IBP1657_12 MODELAGEM PARA SELEÇÃO DE BROCA E PARÂMETROS EM PERFURAÇÃO HORIZONTAL NOS CARBONATOS DA FORMAÇÃO MACAÉ RESULTA EM ÓTIMO DESEMPENHO

Araken D. R. Lima1, Márcia C. Machado2, Sergio Flores3, Diogo S. D’Oliveira4
Copyright 2012, Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis - IBP Este Trabalho Técnico foi preparado para apresentação na Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012, realizado no período de 17 a 20 de setembro de 2012, no Rio de Janeiro. Este Trabalho Técnico foi selecionado para apresentação pelo Comitê Técnico do evento, seguindo as informações contidas no trabalho completo submetido pelo(s) autor(es). Os organizadores não irão traduzir ou corrigir os textos recebidos. O material conforme, apresentado, não necessariamente reflete as opiniões do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, Sócios e Representantes. É de conhecimento e aprovação do(s) autor(es) que este Trabalho Técnico seja publicado nos Anais da Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012.

Resumo
Para a previsão do comportamento de um sistema de perfuração é preciso fazer uma análise numérica dinâmica que integre todos os componentes deste sistema visando uma avaliação das forças resultantes da combinação de diversos fatores como resistência da rocha, ação das estruturas de corte, parâmetros operacionais, configuração do BHA e outros componentes do processo de perfuração. Este tipo de estudo deve prever as vibrações e forças atuantes na coluna de perfuração, desde a broca até a superfície, identificar suas origens e efeitos, e fornecer as soluções mais apropriadas para reduzir essas vibrações. Também deve ser capaz de melhorar a dirigibilidade do sistema, a taxa de perfuração e identificar possíveis problemas relacionados a torque e momento fletor gerados na coluna, substituindo a metodologia de tentativa e erro em campo através de uma abordagem virtual e, assim, minimizando os riscos operacionais. Este trabalho tem como objetivo apresentar um estudo realizados no Brasil para a fase de 8½” do poço K2, localizado na Bacia de Campos, comparando os dados obtidos da perfuração realizada do poço em questão com aqueles das simulações numéricas e do poço de correlação.

Abstract
For the performance in order to predict the behavior of a drilling system is necessary a dynamic numerical analysis that integrates all components of this system to evaluate the resultant forces from several factor combinations as the rock strength, bit cutting structures, drilling parameters, BHA configuration and other drilling tools. This study must also predict the drill string vibrations and internal forces, from bit to surface, and provides the most appropriate solution to minimize these vibrations. It must be able to improve the drilling system steerability, rate of penetration and identify potential problems as high torque and bending moments, replacing the field trial and error method by a numerical approach to minimize the field operational risks. This paper aims to present a optimization study conducted in Brazil for the K2 well 8½” section, in Campos Basin, and compare the data from drilling operation to the numerical drilling simulations and off set well data.

1. Introdução
Uma operação com êxito de perfuração de poços de petróleo demanda uma previsão do comportamento dinâmico de um sistema de perfuração (broca, alargador, BHA e tubos de perfuração), como as vibrações laterais e axiais, a tendência direcional, os valores dos torques, momentos fletores e as taxas de penetração. Na maioria dos casos, cada componente do sistema é estudado separadamente e depois, com a utilização de simplificações, o efeito de um sobre o outro é determinado. Para uma previsão, mais próxima da realidade quanto possível, do desempenho do sistema de perfuração é necessária uma modelagem numérica que integre todos os componentes visando o entendimento das forças que atuam no sistema, resultantes da combinação entre a resistência da rocha, a ação das estruturas de corte, os

______________________________ 1 Ph. D., Engenheiro IV/i-DRILL - Schlumberger 2 Administradora de Empresas, Representante de Vendas – Schlumberger 3 Engenheiro Mecânico, Drilling Manager – OGX 4 Engenheiro Mecânico, Drilling Engineer – British Petroleum

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 parâmetros de operação, o BHA e o restante da coluna de perfuração. O estudo do comportamento dinâmico de todo o sistema de perfuração em conjunto é possível com uma análise tridimensional no tempo com o método dos elementos finitos, que utilize modelos de mecânica das rochas baseados em ensaios de laboratórios para a interação entre a estrutura de corte e a formação a ser perfurada. Tal estudo prevê para toda a coluna de perfuração, desde a broca até a superfície, as vibrações, forças internas, torções axiais e momentos fletores, suas origens e seus efeitos, e também a dirigibilidade do sistema, para que com isso se possa determinar a broca, o BHA e os parâmetros de perfuração mais indicados para a corrente aplicação, eliminando a abordagem de tentativa e erro e os riscos da operadora, como já discutido por Frenzel (2007) e Alasksen et al. (2006). Esta metodologia, utilizada para definir uma broca, BHA ou conjunto de parâmetros de perfuração para a realização do poço em campo, é realizada com alto grau de precisão (Lima et al., 2008), o que torna confiável a utilização das ferramentas selecionadas pelo estudo dinâmico. Este artigo apresenta o estudo dinâmico realizado para a otimização para perfurar a seção horizontal de 8½” do poço K2 nos carbonatos da formação Macaé na Bacia de Campos. O principal objetivo do estudo foi selecionar a broca mais apropriada para trabalhar com um determinado BHA e fornecer uma faixa de parâmetros operacionais para maximizar taxa de penetração em condições estáveis de vibração sem sacrificar os requerimentos direcionais do projeto do poço. Um ajuste prévio do modelo numérico com os dados de um poço de correlação geológica, o K1, conferiu um grau maior de precisão às análises feitas já que os efeitos das mudanças de estrutura de corte e parâmetros puderam ser investigadas quantitativamente no sistema. Os dados obtidos da perfuração realizada do poço em questão pela operadora serão comparados com aqueles das simulações numéricas e do poço de correlação. A importância da realização de uma perfuração bem sucedida, sem problemas mecânicos e de controle direcional, da fase 8½” horizontal do poço em questão estava em ser o K2 o primeiro poço da campanha de desenvolvimento do bloco, representando seria um desafio para a companhia operadora. Objetivava-se perfurar a seção em uma única corrida (1000m em calcário com média a alta resistência à compressão simples), cumprindo as condições direcionais, com máxima taxa de penetração em condições estáveis para não comprometer ou danificar os componentes da coluna.

2. Análise Dinâmica Realizada
As simulações numéricas dinâmicas realizadas para a recomendação de broca e parâmetros de perfuração (peso sobre a broca, WOB, e velocidade de rotação na superfície) para perfurar a fase horizontal do K2 avaliaram o comportamento de todo o sistema de perfuração de forma integrada considerando as vibrações laterais, axiais e torsionais na broca, as vibrações laterais na ferramenta direcional, sensores e estabilizadores, o torque total na broca e na superfície, a taxa de penetração (ROP) instantânea na condição estável de perfuração (baixos níveis de vibrações na broca) e análise direcional (tendência de ganho ou perda de ângulo e desvio). 2.1. Dados para as Simulações Numéricas As simulações foram realizadas admitindo calibre do poço constante, hidráulica suficiente para a limpeza do poço. Foi considerada a lâmina d’água de 130m, altura da mesa rotativa de 25m e o riser de perfuração com diâmetro interno de 19½”. Foi usado um revestimento combinado de 10¾” (60,7ppf e P110), no intervalo de profundidade medida de 155m a 3240m, e de 9 5/8” (47ppf e P110), de 3240m a 3700m. Para o poço aberto horizontal, intervalo de 3700m a 4652m (Figura 1), utilizou-se fluido sintético de perfuração com peso de 9,8ppg. A profundidade medida (MD) de 4650m (inclinação 102,45º e azimute de 65,92º) foi utilizada para início modelagem numérica de perfuração, considerando a rocha a perfurar como um calcário com resistência à compressão não confinada (UCS) de 15 a 20kpsi.
2500 2600 2700 2800 TVD (m) 2900 3000 3100 3200 3300 3400 3500 MD 3700m Broca MD 4650m

Figura 1. Trajetória horizontal projetada para a seção horizontal de 8½”. 2

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 O BHA rotativo com sistema direcional tipo point the bit apresentado para o projeto do poço e utilizado nas simulações numéricas é mostrado na Tabela 1. Tabela 1. BHA de projeto e simulado Componentes Broca PDC 8½” Direcional point the bit com estabilizadores 8 3/8” Colar flexível Sensor-1 com dois estabilizadores 8¼” Sensor-2 6¾” Sensor-3 com estabilizador 8¼” Sensor-4 6¾” Estabilizador não magnético 8 3/8” Colar não magnético 6¾” Colar curto não magnético 6¾” Colar 6¾” (4 juntas) Martelo 6½” Colar 6¾” (3 juntas) HWDP 5” (12 juntas) Tubos de perfuração 5” e 19½ppf A Figura 2 mostra a broca PDC utilizada nas simulações. Ela foi selecionada, dentre três opções de broca PDC analisadas numericamente neste projeto, como a mais estável, com melhor taxa de penetração e controle direcional. Esta broca, com make-up length (comprimento) de 9,8125”, possui diâmetro de 8½”, 6 aletas, estrutura de corte, feita de material de última geração, com 37 cortadores sendo 31 de 16mm e 6 cortadores de repasse (backreaming) de 13mm, e limitadores de profundidade para reduzir o torque produzido pela estrutura de corte. Ela tem uma configuração hidráulica padrão, ou seja, um jato por aleta, totalizando 6 jatos. Esta configuração busca uma melhor limpeza do fundo do poço, evitando assim um retrabalho dos cascalhos.

Figura 2. Broca PDC 8½” de 8 aletas e cortadores principais de 16mm.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 2.2. Ajuste do Modelo Numérico com o Poço de Correlação Geológica K1 O objetivo do ajuste do modelo numérico é identificar as condições de perfuração do conjunto broca-BHAcoluna mais próximas possíveis da realidade ocorrida no poço de correlação para um determinado cenário litológico (profundidade e litologia). Alcançado este objetivo, as condições encontradas são utilizadas nas simulações para o poço de interesse. Esta é uma etapa complexa e importante do processo de modelagem numérica e não fazê-la pode ou não levar a resultados duvidosos para o poço de projeto. Dependendo do objetivo do projeto, o ajuste do modelo pode considerar informações do poço de correlação como os níveis de vibrações axiais, torsionais e laterais no sensor, a taxa de penetração instantânea, a litologia perfurada e sua resistência, as condições finais das estruturas de corte, ferramentas do BHA e dos estabilizadores, dentre outras. No presente trabalho, o ajuste do modelo foi realizado para a ROP instantânea do poço de correlação K1 na profundidade medida de 4020m a 4025m. Neste ajuste foram utilizados dados do poço K1 de litologia, calcário com UCS de 15kpsi a 20kpsi, velocidade de rotação (28rpm), WOB (24,6klbf) e broca. O resultado obtido do ajuste do modelo numérico foi de: ROP do ajuste de 3,81m/h (12,5ft/h) para ROP medida do K1 de 3,86m/h (2,66ft/h).

3. Perfuração Realizada
A seguir serão apresentadas comparações entre as informações obtidas da sperfuração da fase de 8½” realizada com os dados obtidos das simulações numéricas, do poço de correlação e com o tempo estimado em projeto para alcançar o fim da fase. 3.1. Comparação dos Resultados das Simulações com os Dados Obtidos no Poço K2 As simulações numéricas realizadas para fase de 8½” horizontal, na profundidade medida de 4650m (inclinação 102,45º e azimute de 65,92º), recomendaram a perfuração do calcário homogêneo (UCS 15 a 20kpsi) com a broca e o BHA apresentados na Tabela 1 e Figura 2, respectivamente, e com o WOB de 10klbf e velocidade de superfície de 140rpm. Com esta configuração de perfuração, foi estimado que a perfuração resultaria em: a) Baixos níveis de vibração lateral na broca e no sensor; b) Baixos a médios níveis de vibração torsional ou até altos se o WOB fosse maior do que 10klbf; c) Tendência direcional com taxa de construção de ângulo (BUR) 0,21º/100ft e desvio (walk) de 0,46º/100ft; d) Torque médio na broca de 5,1klbf e pico de torque na superfície de 10,16klbf; e e) Taxa de perfuração instantânea média de 2,3m/h. A Figura 3 compara a trajetória perfurada com aquela planejada para a seção de horizontal do poço K2. Considerando que é quase impossível encontrar as condições ideais de projeto durante a operação de perfuração e as possíveis modificações deste durante a sua realização, estas duas trajetórias são consideradas com traçados similares.
3250 TVD (m) 3275 3300 3325 3350 MD 4650m K2 planejado K2 perfurado

MD 4600m MD 4700m

Figura 3. Trajetória utilizada nas simulações numérica, curva verde, e a perfurada, curva vermelha. Para a realização de uma comparação dos resultados das simulações numéricas em MD4650m com os dados obtidos do poço K2, foram utilizadas as informações da perfuração realizada no intervalo de profundidade medida de 4600m a 4700m. A comparação é feita desta forma, pois não é possível encontrar as exatas condições consideradas no projeto e simulações do K2 na profundidade de MD4650m da seção perfurada. Na Figura 3, na trajetória simulada o ponto marca a profundidade MD4650m onde as simulações foram realizadas e na trajetória perfurada os pontos marcam o início (MD4600m) e o final (MD4700m) do intervalo de onde foram obtidos os dados para a comparação. O intervalo usado para a comparação também é destacado por duas linhas tracejadas na cor laranja na Figura 4, que mostra da fase de 8½” horizontal realizada os seus dados de perfuração: a ROP instantânea, peso sobre a broca, velocidade de rotação, torque de fundo e na superfície e os níveis de vibração lateral e torsional. Desta figura tem-se que os níveis de vibração medidos nos sensores são baixos para a lateral e variam de baixos a médios para a torsional e stickslip. Este resultado ficou de acordo com as previsões numéricas realizadas. A Figura 5 mostra o histograma do peso aplicado sobre a broca e da velocidade de rotação no intervalo de MD4600m a MD 4700m. Observa-se o WOB (7,5±3)klbf e a velocidade (146±6,6)RPM aplicados ficaram em torno dos valores de 10klbf e 140rpm recomendados pelas análises numéricas de otimização.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012

Figura 4. Dados obtidos da perfuração da fase horizontal de 8½” do poço K2: ROP instantânea, WOB, velocidade de rotação, torque e vibrações lateral, stick-slip e torsional, respectivamente. A variação dos valores obtidos de torque no fundo do poço e na superfície de (2,6±1,1)klbf.ft e de (9,3±0,8)klbf.ft, respectivamente, são mostrados na Figura 6. Os valores calculados de torque médio na broca de 5,1klbf e pico de torque na superfície de 10,16klbf pelas simulações numéricas estão bem próximos dos realizados em campo. Os valores para a variação da taxa de penetração instantânea obtidos na perfuração do intervalo MD4600m a MD 4700m são apresentados na Figura 7. Tem-se que a ROP média realizada de 8m/h, aproximadamente, ficou acima de 2,3m/h, o valor estimado pela análise numérica. Como anteriormente relatado, o torque de fundo e a taxa de perfuração instantânea obtidos na perfuração ficaram a baixo e a cima, respectivamente, dos valores estimados pela análise numérica. Isto provavelmente ocorreu devido à broca, durante perfuração no intervalo em questão, ter encontrado em alguns trechos uma rocha um pouco menos resistente do que a estimada. Do registro direcional do poço K2, tem-se uma tendência em se manter a horizontalidade da trajetória em torno da profundidade media MD4650m com a inclinação (89,86º a 90,2º) e a direção (75,78º a 66,36º) tendo uma pequena variação, como ilustrado na Figura 3. Ainda em torno da profundidade em questão, foi obtida uma taxa de construção de ângulo e de desvio de 0,32º e 0,27º que são valores próximos daqueles estimados pela análise numérica.

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MD(4600 - 4700)m 0.18 (7.5 ± 3)klbf 0.16

MD(4600 - 4700)m 0.1 (146 ± 6.6)rpm 0.09

0.14

0.08

0.07
0.12 Frequência relativa

Frequência relativa

0.06

0.1

0.05

0.08

0.04

0.06

0.03
0.04

0.02

0.02

0.01

0 0 2 4 6 8 10 12 WOB (klbf) 14 16 18 20

0 120 124 128 132 136 140 144 RPM 148 152 156 160 164

Figura 5. Valores de campo de peso sobre a broca, à esquerda, e de velocidade de rotação, à direita.
(4600 - 4700)m 0.3 0.5 (4600 - 4700)m

0.45 0.25 0.4 (2.6 ± 1.1)klbf.ft 0.35 0.2 Frequência relativa Frequência relativa 0.3 (9.3 ± 0.8)klbf.ft

0.15

0.25

0.2

0.1 0.15

0.1 0.05 0.05

0 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5 Torque no fundo (klbf.ft) 5 5.5 6 6.5 7

0 4 5 6 7 8 9 10 11 Torque na superfície (klbf.ft) 12 13 14

Figura 6. Valores de campo de torque no fundo do poço, à esquerda, e de torque na superfície, à direita.
(4600 - 4700)m 0.16 (7.9 ± 5)m/h 0.14

0.12

Fraquência relativa

0.1

0.08

0.06

0.04

0.02

0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 ROP (m/h) 20 22 24 26 28 30

Figura 7. Variação da taxa de perfuração instantânea obtidas na perfuração do intervalo de MD4600m a MD4700m. 6

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.2. Comparação entre a Perfuração do Poço de Correlação K1 com a Realizada para o Poço K2 Como já dito, a broca PDC com 6 aletas e cortadores de 16mm apresentada na Figura 2 foi selecionada, dentre três opções de broca, com a mais estável, com menores níveis de vibração, e com melhor ROP instantânea. Esta única broca perfurou toda a fase horizontal de 8½” do poço K2 (intervalo de 1000m) em três corridas, representadas na Figura 4 pela faixa horizontal rosa (Corrida 1), amarela (Corrida 2) e verde (Corrida 3). Foi necessária a realização da perfuração desta fase em três corridas devido a problemas operacionais, cuja discussão não faz parte do objetivo deste trabalho, e não a problemas relacionadas com a broca ou qualquer outra recomendação feita pelas análise numérica de otimização. Como mostra a Figura 8, após finalizar a terceira corrida a broca foi retirada do poço sem desgaste. A Tabela 2 compara a broca PDC corrida na fase de 8½”do poço K2 com aquela corrida na mesma fase do poço de correlação. A broca corrida no K1 foi uma de 6 aletas, sendo 3 delas com dupla fila de cortadores, e diâmetro dos cortadores de 13mm, ela perfurou 116m com ROP de 3,3m/h. Já a broca corrida no K2 perfurou 1000m em três corridas com uma ROP média de 5,93m/h, isto é, uma 8,6 vezes maior com uma ROP média 1,8 vezes maior. Outra comparação entre estas duas brocas pode ser vista na Figura 9, onde nota-se que a broca corrida no K2 não apresenta cortadores desgastados e que aquela corrida no K1 apresenta cortadores com desgaste possivelmente produzido por vibração.

Figura 8. Broca PDC utilizada na fase de 8½”do poço K2 após finalizar a última corrida. Tabela 2. Comparação entre a broca 8½” PDC corrida no poço K1 (correlação) com a do K2. Poço K1 K2 Broca 8 aletas/cortador 13mm 6 aletas/cortador 16mm Corrida única 1 2 3 Perfurado (m) 116 26 257 717 ROP (m/h) 3,3 6,5 4,3 7,0 Desgaste 1-2 0-0

Figura 9. Comparação entre a broca 8½” PDC corrida no poço K2, borda verde à esquerda, com a do K1 (correlação), borda azul à direita.

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Rio Oil & Gas Expo and Conference 2012 3.3. Comparação entre o Tempo Estimado e o Executado para a Perfuração do Poço K2 A Figura 10 compara o tempo de previsão com o realizado na perfuração da fase de 8½” do poço K2. Como mostra esta figura, esta perfuração foi realizada em três corridas com a mesma broca, uma corrida sa mais do que planejado. Como já mencionado, as três corridas realizadas foram devido a problemas operacionais, cuja discussão não faz parte do objetivo deste trabalho, e não a problemas relacionadas com a broca ou qualquer outra recomendação feita pelas análise numérica de otimização. Tem-se também a perfuração da fase alcançou a profundidade final de MD4746m em 8,6 dias e que era estimado alcançar a profundidade final de MD4808m, apenas 60m a mais, em 11,9 dias. Houve uma economia de 3,3 dias desde o início da perfuração da fase até a profundidade final.
Fase de 8 1/2" horizontal 3600 3800 4000 MD (m) 4200 4400 4600 4800 5000 0 1 2 3 4 5 6 7 Tempo (dia) 8 9 10 11 12 13 8.6 K2 planejado K2 executado

11.9

Figura 10. Comparação entre o tempo total de perfuração planejado, curva azul, com o executado, curva vermelha, para a fase de 8½” do poço K2.

4. Conclusões
O projeto em questão alcançou o seu objetivo de conseguir completar a seção em uma corrida, cumprindo os objetivos direcionais, com máxima taxa de penetração em condições estáveis para não comprometer ou danificar a estrutura de corte da broca e os componentes da coluna de perfuração. Devido à complexidade de uma perfuração horizontal, as recomendações fornecidas pelo estudo numérico contribuíram significantemente para o sucesso deste projeto. Os dados fornecidos pelas análises numéricas apresentaram boa precisão em relação ao ocorrido no poço perfurado. As diferenças encontradas entre as previsões e o ocorrido ficaram dentro de uma margem de erro pequena e bastante satisfatória, apesar do ajuste numérico do modelo ter sido feito de uma forma simples, apenas com a ROP instantânea. O comprometimento da operadora em utilizar os parâmetros de perfuração, broca e BHA recomendados pela análise numérica de otimização para a perfuração do cenário litológico em MD4650m foi um fator importante para a boa operação de perfuração e a validação do estudo numérico realizado.

8. Referências
FRENZEL, M. P. Dynamic simulations provide development drilling improvements. Offshore Technology Conference , Houston, Texas, U.S.A., 30 April–3 May 2007. ASLAKSEN, H., ANNAND, M., DUNCAN, R., FJAERE, A., PAEZ, L., TRAN, U. Integrated FEA modeling offers system approach to drillstring optimization. IADC/SPE Drilling Conference Held in Miami, Florida, U.S.A., 21–23 February 2006. LIMA, A., PLÁCIDO, J. C. R., PERCY, J. G., FALCÃO, J., FREIRE, H., ONO, E. H., MÁSCULO, M., S., AZUAGA, D., FRENZEL, M. Análise integrada do comportamento dinâmico da coluna de perfuração no campo de Mexilhão e Marlim Leste. Rio Oil & Gas Expo and Conference, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, setembro 2008.

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