Rinite crônica ou linfoma nasal: quando e como fazer o diagnóstico diferencial? .

Manifestações clínicas como secreção nasal e outros sinais de doença nasal são freqüentemente encontrados no paciente felino, sendo que diferentes causas de base podem ser responsáveis pela doença nasal crônica e, o estabelecimento do diagnostico específico é crucial para um manejo adequado. As características clínicas e a investigação diagnóstica são utilizadas para fazer um diagnostico definitivo. As causas comuns de doença nasal incluem: infecções (mais comumente viral) a qual podem levar a rinite crônica; neoplasia; trauma, corpo estranho; defeitos anatômicos como uma narina estenosada ou fenda palatina; fistula oronasal e doença dental. Alterações nasofaringeanas como um pólipo ou estenose nasofaringeana podem levar a sinais clínicos similares, em particular estertor, e deveriam ser incluídas no diagnostico diferencial. A rinite crônica e neoplasia nasal são as causas mais comuns de doença nasal crônica em gatos. Ambas afecções possuem sintomas muito semelhantes, podendo muitas vezes confundir o clínico durante o atendimento. Segundo levantamento realizado por Henderson et al (2004), o linfoma nasal é o diagnostico mais comum dentre as doenças nasais em felinos, sendo seguido em segundo lugar pela rinite crônica. A rinite crônica felina é um desafio diagnóstico e terapêutico, sendo que o histórico e sinais clínicos da doença incluem secreção nasal, espirros e respiração ruidosa. Até que seja feita uma completa avaliação diagnóstica, a etiologia freqüentemente não é definida. O tratamento raramente é curativo, particularmente em gatos com doença crônica não específica. Além disso, o tratamento frequentemente é empírico e geralmente não são baseados na avaliação citológica e histológica das lesões.(Michiels, 2003). As manifestações clínicas mais comumente observadas nos casos de doença nasal são: secreção nasal que pode ser serosa, mucopurulenta ou hemorrágica, podendo ainda ser uni ou bilateral, espirros. O tipo e a localização da secreção nasal pode ajudar a limitar o diagnostico diferencial. A secreção unilateral pode ser vista nos casos de corpo estranho, neoplasia

e doença dental. Já a secreção bilateral é a mais comumente vista e não ajuda a definir a causa da rinite. A secreção nasal mucopurulenta é a mais comum resultando da infecção bacteriana secundária de um grande numero de causas primárias de rinite. A secreção nasal serosa não é comum, mas está presente nos casos de rinite alérgica ou no inicio de uma infecção viral. Esta secreção freqüentemente sofre modificação para o tipo mucoide ou mucopurulenta quando persiste a causa de base da doença. A presença de sangue intermitente na secreção mucopurulenta pode ser observada em diversos casos devido ao rompimento de vasos sanguíneos. A epistaxe não é comumente vista em gatos, mas está presente nos gatos com doença intranasal agressiva que cause a erosão de vasos sanguíneos (como ocorre nos casos de neoplasias e inflamações) ou na presença de coagulopatias. A presença de conteúdo alimentar na secreção nasal pode estar associada a fistula oronasal ou fenda palatina. Nos gatos com linfoma nasal é mais comum a secreção ser unilateral e hemorrágica, e nos casos de rinite crônica a secreção normalmente é bilateral e mucopurulenta ou serosa. Mas isto não é uma regra, podendo confundir o clínico.(Henderson, 2004). Pode ocorrer deformidade facial na região do plano nasal nos gatos com neoplasia nasal ou doença fúngica. Estes pacientes, com doença nasal, são freqüentemente um desafio diagnostico. Doenças sistêmicas como a síndrome de hiperviscosidade, policitemia e

trombocitopenia, podem levar a secreção nasal e devem ser descartadas, sendo então necessária a realização de hemograma, perfil bioquímico e exame de urina. Nos casos de epistaxe, o perfil de coagulação deve ser realizado para verificar a presença de coalgulopatias. A pressão sanguínia também deve ser verificada se houver a suspeita de hipetensão. O teste sorológico para detecção de antígeno do Cryptococcus deve ser realizada se as manifestações clínicas forem sugestivas da doença. Se houver suspeita de pneumonia, a radiografia torácica é necessária. A cultura fungica ou bacteriana da secreção nasal pode não ser util devido as bactérias contaminantes que são isoladas, mas uma cultura profunda da narina pode ter valor diagnostico naqueles pacientes onde existe a suspeita de rinosinusite. Para a maioria dos gatos com doença nasal, seja a rinite crônica ou linfoma nasal, a rinoscopia e biopsia nasal são muito

importantes para chegar ao diagnostico definitivo, e desta forma escolher o tratamento adequado para o paciente em questão. Todo felino que apresente secreção nasal crônica, seja ela mucopurulenta, serosa ou hemorrágica, deveria ser suspeito de rinite ou linfoma nasal, pois estas são as mais freqüentes entre as doenças nasais que acometem os felinos.