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Falhas no Sistema de Gestão Ambiental na Indústria
Lívia Lucina Albanus de Souza Professora do Curso de Pedagogia da ULBRA São Jerônimo. Especialista em Gerenciamento Ambiental (ULBRA)

Abstract This work had for objective to analyze which are the most frequent causes of imperfections in the system of environmental management. A bibliographical study was elaborated, throught wich we searched a historical reference of the evolution of the quality, of the emergency of environmental consciousness and the aresing of rules ISO 14000, as direction of aplication and development of environmental administration. The research was carried through questionnaires sent to the specialists in the subject and professionals of the area, of some Brazilian states, for e-mail. The analysis of data of the received material, relieved us the substratum of some possibilities of imperfections in the System of environmental Management, such as, the lack of training and compromise of employees; controlling and direction of the companies; the imperfection in the control of significant environmental aspects (with prominence to the management of residues); the communication lack; the imperfections with the legal requirements and the financial sustentability of the system of environmental management, all represented in a significant form and in some cases until unanimous. Key words: system of environmental management, imperfections, ISO 14000. Resumo O presente trabalho teve por objetivo analisar quais as causas mais freqüentes de falhas no sistema de gestão ambiental na indústria. Foi elaborado um estudo bibliográfico, através do qual buscou-se um referencial histórico da evolução da qualidade, da emergência da consciência ambiental e do surgimento das Normas ISO 14000, como diretrizes de aplicação e desenvolvimento da Gestão Ambiental. A pesquisa foi realizada através de questionários enviados à especialistas no assunto e profissionais da área, de vários estados brasileiros, por correio eletrônico. A análise de dados do material recebido, rendeu-nos o substrato de
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várias possibilidades de falhas ocorrentes no Sistema de Gestão Ambiental, tais como a falta de treinamento e de comprometimento de funcionários; gerentes e direção das empresas; a falha no controle de aspectos ambientais significativos (com destaque para a gestão de resíduos); a falta de comunicação; as falhas com os requisitos legais e a sustentabilidade financeira do sistema de gestão ambiental, todos representados de forma significativa e em alguns casos unânimes. Palavras-chave: sistema de gestão ambiental, falhas, ISO 14000.

Introdução O homem desperta cada vez mais para as questões Ambientais, preocupando-se com o desenvolvimento sustentável, a redução de impactos, a gestão de resíduos, a preservação da biodiversidade (MOURA, 2002). A preocupação ambiental tornou-se um fator de competitividade, facilitando a expansão de novos mercados. As empresas que souberem explorar bem este aspecto conseguirão cativar novos clientes, que possuem consciência ambiental, e que preferem pagar um preço mais elevado por mercadorias ambientalmente corretas. Na visão mais antiga, investir em melhorias ambientais, era visto como despesa inútil, que acarretava custos mais elevados e perda de competitividade (MOURA, 2002). Até que em 1996, surgiu uma Norma que mudaria os conceitos de Gestão Ambiental, a ISO 14001 que refletia uma consciência mundial de sustentabilidade, que emergiu na ECO 92. Desta forma, o princípio passou a ser a prevenção de práticas poluidoras e impactantes ao meio ambiente. O aumento da consciência ambiental do consumidor, fez com que este exigisse, além de um produto de qualidade, um produto que no seu ciclo de vida respeitasse o meio ambiente (LA ROVERE, 2001). Após quase uma década de existência e de aplicação da ISO 14000, ainda persistem dúvidas e questionamentos a respeito da real eficácia dos Sistemas de Gestão Ambiental e seus benefícios práticos. Levando-nos a perguntar: Existirá um modelo ideal de Sistema de Gestão Ambiental na Indústria onde não ocorram falhas? Ou ainda, se existirem falhas como se pode minimizá-las? Este trabalho tem a finalidade de examinar Sistemas de Gestão Ambiental na Indústria e, através de questionários enviados a especialistas, verificar a ocorrência de falhas e suas possíveis causas. Neste estudo, além de se utilizar as ferramentas da qualidade como forma de identificar, corrigir e controlar falhas, levou-se em conta a experiência e conhecimento

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diferia muito da qualidade tal como se conhece hoje. FREDERICK TAYLOR. 01. baseado na execução sistemática de quatro etapas: Plan (planejar). Action (corrigir).2 3 dos envolvidos. que eram muito elevadas neste período. tendo ênfase a indústria bélica. filosofia básica da administração. bem como seus controles. a ser implantadas a inspeção final de produto e a supervisão do trabalho (BONATO. ADMINISTRAÇÃO. E em função das limitações das máquinas. e principalmente de inspeção. Com a expansão do comércio e o aumento da tecnologia. onde só então poderiam exercer o ofício de forma autônoma. amplamente utilizada. Quase tudo era fabricado por artesãos ou por trabalhadores experientes e aprendizes sob a supervisão dos mestres de ofício. Segundo BONATO (s. A evolução da Qualidade e da Gestão Ambiental através dos tempos Nos séculos XVIII e XIX. 2007. considerado o pai da “Administração Científica”.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. propõe a atribuição de tarefas a encarregados. s/d. incorporando os detalhes solicitados pelo cliente. Durante a Segunda Guerra Mundial. antes de serem reconhecidos como profissionais. www. 1. tornando-se a base da Qualidade mundialmente reconhecida e sendo. é que para melhorar este quadro. que recebiam produtos personalizados. na década de 1950 DEMING apresentou os “14 pontos de Deming”.cienciaeconhecimento. conceitos e ferramentas adicionais foram inventados a fim de assistir o gerenciamento para a qualidade. pois um Sistema de Gestão Ambiental bem sucedido depende muito de relatos.com . dá-se a criação de padrões. onde o perfil da produção mudara de forma drástica. o que ele acreditava ser necessário para um bom gerenciamento da fábrica. tanto de sucessos como de insucessos. A inspeção formal só passou a ser necessária com o surgimento da produção em massa e com a necessidade de peças intercambiáveis. A confiança nas técnicas e na reputação dos artesãos exercia o papel de primeiros esboços de inspeção de qualidade (CARAVANTES. Começavam. produtos e energia. A. a concepção do que vinha a ser qualidade.). que até então não possuía controles de fabricação e devido a falta de uniformidade dos equipamentos e munições com calibres diferentes originados de vários locais do mundo ocasionando desperdícios de insumos. desde então. Naquela época os artesãos permaneciam como aprendizes durante um longo tempo. Check (examinar. verificar). deu legitimidade à atividade de medição.d. desperdícios e de acidentes de trabalho. chamado PDCA. Do (executar). então. do despreparo dos operários e do precário desenvolvimento das técnicas administrativas.). A inspeção do produto era realizada pelos consumidores.1997). tendo em vista a quantidade de falhas. criado por SHEWHART. e difundiu o ciclo de melhoria contínua. No início do século XX.

2002). os peritos em qualidade passaram a se preocupar principalmente com a qualidade dos produtos. surgem os primeiros vestígios de conscientização ambiental (MOURA. tempo de paralisação da máquina e ineficiência da mão-de-obra. A qualidade ainda estava sob a influência do paradigma clássico. essencialmente voltada para a Gestão da mesma. houve um grande impulso em relação à consciência ambiental. 2003). sobre o Meio www. onde a ênfase era a produção e a preocupação era com o controle estatístico da qualidade. o que ocasionava um grande impacto ambiental. tendo em vista que os produtos da época geravam um “re-trabalho” muito grande devido às diferenças existentes em um mesmo produto. Pode-se assim dizer que. 2. mais precisamente em 1987. a ISO (International Organization for Standardization). Neste período houve uma acentuada inversão térmica. estabelecendo gráficos e cartas de controle nos pontos-chave do processo da empresa (CARAVANTES.com . Da emergência da Consciência Ambiental à ISO 14000 Nesta mesma época. no ano de 1948. com a finalidade de normatizar e padronizar os produtos (CABEDA.2 4 Em conseqüência de dificuldades ocorridas durante a guerra. com este acidente.cienciaeconhecimento. 2002). fazendo com que a poluição não se dispersasse. Uma das características mais marcantes da ISO 9000 no gerenciamento é não apenas fornecer automaticamente controles para assegurar qualidade da produção e expedição. quando são publicadas as primeiras cinco normas internacionais referentes à garantia da qualidade. gerando um fenômeno chamado SMOG. quando a geração de energia e o aquecimento em residências eram produzidos através da queima do carvão.1993). e após a Conferência das Nações Unidas. assegurando assim que o produto final atendesse às especificações estabelecidas. denominando tal abordagem de Garantia de Qualidade. mas também reduzir desperdício.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. ocorre em um acidente Londres. na época gerada à carvão. 01. provocando. por conseguinte. e produzindo resíduos em larga escala. Esta foi a primeira constatação científica relacionando poluição com a perda de vidas humanas. 1997). A. que durou aproximadamente 2 semanas. que durante anos passaram despercebidos (MOURA. entre 4 e 13 de dezembro de 1952. o aumento da produtividade (ROTHERY. entre eles a energia. conforme inventário do Ministério da Saúde Britânico. Dez anos após a implantação da ISO 9000. e o cliente foi momentaneamente esquecido. e nos anos 1980. o que emitia grandes quantidades de enxofre e de material particulado. buscando assegurar que o sistema da qualidade fosse consistente e confiável. Utilizando assim de forma indiscriminada os recursos naturais. decidiu-se fundar em Genebra. ADMINISTRAÇÃO. ocasionando 8000 mortes. Suíça. 2007. Do início dos anos 50 até o final dos anos 70. A qualidade evoluiu com suas ferramentas e metodologias. Esta medida foi tomada. surgem as Normas da série ISO 9000.

normatizar e direcionar a divulgação e a implantação de medidas concretas nas organizações. Em 1996. houve um amadurecimento em relação à consciência ambiental. levando em consideração sua política e seus objetivos ambientais. documento que visa orientar as ações dos governos para a preservação do meio ambiente e da biodiversidade. controlando o impacto de suas atividades. Esse documento trata-se de um planejamento do futuro com ações de curto. que tem como um dos seus objetivos. um conjunto de normas técnicas e orientações. 2002). A preocupação com o comprometimento. a preocupação com a disposição correta dos resíduos. as empresas manifestam as primeiras preocupações com a racionalização de energia e de matéria prima. Observando esta nova tendência. Aplicada em princípio nas inspeções de fim de linha. quando vários países passaram a demonstrar o interesse em pagar determinado valor ou preço pela qualidade de vida. Esse comportamento se insere no contexto de uma legislação cada vez mais exigente.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. por conseguinte. do desenvolvimento de políticas econômicas. evitando assim o desperdício.” www. reutilizando peças que continham falhas. E firma-se um posicionamento político em defesa da busca de um equilíbrio entre as áreas econômica. onde suas metas e objetivos são planejar e estabelecer um elo de solidariedade entre nós e nossos descendentes. ISO 14000 e o Sistema de Gestão Ambiental Nos anos 90. A. surge a Série ISO 14000.2 5 Ambiente (ECO 92). produtos ou serviços no meio ambiente. as futuras gerações. surge a Agenda 21. pela preservação ambiental e pelo direito das gerações futuras (MOURA. médio e longo prazo. social e ambiental. aparece claramente explicitada na Introdução da Norma ISO 14001: “Organizações de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho ambiental correto. O que fez emergir a conscientização de que era necessário reciclar para reduzir os resíduos gerados e. mantendo limpo o ambiente.cienciaeconhecimento.com . O termo “qualidade ambiental” passou a fazer parte do cotidiano das pessoas. buscando formas de reciclar e reutilizar. 01. 2007. ADMINISTRAÇÃO. de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e de uma crescente preocupação das partes interessadas em relação às questões ambientais e ao desenvolvimento sustentável. reduzindo assim o impacto ambiental gerado pela empresa. 3. e com a expressão da conscientização ambiental mundial.

convém esclarecer que a aplicação de vários elementos do sistema de gestão pode variar em função de diferentes propósitos e partes interessadas. A. ADMINISTRAÇÃO. entre várias outras.2 6 Pode-se observar que as Normas da Série ISO 14000. Oferece orientações na forma de exemplos e descrições. A meta-chave da ISO 14000 é criar uma linguagem única conhecida mundialmente para a gestão ambiental e são baseadas em uma simples equação: “Um melhor gerenciamento ambiental levará a um melhor desempenho desse meio ambiente. a uma maior eficiência e a um retorno maior dos investimentos” (TIBOR. relacionadas à implantação. a redução da geração de resíduos e de custos utilizados para a disposição dos mesmos. que serviram de base e de origem para a ISO 14000 (ISO 14000. sendo utilizada como uma ferramenta gerencial interna e voluntária.cienciaeconhecimento. www. aplicá-la somente em um setor ou área específica (TIBOR. que descreve elementos básicos para um programa eficaz de SGA. são um conjunto de normas ou padrões de gerenciamento ambiental. com a finalidade de certificação e/ou de auto-declaração. 2001). que tenham princípios comuns. aplicável em qualquer outra norma da série. para implantação de sistemas de gestão ambiental.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL.com . Enquanto os sistemas de gestão da qualidade tratam das necessidades dos clientes. A ISO 14001 contempla as especificações da norma. 1996). princípios e à coordenação desse sistema. ficando a critério da organização. A ISO 14004 é um guia de orientação. cada uma delas com a sua finalidade específica. Entre as principais características ou benefícios operacionais da implementação de um Sistema de Gestão Ambiental para as empresas. pode-se destacar a redução da utilização da matéria prima e demais recursos produtivos. pertinentes à gestão da qualidade. refletindo e atendendo as necessidades da empresa. Visa também proporcionar às organizações. ISO 14030 (indicadores ambientais). os sistemas de gestão ambiental atendem às necessidades da sociedade. Tendo em vista que há um aumento na satisfação dos clientes. 1996). como as Normas da Série ISO 9000. tais como a ISO 14001(Norma para certificação) e guias de orientação específicos como pode-se observar: ISO 14004 (SGA). os elementos de um sistema de gestão ambiental eficaz e passível de integração com outros requisitos de gestão. 1996). As normas da família ISO 14000 podem ser utilizadas como documentos isolados. que podem ser utilizadas pelas empresas para demonstrar que possuem um Sistema de Gestão Ambiental. 1996). além do aumento da utilização de recursos renováveis ou recicláveis (LA ROVERE. no que se refere à produto. Os requisitos desta norma se destinam a ser incorporados em qualquer sistema de gestão ambiental. 01. proporcionando-as uma base comum para o gerenciamento dos seus aspectos ambientais. demonstrando que ela está integrada com a proteção ambiental e preocupada com o desenvolvimento sustentável (ISO 14000. Entretanto. 2007. amplamente utilizadas nas auditorias ambientais. ISO 14020 (selos ambientais). e um reconhecimento da sociedade na medida em que as empresas evoluem em seus sistemas de gestão ambiental.

a elaboração de metas e de objetivos. especialmente da alta administração. os elementos base de um sistema de gestão ambiental seguem os mesmos preceitos do PDCA criado por SHEWHART. Um sistema deste tipo permite à empresa estabelecer e avaliar a eficácia dos procedimentos www. O sucesso do sistema depende fundamentalmente do comprometimento de todos os níveis e funções. Reis (2002.com .cienciaeconhecimento. a correção de problemas e a análise e revisão do sistema para aperfeiçoamento. o acompanhamento através de monitoração e de medição para verificar a sua eficácia. medir e melhorar os aspectos ambientais de suas operações (TIBOR. objetivos e metas ambientais. buscando adaptar-se a diferentes condições geográficas. auxiliando-as a gerenciar. Seus elementos bases incluem a criação de uma política de responsabilidade ambiental. amplamente reconhecidos e utilizados pelas empresas. metas e objetivos a serem alcançados.2 7 Especifica os requisitos do sistema de gestão ambiental. melhorando assim o desempenho ambiental. tendo sido redigida de forma a aplicar-se a todos os tipos de empresas. que deve comunicar amplamente sua política ambiental. Como pode-se observar. 2007. ADMINISTRAÇÃO. a elaboração de um planejamento ou de um programa para alcançar esses objetivos. 01.1996). conforme pode-se notar na figura abaixo: Ação Corretiva Definição de objetivos e metas Definição dos métodos que permitirão atingir as metas definidas Educação e treinamento Funcionamento do ciclo do PDCA na determinação dos objetivos e metas ambientais Verificação dos Resultados Execução da tarefa e coleta Figura (3) PDCA.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. p. 89). A. culturais e sociais.

CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. Identifica-se na ISO 14004 “um guia de orientação que fornece exemplos. 01. www. enfatiza como 5 princípios de um sistema de gestão ambiental: Comprometimento e Política. “Um sistema de gestão ambiental pode ser definido como um conjunto de procedimentos para gerir ou administrar uma organização. quanto a fortalecer sua relação com a gestão global da organização”. sociais e organizacionais. na busca de um bom nível de desempenho ambiental. 1996). bem como o compromisso com melhorias contínuas” (ISO 14001. 4. onde os objetivos e metas ambientais podem ser gerenciados com esforços existentes em suas diversas áreas. descrições e opções que auxiliam tanto a implementar um sistema de gestão ambiental. destinados a atingir a conformidade com eles e demonstrá-la a terceiros. 2007. e sobre os quais ela tenha influência. Ele é aplicado nos aspectos ambientais em que a organização possa controlar e avaliar. controlando os impactos ambientais de suas atividades. O Sistema de Gestão Ambiental na Indústria Pode-se também observar na parte introdutória da Norma ISO 14001. produtos e serviços com a finalidade de fornecer às organizações os requisitos básicos de um sistema de gestão ambiental eficaz.cienciaeconhecimento. contido na política. de maneira bem sucedida em qualquer lugar. de forma a obter o melhor relacionamento com o meio ambiente” (MAIMON. que indica que organizações de todo o mundo e de todos os tipos desejam demonstrar um desempenho ambiental eficaz. A. que faz parte de um sistema de gestão global de uma organização. descrito na ISO 14001.2 8 gerenciais e ambientais utilizados. Por este motivo o guia da ISO 14004. Na ISO 14004 é descrito a concepção de um sistema de gestão ambiental como um processo dinâmico e interativo. sendo coerente com o conceito de sustentabilidade ambiental e amplamente compatível com as diferentes estruturas culturais. cujo o objetivo é fornecer a assistência à organizações no que se refere à implementação e ao aprimoramento do sistema de gestão ambiental. ADMINISTRAÇÃO.com . Mesmo tendo como uma de suas características a aplicabilidade em organizações de vários tipos e tamanhos. O sistema de gestão ambiental. esta norma não estabelece “requisitos absolutos de desempenho ambiental além do compromisso formal. Sua finalidade é a de fornecer um processo estruturado e um contexto de trabalho com os quais ela possa alcançar e controlar sistematicamente as metas que estabeleceu para si. de fazer cumprir a legislação e estar em conformidade com as regulamentações aplicáveis. 1996). segundo Tibor (1996). não declara critérios específicos para o desempenho ambiental.

e as metas a serem alcançadas (aonde queremos chegar). ADMINISTRAÇÃO. 1996). ou a aplicação do SGA. referente à Monitoramento e Ações corretivas.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. diminuindo assim o número de ações corretivas (MAIMON.cienciaeconhecimento.com . Nesta etapa. MAIMON (1996) descreve na segunda etapa o Planejamento como a elaboração de um conjunto de procedimentos para a aplicação e a operacionalização de um SGA. deve-se sempre considerar os seguintes requisitos. a Política Ambiental é uma declaração da corporação quanto aos princípios e compromissos assumidos em relação ao meio ambiente. é onde ocorre a medição. Conscientização e treinamento. Neste parágrafo MAIMON (1996) refere-se à terceira etapa. monitoramento e a avaliação do desempenho ambiental da empresa. Na quarta etapa.1. Objetivos e Metas e Elaboração do Plano de Ação. prevista na quinta etapa. as principais características são: Estrutura e responsabilidade. A aplicação do Sistema de Gestão Ambiental 5. “A organização deverá capacitar-se e desenvolver mecanismos de apoio necessários para a efetiva implementação da sua política ambiental e cumprimento dos seus objetivos e metas”. Implementação e Operação. a Revisão ou Análise Crítica. Segundo MAIMON (1996). Documentação. Requisitos Legais e Corporativos.2 9 - Planejamento. 01. Análise Crítica e Melhoria Contínua. 5. Implementação. Quando a empresa monitora continuamente esta etapa. Controle operacional e Respostas a situações emergenciais. A. atua de forma preventiva. referente à responsabilidade ambiental. Princípio 1: Política Ambiental Segundo REIS (2002). Somente após desenvolvidas as etapas anteriores é que chega-se à etapa que prevê a melhoria contínua de um Sistema de Gestão Ambiental. Medição e Avaliação. que são: Aspectos Ambientais. dentro da Política Ambiental: www. definido pela alta direção da organização. essencialmente voltada para o aperfeiçoamento da responsabilidade e desempenho ambiental. Comunicação interna e externa. 2007. onde é levado em conta o diagnóstico ambiental (onde estamos). aplicável em subetapas.

d) Estabelecer as prioridades e e) Disponibilizar o plano de ação para o desenvolvimento do programa ambiental da empresa. onde deve-se considerar os seguintes aspectos: a) A identificação e a divulgação a todos. onde considera-se os seguintes aspectos: a) Legislação e regulamentação. b) A definição e a clarificação do papel dos líderes. Segundo CABEDA (2003) é necessário que o planejamento seja elaborado com requisitos identificados junto aos clientes. b) Impactos ambientais significativos.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. 01. afirma que o planejamento deve seguir os seguintes passos: a) Identificar as situações de problemas. 5. ADMINISTRAÇÃO. para orientar a implementação de uma atividade estratégica. d) Registros de acidentes. www. de forma que conduza ao sucesso do empreendimento. b) Buscar referências comparativas. as ameaças e as tendências e as oportunidades de melhoria. com o desenvolvimento do sistema. visando evitar alguns fatores de riscos. as responsabilidades e a autoridade para as atividades do SGA. fundamentalmente. baseado no ciclo do PDCA. O autor. referente ao comprometimento da alta administração. O Desenvolvimento do plano de ação do programa ambiental serve. Princípio 2: Planejamento MAIMON (1996) define planejamento como um conjunto de procedimentos para a implementação e operação do sistema de gestão ambiental. 2) Avaliação Ambiental Inicial pode ser considerada como uma ferramenta que permite identificar os pontos fortes e fracos. c) Analisar os resultados. 2007. c) O estímulo à participação no desenvolvimento do sistema.com .cienciaeconhecimento.2 10 1) Comprometimento e liderança da alta administração. incidentes e infrações ambientais e a solução dada. c) Estado da Gestão ambiental atual. A.2. que podem levar a falência do sistema.

A. ADMINISTRAÇÃO. para que um Sistema de Gestão Ambiental seja realmente efetivo as pessoas devem conhecer e se identificar com suas funções. Dessa forma. É comum a criação de Grupos de Trabalho. e que garantam o seu sucesso. de diversas área de atuação na empresa (Qualidade para compatibilizar as ações de qualidade ambiental. Quem?. e Quanto?). Como?.3.). é recomendado que uma organização desenvolva a capacitação e os mecanismos de apoio necessários para atender sua política.1 Estrutura e Responsabilidade Segundo REIS (2002). Esta sigla corresponde a uma ferramenta da qualidade composta pelas questões: What? Why? Who? Where? When? How? How much? (O quê?. Treinamento Segundo CABEDA (2003) um dos principais aspectos a serem contemplados pelo projeto e implementação de um treinamento. Segundo CABEDA (2003) existem vários modelos de planejamento estratégico. responsáveis por mudanças de processos ou melhoria a ser obtida.cienciaeconhecimento. seus aspectos e impactos ambientais. 5.3. Onde?.. Quando?. é necessário obter dados da caracterização da situação atual da empresa.3. são a compreensão e a adesão das pessoas de sua empresa ao SGA que se pretende implantar.com . Um dos mais simples é o 5W2H. Princípio 3: Implementação e Operação O 3º princípio da ISO 14004 diz que: para uma efetiva implementação. 5. 5. Por quê?. 01.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. para a realização de treinamentos. Deve-se considerar a presença de vários funcionários. seus objetivos e metas ambientais. que haja algum tipo de reconhecimento ao final de cada etapa bem sucedida. sob a condução de uma pessoa da área ambiental e composto por funcionários das várias áreas da empresa.2 11 Para que o planejamento esteja adequado à realidade. e abrangem outros funcionários e várias áreas da empresa. para a divulgação. e só após realizado este levantamento. É muito importante que seja dado apoio a esses funcionários. Recursos Humanos. www.2. 2007.. estabelecer os objetivos e as metas. Comunicação Social. verifica-se que as responsabilidades de implementação e monitoramento do Sistema de Gestão Ambiental não se limitam ao pessoal do setor ambiental.

3. A medição e o acompanhamento do desempenho no SGA. Analisar as causas dos problemas. Conforme é descrito no 4º princípio da ISO 14004: “Medição. ou seja.2 12 O autor ainda define que o pessoal que executa tarefas que possam causar impactos ambientais significativos deve ser competente. Princípio 4: Medição e Avaliação “Se você não pode medir. é traduzido todo o processo de Medição e avaliação. com base em educação.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. e os sucessos alcançados no SGA (CABEDA. além de divulgar o comprometimento da organização através de suas lideranças. MOURA afirma que a conscientização ambiental está muito ligada à motivação. enquanto o treinamento refere-se a preparar as pessoas para que elas desempenhem bem suas funções (saber fazer).cienciaeconhecimento. 5. monitoramento e avaliação constituem atividades essenciais de um sistema de gestão ambiental. principalmente aquelas consideradas estratégicas. Comunicação A comunicação quando efetiva mantém um elevado nível de satisfação. 01. www. Melhorar o desempenho e aumentar a eficiência. nos ajudam a gerenciar as atividades ambientais.4. A. treinamento e/ou experiência apropriados. nos permitindo: • • • • Estabelecer medidas-padrão para o desempenho ambiental.com . 5. Identificar as áreas onde são necessárias ações corretivas ou ações de melhorias. você não pode gerenciar”! (PETER DRUCKER) Segundo REIS (2002). as quais asseguram que a organização está funcionando de acordo com o programa de gestão ambiental definido”.3. pois tudo aquilo que não pode ser medido e acompanhado. ADMINISTRAÇÃO. através desta frase. à vontade que as pessoas tem em realizar os seus trabalhos da melhor maneira possível (querer fazer). não pode ser gerenciado ou melhorado. de forma mais eficaz. 2007. 2003). transmitindo aos colaboradores quais as ações devem ser realizadas em relação à gestão ambiental.

automaticamente implementa-se a auditoria ambiental periódica. para a tomada de ações. Sobre este ponto. pois existe um comprometimento da administração para atender às disposições de sua política.2 13 5. descreve o processo de análise crítica . Princípio 5: Auditoria Ambiental e Análise Crítica Segundo CABEDA (2003). para o sucesso da implementação de um modelo de www. Segundo PRADO FILHO (2002). realize uma análise crítica do SGA para assegurar-se de sua contínua adequação e eficácia”. 2. 2002): 1. serviços e produtos. 6. dizendo: “É recomendado que a administração da organização. Possuir um Sistema de Gestão Ambiental oferece muita confiança. Pessoas que podem tomar as decisões pertinentes. a mesma ajuda a proteger o meio ambiente e a saúde de seus funcionários e dos que o cercam. 01. em intervalos adequados. A ISO 14004.5. quando uma empresa implementa um Sistema de Gestão Ambiental. ADMINISTRAÇÃO. pois controla os impactos potenciais de suas atividades. Ao se implementar um sistema de gestão ambiental. o sistema de gestão ambiental está intimamente ligado à auditoria ambiental.com . A.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. que este ponto é muito importante. 2007. 2003). observando a periodicidade da mesma.cienciaeconhecimento. REIS (2002) ainda afirma. porque não basta fazer a análise crítica e apontar as falhas. Assim a auditoria é a ferramenta de gestão ambiental que servirá para organizar todos os resultados medidos através dos diversos indicadores (CABEDA. O programa de auditoria deve basear-se na importância ambiental das atividades (aspectos ambientais) e nos resultados das auditorias anteriores. Treinamento e Comunicação: práticas para um bom desenvolvimento do SGA Segundo ANDRADE (2002). evidenciando a atuação responsável e o atendimento aos requisitos legais. É necessário que neste processo estejam envolvidas as pessoas com o poder de decisão. É dada maior ênfase à prevenção do que às ações corretivas. destaca-se que no processo de análise crítica devem ser envolvidos dois tipos de pessoas (REIS. Pessoas que detém a informação correta e o conhecimento. objetivos e metas. O SGA depende da auditoria para o fornecimento de dados e informações necessários a análise crítica sobre o sistema.

uma comunicação interna aberta é um ponto chave para um Sistema de Gestão Ambiental eficaz. onde devem estar contemplados os resultados de monitorações. A. 2007. existe a necessidade de uma preparação antecipada do setor de Recursos Humanos. www. deve estar incluído as questões ambientais pertinentes à tomada de decisões.1. Treinamento Conforme é descrito na Norma ISO 14001. 01. receba treinamento apropriado. Comunicação Segundo DONAIRE (1999). a organização deve identificar as necessidades de treinamento. Essa atitude visa propiciar clareza e transparência sobre a forma de atuação da empresa demonstrando o seu nível de envolvimento com a preservação do meio ambiente (DONAIRE. e deve determinar que todo o pessoal.com . a finalidade da comunicação é estabelecer uma ligação permanente entre o público em geral e a empresa. 2002). Em relação ao treinamento dos gerentes em gestão ambiental. 1999). nacional e internacional). Segundo TIBOR (1996). ADMINISTRAÇÃO.2 14 Sistema de Gestão Ambiental.cienciaeconhecimento. Esse tipo de comunicação melhora a motivação. ajuda a solucionar problemas e eleva o nível de conscientização e de participação. 6. 6. que elabora e aplica os treinamentos. A comunicação serve para reforçar a imagem institucional ambiental da empresa tanto externa (comunidade do entorno. auditorias e análises gerenciais do SGA. e da área das Relações Públicas da empresa que deve divulgar metas e objetivos propostos e alcançados. juntamente com os aspectos relacionados à economia de energia e de custos. proporcionando assim um clima de confiança e de compreensão. e ao mesmo tempo auxiliem na comunicação com seus subordinados. o envolvimento e o comprometimento. fazendo-os com que se sintam envolvidos e motivados (DONAIRE. quanto interna (composta pelo pessoal que trabalha na empresa).2. de modo que estes se sintam encorajados a formular e implementar ações do SGA. cujas tarefas possam criar um impacto significativo sobre o meio ambiente. enfatizando as questões ambientais.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL.

se ele não estiver motivado. têm a chave para realizar as mudanças. pois ele desfia a autoridade do proprietário do processo.com . na prática. de forma constante. os acionistas. a vontade que as pessoas têm em realizar seus trabalhos da melhor maneira possível. avaliando onde a probabilidade de falhas é maior. que prepara as pessoas para que elas desempenhem bem suas funções. consiga monitorar os seus processos. O autor ainda coloca que a motivação diz respeito a “querer fazer”. Não existe Sistema de Gestão Ambiental eficaz. www. podem perder a confiança no processo. não garantirá resultados ambientais ótimos. Se a liderança não encorajar a mudança. ou seja. possuem menos consciência de seu impacto e eficácia do que o pessoal que tem como função. a de garantir a eficácia do SGA. Outra questão latente em relação a ocorrência de falhas no Sistema de Gestão Ambiental. buscando a melhoria contínua do sistema e não do desempenho ambiental diretamente. sem o envolvimento e o comprometimento da liderança (GILBERT. fazer com que os processos funcionem. ADMINISTRAÇÃO. mas. que esperam que o certificado ISO seja um indicador decisivo de progresso ambiental. e descobrir que as propostas de mudanças são inibidas por outros membros da empresa que não estão engajados em relação à necessidade de mudança.cienciaeconhecimento. e que se as empresas alcançarem a certificação. De nada adianta um funcionário possuir o conhecimento necessário para fazer seu trabalho. mas que ela tenha instalado os elementos básicos de um Sistema de Gestão Ambiental. mesmo que os operadores do sistema saibam que os mesmos podem ser melhorados. então continuarão sendo executados. Falhas no Sistema de Gestão Ambiental na Indústria Segundo TIBOR (1996). a motivação. deve estar vinculada ao treinamento. ao que desafia. ou seja. A. GILBERT (1996) coloca que não há nada mais frustrante. 1996). ao aplicá-la de forma correta. é o medo de mudar. O autor ainda cita que os que ocupam cargos de chefia. 2007. por si só. freqüentemente. e em outras áreas da empresa.2 15 7. A Norma ISO 14001 não garante que o Sistema de Gestão Ambiental seja imune a falhas. “querendo” trabalhar. corrigindo-os e procurando sempre alcançar a melhoria contínua. Uma certificação ISO 14001 não garantirá que uma empresa tenha alcançado o melhor desempenho ambiental possível. Ela fornece diretrizes para que a empresa. processos ineficazes. enquanto o treinamento a “saber fazer”. do que ser encorajado a mudar a forma de executar atividades cotidianas. 01. Esta não é a sua função. sem demonstrar resultados.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. Segundo MOURA (2002). a Norma ISO 14001 observa que sua adoção. a barreira que se tem em relação ao novo. O autor ainda coloca que a ISO 14001 é um processo e não um padrão de desempenho.

E ele só terá esta consciência. em suma são aplicadas por amostragem (com funcionários e corpo diretivo) dentro da própria empresa em questão. BACKER (2002) propõe escalas de diagnóstico e conclusões estratégicas que podem variar de empresa para empresa. para a sensibilização e formação. 3. Sistema de Pontuação Para elucidar o sistema de pontuação. e demonstra que uma estratégia ecológica deveria provavelmente ter como objetivo.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. 4. possibilitando a identificação dos pontos fortes e dos pontos fracos . Segundo BACKER (2002) a maioria dos grupos industriais tem mais dificuldades em criar estratégias. Na análise o autor define o posicionamento da empresa como fraco. 01. utilizando Listas de Verificação (Check List).com . o que o autor julga como sendo uma das formas de validação possíveis. Um instrumento que contém uma relação de perguntas detalhadas. 6. e quais os riscos existentes. 2001).2 16 Se o funcionário não estiver bem treinado para realizar as suas funções. Para isso BACKER (2002) elabora as “Tabelas de análise”. dos critérios estabelecidos (LA ROVERE. 1995). A sua estratégia de pesquisa e desenvolvimento em questão ambiental (ANEXO1). nas diversas áreas das empresas. ADMINISTRAÇÃO. A sua estratégia jurídica e financeira em questão ambiental. 2007. A sua estratégia de produção em matéria de meio ambiente.cienciaeconhecimento. peso ecológico na sua estratégia empresarial. na área dos Recursos Humanos. seguem um modelo de aplicação mundial. a chance de falha aumenta significativamente. 8. se for treinado. As “Tabelas de análise” de BACKER (2002). 5. como faz. resumidas em seis tabelas: 1. A sua estratégia de recursos humanos em questão ambiental. Estas listas de verificação. visando coletar dados sobre o desenvolvimento do Sistema de Gestão Ambiental. utilizadas através de tabelas de análise e síntese teórica. A empresa deve ser consciente de que para realizar bem suas tarefas o funcionário deve saber o que faz. A. Sua estratégia de comunicação e de marketing em relação ao meio ambiente. visando a obtenção de respostas numeradas (no caso de 1 a 5) com o objetivo de identificar o cumprimento ou o não. utilizar-se-á o padrão referencial mundial do Sistema Malcom Baldrige (BROWN. além da www. 2. baseado na utilização de um método denominado trial and error (tentativa e erro).

o que financeiramente traduz-se em lucratividade.com . Ao levantar este aspecto. 01. o que conduz a inferir que é onde estaria a maior probabilidade de falhas no Sistema de Gestão Ambiental. após a análise do material. Confirmando.cienciaeconhecimento. recursos naturais). e interage bem com elas. é um negócio altamente lucrativo. verifica-se que o fator humano é responsável por 90% dos casos de acidentes.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. foram abordados os seguintes problemas: a aplicação da Norma ISO 14001. 2007. refere-se à estratégia dos recursos humanos. os especialistas que responderam o questionário deram um outro enfoque para a sustentabilidade financeira de um Sistema de Gestão Ambiental. a Gestão de Resíduos como forma de sustentabilidade financeira de um Sistema de Gestão Ambiental. 9. Pode-se avaliar. A. sobre a gestão financeira de uma empresa. a hipótese de que “a maior probabilidade de ocorrência de falhas dá-se na questão humana”. a falta de comprometimento da liderança. e não www. insumos. elucidando que o SGA tem que se auto-gerir ou auto-sustentar. deve contemplar a economia de recursos (energia. já apontada por TIBOR (1996). Pode-se dar dois enfoques diferentes para a sustentabilidade finançeira do SGA: a) Redução de gastos – ou economia. onde para elucidar sobre o assunto. a desmotivação e a falta de treinamento para os funcionários. o medo de ousar. b) Aumento da lucratividade – quando se fala em aumento de lucratividade. Administrativamente. até para que se forme um ciclo de aprendizado.2 17 comunicação. GILBERT (1996) e MOURA (2002). As falhas devem ser divulgadas. BACKER (2002) ainda cita que a análise de crises e acidentes importantes demonstram. ADMINISTRAÇÃO. é que ela deve obter lucro e rentabilidade através da negociação dos seus produtos e/ou serviços. a falta de comunicação. assim. não se pretende dizer que se tem de aumentar o valor do produto e assim ganhar mais com a venda dos mesmos. pois o ser humano aprende com as falhas. desde que surgiu risk management. que a menor pontuação alcançada nos dados tabulados na análise estratégica de BACKER. depois de implantado. na busca de soluções. o Sistema de Gestão Ambiental na Indústria. Resultados e Discussões Sustentabilidade financeira do programa de Gestão Ambiental como forma de alcançar os objetivos propostos: a primeira impressão que se tem. de mudar. de informação e sensibilização dos funcionários. um esforço de educação permanente.

como forma de alcançar objetivos e metas estabelecidas pela empresa. 2007. como forma de sanar as falhas levantadas. e a sustentabilidade financeira do Sistema de Gestão Ambiental. na análise do tema o que se poderia chamar de três raízes-problema na implantação do Sistema de Gestão Ambiental na Indústria: 1ª Raiz-Problema: A questão humana: Pertinente a treinamentos. a falta de comprometimento. Contudo. ADMINISTRAÇÃO. não bastam. a falta de comunicação. incluindo treinamentos. portanto. é realmente uma grande falha. www. conscientização e comprometimento. separadamente.CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. os Requisitos legais. A.com . pode-se citar: • • • • • • a falta de treinamento. 2ª Raiz-Problema: A questão relativa a aspectos ambientais e a requisitos legais: Onde a grande ênfase foi a Gestão de Resíduos e o problema do departamento jurídico da empresa. Considerações Finais Apenas a aplicação das ferramentas da qualidade. Pode-se tratar as falhas no Sistema de Gestão Ambiental na Indústria. para alcançar metas e objetivos propostos no SGA. Cada item foi tratado. comunicação e possibilitando assim a integração como método de conscientizar. em função da identificação de pontos em comum entre alguns destes itens.cienciaeconhecimento. Como falhas latentes encontradas. através de uma solução comum: manter a sustentabilidade financeira do Sistema de Gestão Ambiental. Assim como a forma de atuação responsável da empresa com relação ao ambiente. no corpo teórico do estudo. representadas por estas três raízes. e a comunicação. É necessário que ocorra uma mudança de atitude por parte de funcionários. controle de aspectos ambientais significativos (com destaque para a Gestão de Resíduos). gerentes e diretoria das empresas. Not5ou-se. 3ª Raiz-Problema: A sustentabilidade financeira do Sistema de Gestão Ambiental. 01. resolveu-se reuni-los em três tópicos.2 18 aproveitar esta oportunidade de geração de receita. motivar e chegar-se assim ao comprometimento de todos.

Estes são uma fonte de renda altamente lucrativa. Amado Luiz . 01. 1994. Administração e qualidade: A superação dos desafios. 1999.2 19 Atinge-se a sustentabilidade financeira do Sistema de Gestão Ambiental. NBR ISO 14001. Marcelo. São Paulo: Atlas. a empresa demonstra a sua atuação responsável com o ambiente e divulga esta prática ambiental correta. 2007. 2003. 2ª ed. Sistemas de Gestão Ambiental: especificações e diretrizes para uso.O. Gestão ambiental: enfoque estratégico aplicado ao desenvolvimento sustentável. 2002. Denis. Referências Bibliográficas ABREU. CARAVANTES. resolvendo-se outra falha apontada: o controle de aspectos ambientais significativos.. sistemas e técnicas de apoio. São Paulo : Makron Books. 1996. ADMINISTRAÇÃO. Qualidade ferramentas para uma melhoria contínua: the memory jogger. 4ª ed. CERVO. DARVIN. Metodologia Científica.cienciaeconhecimento. TACHIZAWA. Desta forma.com .CIÊNCIA E CONHECIMENTO – REVISTA ELETRÔNICA DA ULBRA SÃO JERÔNIMO – VOL. e uma fonte alternativa de lucratividade empresarial. 1987. Gestão ambiental na empresa. Por que qualidade?. como forma de preservação para as gerações futuras. Pedro Alcino. Wesley. Michael. Gestão Ambiental: a administração verde. BACKER. Gerenciando a qualidade: a visão estratégica e competitiva. basicamente os Resíduos. A gestão consciente dos resíduos é a segurança do desenvolvimento sustentável. R. Manual para apresentação de trabalhos acadêmicos. 2. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. São Paulo: Person Education do Brasil. Rio de Janeiro: Qualitymark. São Jerônimo: ULBRA. 1992. DONAIRE. CARVALHO. 1995. A. www. garantem a eficácia do Programa de Gestão Ambiental.B. São Paulo: Makron Books. CARAVANTES. CABEDA. David. José Carlos. BJUR. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. T. ANDRADE. retornando como fator de competitividade. RS . Geraldo R. O sistema Baldrige da qualidade : como interpretar os critérios do prêmio Malcom Baldrige.. Sistemas de Gestão Ambiental: diretrizes gerais sobre princípios. PAP: CREA. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Apostila de Sistemas de Gestão Ambiental. NBR ISO 14004. 1997. 2003. BRASSARD. Paul de. A. São Paulo: Makron Books. 2002.ed.B. Sistemas de Gestão da Qualidade: diretrizes para seleção e uso. NBR ISO 9000. Cláudia. 1996. BROWN. BONATO. reduzindo-se também assim a incidência de falhas. 2002. 1996. e quando bem gerenciadas dentro do SGA. Rio de Janeiro: Qualitymark. Mark Graham. BREVIAN.. Rio de Janeiro: Qualitymark. Rudimar Serpa de.

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