QUANDO EU TIVE O MEU PRIMEIRO COMPUTADOR A ideia de ter meu primeiro computador estudantil, não assenta na tese de que

este seja o meu primeiro computador na vida, mas assenta na tese de que este seja o primeiro computador em que soei para o ter, isto é, um computador que comprei por esforço próprio. Eis a história de como foi a compra do meu primeiro computador. Desde que fui roubado o computador da escola, que o tive por meio da bolsa, o computador começou a desvincular-se, na minha vida, como algo fundamental para a minha formação. Aliás, como instrumento fundamental para a minha autoformação. Portanto, desde a data de dez (10) de Novembro de 2011 – data em que fui roubado computador da escola – o computador revela-se em mim uma fonte primária e principal para a minha formação. Então, como farei para ter um? Pergunta difícil para um rapaz de uma família pobre, com problemas enormes (minha querida mãe doente, meu querido sobrinho sofrendo pela ininteligência da mãe – minha irmã – e esta, consequentemente, sofrendo pela falta de um lar, dentre outros problemas particulares que se entrecruzavam na mesma cabecinha). Aos 29 de Dezembro de 2011, às zero (0) horas e poucos do dia, a minha querida mãe padecia no hospital provincial de gaza – soava os seus últimos suspiros nesta terra que a viu nascer. Partia sem dizer adeus como quando veio sem dizer o que vinha fazer, assim minha querida mãe nos deixava (nós os três – eu, minhas duas irmãs e mais eu) -, era sofrimento, humilhação extrema que batia a porta das nossas vidas, era um desafio caminhar numa longa estrada sem mestres nem directrizes. Era, na verdade, eu mais eu á só. Estava deitado no mundo, sem apoio, sem família, sem namorada, sem companheira, sem amigos, sem mais eu – assim como a minha mãe veio ao mundo, nua como todos nos viemos! A crise de 1929 entrou pela porta da frente em minha casa, mas a minha família e a vida ainda tinham um propósito para mim – a Universidade, a besta filosofia que não emprega, mas ensina. Mas como estudaria e viveria em Maputo (uma cidade capitalista) sem capital? É ai que entra a minha irmã como tutora financeiro-sentimental. Financia os meus caprichos, financia os meus estudos, financia a minha descarga de stress na província de Gaza para evitar o

LUSO. Sentimentaliza-se, confraterniza-se, consolida-se, amantiza-se, cuida e apoia me, a mim e comigo – é a minha presente madrasta. Ela é uma verdadeira mãe, a que todo mundo gostaria de ter, mas é pena que ela é só minha – minha …! A bolsa! O dinheiro mensal da bolsa nunca parou de ser pago – sempre sai – e eu não uso-o, uso-o conservando-o para comprar computador porque o caso da PIC (Policia de Investigação Criminal) terminou com a transferência do inspector que estava a frente do meu caso, o qual já ia tomando uma posição dos depoimentos colhidos das partes. A bolsa! A bolsa acumulei, dividas fiz e até agora não paguei, mas computador comprei. Alivio! Computador comprei! Mas como comprei? Onde comprei? Quem testemunha que comprei? Comprei no STAR (Mercado do Estrela), onde no dia 17 de Setembro de 2012 fui pesquisar o mercado informal de vendas de computadores usados (a verdadeira expressão é roubados, como o meu também foi – e assim sendo, a dica é ir comprar no revendedor do ladrão). Encontrei um tipo (rapaz, moço, etc.) vendia-me um ACER D250 por 6.500.OOMTNs, mas eu anda só tinha 4.000.00MTNs. Então, no meio da conversa ele pergunta-se quanto eu teria a pagar? Disse-se lhe que só tinha 5.000.00MTNs. Negocio aberto para o dia seguinte, mesma maquina e preço do comprador. E assim foi … Dia seguinte, eu todo trémulo, acabo por achar que meu amigo franzino, mal nutrido, modelo, bonito e fofinho era mais forte que eu ( eu sou forte, pareço um Makololo, um carregador de sacos), mas nesse dia tive que confiar no meu caro Roberto para juntos irmos ao STAR comprar a maquina. A sorte é que Roberto é bem mais esperto que eu. Para além de ficar a teorizar como irá acontecer, ele parte para a acção, para a prática. Todo tranquilo, parecia mais um daqueles bandidos dos filmes de WOOLWORD. Todo calmo, sereno, optimista e confiante. Chegados ao STAR. Um mercado sempre movimentado (não de mercadores e nem de compradores, mas sim de PIRATAS, salteadores de bens – quer sejam valiosos ou não). Fomos ao encontro do nosso homem – aquele que nos venderiam o tal computador – o Evaristo (um tipo meio gordo, feio mais que eu, com baixo estima, altura 1.60, fafarão). Euvaristo encontrava-se no momento a tentar por o compuador a funcionar – diz ele que ainda estão a instalar (Windows) o

sistema operativo. Roberto, todo calmo (como autrora já estava), exige ver o computador e o que nele esta sendo feito. Esta muito prudente, controla qualquer movimento, exige sigilo em tudo, mas acima de tudo procura sentir-se protegido e seguro de estar envolvido num problema com a policia. Pois então, ele resolve esperar até que o sistema seja complentamente instalado na presença dele (o porque não existe). Depois, quando o ladrão pretende fazer troca (no próprio STAR), Roberto recusa-se claramente e supõe que facemos os resto da negociação em frente à uma via publica, sendo que o vendedor carrega o seu produto em suas mãos até ao novo local das transacções. Então, ele enveta de que o dinheiro esta nas mãos, quando pelo contrario eu o fiz pegar (o fiz pegar 5.000.00MTNs – muito dinheiro). Fomos até em frente de uma ATM do BCI na Av. Eduardo Mondlane, segundos da paragem Belita e frente ao Centro de Saude Santa Filomena (onde minha mãe fazia o tratamento da sua doença em 2011). Então, Roberto entrega-me o dinheiro abertamente e diz-me para entrar na ATM levantar o restante (infelizmente que não existia mais o restante – tudo estava ali – e felizmente que eu trazia o meu cartão do BCI – que está desactivado porque não é movimentada a conta). Bela estratégia. Feito como foi mandado, saio para transaccionar com o vendedor… Surpresa! (…) O vendedor foi enganado. Entrei ao banco e sai com uma mão atrás e outra a frente, sai da mesma forma como havia entrado. Com os 5.000.00MTNs que me havia entregado Roberto. O Vendedor preocupa-se em despachar-se de nós, mas eu suponho-lhe que atravessemos à outra berma do passageiro para transacção (a berma referida é a paragem da belita no sentido de quem vai ao HCM). Chegados, entrego-lhe um valor e ele começa a contar. Reclama, diz que não é o combinado (até parece que tinha compromissos com ladrãos). Ele quer mais. Não aceita desculpa. Vê sua imagem manchada diante dos seus amigos (aqueles com que tem que dividir o dinheiro). “Só tens 5 só?” – diz ele. Eu firme (como quem diz que se não queres mais me vender fica, mas em contrapartida diz se não conseguir comprar este, sera que acharia algum dia algo melhor que isto?), aceito e assumo a minha posição inicial. Agora parece que ele não quererá levar o meu dinheiro, estamos perdidos, policia em frente, ladrão e comprador na esquina – somos nós.