Universidade Federal de Uberlândia Ciências Econômicas Economia do Setor Público

André Baccili - 89351 Evolução Estado x Mercado Quando tratamos das relações entre o Estado e o Mercado, podemos perceber que as funções do Estado se modificam historicamente. Existe um movimento pendular em que há momentos de maior intervenção estatal e outros momentos de maior liberdade do mercado. As explicações teóricas sobre a atuação do Estado na economia têm variações para legitimar a maior ou menor intervenção estatal. O Estado é produzido e conformado pelo processo social. É uma instituição social de caráter amplo que veio para guiar e corrigir o sistema de mercado, que não consegue atuar sozinho, ou seja, tem uma função complementar e suplementar. É necessário que se entenda o Estado como elemento da própria produção econômica capitalista, pois o Estado e o Mercado são elementos indissociáveis. O Estado atuou de formas diferentes durante as diversas fases do capitalismo, sendo elas o Mercantilismo; o Capitalismo Concorrencial; o Capitalismo Monopolista e o Capitalismo Mundializado. Durante o Mercantilismo, o Estado surge para a regulação da segurança, das rotas de comercio, das operações de importação e exportação. O processo econômico é associado ao Estado através da concessão de recursos para viabilizar grandes empreitadas. O Estado é Absolutista; o poder está concentrado nas mãos dos governantes. O governante se confunde com o Estado. Sua função é a grande intervenção na economia para manter os superávits comerciais para garantir a acumulação. A política do Estado era uma política comercial, onde se exportava muito e importava-se pouco, existindo ai um grande protecionismo, dificultando as importações e protegendo o mercado interno. Os superávits comerciais foram instrumentos principais para a acumulação de riquezas. Ao fim do mercantilismo, autores começaram a fazer criticas ao sistema absolutista/mercantilista. Surge a critica a intervenção estatal, defendendo uma maior liberdade.

as quais percebemos a idéia da divisão internacional do trabalho. Este é um período de Liberalismo e Imperialismo. legitimando a presença do Estado em situações especificas. de formação neoclássica. Keynes. uma livre oferta e demanda em busca do equilíbrio. Ele critica que o sistema capitalista não tende ao pleno emprego. surge com outra interpretação para economia e função do Estado. Diz que a riqueza das nações depende das riquezas e eficiências individuais. Já na segunda metade do século XIX. entramos na segunda fase do capitalismo. A colonização de países na África e Ásia propicia a reprodução do capital. Percebe-se o surgimento de proposições teóricas em defesa do liberalismo e criticas à intervenção estatal. Smith. (Bens públicos: não excludentes e não rivais). na primeira fase do capitalismo de fato: o Capitalismo Concorrencial. O Estado atua com função alocativa. ligando ao conceito de divisão social do trabalho. Ricardo.Entra-se então. mas reconhecem-se falhas onde o Estado aloca recursos a fim de corrigir essas falhas. associação do capital produtivo e capital bancário são algumas das estratégias para geração de mais riquezas. A Revolução Marginalista nasce junto a fase do Capitalismo Monopolista. Smith apresenta o trabalho “A Riqueza das Nações”. Mill). (fisiocratas e clássicos. Trata-se de um estado mínimo. Acumulação de capital. Daí vem a identificação de bens públicos. havendo ai. O Estado tem a função de garantir o bom funcionamento do mercado garantindo a ordem. tem-se a Segunda Revolução Industrial e o surgimento de grandes conglomerados industriais. em que a “mão invisível” regula o mercado e leva ao equilíbrio. O Mercado deve ser livre. o Capitalismo Monopolista. Percebe-se também a importância do Estado em algumas economias. Alguns países passam por industrialização dentro da 2ª Revolução Industrial. É um momento de expansão do capitalismo. Smith e Ricardo tratam da liberdade de comercio internacional em suas teorias de vantagens absolutas e vantagens comparativas. tem presença apenas para garantia do bom funcionamento das forças de mercado para que estes possam se auto-regular. há queda da eficiência marginal do capital: queda do investimento. o Estado entra em momentos . Busca-se um mercado que se auto-regula e se auto-corrige. Surgem também interpretações sobre as “falhas de mercado”. Os fisiocratas se baseiam no comportamento da natureza para entender o comportamento da economia. Mostra também que o valor da mercadoria está relacionado ao trabalho (teoria valor-trabalho). Percebe-se o Estado como articulador de processos de revolução industrial. Defende-se o liberalismo econômico. A partir daí. Têm-se novas formas de pensamento e de legitimação do Estado.

Pelo lado do gasto. Estado bem feitor social (serviços de saúde. A política distributiva vai ser feita através de políticas tributaria. em que os agentes tomam suas decisões baseados no que se observa no passado. Pela política fiscal o Estado sustenta a demanda agregada pelo lado da despesa através de subsídios e gastos públicos e pelo lado da receita através da redução de impostos sobre a renda e sobre a produção. friccional ou temporário). mas há possibilidade da existência de algum desemprego (desemprego voluntário. Os instrumentos utilizados para sustentar essa demanda agregada são a política fiscal e a política monetária. O Mercado leva a uma distribuição desigual da renda e isso pode afetar o bom desenvolvimento do próprio mercado. políticas de distribuição de renda para manter elevada a demanda agregada para assim reduzir uma perturbação na economia. sendo o mais defendido a redução feita sobre a renda.importantes. Já na década de 60. O aumento dos gastos públicos leva ao aumento da demanda isso gera alteração nas expectativas dos agentes. A economia vai apresentar pleno emprego dos fatores de produção. surgem reações às idéias keynesianas baseadas no processo inflacionário motivados por essas políticas expansionistas (monetárias e fiscais). políticas de transferência de renda. Essa reorganização do Estado e nova postura na economia se dá em Bretton Woods no 2° pós guerra com a criação dos Estados desenvolvimentistas na América Latina e o Estado de Bem Estar Social na Europa. pelo lado das receitas através de impostos progressivos. em crises. mas também no cotidiano da economia assumindo a importância na sustentação da variável investimento e da demanda agregada. 2) Intervenção Direta na Economia: produção direta. educação. Melhoria no sistema de previdência social para manter o consumo dos trabalhadores em estado de aposentadoria. Surgem as discussões sobre as expectativas adaptativas. Qualquer tipo de fricção são revistas as expectativas e adaptadas a nova situação. afetando a demanda e o investimento. Com o advento das idéias keynesianas surgem novas funções para o Estado: 1) Função Distributiva: Na visão neoclássica o mercado atuava na melhor distribuição dos recursos. função bancaria. saneamento básico). Para Keynes a economia não tende ao equilíbrio. A função distributiva tem objetivo de estimular a demanda. Surgem daí políticas distributivas. Surge daí uma visão própria para o desenvolvimento da America Latina através da CEPAL e do Estado Desenvolvimentista. .

MG.1889: * Estado Federativo. b) a Teoria da Escolha Pública o qual existe um mercado político comparado ao mercado neoclássico. tributação. Os mercados emergentes participam desse mercado a partir de 1990. RJ. * Busca unificar território. . .década de 1980: Crise.década de 1990: * Nova conformação do Estado brasileiro com presidente Collor.1930: * Constituição do Estado brasileiro. momento de transição entre o estágio agroexportador e o processo industrialização. surpresas vem através de gastos públicos. produtor direto em vários setores: empresas estatais (CSN. com características de Estado Nacional Moderno. segurança. creditícia. . Vale. as quais qualquer intervenção estatal afeta a inflação. tarifária. * No processo de industrialização o Estado direciona os instrumentos de política cambial. mudança de regime de governo. necessidade de reordenamento do Estado. RS. * Poder descentralizado nas oligarquias regionais: SP. No Brasil: .Quanto ao Capitalismo Mundializado. 2) constitui-se em si mesmo: justiça. Surgem os mercados financeiros internacionalizados e no seu bojo os mercados produtivos globalizados. * A questão das políticas públicas de gasto não se desenvolve no Estado até a Constituição de 1988. Usiminas). Em relação as teorias sobre a atuação do Estado. c) a Teoria da Regulação com a desregulamentação dos mercados: o Estado deixa de atuar nos vários mercados – financeiro e produtivo – deixando o mercado a cargo das agências reguladoras). * Estado brasileiro em 3 bases de sustentação: 1) desenvolvimento pela via da industrialização. destacam-se: a) as Expectativas Racionais. ocorre a partir da internacionalização da economia no momento do choque dos juros norte-americanos com o intuito de sanar os déficits gêmeos. feito a partir da negociação dessas dividas através de títulos vendidos no mercado internacional (1980). 3) associado às políticas públicas. .

necessidade da presença do Estado devido às falhas de mercado (bens públicos. etc. ocorrência de mercados econômicos incompletos.). . externalidades.* Papel do Estado no tratamento das finanças públicas. O Estado cumpre papel alocativo. presença de monopólios naturais. distributivo e estabilizador.