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1 ESPECIFICAÇÃO DA PESQUISA

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Introdução Atualmente, a questão ambiental é uma das mais importantes

discussões mundiais. Existem diversos problemas, os quais são interligados, decorrentes e simultâneos, podendo-se citar alguns: aquecimento global - quase sempre relacionado às emissões antrópicas de gases de efeito estufa (GEE1), desmatamento, incêndios florestais, derretimento de geleiras, aumento do nível do mar (com ameaça à diversas populações), incidência da radiação solar prejudicial à saúde humana (decorrente do buraco na camada de ozônio), ciclones, maremotos, poluição dos rios, dos mares e do ar, extinção de espécies animais e vegetais, escassez de recursos naturais, processos erosivos, degradação e empobrecimento dos solos cultiváveis, secas, enchentes etc (TERRA BRASIL, 2008). O planeta, portanto, já se ressente do modelo de desenvolvimento adotado até aqui, sobretudo, pelos países mais industrializados; modelo este totalmente insustentável e agressivo à natureza, por ser predatório em relação aos recursos naturais e à qualidade de vida na Terra, mais agravadamente para as gerações futuras. Além do planeta, a humanidade já tem colhido frutos dissaborosos com a perda de muitas vidas e bens, isto decorrente de desastres cada vez mais intensos e freqüentes. O homem já percebe os efeitos das mudanças apontadas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), como conseqüências da ação humana e sabe que as

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Gases de Efeito Estufa (GEE) são gases que provocam o aquecimento global pelo efeito estufa; os principais são: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), clorofluorcarbonos (CFCs) e ozônio (O3). (PROCLIMA, 2008).

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previsões catastróficas para as próximas décadas têm sido cada vez mais antecipadas; na prática, já estão acontecendo. O cenário é realmente grave, tanto que ocupa o topo da agenda internacional; nações se reúnem ao redor do mundo para tentar equalizar o problema, já que a situação deve ser mudada urgentemente, ou, ao menos, refreada. Estes encontros de líderes mundiais, cientistas e ambientalistas têm gerado certos avanços desde a Conferência de Estocolmo, em 1972, passando pela Rio-92, pelo Protocolo de Kyoto e pela Rio+10. Todavia, são avanços limitados, os quais ainda não geraram êxito significativo por diversos motivos, dentre os quais, o não comprometimento de países como os Estados Unidos (país responsável por 25% da emissão global de GEE). Pode-se dizer também que parte dos avanços advém da formulação de macro-políticas ambientais, o que por si só não resolvem problemas tão complexos. Ainda assim, decorrente dessas agendas maiores, a exemplo do Protocolo de Kyoto (tratado já vencido pelo tempo), outras agendas mais setorizadas e mais regionalizadas têm sido formuladas e implantadas, ainda que timidamente. É o caso da Agenda 21, compromisso assumido por diversos países, inclusive o Brasil, o qual visa à incorporação de políticas, de estratégias, de planejamentos e de ações com abrangência tanto global, como local. Uma das grandes tônicas desse debate, empregada na afirmativa anterior, foi elaborada pelo ambientalista francês René Dubos, quando, ainda na década de 1970, disse: “pense globalmente, aja localmente”. Corroborando com este conceito, os melhores resultados têm sido alcançados por agendas regionais, estaduais, municipais, institucionais e comunitárias (populares), uma vez que, desta forma, alcança-se o melhor da execução da Agenda 21.

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A solução passa, portanto, pelo comprometimento de todas as nações, sem exceções; mas, só será cabal quando a consciência de um desenvolvimento sustentável2 estiver incutida em cada homem e mulher deste planeta, traduzindo-se em atos caseiros, comerciais, industriais, institucionais, estaduais, nacionais e globais. Todos devem assumir a sua responsabilidade, pois as gerações futuras “cobram” e precisam desta posição. Ouviu-se por muito tempo a expressão “eco-chatos”3, mas hoje se vê que não se trata de idealismo infundado, nem de pessimismo exagerado. O estilo de vida da humanidade deve mudar em todos os níveis: pensar no meio ambiente a cada decisão e a cada atitude deve se tornar um hábito de todos, sob pena da extinção da própria espécie humana. Neste contexto, particularmente sob a importante postura de se agir localmente, vêem-se, nos dias atuais, empresas e instituições diversas adotando agendas ambientais em suas políticas de gestão, quer por força de lei, quer por um senso voluntário de compromisso com o futuro ou até por benefícios diversos advindos desta postura, dentre os quais, o chamado marketing ambiental4, o qual possibilita, inclusive, vantagens no mercado. Muitas dessas iniciativas, em instituições públicas ou privadas, têm sido tomadas de forma isolada e pouco sistematizadas, sem, contudo, perderem seus méritos. Por outro lado, tem aumentado o número de instituições, sobretudo, as privadas, que têm norteado suas agendas ambientais pela ISO 14.000 (International
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Desenvolvimento sustentável: desenvolvimento que permite atender às necessidades da geração atual sem comprometer o direito das futuras gerações de atender suas próprias necessidades. (GESTÃO AMBIENTAL, 2008). 3 Eco-chatos: muitos, sobretudo os desenvolvimentistas, consideravam exagerados e pessimistas os protestos ambientalistas e assim os denominavam (autor). 4 Marketing ambiental: O marketing ambiental pode ser assimilado pelas empresas e instituições como uma ferramenta estratégica. Trata-se de uma ferramenta capaz de projetar e sustentar a imagem de uma empresa ou instituição como ambientalmente responsável; é também conhecido como marketing verde, ecologicamente correto ou ecomarketing. (AMBIENTE BRASIL, 2008).

voltada para a administração pública. no presente trabalho. Em compensação. em um futuro próximo ou . por instituições públicas em todo o Brasil (MMA. um importante trabalho foi desenvolvido no seio do Ministério do Meio Ambiente. 2007). será feita uma abordagem demonstrativa do assunto.000. como já afirmado anteriormente. propõe-se. conhecida hoje como Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). além da citação de exemplos de boas práticas ambientais que podem ser incorporadas à rotina dessa Corporação. a qual tem sido adotada. a qual maximizará a já tão nobre missão desta Corporação e a sua já relevante importância para o meio ambiente. o qual resultou na elaboração de uma agenda ambiental com base na Agenda 21 Brasileira e na ISO 14. não havendo. a pretensão de se chegar à elaboração de uma agenda ambiental para a Instituição. medidas efetivas para o desenvolvimento e a adoção. 2 Delimitação do problema A presente pesquisa. visa responder a seguinte questão: qual a importância. No que diz respeito às instituições públicas. a necessidade e a oportunidade de se adotar uma agenda ambiental no âmbito do CBMDF? Contudo. isto é. cada vez mais. a necessidade e a oportunidade da inserção do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) nesse contexto de responsabilidade ambiental.17 Organization for Standardization. este trabalho visa demonstrar a importância. por meio da adoção de uma agenda ambiental. ao final. a qual normatiza os Sistemas de Gestão Ambiental (SGA). Sendo assim. Organização Internacional para a Normalização).

sejam elas administrativas. particularmente a Agenda 21. 7 Realizar estudo sobre casos de adoção de agenda ambiental por parte de instituições públicas. a necessidade e a oportunidade de se adotar uma agenda ambiental no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. de uma agenda ambiental peculiar ao CBMDF. 3 Objetivos 4 Objetivo geral Demonstrar a importância.000) e sobre a agenda ambiental.18 imediato. 8 Citar exemplos de boas práticas ambientais que podem ser incorporadas à rotina do CBMDF. de apoio ou operacional. 5 Objetivos específicos 6 Realizar um levantamento sobre o histórico da questão ambiental e os seus cenários atuais. sobre a política. 10 Obter informações sobre a existência de medidas adotadas no CBMDF que estejam relacionadas a fins ambientais. a qual permeará todas as atividades. 9 Apontar alguns dos prováveis benefícios e oportunidades para o CBMDF em se adotar uma agenda ambiental. sobre a legislação e a normalização (ISO 14. .

a adoção de uma agenda ambiental para o CBMDF poderá gerar diversas oportunidades. em parcerias com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente (SEDUMA). em projetos e ações socioambientais e em outras atividades. eletricidade. de resgate de animais. 15 incremento da visibilidade e da efetividade institucional diante da sociedade por meio do marketing ambiental. tais quais: 13 economia financeira advinda do uso sustentável e racional dos recursos disponíveis (água. papel etc) e da compra preferencial de produtos com vida útil maior. de atendimento às emergências com produtos perigosos. 12 Justificativa O presente tema foi escolhido a fim de que o CBMDF possa se integrar ao esforço local e global em defesa do meio ambiente.19 11 Propor medidas para a adoção de uma agenda ambiental na Corporação. Outro fator preponderante para a presente abordagem decorre do fato de que não há uma política ambiental ostensiva implantada na Corporação. . 14 reconhecimento da Instituição como um exemplo a ser seguido por outros órgãos públicos do Governo do Distrito Federal (GDF). No mais. tal integração agregar-se-á ao esforço já empreendido em atividades de prevenção e de combate aos incêndios florestais.

de maneira a utilizá-los racionalmente.são gases que provocam o aquecimento global pelo efeito estufa. 5 Maiores detalhes sobre a definição e o esclarecimento de termos são apresentados durante o trabalho.desenvolvimento que permite atender às necessidades da geração atual sem comprometer o direito das futuras gerações de atender suas próprias necessidades. empregado nesse trabalho no sentido de dar conotação ambiental às práticas citadas.20 16 Definição de termos5 Aspecto ambiental .é um elemento das atividades. Marketing ambiental . Gestão ambiental . . Gases de efeito estufa . Eco-chatos .é a administração dos recursos naturais. no texto principal ou em notas de rodapé. desde a sua produção. Ecologização . Desenvolvimento sustentável . Eco-eficiência dos produtos .características de produção que favorecem o meio ambiente. dos produtos ou serviços da organização que possa interagir com o meio ambiente.Trata-se de uma ferramenta capaz de projetar e sustentar a imagem de uma empresa como ambientalmente responsável. até a sua deposição final. renováveis e não renováveis.neologismo usado como jargão no debate de questões ambientais. ecologicamente correto ou ecomarketing. é também conhecido como marketing verde.ambientalistas considerados exagerados e pessimistas.

“Dentre os fatores mais usuais ou conhecidos pode-se elencar o espaço. (INSTITUTO AKATU. são incompatíveis com o modelo de desenvolvimento desejado pelos 190 países que assinaram a Agenda 21. a água e os alimentos”. p. 1998) a causa primeira da atual degradação ambiental deve sua origem ao sistema cultural da sociedade industrial. 2008). Machado (2002) afirma que os recursos naturais usados hoje como matérias-primas nos processos de produção de bens e serviços começam a dar sinais de esgotamento. fornece uma visão de mundo unidimensional. em menos de 50 anos serão necessários dois planetas Terra para atender nossas necessidades de água. Os atuais padrões de consumo e de produção praticados por alguns países. 03). o que acarreta um aumento na demanda de bens. 2002. o calor. utilitarista. energia e alimentos”. os recursos não renováveis. serviços e vários outros requisitos essenciais à sua sobrevivência. a energia disponível. onde o ser humano ocidental se percebe numa relação de exterioridade e domínio da natureza. Outro prognóstico diz: “se a humanidade continuar produzindo e consumindo nos níveis atuais. (SCHENINI e NASCIMENTO. economicista e em um curto prazo da realidade. pautada pelo mercado competitivo como a instância reguladora da sociedade.21 17 REVISÃO DE LITERATURA 18 A Problemática ambiental atual Para Dias (1993 apud LAYRARGUES. cujo paradigma norteador da estratégia desenvolvimentista. . em 1992. e também pelo Brasil. Mais um fator crítico diz respeito ao crescimento constante da população do planeta.

paraguaio e uruguaio. condições climáticas e distribuição populacional.7% do total mundial. (PNUMA7. França e Espanha juntas e que cruza a fronteira [sic] de sete Estados brasileiros. de três grandes bacias. sendo que.  menos de 1% de toda a água doce é potável. 30-31). com 13. Fundo Mundial para a Natureza. o país é o maior detentor mundial de água doce. quando mais de 40% da água de qualquer bacia hidrográfica for captada para uso humano (UNEP6. A água doce no Brasil também encontra-se distribuída de forma desigual. isto é. p. Cerca de dois terços da superfície do globo terrestre é formado por água. ela está indisponível para o consumo humano.) somos a maior potência hídrica do planeta. Segundo dados da WWF8-Brasil (2006) a água em nosso Planeta se encontra distribuída da seguinte forma:  97.22 Pegando-se o exemplo da água. 2003). 6 UNEP: United Nations Environment Programme. 2006. Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). 8 WWF: World Wildlife Fund. São Francisco e Paraná. 2002). inclusive no Brasil. Ribeiro (2008) diz que a disponibilidade de água no mundo é irregular devido às dimensões. a crise no abastecimento já é sentida em todos os lugares. em especial. conforme afirmado a seguir: (. logo. . avançando pelos territórios argentino. é até paradoxal que o homem viva com insuficiência deste líquido vital. isto é.  2.3% é salgada (os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre). desde o Nordeste até os grandes centros urbanos. Ainda assim. 7 PNUMA: idem nota 5. Amazônica. (WWF-BRASIL. pelo volume de chuvas tropicais. garantida pela água dos rios. e pela maior reserva de água doce subterrânea do mundo. o aqüífero Guarani. cujo tamanho é igual ao território da Inglaterra. entretanto. isto é.7% encontra-se em geleiras.. um relatório da ONU prevê que mais da metade da população mundial enfrentará escassez hídrica severa. em quase sua totalidade..

Duzentos milhões de pessoas são.00 investido em saneamento. 2008). em média. (MMA9. também. atualmente. 2001). Outra grande ameaça cerca os recursos florestais. 9 MMA: Ministério do Meio Ambiente. em média. o consumo médio de copos plásticos por ano é de 690 unidades por pessoa.00 destinados a tratamentos em hospitalais e ambulatórios públicos. Já é de amplo conhecimento que a cada R$ 1. três milhões de crianças morrem anualmente por infecções e diarréias transmitidas por água contaminada. (PNUMA. cada pessoa consome. “Cada indivíduo produz. o qual encontra-se intimamente associado ao padrão atual de produção e consumo. Conforme dados do PNUMA. além dos custos elevadíssimos dos governos com tratamentos de saúde..3 kg nas grandes metrópoles”. 2003). podendo este número alcançar 1. Metais pesados são encontrados na água. 2007). al. . Para se ter uma idéia. 2006a). 30 folhas de papel durante o expediente de um único dia de trabalho. afligidas pela esquistossomose por ano. (MONTEIRO et. economiza-se R$ 5. (RIBEIRO. o problema ambiental urbano mais grave. Enfim. (PNUMA. Cerca de 70% do total de custos com internações hospitalares têm origem em doenças transmitidas pela falta de água ou contaminados por ela. tudo isso torna-se um grande problema para a população mundial.6 kg de lixo diariamente.23 Para se tonificar o problema em torno da água o PNUMA afirma que. atualmente. O consumismo e a geração de resíduos estão ainda relacionados à cultura do desperdício. cerca de 0. Mais uma grande preocupação diz respeito à gestão dos resíduos sólidos. metade das florestas do mundo já desapareceu e ainda estão diminuindo em cada continente na razão de 130 mil quilômetros quadrados por ano.

O ato de consumir o que se domina ou se possui não necessariamente vem acompanhado do desperdício. “as atitudes de desperdício e o consumo além das necessidades fundamentais decorrem de uma característica do sistema nervoso humano”. um pesticida ou um local virgem. um antibiótico. Para explicar este comportamento dos brasileiros. quando da chegada dos portugueses ao Brasil. mas abre as portas para ele. p. 17). p. “nos tempos antigos o desperdício e os excessos estavam presentes nas monumentais construções e nos grandiosos festins romanos”. Isto explica como os indivíduos dimensionam e direcionam suas necessidades e expectativas de acordo com o conhecimento adquirido no seu contexto cultural. Segundo Wahba (1993. Ray e Guzzo (1992) afirmam que existe no homem uma tendência a abusar de um produto. Procedentes de um país exaurido pela exploração inadequada e onde os . qualquer que seja: uma vitamina. um fertilizante.24 Falando um pouco mais sobre a cultura do desperdício. Para Silva (1993 apud MACHADO. a população brasileira pratica a cultura do desperdício. este autor ainda afirma que é através da abundância que se deve compreender o desperdício e que o desperdício está associado ao domínio. De um modo geral. 80). No contexto do atual modelo econômico de desenvolvimento. reporta-se aos relatos de fatos ocorridos no passado. 2002. Autores como Eigenheer (1993) e Pádua (1999) afirmam ser a questão do desperdício um problema cultural. a mesma autora questiona se a atitude de desperdiçar é uma decorrência do aumento da produtividade industrial ou uma característica humana que se acentua sob certas condições.

contribuindo para aumentar a degradação ambiental generalizada”. passando a extrair os nossos tesouros naturais sem o mínimo cuidado. a necessidade de redução dos custos de produção e de . a sociedade moderna se comporta como se esses fossem inesgotáveis. conforme a afirmação a seguir: [. 41). tanto na vida privada. O combate ao desperdício. A extração e o uso impróprio desses recursos alteraram o modelo de exploração até então praticado pelos habitantes desta terra. (AUGUSTO. deslumbraram-se com tamanha fartura existente nesta terra.. da cidadania. sendo que a maior parte da matéria e da energia desperdiçadas são lançadas nos espaços públicos.25 recursos naturais remanescentes estavam protegidos por lei. apud MACHADO. por um lado. p. como também destruímos a capacidade potencial de recuperação da natureza. por outro. 2002. os índios. enfim. à diuturna reconstrução de suas relações com o Estado. 1993. a evolução deste modelo predatório permite hoje afirmar que “a taxa de desperdício no país é imensa. Os hábitos perdulários dos tempos modernos estão infelizmente ligados ao uso absolutamente irracional dos recursos naturais. com apurados programas educacionais que formem os atores sociais para além de sua individualidade. p. 82) assim diz: “caminha-se rápido para formas mais modernas de desperdício”.] exige um cuidadoso projeto de socialização dos seres humanos. o setor privado brasileiro vem dispensando grande atenção às causas do desperdício em suas mais diversas formas.82). A crescente alta dos preços dos insumos. estimulando-os. desperdiça-se não somente os produtos. 2002.. p. Evitar o desperdício é exercitar ao máximo a racionalidade dos indivíduos. Silva (1993 apud MACHADO. quanto na vida pública. visando à manutenção da lealdade política. Segundo Pádua (1999. Neste contexto. ao estabelecimento e dignificação dos imprescindíveis laços de solidariedade que os unem em sociedade e.

1992. o desenvolvimento econômico decorrente da revolução industrial impediu que os problemas ambientais fossem considerados (SOUSA. um ato de fundação de uma comissão internacional que se encarregaria de buscar informações e de divulgá-las para. 2005). são os fatores que têm motivado a preocupação com o desperdício. em Berna. haja vista que muito pode ser feito. portanto. que o setor público também se empenhe nessa tarefa. 39). Em 1913. “esses esforços foram perdidos em decorrência das duas grandes guerras mundiais. A poluição e os impactos ambientais do desenvolvimento desordenado eram visíveis. convocar uma conferência internacional a fim de discutir os problemas ambientais mais urgentes. . Porém. neste encontro foi proposta a criação de um organismo internacional voltado à proteção dos recursos naturais.26 manutenção. as imposições legais que salvaguardam os recursos naturais cada vez mais escassos e a imagem perante o consumidor. Torna-se premente. 19 Histórico: evolução do pensamento e das políticas ambientais Durante séculos. p. mas os benefícios proporcionados pelo progresso os justificavam como um “mal necessário”. em seguida. como será abordado nos itens a seguir. foi assinado por 17 países. algo com que se deveria resignar. por parte do setor privado. não permitindo que essas tentativas se concretizassem”. Machado (2002) relata que em 1909 protecionistas europeus se reuniram em Paris para realizarem o Congresso Internacional para a Proteção da Natureza. (McCORMICK.

No entanto. pois. hoje. na opinião de Leis (1999) parece ter havido um retrocesso. Com essa visão mais abrangente. desconhecessem a relação que existe entre a geração crescente de resíduos sólidos e a contaminação dos recursos hídricos ou o aquecimento global do planeta. apesar desta visão multidisciplinar e global. com detalhes. os grandes acidentes ambientais ocorridos. (MACHADO. o movimento ambientalista dos anos 1950 e 1960 recebeu total apoio da sociedade e tornou-se mais atuante e capaz de exercer mais pressão sobre o segmento político. somente após o fim da segunda guerra mundial o reconhecimento da relação existente entre a sobrevivência das populações e os problemas ambientais internacionais fez com que a nova Nações Unidas e suas respectivas agências tomassem para si a iniciativa de realizar conferências técnico-científicas sobre o meio ambiente. conforme aponta Machado (2002). por exemplo.27 Segundo Machado (2002). Nas décadas de 60 e 70 a mídia relatava. grande parte da sociedade percebe os problemas ambientais de forma fragmentada. assim. Os trabalhos científicos eram mais bem fundamentados e os prognósticos pesavam sobre os governantes e sobre os políticos. a crise ambiental era de conhecimento público. desenvolvida ainda nos anos 1950 e 1960. fase marcada pela contribuição dada pelos cientistas por meio de uma visão mais ampla e multidisciplinar da questão ambiental. Para . 2002). Entre os anos 1950 e meados dos anos 1960 surge o “novo ambientalismo”. A classe política sentia-se forçada a assumir as suas responsabilidades na liderança dos processos de formulação de leis e de políticas públicas que garantissem a salvaguarda dos recursos naturais e a qualidade de vida da população. Eles começaram a perceber que a sensação de bem-estar proporcionada pelo avanço tecnológico era falsa.

como ficou conhecida. “a realidade apresentada por este relatório requeria ações internacionais de longo prazo. em associação com o grupo de pesquisas do Massachusetts Institute of Technology (MIT) foi publicado com o titulo de “Limites do Crescimento”. pois focalizou. p. p. Buscou-se convergir a atenção e os interesses dos governos dos hemisférios norte e sul. A Conferência de Estocolmo. 79) “houve por volta de 1970 uma revolução nas atitudes ambientais”. 2002). Dois anos depois da publicação do relatório do Clube de Roma foi promovida na cidade de Estocolmo a Conferencia das Nações Unidas para o Meio Ambiente. comprometendo-as com a promoção da integridade do meio ambiente e a melhoria das condições de vida dos povos mais pobres (MACHADO. Em 1970.28 McCormick (1992. as questões ambientais. a fome e o esgotamento das riquezas naturais se tornassem um processo irreversível. bem como da opinião pública. um relatório formulado pelo Clube de Roma. 2002). concentradas em questões globais” (MACHADO. 15). poluição e esgotamento de recursos naturais. 2002). é considerada como um marco internacional das discussões dos problemas ambientais globais. inserindo-as no cenário político mundial (MACHADO. em função da explosão demográfica (SOUSA. propondo acordos e cooperações técnicas entre as nações. de forma integrada. Não dava mais para esconder as evidências de que algo precisava ser feito antes que a miséria. com ênfase nos aspectos técnicos da contaminação – devido à acelerada industrialização e urbanização – e no esgotamento dos recursos naturais. explosão demográfica. Esse documento apresentava modelos que relacionavam variáveis de crescimento econômico. “pela primeira vez a . da qual o Brasil foi um dos participantes. 2005). econômicas e sociais. Para McCormick (1992.

2002).EM nº 100/1971. segundo Guimarães (1997 apud EGLER. norteado pelas discussões dos problemas ambientais e compatível com a preservação e conservação da natureza. A posição do Brasil em relação às questões ambientais colocadas pela Conferência. a própria existência humana”. em uma análise simples. a lista dos princípios (voltado aos governos) e a criação do PNUMA foram importantes resultados dessa Conferência. No Brasil. na qual recomendava ao Presidente da República a criação de uma agência especializada em questões ambientais. já havia por parte de autoridades do alto escalão do Governo uma preocupação com as questões ambientais.29 humanidade foi despertada para a verdade básica de que a natureza é finita e que o uso equivocado da biosfera ameaça. 2002). 1998). Havia. (MACHADO. A Conferência de Estocolmo estabeleceu os princípios básicos para um outro modelo de desenvolvimento econômico. no entanto. A Declaração de Estocolmo (em muito baseada nos dados divulgados pelo relatório do Clube de Roma – ver anexo A). certa resistência entre alguns segmentos que defendiam que “o país precisava crescer e desenvolver a agricultura e a indústria”. assinada pelo então Presidente do Conselho de Segurança Nacional (CSN). mas sugeriu que os países desenvolvidos deveriam pagar pelos esforços dessa . O país reconheceu a ameaça da poluição ambiental. antes mesmo da Conferência de Estocolmo. General João Baptista de Oliveira Figueiredo. (MACHADO. endossada pelos demais países do chamado Terceiro Mundo. o autor demonstra a validade dessa informação citando o conteúdo da Exposição de Motivos . foi bastante clara: o crescimento econômico não deveria ser sacrificado em nome de um ambiente mais puro.

de acordo com as suas prioridades. através da reestruturação dos órgãos públicos encarregados da questão ambiental. o crescimento populacional e o saneamento básico ficaram excluídos desse modelo. foi obsessivamente declarado pelo Brasil”. órgão especializado no trato de assuntos ambientais sob a coordenação do Ministério do Interior. foram unificados a SUDEPE . deu início à redefinição da política ambiental brasileira. o direito de uma nação explorar seus recursos. Todavia. elaborada a partir da Conferência de Estocolmo. 2005). a criação de órgãos ambientais governamentais. O Presidente do Brasil. maior divulgação de problemas ambientais na mídia. diretrizes. (MACHADO.30 purificação. pouco depois da Conferência de Estocolmo. após Estocolmo ações importantes foram registradas no Brasil. integrado por um órgão colegiado: o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). a criação de partidos políticos “verdes” e a incorporação do tema às demais políticas públicas. (SOUSA. De acordo com Souza (2005). Estabeleceu os objetivos. tais como: a elaboração e a aprovação de legislações ambientais. o modelo da política ambiental brasileira. instrumentos. atribuições e instituições da política ambiental nacional. 2002). Ainda com toda resistência. em 1973. José Sarney (1985-1989). Segundo os delegados brasileiros. a soberania nacional não poderia ser mutilada em nome de “interesses ambientais mal-definidos. princípios. tinha como pilares o controle da poluição e a criação de unidades de conservação da natureza. o aumento do número de organizações não-governamentais. foi criada no Brasil a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA). Machado (2002) relata que em agosto de 1981 foi criado o Sistema Nacional de Meio Ambiente.

O Relatório Bruntland deixou evidente a importância da vinculação entre a área econômica e a ambiental. Trata-se de um verdadeiro balanço dos estágios alcançados. em busca tanto da preservação do meio ambiente. até então. Nascia a partir dessa idéia o conceito de “desenvolvimento sustentável”. fruto de iniciativa do PNUMA. A ótica preventiva da política ambiental dos anos 1980 cedia lugar à uma leitura integradora da questão. como também. a qual passava a combinar os aspectos econômicos e sociais com os aspectos ambientais. a SUDHEVEA (Superintendência da Borracha). de modo a garantir os recursos naturais necessários à sobrevivência das futuras gerações. Tornou-se visível a preocupação mundial em busca de outro modelo de desenvolvimento: viável . agir de forma responsável em relação ao meio ambiente. Era preciso. o IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento florestal) e a SEMA em torno de um único órgão federal: o IBAMA. Portanto. de formas mais racionais de utilização dos recursos naturais com vistas à preservação para as gerações futuras. Com o avanço tecnológico da década de 1980 (aperfeiçoamento dos métodos de diagnóstico dos problemas ambientais e impulso observado pelo movimento ecológico) a questão central voltou-se para a sobrevivência da espécie humana no planeta (SOUSA. permitindo aos governos e à sociedade assumirem suas respectivas responsabilidades para com os danos ao meio ambiente e para com as políticas e atitudes que os causam. de 1987. pelos diversos segmentos que interferem na qualidade ambiental do Planeta.31 (Superintendência do Desenvolvimento da Pesca). a pauta da política ambiental internacional precisava ser redefinida. conforme Machado (2002). o principal documento que representou esse esforço foi o Relatório Bruntland – mais conhecido como Nosso Futuro Comum. 2005).

2002).000. durante a preparação para a participação na UNCED-92. na Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED-92). Essa mobilização envolveu todos os segmentos da sociedade para o uso otimizado dos recursos naturais e a diminuição das desigualdades sociais. somente 500 entidades da sociedade civil compareceram à Conferência. (MACHADO. em 1992 foi registrada a presença de cerca de 4. provenientes de todas as partes do mundo. priorizando a cooperação entre os países mais e menos desenvolvidos e a mobilização mundial para a revisão dos modelos produtivos. onde ficaram consolidadas as ações capazes de proporcionar mudanças no velho paradigma de desenvolvimento econômico. ou Rio-92. De acordo com Sousa (2005). em Estocolmo. a Agenda 21. 2002). . Um novo pacto mundial se fazia necessário. deu origem a uma agenda global conhecida como Agenda 21. Assim. (MACHADO. transformada mais tarde no Ministério do Meio Ambiente. como ficou conhecida. Sousa (2005) relata que. adequado do ponto de vista ambiental. com certo incentivo à iniciativa local. mais de uma centena de Nações para firmar as bases desse novo pacto. vinte anos após a Conferência de Estocolmo. A UNCED-92. socialmente justo e capaz de garantir a manutenção da qualidade de vida das futuras gerações. Isso refletiu a ampliação da conscientização em nível mundial. apresentou um rol de programas que pode ser considerado instrumento fundamental para a elaboração de políticas públicas em todos os níveis. reuniu-se no Rio de Janeiro. Enquanto em 1972. da necessidade de implementar outro estilo de desenvolvimento. o Governo brasileiro criou a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República. principal documento resultante da Rio-92.32 economicamente.

Em 1997 foi implantado o Protocolo de Kyoto. (SEBRAE10.2% entre os anos de 2008 e 2012. . Argentina. em 6%. o protocolo prevê ainda a diminuição da emissão de gases dos países que compõe a União Européia em 8%. Na reunião. na cidade japonesa de Kyoto. No Brasil. 2008). Nessa conferência a discussão incidiu sobre ações mais voltadas à erradicação da pobreza. nome que deu origem ao protocolo. em 7% e o Japão. às questões energéticas (Mecanismo de 10 11 SEBRAE: Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa.33 O destaque internacional e a mobilização nacional em torno da Conferência de 1992 abriram também a possibilidade real de acelerar. o maior emissor de gases do mundo. 1998). dessa forma. já os Estados Unidos11. destacou-se pela luta por estabilização econômica. mudanças no modelo de desenvolvimento. se comprometeram a implantar medidas com intuito de diminuir a emissão de gases. não receberam metas de redução (BRASIL ESCOLA. a Conferência Ambiental Rio+10. no plano interno. no Brasil. uma das mais avançadas do mundo. México. algo em torno de 5. oitenta e quatro países se dispuseram a aderir ao protocolo e o assinaram. social e ambiental. os Estados Unidos. à globalização. Países em franco desenvolvimento como Brasil. Índia e principalmente a China. Essa conferência objetivou dar continuidade à discussão iniciada pela Rio-92. As metas de redução de gases não são homogêneas a todos os países. África do Sul. Em 1998. A década de 1990. segundo os preceitos inovadores da Agenda 21. colocando níveis diferenciados de redução para os 38 países que mais emitem gases. Em 2002 foi realizada em Joanesburgo. alegando que a redução iria comprometer o desenvolvimento econômico do país. se desligou em 2001 do protocolo. foi aprovada a Lei de Crimes Ambientais. Diante das metas estabelecidas. abrindo caminhos para o compromisso com a sustentabilidade política.

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Desenvolvimento Limpo - MDL), ao cumprimento do Protocolo de Kyoto, às mudanças climáticas, entre outras questões (ver anexo B – Declaração de Joanesburgo). Sousa (2005) afirma que a política ambiental ideal seria aquela que incorporasse as diversas dimensões da vida humana em sociedade, o que inclui as suas dimensões sociais, ambientais, políticas e econômicas. Hoje, um dos grandes focos em favor do meio ambiente consiste no esforço de implementação da Agenda 21, fazendo com que suas propostas possam ser permeadas desde o nível mais local até o mais global. Dada a sua importância, a seguir será feito um detalhamento da Agenda 21.

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Agenda 2112 A Agenda 21 é um amplo programa de ação, discutido e negociado

durante os dois anos que precederam a Rio-92. O objetivo deste documento foi o de dar efeito prático aos princípios norteadores de um novo paradigma de desenvolvimento sustentável, aprovados durante a Rio-92 (PNUMA, 2006b). A Agenda 21 não foi discutida em detalhes e nem aprovada formalmente durante a Rio-92, apenas tomou-se conhecimento do documento (originalmente tinha cerca de 800 páginas); entretanto, isto não diminuiu a sua importância, tendo sido aceita tacitamente por todos os governos, para uso voluntário dos países. Embora não tenha força legal, a Agenda 21 contém um roteiro detalhado de ações concretas a serem executadas pelos governos, pelas agências das Nações Unidas, pelas agências de desenvolvimento e pelos setores

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Todas as informações do item 2.3, bem como dos seus subitens, que tratam das agendas 21, foram coletadas a partir do sítio do PNUMA Brasil, conforme a referência bibliográfica PNUMA (2006b).

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independentes (como o setor produtivo e as organizações não governamentais), para iniciar o processo de transição em direção ao desenvolvimento sustentável. Toda esta celeuma baseia-se na premissa de que a humanidade está num momento de definição em sua história, uma vez que continuar com as políticas atuais significa perpetuar as disparidades econômicas entre os países e dentro dos países, aumentar a pobreza, as doenças e o analfabetismo no mundo inteiro e continuar com a deterioração dos ecossistemas dos quais dependemos para manter a vida na Terra. É uma proposta de planejamento estratégico-participativo nos níveis local, regional e global. Ao todo, o documento apresenta quase mil propostas de atividades para serem desenvolvidas; trata, praticamente, de todos os assuntos relacionados com o desenvolvimento sustentável, tais quais: a dinâmica demográfica, a crise urbana nos países em desenvolvimento (incluindo habitação, saneamento e poluição urbana), o uso da terra, energia e transportes sustentáveis, transferência de tecnologias, uso de produtos químicos, oceanos, padrões de produção e consumo e a necessidade de erradicação da pobreza no mundo. A Agenda 21 propõe mudar o rumo da humanidade na direção de um melhor padrão de vida para todos, de ecossistemas melhor gerenciados e protegidos e de um futuro mais próspero e seguro. É um documento político que pressupõe a ampla participação da sociedade na tomada das decisões necessárias, bem como a existência de instâncias institucionais que favoreçam sua

implementação. É um processo de transformação cultural, de mudança de mentalidade e de comportamento em direção a uma sociedade com padrões sustentáveis de produção e consumo. Propõe que os governos e a sociedade em geral “sentem-se à mesa” para discutir e diagnosticar os problemas, identificar e

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entender os conflitos envolvidos e decidir sobre a melhor forma de resolvê-los para iniciar o caminho na direção da sustentabilidade da biosfera.

21 Agendas nacionais O capítulo 38 da Agenda 21 recomenda que os países criem uma estrutura de coordenação nacional, responsável pela elaboração das Agendas 21 nacionais em cada país, as quais se destinam à elaboração de parâmetros para uma estratégia de desenvolvimento sustentável, definindo as prioridades nacionais e viabilizando o uso sustentável dos recursos naturais; deve-se levar em consideração as vantagens comparativas daquele país para produzir de forma mais eficiente os bens e serviços para a sociedade, assim como as fragilidades ambientais específicas. No Brasil, o processo de elaboração da Agenda 21 nacional sofreu grande atraso, principalmente em virtude das turbulências políticas que o país enfrentou logo após a Rio-92. Além do impeachment do presidente da República, entre o início de 1992 e o final de 1994, num período de três anos o Governo Federal teve seis ministros/secretários responsáveis pelo meio ambiente. Em fevereiro de 1997, por meio de Decreto Presidencial, foi criada a Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS), vinculada à Câmara de Recursos Naturais da Casa Civil da Presidência da República. A CPDS, que efetivou o processo de elaboração da Agenda 21 Brasileira, é uma comissão paritária, formada por representantes do Governo, do setor produtivo e da sociedade civil, sob coordenação do MMA. A CPDS definiu como metodologia a ser seguida para elaboração da Agenda, a adoção de seis temas básicos, considerados de prioridade nacional:

diagnóstico dos principais entraves à sustentabilidade do tema. sindicatos. gestão de recursos naturais.37 cidades sustentáveis. Estes seis temas foram desenvolvidos por consórcios contratados por meio de concorrência pública nacional. envolvendo diferentes realidades e necessidades. O trabalho resultou em seis documentos temáticos que serviram de subsídios para elaboração do conteúdo da Agenda 21 Brasileira. proposição de ações e meios de implementação. o setor empresarial. ampliar as discussões e divulgar o processo da Agenda 21 Brasileira foram os objetivos dessa fase do projeto. O documento final de cada tema foi produzido após a realização de seminários que contaram com uma ampla participação de atores da sociedade brasileira envolvidos com o tema específico e chegou-se à seguinte estrutura: marco conceitual. Os documentos temáticos foram elaborados com base num processo participativo que envolveu diversos segmentos da sociedade brasileira: instituições governamentais. redução das desigualdades sociais. foram realizados cinco seminários. agricultura sustentável. infra-estrutura e integração regional e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. produzido em duas versões: a primeira baseada nos subsídios sistematizados dos seis documentos temáticos e a segunda oriunda da revisão do documento original produzido pela CPDS. Construir os pactos necessários. um em cada região do país. Realizaram-se debates em 26 Estados da Federação (a única exceção foi o Estado do Acre). Em junho de 2000 foi lançado o documento “Agenda 21 Brasileira Bases para Discussão”. enriquecendo as . a área acadêmica. os movimentos sociais e as organizações não governamentais. Em seguida.

depende da capacidade coletiva de mobilizar. que teve como objetivo o desenvolvimento sustentável do país. sempre buscando os posicionamentos e as contribuições que representassem o consenso do grupo. entre eles o Rio Grande do Sul.38 discussões entre os diversos atores envolvidos. prioritariamente. No início de 2002. para produzir grandes impactos. a Agenda 21 Brasileira foi lançada com dois volumes: Ações Prioritárias e Resultado da Consulta Nacional. Durante a elaboração da Agenda 21 Brasileira. mas as mudanças nos Governos Estaduais atrasaram o interesse na finalização de seus documentos. 22 Agendas regionais Alguns Estados brasileiros. onde a dimensão ambiental deveria contemplar. a tempo de ser apresentada na Rio+10 Johanesburgo. Tanto os eventos estaduais. . envolvendo os mais diversos atores. foram coordenados pelo MMA. relativo ao período 2000-2003. inclusive os meios de comunicação. entretanto. o Governo Federal incorporou o conceito de desenvolvimento sustentável na elaboração de seus programas. O documento final afirma: a chave do sucesso. Minas Gerais e Bahia. Este processo envolveu cerca de 40 mil participantes em todo o país. como no Plano Plurianual de Aplicação. já lançaram suas Agendas 21. É um compromisso coletivo. 2002. quanto os regionais. como o Estado do Rio de Janeiro. iniciaram o processo de elaboração. integrar e dar prioridade a algumas ações seletivas de caráter estratégico que concentrem os esforços e desencadeiem grandes mudanças. Outros. projetos com a preservação dos recursos naturais e seu uso sustentável.

Campinas. já elaboraram suas Agendas 21 Locais. Pelo sucesso obtido. como São Paulo. este tipo de instrumento econômico vem sendo adotado por um número cada vez maior de Estados.estabelece as premissas.39 O caso do Estado de Minas Gerais é um bom exemplo. Foi então criada a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.000 cidades já adotaram suas Agendas 21 Locais.“Iniciativas das autoridades locais em apoio à Agenda 21” . Belo Horizonte. O MMA tem dado apoio técnico e financeiro (pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente) à elaboração das Agendas 21 Locais e publicou um documento intitulado “Manual para a Implantação das Agendas 21 Locais”. Também em 1995 foi criado o ICMS Ecológico. Santos. No mundo inteiro. 24 Necessidade de mudança: uma questão de política pública . 23 Agendas locais O capítulo 28 da Agenda 21 . Vitória. mais de 2. Angra dos Reis. Várias cidades brasileiras. As Agendas 21 locais são de fundamental importância na construção do desenvolvimento sustentável pelo enorme poder de mobilização que as comunidades e os governos locais apresentam. incentivando a preservação dos recursos naturais e o saneamento ambiental. Porto Alegre e Curitiba. Já em 1995 o Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado afirmava que os programas e as ações do Governo deveriam ter como referência básica a questão ambiental e que a elaboração da Agenda 21 com base nos documentos finais da Rio-92 era uma atividade prioritária. Volta Redonda. métodos e princípios para a orientação das autoridades locais na busca do desenvolvimento sustentável.

ou seja. Já no terceiro caso. . incluem transformações radicais na estrutura social e nos padrões de produção e consumo”. p. ora por lei.40 “A busca da sustentabilidade requer mudanças radicais que. 1999. Tratase de um processo demorado. dentre outras. Quando o problema que se deseja solucionar envolve a promoção de mudanças de atitudes e hábitos (como a introdução de novos padrões de consumo e de produção). porém. podendo ser ou não duradouras. é um processo que percorre o caminho de dentro para fora. ora pelo aspecto financeiro. (PÁDUA. resoluções. promover a construção de novos princípios e padrões. o que dependerá da incorporação aos hábitos diários dos indivíduos. necessariamente. quando as mudanças são promovidas via aprendizado. etc). que requer a desconstrução de antigos valores para. imposições legais (leis. regulamentos. o uso de instrumentos econômicos adequados (forças de mercado) e ainda as mudanças alcançadas por meio de processo educacional e de mobilização. Conforme o trabalho de Machado (2002). seu efeito é de longo prazo. já que são impostas. os processos que visam à promoção de mudanças ou a solução de problemas constituem-se em temas complexos que requerem o conhecimento e o entendimento de modelos teóricos existentes. Elas acontecem rapidamente. necessita-se de mais tempo. portarias. 26). além de uma significativa sensibilidade de percepção para os aspectos da vida real que circundam os pontos centrais a serem mudados ou solucionados. existem formas diferenciadas para alcançar os resultados esperados. Nos dois primeiros casos as mudanças de comportamento ocorrem de maneira coercitiva. Essas formas incluem. então.

continuaram mantendo os seus níveis bem próximos aos das metas estabelecidas durante o racionamento. (MACHADO. deve ser fruto de um processo de construção participativa. compete às autoridades governamentais a busca da orientação política mais adequada. 1987). a seguir. envolvendo o maior número de atores que constituem os segmentos sociais aos quais ela se dirige. ao passo que outros promovem mudanças de forma persuasiva. mesmo com a liberação das metas de consumo. A política pública é um instrumento de Estado e. DAHL. a característica diferencial que se observa nesses processos é a qualidade e a velocidade com que as mudanças ocorrem. Assim sendo. a seleção de alternativas e estratégias que gerem o mínimo de conflitos de interesses e cujo processo de implementação esteja o mais afastado possível de situações de impasses capazes de levar a proposta ao fracasso. segundo ele: Quando vemos que algo é insatisfatório. compara uma política pública a uma ponte. em que muitos brasileiros. Por sua vez. 23). (INGRAHAN. Assim. O autor. queremos transformá-lo de modo que se torne mais satisfatório. 2002). p. é aconselhável que ambos os processos ocorram de forma simultânea. e buscamos uma solução: uma política.41 Portanto. “a formulação de políticas públicas constitui uma forma concreta de se estabelecer um processo efetivo de mudanças”. em uma sociedade democrática. considera-se dado o primeiro passo para se caminhar na direção da formulação de uma estratégia capaz de solucioná-lo. Uns se valem de elementos coercitivos. uma conduta que nos leve do ponto onde nos encontramos para o ponto aonde queremos chegar. (1988. . Quando uma ou mais pessoas identificam um problema ou uma determinada situação insatisfatória. isto é. como foi o caso da crise energética.

(RIBEMBOIM. tanto nos agentes de governos como nos seus governados. . primeiramente é essencial que o assunto seja visto como um problema solúvel. terá êxito desde que haja um esforço do Governo em estabelecer políticas de sustentabilidade apropriadas e mais eficazes. reações contra as políticas adotadas a sua revelia”. em conseqüência. (PETERS. além de uma mobilização junto aos agentes de governo. O Governo é a expressão da sociedade e a sociedade. 2002). 1992. para que haja um processo de formulação de uma política pública. por sua vez. capazes de motivá-los e capacitá-los no sentido de internalizar as questões ambientais em suas atividades diárias e nos processos de tomada de decisão. não está preparada para exigir dos governantes ações que levem a uma melhor qualidade de vida e justiça social. Uma mudança de paradigma e de comportamento. As mudanças deverão ser profundas. frente às questões ambientais. (BEDER. principalmente por parte do Governo. (MACHADO. “Os governos devem ter comportamentos exemplares na adoção de práticas ambientalmente sustentáveis.42 Portanto. 140. 1997. 70). “Será preciso que todos os agentes do governo repensem como conduzir suas próprias atividades”. 2002. p. Um ponto de resistência à implementação de novas políticas públicas é o fato de que “as instituições públicas tendem a preservar os valores predominantes. apud MACHADO. que seja incluído na agenda governamental e que as soluções apontadas sejam viáveis e executáveis. estendendo essa postura a todas as suas instituições e esferas decisórias”. A mudança de comportamento deverá ocorrer em toda a sociedade. p. criando certas resistências e. grifo nosso). 1998).

ao máximo. p. inclusive. é fundamental promover uma significativa revisão dos valores sociais.. 25 O Estado dando o exemplo Machado (2002) afirma que para que a Agenda 21 brasileira seja uma realidade. ambiental e tecnológica. por parte do próprio Governo. os segmentos que são reconhecidamente responsáveis por parte do comprometimento dos recursos ambientais do planeta? Como mobilizar toda a sociedade na reconstrução de valores compatíveis com as necessidades físicas da população. desde as classes mais miseráveis até aquelas que gozam de todos os confortos? Qual será o papel dos diversos segmentos e dos atores que compõem um Estado ou uma Nação? E o papel de todos juntos? . (MANDARINO. como também as chances de os países mais pobres se desenvolverem e atingirem níveis mais desejáveis e justos de consumo e bem-estar seriam inviabilizadas. o impulso ao segmento produtivo e alcançando-se níveis mais satisfatórios de qualidade social. procedimentos e recursos suficientes que permitam a realização de ações eficazes.] não somente os recursos naturais do planeta seriam exauridos. O mesmo autor anterior diz que aos governos cabe a responsabilidade de viabilizar caminhos. cujos resultados não devem permitir que se concretizem prognósticos. dos padrões de consumo e do comportamento de cada indivíduo integrante da sociedade. Como envolver nessa tarefa. como o que é citado a seguir. 2000.. na visão de Machado (2002).1). referente aos atuais níveis de consumo adotados pelos países ricos: [. e não apenas retórica. possibilitando.43 A contribuição dos governos é significativa.

Somadas. Os Ministros dos Estados-Membros do Conselho da OECD13. no mais alto nível. no que diz respeito à cooperação entre as nações. a Agenda 21 reflete o consenso mundial e o compromisso político. ou seja. 1997). visando à mudança do modelo econômico de desenvolvimento. isto é. para torná-las concretas. sobretudo. no local de trabalho ou até mesmo em sua própria casa. Considerando este contexto. de algum modo. Pode ser em uma cidade. de tal forma que não prejudiquem ao meio ambiente e possam.44 Os questionamentos sugerem que as mudanças comecem a partir de ações locais. é coerente que também os governos adotem medidas substanciais que resultem. Conforme diz Machado (2002). será inevitável que o Governo adote novas estratégias. inclusive promovendo o estímulo à participação e ao envolvimento de cada membro da sociedade. decidiram adotar a recomendação que trata da adoção do programa Improving the Environmental Performance of Government. 14 O Brasil não é membro da OECD. . no uso mais racional dos bens naturais colocados à sua disposição. reunidos em fevereiro de 1996. próximo de onde o problema está acontecendo. em uma pequena fábrica. de responsabilidade dos governos e. essas ações farão à diferença. O sucesso na execução das ações propostas é. cuja 13 OECD: Organization for Economic Cooperation Development ou Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Melhoria do Desempenho Ambiental do Governo (OECD. igualmente. isto representa um compromisso político assumido entre os governos membros14 da OECD. contribuir para a redução das desigualdades sociais. e contribuam para a sustentabilidade ambiental e social. O segmento privado tem sido estimulado a adotar medidas eficientes que promovam um melhor aproveitamento dos recursos naturais em seus processos de produção.

que se referem à mudança dos padrões de consumo. A título de esclarecimento. direcionada aos governos federais. 29 os compromissos assumidos na Rio-92 e na reunião da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU. As recomendações feitas pelos países membros do Conselho da OECD têm como base os princípios estabelecidos no Capítulo 4 da Agenda 21. alguns itens do capítulo 4 da Agenda 21. de . pelas seguintes razões: 26 a importância do efeito moral do Governo na liderança de processos de inclusão da variável ambiental em todas as suas atividades. sugere o desdobramento em nível local e foi motivada. geração de resíduos. manutenção da frota veicular. 27 o papel de consumidor e produtor de bens e serviços desempenhado pelos governos. entre outras. são transcritos. os quais conferem. e a própria Organização. ao adotá-la. 30 o melhor desempenho ambiental dos governos resulta em benefícios ambientais e sociais e em redução de custos.45 intenção. das suas instalações físicas e dos processos de tomada de decisão. é estimular os governos. a seguir. 28 o papel decisivo da sua participação na consolidação e adoção de padrões de consumo e produção mais sustentáveis. em 1995. A Recomendação. a reduzirem ou eliminarem impactos ambientais negativos decorrentes de suas próprias rotinas diárias (uso de energia e de água. sobre as mudanças dos padrões de consumo e produção. consumo de insumos em geral etc).

(AGENDA 21..26 . não existe quem se oponha à idéia de preservar os recursos naturais. (AGENDA 21. Na .. esses Governos devem examinar as políticas de aquisição de suas agências e departamentos de modo a aperfeiçoar. 1997. Item 4. como publicidade positiva de produtos e serviços que utilizem tecnologias ambientalmente saudáveis ou estímulo a padrões sustentáveis de produção e consumo [. p. para o público interno. 1997.“Os próprios Governos também desempenham um papel no consumo. entre eles o Governo: item 4. sem prejuízo dos princípios do comércio internacional”.“Os Governos e as organizações do setor privado devem promover a adoção de atitudes mais positivas em relação ao consumo sustentável por meio da educação. sobretudo no que se refere à inserção de critérios ambientais em suas próprias atividades administrativas. porém. p. O objetivo propulsor para a administração é a economia. é necessário somar esforços no sentido de subtrair de nossos comportamentos cotidianos aqueles hábitos antigos e inadequados que inviabilizam a melhoria da qualidade de vida. podendo exercer considerável influência tanto sobre as decisões empresariais. Machado (2002) reafirma que o Governo tem um papel estratégico na promoção de mudança dos padrões de consumo e de produção. 44). item 4. o objetivo ideológico é a cultura preservacionista do uso racional dos recursos públicos (grifo nosso). essa tarefa deve ser iniciada pelo próprio Estado. 45). para que o discurso e a prática sejam coerentes. a quem compete dar o exemplo aos demais segmentos da sociedade. especialmente nos países onde o setor público ocupa uma posição preponderante na economia. Para Machado (2002).16 . Certamente.23 . 1997. Conseqüentemente. (AGENDA 21.46 forma clara. um programa de benefícios com objetivos educacionais. Governos. a responsabilidade de promover as mudanças mencionadas pelos diversos segmentos da sociedade. famílias e indivíduos”. de programas de esclarecimento do público e outros meios. p. o aspecto ecológico de suas políticas de aquisição. como sobre as opiniões do público. sempre que possível.]”.“É possível progredir reforçando as tendências e orientações positivas que vêm emergindo como parte integrante de um processo voltado para a concretização de mudanças significativas nos padrões de consumo de indústrias. 42).

sobretudo em suas próprias ações de rotina. os mais diversos segmentos da sociedade. a necessidade de serem implementados processos produtivos e padrões de consumo mais favoráveis. de várias formas. alusão ao desenvolvimento sustentável. mobilizando.47 análise da gestão pública sustentável. façam. A reforma administrativa deve procurar formas de internalizar o desenvolvimento sustentável e suas estratégias nas políticas de governo. incorporando-os aos mais diversos segmentos e concretizando os compromissos assumidos na Agenda 21. ainda não atinge a todas as áreas de governo. Quando a sociedade for capaz de sair da retórica e realmente adotar em suas ações cotidianas os princípios de sustentabilidade nas diferentes dimensões. As atitudes responsáveis do Governo para com as questões ambientais servem como exemplo para o restante da sociedade. 2002. deve-se acrescentar os aspectos atitudinais na busca da qualidade total e da boa imagem política e ecologicamente correta que compõem as novas formas de gerir o serviço público (grifo nosso). por meio . como social. grifo nosso). O Estado pode e deve agir neste cenário como indutor e alavancador dessa nova consciência. governantes e técnicos. como sugere Sachs (1993). a inserção da dimensão ambiental e social nas políticas públicas. Hoje as crianças sabem mais sobre o meio ambiente do que os adultos quando tinham a idade delas. ainda que os discursos atuais de políticos. (MACHADO. disseminando informações capazes de mostrar. no Brasil e em outros países. de modo contundente. No entanto. na sua grande maioria. terão sido superados os obstáculos que hoje se colocam a nossa frente e só reforçam o chavão de que a prática é diferente do discurso. tanto do ponto de vista ambiental. deixando mais evidente a contradição entre o discurso e a prática.

13). renováveis e não renováveis. 2008). O adjetivo “ambiental” é adicionado ao termo gestão para atribuir-lhe qualidades relativas ao ambiente.. as diferentes áreas setoriais em que ainda se dividem as estruturas governamentais. 113). Osborne (1994. de influenciar nos processos produtivos. foi o primeiro elemento considerado durante a iniciativa de modernizar o Governo em grande parte dos países do hemisfério norte. com essa mesma preocupação. de maneira transversal. por si só.48 de um novo modelo de gestão integrada. p. gestão ambiental é a administração dos recursos naturais.já começaram a reagir”. estaduais e locais... resultando em geração de produtos ambientalmente corretos. Portanto. (Agenda 21. as atividades desenvolvidas pela máquina da administração pública implicam em elevado grau de consumo de bens e serviços. p. (MELHORAMENTOS. necessário é que as áreas técnica e administrativa tomem conhecimento dos critérios ambientais a serem exigidos em suas aquisições. capaz. nos Estados Unidos e no resto do mundo . articulando.] Nos últimos anos. fiscal. (SEBRAE. energético. Conforme Ribeiro (2008).. Promover a inserção das questões ambientais às atividades governamentais. em seu livro Re-inventando o Governo. diz o item 8. escreveu que “os governos . no processo de tomada de decisão.1997). alguns governos também começaram a fazer mudanças significativas nas estruturas institucionais governamentais que permitam uma consideração mais sistemática do meio ambiente no momento em que se tomam decisões de caráter econômico. (RIBEIRO. Trata-se da adoção da gestão ambiental15 na administração pública. Para que se faça valer esta força. 15 O substantivo feminino “gestão” significa “direção” ou “administração”. [. tornando-a uma grande consumidora de recursos naturais. o Estado pode valer-se de sua força de compra.grandes e pequenos. . E. Portanto.2 do capítulo 8 da Agenda 21 – Integração entre Meio Ambiente e Desenvolvimento na Tomada de Decisões: “[. social.] para o meio ambiente”. federais. 1992). de maneira a utilizá-los racionalmente. agrícola. 1997.

emissão. a Alemanha.5). Em 2001. reciclabilidade. Trata-se de um levantamento sistematizado de informações que auxilia os agentes públicos a definirem objetivos ambientais ou padrões satisfatórios em suas atividades diárias. (MACHADO.001. aplicou a metodologia em seu próprio órgão federal de meio ambiente.9. favoráveis ao meio ambiente (outras informações: ver item 2. quem paga o desperdício é o Governo e não o próprio agente público/cidadão. por exemplo. Os procedimentos que envolvem a implementação de um SGA procuram mostrar as vantagens ambientais e econômicas decorrentes da adoção de medidas preventivas e corretivas em relação aos impactos negativos da poluição. 2002). que leva em consideração certas peculiaridades institucionais e culturais. 16 Eco-eficiência dos produtos: características de produção mais limpa. manipulação. É um processo semelhante ao adotado pela norma de certificação da ISO 14. . a falsa idéia de que. tornando-o o primeiro a receber a certificação ambiental específica para o setor público naquele país. destinação etc. eficiência. adotando procedimentos administrativos adequados. A implementação do SGA é um instrumento importante do programa de melhoria do desempenho ambiental dos órgãos de governo. “o aumento de compras de produtos eco-eficientes.49 Machado (2002) ressalta que para usar o poder de compra do Estado é preciso conhecer o produto ou o prestador do serviço. já comprova as vantagens”. No caso do produto. a alternativa que tem sido adotada é a de orientar e estimular os gestores públicos responsáveis por essas áreas a refletirem sobre o ciclo de vida e sobre a ecoeficiência16 dos produtos. ciclo de vida. responsável pela preparação de procedimentos do tipo SGA.

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A motivação que leva as instituições de governo a adotarem procedimentos visando melhorar o seu desempenho ambiental é, logicamente, diferente da que envolve a iniciativa privada. Para os primeiros, a preocupação em prevenir riscos à saúde e à segurança pública, construir uma imagem forte perante a sociedade, alavancar novos mercados, ampliar a oferta de empregos, contribuir para a redução das desigualdades sociais, diminuir custos, deve prevalecer ao tomarem a decisão de implementar programas dessa natureza. Na maioria dos países membros da OECD, as ações implementadas de inserção da variável ambiental são essencialmente limitadas aos aspectos operacionais diretos, intrínsecos à

instituição, como o consumo de água, de energia, a geração de resíduos, o uso de veículos, as condições prediais etc. (OECD, 1997). Não resta dúvida de que a internalização da variável ambiental em todas as áreas de governo é fundamental. Somente dessa forma as políticas setoriais contribuirão, de modo efetivo, para a consolidação de um desenvolvimento sustentável. A internalização, no entanto, não é uma tarefa fácil. E é por isso que Guimarães (1991) afirma que “as políticas ambientais têm sido conhecidas como desmancha-prazeres”. Ao contrário das demais políticas setoriais, a ambiental é geralmente lembrada pela sua característica negativa: aponta o que não deve ser feito, fazendo-nos perceber o lado negativo das políticas tradicionais. (MOURÃO, 1996). Muito embora existam dificuldades financeiras para a realização de ações substanciais nesse sentido, elas não impedem de desenvolver outras mais simples, com um razoável retorno econômico (grifo nosso). Em 1999, o

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Secretário-Geral da OECD, Donald Jonston, garantiu a continuidade dos esforços, assim especificados: 31 consumo de papel: i) redução em 11% no consumo total; ii) maior percentual de material reciclado no papel consumido; iii)

substituição das máquinas copiadoras por outras com maior quantidade de itens reutilizáveis ou reciclados; iv) redução do número de publicações e informatização de documentos; 32 tecnologia da informação: visando investimento os significativo prestados na na

informatização

melhorar

serviços

distribuição de documentos internos e externos e na redução da duração das reuniões de corpo presente ou na substituição por discussões eletrônicas ou vídeo conferências; 33 reciclagem de resíduos: introdução do plano de gestão de resíduos recicláveis [...]; 34 transporte: i) redução e modernização da frota veicular, incluindo terceirização quando necessário; ii) manutenção regular dos veículos oficiais para evitar emissões atmosféricas e o desgaste dos mesmos; iii) eliminação de “privilégios” para os usuários de carros particulares, incentivando o uso de transportes de massa, ou outros, e iv) instalação de estacionamentos para bicicletas e similares; 35 administração da sede: i) adoção de medidas de eficiência energética; ii) modernização dos sistemas de energia e outros suprimentos devido à idade do prédio e, iii) em um prazo mais

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longo, está prevista a retirada dos asbestos e a modernização do sistema de aquecimento e resfriamento.

36 Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P): uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente Schenini e Nascimento (2002) descrevem que o processo de participação popular e de adoção das recomendações sustentáveis, preconizadas na Agenda 21, estabelecida no encontro patrocinado pela ONU no Rio de Janeiro em 1992, é o passo inicial para que as organizações públicas se incorporem ao movimento em prol de uma sociedade mais justa, sustentável e com melhor qualidade de vida O documento divulgado com os resultados da Rio-92 propõe o fortalecimento e o envolvimento dos governos locais no esforço de alcançar a sustentabilidade e indica, claramente, que a Agenda 21 é um processo de desenvolvimento de políticas e ações estratégicas para o desenvolvimento sustentável e de construção de parcerias entre autoridades locais, comunidade e outros setores para implementá-la. (AGENDA 21, 1997). A Agenda 21 Brasileira é uma proposta realista e exeqüível de desenvolvimento sustentável, desde que se leve em consideração as restrições econômicas, político-institucionais e culturais que limitam sua implementação, a qual, para alcançar todos os níveis e esferas, exige ações de desenvolvimento institucional que contribuam, dentro dos princípios de desenvolvimento sustentável, para o fortalecimento e a capacitação dos órgãos e entidades responsáveis pelo planejamento, regulação, gestão e execução das políticas públicas.

mais que conveniente. estimulando os servidores à reflexão. bens e serviços nas suas atividades meio e fim. estimulando-os a incorporarem princípios e critérios de gestão ambiental em suas atividades rotineiras. Em outras palavras. Foi possível interferir na cultura institucional. muitas vezes. reduzindo os impactos ambientais negativos gerados durante a jornada de trabalho. ao aprendizado sobre as questões ambientais e às novas formas de trabalhar. cujo objetivo é sensibilizar os gestores públicos para as questões ambientais. provoca impactos socioambientais negativos. o aspecto preponderante foi a mobilização e o engajamento dos servidores e terceirizados.53 O Governo é um grande consumidor de recursos naturais. a iniciativa de difundir os princípios da gestão ambiental na administração pública. Na primeira fase deste programa. de 1999 a 2000. com o intuito de incentivá-los a incorporar novos hábitos de consumo e diferentes procedimentos administrativos. A adoção de critérios ambientais nas atividades administrativas e operacionais da administração pública constitui-se um processo de melhoramento contínuo que consiste em adequar os efeitos ambientais das condutas do poder público à política de prevenção de impactos negativos ao meio ambiente. surge. levando à economia de recursos naturais e a redução de gastos institucionais por meio do uso racional dos bens públicos e da gestão adequada dos resíduos. . o que. Numa economia que ainda se caracteriza por elevado desperdício de recursos. conhecido pela sigla A3P. a conservação racional dos recursos naturais e a proteção contra a degradação ambiental devem contar fortemente com a participação do poder público. Em 2001 o MMA lançou o Programa Agenda Ambiental na Administração Pública.

. Um dos trabalhos produzidos foi o Manual A3P. porém. devido às peculiaridades inerentes aos órgãos de governo. Na implementação da A3P foram utilizados os procedimentos estabelecidos pela Norma Certificadora da ISO 14. oficinas etc. É um convite ao engajamento individual e coletivo. foram feitas algumas adaptações à norma. princípio 8. compras e contratação de serviços pelo Governo. que poupe matéria-prima e recicle seus resíduos. incentivando a adoção de tecnologias mais eficientes. Outros fundamentos desta ação foram: 37 Capítulo 4 da Agenda 21. A inserção de critérios ambientais vai desde a revisão dos investimentos. A A3P é uma ação voluntária. palestras. que trata da adoção de sistema de gestão ambiental.001. iniciada em outubro de 2000. a partir do comprometimento pessoal e da disposição para a incorporação dos conceitos preconizados para a mudança de hábitos e a difusão do programa. até a gestão adequada de todos os resíduos gerados pelas suas atividades. 38 Declaração da Rio-92. passando pela melhoria da qualidade de vida no ambiente de trabalho. visando ampliar a divulgação e a adoção da experiência em outros órgãos de governo. respondendo à compreensão de que o Governo Federal possui um papel estratégico na revisão dos padrões de produção e consumo e na adoção de novos referenciais em busca da sustentabilidade socioambiental. a ênfase foi dada à elaboração e à produção de materiais informativos e à outras atividades como a promoção de cursos. exposições. 39 Declaração e plano de implementação de Johannesburgo.54 Já na sua segunda fase.

em parceria com o Tribunal de Contas da União (TCU). as Universidades de Brasília (UnB) e de São Paulo (USP). entre elas. além da continuidade do debate sobre a viabilização de 17 UNESCO: Organização das Nações Unidas para a Educação. Na época. tais como o Ministério do Planejamento. 42 em 2005 foi realizado. 41 de novembro de 2001 a julho de 2002 foram assessorados os seguintes órgãos do GDF: a SEDUMA e o CFAP/PMDF. na categoria meio ambiente e diversas atividades têm sido desenvolvidas. as Secretarias de Meio Ambiente do Rio Grande do Sul e do Distrito Federal. a qual contou com a participação de diferentes órgãos públicos. dentre elas: 40 em dezembro de 2000 foi realizado o I Fórum das Agendas Ambientais Institucionais: dez instituições de governo apresentaram as suas iniciativas. 43 Em 2006 foi realizado outro fórum em parceria com a Câmara dos Deputados.666/1993. a Ciência e a Cultura. .55 O projeto A3P foi consagrado em 2002 com o prêmio UNESCO 17 “O Melhor dos Exemplos”. Governo do Estado de São Paulo (pioneiro neste tema) e alguns parceiros da A 3P. a qual já foi aprovada na Câmara dos Deputados. Tal proposta está em tramitação no Congresso Nacional. o Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar do Distrito Federal – CFAP/PMDF (grifo nosso) e o SEBRAE-DF. um fórum que enfocou o tema da “Licitação Pública Sustentável” e debateu a necessidade de se formularem políticas públicas de gestão ambiental para toda a administração pública. foi elaborada uma proposta de alteração da Lei 8.

o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). no qual o MMA se compromete a apoiar tecnicamente qualquer órgão público a inserir a variável ambiental em suas atividades. difundir informações sobre temas relevantes à agenda. o Centro de Recursos Ambientais da Bahia (CRA). Dentre os órgãos que apresentaram suas experiências. o TCU. a Fundação Estadual de Meio Ambiente de Minas Gerais (FEAM). ao passo que. possibilitando uma ampla troca de informações sobre o assunto. estão: a Câmara dos Deputados (EcoCâmara). foram apresentados estudos de casos exitosos em A3P. por meio do Termo de Adesão à A3P ou por meio da Rede A3P. a Prefeitura Municipal de São Paulo. cabe ao órgão. a instituição de uma comissão 18 Todas as informações deste item foram coletadas no Manual A3P. sistematizar dados e informações sobre o desempenho ambiental dos órgãos e incentivar e promover programas de formação e mudanças organizacionais.56 políticas públicas de gestão ambiental. Nos últimos dois anos houve um aumento bastante significativo no número de órgãos públicos que aderiram formalmente à A3P. a Câmara Municipal de Curitiba/PR. 44 Rede A3P18 Em 2005 foi criada a Rede A3P. permitindo a troca de experiências. . o Ministério da Educação (MEC). um canal de comunicação permanente entre os órgãos públicos para promover o intercâmbio técnico. a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) – Diretoria Regional de Brasília. conforme referência MMA (2007).

com a reestruturação do MMA. uso racional de recursos e combate a todas as formas de desperdício. Dentre os eixos temáticos do programa estão: licitações sustentáveis. Nesse novo arranjo institucional a A3P passou a ser uma das principais ações para proposição e estabelecimento de um novo padrão de responsabilidade nas atividades econômicas na gestão pública e privada. fazer cumprir a política nacional e as diretrizes fixadas para o meio ambiente. gerados pela atividade pública. A partir de 2007. diretos e indiretos. 46 promover intercâmbio técnico para difundir informações sobre os objetivos e a metodologia de implementação da A3P.57 responsável pelo processo de implementação da agenda ambiental (grifo nosso). gestão ambiental de resíduos e a capacitação continuada de gestores públicos. se adequando à política de prevenção de impactos negativos ao meio ambiente. 47 incentivar ações de combate ao desperdício e à minimização de impactos ambientais. indicando que o poder público está. . Atualmente. cerca de 400 órgãos públicos participam desta rede. integrando o Departamento de Cidadania e Responsabilidade Socioambiental. aos poucos. a A3P passou a fazer parte da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental. a saber: Ao Ministério do Meio Ambiente cabe: 45 como órgão federal. Na Rede A3P estão previstas as atribuições de cada parte envolvida.

que consiste na conservação racional dos recursos naturais e a proteção contra a degradação ambiental.58 48 estimular a excelência na gestão ambiental. 50 sistematizar os dados sobre o desempenho dos órgãos parceiros. visando reduzir os impactos ambientais decorrentes das atividades administrativas. Aos demais participantes cabe: 51 criar comissão multi-setorial que será responsável pela implementação das ações de melhoria do desempenho ambiental. diagnóstico ambiental para identificar os aspectos ambientais mais relevantes da instituição. . 49 incentivar e promover programas de formação e mudanças organizacionais. com a participação dos servidores. facilitando a mensuração da exata contribuição da agenda ambiental para a melhoria do desempenho ambiental do Governo. bem como a preferência por produtos e serviços com diferenciais ecológicos. 52 realizar. gerados pelas atividades administrativas e a promoção da gestão ambiental com qualidade. minimizar impactos ambientais diretos e indiretos. 54 desenvolver projetos e ações de combate ao desperdício. 53 executar a política nacional e as diretrizes fixadas para a preservação do meio ambiente.

o combate ao desperdício. 20 Idem nota 17. visando estimular a melhoria da qualidade do meio ambiente em todos os locais de trabalho. bem como a ampla divulgação dos resultados. 56 estabelecer ações de substituição de insumos e materiais que possam causar danos ou riscos à saúde do servidor. incluindo aspectos ambientais como a gestão de resíduos sólidos e perigosos19 gerados. o reaproveitamento de materiais. entre outras medidas necessárias para a implementação. 57 desenvolver a avaliação periódica da implementação das ações previstas. sempre que possível (grifo nosso). a redução de consumo de energia e água. no caso do CBMDF cita-se o caso da Policlínica.59 55 elaborar plano de ações estratégicas. o objeto na licitação com requisitos de qualidade ambiental. à vizinhança e ao meio ambiente. especificar. 59 Manual A3P20 Em 2007 foi lançado pelo Ministério do Meio Ambiente o Manual de Implementação da Agenda Ambiental na Administração Pública – A3P. 58 promover ações educativas e de formação de educadores. o qual solidificou a proposta de modernização da gestão pública com base nos princípios 19 Um dos focos de resíduos considerados perigosos são as instalações hospitalares. . conscientizar servidores e funcionários sobre a importância de se preservar o meio ambiente. e despertar a responsabilidade do servidor público no que se refere ao uso correto dos bens e serviços da administração pública.

1.1.2 Inclusão de critérios socioambientais nos investimentos.1.1.1.1.1.1 Combate a todas as formas de desperdício dos bens públicos e recursos naturais.3 Gestão ambiental dos resíduos. 59.1.1.60 da sustentabilidade ambiental.1. incluindo a parceria com cooperativas de catadores de lixo para geração de trabalho e renda. 1. 1.1.4 Formação continuada dos servidores públicos em relação aos aspectos socioambientais e de melhoria da qualidade do ambiente de trabalho.1.1. 59.1. 59.1.5 Reacender a ética e a auto-estima dos servidores públicos. principalmente em relação ao atendimento de interesses coletivos. conforme os pontos a seguir: . A seguir são apresentadas algumas das propostas desse manual.2 Passos para a implementação da A3P O Manual A3P elenca os passos a serem seguidos no processo de adesão e implementação da A3P.1 Objetivos do Manual A3P 59.1.1.1. 59.1. compras e contratações públicas.1.1.

re-planejamento e implementação de procedimentos.verificação do desempenho ambiental. identificação de falhas e pontos de melhoria. 67 avaliação do desempenho ambiental . .deve envolver servidores públicos de diferentes setores da instituição para o acompanhamento de projetos e atividades para a representatividade institucional.identificação dos pontos críticos e procedimentos. conhecimento e absorção de novas tecnologias e legislação. 66 melhoria contínua . 65 avaliação e monitoramento . 64 implementação . qualificação e treinamento de recursos humanos. introdução às mudanças necessárias. identificação de ações de controle e identificação de indicadores de aprimoramento. disponibilização de recursos físicos e/ou financeiros. avaliando-se os impactos ambientais e os desperdício gerados.61 60 criação e regulamentação de comissão da A3P .levantamento de impactos de riscos ambientais. 62 definição de projetos e atividades . 63 planejamento integrado .realização de programas de capacitação.deve envolver o maior número de colaboradores e áreas de trabalho. controle e acompanhamento.avaliação sistemática. 61 diagnóstico da situação .a partir do diagnóstico. priorização dos projetos e atividades de maior urgência e relevância.

6.1. alguns aspectos que podem ser úteis nos levantamentos preliminares e na elaboração do diagnóstico de cada instituição: Geração de lixo Geração de esgoto orgânico Geração de ruídos e sons Consumo de energia Consumo de água Geração de emissões atmosféricas poluentes Quais os Impactos Ambientais? Presença de substâncias inflamáveis Geração de emissões luminosas Proliferação de organismos vivos Geração de resíduos tóxicos Geração de emissões magnéticas Degradação de aspectos paisagísticos Figura 1 – Aspectos úteis para os levantamentos e no diagnóstico ambiental da instituição. mas não é impossível quando se tem determinação. 2007. (MMA. Mudar conceitos para mudar procedimentos não é tarefa das mais fáceis em uma instituição.000. 28).1).62 1. p. serão apresentados na Figura 1.1.3 Uma nova cultura institucional Com base na ISO 14. Fonte: Manual A3P. . a seguir.1. Estimular um consumo responsável e combater o desperdício são questões fundamentais para se resolver os problemas ambientais a serem enfrentados. a norma de certificação de qualidade ambiental para empresas privadas e instituições públicas (ver item 2.

2007. p. Na Figura 2 estão alguns critérios que devem ser contemplados no processo de melhoria do desempenho ambiental no ambiente de trabalho: Links. atendimento ao público etc. interfaces e parcerias Ética do servidor público Uso racional dos recursos naturais e bens públicos Destinação adequada dos resíduos sólidos A3P Mudança de hábitos Auto-estima do servidor público Práticas sustentáveis Qualidade de vida no trabalho Figura 2 – Critérios a serem utilizados no processo de mudança para que se alcance um melhor desempenho ambiental e de qualidade de vida no ambiente de trabalho. prevê: . em seu art. 68 Legislações aplicadas ao tema A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. acima de tudo. Fonte: Manual A3P. A missão da A3P. 29). é sensibilizar todos os servidores públicos da administração. segurança.63 O poder público deve intervir para garantir maiores níveis de sustentabilidade das atividades econômicas e de produção. levando a sociedade a refletir e a adotar novos valores e hábitos. 225. (MMA. os responsáveis pela limpeza. os prestadores de serviços.

bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida. de 9 de março de 2001: instituiu o Programa Verde Novo . Citamse a seguir. para conhecimento.986.Agenda Ambiental Institucional . Autárquica e Fundacional do Distrito Federal.783/1998 que trata da proibição da aquisição. e iv) compra de produtos e de equipamentos que preferencialmente usem fontes renováveis de energia. pelos governos. impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Este Decreto prevê que uma das fases do programa seria a de formação de comissões pró-agenda ambiental institucional (grifo nosso). por exemplo: i) uso racional de recursos naturais. alguns destes instrumentos legais que se referem especificamente ao desempenho ambiental em órgãos governamentais: 69 Decreto Presidencial: nº 2.64 Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. (BRASIL. em alguns dos casos trata-se de documentos adotados de forma isolada. Diversos instrumentos legais foram pesquisados. de produtos que contenham substâncias que destroem a camada de ozônio (SDOs). de produtos isentos de substâncias nocivas ao meio ambiente (como o mercúrio) ou cujo conteúdo vem sendo reduzido. Distrito Federal.na Administração Direta.616/2000. 70 Decreto do Governo do Distrito Federal nº 21. como o caso da chamada “frota verde” que usa o álcool combustível. ii) consumo preferencial de produtos que representam menor impacto ambiental. bem como a título de exemplos. como energia e água. e dá outras providências. que dispõe sobre a utilização de equipamentos economizadores de água nas instalações hidráulicas . 1988). os quais abordam. 71 Lei nº 2. iii) compra. como os reciclados. pelo Governo.

643/2001.765/2001. 74 Na Câmara dos Deputados. a aquisição pelos governos de produtos que contenham as chamadas SDOs. 75 No CBMDF. no âmbito da instituição. 72 No Estado de São Paulo: i) Decreto nº 41. sobre a aquisição e locação preferencial de veículos movidos a álcool pela administração pública estadual. Schenini e Nascimento (2002) salientam que a legislação e as normas utilizadas para fiscalização junto às empresas privadas são as . que institui o Programa Estadual de Redução e Racionalização do Uso de Energia.629/1997. que dispõe sobre a utilização de papel reciclado. aplicando a redução de 20% nas instalações do Governo. 73 No Paraná: Lei nº 12. ii) Decreto nº 42.836/1998. iii) Decreto nº 45.204/1998. que dispõe sobre a aquisição preferencial da frota veicular oficial movida a álcool. Resolução nº 45/1993.255. com vistas à proteção ambiental”.executar atividades de prevenção aos incêndios florestais. sobre a aquisição pela administração pública de lâmpadas de maior eficiência e menor teor de mercúrio e iv) Decreto nº 45. em sua Lei de Organização Básica – LOB (Lei nº 8. que dispõe sobre o uso dos CFCs.65 e sanitárias dos edifícios públicos e privados destinados ao uso não residencial no âmbito do Distrito Federal. de 20 de novembro de 1991) está previsto no artigo terceiro o que se segue: “Compete ao Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal: VII . referindo-se à aquisição de produtos e serviços com melhor desempenho energético possível.

como os Estados Unidos. presidido pelo empresário suíço Stephan Schmidheiny. para analisar a necessidade de desenvolvimento de normas internacionais na área do meio ambiente. apoiou a criação de um comitê específico na ISO para tratar das questões de gestão ambiental. 76 Organização Internacional para a Normalização (ISO) A ISO foi estabelecida em 1946 como uma confederação internacional de Órgãos Nacionais de Normalização (ONNs) de todo o mundo. como um órgão membro nacional. É o papel do Estado como gestor do meio ambiente e em igualdade de condições nas responsabilidades éticas da sustentabilidade. os comitês técnicos da ISO têm a liberdade para elaborar algumas regras mais detalhadas de procedimentos para eles. apenas um deles pode representá-lo na ISO.66 mesmas que o serviço público deve adequar-se (grifo nosso). Durante a Rio-92. . então. o Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável. A ISO possui hoje mais de 200 comitês técnicos (TC) e cerca de mil Subcomitês (SC) para o desenvolvimento de normas internacionais em várias áreas. É uma organização não governamental e tem a ABNT como um de seus membros fundadores. sendo designado.000: Comitê Técnico de Gestão Ambiental (ISO/TC-207) Em 1991 a ISO criou um Grupo Assessor Estratégico sobre Meio Ambiente (Strategic Advisory Group on Environment – SAGE). Apesar de um país poder possuir diversos órgãos nacionais de normalização. Como as diretrizes cobrem apenas os elementos mais básicos. 77 ISO 14.

000. 79 SC 02 Auditorias Ambientais. 83 O Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (ABNT/CB-38) . a exemplo do que já vinha sendo feito pelo ISO/TC-196. rotulagem ambiental. avaliação do ciclo de vida e terminologia.000 de gestão de qualidade. 82 SC 05 Avaliação de Ciclo de Vida. A série. refere-se a vários aspectos. auditorias ambientais. tem cinco subcomitês tratando dos seguintes assuntos: 78 SC 01 Sistemas de Gestão Ambiental. A Associação Canadense de Normas dá suporte ao secretariado e administra o programa geral de trabalho do TC.207. 80 SC 03 Rotulagem Ambiental. avaliação do desempenho ambiental. atualmente. O Comitê Técnico de Gestão Ambiental conta com a participação de representantes de cerca de 60 países nas suas reuniões plenárias anuais. como sistemas de gestão ambiental. 81 SC 04 Avaliação de Desempenho Ambiental.67 Em março de 1993 a ISO estabeleceu o Comitê Técnico de Gestão Ambiental. Em maio de 2002 foi aprovado um novo item de trabalho na área de mudanças climáticas: “Medição. o ISO/TC-207. com a série ISO 9. que recebeu o nome de ISO 14. O campo de trabalho do TC-207 está em constante evolução. Comunicação e Verificação de Emissões de Gases Estufa”. O TC-207. com os órgãos de normalização de diversos países se responsabilizando pelos diferentes grupos subsidiários do TC-207. para desenvolver uma série de normas internacionais de gestão ambiental.

com o apoio da ABNT o Grupo de Apoio à Normalização Ambiental (GANA). O Grupo tinha como objetivo acompanhar e analisar os trabalhos desenvolvidos pelo ISO/TC-207 e avaliar o impacto das normas ambientais internacionais nas organizações brasileiras. tem vários certificados).000 foram traduzidas para o português e publicadas como Normas Brasileiras NBR-ISO (como a NBR-ISO 14. em abril de 1999 a ABNT criou o Comitê Brasileiro de Gestão Ambiental (ABNT/CB-38). contribuindo. mas na prática. portanto. O ABNT/CB-38 foi criado com estrutura semelhante ao ISO/TC-207 e seus Subcomitês. em 1994. foi criado. No final de 1998 o GANA encerrou suas atividades e.000 são de adoção voluntária pelas empresas.001). As Normas ISO 14. Neste período. para promover uma maior competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional. torna-se quase obrigatória para as empresas que vendem seus produtos no exterior. através de uma participação efetiva nos trabalhos do ISO/TC-207. sediado no Rio de Janeiro e com a participação de empresas.A.001 (algumas empresas. O GANA.000 em nível internacional e na tradução e publicação das normas brasileiras correspondentes. associações e entidades representativas de importantes segmentos econômicos e técnicos do país.PETRÓLEO BRASILEIRO S.000 certificados ISO 14. como a PETROBRAS . Como resultado. temos hoje mais de 2.68 Em virtude da impossibilidade da ABNT criar um Comitê Brasileiro para acompanhar e influenciar o desenvolvimento das normas da Série ISO 14.000. influiu decisivamente para que os interesses da indústria brasileira e dos países em desenvolvimento fossem levados em conta no desenvolvimento da Série ISO 14. . várias normas da Série ISO 14. que substituiu o GANA na discussão e desenvolvimento das normas ISO 14.000.

88 SC 05: Avaliação de Ciclo de Vida. a FIESP. o MMA. Suzano.A. 87 SC 04: Desempenho Ambiental. a Furnas (Centrais Elétricas S. Samarco. 90 SC 07: Integração de Aspectos Ambientais no Projeto e Desenvolvimento de Produtos (Ecodesign). 86 SC 03: Rotulagem Ambiental. Brasken.A. a FIEMG e a FIRJAN (Federação das Indústrias dos Estados de São Paulo. 85 SC 02: Auditorias Ambientais. Minas Gerais e Rio de Janeiro). Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S. Esso do Brasil. Bureau Veritas. .) e o SENAI-SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Estado de São Paulo). Tem como cotistas grandes empresas e entidades de classe como: a ABIQUIM (Associação Brasileira da Indústria Química). O CB-38 tem hoje em sua estrutura os seguintes subcomitês: 84 SC 01: Sistemas de Gestão Ambiental.69 O CB-38 conta com o apoio especial do Ministério de Ciência e Tecnologia. que viabiliza a participação nas reuniões internacionais mais importantes. as empresas Aracruz Celulose.) e a Petrobras. CVRD (Companhia Vale do Rio Doce). a CNI (Confederação Nacional das Indústrias). 89 SC 06: Termos e Definições. As principais atribuições e responsabilidades dos órgãos que constituem o comitê seguem o regimento interno da ABNT. O fato da estrutura operacional do comitê ser semelhante à estrutura do ISO/TC-207 visa facilitar os contatos de mesmo nível e atribuições de responsabilidades. Siemens.

Praticamente. O TC-207 já realizou uma revisão das Normas 14.000 (2004) e a 14. passando a produzir menos efluentes para serem tratados. gestão ambiental de parques e reservas florestais. Isto porque as grandes empresas como PETROBRAS.001 (2004). gestão de áreas de proteção ambiental.001 melhoraram seus desempenhos ambientais e ficaram mais competitivas. As ISO 14. 93 Gestão ambiental e sistema de gestão ambiental O termo gestão ambiental é bastante abrangente e é freqüentemente usado para designar ações ambientais em determinados espaços geográficos. para um melhor alinhamento com a Norma ISO 9. uma empresa deve definir a sua política ambiental. A ABNT já publicou a NBR-ISO 14.001. energia e matérias-primas.004 (2004) foram publicadas pela ISO em 2004. gestão ambiental de . Para obter a certificação ISO 14. implantar um SGA.004.70 91 SC 08: Comunicação Ambiental. cumprir a legislação ambiental aplicável (ao país e àquela localidade). como por exemplo: gestão ambiental de bacias hidrográficas.001 e 14.001. Em junho de 2006 foi atingida pelo Brasil a expressiva marca dos 2. todas as Empresas que foram certificadas com a norma ISO 14. pois reduziram o consumo de água.001 (2000) e para esclarecer melhor partes do texto das normas.500 certificados ISO 14. e assumir um compromisso com a melhoria contínua de seu desempenho ambiental. 92 SC 09: Mudanças Climáticas. Aracruz Celulose e as grandes montadoras de automóveis estão “sugerindo” a seus fornecedores que também se certifiquem.

001 (2006). (SANTOS. A busca permanente da qualidade ambiental é um processo de aprimoramento constante do SGA global. (SANTOS. firmas. produtos e ambiente de trabalho de qualquer organização. “A realização de ações ambientais pontuais ou isoladas não configura um sistema de gestão ambiental propriamente dito [.]”. incluindose todas as fases do ciclo de vida de um produto. A gestão ambiental empresarial está essencialmente voltada para organizações. programas e práticas administrativas e operacionais que levam em conta a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente.. de acordo com a política ambiental estabelecida pela organização.. pode-se dizer que. conforme a NBRISO 14. O objetivo maior da gestão ambiental deve ser a busca permanente de melhoria da qualidade ambiental dos serviços. Os objetivos da gestão ambiental. 2008). companhias. ou seja. 2008). realocação ou desativação de empreendimentos ou atividades. Falando de SGA. sistema é um conjunto de partes inter-relacionadas e. empresas ou instituições e pode ser definida como sendo um conjunto de políticas. operação. manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental. corporações. através da eliminação ou minimização de impactos e danos ambientais decorrentes do planejamento. pública ou privada.71 reservas da biosfera e outras tantas modalidades de gestão que incluam aspectos ambientais. ampliação. implantação. (BARBIERI. . sistema de gestão ambiental é um conjunto de atividades administrativas e operacionais inter-relacionadas para abordar os problemas ambientais atuais. 2004). são: 94 implementar.

Determinadas . paga-se. ar) já não são mais bens livres. exaustão e degradação decorrentes de atividades públicas e privadas. Os fundamentos. Os fundamentos predominantes podem variar de uma organização para outra. eles podem ser resumidos nos seguintes fundamentos básicos: 99 os recursos naturais (matérias-primas) são limitados e estão sendo fortemente afetados pelos processos de utilização. são vários. no entanto. 97 buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma organização externa. A busca de procedimentos gerenciais ambientalmente corretos. e cada vez se pagará mais por esse recurso natural. a base de razões que levam as empresas a adotarem e a praticar a gestão ambiental. podem perpassar desde procedimentos obrigatórios de atendimento da legislação ambiental. encontra inúmeras razões que a justificam. gratuitos. 100 os bens naturais (água. 98 realizar uma auto-avaliação e emitir auto-declaração de conformidade com esta norma. portanto. ou seja. Por exemplo. ou seja. a água possui valor econômico. incluindo-se a adoção de um SGA. relativamente mais caros ou se encontram legalmente mais protegidos. estão cada vez mais escassos. 96 demonstrar tal conformidade a terceiros.72 95 assegurar-se de sua conformidade com sua política ambiental definida. até a fixação de políticas ambientais que visem a conscientização de todo o pessoal da organização.

exigindo o cumprimento da legislação ambiental. necessitam de áreas com relativa pureza atmosférica. Ao mesmo tempo. financiadores e seguradoras dão privilégios a empresas ambientalmente sadias ou exigem taxas financeiras e valores de apólices mais elevadas de firmas poluidoras. 105 a sociedade em geral e a vizinhança em particular está cada vez mais exigente e crítica no que diz respeito a danos ambientais e à poluição provenientes de empresas e atividades. coercitivamente. nacional e mesmo internacional exigem cada vez mais responsabilidades ambientais das empresas. principalmente em grandes regiões metropolitanas e nos países menos desenvolvidos. a uma maior preocupação ambiental. . exerce forte conseqüência sobre o meio ambiente em geral e sobre os recursos naturais em particular. 102 a legislação ambiental exige cada vez mais respeito e cuidado com o meio ambiente. 103 pressões públicas de cunho local. uma residência num bairro com ar puro custa bem mais do que uma casa em região poluída.73 indústrias. Organizações não-governamentais estão sempre mais vigilantes. principalmente com tecnologias avançadas. a reparação de danos ambientais ou impedindo a implantação de novos empreendimentos ou atividades. a minimização de impactos. 104 bancos. exigência essa que conduz. 101 o crescimento da população humana.

000. Acordos internacionais. mediante a rotulagem ambiental. Os consumidores tendem a dispensar produtos e serviços que agridem o meio ambiente. 110 a demanda por produtos cultivados ou fabricados de forma ambientalmente compatível cresce mundialmente. estão exigindo a certificação ambiental. fornecedores e autoridades públicas. mas que também sejam ambientalmente responsáveis. em especial nos países industrializados. 111 cada vez mais compradores. para produtos têxteis. 108 acionistas conscientes da responsabilidade ambiental preferem investir em empresas lucrativas. tratados de comércio e mesmo tarifas alfandegárias incluem questões ambientais na . 109 a gestão ambiental empresarial está na ordem do dia. ou mesmo certificados ambientais específicos como. cereais. madeiras. frutas etc. nos moldes da ISO 14. por exemplo. principalmente nos países ditos industrializados e também já nos países considerados em vias de desenvolvimento.74 106 compradores de produtos intermediários estão exigindo cada vez mais produtos que sejam produzidos em condições ambientais favoráveis. Tais exigências são voltadas para a concessão do “Selo Verde”. 107 a imagem de empresas ambientalmente saudáveis é mais bem aceita por acionistas. principalmente importadores. consumidores.

essa é uma tendência indiscutível. 114 para implantação efetiva. afetam produtores de países exportadores. devese garantir o seu comprometimento para com o SGA e definir a sua política ambiental.000. A NBR-ISO 14. com o objetivo de aprimorar o seu desempenho global. até pelo fato de que apenas as normas ambientais da família ISO 14. pois os quesitos apontados continuam em discussão e tendem a se ampliar. 113 a organização deverá formular um plano para executar a sua política ambiental. 117 a organização deve estabelecer e manter um SGA. todavia. culminando com exigências não tarifárias que.75 pauta de negociações. 116 a organização deverá rever e continuamente aperfeiçoar o seu SGA. 115 a organização deverá medir. encontram-se em vigor. cujos requisitos são: . objetivos e metas ambientais sejam alcançados. em geral.001 define que para iniciar uma gestão ambiental a organização deverá seguir os seguintes princípios básicos: 112 a organização deve concentrar-se no que necessita ser feito. a organização deverá desenvolver as competências e os mecanismos de apoio necessários para que sua política. monitorar e avaliar o seu desempenho ambiental. que tratam do Sistema de Gestão Ambiental e de Auditoria Ambiental. Esse conjunto de fundamentos não é conclusivo.

seja o público externo. A visão do todo possibilita minimizar os custos e a tensão (stress) organizacionais. responsabilidades e autoridade definidas para: assegurar que os requisitos do sistema de gestão ambiental sejam estabelecidos. Após definida e documentada. em relação ao meio ambiente.segundo Scherer (1998) o objetivo do planejamento do SGA é possibilitar uma visão holística do sistema. contendo os objetivos e metas assumidos.  implementação e operação . que devem compreendê-la. seja o público interno.  planejamento ambiental . para análise . independentemente de outras atribuições. Segundo Viterbo Junior (1998) a política ambiental deve ser definida pela alta administração da organização.76  política ambiental - segundo D’Avignon (1996) política ambiental é uma declaração dos princípios e compromissos da empresa.as funções. documentadas e comunicadas a fim de facilitar uma gestão ambiental eficaz. obtendo um maior aproveitamento e eficácia do processo. responsabilidades e autoridades devem ser definidas. a política ambiental deve ser disponibilizada e comunicada a todas as partes interessadas. A alta administração da organização deve nomear representante(s) específico(s) que. deve(m) ter funções. implementados e mantidos de acordo com a norma e para relatar à alta administração o desempenho do sistema de gestão ambiental. antever dificuldades e aproveitar potencialidades.

as características principais de suas operações e atividades que possam ter um impacto significativo sobre o meio ambiente. A implementação de um SGA. a natureza de suas atividades e as condições em que ela opera. Os requisitos de um SGA devem compor um modelo que esteja sujeito à revisão e que busque a melhoria contínua. processos e produtos ele é aplicável. Assim. é um processo de mudança.77 crítica. segundo a ISO 14.a organização deve estabelecer e manter procedimentos documentados para monitorar e medir. a seguir: . que decidirá o nível de detalhe e complexidade de seu SGA e em quais atividades.001 será definido pela empresa (ou instituição). adotando medidas para mitigar quaisquer impactos e para iniciar e concluir ações corretivas e preventivas. Também deve estabelecer e manter procedimentos para definir responsabilidade e autoridade para tratar e investigar as não-conformidades.  verificação e ação corretiva . como base para o aprimoramento do sistema de gestão ambiental. o grau de aplicação da norma dependerá de fatores como a política ambiental da organização. periodicamente. O escopo da ISO 14.001. conforme Figura 3.

formando ciclos dinâmicos com a reavaliação permanente desse SGA. As etapas de um SGA repetem-se em intervalos sucessivos (anualmente. buscando a melhoria contínua dos resultados ambientais da organização. 2004).001 recomenda que esta avaliação cubra quatro áreas fundamentais: . Fonte: Sistemas de gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso. Um passo importante na implementação do SGA é a avaliação ambiental inicial. A norma ISO 14. O modelo é representado por uma forma espiralada porque a retroalimentação do sistema faz com que cada novo ciclo se desenvolva em um plano superior de qualidade. por exemplo).78 MELHORIA CONTÍNUA POLÍTICA AMBIENTAL ANÁLISE PELA ADMINISTRAÇÃO PLANEJAMENTO VERIFICAÇÃO IMPLEMENTAÇÃO E OPERAÇÃO Figura 3 – Modelo de Sistema de Gestão Ambiental. constitui um passo importante rumo a um comportamento ético-ambiental. A adoção de um SGA. (NBR-ISO 14.001. o relacionamento inicial da empresa com o meio ambiente. dependendo do objetivo e dos resultados esperados pela organização. isto é.

(SEBRAE. . (BARBIERI. Fonte: Santos (2005 apud SANTOS.. Depois de estabelecido o comprometimento com as questões ambientais e realizada a avaliação inicial é que se implementam os outros requisitos especificados pela norma. dos produtos ou serviços da organização que possa interagir com o meio ambiente”.79 i) Requisitos legais e regulamentares. entre as quais: 118 criação de uma imagem "verde". a seguir: Figura 4: Fluxograma da Avaliação Ambiental Inicial. 2004). Muitas são as vantagens em se adotar um SGA. aumenta a competitividade [. além de promover a redução dos custos internos das organizações. “A implementação de um Sistema de Gestão Ambiental. 2008).]”. 21 Aspecto Ambiental: “é um elemento das atividades. 1996).. iii) Exame de todas as práticas e procedimentos de gestão ambiental existentes. e iv) Avaliação das informações sobre os incidentes anteriores. ii) Identificação dos aspectos ambientais21 significativos. cuja descrição resumida é apresentada a seguir na Figura 4.

125 maior economia. planos de melhorias com objetivos e metas ambientais. Os maiores benefícios são: melhor organização da empresa em relação ao tratamento do meio-ambiente. melhor controle das emissões/resíduos gerados.001 traz benefícios não somente para a empresa que implementa o SGA. 122 racionalização de atividade. redução dos custos operacionais com a diminuição dos desperdícios. todas as partes interessadas. A ISO 14. o que resulta em atuação antecipada e maior planejamento para atendimento. visando desenvolver maior foco na origem dos mesmos. disciplina na execução das tarefas. colaboradores internos. 123 menor risco de sanções do poder público. 120 redução de acidentes ambientais e custos de remediação. vizinhos e a sociedade de uma forma geral. 121 conservação de energia e recursos naturais. fornecedores. e trabalho em equipe. mas também para clientes. compromissos. 126 facilita acesso a financiamentos. investidores. maior conhecimento preventivo da legislação pertinente. 124 redução de perdas e desperdícios. estabelecimento de indicadores ambientais.80 119 acesso a novos mercados. ações preventivas constantes. enfim. .

apoiada nas seguintes orientações (CBMRJ.81 127 Casos de adoção de agendas ambientais em órgãos públicos Além da iniciativa do Ministério do Meio Ambiente. 131 ouvir e responder às preocupações ambientais de seus clientes. outros parceiros e demais partes interessadas. . 132 respeitar a legislação e outros requisitos em vigor. 2008): 129 conhecer cada aspecto ambiental significativo proveniente de suas atividades. passados. procurando adicionalmente utilizar padrões internos mais exigentes. 128 Secretaria de Defesa Civil do Rio de Janeiro (SEDEC) e Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMRJ) A Secretaria de Defesa Civil do Rio de Janeiro (SEDEC) e o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMRJ) têm procurado desenvolver uma política ambiental em suas estruturas.2. ainda outras experiências de adoção da agenda ambiental em órgãos públicos podem ser citadas. citada oportunamente no item 2. atuais e futuros. 133 formar e conscientizar o pessoal nas boas práticas e nos procedimentos próprios para este domínio. 130 promover a redução. funcionários.4. a reutilização e a reciclagem de resíduos e a redução do consumo de materiais e energia. promovendo a prevenção de seus impactos sobre o meioambiente. produtos e serviços.

(SENADO. Avançou-se. composto por servidores das várias áreas de atividade da Casa. 2008). muitos dos quais envolvem desde o gerenciamento da coleta seletiva de lixo e de resíduos. rádio. revisão periódica da iluminação com substituição e reposição de lâmpadas comuns por outras mais . Jornal e Agência Senado.na TV.Programa Carbono Menos.82 134 estabelecer e revisar. até o estabelecimento de medidas para minorar o volume de emissões de carbono . autorização para aquisição de papel reciclado para impressão do material de expediente do gabinete dos parlamentares. 135 Senado Verde Foi criado no âmbito do Senado Federal o Programa Senado Verde. seus objetivos e metas. A administração do Senado tem dado especial apoio às atividades do Senado Verde e já disponibilizou recursos para ações de gestão ambiental. coletânea da legislação ambiental nacional e internacional e a elaboração de manual de boas práticas ambientais. Foram formados grupos de trabalho para desenvolver diversos projetos. energia elétrica e papel. periodicamente. considerando seus aspectos ambientais significativos e demais princípios acima. até a apresentação de propostas legislativas. até o estabelecimento de medidas de economia de água. desde a formatação de cursos para criação de multiplicadores das boas práticas ambientais e palestras para os servidores terceirizados da área de manutenção das edificações do Senado. em propostas inclusivas que vão desde a criação de campanhas institucionais para divulgação de informações sobre os bons hábitos ambientais . Algumas estão sendo adotadas de imediato: impressão gradativa do Jornal do Senado em papel reciclado. também.

143 licitação sustentável e legislação ambiental. 141 gestão de resíduos perigosos. ainda. simultaneamente ou não (exemplos: gasolina. 138 novas tecnologias hídricas e energéticas. 136 EcoCâmara As ações ambientais da Câmara dos Deputados iniciaram-se em agosto de 2002. cuja coordenação é rotativa e a participação voluntária e interativa (CÂMARA DOS DEPUTADOS. foi criado o Núcleo de Gestão Ambiental . 22 Carros tipo flex: automóveis que podem utilizar mais de um tipo de combustível. o álcool anidro. merece destaque. instalação de mini-usina de tratamento de água e a criação do reservatório para água da chuva no Serviço de Transportes. 139 coleta seletiva e responsabilidade social. álcool anidro e gás natural). no caso. a opção pela compra de carros tipo “flex”22.EcoCâmara. para propor o gerenciamento dos resíduos recicláveis. a saber: 137 arquitetura e construção sustentável. na evolução dessas ações.83 eficazes. que possibilita a reutilização de água na lavagem dos veículos. . em abril de 2003. A Estrutura do EcoCâmara é composta por dez áreas de atuação. 144 transporte sustentável. os quais podem utilizar combustível renovável. 142 gestão sustentável de papel. com a criação de um Grupo de Trabalho. 2008). 140 área verde e proteção a fauna.

84 145 educação ambiental. o qual teve como objetivos principais estudar a proposta da nova estrutura organizacional de meio ambiente no EB e levantar os problemas ambientais mais comuns. em vigor. ou minimizem. 147 Exército Brasileiro O Exército Brasileiro (EB) tem avançado em sua política ambiental. 2007). particularmente por ocasião da realização dos exercícios operacionais de campanha. Diversas Organizações Militares (OM) do EB têm adotado práticas ambientais e até SGAs. Em meados de 2007 foi realizado o I Simpósio de Meio Ambiente do Exército Brasileiro. propondo soluções (EXÉRCITO BRASILEIRO. . em suas áreas de responsabilidade. estadual e federal. que elaborou seu Plano de Gestão Ambiental em 2007. 150 conhecer e cumprir a legislação ambiental no âmbito municipal. 149 identificar as atividades que possam causar impactos ambientais. de acordo com a legislação vigente. 146 comunicação institucional. cita-se o caso do Comando Militar do Nordeste. Como exemplo. logísticas operacionais de forma responsável em relação ao meio ambiente. o qual prevê as seguintes ações: 148 capacitar os recursos as humanos (RH) para que possam e desempenhar atividades administrativas. propondo medidas que as evitem.

85 151 adoção de medidas preventivas que visem controlar os impactos ambientais nos campos de instrução e de outras áreas cedidas para manobras militares. 157 estabelecer medidas para que os efluentes resultantes da fosfatização de armamento tenham um destino ambientalmente adequado. dentre outras. concursos literários. com o objetivo de se reduzir a emissão de gases poluentes acima dos padrões normais. atentar para a legislação em vigor. nos postos de saúde (PS) e enfermarias militares. levando-se em . 156 evitar a utilização de viaturas em más condições de funcionamento. 155 estabelecer procedimentos para destinação correta dos resíduos gerados pelos diversos tipos de obras de engenharia. mutirões de limpeza. 154 adotar medidas que dêem um destino ambientalmente correto aos resíduos sólidos produzidos nas organizações militares de saúde (OMS). relativas aos possíveis impactos ambientais decorrentes. 153 estimular o desenvolvimento de ações que visem cooperar com instituições públicas e privadas em atividades voltadas para a preservação do meio ambiente. 158 elaborar os Planos de Gestão Ambiental (PGA) em suas respectivas áreas de responsabilidade. durante as semanas especiais. 152 na execução das obras de engenharia. tais como: plantio de mudas de árvores nativas.

160 participar do sistema público de coleta de resíduos. peculiaridades e especificidades de cada OM.86 consideração as características. 161 implantar um sistema de coleta seletiva de resíduos. educação ambiental. 166 adotar medidas que fiscalizem e controlem o cumprimento das medidas constantes em seus respectivos PGA. de 2007. nº 194. A Revista Verde Oliva. . 163 reduzir a geração de efluentes líquidos e esgotos sanitários para cursos d' água e lagos. sob sua responsabilidade . traz várias outras experiências adotadas no EB: gestão ambiental. 164 reduzir e otimizar o consumo de água potável. 165 reduzir e otimizar o consumo de energia elétrica. 159 adotar medidas para recuperação de possíveis áreas degradadas. 162 eliminar os depósitos de detritos a céu aberto. participação em projetos ambientais junto à comunidade e outras experiências locais. demonstrando preocupação de vanguarda desta tradicional Instituição brasileira.

e a sua destinação às associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis. pode produzir riquezas na forma de energia e produtos reciclados. direta e indireta. de acordo com a atuação de cada repartição pública. também denominado de “fonte”. bem como o valor de cada matéria-prima.87 167 Exemplos de boas práticas ambientais adequadas para a administração pública 168 Coleta seletiva A coleta seletiva é uma etapa que antecede a reciclagem. Para que a coleta seletiva seja viável. por meio da qual são selecionados os resíduos aptos ao processo de transformação. A pré-seleção dos resíduos deve ocorrer dentro de cada setor. com uma enorme economia no que se refere à extração de matéria-prima. O lixo. Para tanto. deve-se buscar parcerias com as empresas de reciclagem. local onde o lixo está sendo produzido. adequadamente manuseado. . isto possibilitou um maior número de órgãos a aderirem essa nova forma de inclusão socioambiental de expressivo contingente de famílias cooperadas. dentre outras instituições. especialmente quanto à comercialização (ainda que o lucro seja doado). Por meio de Decreto Presidencial instituiu-se a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal. na fonte geradora. Alguns aspectos devem ser cuidadosamente planejados. cooperativas e associações. faz-se necessário o seu planejamento. As empresas parceiras informarão os produtos passíveis de serem comercializados. transporte e armazenamento.

plásticos e papéis são exemplos disso. mais adequado quanto ao uso racional de bens permanentes e de consumo na administração pública. Reduzir . Reutilizar e Reciclar (3 “R”) Deve-se pensar onde fica o “fora” quando joga-se algo fora. móveis. o “fora” fica em algum lugar que faz parte do meio ambiente. reutilizar e reciclar são mais do que atos de conscientização. pois podem ser utilizados para fabricar novos produtos. deve-se estabelecer critérios ambientalmente corretos. Quando se fala em qualidade de vida. Com um olhar mais atento e desprovido de preconceito em relação ao lixo.88 169 Reduzir. Reutilizar . pode-se verificar que muitas coisas não são exatamente lixo. restos de divisórias. Reciclar . novo padrão de conduta. são atos de cidadania. O que se faz com o lixo gerado é indicador da qualidade de vida que se quer ter. o desperdício e os gastos excessivos com material de expediente.um bom começo é reduzir o consumo. equipamentos. que encontrem ressonância na qualidade de vida desejada (MMA. 2007). latas (alumínio e aço). mudam-se as coisas de lugar. Em qualquer caso. peças. sim.uma parte do que vai para o lixo pode ser reciclada. O bom-senso e a criatividade de cada um vão estabelecer. Reduzir. é o reaproveitamento de tudo o que estiver em bom estado: material de expediente. com certeza. nunca se joga nada fora e. importante. o que evita que mais matérias-primas sejam retiradas da natureza. de limpeza e higiene. vidros etc. ou seja.um segundo passo. de manutenção de equipamentos e veículos. Vidros. cortinas. A reciclagem é o processo de transformação da matéria- .

mas. nas três esferas de Governo. os aspectos ambientais. por ser totalmente livre de cloro. (RIBEIRO. Uma enorme quantidade de catadores. A administração pública. é o melhor no respeito ao meio ambiente. o consumo de papel tem aumentado. 14). tornando vitais a economia. “Os benefícios resultantes do processo de reciclagem englobam. econômicos e sociais”. cuja nocividade é menor. O processo utilizando o peróxido de hidrogênio ainda não é comum no Brasil. .89 prima de um objeto em outro objeto. 2008. de uma maneira geral. Entretanto. inclusive crianças. Os processos de branqueamento de papel mais usados pela indústria nacional são: branqueamento com cloro e com peróxido de hidrogênio. bastante positivos com a introdução de um novo pensar no que se refere à gestão ambiental dos resíduos decorrentes de suas atividades. evitar essa exclusão social é ação decisiva para o resgate da cidadania. começa a apresentar resultados. o reflorestamento e a reciclagem. 170 Uso racional do papel Mesmo com a expansão da informatização no serviço público nos últimos anos. O branqueamento por cloro é mais nocivo ao meio ambiente. as indústrias vêm desenvolvendo o processo de branqueamento livre de cloro essencial. ainda participa das ações de coleta nos lixões a céu aberto. podendo inclusive voltar a ser o mesmo objeto que originou o processo. principalmente. p.

por sua grande escala de consumo. 175 possibilita a inserção social dos catadores e outras parcelas da população. pode incentivar o aumento da produção e tornar tais produtos economicamente mais acessíveis e mais baratos (MMA. Apesar de não serem necessariamente livres de cloro. 2007). 176 cada tonelada de papel enviado para o processo de reciclagem deixa de ocupar uma área de 3. pois não implica na utilização de certos procedimentos químicos que geram impactos ambientais para obtenção da pasta de celulose (lançamento de efluentes nos rios e partículas e odores no ar). 173 reduz a energia usada no processo de fabricação. . produzidos em escala industrial. de diversos tipos e de excelente qualidade. bem como a geração de emprego e renda. 177 Compras públicas sustentáveis O poder de compra do poder público orienta os agentes econômicos quanto aos padrões do sistema produtivo de produtos ambientalmente sustentáveis e. 174 reduz a poluição do ar e dos rios. Vantagens da redução do consumo de papel e de sua reciclagem: 171 reduz o corte de árvores. No mercado brasileiro já existem papéis 100% reciclados. utilizam matéria prima já usada. 172 reduz a utilização de água doce nos processos de produção. evitando reiniciar o processo de uso do recurso natural.90 Outra opção são os papéis reciclados.2 m2 nos aterros sanitários. poupando matéria prima que vem diretamente da natureza.

as iniciativas de licitações sustentáveis foram introduzidas como programas de adoção de boas práticas ambientais. o que deve estar refletido na legislação que norteia esses atos governamentais. bem como a adoção de mecanismos voluntários de rotulagem ambiental por parte das indústrias. Nesse sentido. Japão e na União Européia. Já é uma tendência privilegiar fornecedores que adaptaram processos de produção e prestação de serviços às exigências de conformidades ambientais de preservação do meio ambiente (ISO 14. Sabe-se que a economia brasileira caracterizasse por elevado nível de desperdício de recursos naturais (conforme dissertado no item 2. Em todo o mundo o poder de compra e contratação do Governo tem um papel de destaque na orientação dos agentes econômicos quanto aos padrões do sistema produtivo e do consumo de produtos e serviços ambientalmente sustentáveis. logo. Em muitos países.1). 2007).000). (MMA. mecanismos legais para garantir a preferência aos produtos sustentáveis e a capacitação dos agentes públicos. a redução desse desperdício contribui para o desenvolvimento do Brasil e é fonte de bons negócios para empresas decididas a enfrentar o problema. como o Canadá. . entre elas o acesso às informações sobre produtos e serviços sustentáveis. o consumo sustentável incorpora o conceito de produção mais limpa. que foi desenvolvido pelo PNUMA.91 A administração pública deve fundamentar as compras e contratações em parâmetros socioambientais. Estados Unidos.

as contratações da administração pública. sejam decorrentes de licitação ou efetivadas de forma direta. a otimização de sua utilização. Em outras palavras. devem ser voltadas ao consumo sustentável. pode resultar em atividades que proporcionem lucro ou que. de água ou de outros recursos naturais. se paguem com a economia de energia. no horizonte de negócios. 183 energia renovável (consumo de eletricidade). 185 equipamentos não poluentes ou com reduzido potencial poluente. 188 equipamentos elétricos diversos. Neste contexto. . mediante dispensa de licitação ou de sua inexigibilidade.92 Havendo no meio ambiente um potencial de recursos mal aproveitados. 180 madeira certificada (mobiliário e construção civil). isto é. 179 alimentos orgânicos (merenda escolar e restaurantes populares). 187 lâmpadas fluorescentes (descarte adequado e reaproveitamento do mercúrio). devem ser inseridos critérios ambientais nas licitações do maior número possível de produtos. 181 papel não clorado e reciclado (correspondência. pelo menos. 184 produtos florestais certificados. a exemplo dos seguintes: 178 veículos (flex-fuel. dia-a-dia e publicações). 186 iluminação. 182 plástico reciclado (mobiliário e utensílios). uso de álcool e biodiesel). um consumo que não seja predatório aos recursos naturais e ao meio ambiente.

Programa Madeira Legal: setor de construção civil . às entidades do Governo Federal. cabe ressaltar que tal proposta ainda não faz parte das políticas ambientais no Brasil como um todo. mas já servem de exemplo e apontam uma tendência urgente: 189 foi proibida. em Rio Branco.pioneiro para requisitos de eco-eficiência nas compras. obrigatoriedade de instalação de equipamentos hidráulicos de consumo econômico. aquisição pela administração pública de lâmpadas de maior eficiência e menor teor de mercúrio.210 X 297 mm . da Secretaria Municipal de Gestão. 192 em São Paulo são diversos os dispositivos. aquisição de veículos movidos à álcool e à biocombustível. a compra de produtos ou equipamentos contendo SDOs. serão apresentadas algumas experiências sobre licitação sustentável nos diferentes níveis de governo. nº 025/2006-DGSS. e na compra de mobiliário.Reciclado.93 A seguir.75 g/m 2 . 190 no Estado do Acre priorizou-se a compra de madeira certificada na reforma do Palácio do Governo do Estado. tais quais: proibição de aquisição por entidades do Governo de produtos ou equipamentos com SDOs. nas edificações da administração municipal direta e indireta. No entanto. uso de papel reciclado em toda a Polícia Militar do Estado de São Paulo (a . para fornecimento de papel A4 . Ata de RP. 191 no Estado do Amazonas foram adquiridas 10 mil carteiras escolares de madeira certificada para escolas públicas como parte de uma política mais ampla de desenvolvimento sustentável.

A tendência à adoção de mecanismos voluntários de rotulagem ambiental. é mundial. . pois informa aos consumidores os padrões de produção ambientalmente corretos. Cada vez mais.94 partir de 29 de maio de 2006). por parte das indústrias. 193 Rotulagem Ambiental A rotulagem ambiental busca. 196 desenvolver a consciência ambiental dos consumidores: por se tratar de um meio idôneo e confiável para dar visibilidade no mercado de produtos e serviços eco-eficientes. encorajar a demanda por aqueles que causem menores efeitos ao meio ambiente. e estímulo ao uso de produtos reciclados pela administração. os atributos de ecoeficiência atestados pelo selo verde têm demonstrado que a rotulagem ambiental é um poderoso instrumento de mercado. Dentre os objetivos da rotulagem ambiental destacam-se: 194 proteger o meio ambiente: os programas de rotulagem pretendem influenciar as decisões dos consumidores de modo a incentivar a produção e o consumo de produtos menos agressivos ao meio ambiente. os rótulos ecológicos são um dos instrumentos mais eficazes para esse fim. com base em informações sobre aspectos ambientais de produtos e serviços. estimulando uma melhoria contínua da qualidade ambiental. 195 estimular a inovação ambiental saudável na indústria: os programas podem incentivar o mercado no sentido de introduzir tecnologias inovadoras e eficientes do ponto de vista ambiental.

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No Brasil, houve um aumento significativo no número de certificados emitidos pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial Inmetro. Até 2004, 284 certificados de qualidade ambiental haviam sido emitidos conforme as diretrizes da ISO 14.000, 247 a mais que em 1998. (RIBEIRO, 2005).

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Eco-eficiência A produção, no modelo atual, se realiza para o consumo e este se

molda à produção e o caráter insustentável de ambos leva à insustentabilidade ambiental. Há que se adotar um pacto social por um novo modo de vida sustentável, conforme preconizado na Agenda 21, o qual tem como base um longo processo de negociação entre os agentes econômicos, no qual o Poder Público tem um papel fundamental. A adoção dos princípios da eco-eficiência tem sido difundida em todo o mundo, cujo lema é “produzir mais com menos”. Tal conceito está baseado na redução do consumo de energia e matérias-primas nos processos produtivos, diminuindo os desperdícios e a geração de resíduos. Quando se fala em eco-eficiência nas empresas, deve se levar em conta um estudo do processo produtivo por meio da análise do ciclo de vida, no qual são identificadas as oportunidades para a redução no uso de insumos e a presença da geração de resíduos poluentes. Cabe ressaltar, por último, que a partir do momento em que a sociedade for mais exigente em seu consumo, fazendo-se valer da defesa do consumidor, os produtos nacionais de boa qualidade serão mais valorizados, em detrimento daqueles inferiores.

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Principais características dos produtos eco-eficientes: 198 menor consumo de matéria-prima e maior quantidade de conteúdo reciclável; 199 produção não-poluidora e materiais não-tóxicos (tecnologia limpa); 200 sem impacto negativo ou dano a espécies em extinção; 201 menor consumo de energia e água durante o processo de produção, distribuição e descarte pós-consumo; 202 embalagem reduzida ou sem embalagem; 203 passível de reutilização ou reabastecimento (refil e/ou recarga); 204 alta durabilidade e alta qualidade; 205 passível de coleta ou desmonte pós-consumo; 206 passível de reutilização ou reciclagem.

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Sustentabilidade em edificações públicas A transição entre a intenção e a ação é o principal desafio entre os que

“militam” no meio, principalmente na administração pública, em virtude dos entraves burocráticos e legais que ainda se apresentam. Se por um lado o princípio da economicidade é um dos pilares conceituais da administração pública, por outro, a sua interpretação errônea e limitada tem inibido as ações públicas por edificações mais sustentáveis e eficientes. Já existem instrumentos legais favoráveis, porém estes ainda carecem de uma aplicação mais efetiva. A expressão “Edifícios Verdes” (Green Buildings) foi inicialmente utilizada para titular as iniciativas de construções que utilizassem recursos de

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maneira eficiente, com redução no consumo de energia, que fossem mais confortáveis e que tivessem maior longevidade. O primeiro encontro centrado na eficiência energética das edificações foi realizado em 1994 na Inglaterra. Na época, usava-se a expressão green building. Nos anos seguintes, o foco foi ampliado e as discussões tornaram-se gradualmente mais abrangentes, chegando ao conceito atual de “construção sustentável” ou edifícios de alto desempenho. O primeiro evento dessa nova etapa foi realizado em 1998, em Vancouver, no Canadá, reunindo cerca de 600 participantes. (ARCOWEB, 2008). Em 2002, outro evento reuniu em Oslo cerca de mil pessoas, entre arquitetos, projetistas, pesquisadores, estudantes, engenheiros, representantes de instituições públicas e expoentes mundiais da arquitetura sustentável. Várias estratégias vêm sendo criadas para tornar as construções mais eficientes. São modificações na geometria dos edifícios, nos dispositivos utilizados, no estudo da melhor orientação, nos tipos de fachadas, conjugadas à evolução da tecnologia e de sistemas mais eficientes de ar condicionado. Assim como o conceito de sustentabilidade, o conceito de edificações sustentáveis vem se ampliando em diversas vertentes, cita-se: tecnologia e projeto para a conservação de energia; projetos que consideram o ambiente natural, social e histórico e as características regionais; uso de material natural (energia, água e terra) como recurso produtivo; conforto no ambiente interno; uso de energia e climatização; aplicação de novas tecnologias. A seguir são citados alguns exemplos de alternativas mais sustentáveis para edificações: 208 utilização de dispositivos economizadores de água (torneiras, chuveiros, caixas de descarga etc);

diminuir o consumo. 213 automação (elevadores.98 209 implantação de coleta e aproveitamento de água de chuva. dependendo da quantidade de itens adotados. para recuperar parte da água perdida com a impermeabilização do solo. 210 construção de bacia de infiltração. 212 lâmpadas eficientes. 211 respeitar a “vocação” do terreno. ar-condicionado. disponíveis no mercado brasileiro. sugere-se priorizar inicialmente os itens de menor custo e de maior impacto positivo e soluções de fácil manutenção. iluminação. etc). De acordo com a SECOVI (2008) o investimento em soluções sustentáveis representa de 1% a 5% do custo de construção e o retorno do investimento ocorre em aproximadamente 2 anos. significa melhorar a maneira de utilizá-la. sem perder a eficiência e a qualidade dos serviços. ou seja. reduzindo custos. O objetivo é implantar projetos-piloto com . 214 Energia elétrica: criando novos hábitos para a economia Conservar energia elétrica ou combater seu desperdício é a forma mais simples de preservar o meio ambiente. A Eletrobrás – PROCEL (Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica) desenvolve desde 1997 um programa voltado a promover a eficiência energética em prédios públicos. com utilização de água não potável nas instalações sanitárias e para irrigação de jardins. sem abrir mão do conforto e das vantagens que ela proporciona.

divulgação.asp?View={EE50CFB3CA51-415F-A861-E49BD2A2C6FE} .com/elb/main. quanto por álcool. capacitação. implementar ações de sensibilização. transporte fluvial e marítimo.eletrobras. sistemas de ar-condicionado e refrigeração. recreação. o álcool e o biodiesel (este último parcialmente) são combustíveis renováveis fabricados a partir de matérias vegetais e que podem contribuir para diversificar a matriz energética no país. gasolina. ou seja. geração de energia. que podem ser abastecidos tanto por gasolina. agropecuária. indústria. aqüicultura. tarifação de energia elétrica e instruções gerais sobre conservação de energia em prédios públicos. comércio e serviços. projetos-demonstração e parcerias com outros setores. a água é geradora de todos os sistemas necessários e 23 SÍTIO ELETRÔNICO DO PROCEL: http://www. 216 Água A água é elemento essencial à vida e é básica para as atividades sociais e produtivas do ser humano: abastecimento público. torna-se de fundamental importância ao meio ambiente a ampliação da conversão das frotas oficiais de veículos usados em serviços públicos para biocombustíveis ou automóveis flex. que são fósseis e têm reservas limitadas. 215 Biocombustíveis Em contraste com o petróleo e seus derivados: diesel. Neste contexto. No sítio eletrônico do PROCEL23 é possível ter acesso a manuais sobre iluminação eficiente.99 potencial de replicação em larga escala. gás natural e carvão.

A Constituição Federal de 1988 define que “os bens componentes do meio ambiente. os elementos da biosfera.100 formadores da sociedade. assim sendo. na mineração é fundamental para o desenvolvimento econômico. a pia da cozinha e a máquina de lavar roupa. O uso da água na indústria. na agricultura. No Brasil. todavia. o solo. de forma democrática. até a utilização das instalações. a água. o chuveiro. como a atmosfera. conseqüentemente. no dia a dia. muito mais econômicos. a fauna e a flora. um bem de uso comum do povo. mas é importante garantir que não se perca a sua qualidade. o gerenciamento das águas possui uma legislação moderna e abrangente. cada vez mais. A administração pública tem papel fundamental na disseminação de informações sobre o correto uso da água e de práticas para conter seu desperdício. a água é um bem ambiental por ser um dos elementos formadores do meio ambiente e. A preocupação com o uso racional da água deve estar presente desde a elaboração de termos de referência para licitação de projetos e de obras de prédios públicos. substitutos a estes. . para o desenvolvimento sustentável das comunidades menos abastadas e de todo o País. são bens ambientais”. tem sido desenvolvidos equipamentos. que busca estabelecer critérios de quantidade e qualidade. As instalações que mais consomem água são: o vaso sanitário. A preservação da vida na natureza depende da quantidade e da qualidade da água disponível. Na sociedade moderna a água tem valor econômico cada vez maior.

O exemplo pode ser dado . 220 redução do volume de água a ser captada e tratada. estaduais e municipais. 225 Manutenção de veículos oficiais As revisões preventivas e periódicas sugeridas pelos fabricantes. no solo e nas águas. Isso contribui para o prolongamento da vida útil do veículo. representa uma economia financeira e minimiza o lançamento de poluentes no ar.101 Principais benefícios de um programa de uso racional de água: 217 maior oferta de água. para atender a um número maior de usuários. 221 diminuição do volume de esgotos a serem coletados e tratados. inclusive para áreas deficientes de abastecimento. 223 garantia do fornecimento ininterrupto de água ao usuário. 219 diminuição dos investimentos para atender às demandas em horários de pico. 218 redução dos investimentos na captação de água em mananciais cada vez mais distantes das concentrações urbanas. Os governos federal. inclusive as fundações. autarquias e empresas de economia mista têm por obrigação dar bom exemplo quanto à manutenção das respectivas frotas de veículos. 224 economia financeira. 222 diminuição do consumo de energia elétrica. o uso do combustível recomendado e a calibragem de pneus são itens imprescindíveis para a manutenção adequada de veículos.

A lei não obriga a deixar o vício. mas determina que sejam definidas áreas restritas aos fumantes. incluindo áreas abertas que deles fazem parte.o barulho de aparelhos antigos de ar condicionado e ventiladores. de segurança e de meio ambiente: 227 poluição sonora . podem gerar danos à saúde. . seguindo as especificações da ABNT.102 comprando automóveis econômicos. de oficinas de manutenção e outros ruídos fortes nos locais de trabalho. eficientes e que utilizem combustível de fonte renovável. porque envolvem também aspectos de saúde. 229 acesso para portadores de deficiência física . como álcool ou biodiesel. portas. muitos servidores continuam fumando nos locais de trabalho. banheiros. em geral. corrimãos.acessos e instalações apropriadas a portadores de deficiência física são obrigatórios em prédios públicos. locais de atendimento ao público e vagas em estacionamentos são alguns dos itens que devem ter adaptação imediata. charutos e cachimbos no interior de prédios da administração pública e ser objeto de lei nas três instâncias de Governo.apesar da proibição do uso de cigarros. rampas. 226 Qualidade de vida no trabalho Entre os muitos fatores que implicam melhoria contínua da qualidade de vida no trabalho. quatro merecem destaque. 228 área para fumantes . refeitórios.

tais entrevistas tiveram o intuito de saber quais as medidas que já foram adotadas no âmbito do CBMDF que levaram em conta parâmetros ambientais. Além do levantamento bibliográfico. preservou-se a sua essência. sendo oportuna a aplicação de questionários para estudos mais específicos decorrentes deste ou. 24 As perguntas e respostas encontram-se gravadas e sob posse do autor. por meio de mensagens eletrônicas (e-mail). embora seja uma valiosa ferramenta. a exemplo do Ministério do Meio Ambiente. a qual pretende introduzir o assunto na Corporação. alguns órgãos externos ao CBMDF. As respostas não foram transcritas na íntegra. no intuito de obter informações sobre as medidas adotadas em outros órgãos públicos que possam servir de referência ao CBMDF. pretendo-se gerar um estudo inicial do tema que aponte para a necessidade do seu desdobramento. . fez-se necessário um levantamento mais diverso. No âmbito da Corporação foram feitas entrevistas24 em Unidades específicas. todavia. não seria fundamental para a linha de pesquisa adotada. conforme abordado no item 2.7. conseqüentemente. Esta amplitude justifica-se pelo fato de que no CBMDF não há nada desenvolvido e implementado de forma sistemática e generalizada no que diz respeito a uma política ambiental. haja vista que. foram consultados. na avaliação inicial para implantação de um SGA. correlatas aos objetivos do presente trabalho. Sendo assim.103 230 METODOLOGIA O presente trabalho desenvolveu-se inicialmente por meio de ampla pesquisa às fontes bibliográficas. Não foram realizadas pesquisas por meio da aplicação de questionários. menos específico. ainda mais.

104 As entrevistas realizadas classificam-se. na pessoa de um oficial subalterno25. Darlam Vidigal Macário. conforme informações prestadas a este autor. 233 4ª Seção do Estado-Maior-Geral . de forma direta. de acordo com Maconi e Lakatos (2008). com o objetivo de se obter informações da existência de políticas e de diretrizes ambientais no âmbito daquela Diretoria que interfiram. o 1º TEN QOBM/Comb. com o objetivo de se obter informações da existência de políticas e diretrizes ambientais. no 25 O Chefe da 4ª Seção encontrava-se ausente por problemas de saúde. assim. no que diz respeito aos processos de compras e despesas diversas. As entrevistas foram registradas por meio de aparelho gravador de voz. não com o objetivo de apurar informações relacionadas às atividades daquela Diretoria. o TC QOBM/Comb. aproveitou-se a experiência do oficial subalterno citado.a DIF foi entrevistada. Foram entrevistadas as seguintes autoridades. 232 Diretor de Finanças do CBMDF (DIF) . a saber. o mesmo teria apresentado propostas relacionadas aos objetivos deste trabalho. na pessoa do seu Diretor. o TC QOBM/Comb. com os respectivos objetivos: 231 Diretor de Apoio Logístico do CBMDF (DAL) – a DAL foi entrevistada. Marcelo Sousa Rocha.a 4ª Seção/EMG foi entrevistada. pois utilizou-se de perguntas predeterminadas (perguntas descritas no item 4). na pessoa do seu Diretor. uma vez que suas atribuições são limitadas em relação ao tema do presente trabalho. trabalhou um bom período na DAL e. o Diretor entrevistado. . sobretudo. na Seção há mais de três anos. Carlos Roberto de Carvalho Sobrinho. todavia. como entrevistas estruturadas. a saber. no processo de tomada de decisões.

quanto aos métodos de abordagem. demonstrando relevância.superficialmente) que propiciaram a compreensão sobre o processo e a necessidade de adoção de uma agenda ambiental. de forma direta. . no que diz respeito à análise e à elaboração de projetos básicos para aquisições de equipamentos e materiais diversos e para a contratação de empresas e de serviços (reformas.105 âmbito daquela Seção. telefonia etc). realização de entrevistas e a análise de exemplos (estudos de casos . sua com vistas a Os torná-lo mais explícito. De acordo com Marconi e Lakatos (2008) a pesquisa exploratória tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema. trabalhos envolveram levantamento bibliográfico. De acordo com Diehl e Tatim (2004) a pesquisa qualitativa é uma modalidade de pesquisa na qual os dados são coletados por meio das interações sociais (estudos etnográficos e pesquisa participante) e analisados subjetivamente pelo pesquisador. no processo de tomada de decisões. sobretudo. que interfiram. da seguinte forma: 234 método de abordagem (segundo o tratamento dos dados): é uma pesquisa qualitativa. 235 método de abordagem (segundo o objetivo): é uma pesquisa exploratória. limpeza. construções. Esta pesquisa está classificada.

(1987) este processo de coleta de dados oportuniza um cuidado maior das questões e no fornecimento de informações e também possibilita a correção de enganos ou má interpretação. o que também propicia uma cobertura mais profunda do assunto.desenvolvida a partir de material já existente. são apresentadas propostas e medidas para a adoção efetiva de uma agenda ambiental.  levantamento – pois houve questionamento direto de pessoas por meio de entrevistas.segundo classificação apresentada por Spezia (2008) trata-se de uma pesquisa:  aplicada. uma vez que foi avaliada a possibilidade e as conseqüências de adoção e integração à rotina do CBMDF de uma agenda ambiental. segundo Selltiz et. ao seu final. al.  de proposição de planos. pois visa desdobramentos que levem à adoção de uma agenda ambiental no CBMDF. pois. .1 método de abordagem (segundo o procedimento técnico) foram realizadas pesquisas:  bibliográficas . 236. haja vista uma maior elasticidade na duração. principalmente livros e outras publicações.106 236 método de abordagem (segundo o propósito) .  de avaliação de resultados.

2 método de abordagem (segundo o local de desenvolvimento). .  trabalho de campo (entrevistas).107 236. conforme classificação apresentada por Spezia (2008) – foi um trabalho baseado em:  pesquisa bibliográfica.

no que diz respeito ao CBMDF como um todo. sobretudo. Carlos Roberto de Carvalho Sobrinho. diretrizes. “obter informações sobre a existência de medidas adotadas no CBMDF que estejam relacionadas a fins ambientais”. a entrevista realizada na DAL. baterias etc. energia elétrica e de outros recursos e o faz. a seguir.3. no processo de tomada de decisões. Recursos energéticos: energia elétrica. em sua esfera de atuação. 239 Esta Diretoria toma decisões ou elabora medidas formais26.5. por meio de publicações em Boletim Geral que visam orientar aos gestores das OBM para 26 27 Medidas formais: políticas. ordens. 238 Entrevista realizada na Diretoria de Apoio Logístico Conforme citado na metodologia. os resultados das entrevistas realizadas com vistas ao atendimento do objetivo previsto no item 1. equipamentos econômicos. combustíveis. Resposta: a DAL tem se empenhado em gerar uma cultura de uso racional de água.108 237 ANÁLISE DE RESULTADOS Para efeito de análise de resultados. cite os casos mais expressivos e suas publicações ou documentos que os formalizaram. que visam à economia de água. .2. documentos etc. sobretudo. A seguir são apresentadas as perguntas realizadas e suas respostas. o TC QOBM/Comb. na pessoa do seu Diretor. de recursos energéticos27 e a redução de consumo de papel? No caso de resposta anterior afirmativa. serão discutidos. a saber. portarias. teve como objetivo a obtenção de informações sobre a existência de políticas e diretrizes ambientais no âmbito daquela Diretoria que interfiram. de forma direta. orientações. no que diz respeito aos processos de compras e despesas diversas.

isto por questões econômicas. 240 Tais medidas foram tomadas objetivando a redução de despesas financeiras ou objetivando. conseguimos instalar hidrômetros em todos os pontos do complexo da Academia de Bombeiros Militar. se houver uma boa fundamentação. a proteção ao meio ambiente ou ambos objetivos anteriores? Resposta: A DAL e a DIF se preocupam com menor custo e maior eficiência. mas que pode trazer benefícios ao meio ambiente. assim como na resposta anterior. com produção menos agressiva ao meio ambiente etc.666. basicamente. por exemplo. a inserção de critérios ambientais29? Resposta: não de forma direta ou formal. 242 Entrevista realizada na Diretoria de Finanças 28 Ostensivamente: declarado o objetivo ambiental por meio de orientações e ordens verbais ou escritas. está previsto. por meio de políticas. . compramos. de publicações ou de outros meios. todavia. também. possibilitando a fiscalização e responsabilização individualizada do consumo de água. maior vida útil. menor emissão de poluentes. de portarias. formalmente. compras diversas e contratos. veículos tipo flex. de diretrizes. todavia. conseguimos comprar levando em conta outros critérios. recicláveis. quando se reduz o consumo de água e de energia elétrica há. a motivação de medidas para o uso racional de água e de energia elétrica advém.109 que evitem desperdícios e usos abusivos. ostensivamente28. porém. de fatores financeiros. que prioriza a compra pelo menor preço. Estamos limitados à Lei 8. Recentemente. 29 Critérios Ambientais – exemplos: equipamentos com maior eficiência energética. 241 No caso das licitações. ganhos para o meio ambiente.

o TC QOBM/Comb. Uma das propostas por mim apresentada. Resposta: Sim. a minha idéia hoje é a destinação de um montante do orçamento reservado às Unidades que se habilitassem por meio da comprovação de adoção de medidas econômicas efetivas. a qual não chegou a ser implementada. conforme informações prestadas a este autor. há uma limitação para tal estratégia. uma vez que algumas Unidades já funcionam de forma racional e não teriam condições de reduzir ainda mais suas despesas. tendo em vista a incompatibilidade com as propostas deste estudo (conforme explanado na metodologia). uma vez que o mesmo trabalhou um bom período na DAL e. de recursos energéticos e a redução de consumo de papel? No caso de resposta anterior afirmativa. o objetivo foi o de entrevistar o atual Diretor. luz. A seguir são apresentadas as perguntas realizadas e suas respostas. As medidas eram adotadas com o propósito de redução de gastos diversos: água. que visam à economia de água. no que diz respeito ao CBMDF como um todo. receberiam o valor economizado para uso em suas necessidades. cite os casos mais expressivos e suas publicações ou documentos que os formalizaram. Todavia. Marcelo Sousa Rocha. 243 No período em que o senhor esteve na DAL foram tomadas medidas formais.110 A entrevista realizada na DIF não se ateve às atividades daquela Diretoria. ou ainda. em sua esfera de atuação. desta forma. telefone etc. previa que as Unidades que atingissem certo grau de redução de despesas teriam prioridade na destinação de recursos financeiros para reformas. o mesmo teria apresentado propostas relacionadas aos objetivos deste trabalho. .

de medidas de controle de despesas da Corporação. atualmente.111 244 Tais medidas foram tomadas objetivando a redução de despesas financeiras ou objetivando. apesar de haver benefícios ambientais decorrentes. 246 Esta Seção leva em consideração critérios ambientais quando da elaboração e análise de projetos básicos de aquisições e contratações no CBMDF? Resposta: Não. uma vez que. isto é. haja vista que. 245 Entrevista realizada na 4ª Seção do Estado-Maior-Geral do CBMDF A entrevista realizada na 4ª Seção do Estado-Maior-Geral do CBMDF contou com a colaboração do 1º TEN QOBM/Comb. conforme relatado na metodologia. A seguir é apresentada a questão abordada. ostensivamente. que atendam às nossas necessidades. quase sempre. por ocasião da visita àquela Unidade. . limpeza. mas seria bastante interessante que o CBMDF detivesse conhecimentos necessários para inserir critérios ambientais nos projetos básicos. a proteção ao meio ambiente ou ambos objetivos anteriores? Resposta: a motivação era financeira e decorria. o Chefe da Seção estava ausente por questões de saúde. telefonia etc). Darlam Vidigal Macário. Esta entrevista teve como objetivo obter informações sobre a adoção ou não de critérios ambientais na análise e na elaboração de projetos básicos para aquisições de equipamentos e materiais diversos e para a contratação de empresas e de serviços (reformas. construções. são levados em conta apenas critérios técnicos que visam à qualidade funcional dos bens a serem adquiridos.

à aquisição de equipamentos e materiais diversos e para a contratação de empresas e de serviços (reformas. .112 247 Comentário sobre as entrevistas As entrevistas realizadas deixam claro que não há medidas formais no âmbito da Corporação quanto à adoção de critérios ambientais nas tomadas de decisões relacionadas ao uso racional de recursos naturais. medidas de contenção de despesas financeiras. telefonia etc). sim. construções. Há. as quais acabam por repercutir nos impactos ambientais decorrentes das atividades da Corporação. limpeza.

O que não deixa dúvidas é que a humanidade pode e deve agir em tudo o que estiver ao seu alcance.Realizar um levantamento sobre o histórico da questão ambiental e os seus cenários atuais. a solução para os problemas mais graves passa por um pacto mundial. dividiu-se a discussão por objetivos. tanto locais. como globais. . Fica claro. OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1. sempre considerando as diversas necessidades das gerações futuras. sobre a política. por meio da revisão bibliográfica realizada. sobre a legislação e a normalização (ISO 14. Que pese a resistência de alguns países em aderir às medidas de maior eficácia. Embora haja ainda certa polêmica quanto à responsabilidade humana na causa de diversos problemas ambientais. em consonância com os objetivos específicos estabelecidos.2.1) . que a situação ambiental mundial requer medidas tanto urgentes.113 248 DISCUSSÃO A presente etapa do trabalho visa discorrer sobre o tema. como o PNUMA. além de grande parte da comunidade científica.000) e sobre a agenda ambiental. como a médio e longo prazo. organismos reconhecidos internacionalmente. ainda que haja permeações de assuntos uns nos outros. com a pesquisa bibliográfica e com os resultados das entrevistas realizadas. Desta forma. Foi visto que a comunidade internacional tem se mobilizado entorno de debates e de decisões que visam o enfrentamento das questões ambientais.3. a fim de preservar a qualidade de vida em níveis iguais ou melhores do que os atuais. já reconhece esta relação. particularmente a Agenda 21.

num contexto nacional. uma vez que a sociedade. Tal compromisso requer de todos os que o assinaram o engajamento em ações que abranjam as diversas dimensões envolvidas. por meio de processos de conscientização (educação ambiental. após um processo de evolução do debate internacional. esta é uma tendência. a exemplo de empréstimos internacionais. . quanto a social. A legislação ambiental não isenta os gestores públicos de serem responsabilizados por impactos ambientais decorrentes das atividades de sua instituição. tem se tornado cada vez mais exigente. concretizado na elaboração da Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P). campanhas. Todavia. o que evidenciou a necessidade que os órgãos de governo têm de comungar da mesma responsabilidade cobrada de instituições privadas. tem sido adotadas como critérios para o acesso a diversos benefícios. muitos são os exemplos de engajamento. Além da cobrança da sociedade. Quando se fala em Agenda 21 local. regional e local.114 Neste contexto. tanto a responsabilidade ambiental. O trabalho desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente “traduziu” a Agenda 21 do Brasil para a administração pública. Assim sendo. chegou-se a um documento aceito por diversos países como um compromisso. publicidade etc). verificou-se com maior profundidade o envolvimento de instituições públicas. como um todo. Embora as atividades de fiscalização ambiental não tenham focado suas exigências nos órgãos públicos. cada órgão que compõe a estrutura precisa se empenhar a fim de que o Governo como um todo esteja habilitado no quesito responsabilidade ambiental. documento conhecido como Agenda 21. para efeito de cumprimento dos objetivos do presente trabalho. cada vez mais.

. Apesar de custos inerentes à sua implementação. Como exemplo. resultando num impulso para a geração de produtos ambientalmente corretos. para que haja um processo de formulação de uma política pública é essencial que a questão ambiental seja incluída na agenda governamental. muitas são as vantagens em se adotar uma política ambiental sistemática. é essencial para uma efetiva mudança. dentre outros. não só como agente de cobrança e fiscalização. o Estado pode valer-se de seu poder de compra. A integração do Estado no esforço para a proteção do meio ambiente. para a implementação de um SGA. conseqüentemente. Embora para a grande maioria dos órgãos não seja ainda prioridade a obtenção de certificações de qualidade (ao contrário das instituições privadas – por diversas motivações). a adoção da A3P é um caminho a ser seguido para o cumprimento da ISO 14. Observa-se que o Estado pode e deve dar o exemplo na questão ambiental. A implementação do SGA é um instrumento importante do programa de melhoria do desempenho ambiental dos órgãos de governo. Cabe ao Estado a formulação dessas políticas e. os benefícios compensam: imagem da instituição como órgão sustentável.115 Outro fato diz respeito ao exemplo que o Estado deve dar. em todas as suas instituições e esferas decisórias.000 e. economia financeira. Como visto nas bibliografias citadas. mas como uma estrutura que incorpora em todas as suas atividades as variáveis ambientais. envolvendo todos os agentes do Governo. o qual é a capaz de influenciar os processos produtivos. na adoção de práticas ambientalmente sustentáveis. conformidade legal.

a Câmara dos Deputados. A seguir são apresentadas algumas e sua avaliação quanto à aplicação no âmbito do CBMDF: 249 manutenção dos veículos oficiais – o CBMDF já possui uma estrutura de manutenção muito eficiente. OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1.2.2. No trabalho foram citados exemplos de boas práticas ambientais que podem ser adotadas na administração pública. por meio do seu Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). o Estado está sujeito à legislação ambiental vigente no Brasil. o Exército Brasileiro. a legislação tem sido incrementada no sentido de obrigar o Estado a adotar medidas de responsabilidade ambiental.na Administração Direta. sendo de fácil implementação um programa de revisões preventivas objetivando a .986. o Senado Federal e.3. que instituiu o Programa Verde Novo.3) . mais próximo ao CBMDF. de 9 de março de 2001. a Universidade de Brasília. destacando-se aqui o próprio Ministério do Meio Ambiente. Estes exemplos já evidenciam a necessidade do CBMDF se aproximar do debate de inserção da agenda ambiental em sua estrutura. Muitos órgãos governamentais já têm se comprometido com a implementação de uma agenda ambiental. Como foi dito anteriormente.Realizar estudo sobre casos de adoção de agenda ambiental por parte de instituições públicas. a Polícia Militar do Distrito Federal. É o caso do Decreto do Governo do Distrito Federal nº 21. Agenda Ambiental Institucional . Além disso.Citar exemplos de boas práticas ambientais que podem ser incorporadas à rotina do CBMDF.116 OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1. Autárquica e Fundacional do Distrito Federal.3.2) .

estes são dados que carecem de maior estudo para posterior validação.000.00 por ano.000. o apelo ambiental deve caminhar junto com o apelo financeiro. O potencial de economia para estes dois recursos é grande.00 por ano. o que representaria uma economia de mais de R$ 500. Vale lembrar que as despesas anuais30 no CBMDF com estes dois recursos giram em torno de R$ 1. Apesar dos resultados dessa política terem repercussões ambientais. haja vista a necessidade de se desenvolver a consciência ambiental. todavia. Todavia. 251 preferência aos biocombustíveis – o CBMDF já incorporou em sua política de compras a aquisição de veículos tipo flex. pensando em uma redução mínima de 10% no consumo global de ambos. ano de referência: 2007.000. . podendo chegar (na visão deste autor) a 25%.000. obter-se-ia uma economia financeira de mais de R$ 200. isto significa dizer que medidas adicionais para a redução do consumo destes dois recursos podem gerar uma economia considerável.500. Todavia. 30 Informações obtidas por ocasião da visita realizada na DAL para realização da entrevista.117 redução de consumo de combustível e a redução de emissões atmosféricas. os esforços para a economia (publicações em boletins e outras medidas) possuem um apelo tão-somente financeiro. 250 uso racional da água e de energia elétrica – a redução no consumo de água e de energia elétrica já é uma política praticada pelo CBMDF.00 com energia elétrica. conforme entrevista realizada junto à DAL.00 com água (incluindo a taxa de esgoto) e de R$ 700.

uma questão de política da Instituição a ser avaliada e definida pelas autoridades competentes. 253 compras públicas sustentáveis – a inserção de critérios ambientais. este debate. portanto. ao menos inicialmente. a preferência a produtos com rotulagem ambiental e a produtos eco-eficientes nas licitações públicas carecem ainda de um maior desenvolvimento da legislação atual. todavia. é bem verdade que este critério não pode ser desprezado. o que exige ainda estudos posteriores. mas à ele deve-se somar a questão ambiental. por exemplo. 254 uso racional do papel – de forma isolada e não sistemática. verificou-se. este trabalho visa também fomentar e subsidiar.118 ainda decorrente de informações obtidas durante a visita realizada à DAL. que a opção entre o álcool anidro e a gasolina é feita com base apenas em vantagens financeiras. sendo. o reaproveitamento de rascunhos para blocos de anotações e a leitura e revisão de . haja visto que outras instituições públicas têm conseguido realizar compras sustentáveis. torna-se evidente que o critério de sustentabilidade precisa ser levado em conta nos futuros projetos de reforma e construção do CBMDF. haja vista os benefícios citados no trabalho e a postura a ser assumida diante dos problemas ambientais atuais. 252 sustentabilidade em edificações públicas – trata-se de uma medida de maior complexidade. a saber. cabe ao CBMDF o estudo e avaliação da questão. é comum em muitas unidades do CBMDF a adoção de medidas para a redução do consumo de papel. porém.

a exemplo do programa de combate ao tabagismo (apoio ao fumante) e a implantação de elevadores para portadores de deficiências físicas nas instalações do novo prédio construído no Quartel Central Geral. outras mais complexas. de um sistema de coleta seletiva. Todavia. algumas de maior simplicidade. Mas esta questão tem ganhado força. até pela falta de um sistema público. esta avaliação carece ainda de uma análise mais detalhada. 255 coleta seletiva – ainda não é possível a implantação. como o do Colégio Militar Dom Pedro II. 33 Há casos isolados.119 documentos antes da impressão (evitando-se o desperdício). 32 Papéis recicláveis: hoje a diferença de preço entre o papel 100% reciclado e o comum caiu bastante e segue esta tendência. Todas essas medidas são possíveis de serem adotadas no âmbito do CBMDF. oportuna para o caso de se optar pela implantação de um SGA no CBMDF. a adoção de práticas ainda mais eficazes. aqui empregado no sentido de dar conotação de medida ambiental às práticas citadas. tais quais: impressão frente-verso e o uso de papéis livres de cloro em sua produção e de papéis reciclados32. Todavia. O Manual de Elaboração de Trabalhos Acadêmicos do CBMDF especifica o uso de papel branco. . algumas de 31 Ecologização: neologismo usado como jargão no debate de questões ambientais. tanto que em alguns bairros de Brasília já há a disponibilidade desse serviço público. Além do serviço público. 256 qualidade de vida no trabalho – muitas medidas o CBMDF já tem adotado neste sentido. como a articulação com cooperativas de reciclagem. há ainda muito que pode ser realizado neste contexto nas diversas Unidades da Corporação. há ainda outras possibilidades. além da sistematização e ecologização31 destas práticas. o que restringe a possibilidade do uso de papéis recicláveis em trabalhos dessa natureza. cabe ainda. de forma generalizada33 na Corporação.

OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1.Obter informações sobre a existência medidas adotadas no CBMDF que estejam relacionadas a finalidades ambientais.120 possível aplicação imediata.3. OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1. .3.2. à aquisição de equipamentos e materiais diversos e para a contratação de empresas e de serviços (reformas. outras com custo inicial elevado. já conferem certo grau de comprometimento do CBMDF com o meio ambiente. umas de baixo ou nenhum custo.Apontar alguns dos prováveis benefícios e oportunidades para o CBMDF em se adotar uma agenda ambiental. em atividades de atendimento às emergências com produtos perigosos. Uma das propostas finais deste trabalho aponta para a adoção de uma agenda ambiental no CBMDF e. O empenho do CBMDF no combate aos incêndios florestais.2. a implementação de um SGA traria ainda maior efetividade a esta Instituição diante da sociedade e de toda a estrutura de governo. para a formulação de um SGA próprio. conseqüentemente.5) . outras que requerem um estudo mais detalhado para implementação posterior. não há medidas formais no âmbito da Corporação quanto à adoção de critérios ambientais nas tomadas de decisões relacionadas ao uso racional de recursos naturais. mas com benefícios compensatórios (inclusive financeiros). em captura de animais silvestres e resgate a diversos animais são atividades-fim que. por si só.4. além dos benefícios já citados. Conforme relato feito no item 4. Ainda assim. o que possibilitaria o estudo e o gerenciamento de tantas alternativas que darão ao CBMDF uma postura de responsabilidade ambiental mais ampla.4) .

121 construções.6) . A discussão sobre este objetivo será feita nas recomendações. como um todo. tem se preocupado com as questões ambientais. considerando-se que. pela sua responsabilidade social. para a sociedade e para o meio ambiente. as quais acabam por repercutir nos impactos ambientais decorrentes das atividades da Corporação. Há. a sociedade. além de sua missão fim. OBJETIVO ESPECÍFICO (item 1. Todavia. a adoção de uma agenda ambiental aumentaria ainda mais a efetividade do CBMDF. A importância em se adotar formalmente uma política ambiental está relacionada ao reconhecimento da Corporação como uma Instituição ambientalmente responsável.2. A formalização da busca por uma administração sustentável também possibilitaria meios para a sensibilização ambiental da tropa em geral.Propor medidas para a adoção de uma agenda ambiental na Corporação. O CBMDF já é reconhecido. cada vez mais. em decorrência dos programas sociais desenvolvidos. . medidas de contenção de despesas financeiras. item 7 deste trabalho. a inserção de critérios ambientais. gerando benefícios ainda maiores para a Corporação. telefonia etc). limpeza. sim. como motivação dessas medidas. Logo. certamente maximizará os resultados.3.

além de entrevistas e contatos com outros órgãos de governo. uma introdução ao tema em nossa estrutura acadêmica e expondo muitos pontos a serem desenvolvidos posteriormente. foi realizada uma ampla pesquisa bibliográfica. de certa forma.122 257 CONCLUSÃO O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo principal de se demonstrar a importância. Para o cumprimento do objetivo geral. isto gerou a necessidade de uma pesquisa mais ampla (menos específica). tornando-a uma. a necessidade e a oportunidade de se adotar uma agenda ambiental no âmbito do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. bem como dos objetivos específicos. sobretudo. a qual requer um pensamento global com ações locais. Outro motivo que levou à escolha deste tema decorre do fato de que não havia trabalhos nesse sentido desenvolvido no âmbito do CBMDF. inicialmente. pretendia-se chegar a uma proposta formal de uma política ambiental a . Algumas dificuldades foram encontradas. Tais procedimentos possibilitaram a exposição de diversas vertentes do tema e também expôs a questão como um todo. Trata-se de uma questão de qualidade de vida e até de sobrevivência do ser humano. para o Distrito Federal. o número reduzido de trabalhos acadêmicos específicos sobre a questão. pois. a fim de que haja uma compreensão mais aproximada da importância das variáveis envolvidas. O tema foi escolhido em decorrência de sua importância para a Instituição. para o Brasil e para toda a humanidade. o tempo também limitou em muito as possibilidades de abordagens mais profundas e exitosas.

sendo que. medidas efetivas por parte de todos: indivíduos. empresas. Muitos são as motivações. incluindo as instituições públicas. trabalho desenvolvido e subsidiado pelo Ministério do Meio Ambiente. dentre eles. Sendo assim. que o CBMDF se aproxime e se integre nesse processo e que. além de oportuno institucionalmente e importante para o meio ambiente. um dos caminhos mais recorrentes. Além desta agenda internacional. Verificou-se que muitos órgãos públicos já têm adotado políticas ambientais ostensivas. decorrente deste trabalho. pois muitos são os benefícios. instituições públicas e governos de todo o mundo. objetivo adiado também pela necessidade de se introduzir a questão na Instituição. conclui-se que é de extrema necessidade. embora parcial. inclusive com dispositivos legais que obrigam a adoção de uma administração pública ambientalmente responsável. a legislação ambiental no Brasil tem se tornado cada vez mais exigente. para se adotar um modelo de gestão ambiental. sociedade. tendo sido citados vários exemplos. por meio do seu Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças. conhecido como A3P.123 ser implantada no CBMDF. atualmente. bem como a incorporação de um novo modelo de desenvolvimento global e de novos procedimentos em todas as esferas da sociedade. Acordos internacionais exigem a adoção de políticas públicas que fomentem as mudanças necessárias. sejam tomadas medidas por parte da alta gestão da Corporação para a elaboração de uma . urgentemente. o engajamento. tem sido a adoção da Agenda Ambiental na Administração Pública. Como resultado da pesquisa. da Polícia Militar do Distrito Federal. verificou-se que os problemas ambientais requerem.

124 política ambiental e para a adesão de uma agenda ambiental. MARCOS ANTÔNIO NASCIMENTO DE SOUZA APOLÔNIO CAP QOBM/Comb. com vistas ao desenvolvimento de um Sistema de Gestão Ambiental adequado à realidade do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. sobretudo. são elaboradas algumas sugestões para desencadear deste processo no CBMDF. Tal decisão elevaria a Corporação a um nível ainda mais destacado de aprovação e geraria muitos outros benefícios. no item que trata das recomendações. a certeza de estar cumprindo a sua parte na luta pela sustentabilidade da vida na Terra. A seguir. Oficial-Aluno do CAO/AC/2008 .

tendo. que apontam para a necessidade da criação de uma equipe interdisciplinar e multi-setorial com o objetivo de se elaborar um SGA. sugere-se que seja esta equipe seja reduzida (de 3 a 5 militares). este núcleo de gestão ambiental deverá estar ligado ao Comando da Instituição como uma estrutura de assessoria ambiental.125 258 RECOMENDAÇÕES De acordo com o objetivo explicitado no item 1.2. tal recomendação parte do princípio proposto pela ISO 14. bem como pelo Manual A3P (ver item 2.001. mas que tenha o poder de articular e reunir periodicamente diversos atores da nossa Instituição. dentre outras atribuições. por meio da formulação de uma agenda ambiental e da definição de um modelo de SGA próprio. Sendo conhecida as dificuldades relacionadas à disponibilidade de pessoal na Corporação.6 e após as conclusões a que este pesquisador chegou. formada por pessoal qualificado na área. Pela sua necessidade de permear toda a Corporação.2).2. a serem desenvolvidas e melhor elaboradas. as seguintes missões: 260 assessorar ao Comando da Corporação na elaboração e coordenação de uma Política Ambiental Institucional. a seguir são feitas recomendações para que o trabalho aqui apresentado possa gerar benefícios efetivos para a Corporação.4.3. . a saber: 259 Criação de uma Comissão Permanente de Gestão Ambiental do CBMDF Recomenda-se que seja criada uma Comissão Permanente de Gestão Ambiental do CBMDF (ou outra estrutura julgada mais adequada após estudo futuro).2.

269 desenvolver programas de integração do efetivo do CBMDF em atividades de recuperação do meio ambiente. 264 desenvolver programas de sensibilização e educação ambiental nas fileiras do CBMDF. peculiares à área ambiental: fundos. investimentos.126 261 avaliar impactos decorrentes das atividades da Corporação. 267 elaborar estratégias para que seja melhor explorado o potencial marketing ambiental da Corporação. 262 resguardar a Instituição de possíveis demandas judiciais ambientais (a exemplo de questionamentos por parte do Ministério Público). como as citadas neste trabalho. projetos envolvendo o crédito de carbono etc. 263 desenvolver estudos para a implementação de diversas alternativas ambientalmente corretas. . 266 elaborar estratégias para a redução do consumo de recursos hídricos e energéticos e de materiais diversos. 265 integrar e representar a Instituição no debate da agenda ambiental na administração pública. junto com a sociedade. os quais possam se aproveitados pelo CBMDF. a exemplo do emprego de militares do 4° Batalhão de Incêndio/Florestal (4° BI/F) no período chuvoso (fato já ocorrido por ocasião de um programa de coleta de sementes). 268 estudar sobre a possível existência de recursos financeiros disponíveis.

Essas sugestões carecem de uma avaliação mais primorosa. 273 licitações públicas sustentáveis. por outro lado. Direção e Estado-Maior do CBMDF O trabalho aqui desenvolvido não teve a intenção de se aprofundar. inúmeras idéias surgiram.127 270 Desenvolvimento de novos estudos sobre o tema no Centro de Altos Estudos de Comando. 277 criação do Batalhão do Meio Ambiente. de ações e de boas práticas ambientais Durante a pesquisa. . 278 Implementação imediata de estratégias. as quais seriam mais adequadas de serem implementadas sob a coordenação de um núcleo de gestão ambiental. objetivando o consumo racional de recursos hídricos e energéticos. deixando diversos tópicos a serem mais desenvolvidos. há a possibilidade de implementação imediata ou em um médio prazo. ainda assim. 274 edificações sustentáveis. 275 possíveis recursos financeiros da área ambiental. 272 integração à Rede A3P do Ministério do Meio Ambiente. 276 exploração do marketing ambiental. serão suscitadas a seguir: 279 colocação de adesivos educativos em pontos estratégicos das instalações. dentre eles: 271 desenvolvimento de um SGA do CBMDF.

sobretudo. Tal programa pode valer-se de destinação de verbas para reformas. Um programa de recompensas é importante. dispensas recompensa (de acordo com o RDE) etc. 283 programa de incentivo ao uso de transporte coletivo público ou associado entre militares da mesma Unidade ou de transportes alternativos (bicicleta). elogios ostensivos. a comunidade não dispõe de pontos de coleta em quantidade suficiente. 282 exploração do marketing ambiental por meio da adoção de uma faixa diagonal verde (uma das cores da bandeira do CBMDF e cor referência do meio ambiente) integrada à faixa diagonal branca em todas as viaturas do serviço florestal e ainda a adoção do slogan “O Bombeiro Também é Verde” a ser fixado nas mesmas viaturas e desenhado na fachada do 4° BI/F. nos anos iniciais de implementação de uma política ambiental. A legislação que trata da correta destinação destes resíduos tornou-se bastante rígida neste ano. pois gera uma cultura ambiental na instituição. para uso dos militares e da comunidade. 281 instalação de postos de coleta e destinação de pilhas e baterias em todas as Unidades (papa-pilhas).128 280 criação de um programa de recompensas às Unidades que comprovarem a adoção boas práticas ambientais exitosas (de acordo com critérios a serem desenvolvidos). todavia. . 284 programa de lotação de militares próximo às suas residências.

. esportes. 291 criação. com temporizadores).129 285 dar preferência ao uso de biocombustíveis. 289 substituição de equipamentos sanitários. 290 instalação de sensores de presença para acionamento da iluminação em corredores e em outras áreas de circulação. de torneiras. priorizando-se aspectos ergonômicos. o que inviabiliza a utilização do papel reciclado. confraternizações etc. por meio de um concurso interno. 292 modernização dos móveis utilizados pelos militares. 34 O manual atual padroniza o uso de papel branco e impressão em um único lado do papel. de um mascote ambiental. padronizando-se a impressão frente-verso em papel reciclado para todos os documentos da Instituição. registros de água e outros afins por equipamentos economizadores de no todas CBMDF. com a modificação do Manual de Elaboração de Trabalhos Acadêmicos do CBMDF34. 293 incentivo à atividades de interação social: lazer. 286 desenvolvimento da estrutura de informática do CBMDF com vistas a adoção de procedimentos documentais eletrônicos. as por lâmpadas lâmpadas incandescentes. do uso de papel reciclado. de maior ainda eficiência (automatizados. gradual. o uso de papel. pela sua cor. que dispensem. e a impressão frente-verso. 288 substituição instaladas energética. gradualmente. 287 implementação.

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137 ANEXO A Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Humano .

moral. social e espiritualmente. A longa e difícil evolução da raça humana no planeta levou-a a um estágio em que. que lhe dá sustento físico e lhe oferece a oportunidade de desenvolver-se intelectual. tendo-se reunido em Estocolmo. .138 DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO SOBRE O AMBIENTE HUMANO A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente.O homem é ao mesmo tempo criatura e criador do meio ambiente. e considerando a necessidade de um ponto de vista e de princípios comuns para inspirar e guiar os povos do mundo na preservação e na melhoria do meio ambiente. com o rápido progresso da Ciência e da Tecnologia. até mesmo o direito à própria vida. conquistou o poder de transformar de inúmeras maneiras e em escala sem precedentes o meio ambiente. PROCLAMA QUE: 1 . Natural ou criado pelo homem. de 5 a 16 de junho de 1972. é o meio ambiente essencial para o bem-estar e para gozo dos direitos humanos fundamentais.

e enormes deficiências. se usada de modo adequado. especialmente no seu ambiente de vida e de trabalho. Milhões de pessoas continuam vivendo muito abaixo dos níveis mínimos necessários a uma existência humana decente. abrigo e educação. saúde e saneamento. distúrbios grandes e indesejáveis no equilíbrio ecológico da biosfera.Nos países em desenvolvimento. sem alimentação e vestuário adequados. na maioria. pode dar a todos os povos os benefícios do desenvolvimento e o ensejo de aprimorar a qualidade da vida.O homem carece constantemente de somar experiências para prosseguir descobrindo. tais países devem dirigir seus esforços para o desenvolvimento. no meio ambiente criado pelo homem.139 2 . cônscios de suas prioridades e tendo em mente a premência de proteger e melhorar o meio ambiente.A proteção e a melhoria do meio ambiente humano constituem desejo premente dos povos do globo e dever de todos os Governos. destruição e exaustão de recursos insubstituíveis. mental e social do homem. Aí estão. por constituírem o aspecto mais relevante que afeta o bem-estar dos povos e o desenvolvimento do mundo inteiro. onde os problemas ambientais estão geralmente ligados à . Por conseguinte. os problemas ambientais são causados. no ar. pelo subdesenvolvimento. tal faculdade pode causar danos incalculáveis aos seres humanos e ao seu meio ambiente. Com idêntico objetivo. progredindo. os males crescentes produzidos pelo homem em diferentes regiões da Terra: perigosos índices de poluição na água. criando. Em nossos dias sua capacidade de transformar o mundo que o cerca. os países industrializados. Aplicada errada ou inconsideradamente. 3 . à nossa volta. inventando. 4 . na terra e nos seres vivos. prejudiciais à saúde física.

a capacidade do homem para melhorar o meio ambiente aumenta dia a dia. 5 . Com o progresso social e os avanços da produção. o homem deve usar seu conhecimento para. e de trabalho intenso mas ordenado. mas políticas e medidas adequadas podem resolver tais problemas. objetivo que se deve procurar atingir em harmonia com os fins estabelecidos e fundamentais da paz e do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. tanto para as gerações atuais como para as futuras. É ela que impulsiona o progresso social e cria a riqueza. De tudo o que há no mundo.140 industrialização e ao desenvolvimento tecnológico. poderemos conseguir para nós e para a posteridade uma vida melhor em ambiente mais adequado às necessidades e esperanças do homem. da Ciência e da Tecnologia. São amplas as perspectivas para a melhoria da qualidade ambiental e das condições de vida. desenvolve a Ciência e a Tecnologia e. . Com mais conhecimento e ponderação nas ações. devem esforçar-se para reduzir a distância que os separa dos países em desenvolvimento. com ela colaborando. Para chegar à liberdade no mundo da Natureza. criar um mundo melhor.O crescimento natural da população suscita a toda hora problemas na preservação do meio ambiente. continuamente transforma o meio ambiente. através de seu trabalho árduo. O que precisamos é de entusiasmo. Tornou-se imperativo para a humanidade defender e melhorar o meio ambiente. 6 . Pela ignorância ou indiferença podemos causar danos maciços e irreversíveis ao ambiente terrestre de que dependem nossa vida e nosso bem-estar.Atingiu-se um ponto da História em que devemos moldar nossas ações no mundo inteiro com a maior prudência. a associação humana é o que existe de mais preciosa. em atenção às suas conseqüências ambientais. acompanhado de calma mental.

Um número crescente de problemas. Indivíduos e organizações. devido a sua amplitude regional ou global ou ainda por afetarem campos internacionais comuns. somando seus valores e seus atos. darão forma ao ambiente do mundo futuro. expressa a convicção comum de que: . Também a cooperação internacional se torna necessária para obter os recursos que ajudarão os países em desenvolvimento no desempenho de suas atribuições. para a preservação e melhoria do ambiente humano através dos vinte e três princípios enunciados a seguir.A consecução deste objetivo ambiental requererá a aceitação de responsabilidade por parte de cidadãos e comunidades. em eqüitativa partilha de esforços comuns. que sirvam de inspiração e orientação à humanidade.141 7 . EXPRESSA A COMUM CONVICÇÃO QUE: PRINCÍPIOS A Assembléia Geral das Nações Unidas reunida em Estocolmo. A Conferência concita Governos e povos a se empenharem num esforço comum para preservar e melhorar o meio ambiente. de empresas e instituições. de 5 a 16 de junho de 1972. Aos governos locais e nacionais caberá o ônus maior pelas políticas e ações ambientais da mais ampla envergadura dentro de suas respectivas jurisdições. exigirá ampla cooperação de nações e organizações internacionais visando ao interesse comum. em beneficio de todos os povos e das gerações futuras. atendendo à necessidade de estabelecer uma visão global e princípios comuns.

deve ser atribuída importância à conservação da natureza. 3 . mediante um cuidadoso planejamento ou administração adequada. bem assim o seu “habitat”.Deve-se por fim à descarga de substâncias tóxicas ou de outras matérias e à liberação de calor. gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente. a discriminação. à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas. a opressão colonial e outras formas de opressão e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas.O homem tem o direito fundamental à liberdade. A esse respeito. ao planificar o desenvolvimento econômico. devem ser preservados em benefício das gerações atuais e futuras.142 1 . 2 . a flora e a fauna e.O homem tem a responsabilidade especial de preservar e administrar judiciosamente o patrimônio representado pela flora e fauna silvestres. em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna. 4 . especialmente. para as gerações presentes e futuras. o solo. parcelas representativas dos ecossistemas naturais. 6 . 5 . sempre que possível. incluídos o ar. incluídas a flora e a fauna silvestres. a segregação racial. as políticas que promovem ou perpetuam o “apartheid”. que se encontram atualmente em grave perigo por uma combinação de fatores adversos.Os recursos não renováveis da Terra devem ser utilizados de forma a evitar o perigo do seu esgotamento futuro e a assegurar que toda a humanidade participe dos benefícios de tal uso. em quantidade ou concentrações tais que não . restaurada ou melhorada a capacidade da Terra de produzir recursos renováveis vitais. Em conseqüência.Os recursos naturais da Terra. a água.Deve ser mantida e.

quando necessária. 11 .As políticas ambientais de todos os países deveriam melhorar e não afetar adversamente o potencial desenvolvimentista atual e futuro dos países em desenvolvimento. 7 . 10 . mediante a transferência maciça de recursos consideráveis de assistência financeira e tecno1ógica que complementem os esforços dos países em desenvolvimento e a ajuda oportuna.As deficiências do meio ambiente decorrentes das condições de subdesenvolvimento e de desastres naturais ocasionam graves problemas.Os países deverão adotar todas as medidas possíveis para impedir a poluição dos mares por substâncias que possam por em perigo a saúde do homem. Deve ser apoiada a justa luta de todos os povos contra a poluição. os Estados e as organizações internacionais deveriam adotar providências . a estabilidade de preços e pagamento adequado para comodidades primárias e matérias-primas são essenciais à administração do meio ambiente. a melhor maneira de atenuar suas conseqüências é promover o desenvolvimento acelerado. nem obstar o atendimento de melhores condições de vida para todos. de vez que se deve levar em conta tanto os fatores econômicos como os processos ecológicos. 8 . causar danos às possibilidades recreativas ou interferir com outros usos legítimos do mar. as condições necessárias à melhoria da qualidade de vida.Para os países em desenvolvimento.143 possam ser neutralizadas pelo meio ambiente de modo a evitarem-se danos graves e irreparáveis aos ecossistemas.O desenvolvimento econômico e social é indispensável para assegurar ao homem um ambiente de vida e trabalho favorável e criar. na Terra. prejudicar os recursos vivos e a vida marinha. 9 .

prejudiquem o meio . maior assistência técnica e financeira internacional para esse fim. A esse respeito.144 apropriadas. visando chegar a um acordo. 13 . melhorar as condições ambientais.Deve-se aplicar a planificação aos agrupamentos humanos e à urbanização. os Estados deveriam adotar um enfoque integrado e coordenado da planificação de seu desenvolvimento. para esses países. para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente. 15 . quando solicitada.As regiões em que exista o risco de que a taxa de crescimento demográfico ou as concentrações excessivas de população. a inclusão de medidas de conservação do meio ambiente. econômicos e ambientais para todos. assim. assim como a necessidade de lhes ser prestada.Deveriam ser destinados recursos à preservação e melhoramento do meio ambiente. 12 . 14 . devem ser abandonados os projetos destinados à dominação colonialista e racista. para fazer frente às possíveis conseqüências econômicas nacionais e internacionais resultantes da aplicação de medidas ambientais. com a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente humano.A fim de lograr um ordenamento mais racional dos recursos e. 16 . tendo em conta as circunstâncias e as necessidades especiais dos países em desenvolvimento e quaisquer custos que possam emanar.A planificação racional constitui um instrumento indispensável. de modo a que fique assegurada a compatibilidade do desenvolvimento. em benefício de sua população. tendo em mira evitar repercussões prejudiciais ao meio ambiente e a obtenção do máximo de benefícios sociais. em seus planos de desenvolvimento.

É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais. evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente. dispensando a devida atenção ao setor das populações menos privilegiadas.Deve ser fomentada. inspirada no sentido de sua responsabilidade. no sentido dos problemas ambientais.Deve ser confiada. o livre intercâmbio de informação e de experiências científicas atualizadas deve constituir objeto de apoio e assistência. para solucionar os problemas ambientais e para o bem comum da humanidade. a tarefa de planificar. 18 . visando tanto às gerações jovens como os adultos. 17 . deveriam ser aplicadas políticas demográficas que representassem os direitos humanos fundamentais e contassem com a aprovação dos governos interessados. bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos. 19 .145 ambiente ou o desenvolvimento. administrar e controlar a utilização dos recursos ambientais dos Estados. ou em que a baixa densidade de população possa impedir o melhoramento do meio ambiente humano e obstar o desenvolvimento. para assentar as bases de uma opinião pública. tanto nacionais como multinacionais. relativamente à proteção e melhoramento do meio ambiente.Como parte de sua contribuição ao desenvolvimento econômico e social. em toda a sua dimensão humana. em todos os países. A esse respeito. devem ser utilizadas a ciência e a tecnologia para descobrir. a fim de facilitar a solução dos problemas ambientais. às instituições nacionais competentes. com o fim de melhorar a qualidade do meio ambiente. das empresas e das comunidades. as tecnologias ambientais devem ser postas à disposição dos . a investigação científica e medidas desenvolvimentistas. especialmente naqueles em desenvolvimento. 20 .

os Estados têm o direito soberano de explorar seus próprios recursos.Os Estados devem cooperar para continuar desenvolvendo o direito internacional. sem que constituam carga econômica excessiva para esses países. 21 . de acordo com a sua política ambiental. e o limite de aplicabilidade de padrões que são válidos para os países mais avançados. . causem às zonas situadas fora de sua jurisdição. em todos os casos será indispensável considerar os sistemas de valores predominantes em cada país. mas que possam ser inadequados e de alto custo social para os países em desenvolvimento.Sem prejuízo dos princípios gerais que possam ser estabelecidos pela comunidade internacional e dos critérios e níveis mínimos que deverão ser definidos em nível nacional. desde que as atividades levadas a efeito.146 países em desenvolvimento. dentro da jurisdição ou sob seu controle. que as atividades realizadas dentro da jurisdição ou sob controle de tais Estados. no que se refere à responsabilidade e à indenização das vítimas da poluição e outros danos ambientais. não prejudiquem o meio ambiente de outros Estados ou de zonas situadas fora de toda a jurisdição nacional 22 . em condições que favoreçam sua ampla difusão.De acordo com a Carta das Nações Unidas e com os princípios do direito internacional. 23 .

147 ANEXO B .

148 Declaração de Joanesburgo .

porém clara. eqüitativa e solidária. representantes dos povos do mundo. um novo e mais iluminado mundo de esperança.Assumimos o compromisso de construir uma sociedade global humanitária. numa voz simples. em conseqüência. assumimos a responsabilidade coletiva de fazer avançar e fortalecer os pilares interdependentes e mutuamente apoiados do . que representam nosso futuro coletivo. reunidos durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável em Joanesburgo.Por conseguinte. que o futuro pertence a elas e. crianças do mundo nos disseram. com urgência.Nós. todos nós.No início desta Cúpula. vindos de todos os cantos do mundo.149 DECLARAÇÃO DE JOANESBURGO SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Das origens ao futuro 1 . através de nossas ações. reafirmamos nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável. 4 . estamos unidos e animados por um sentimento profundo de que necessitamos criar. pela degradação ambiental e por padrões de desenvolvimento insustentáveis. África do Sul. elas herdarão um mundo livre da indignidade e da indecência causadas pela pobreza. entre 2 e 4 de setembro de 2002. 2 . 5 . conclamaram todos nós a assegurar que. ciente da necessidade de dignidade humana para todos.Como parte de nossa resposta a essas crianças. formados por diferentes experiências de vida. 3 .

que estabeleceu uma nova agenda para o desenvolvimento sustentável. a fim de realizar um esforço determinado para responder afirmativamente à necessidade de apresentar um plano prático e visível.Trinta anos atrás.Entre o Rio e Joanesburgo as nações do mundo se reuniram em diversas conferências de larga escala sob a coordenação das Nações Unidas.150 desenvolvimento sustentável . 7 . declaramos. concordamos na necessidade urgente de reagir ao problema da deterioração ambiental. Para alcançar tal desenvolvimento. Dez anos atrás. Berço da Humanidade. que leve à erradicação da pobreza e ao desenvolvimento humano. nacional. 6 . aos quais reafirmamos nosso compromisso. regional e global. . estamos unidos numa determinação comum. A Cúpula do Rio foi um marco significativo. concordamos em que a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento social e econômico são fundamentais para o desenvolvimento sustentável. sermos responsáveis uns pelos outros. De Estocolmo ao Rio de Janeiro a Joanesburgo 8 . adotamos o programa global Agenda 21 e a Declaração do Rio. durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento.Reconhecendo que a humanidade se encontra numa encruzilhada.desenvolvimento econômico. realizada no Rio de Janeiro. por meio do Plano de Implementação e desta Declaração.Neste Continente.nos âmbitos local. pela ampla comunidade da vida e por nossas crianças. com base nos Princípios do Rio. Essas conferências definiram para o mundo uma visão abrangente para o futuro da humanidade. bem como a Conferência Ministerial de Doha. incluindo a Conferência de Monterrey sobre Financiamento ao Desenvolvimento. desenvolvimento social e proteção ambiental . 9 . em Estocolmo.

O meio ambiente global continua sofrendo.Na Cúpula de Joanesburgo muito se alcançou na convergência de um rico tecido de povos e pontos de vista. numa busca construtiva por um caminho comum rumo a um mundo que respeite e implemente a visão do desenvolvimento sustentável. países em desenvolvimento são mais vulneráveis e a poluição do ar. estoques pesqueiros continuam a ser exauridos. da água e do mar segue privando milhões de pessoas de uma vida digna. Joanesburgo também confirmou haver sido feito progresso significativo rumo à consolidação de um consenso global e de uma parceria entre todos os povos de nosso planeta. junto à crescente distância entre os mundos desenvolvidos e em desenvolvimento. a mudança dos padrões de consumo e produção e a proteção e manejo da base de recursos naturais para o desenvolvimento econômico e social são objetivos fundamentais e requisitos essenciais do desenvolvimento sustentável.A globalização adicionou uma nova dimensão a esses desafios. representam uma ameaça importante à prosperidade. a mobilidade do capital e os significativos aumentos nos fluxos de investimento mundo afora trouxeram novos desafios e oportunidades . A rápida integração de mercados. Os Desafios que Enfrentamos 11 . 12 .Reconhecemos que a erradicação da pobreza. A perda de biodiversidade prossegue. 14 . os efeitos adversos da mudança do clima já são evidentes e desastres naturais são mais freqüentes e mais devastadores.151 10 . a desertificação toma mais e mais terras férteis. 13 .O profundo abismo que divide a sociedade humana entre ricos e pobres. à segurança e à estabilidade globais.

a rapidamente ampliar o acesso a requisitos básicos tais como água potável. Nosso Compromisso com o Desenvolvimento Sustentável 16 . enxergando em seus representantes nada além de imagens pomposas e sons retumbantes. deficiências. idioma.Estamos determinados a assegurar que nossa rica diversidade. assistência médica. através de decisões sobre metas. saneamento. os pobres do mundo podem perder a confiança em seus representantes e nos sistemas democráticos com os quais permanecemos comprometidos. prazos e parcerias. segurança alimentar e proteção da biodiversidade. trabalharemos juntos para nos ajudar mutuamente a ter acesso a recursos financeiros e aos benefícios da abertura de mercados.152 para a busca do desenvolvimento sustentável. a despeito de raça. Ao mesmo tempo. religião. energia. 17 . será usada numa parceria construtiva para a mudança e para alcançar o objetivo comum do desenvolvimento sustentável. a menos que ajamos de modo a modificar fundamentalmente suas vidas. e os países em desenvolvimento enfrentam especiais dificuldades para encarar esse desafio. 18 . assegurar o acesso à capacitação e ao uso de tecnologia moderna que resulte em desenvolvimento. que é nossa força coletiva. Mas os benefícios e custos da globalização são distribuídos desigualmente.Corremos o risco de perpetuação dessas disparidades globais e.Reconhecendo a importância de ampliar a solidariedade humana.Aplaudimos o foco da Cúpula de Joanesburgo na indivisibilidade da dignidade humana e estamos resolvidos. cultura e tradição. habitação adequada. 15 . e nos . instamos a promoção do diálogo e da cooperação entre os povos e civilizações do mundo.

tráfico ilegal de armamentos. desenvolvimento de recursos humanos. malária e tuberculose. em particular HIV/AIDS.A esse respeito. Entre essas condições estão: subalimentação crônica.Reafirmamos nossa promessa de aplicar foco especial e dar atenção prioritária à luta contra as condições mundiais que apresentam severas ameaças ao desenvolvimento sustentável de nosso povo. 19 . visando contribuir para o alcance de nossos objetivos e metas de desenvolvimento. ocupações estrangeiras. 20 . xenofobia. 22 . desastres naturais. problemas com drogas ilícitas. instamos os países desenvolvidos que ainda não o fizeram a realizar esforços concretos para atingir os níveis internacionalmente acordados de Assistência Oficial ao Desenvolvimento. tráfico humano.Reconhecemos o fato de que a sociedade global possui os meios e está dotada de recursos para encarar os desafios da erradicação da pobreza e do desenvolvimento sustentável que confrontam toda a humanidade.153 assegurar de que haja transferência de tecnologia. transmissíveis e crônicas. 21 . e doenças endêmicas. terrorismo. desnutrição.Estamos comprometidos a assegurar que a valorização e emancipação da mulher e a igualdade de gênero estejam integradas em todas as atividades abrangidas pela Agenda 21. intolerância e incitamento ao ódio racial. entre outros. educação e treinamento para banir para sempre o subdesenvolvimento. Juntos tomaremos medidas adicionais para assegurar que os recursos disponíveis sejam usados em benefício da humanidade. as Metas de Desenvolvimento do Milênio e o Plano de Implementação de Joanesburgo. étnico e religioso. crime organizado. corrupção. conflitos armados. .

Concordamos em que existe a necessidade de que as corporações do setor privado implementem suas responsabilidades corporativas. Isto deve ocorrer num contexto regulatório transparente e estável. o setor privado. levando em consideração a Declaração de Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho da Organização Mundial do Trabalho (OMT). tem o dever de contribuir para a evolução de comunidades e sociedades eqüitativas e sustentáveis.Concordamos também em prover assistência para ampliar oportunidades de emprego geradoras de renda. 28 . . 26 . 24 . 25 Reafirmamos o papel vital dos povos indígenas no desenvolvimento sustentável. 29 . respeitando os papéis independentes e relevantes de cada um deles. tais como a Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NEPAD).Concordamos que. 27 . tomada de decisões e implementação em todos os níveis.Aplaudimos e apoiamos o surgimento de grupos e alianças regionais mais robustos.Reconhecemos que o desenvolvimento sustentável requer uma perspectiva de longo prazo e participação ampla na formulação de políticas. na busca de suas atividades legítimas. Na condição de parceiros sociais.Continuaremos a dedicar especial atenção às necessidades de desenvolvimento dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e dos Países Menos Desenvolvidos.154 23 . do aperfeiçoamento da cooperação internacional e do desenvolvimento sustentável. tanto grandes quanto pequenas empresas. continuaremos a trabalhar por parcerias estáveis com todos os grupos principais. para a promoção da cooperação regional.

155 30 . de instituições multilaterais mais eficazes. 33 . bem como com o fortalecimento do multilateralismo. o progresso alcançado na implementação das metas e objetivos do desenvolvimento sustentável. O Multilateralismo é o Futuro 31 .Para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável. Apoiamos o papel de liderança das Nações Unidas na condição de mais universal e representativa organização do mundo. unidos por uma determinação comum de salvar nosso planeta. 32 . envolvendo todos os grupos principais e os governos que participaram da histórica Cúpula de Joanesburgo. em intervalos regulares. 35 . promover o desenvolvimento humano e alcançar a prosperidade e a paz universais.Reafirmamos nosso compromisso com os princípios e propósitos da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional. das Metas de Desenvolvimento do Milênio e do Plano de Implementação de Joanesburgo.Assumimos o compromisso de agir juntos.Assumimos adicionalmente o compromisso de monitorar. necessitamos responsáveis. para a efetiva implementação da Agenda 21.Assumimos o compromisso de reforçar e aperfeiçoar a governança em todos os níveis. Fazendo Acontecer! 34 .Estamos de acordo que este deve ser um processo inclusivo. democráticas e . e a que melhor se presta à promoção do desenvolvimento sustentável.

aos povos do mundo e às gerações que certamente herdarão este planeta. afirmamos solenemente. Berço da Humanidade. Expressamos nossa mais profunda gratidão ao povo e ao Governo da África do Sul por sua hospitalidade generosa e excelentes acomodações destinadas à Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. 37 . estarmos determinados a assegurar que nossa esperança coletiva para o desenvolvimento sustentável seja realizada. .Assumimos compromisso com o Plano de Implementação de Joanesburgo e com acelerar o cumprimento das metas socio-econômicas e ambientais com prazo determinado nele contidas.Do continente Africano.156 36 .