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Francisco de Siqueira

Tribunal Judicial de Ponta Delgada
4º Juízo
R. Conselheiro Luís Bettencourt - 9500-058 Ponta Delgada Telef: 296209670 Fax: 296283836 Mail: pdelgada.tc@tribunais.org.pt

Proc.Nº 1755/11.2TBPDL

6400597

CONCLUSÃO - 29-11-2011
(Termo electrónico elaborado por Escrivão de Direito Fátima Rodrigues)

=CLS= * Da (in)admissibilidade da resposta à contestação Vem a Autora apresentar resposta à contestação a fls. 47 e ss. Os Réus não se pronunciaram acerca da apresentação deste articulado. Caso seja deduzida alguma excepção dilatória ou peremptória pelo Réu na sua contestação, pode – e deve – o Autor exercer o contraditório quanto a essa matéria [art.
795º do Código de Processo Civil (CPC)],

sob pena desses factos serem considerados admitidos por

acordo entre as partes – art. 490º nº 2, aplicável ex vi do disposto no art. 505º, ambos do CPC. Nos termos do disposto no art. 487º nº 2 do CPC, o Réu defende-se por impugnação quando contradiz os factos articulados na petição (defesa ou negação directa, de facto,
simples frontal ou rotunda)

ou quando afirma que esses factos não podem produzir o efeito

jurídico pretendido pelo Autor (defesa ou negação indirecta, de direito, motivada, qualificada ou per
positionem);

por seu turno, defende-se por excepção quando alega factos que obstam à

apreciação do mérito da acção (excepção dilatória) ou que, servindo de causa impeditiva, modificativa ou extintiva do direito invocado pelo Autor, determinam a improcedência total ou parcial do pedido (excepção peremptória). Assim, a defesa por impugnação implica sempre uma negação dos factos, ou dos seus efeitos jurídicos, através de negação simples e directa ou de negação motivada, que se traduz na alegação de outros factos distintos e opostos àqueles, dando-se uma nova versão da realidade – Ac. TRP de 3 de Abril de 1990, CJ, T. II, pág. 222.

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Ora, no caso presente, os Réus limitam-se a impugnar o efeito jurídico pretendido pela Autora quanto às consequências do reconhecido incumprimento do contrato firmado entre a Autora e o Réu Marido, tratando-se, assim, de mera impugnação de direito, não articulando, adicionalmente, quaisquer factos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito daquela (inexistindo, por conseguinte, a invocação de qualquer excepção peremptória). Em face do exposto e por não respeitar os requisitos impostos pelo art. 502º do CPC, julga-se a resposta à contestação legalmente inadmissível. Desentranhe e devolva o articulado à Autora. Custas do incidente pela Autora, fixando-se a taxa de justiça em 1,25 UC – art. 7º nº 3 do Regulamento das Custas Processuais. * * Nos presentes autos importa elaborar o despacho saneador a que aludem os arts. 508º–B nº 2 e 510º nº 1, aplicáveis ex vi do disposto no art. 787º nº 1, todos do CPC. * O Tribunal é competente em razão da nacionalidade, da matéria e da hierarquia. Inexistem nulidades que afectem todo o processado, as partes gozam de personalidade e capacidade judiciárias, têm legitimidade para a presente acção e encontram-se devidamente patrocinadas. Não existem excepções dilatórias, nulidades processuais nem questões prévias que importe conhecer e que obstem à apreciação do mérito da causa. *

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Nos termos do disposto no art. 315º nº 1 do CPC, fixa-se à presente causa o valor indicado pela Autora em harmonia ao critério estabelecido no art. 306º nºs 1 e 2 do CPC. * * SELECÇÃO DA MATÉRIA DE FACTO * Matéria assente A) O Réu Marido contactou a sociedade ANDRADE E IRMÃO, S.A. no sentido da aquisição do veículo automóvel da marca e modelo HYUNDAY GETZ 1.1, de matrícula 33-DR-80 (doravante designado apenas por “veículo” por melhor facilidade de exposição). B) Como o Réu Marido não se dispusesse ou não pudesse pagar de pronto o preço do veículo, solicitou à dita sociedade que lhe possibilitasse o aluguer do mesmo por um período de 120 meses, com a colaboração ou intervenção da Autora. C) Na sequência do que lhe foi solicitado pela dita sociedade, por ela e em nome do Réu Marido, a Autora adquiriu, com destino a dar de aluguer a este, o veículo pelo preço de EUR 18.500,00. D) O Réu Marido recebeu o veículo, tendo subscrito o documento particular intitulado por “Auto de recepção da viatura”, datado de 14 de Junho de 2007. E) Por escrito particular datado de 10 de Junho de 2007, intitulado por “Contrato de Locação Operacional – Aluguer de Veículo N. 825833”, a Autora declarou dar

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de aluguer ao Réu Marido que, por seu turno, declarou tomar de aluguer o veículo, pelo prazo de 120 meses, com início em 10 de Julho de 2007 e termo em 10 de Junho de 2017, e pelo valor mensal total de EUR 222,64, a ser pago mediante transferência bancária, correspondente à soma dos seguintes valores constantes das “Condições Particulares”: - EUR 186,97 a título de aluguer; - EUR 29,92 a título e IVA à taxa então em vigor: - EUR 4,25 a título de prémio de seguro de vida mensal; e - EUR 1,50 a título de despesas de cobrança. F) Consta das “Condições Gerais” do escrito particular, além do mais, o seguinte: (…) Cláusula 4ª – PREÇO 1. O Locatário obriga-se a pagar ao Locador o montante estabelecido nas Condições Particulares, nas datas aí indicadas. (…) 3. Em caso de falta ou atraso em qualquer pagamento, e sem prejuízo da rescisão ou possibilidade de rescisão deste Contrato, o Locatário terá de pagar ao Locador Juros de Mora calculados à taxa máxima legalmente permitida, acrescidos de despesas administrativas, por cada aluguer em atraso. (…) Cláusula 10ª – RESCISÃO E DENÚNCIA PELO LOCADOR 1. O incumprimento pelo locatário de qualquer das obrigações por ele assumidas no presente contrato dará lugar a possibilidade da sua resolução pelo Locador, tornando-se efectiva essa resolução a data de recepção, pelo Locatário, de comunicação fundamentada nesse sentido. (…) 3. A resolução por incumprimento não exime o Locatário do pagamento de quaisquer dívidas em Mora para com o locador, da reparação de danos que o veículo apresente e do pagamento de indemnização à Locador.

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4. A indemnização referida no artigo anterior destinada a ressarcir o Locador que fará sempre suas todas as importâncias pagas até então nos termos deste contrato - dos prejuízos resultantes da desvalorização do veículo e do próprio incumprimento em si do contrato pelo Locatário - não sendo nunca inferior a 50 % do total do valor dos alugueres referidos nas Condições Particulares. 5. Em caso de resolução do contrato o Locatário deverá entregar o veículo ao Locador imediatamente, no estado que deva derivar do seu uso normal e prudente. 6. O Incumprimento temporário, ou como tal reputado, quer de obrigações pecuniárias, quer de outras, tornar-se-á definitivo pelo envio pelo Locador, para o último domicilio indicado pelo Cliente, de carta registada, intimando ao cumprimento no prazo de oito dias e pela não reposição, neste prazo, da situação que se verificaria caso o incumprimento não tivesse tido lugar. Cláusula 11ª – RESTITUIÇÃO DO VEÍCULO 1. Findo o contrato, ou efectuada a rescisão nos termos da cláusula 10ª o veículo será restituído às instalações do Locador, onde será inspeccionado, determinando o valor necessário à reparação de qualquer dano no veículo da responsabilidade do Locatário, e se for caso disso à indemnização devida conforme referido na Cláusula 10ª. (…) G) O Réu marido não pagou à Autora os 40º, 41º, 42º, 44º, 45º, 46º e 47º alugueres, vencidos, respectivamente, nos dias 10 de Outubro, Novembro e Dezembro de 2010 e Fevereiro, Março, Abril e Maio de 2011, sem prejuízo da entrega entretanto efectuada da quantia de EUR 300,00. H) A Autora remeteu ao Réu Marido, que recebeu em 11 de Maio de 2011, a carta datada de 9 de Maio de 2011, , constando da mesma, além do mais, que o Réu Marido “(…) se encontra em dívida com esta empresa no montante de: Rendas em mora: 1,207,94

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Eur Juros de mora; 412,01 Eur (…)” e que “(…) o não pagamento da quantia referida levanos a considerar, no prazo de 10 dias a contar da data desta carta, o contrato em referência como RESCINDIDO nos termos das cláusulas 10ª e 11ª, o que implica a obrigação de proceder à ENTREGA IMEDIATA do veículo objecto do contrato nas nossas instalações. A não restituição do veículo é considerada como uso do locado contra a vontade do Banco Mais, S.A. (…)”. I) O Réu Marido nada pagou à Autora na sequência da recepção da carta, nem procedeu à entrega do veículo. * O estado dos autos permite, desde já, o conhecimento do mérito da causa, porquanto inexiste qualquer matéria controvertida (art. 510º nº 1 al. b) do CPC). Sublinha-se, a este propósito, que os factos relevantes para a decisão, e que configuram a causa de pedir, não foram impugnados pelos Réus – arts. 463º nº 1, 490º nº 2, ambos do CPC. Mais se salienta que não se considerou assente a matéria constante do artigo 18º da petição inicial por se entender que se trata de matéria de direito, e não matéria de facto. Na verdade, as alegações de que o contrato em questão foi celebrado “tendo em vista o proveito comum” de ambos os Réus, e de que “o veículo dos autos foi utilizado em proveito comum e para benefício do casal”, encerram em sim mesmas, exclusivamente, matéria de direito. Na verdade, e conforme se decidiu no Ac. STJ de 21-11-2006 (Processo
nº 06A3420, relatado por BORGES SOEIRO, integralmente disponível em www.dgsi.pt),

incumbe ao credor

que pretende responsabilizar ambos os cônjuges pelo pagamento de dívida contraída apenas por um deles, nos casos previstos na al. d) do n°1 do art. 1691° do Código Civil, articular factos materiais concretos indicadores do destino dado ao dinheiro, em consonância com o disposto nos arts. 342° n°1 e 467° n° 1 al. d), ambos do CPC.

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Decorre do artigo 664° do CPC que o juiz não se pode servir, numa acção, de factos não alegados. Nesta medida, não se pode extrair relevância às referidas alegações da Autora desacompanhadas de matéria de facto que as sustente, pois tratam-se indubitavelmente de conceitos jurídicos. Por seu turno, e como também se refere no Ac. STJ de 11-11-2008 (Processo nº 08B3303, relatado por ALVES VELHO, integralmente disponível na mesma base de dados), “(…) de nada vale a alegação de que o automóvel se destinou ao património comum do casal. O problema é o mesmo: o conceito de património comum é jurídico, desde logo porque anda associado ao conhecimento da data do casamento e respectivo regime de bens, sabido que é que só se pode falar em bens comuns sendo o casamento no regime da comunhão geral ou, sendo o da comunhão de adquiridos, após a celebração do contrato, não dispensando o silogismo judiciário e o recurso a actividade interpretativa (arts. 1722.º a 1732.º C. Civil) (…)”. No mesmo sentido, vide ainda, a título de exemplo, os seguintes arestos: Ac. TRL de 31-10-2006 (Processo nº 5396/2006-1, relatado por ISOLETA ALMEIDA COSTA), Ac. TRL de -12-2006 (Processo nº 8523/2006-6, relatado por GRAÇA ARAÚJO), Ac. TRL de 15-032007 (Processo nº 10342/06-2, relatado por JORGE LEAL), Ac. TRL de 17-04-2007 (Processo nº
355/2007-1, relatado por RUI VOUGA), CARLOS MOREIRA), CALAFATE), Manso)

Ac. TRL de 22-05-2007 (Processo nº 1645/2007-1, relatado por

Ac. TRL de 09-06-2009 (Processo nº 606/1998.L1-1, relatado por ANABELA

Ac. TRL de 18-03-2010 (Processo nº 2244/08.8TJLSB.L1-8, relatado por Catarina Arêlo

e Ac. TRL de 31-05-2011 (Processo nº 3063/05.9TJLSB.L1-1, relatado por PEDRO BRIGHTON)

todos integralmente disponíveis na mesma base de dados. * Posto isto, a única questão suscitada nos presentes autos, e de que cumpre decidir, consiste em saber quais as consequências jurídicas do incumprimento do contrato por parte do Réu Marido. A Autora peticiona a condenação dos Réus: a) na restituição do veículo em questão;

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b) no pagamento do valor dos alugueres vencidos e não pagos (EUR
1.258,48 = 7 x EUR 222,64 – EUR 300,00),

acrescido dos respectivos juros de mora à taxa legal

variável para os juros comerciais; c) no pagamento do montante mensal no valor de EUR 373,94, desde a data da resolução do contrato até à efectiva restituição do veículo (que, à data da propositura da
acção, ascendia a EUR 747,88 = 2 x EUR 373,94),

acrescido dos respectivos juros de mora à taxa

legal para os juros civis até efectivo e integral pagamento; e d) no pagamento de uma sanção pecuniária compulsória, no valor de EUR 50,00 diários durante os primeiros trinta dias subsequentes ao trânsito em julgado da sentença, de EUR 100,00 diários nos trinta dias seguintes e de EUR 150,00 diários daí em diante (ou no montante que vier a ser fixado na sentença); Os Réus contestam os pedidos supra referidos nas alíneas c) e d). Em face da factualidade assente, estamos, nitidamente, perante um contrato (celebrado entre a Autora e o Réu Marido) de aluguer de longa duração, vulgo ALD, que constitui uma modalidade especial de contrato de locação, temporariamente dilatado, que tem por objecto mediato, no caso, um veículo automóvel. É inequívoco, também, o incumprimento culposo (art. 799º nº 1 do CC) do contrato por parte do Réu Marido no que concerne à contraprestação do pagamento da correspondente retribuição, sob a designação de alugueres mensais (arts. 1022º, 1023º, 1038º al. a),
todos do CC).

Perante a mora do Réu Marido, a Autora procedeu validamente à resolução do contrato mediante a carta datada de 9 de Maio de 2011 – arts. 17º nº 4 do Decreto-Lei nº 44/92, de 31 de Março, 432º nº 1, 434º nº 2 e 436º nº 1, todos do CC [neste
sentido de que a resolução neste tipo de contrato não carece de ser levada a efeito judicialmente, vide o Ac. TRL de 29-09-2005 (Processo nº 3855/2005-6, relatado por MANUELA GOMES) e o Ac. TRP de 14-06-2004 (Processo nº 0453206, relatado por SOUSA LAMEIRA), ambos disponíveis na mesma base de dados].

Deve o Réu Marido à Autora, nestes termos, o peticionado valor das rendas vencidas e não pagas [EUR 1.558,48, deduzido do montante entretanto entregue, no valor de EUR
300,00, imputado a título de capital, conforme o apuramento realizado pela Autora, assim se considerando

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liquidada a prestação 40º e parcialmente liquidada a prestação 41ºª, mantendo-se em dívida, quanto a esta, o montante de capital de EUR 145,28],

acrescido dos juros de mora convencionais nos termos

previstos na cláusula 4ª /3 (isto é, juros correspondentes à taxa legal variável para os juros comerciais, que
no 2º semestre de 2010 e no 1º semestre de 2011 se cifra em 8%, conforme os Avisos nºs 13746/2010, DR, II, 12.07.2010, e 2284/2011, DR, II, 21.01.2011, e que no presente 2º semestre de 2011 se cifra em 8,25%, conforme o Aviso nº 14190/2011, DR, II, 14.07.2011),

que, na presente data, ascendem a EUR 78,20.

O Réu tem, ainda, a obrigação de restituir imediatamente o veículo como fora convencionalmente acordado (cláusulas 10ª / 5 e 11ª) e, de todo o modo, sempre resultaria das disposições gerais (art. 1038º al. i) do CC). No que concerne à peticionada condenação no montante

correspondente ao dobro do valor de cada aluguer – pretensamente justificada pela Autora no disposto no art. 1045º nº 2 do CC e atento a cláusula 10ª /4 das Condições Gerais do contrato ter sido declarada nula por Ac. STJ proferido em acção inibitória – não lhe assiste, contudo, qualquer razão. Na verdade, e como tem sido entendimento generalizado da jurisprudência (e, bem assim, foi aflorado pelos Réus na contestação), o regime previsto no art. 1045º do CC, “que se justifica por a renda corresponder ao valor de uso da coisa locada, sendo este o prejuízo do credor, mostra-se desajustado no caso do aluguer de longa duração, porque neste o valor da coisa vai sendo amortizado enquanto o contrato perdura, subsistindo no termo deste um valor residual e assim o prejuízo sofrido pelo locador, em consequência do atraso na restituição, traduz-se na diferença entre o valor residual previsto no contrato e o valor venal do automóvel na data que o locatário o deveria entregar (…)” (sublinhado nosso) – Ac. TRL de 24-06-2008 (Processo nº 1062/2008-1, relatado por JOSÉ AUGUSTO RAMOS); vide, no mesmo sentido, o Ac. STJ de 11-04-2002 (Processo nº 02B812, relatado por MOITINHO DE
ALMEIDA),

o Ac. STJ de 09-05-2006 (Processo nº 06A1018, relatado por JOÃO CAMILO), o Ac.

TRL de 16-09-2004 (Processo nº 8053/2004-7, relatado por PIMENTEL MARCOS), o Ac. TRL de 2806-2007 (Processo nº 7398/2006-2, relatado por NETO NEVES), o Ac. TRL 05-06-2008 (Processo nº
4470/2008-7, relatado por ROSA RIBEIRO COELHO), 703/04.0TJLSB.L1-8, relatado por CAETANO DUARTE)

o Ac. TRL de 24-09-2009 (Processo nº e o Ac. TRL de 23-11-2010 (Processo nº

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3656/98.L1-7, relatado por LUÍS FILIPE LAMEIRAS),

todos integralmente disponíveis na mesma

base de dados. Sendo assim, e conforme também se conclui no primeiro cit. aresto, “não podendo proceder o pedido de pagamento do equivalente aos valores mensais idênticos ao dobro de cada aluguer (…), também visto o disposto no artigo 661º, n.º 1, do Código de Processo Civil, porque não foi formulado o respectivo pedido, não cabe proferir condenação na diferença entre o valor residual e o valor venal do veículo à data em que deveria ser entregue (…)”, ao que acresce, no caso dos autos, nada ter sido alegado neste sentido, mormente o valor do veículo na data da cessação do contrato. É certo que o prejuízo para o credor também poderá consistir nos danos sofridos em virtude de não poder dispor do veículo (cit. Ac. TRL de 23-11-2010). Mas também nada foi alegado a este propósito. Improcede, pois, este mencionado pedido. No que respeita à pretendida sanção pecuniária compulsória, também não pode este pedido proceder por não estar em causa qualquer obrigação de prestação de facto infungível, mas sim uma obrigação de entrega de coisa certa – art. 829º-A do CC – vide, neste sentido, o cit. Ac. TRL de Ac. TRL de 24-06-2008, bem como o Ac. TRL de 12-022009 (Processo nº 685/2009-6, relatado por CARLOS VALVERDE). Por último, considera-se que nenhuma responsabilidade pode ser assacada à Ré Mulher atenta a ausência de qualquer factualidade assente a este propósito. * São devidas custas por ambas as partes, na proporção do respectivo decaimento – art. 446º nºs 1 e 2 do CPC. * Em face do exposto, julgo a presente acção parcialmente procedente por provada, e, em consequência:

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1. condeno o Réu Marido Mário Jorge Ribeiro Carreiro a entregar à Autora Banco Mais, S.A. o veículo automóvel da marca e modelo HYUNDAY GETZ 1.1, de matrícula 33-DR-80; 2. condeno o Réu Marido a pagar à Autora a quantia de EUR 1.336,68 (mil trezentos e trinta e seis euros e sessenta e oito cêntimos), acrescida de juros convencionais correspondentes à taxa legal variável para os juros comerciais, desde a presente data até efectivo e integral pagamento; 3. absolvo o Réu Marido e a Ré Mulher Ana Maria Medeiros Melo Carreiro do remanescente peticionado; 4. condeno ambas as partes nas custas do processo, na proporção do respectivo decaimento. Registe e notifique. Ponta Delgada, d.s.