A Praça Raul Soares Agosto de 2008 Vitor Vieira Vasconcelos

Doutorando em Geologia, Mestre em Geografia, Especialista em Solos e Meio Ambiente, Bacharel em Filosofia, Graduando em Geografia, Técnico em Meio Ambiente, Técnico em Informática Industrial

O cidadão belo-horizontino que passa pelas ruas do centro urbano, ao largo da Praça Raul Soares, vê bem mais que apenas um espaço circular, com seus jardins, gramados, árvores e bancos. A imagem da praça remonta lembranças de uma parcela da cidade que, ao longo dos anos, tornouse cada vez mais desvalorizada. Aos poucos, o que era um lugar de fruição para os moradores locais e demais cidadãos, perdeu seu espaço para os territórios da criminalidade e da insegurança. Muitos têm vivas na memória situações em que, ao passarem de ônibus à noite ao redor da praça, observaram senhoritas inocentes serem abarcadas por assaltantes que se escondiam em meio às sombras dos densos arbustos. Com o desenvolvimento da cidade, tomou corpo na população um sentimento silencioso de indignação ante a situação. Belo Horizonte precisa tanto de mais praças e espaços públicos abertos, e em contrapartida um lugar tão estratégico como a Praça Raul Soares ficava abandonado às traças e à marginalidade. Enfim, tal sentimento foi captado pela administração municipal, que se lançou em um projeto de revitalização do local. Durante os longos meses em que a área manteve-se fechada, uma curiosidade atiçava a mente dos transeuntes. Perguntavam-se sobre o que iria mudar na praça, e se ela tornar-se-ia novamente um lugar bonito, seguro e prazeroso. Ao fim, a abertura da praça proporcionou a oportunidade para que tantos pudessem conferir as novidades e, com isso, retornar o território da praça às mãos do povo, como de direito. Tudo na praça exalava a novo: seu gramado bem cuidado, os novos bancos, o sistema de iluminação noturno, além da bonita fonte que ainda por cima tocava música clássica, dando uma atmosfera singular aos passeios. Mesmo as pequenas mudas de arbustos e brotos de rosas, embriões do projeto paisagístico pleno, contribuem para essa sensação de juventude que a praça passou a transmitir. O aumento de circulação de pessoas na praça, seu novo esquema de iluminação noturna, completados por um incremento na segurança policial, asseguraram a tranqüilidade necessária à manutenção do lugar como uma área comum de lazer. Todavia, como todo novo espaço a ser ocupado, suscita uma série de dúvidas em seus visitantes. Até que horas da noite ou da madrugada a praça continua segura para se circular? Será que a prefeitura manterá a mesma constância das rondas policiais no entorno da praça? A circulação de pessoas irá se manter, depois de passado o clima de novidade? Todos torcem para que Belo Horizonte tenha ganhado, em caráter definitivo, um novo espaço público de lazer. Aliás, os brotos de rosas, as mudas de arbustos, em conjunto com as árvores caducifólias, que perderam suas folhas no inverno, parecem reservar novas surpresas para a primavera que se anuncia. A natureza prepara-se para fazer sua parte, esperando que o governo e os cidadãos da cidade deem sua contribuição.