Mudanças Sociais Contemporâneas Fichamento Lana Carolina de Paula Ferreira – 97908

BAUMAN, Zygmunt. O mal-estar da pós-modernidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. P 07-37

Nesse fragmento do texto, o autor elucida o quanto a pós-modernidade não apresenta a solidez que antes se verificava na modernidade. A realidade desse momento histórico tem como característica essencial a liquidez das relações sociais (o termo „modernidade líquida‟ será utilizado pelo autor em produções posteriores). Fazendo sempre um preâmbulo entre a modernidade e a pós-modernidade, Bauman coloca as condições da vida social do homem nesses períodos. O autor coloca que a modernidade faz-se em contexto de beleza, limpeza e ordem. Entretanto sempre que se ganha algo, se perde algo também. E o homem moderno ao instituir uma ordem para a sociedade, com fortíssima coerção dos indivíduos, perde a liberdade de ação dos seus próprios atos. Ou seja, em prol de segurança se impõe uma ordem que restringe a liberdade e aumenta o mal-estar na/da vida social. Bauman:
Os mal-estares da modernidade provinham de uma espécie de segurança que tolerava uma liberdade pequena demais na busca da felicidade individual. Os mal-estares da pós-modernidade provêm de uma espécie de liberdade de procura de prazer que tolera uma segurança individual pequena demais. (BAUMAN, 1998, p: 10)

A ordem seria a regulamentação e a estabilização das relações sociais para criar e manter a beleza/pureza no interior de uma determinada sociedade. Portanto cada sociedade cria sua própria ordem, sua própria pureza e suas próprias estratégias de limpeza, para que aquele meio social seja seguro para os indivíduos que o constitui. Nessa perspectiva, o elemento estranho que se adentra em outro contexto social diferente do seu, é considerado um perigo à manutenção da ordem desse contexto, já que ele não compartilha dos mesmos códigos de conduta social que os „nativos‟ daquela sociedade compartilham, ele passa a ser considerado „sujeira‟/desordem no meio social.

A pureza é aderir ao jogo consumista e o estranho é justamente o que não se adapta a esse jogo. pouco seguro. em que as posições no cenário mundial já não são bem definidas. uma questão de projeto de vida em um meio social instável. Então se estabelece duas formas de tratamento do estranho: antropofágica. A era moderna será marcada pela introdução de uma nova ordem social que rompe com a ordem tradicional anterior. há uma privatização dessa tarefa. A ordem moderna se caracteriza principalmente pela alta definição do estranho e estratégias de seu combate massivo. enquanto naquela era uma questão de atribuição da ordem social. a exemplo dos totalitarismos no século XX. . Já a ordem pós-moderna se condensa na afirmação do livre mercado. e a exaltação do efêmero. Dessa forma criminaliza-se a desordem/a sujeira/o estranho criada pela própria lógica da ordem pós-moderna. e antropoêmica. em que a única certeza é a lei do livre mercado. assegurado pelo Estado. Quatro fatores configuram o „medo ambiente‟ causado pelas incertezas da pósmodernidade. assimilação do estranho pela e na sociedade. a privatização das redes de segurança social. e cabe ao poder de Estado manter o „consumidor falho‟ distante das relações do livre mercado ao menor custo possível.Isso porque a unidade social de um „grupo‟ se dá por dois fatores: o homem nasce e se forma em um ambiente social previamente estabelecido. A questão da construção da identidade do homem se transformou drasticamente da modernidade para pós-modernidade. sua pureza e suas maneiras de limpeza do estranho. O estranho ao contrapor-se às determinações da ordem causaria o mal-estar da sociedade já que ele é o oposto do padrão de pureza/beleza determinado no meio social. nessa é uma realização individual. e o que Schütz define como “perspectivas recíprocas”. e na inconstância de outras esferas da sociedade. são eles: a nova desordem do mundo. com uma carga de significações já construídas que são transferidas a ele. a indeterminação e a maleabilidade do mundo. a desregulamentação universal das relações de mercado. a exclusão total do estanho na sociedade. são os „consumidores falhos‟. Cada ordem produz sua desordem/sujeira. e o „de fora‟ de determinada sociedade não detém nenhum desses fatores. O papel de limpeza já não é estatal.