi associado com teratogenicidade. de modo que este medicamento é reservado para pacientes que desenvolvem erupção cutânea ou disfunção hepática de metildopa. letargia. prazosina e fenoxibenzamina são utilizado associados à beta-bloqueadores. por que mulheres com hipertensão associada com doença renal ou transplante. edema periférico. Durante 40 anos de uso. Os efeitos adversos da metildopa são principalmente o resultado de sua ação no tronco cerebral e inclui diminuição da agilidade mental. pré-eclâmpsia branda presente após a gestação e em hipertensão urgente na pré-eclâmpsia. pode ter dificuldade no tratamento durante a gravidez sem bloqueadores de canais de cálcio. cefaleia e rubor facial. sono prejudicado e diminuição da salivação. Efeitos colaterais maternos incluem taquicardia. Essa droga também não tem contraindicação para o feto ou para a placenta. Betabloqueadores orais e parenterais foram associados com bradicardia neonatal. Como a experiência com estes agentes durante a gravidez é limitada.

Contração de leve volume com diuréticos pode levar à hiperuricemia.A COMPANION TO BRAUNWALD'S HEART DISEASE 3 . a via parenteral é útil para o rápido controle da hipertensão severa. pois está associado com o aumento da incidência de infarto do miocárdio e morte em pacientes hipertensivos com doença arterial coronariana. O uso curto da nifedipina não é recomendado. escores de Apgar inferiores a 7. intramuscular ou intravenosa. Vasodilatadores arteriais Hidralazina é efetiva por via oral. Efeitos colaterais são normalmente resultados da vasodilatação excessiva ou ativação simpática e inclui cefaléia. Triantereno e amilorida (diuréticos poupadores de potássio) não são teratogênicos. embora trombocitopenia e lúpus neonatal já fossem reportados. O uso destes agentes é associado com um fetopatia semelhante à observada na síndrome de Potter (isto é. e ao fazê-lo pode invalidar os níveis séricos de ácido úrico como um marcador laboratorial para préeclâmpsia superposta. IECA e Antagonistas de Angiotensia II São contraindicados no segundo e terceiro trimestres de gestação por causa de sua toxicidade associada com redução de perfusão renal do feto. náuseas. agenesia renal bilateral) incluindo disgenesia renal. Diuréticos Hidroclorotiazida (tiazidas) é utilizada em baixas doses. rubor e palpitações. oligoidrâmnios como resultado da oligúria fetal. cesariana. e insuficiência anúrica neonatal renal levando à morte do feto.O uso prolongado de nifedipina não causa uma diminuição do fluxo sanguíneo placentário sendo comumente utilizado na gravidez. além disso. retardo do crescimento intrauterino. hidralazina intravenosa tem sido associada com mais efeitos adversos do que labetalol intravenoso ou nifedipina oral. e oligúria. para minimizar os efeitos colaterais da diminuição da tolerância à glicose e hipocalemia. hipoplasia pulmonar. É bastante utilizada na hipertensão crônica no segundo e terceiro trimestre. Esses efeitos adversos incluem hipotensão arterial materna. Para a hipertensão aguda grave mais tardia na gravidez. BIBLIOGRAFIA: HYPERTENSION . A hidralazina é utilizada em todos os semestres de gestação e não está associada com teratogenicidade. o uso em cápsulas de nifedipina está associado à hipovolemia materna e angústia fetal.