IBP1541_12 APLICAÇÃO DE MÉTODOS GEOFÍSICOS COMO GPR, ELETROMAGNÉTICO INDUTIVO E ELETRORRESISTIVIDADE, NA DETECÇÃO DE DUTOS ENTERRADOS Marco A.B.

Botelho1, Luiz Mesquita 2, Rodrigo V. Rios3, Alan A. Alves3

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Este trabalho utiliza os métodos GPR e eletromagnético indutivo com o objetivo de detectar dutos metálicos enterrados. Os principais equipamentos utilizados são o GPR RAMAC e o Easy Detector, ambos do fabricante Mala Geoscience, com antenas nas freqüências de 100, 200 e 400 MHz; e para o método eletromagnético foi utilizado o Profiler EMP-400 do fabricante GSSI, utilizando vários arranjos de bobinas nas freqüências de 1000, 7000 e 15000 Hz. A área de estudo foi na faixa de dutos GASEB (Gasoduto Sergipe-Bahia) de domínio da Transpetro e a aquisição de dados foi feita nas margens dos rios Quiricó Grande, Sauípe e Real. Foram feitos cinco perfis de GPR em cada uma das duas margens de cada rio, com o primeiro localizado mais perto possível do rio e os outros quatro distanciados de 10, 20, 30 e 50 metros do primeiro perfil. Todas as linhas foram feitas paralelas entre si e transversais à faixa de dutos. Também foi realizado levantamento de dados com o método eletromagnético com 6 linhas paralelas espaçadas de 2 metros ocupando as faixas de 0 a 10, 20 a 30 e 40 a 50 metros do rio. Analisando os perfis de GPR foi possível perceber que a capacidade de detectar dutos diminui à medida que as linhas são localizadas mais próximas do rio. Isto é devido à presença de minerais de argila combinados com o aumento da saturação de água no solo. Com o GPR é possível detectar o duto e determinar a sua profundidade, no radargrama o duto é representado por uma hipérbole de difração e a curvatura da hipérbole fornece a velocidade de propagação do pulso eletromagnético no terreno acima do duto. Observou-se que as antenas de 100 e 200 MHz do GPR apresentaram um melhor desempenho para localizar os dutos e o método eletromagnético indutivo apresentou uma boa capacidade na detecção de dutos metálicos e permitiu rastrear a direção dos dutos. O arranjo de bobinas que obteve o melhor resultado foi o VDM (momento de dipolo vertical) no modo broadside.

Abstract
This work uses the GPR method and induced electromagnetic method, they were applied aiming for detecting buried metal pipes. The equipment used were GPR RAMAC and the Easy Detector, both from manufacturer Mala Geoscience, with antennas with frequencies of 100, 200 and 400 MHz; and for the electromagnetic method, it was used Profiler EMP400, from manufacturer GSSI, using many coil arrays in frequencies of 1000, 7000 and 15000 Hz. The area of study was the ducts band GASEB (Sergipe-Bahia gas pipeline) from Transpetro domain, and the data acquisition was made on bank of Quiricó, Sauípe and Real rivers. Five GPR profiles were made on each river bank. The first one was nearest the river, while the other four had distances of 10, 20, 30 and 50 meters from the first profile. Every line was parallel to each other and transverse to pipelines. Also, a data survey with electromagnetic method was made, with 6 parallel lines spaced 2 meters, being in zones from 0 to 10, 20 to 30 and 40 to 50 meters away of the river. Analyzing the GPR profiles, it was possible to see that the capacity of detecting pipes decreases with the lines nearer to the river. This happens because of the presence of clay minerals and the increasing of the water saturation of soil. With the GPR, it is possible to detect the pipe, which is showed in radar section as a diffraction hyperbola , and the hyperbola slope gives the velocity of the electromagnetic pulse propagation in the terrain above the pipe where occurred the diffraction. Antennas of 100, 200 and 400 MHz were used, and it was possible to see that antennas of 100 and 200 MHz showed a better development to locate the pipes. The induced electromagnetic method showed a good capacity in the detection of metal pipes and permitted trace pipe directions. The coil array that achieved better results was VDM (vertical dipole moment) in broadside.

______________________________ 1 Doutor, Geofísico – UFBA/CPGG 2 Engenheiro Mecânico – PETROBRAS/CENPES 3 Geofísico – PETROBRAS

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1. Introdução
Os métodos geofísicos são muito importantes para a engenharia geotécnica e podem ser utilizados para diversas finalidades. Uma das aplicações é detectar e inferir a profundidade de dutos e tubulações enterradas. Este trabalho emprega os métodos GPR e indução eletromagnética para detectar dutos metálicos enterrados. O Radar de Penetração no Solo ou GPR (Ground Penetrating Radar) é uma técnica geofísica não invasiva que utiliza ondas eletromagnéticas na faixa de freqüência entre 10 a 2500 MHz e é utilizada para investigação geofísica rasa e aplicações na engenharia. A utilização de ondas eletromagnéticas de alta freqüência para detectar objetos metálicos, como navio ou trem, é atribuída ao inventor alemão Christian Hulsmeyer em 1904. A primeira descrição sobre a investigação de objetos soterrados foi realizada no trabalho de Leimbache Lowy (1910), empregando a transmissão de ondas eletromagnéticas contínuas. Em 1926, Hulsenbeck utilizou o radar com pulsos eletromagnéticos para investigação da sub-superfície. O GPR foi aperfeiçoado pelo exército dos EUA durante a guerra do Vietnam para localizar labirintos de túneis construídos no subsolo, que eram utilizados pelos vietnamitas. Após a guerra do Vietnam, em 1972, a empresa americana Geophysical Survey Systems Inc. (GSSI) começou a vender os primeiros sistemas comerciais de GPR. Atualmente outras empresas fabricam e comercializam sistemas de GPR, entre elas a sueca Mala Geoscience, a canadense PulseEKKO (Sensor & Software Ltd) e a italiana IDS. As primeiras aplicações estão estudos de glaciologia, vide o trabalho de Harrison (1970). O método eletromagnético foi desenvolvido durante a década de 1920 na Escandinávia, Estados Unidos e Canadá, com o objetivo de detectar depósitos condutivos de metais base. A prospecção eletromagnética é muito utilizada na exploração mineral e apresenta uma boa resposta com bons condutores elétricos em baixa profundidade. Os métodos eletromagnéticos são pouco empregados em trabalhos de engenharia civil, embora sejam usados para localizar tubulações e cabos enterrados, para a detecção de minas terrestres e para mapear áreas superficiais com infiltração de contaminantes (Telford et al., 1990). A integração de métodos geofísicos é muito importante, tendo como objetivos solucionar ambigüidades, obter variados parâmetros de propriedades físicas do objeto em estudo, melhorando sua caracterização.

2. Localização das Áreas de Estudos
As áreas de estudos estão na faixa de dutos GASEB (Gasoduto Sergipe-Bahia), de domínio da Transpetro, que fica localizada no litoral da Bahia e litoral de Sergipe. Foram adquiridos dados nas margens dos rios Quiricó Grande, Sauípe e do Real, localizados no litoral norte da Bahia, conforme mostra a Figura 1.

Figura 1. Mapa de localização das áreas de estudos da faixa GASENE, as quais estão nas travessias dos rios Quiricó Grande, Sauípe e Real. As bolas vermelhas indicam os locais. 2

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Os dados obtidos nestes levantamentos com o equipamento eletromagnético indutivo, ou seja, com o Profiler EMP-400, serão comparados com os resultados obtidos com método do GPR.

3. Equipamentos Utilizados nos Levantamentos Geofísicos
3.1. O Profiler EMP-400 Neste trabalho o equipamento utilizado para o método eletromagnético indutivo foi o Profiler EMP-400 do fabricante GSSI (Geophysical Survey Systems, Inc). O Profiler EMP-400 é um sistema portátil que opera no domínio da freqüência. Este equipamento pode coletar dados de até 3 freqüências simultaneamente e o usuário pode escolher freqüências entre 1 e 16 KHz em incrementos de 1 KHz. As configurações de bobinas que podem ser utilizadas são a horizontal co-planar (HCP) e vertical co-planar (VCP), conhecidas também como Vertical Dipole Moment (VDM) e Horizontal Dipole Moment (HDM), e podem ser realizados levantamentos inline e broadside. O espaçamento entre as bobinas é fixo e seu valor é de 121.9 centímetros. Os dados gravados pelo equipamento consistem nos componentes em fase e quadratura do campo magnético secundário com relação ao campo primário, dado em PPM (partes por milhão). O sistema também fornece a condutividade aparente do meio ( σ a) em mS.m para a freqüência de 15 KHz. A aquisição é feita em forma de uma malha bidimensional e o sistema fornece uma visualização dos dados em mapa. A figura 2.3 mostra a fotografia do equipamento Profiler EMP-400, onde se pode ver o instrumento eletromagnético (1) com as bobinas transmissora e receptora (a e b) e o PDA (2) que controla a aquisição. Vide a Figura 2.

Figura 2. Foto do equipamento Profiler EMP-400, onde pode-se ver o equipamento (C), com as bobinas transmissora e receptora (A e B) e o PDA (D) que controla a aquisição. Como mostrado pela figura 14 o sistema consiste em duas partes, que são: 1. Instrumento eletromagnético que é composto pela bobina transmissora (a), pela bobina receptora (b) e pela parte eletrônica do instrumento (c); 2. PDA (Personal Digital Assistant) que controla a aquisição e gravação de dados, permitindo também uma prévisualização dos dados em campo. O PDA possui um sistema de GPS integrado que pode ser usado nos levantamentos de dados. O PDA se comunica com o sistema através de uma conexão Bluetooth, não sendo necessário o uso de cabos. Antes de coletar os 3

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 dados o sistema realiza calibrações para compensar a presença do operador e para compensar as condições de ruídos do local. 3.2. O GPR (Ground Penetrating Radar) Após a assimilação dos conceitos teóricos do método GPR, o que pode ser encontrado em trabalhos como Davis e Annan (1989) ou Davis et al. (1985); ou ainda se familiarizar com as diversas aplicações do GPR, seja em geotecnia (Botelho e Jorge, 2005), em prospecção mineral (Botelho, 1987 e 1988), a etapa seguinte é aprender a operar os equipamentos. Os equipamentos de GPR utilizados nesta pesquisa foram os modelos do RAMAC, da GSSI, o VIY2 da Transient Geophysics e o DetectorDuo da IDS. As aquisições dos dados de radar foram realizadas em diversas campanhas ocorridas entre os meses de agosto e novembro de 2011. Os dados de eletro-resistividade foram coletados no mês de novembro de 2011. Em seqüência à etapa de aquisição, vem a etapa de processamento dos dados coletados. A partir dos dados processados pode-se realizar a interpretação e tirar as conclusões sobre existência e posicionamento espacial das tubulações, as quais constituem o objeto desta pesquisa. O sistema Ramac é fabricado pela empresa sueca Mala Geoscience, o qual consiste de quatro módulos (antena transmissora, antena receptora, uma unidade de controle do sistema). Esta unidade de controle está ligada a um computador portátil (notebook), o qual serve para apresentação dos resultados e para armazenar os dados coletados; as antenas receptoras e emissoras são interligadas à unidade central por meio de cabos de fibra ótica. A unidade central está conectada ao notebook por meio de um cabo serial, como mostra a Figura 3. Neste trabalho foram utilizadas antenas não blindadas que possibilitam investigações mais profundas cujas freqüências foram 100 MHz, 200 MHz e 400 MHz.

Figura 3. Operação de campo com o sistema GPR da Ramac, onde estão identificadas as suas diferentes unidades. Acoplado a cada antena tem um módulo amplificador, o qual também é gerador de sinal no caso da antena transmissora. As duas unidades amplificadoras são alimentadas por baterias individuais acopladas a elas. A unidade central é também alimentada por uma terceira bateria acoplada a ela. A contagem de distância e o intervalo espacial de registro dos traços empregam um sistema com carretel de linha, cuja ponta da linha é amarrada a um ponto fixo, e ao deslocarmos as antenas o fio é desenrolado e medido, tornando possível se determinar a distância deslocada e registrar o traço em intervalos de distância pré-definidos. O sistema RAMAC foi operado de forma a coletar um traço a cada 5 cm, com 512 amostras por traço, no modo afastamento constante e com separação de antenas de 1 m para a freqüência de 100 MHz e de 0,6 m para as freqüências de 200 e 400 MHz. A indústria construtora de equipamentos GPR vem criando sistemas dedicados de GPR para fins específicos, dentre os quais a detecção de tubulações, os quais podem, em princípio, ser operados por técnicos menos ilustrados sobre a propagação de ondas eletromagnéticas. Um destes equipamentos dedicados é o Easy Detector fabricado pela empresa sueca Mala GeoScience, o qual foi testado nesta pesquisa. Este sistema opera uma antena na freqüência de 250 MHz e tem um contador de distância acoplado a uma das quatro rodas, o que permite medir as distâncias levantadas e calcular o 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 comprimento do intervalo espacial entre os traços. O sistema Easy Detector realiza um pré-processamento automático nos dados coletados (ganhos, filtros e determinação do tempo zero), e fornece uma imagem imediata da sub superfície.

Figura 4. O sistema Easy Detector que opera com uma antena de 250 MHz e calcula as distâncias com um contador acoplado a roda direita da traseira. Existe uma tela que permite ao operador visualizar imediatamente as seções de radar com os tubos. A imagem ou radargrama fornecida (x,t) é perfeita, porém a imagem (x,z) não é precisa neste primeiro instante, pois a conversão do tempo em profundidade pode apresentar erros, uma vez que o operador aplica uma única velocidade armazenada na memória, em vez de obter um conjunto de valores a partir de algumas análises de velocidade.

4. Aquisição dos Dados
Os levantamentos com GPR são realizados sempre em cinco linhas, em cada lado da margem do rio, de modo que a primeira linha fique o mais próximo possível da margem do rio e o segundo fique a 10 m do primeiro perfil. O terceiro e o quarto perfil ficam a 20 e 30 metros do primeiro, respectivamente, e o quinto perfil fica a 50 metros do primeiro perfil. Os levantamento com o método eletromagnético indutivo obedecem o mesmo espaçamento adotado para o levantamento com GPR, porém em cada posição de perfil (0,10, 20, 30 e 50 metros) são levantados cinco perfís espaçados de 2 metros, cobrindo uma estreitas faixas de 10 m de largura. Estes perfis sempre são perpendiculares à faixa de dutos.

5. Resultados
Na margem de acesso à travessia do Rio Quiricó Grande foram utilizadas as três freqüências de antena do RAMAC, 100, 200 e 400 MHz. Apenas a seção 1 possui 30 m de comprimento. As demais são menores, pois no final das seções existe um barranco muito íngreme que impossibilitou a aquisição de seções de 30 m com o GPR. Como pode ser visto nas Figuras 5 e 6, que apresentam os resultados das antenas de 400 e 100 MHz, respectivamente. O radargrama da seção 1 apresentam uma única hipérbole nas freqüências de 100 MHz, que tem profundidade de cerca de 2,30 m, mas estão deslocadas em cerca de 1,5 m de distância devido ao erro de aquisição com a antena de 100 MHz (indicado com a seta preta na figura 6). Este erro ocorreu, pois o mesmo ponto foi amostrado várias vezes devido ao à contagem do odômetro e não ao deslocamento da antena. A antena de 400 MHz, curiosamente detectou duas hipérboles na beira do rio. Na maioria dos levantamentos as altas freqüências falham na detecção dos tubos na beira dos rios. 5

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Figura 5. Seções de radar modelo RAMAC, empregando antena de 400 MHz, nas posições de 0, 10, 20, 30 e 50 metros da margem esquerda do Rio Quiricó Grande (BA). A seção 1 é a de cima e a 5 é a de baixo. 6

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Figura 6. Seções de radar modelo RAMAC, empregando antena de 100 MHz, nas posições de 0, 10, 20, 30 e 50 metros da margem de acesso à travessia, ou esquerda, do Rio Quiricó Grande (BA). 7

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O radargrama fornecido pela antena de 400 MHz, vide a Figura 5, exibe duas hipérboles bem superficiais, que não representam duto algum, pois não correspondem espacialmente (x) com as informações fornecidas nos radargramas obtidos com as antenas de 100 MHz e 200 MHz. Os radargramas da seção 2 e 3 exibem 3 hipérboles para as 3 freqüências usadas. Os radargramas das seções 4 e 5 exibem 4 hipérboles para as freqüências de 100 MHz e 200 MHz e apenas 3 para a freqüência de 400 MHz. As distâncias e profundidades medidas em cada seção pelas 3 freqüências são muito próximas, tendo uma variação de até 15 cm em profundidade, que se deve à pequena diferença encontrada na análise de velocidade pelas hipérboles e, possivelmente, pelos diferentes afastamentos. A quarta seção (a 30 m da margem do rio) da Figura 5 mostra uma quarta hipérbole (veja a seta vermelha), a qual pode ter sido geradas por matacão presente neste local, ou até mesmo por pequenos pedaços de dutos abandonados. As hipérboles das posições (x= 7,5 e 19,5 m), assinaladas com a setas vermelhas, na seção 2 da figura 6 são também anomalias localizadas. As quatro (4) hipérboles correspondentes a dutos são rastreadas nas seções 2, 3, 4, 5, e um dos dutos também perceptível nas seção 1, quando se empregou a antena de 100 MHz, vide Figura 6. Quando empregou-se 400 MHz visualizamos quatro hipérboles nas seções 4 e 5 (30 e 50 m do rio), três hipérboles nas seções 2 e 3 (10 e 20 m do rio) e nenhuma hipérbole correspondente a duto na seção 1 (margem do rio). O duto detectado com a antena de 100 MHz na beira do rio, na seção 1 da figura 6, revelou uma profundidade de 4,40 m na beira do rio. Para dirimir a dúvida entre uma hipérbole corresponder ou não a uma tubulação temos as opções de usar o método eletromagnético indutivo (sensível a materiais magnéticos apenas) ou mesmo realizar a aquisição de uma segunda e terceira seção GPR, espaçadas de 2 ou 3 m, antes e depois da seção que se investiga, pois neste caso a hipérbole causada por um corpo isolado não teria continuidade nas novas seções de teste. A figura 7 mostra perfis de GPR feitos com as antenas de 100, 200 e 400 MHz, na posição de 20 metros afastado da margem do rio (perfil 3 indicado no croqui). Nestes perfis de 100 e 200 MHz é possível visualizar quatro hipérboles de difração, indicando que existem quatro dutos nas posições aproximadas de 4, 9, 12 e 18 metros. Na seção de 400 MHz aparecem apenas três hipérboles localizadas nas posições aproximadas de 9, 12 e 18 metros. Na seção de 100 MHz existe mais uma hipérbole na posição de 22,0 metros, mas comparando com os perfis com freqüências de 100 e 200 MHz e com a posição dos dutos mostrada pelo equipamento eletromagnético indutivo (Profiler EMP-400) chega-se à conclusão que essa hipérbole não corresponde a um duto, mas provavelmente esta hipérbole de difração é causada por um matacão enterrado. Os valores adotados para ilustrar a profundidade dos dutos detectados com o GPR nesta linha foram de 2,0 metros para o primeiro duto, 1.6 metros para o segundo duto, 1.0 metro para o terceiro duto e 1.7 metros para o quarto duto. Finalmente, observe que o GPR com antena de 400 MHz não foi capaz de detectar a hipérbole da posição x= 4 m, mas o método eletromagnético indutivo, com a medida de fase de 7000 Hz, foi capaz de o revelar, vide a figura 7. Para reforçar as conclusões, repetimos estes procedimentos em diversas travessias de rios, onde gera-se perfis de GPR feitos com as antenas de 100, 200 e 400 MHz, na posição de 10 metros afastado da margem do rio (perfil 2 indicado na figura 6). No perfil de 100 MHz é possível visualizar quatro hipérboles de difração, indicando que existem quatro dutos nas posições aproximadas de 4, 9, 13 e 19 metros. Na seção de 200 e 400 MHz aparecem apenas três hipérboles localizadas nas posições de 9, 13 e 19 metros. Na beira do rio, as antenas de 100 MHz detectam um (Figura 6) ou dois tubos, já antenas de maiores freqüências, como a de 400 MHz, não conseguem detectar os tubos na beira dos rios. A título de informação adicional, os valores correspondentes às profundidades dos quatro dutos detectados com o GPR, na seção 2 (10 m do rio) da margem direita do rio Quiricó Grande foram de 2,4 metros para o primeiro duto, 1,6 metros para o segundo duto, 1,2 metros para o terceiro duto e 2,2 metros para o quarto duto. O método de eletrorresistividade serviu para quantificar a condutividade elétrica das margens destas travessias e, observou-se que quando o radar falha a resistividade elétrica está em torno de 50 Ohm.m, como é o caso das margens do Rio Sauípe.

6. Conclusões
No rio Quiricó Grande o GPR apresentou bons resultados e foi mostrado que a capacidade em detectar dutos diminui com a proximidade do rio devido a maior atenuação do sinal, tendo como principal fator a causa da combinação entre a saturação em água do solo e o conteúdo de argila. No rio Sauípe o GPR apresentou uma má qualidade dos radargramas e uma baixa capacidade em detectar dutos por causa da alta condutividade elétrica do terreno, que causou uma forte atenuação do sinal de radar. Perfis de eletrorresistividade no rio Sauípe revelaram resistividades inferiores a 50 8

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Ohm.m, daí a má qualidade das seções de radar, já os perfis no rio Quiricó revelaram, em média, resistividades superiores a 150 Ohm.m e daí a boa qualidade das seções de radar. Com o método GPR foi possível detectar os dutos e inferir sobre sua profundidade. As antenas de GPR com freqüências de 100 e 200 MHz obtiveram um melhor resultado na detecção de dutos do que a antena de 400 MHz. O método eletromagnético indutivo apresentou bons resultados nos dois rios, mas no rio Quiricó Grande o método apresentou uma maior definição dos dutos, portanto uma melhor qualidade dos dados e maior eficácia na detecção de dutos.

Figura 7. Perfil 3 de GPR da margem direita do Rio Quiricó Grande com as frequências de 100, 200 e 400 MHz, e o respectivo mapa de contorno do campo eletromagnético para a medida em fase de 7000 Hz.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 O arranjo VDM (momento de dipolo vertical) broadside foi o que obteve melhores resultados no mapeamento de dutos com o método eletromagnético indutivo. Com o método eletromagnético indutivo não é possível saber sobre a profundidade dos dutos, mas é possível saber sobre a localização e alinhamento dos dutos metálicos. O método eletromagnético indutivo foi capaz de mapear dutos em locais que o GPR não apresentou bons resultados, como foi observado no rio Sauípe. Desta forma é possível concluir que o método eletromagnético indutivo pode ser uma alternativa para localizar dutos metálicos onde o GPR falha. A localização dos dutos pelos dois métodos coincidiu muito bem e o uso dos dois métodos em conjunto mostrou ser eficiente. O método eletromagnético mostrou ser útil para verificar se as hipérboles que aparecem na seção de GPR estão relacionadas com dutos metálicos ou com matacões, diminuindo assim a ambiguidade na interpretação dos dados de GPR. Os trabalhos futuros que tenha como objetivo promover um melhor entendimento da aplicação dos dois métodos para detectar dutos exige que seja feita aquisições de dados em outras travessias e preferencialmente com diversos tipos de solos. Assim teremos um espectro mais amplo para tentar correlacionar a qualidade dos dados com o tipo de geologia do local.

7. Agradecimentos
Os autores são muito gratos ao termo de cooperação celebrado entre a PETROBRAS(CENPES)-UFBA-FAPEX, de número 0050.0051297.09.9 o qual financia a realização desta pesquisa.

8. Referências
BOTELHO, M. A. B. Prospecção de manganês com radar de penetração no solo (GPR) no oeste da Bahia, In: 10th International Congress of the Brazilian Geophysical Society.Rio de Janeiro, Brasil, 2007. BOTELHO, M. A. B. Manganese prospection with ground-penetrating radar (GPR) in Bahia state brazil. In: 12th International Conference of Ground Penetrating Radar, England, 2008. BOTELHO, M. A. B., JORGE, C. G. Avaliação geotécnica-geofísica das subestruturas da ferrovia Vitória-Minas (efvm) usando o radar de penetração no solo (GPR), In: 9th International Congress of the Brazilian Geophysical Society. Rio de Janeiro, Brasil, 2005. DAVIS, J. L., ANNAN, A. P. Ground-penetration radar for high-resolution mapping of soil and rock stratigraphy, Geophysical Prospecting, v.37, n. 5, p. 531 - 551, 1989. DAVIS, J. L., ANNAN, A. P., VAUGHAN, C. J. Placer exploration using radar and seismic methods, Can. Inst. Min. Bull., v.80, p. 67-72., 1985. HARRISON, C. H. Reconstruction of subglacial relief from radio echo sounding records, Geophysics, v. 35, p.11091115, 1970. TELFORD, W. M., GELDART, L. P., SHERIFF, R. E., KEYS, D. A. Applied Geophysics, Cambridge University Press, 1978.

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