IBP1601_12 SOLUÇÃO DE BAIXO CUSTO PARA CONTROLE DE VAZÃO EM PONTOS DE ENTREGA DE GÁS NATURAL Paulo L. B.

Teixeira1

Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
O Gasoduto Bolívia Brasil começa nos campos de produção de Rio Grande na Bolívia e vai até a cidade de Canoas no Brasil. Ele distribui gás para cinco Estados no Brasil, e possui uma extensão total de 3.160Km (1,970 mi) e opera a uma pressão de 100 kgf/cm² (1,420 psig). O GASBOL é operado pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia Brasil S.A., TBG, cujos acionistas são Petrobras, AEI América do Sul, Transredes, BBPP Holdings e Bear Gás. Após uma série de ocorrências de falhas em turbinas de medição de gás, causadas por uma variação muito grande na vazão de saída em alguns Pontos de Entrega, o projeto das novas estações foi modificado para incluir uma válvula de controle no ponto de saída para os consumidores. Para as estações que já estavam em operação a instalação dessa válvula, acarretaria em interrupção no fornecimento para executar dispendiosos procedimentos de trepanação. A equipe de engenharia da TBG foi desafiada a desenvolver uma solução de baixo custo e que não implicasse em uma interrupção no fornecimento de gás para os consumidores. Esse papel descreve a resposta da TBG a esse desafio, desenvolvendo uma solução de baixo custo em 10 Pontos de Entrega. As estações foram escolhidas baseadas em alguns aspectos dais como volume de entrega e empacotamento do gasoduto. O objetivo principal é garantir que o volume total de entrega não ultrapasse o volume efetivamente contratado, evitando falhas na entrega devido a retiradas não previstas.

Abstract
The Bolivia Brasil Gas Pipeline (GASBOL) is a pipeline extending from the gas producing fields of Rio Grande, Bolivia, to Canoas, Brazil. It distributes gas to five states in Brazil, with a total extension of 3 160 km (1,970 mi) and a rated operating pressure of 100 kgf/cm2g (1,420 psig). GASBOL is owned and operated by Transportadora Brasileira Gasoduto Bolivia- Brasil S.A., TBG, a company whose shareholders are Petrobras, AEI América do Sul, Transredes, BBPP Holdings and Bear Gás. After several occurrences of flow turbine failures caused by large flow variations at some city gates, the design of new stations was modified to include a control valve upstream of the interconnection point with consumers. For operational city gates such functionality would imply delivery interruption to perform costly hot tapping procedures in order to install a flow control valve. Therefore, TBG‟s enginNring team was challenged to develop a cheaper and quicker solution. This paper describes TBG‟s answer to that challenge, developing a low cost flow control solution at ten selected city gates along the pipeline. The stations were chosen based on several aspects such as volume capacity, line packing to the consumer, etc. The main objective is to ensure that the daily volume effectively delivered does not exceed the contracted volume, avoiding delivery failures due to imbalances caused by unplanned withdrawals, as a means to improve planning of the pipeline operational profile.

1. Introdução
Compete ao transportador garantir a aderência das quantidades realizadas às quantidades requisitadas através de instrumentos operacionais que possibilitem o controle dos volumes entregues em cada ponto, de forma a

______________________________ 1 Engenheiro Eletrônico – TBG SA

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 garantir atendimento às requisições de entrega de ambos os Carregadores ao longo de todo o gasoduto, evitando falhas de entrega decorrentes de desequilíbrios causados por retiradas não programadas. Por contrato, a TBG não pode entregar quantidades acima do planejado, tanto no cenário de operação em capacidade máxima, bem como para permitir o gerenciamento de eventuais contingências de abastecimento.

2. Histórico
No projeto dos Pontos de Entrega não foi considerada a instalação de válvulas de controle que permitissem a limitação na vazão entregue ao consumidor. Devido a falhas nas turbinas de medição da vazão do gás entregue causadas por altas variações na vazão, a TBG definiu que os novos Pontos de Entrega deveriam contemplar a instalação de uma válvula de controle no ponto de saída para o consumidor. Adicionalmente a TBG decidiu modificar o projeto dos pontos de Entrega onde ocorrem altas variações na vazão de entrega. Foram analisados quatro modelos para a realização do controle:  Controle através de Orifício de Restrição  Controle através do Piloto da Reguladora de Pressão  Controle através de válvula limitadora de vazão em cada tramo do skid de redução  Controle através de válvula reguladora de vazão na saída do PE

3. Nomenclaturas
GASBOL: Gasoduto Bolívia Brasil SCADA: Sistema de Supervisão e Aquisição de Dados TBG: Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S.A. CSC: Central de Controle e Supervisão CDL: Companhia Distribuidora Local IHM: Interface Homem Máquina CLP: Controlador Lógico Programável PID: Controle Proporcional, Integral e Derivativo PE: Ponto de Entrega SP: Set Point

4. Alternativas Técnicas Analisadas
4.1. Controle através de Orifício de Restrição

Figura 1. Controle por orifício de vazão Consiste na Instalação de Orifício de Restrição após a tomada de pressão da válvula reguladora. Conhecendo-se a vazão normal, é possível dimensionar orifício de modo que a pressão de entrega seja reduzida à medida que a vazão ultrapasse o valor projetado. Como a vazão normal pode variar de um dia para o outro, seriam fabricados orifícios para diferentes valores de vazão. A troca das placas exige a instalação de um dispositivo porta-placa. Esta alternativa foi descartada pelos seguintes motivos: 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Como a pressão contratual do Gasbol é de 35 kgf/cm2, com tolerâncias de +5% e -10%, seria difícil garantir a pressão contratual em variações normais de vazão em relação ao valor dimensionado para o orifício, pois a queda de pressão é diretamente proporcional à vazão. A instalação do dispositivo porta-placa aumentava consideravelmente os custos e o prazo de implementação; Requer fabricação de novos “spools” para os dois tramos de redução de pressão; Não permitiria a alteração remota do limite de volume pela Central de Controle.

4.2. Controle através de válvula limitadora de vazão em cada tramo do skid de redução

Figura 2. Controle por válvula limitadora de vazão em cada tramo do skid de redução Esta alternativa, apesar de utilizar duas válvulas de controle (uma por tramo) para limitar o volume, tem a vantagem de permitir que a montagem seja feita sem a parada da estação (um tramo por vez). Permite a definição do limite de volume pela CSC, no entanto, o custo elevado e prazo de implantação longo, em função do prazo de fabricação de válvula de controle para o diâmetro dos tramos de redução.

4.3. Controle através de válvula reguladora de vazão na saída do Ponto de Entrega

Figura 3. Controle por válvula reguladora na saída da estação Esta é a opção convencional para limite de vazão em Estações de Entrega. Permite o limite de vazão sem alteração do esquema de redundância das reguladoras de pressão. É a opção definida pela TBG para as novas Estações de Entrega e Estações de Medição. Permite que o operador da CSC defina os limites de vazão remotamente. Para instalações existentes o custo fica alto, pois há necessidade de utilização da técnica de trepanação para instalação da válvula sem necessidade de parada. Considerando que as Estações de Entrega são instaladas ao longo de 2600 km no Gasbol, o custo de logística para construção e montagem do conjunto de válvulas é alto. Para uma nova instalação, estes custos tornam-se marginais.

4.4. Controle pelo Piloto da Reguladora de Pressão

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Figura 4. Controle pelo piloto da reguladora de pressão Esta alternativa surgiu após análise do funcionamento da válvula reguladora instalada nos Pontos de Entrega do Gasbol. Esta análise visava a instalação de um servomecanismo que permitisse alterar de maneira automática o set-point que é definido manualmente no campo. Embora a alternativa de automatização do set-point da válvula não tenha tido sucesso, o conhecimento do funcionamento interno do sistema de pilotagem da válvula indicou que haveria maneira de controlar a quantidade de gás que aciona o atuador para abertura e fechamento de mesma. O sistema de controle testado é composto dos seguintes instrumentos: Computador de Vazão do Ponto de Entrega; Controlador PID no CLP do Ponto de Entrega; Set-point Remoto definido pela Central de Supervisão e Controle; Válvula de Controle no Circuito de Gás de Controle do Atuador; Válvula Reguladora de Pressão; O funcionamento é da seguinte forma. Em condições normais de operação, o sistema de pilotagem da Válvula Reguladora mede a pressão de entrega aumenta ou diminui a quantidade de gás no atuador da válvula para abrir ou fechar a válvula. Caso a pressão de entrega baixe em relação ao definido pelo setpoint local, a pilotagem envia mais gás para o atuador, a válvula abre mais e a pressão volta ao valor previamente definido. Se a pressão de entrega sobe em relação ao definido pelo setpoint local, a pilotagem retira gás do atuador, a válvula reduz abertura e a pressão volta ao valor previamente definido. Com o sistema de limitação instalado, a Válvula de Controle opera normalmente fechada. O Operador da Central de Controle define um valor limite para o volume da estação (Volume Limite). O controlador PID mede continuamente a vazão instantânea e compara com o Volume Limite. Enquanto a vazão instantânea medida estiver menor que o Volume Limite, a saída do Controlador PID permanece em Zero (Válvula de Controle Fechada). Neste caso, o funcionamento da regulagem de pressão é exatamente igual ao descrito acima. Caso a Vazão Instantânea ultrapasse o valor do Volume Limite, o Controlador PID inicia a abertura da Válvula de Controle. O aumento da vazão leva o Sistema de Pilotagem a mandar mais gás para o atuador da Válvula Reguladora. A abertura da Válvula de Controle faz com que o gás seja desviado do atuador e devolvido para a tubulação. Desta forma, a Válvula Reguladora não abre e consequentemente a pressão é reduzida. Considerando que este sistema utiliza instrumentos e acessórios de baixo custo, permite o ajuste fino do volume a ser entregue e não exige necessidade de parada para instalação do mesmo, foi o escolhido pela TBG para instalar nas Estações de Entrega existentes. A única desvantagem desse sistema é que ele só opera quando a válvula reguladora esteja em operação. No caso de falha desta, mesmo com o controle de pressão sendo mantido pela válvula monitora, o sistema de limitação deixa de funcionar. Como a probabilidade de falha desta válvula é muito pequena e a necessidade de limitação de vazão não deve ser em 100% do tempo de operação, esta desvantagem torna-se irrelevante.

5. Alternativa Escolhida – Controle pelo Piloto da Reguladora de Pressão
5.1. Operação do Sistema Instalado pela TBG Em cada tramo da estação de entrega foi instalado um conjunto composto por uma válvula de controle (FV-12), um transdutor I/P, um manômetro e duas válvulas de bloqueio. Para que o Limite de Volume possa operar as válvulas de bloqueio deverão estar abertas. 1- Manômetro; 2- Válvula de bloqueio; 3- Válvula de controle (FV-12); 4

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 4- Transdutor I/P; 5- Válvula reguladora de pressão.

Figura 5. Sistema montado

Figura 6. Diagrama do sistema

O controle da quantidade de gás que está sendo entregue é realizado através de uma malha de controle PID. A malha de controle recebe um valor de setpoint (SP), ou seja, o valor permitido para o consumo programado para o dia e irá atuar na válvula de controle que foi instalada (FV-12) para restringir, ou não, a entrega do gás. Toda vez que o consumo total da estação estiver maior do que o programado, a malha de controle irá abrir a FV12 que provocará o fechamento gradual da válvula PCV-12, limitando o volume de entrega. O controle sempre escreve o mesmo valor de abertura para as válvulas dos dois tramos de redução para evitar que, se algum problema ocorrer, por exemplo, a inversão do tramo operacional, isso não provoque o aumento repentino no volume de entrega podendo danificar a turbina de medição. Para preservar as turbinas de medição foi a instalado uma válvula agulha micrométrica no circuito de descarga das válvulas FV-12. No caso de falta de energia elétrica ou queima do fusível do sinal de saída que atua na malha de controle, a válvula agulha atuará de forma que o fechamento da válvula de controle leve aproximadamente 15 minutos, caso esteja 100% aberta. Desta forma retornando, por tanto, o sistema tradicional de uma Estação de Entrega sem limite de volume, regulando pela pressão operacional de entrega. Quando a malha de controle estiver restringindo o volume de saída da estação, a pressão a jusante da estação de entrega poderá ser reduzida, chegando até mesmo abaixo do valor mínimo estabelecido em contrato caso não ocorra a redução de demanda. Para a realização da calibração contratual dos tramos de medição o Sistema de Limite de Volume deverá ser bloqueado, para isso á válvula FV-12 deverá estar completamente fechada e então as válvulas de bloqueio deverão ser fechadas. Este cuidado é necessário porque durante a calibração, os dois tramos ficam alinhados em série e o volume total de entrega dobra de valor o que provocaria uma restrição na entrega de gás.

5.2. Operação do Sistema pela Central de Supervisão e Controle A operação do sistema tem início quando o controlador da Central de Supervisão e Controle da TBG (CSC) recebe o valor de set-point de vazão máxima para cada estação da TBG. O controlador da CSC, ao receber todos os valores de set-point de vazão máxima para cada estação de entrega que possua o sistema de controle de vazão instalado, insere estes valores no sistema SCADA, colocando o Sistema de Limitação de Volume no modo automático de controle. Toda vez que a vazão da estação de entrega atingir este set-point, as válvulas controladoras de pressão (PCV-12 A/B) passam a atuar como válvulas controladas de vazão, impedindo que a vazão da estação ultrapasse este valor préestabelecido. No fechamento do dia, em função do perfil de consumo, o volume total entregue em cada estação que possua o sistema de controle de vazão ativado será, no máximo, o setpoint definido. No caso de consumo maior do que o definido pelo setpoint, o efeito será notado através da queda de pressão de entrega. No caso em que apenas os picos de consumo sejam superiores ao setpoint, a CDL utilizará o seu estoque para compensar a diferença. 5

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Ressalta-se que, a qualquer instante, o valor de set-point de vazão máxima pode ser reajustado remotamente pela Central de Supervisão e Controle da TBG. 5.3. Telas da CSC 5.3.1 Tela do Ponto de Entrega A tela abaixo representa as instalações de campo dos Pontos de Entrega que possuem o Sistema de Limite de Volume. Além dos itens de uma tela gráfica de um PE convencional temos a representação da malha de controle com a indicação de „Automático/Manual‟ ao lado do botão FIC022 e o modo de emergência pela mudança da cor cinza para vermelho.

Figura 7. Tela do Ponto de Entrega O status do Sistema de Limite de Volume em automático ou manual é dado através da sinalização de uma letra A ou M ao lado do botão de chamada da tela do controle PID. Para visualizar a abertura da válvula de controle que limita o volume de entrega da estação clique no botão FIC022 que aparecerá a tela da malha de controle PID. 5.3.2 Tela do Controle PID As telas da malha de controle (FIC-022) e de configuração são mostradas abaixo.

Figura 8. Tela do controle PID

Figura 9. Tela de configuração do PID

Se observarmos a tela da esquerda para direita temos: 1) Variável de Controle (PV): vazão instantânea de saída total da estação; 2) Set Point (SP): valor máximo de vazão permitido para o consumo do cliente; 3) Variável Manipulada (MV): corresponde ao valor de abertura da válvula de controle FV-12 (A/B); 4) Botão “slider”: Botão deslizante para ajuste do setpoint e da saída. 5) Modo de operação: ao clicar em cima da letra é possível realizar a troca do modo de operação da malha de controle entre automático e manual; 6) Emergência: através deste botão a malha de controle é passada para manual e é realizado o fechamento da válvula de controle, este procedimento será detalhado mais abaixo. Disponível apenas nesta tela, quando acionado ele tem a cor de fundo alterada para vermelho; 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 7) Configurar: ao clicar neste botão é aberta a tela mostrada na Figura 9 com os parâmetros de sintonia da malha de controle (kP, kI e KD) somente para visualização; 8) Gráfico: este botão abre uma tela com o gráfico contendo os últimos valores da vazão instantânea, vazão programada e abertura da válvula de controle. Quando a malha de controle estiver em Manual a FV-12 (A/B) permanecerá na sua posição atual. Neste modo o operador pode abrir ou fechar a válvula deslocando o botão do tipo “slider” ou clicando na caixa de valor e digitando o valor desejado. O valor de atuação na válvula de controle em manual ocorre em passos de no máximo ± 5% do valor máximo da vazão instantânea. Ao inserir um novo valor de abertura para a válvula de controle, é realizado um cálculo da diferença dos dois valores para que a válvula inicie seu deslocamento de forma gradual evitando grandes oscilações na vazão. Sempre que o controle estiver em manual é realizada a cópia do valor da vazão instantânea total para o setpoint, este procedimento é conhecido como “PV Tracking” e assegura que na transição de manual para automático não ocorra variação brusca na válvula de controle. Para a transição de automático para manual foi adotado o “Tie Back”, ou seja, o valor corrente da posição da válvula de controle é copiado para o valor da escrita em manual, garantindo assim que a válvula não mude de posição quando o controle é passado para manual. Com o controle em modo automático, o PID irá sempre procurar manter a vazão instantânea total igual ao valor presente no setpoint. O valor do setpoint pode ser alterado através do deslocamento do botão do tipo “slider”, ou através dos botões incremento e decremento ou ainda através da digitação do valor desejado na caixa de valor. Toda vez que o valor do setpoint for alterado é realizado um cálculo semelhante ao que ocorre com o valor para válvula quando o controlador está em manual, ou seja, o valor do setpoint é alterado de forma gradual para não provocar oscilações bruscas na vazão. Apesar de sempre ser realizada uma rampa para os valores do setpoint, existe uma limitação do valor máximo que pode ser alterado que é de ± 10% sobre o valor corrente, ou seja, se tomarmos como exemplo um setpoint no valor de 100 Mm³/dia o novo valor a ser escrito deve estar entre 90 e 110 Mm³/dia. 5.4. Modo Emergência Como citado acima, ao clicar no botão Emergência, a malha de controle é passada para o modo manual, fica bloqueada para o controlador a mudança da MV e é iniciado o fechamento da válvula de controle FV-12 (A/B) em passos curtos podendo levar até 15 minutos, se a válvula estiver 100% aberta, para o fechamento total. Esse modo foi criado para trazer uma maior segurança para a operação do sistema. Se por algum motivo o controle tiver que ser desabilitado isso poderá ser realizado através deste modo, desta maneira a válvula de controle fecha sem provocar um aumento repentino na vazão, conforme testes já realizados.

6. Testes
Em meados de maio/2007 foi iniciado o processo para a instalação do limite de vazão em mais nove estações iniciando pela Estação de Rio Claro. A modificação definida no projeto piloto resume-se a instalação de duas válvulas de controle entre a motorização das válvulas PCV-012A/B e a posição a jusante das mesmas conforme desenho a seguir: Após a instalação da nova facilidade no PE Rio Claro foram efetuados os testes finais, que são tratados neste documento, realizados em 03 fases conforme segue: Fase I - Comissionamento: Testes em branco das modificações. Fase II - Testes em malha aberta: Testes planejados para avaliar a sensibilidade do processo para com a movimentação das válvulas FV-012A/B. Fase III – Testes em malha fechada: Testes planejados para avaliar o comportamento dinâmico da solução e o desempenho da malha de controle quanto a sua capacidade de manter a vazão da Estação de Entrega abaixo de um valor pré fixado. 6.1. Teste em Manual 6.1.1. Comissionamento O comissionamento das instalações foi efetuado em 28/09/2007 e incluiu as seguintes atividades: Verificação de possíveis vazamentos; Instalado cartão ethernet no CLP para acompanhamento dos dados de processo e da malha durante os testes; 7

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Carga do novo software no CLP; Acionamento da válvula FV-012A a partir do CLP com acompanhamento da movimentação da válvula em campo para os seguintes valores: 0%, 50% e 100%; Acionamento da válvula FV-012B a partir do CLP com acompanhamento da movimentação da válvula em campo para os seguintes valores: 0%, 50% e 100%. As novas instalações foram consideradas satisfatórias e imediatamente iniciou-se o teste em malha aberta. 6.2 Teste em Malha Aberta O teste em malha aberta foi realizado em 28/09/2007. Para este teste foram estabelecidas as seguintes condições operacionais: Tramo de redução A: Tramo de redução alinhado. Válvula FV-12A bloqueada. Tramo de redução B: Tramo de redução alinhado. Válvula FV-12B alinhada. Para uma proteção adicional da turbina no skid de medição a TBG solicitou que ambas as turbinas fossem alinhadas em paralelo de modo a dividir o fluxo entre ambas. Neste teste foi realizado o incremento manual na saída do PID em passos de 10% até o total fechamento e em seguida a abertura da válvula em passos de 2,5% em intervalos de 1 minuto. HORÁRIO 10:20 Início do teste 10:26 Iniciado o incremento manual na saída do PID 10:47 A saída do PID chega em 100 % 10:50 Iniciado o decremento manual na saída do PID 11:33 Pausa para estabilização da vazão 11:53 Fim do teste O gráfico das diversas variáveis monitoradas durante o teste pode ser observado a seguir.

Figura 10. Resultados do teste em malha aberta 6.3. Teste em Malha Fechada 6.3.1 Tramo de redução A bloqueado e Tramo B alinhado Para este teste foram estabelecidas as seguintes condições operacionais: Tramo de redução A bloqueado - Set da PCV-012A = 33 Kgf/cm2 - Válvula FV-12A bloqueada. Tramo de redução B alinhado - Set da PCV-012B = 35 Kgf/cm2 - Válvula FV-12B alinhada. Somente o FT-022B alinhado. Foram definidos diversos set points conforme tabela abaixo, sendo que ao final do teste aguardou-se o período de 17:25:20 até 17:56:00 para que o reempacotamento do gasoduto da concessionária a jusante do PE Rio Claro. HORÁRIO 16:44:50 Enviado novo SP – 1250 km3 16:48:05 Enviado novo SP – 1240 km3 17:05:00 Enviado novo SP – 1190 km3 17:17:05 Enviado novo SP – 1300 km3 8

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 17:25:20 Enviado novo SP – 1500 km3 17:34:20 Enviado novo SP – 1600 km3 6.3.2 Tramo de redução A alinhado e Tramo B bloqueado

Para este teste foram estabelecidas as seguintes condições operacionais: Tramo de redução A alinhado - Set da PCV-012A = 35 Kgf/cm2 - Válvula FV-12A alinhada. Tramo de redução B bloqueado - Set da PCV-012A = 33 Kgf/cm2 - Válvula FV-12B bloqueada. Somente o FT-022B alinhado. Foram definidos diversos SP conforme tabela abaixo, sendo que ao final do teste aguardou-se o período de 18:12:10 até 18:28:20 para que o reempacotamento do gasoduto da concessionária a jusante do PE Rio Claro. HORÁRIO 17:34:20 Enviado novo SP – 1600 km3 17:56:00 Enviado novo SP – 1370 km3 18:01:50 Enviado novo SP – 1300 km3 18:03:55 Enviado novo SP – 1200 km3 18:12:10 Enviado novo SP – 1600 km3 18:15:55 Enviado novo SP – 1700 km3 6.3.3 Tramos de redução A e B alinhados Para este teste foram estabelecidas as seguintes condições operacionais: Tramo de redução A alinhado - Set da PCV-012A = 35 Kgf/cm2 - Válvula FV-12A alinhada. Tramo de redução B alinhado - Set da PCV-012A = 34 Kgf/cm2 - Válvula FV-12B alinhada. Somente o FT-022B alinhado.. Foram definidos diversos SP conforme tabela abaixo, sendo que ao final do teste aguardou-se o período de 19:05:55 até 19:16:30 para que o reempacotamento do gasoduto da concessionária a jusante do PE Rio Claro. HORÁRIO 18:15:55 Enviado novo SP – 1700 km3 18:28:20 Enviado novo SP – 1340 km3 18:37:30 Enviado novo SP – 1200 km3 18:47:20 Enviado novo SP – 1100 km3 18:55:20 Enviado novo SP – 1000 km3 19:02:15 Enviado novo SP – 1200 km3 19:04:25 Enviado novo SP – 1400 km3 19:05:55 Enviado novo SP – 1600 km3 19:16:30 Enviado novo SP – 1700 km3 Para apreciação do comportamento dinâmico da malha de controle apresentamos a seguir um gráfico das três condições de teste.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 Figura 11. Resultado dos três testes 6.3.4. Observações dos Testes Chamamos a atenção para os seguintes aspectos do gráfico: As rápidas variações de vazão ao redor das 17:48 e 18:20 são conseqüências dos realinhamentos dos tramos de redução de pressão entre os testes. Observa-se uma aparente não linearidade da atuação das válvulas FV-012A/B ao longo de sua excursão. Verificou-se ligeiro overshooting nas atuações ao redor das 18:04 e 18:25 ambos na redução no valor do set point. No intervalo entre as 18:42 e 18:52 e no intervalo entre as 19:08 e as 19:14 a curva da pressão cruzou o valor de 34 Kgf/cm2 quando a PCV-012B, no momento o tramo B era o reserva, começou a atuar em motivo da queda de pressão a jusante do PE Rio Claro. Não observou-se nenhum movimento brusco tanto na vazão como na pressão. Observa-se um atraso significativo entre modificações no valor do set point e o tempo que a vazão leva para atingir o novo valor desejado. 6.4. Conclusão dos Testes e Sugestões Com os resultados obtidos nos testes as seguintes ações são sugeridas: O resultado dos testes atendeu a expectativa permitindo por parte da TBG o efetivo Limite de Vazão de modo a manter a demanda do cliente dentro dos limites contratuais/operacionais. Observa-se na atuação em automático uma movimentação das variáveis de forma suave o que confirma a exatidão da decisão em seleção de parâmetros de sintonia com baixa velocidade da malha, e em casos de necessidade sempre há a possibilidade de uma ação mais incisiva por parte da operação em condição manual. A ação de ambas as válvulas de controle de vazão comandadas por um único controle PID mostrou-se satisfatória, a divisão da malha em duas nos parece que deve ser analisa mais sob a ótica da operação do que da do controle propriamente dito. A partida da malha de controle ainda nos parece um pouco lenta, deste modo assim que as novas válvulas estiverem disponíveis sugerimos a instalação das mesmas e repetição dos testes na nova condição. Sugerimos a alteração do tempo da rampa da escrita do set point de modo a reduzir a chance de ocorrência de overshooting.

7. Conclusão
A Solução de realizar o controle de vazão pelo piloto da válvula reguladora se mostrou muito eficiente e é uma solução de baixo custo para Pontos de Entrega que estão em operação. Para os futuros Pontos de Entrega, a TBG irá optar pela solução de controlar a vazão na saída da estação através de uma válvula de controle. Com a instalação desse sistema a TBG irá controlar 61,3% da vazão total do gasoduto.

8. Referências
1. 2. 3. 4. Manual de Utilização do Limite de Volume – TBG SA; Relatório de Teste do Limite de Vazão – TBG AS; Descritivo do Sistema de Limitação de Vazão das Estações de Entrega – TBG AS: Techinal Manual MT103 – REFLUX 819/FO – Pietro Fiorentini;

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